Simplesmente, A Série

1 Capítulo 1 - Simplesmente Começou!


Eu me chamo Juan, tenho 20 anos e... Nunca sei me descrever. Não sei qual foi o imbecil que me colocou como narrador-personagem desta história. Acho que devo falar um pouco de como sou fisicamente: magro, alto, cabelos pretos, olhos... Deixa-me ver no espelho... Pretos ou castanhos sei lá, depende da claridade. Eu sou Estagiário de uma empresa multinacional e, segundo dizem, estagiário tem dois direitos: 1)Não ter direito nenhum e 2) abusar de todo o direito que tem. Mas isso não vem ao caso agora, preciso apresentar minha melhor amiga, Ananda Brandão.

Ananda é daquelas que podemos chamar de fresca. E não é um “pouquinho fresca” como todas patricinhas são, ela é uma fresca criada com vó. Mas eu gostava de Ananda por ela ser justamente fresca. Estranho, eu sei. Mas não vamos demorar nesta delonga, que a história é longa e a paciência é curta. Ananda era loira, magra, tinha 18 anos e era gostosa. Tá. Acho que isso basta. Outro dia mesmo, á tarde, estávamos conversando na lanchonete de seus pais, o POINT BEACH. A lanchonete tinha este nome por ficar próxima a praia. Mas não era à beira-mar. A cozinheira da lanchonete dos pais de Ananda era uma evangélica fervorosa. Sabe aquelas que acham que POKÉMONS são invenções do capeta? Pronto, ela é pior! Seu nome era Irmã Creuds. Ela se vestia com saias e blusas sem decotes ou vestidos longos e escuros prendiam seus cabelos no alto da cabeça num grande coque!

— Ontem na igreja teve um testemunho de Primo Egídio – disse Creuds.

— Há, o seu primo que foi banido de casa por ser gay? – perguntei.

— Sim – Disse Creuds – Ontem ele deu um testemunho de que após entrar na igreja, ele havia deixado de ser gay.

— Como alguém deixa de ser gay? – pergunta Ananda.

— Perante a força e salvação do Senhor tudo é possível. Até aqueles que desmunhecam podem ser munhecados novamente – diz Creuds soltando um “aleluia” no fim da frase.

— Irmã, isto vai contra a lei da física – falou Ananda.

— É verdade – falei — Segundo Einstein, “Aquilo que já está afolozado não se desafoloza mais” – falei.

— Não, não e não. Tudo isso pode ser evitado! –diz a irmã – A força divina pode tudo.

Ela soltou mais um “aleluia”.

Ah, e antes que eu esqueça a irmã não gosta de ser contrariada!

No fim da tarde, eu e Ananda resolvemos dar um breve passeio pela beira mar.

— Como está a situação lá na empresa? Tu acha que vai ser contratado? – pergunta Ananda sobre meu estágio.

— Acho que sim — respondi – Estão gostando muito do meu trabalho. — Ninguém fala nada sobre o assunto?

— Nadica de nada. Ouvimos um grito vindo em nossa direção. Era alguma coisa parecida com “ei”. Olhei rapidamente. Ela estava de biquíni chegando próximo da gente. Era Alicia. APÓSTROFO EXPLICATIVO DE UM PARÁGRAFO: Alicia era uma garota morena, magra com um corpinho escultural que paquerei na lanchonete a um tempo atrás. Foi muito difícil conseguir a atenção dela, mas depois que ela mordeu a isca, foi como miojo: três minutinhos e comi. VOLTANDO À TRAMA CENTRAL... — Qual o nome desta “umazinha” que está com você? – continuou Alicia.

— Me chamo Ananda, tem algum problema? – disse Ananda se remexendo como a Rochelle de “Todo Mundo Odeia o Chris”.

Lascou.

— Está louca Alicia? – falei me pondo no meio das duas que já se encaravam – semana passada nós tivemos apenas uma breve ficada.

— Ficada? Você falou que me amava...

— Minha filha, na hora do “vâmo ver” todo mundo fala tudo – falei.

— Está me chamando de fácil?

— Mulher que dá na primeira vez é fácil – falou Ananda.

— Olhe, sua... – disse Alicia indo pra cima de Ananda que já estava pronta pra “avançar”.

Pulei no meio das duas e falei:

— Vamos parar com esta confusão aqui? – Virei para Alícia – Eu já não tenho mais nada com você...

— Claro – falou Alicia – já provou da idiota aqui, agora vai provar desta vagabunda.

Ananda se sobressaltou, mas afastei-as mais uma vez.

— Deixe de ser imbecil Alicia, Ananda é apenas uma amiga que gosto muito. Além do mais, se ela fosse namorada, ficante ou coisa parecida você não teria nada a ver com isso. Não temos nenhum vínculo amoroso. Entendeu?

— Entendi sim. Pode ficar tranquilo, estou indo embora– falou por fim – mas quero que você saiba de uma coisa...

— O que?

— A minha menstruação atrasou.

— O quê? – falei desesperado.

— Não se espante ainda, não fiz teste nenhum. Ainda nada é comprovado – falou saindo sem olhar para trás...

Eu fiquei paralisado tentando assimilar tudo que estava acontecendo. Isso não podia ser verdade. Em todos os pesadelos que tive naquela noite milhares de crianças parecendo zumbis anãos vinham em minha direção com mãos estendidas e falando “papai”. As crianças estavam por todas as partes, em cima de prédios, vindas de helicópteros, trepadas nas mangueiras. Eu estava ciente que não havia engravidado Alicia e sabia muito bem que ela nem sabia se estava ou não grávida, pois ainda não havia feito o teste. Assim que amanheceu fui à farmácia:

— Quero doze testes de gravidez – disse ao farmacêutico.

— Doze?

— Sim, quero a décima segunda opinião.

Em seguida bati na porta da casa de Alicia, seus pais deveriam estar trabalhando.

-O que você quer? – falou ela assim que abriu a porta.

— Preciso de urina sua.

— Não acredito que você está naquela seita que bebe urina – me perguntou.

Lola, a empregada, que ouvia tudo falou:

— Se vocês mijarem um no outro eu peço demissão.

— Lola, pode sair– falou Alicia à empregada.

— Filho de rico tem cada uma – disse Lola resmungando enquanto saía.

— Para quê você quer minha urina? – perguntou Alicia assim que Lola saiu.

— Testes de gravidez. Comprei doze!

— Doze? Tá pensando que vou parir feito uma cachorra?

— Não – expliquei – quero a décima segunda opinião.

-Tá pensando que eu mijo feito vaca?

— Sem problemas, ligue a torneira e faça força ouvindo o barulhinho de água caindo na pia.

— Sinto muito mas não consigo mijar com tanta pressão. Deixe os testes aqui e volte amanhã. O que eu podia fazer? Deixei lá. Fui à casa de Alícia pra saber o resultado do exame de gravidez. Poderia ligar, mas queria ver o resultado. Bati umas três ou quatro vezes na porta de Ananda, até que a porta foi aberta e uma senhora simpática abriu a porta: — Preciso falar com Alicia – falei.

— Alicia? Ela está neste exato momento em outro estado.

— Como assim, não mora mais aqui? – perguntei assustado.

— Os pais dela entregaram a casa. Eles haviam alugado há dois anos e de uma hora pra outra disseram que tinham que ir embora. Não entendi nada. Ainda bem que não me pediram o dinheiro da “fiança”. Eu estava estático. Como assim foi embora? Ela realmente está grávida? Se estiver, pra onde está levando meu filho? Como vou fazer pra sustentar um filho com salário de estagiário? Dúvidas que pairavam na minha mente e nem me deixavam tempo de tentar solucionar alguma. Preciso evitar Alicia de viajar.

Voltando à trama...

Peguei o celular e liguei pra Alicia. “O numero para o qual você ligou está fora de área ou desligado”, foi o que ouvi. Comecei a entrar em pânico.

O Tempo passa...

Não tive mais notícias de Alicia. Também não a procurei mais. Resolvi tocar minha vida. Como meu estágio estava nas semanas finais, dediquei-me ao meu trabalho fielmente para tentar conseguir a efetivação no cargo. “Os gaúchos” são homens que vieram de “manada” aqui para o estado por causa das empresas multinacionais que estavam se instalando por aqui. Um deles entrou na lanchonete. Eu e Ananda estávamos conversando normalmente. Ananda logo se aproximou de mim, queria falar algo:

— Juan presta atenção na Irmã.

Creuds havia saído da cozinha e estacionou boquiaberta na porta olhando o “Gaúcho”. Era um alto, branquinho de cabelos pretos, com bíceps e tríceps acentuados, parecia um jogador de futebol americano. Os olhos dela brilhavam e a boca salivava. Ananda não se conteve e perguntou:

— Será que a Irmã tem chance?

— Não sei. Se as mau-fama de gaúcho forem reais.

— Qual má-fama? Que eles queimam churrasco?

— Não – respondi – que eles queimam a rosca.

— Mas ela está babando por eles. Lembra que ela foi frustrada não casou. E Irmã feito ela só faz “saliências” após o casamento. Juan – disse Ananda com um sorrisinho sacana – O que achas de tentar desencalhar a irmã com este Gaúcho?

— Eu acho loucura...

— Que nada! Estes homens ficam em casas com outros homens do trabalho. Devem estar loucos para afogar o ganso.

— Isso é verdade – falei.

— E aí? – disse Ananda – Topa?

— Claro. Vamos fazer esta boa ação, que por si só deve pagar nossa entrada no céu... E agora? Será que agora a irmã consegue perder o lacre? Na lanchonete vimos o Gaúcho conversando com a irmã Creuds. Ficamos pasmos com o tipo de tratamento dado, pelo visto para a irmã só duas coisas fazem sentido para manter a ordem no universo: Deus no céu e o Gaúcho na terra. Uma loira entra na lanchoente.

– Ela é loira, Ananda – falei – tenho certeza.

– Como você sabe Juan? – perguntou-me.

– Eu já tive um caso com ela. Ela tem pelos pubianos amarelos.

– Você quer que eu acredite que uma loira sé é loira se tiver pentelhos amarelos?

– Claro que sim, o mesmo acontece com ruivas…

– Eu vivo vendo pixiricas no banheiro feminino e já vi várias loiras de pentelhos pretos.

Enquanto conversávamos percebi que a loira sentou ao lado do Gaúcho.

– Ananda – falei interrompendo a conversa sobre pentelhos a apontando parta o Gaúcho – O que o Gaúcho está fazendo com aquela garota?

– Não sei, vai ver é irmã dele.

O Gaúcho beija a garota ao seu lado.

– Incesto? – perguntei sarcasticamente.

– Pára, palhaço! – falou Ananda brava – A Irmã não pode saber que o Gaúcho está namorando.

– Por quê?

– Ela está totalmente apaixonada. Ontem mesmo ela passou duas horas pra descrever os contornos dos braços musculosos dele. E tem mais, se ela saber de alguma coisa pode fazer a mesma coisa que fez em 2004, quando foi trocada pelo noivo por uma viúva rica e banguela.

COISA QUE ELA FEZ EM 2004 QUANDO ROMPEU COM O NOIVO:

Ao receber um telefonema de seu noivo Remela, dizendo que não a amava, Creuds foi encontrada bêbada desmaiada com uma garrafa de “Pau-de-Índio” na mão, ouvindo Wando, cheirando uma calcinha.

Amigos próximos chegaram a cogitar uma possível revolta da parte da Irmã. Uns chegaram até a achar que ela largaria a vida evangélica e seria uma lésbica cantora de MPB. Mas o Gaúcho saiu da lanchonete junto com a Loira. Creuds não havia visto nada, portanto ainda tinha como separarmos o casal para que Credus finalmente rompa o “lacre”. Eu acho que poderia reconquistar a loira. Nem lembro porque brigamos mesmo....

FLASHBACK DO MOTIVO PELO QUAL BRIGUEI COM A LOIRA:

Acabamos de transar. A Loira (Que desde então chamarei assim por não lembrar o nome dela) perguntou se eu havia gostado: — Foi bom pra você?

— Foi – respondi – e pra tu?

— Foi.

— Nota de 0 a 10?

— 9,75.

— O que faz uma pessoa tirar 9,75 e não 10?

— O orgasmo.

— Quer dizer que você não teve orgasmo?

— Não.

— E aqueles gritos desesperados que você dava?

— Teatro. Fiz cinco anos.

— Poderia ao menos demonstrar os sentimentos verdadeiros para eu poder fazer você chegar ao clímax?

— Quer mesmo que eu seja verdadeira?

— Quero.

— Ok, sua nota foi 4,26.

Acabei o relacionamento ali memso. A lanchonete estava vazia e Ananda resolveu ter um daqueles “papos de mulher” com a irmã. A evangélica fervorosa necessitava de uns conselhos na prática de desencalhar. Todos nós sabemos que ela ficou babando pelo Gaúcho. Ou pelo peitoral do Gaúcho, tanto faz... E, se mal lhe pergunte, alguém aqui sabe o nome do Gaúcho? Pois é. Ela se apaixonou e nem o nome dele sabe!

— Irmã – disse Ananda cautelosamente – a senhora tem uma quedinha pelo Gaúcho, né?

— Ficou doida? – disse a Irmã ficando corada e irritada – O garoto poderia ser meu filho...

— Poderia, mas não é – disse Ananda – O mundo mudou e hoje em dia não existe mais idade pra “amar”...

— Mas num gosto destas coisas não... O evangelho deve censurar este tipo de comportamento!

— Censurar? – disse Ananda – Onde tem escrito que as pessoas não podem se amar por causa da diferença de idade? E, só pra avisar, percebi que o Gaúcho tem olhado muito pra você – mentiu Ananda.

— Sério? – disse a Irmã um pouco mais corada e tentando inutilmente esconder interesse.

— Claro, se fosse você, procurava ousar um pouco no visual e deixava de vestir estas saias compridas que te deixam parecendo uma velha carrancuda!

No outro dia...

Sobe o som de “Uma Linda Mulher”. Com um salto vermelho bico fino, passos firmes, coxas grossas, vestido vermelho, cabelos lisos e batom brilhante, Irmã Creuds chega à lanchonete. Eu e Ananda ficamos babando vendo tal cena. Com uma voz de atendente de disk-sexo ela nos pergunta:

— Cadê o Gaúcho? Apareceu aqui hoje?

— Esta transformação foi para conquistá-lo? – perguntou Ananda.

— Que transformação? É gostosa quem pode! – respondeu a Irmã.

— Você deixou a igreja? – perguntei.

— Ninguém precisa saber desta minha transformação.

— Irmã, você tem 42 anos, o Gaúcho tem 20. Não achas um pouco exagerada a diferença de idade?

— Meu amor, não dizem que panela velha é quem faz comida boa? Eu sou uma velha que é comida toda boa. Radical a mudança da Irmã, mas sabem o motivo desta drástica mudança?

MOTIVO DESTA DRÁSTICA MUDANÇA:

Creuds já havia ouvido os conselhos de Ananda no capítulo anterior, então ela resolveu ouvir a mulher mais experientes com homens que ela conhece, sua prima, popularmente conhecida por Putinha Pequena, só porque é puta e anã. A Irmã envolvida pelos encantos do Gaúcho resolveu pedir umas dicas a Rita de como conquistá-lo, eis a resposta:

— Creuds – falou sentada na cama junto com a Irmã – somos fêmeas e está no nosso instinto fisgar machos. Mas os machos de qualidade têm que ser fisgados. Não adianta se vestir parecendo uma trolha. Pois é assim que você se veste. Parece que arrancou uma capa de bujão e usou de vestido. Para conquistar um homem, ainda mais novo feito este que você quer, faça parte da concorrência, como não podes rejuvenescer fique jovem com roupas e acessórios. Dê um upgrade, ouça Lady Gaga, siga os conselhos da Madonna , compre um vibrador…

— Vibrador? – pergunta Creuds assustada – O que um vibrador pode fazer para eu conquistar o Gaúcho?

— Para conquistar o Gaúcho nada, porém para suprir os momentos de carência…

Voltando a trama:

— Irmã – falei- confesso que estou embasbacado com esta mudança.

— Fique assim não – disse Ananda – É 2012 chegando! A irmã entrou na cozinha. Ao verem seu visual, todos ficaram boquiabertos.

Notas finais
Espero que tenham gostado deste turbulento início e fiquem à vontade para comentar tudo o que gostou e que não gostou, assim posso fazer modificações na história para melhor agradá-los.

Será que após esta mudança radical a Irmã Creuds conquistará o Gaúcho? No próximo capítulo, um pevertido sexual procura uma vítima e Ananda pode cair em suas graças.
Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.