Simplesmente
20 Capítulo 20: Volta às aulas
Notas iniciais
Pov Ivy
Há alguns dias atrás voltar às aulas me deixava eufórica. Rever alguns amigos, voltar a ser o centro completo das atenções. Não havia como negar essa parte de mim, fui criada dessa forma e por muitas vezes sentia falta. Nunca iria possuir nada contra ao estilo de vida de Shay, mas sair de minha zona de conforto era uma coisa completamente diferente do que aceitar a vida que minha namorada levava.
Mas agora? Estava ali parada a frente do prédio escolar, mordendo o interior de minha boca hesitando em entrar. Perguntava-me se Shay já havia chegado, se estaria me esperando. Ou quem sabe não viria? Era completamente o jeito dela faltar ao primeiro dia de aula, quando os professores pegavam mais leve por saber que alguns ainda estavam viajando. Desde o que aconteceu naquela noite no Fuego eu a ignorava. Não atendia suas ligações ou respondias as mensagens. Não entrei na internet ou avisei de alguma forma que iria viajar com meu pai.
Ele foi em uma reunião importante em um júri de outra cidade, aproveitei para literalmente fugir. Não sou covarde, mas ainda tudo o que aconteceu me abalava de uma forma que eu não conseguia explicar. Não estava preparada para essas sensações estranhas, intensas e complexas. Eu ainda tinha um ciúmes que não podia controlar toda as vezes em que pensava que aquela ruiva poderia estar nesse momento junto com a Shay. A culpa era dela, daquela garota que se pós entre mim e Shay.
Não me arrependia. O orgulho falava mais alto. Estava defendendo o que era meu e a Shay era minha, apenas minha! Porém essa barreira era rachada toda vez que lembrava do olhar de mágoa que ela havia me dado no fim de nossa briga. Eu a tinha machucado e isso me matava por dentro. E assustava mais que qualquer outra coisa. Estava tão acostumada a proteger a Shay, ter ela ao meu lado que vê-la contra mim, machucada por mim, retirava toda a minha ordem lógica das coisas e jogava-me em um abismo de confusão e medo.
Respirei fundo e balancei minha cabeça de leve, jogando esses pensamentos para longe. Ou iria chorar por ter passado tantas horas sem ouvir a voz da mulher que eu amava. Assim que eu entrei no primeiro corredor, passaram a me cumprimentar ou perguntar como foi as férias. Sorri facilmente, escondendo toda a confusão que tinha em meu interior. Era fácil encenar que estava tudo bem, aprendi isso desde pequena com minha mãe que me forçava a ir para eventos importantes e dizer que estava tudo perfeitamente no lugar, inclusive minhas emoções. Logo encontrei minha antiga turma e me deixei levar pela conversa que mal senti quando o tempo passou e finalmente o sinal tocou, anunciando o inicio das aulas.
Engoli em seco ao entrar na sala. Porém logo Sarah, uma garota baixinha de meu grupo, porém talvez a mais madura tocou em meu ombro e abriu um sorriso tão contagiante que eu não pude evitar retribuí-lo.
-Você parece tensa, relaxe – ela comentou gentil – Apesar de ser raro te ver assim. Quando está incomodada você simplesmente vai lá e briga.
-Eu não sou briguenta! – reclamei e entrei na sala determinada.
-Imagina se fosse... – ela brincou e riu.
Revirei os olhos e por alguns segundos me senti como antigamente. Porém ao voltar meus olhos para a sala meu coração disparou tão forte que pensei que poderia ser indícios de uma taquicardia. Mas era apenas ela ali, sentada no fundo da sala, encarando-me com aqueles olhos dourados de uma forma tão intensa que senti minhas pernas travarem no lugar. Toda a saudade que eu sentia assolou meu peito, quis correr para ela, pedir desculpas... Espera, desculpas?! Não, eu não estava errada. Aquela garota ruiva que estava ao enganar-me daquela forma. Shay deveria ter dito desde o inicio que estava namorando, então não haveria essa confusão toda. Então não era eu que deveria pedir desculpas.
Então de forma orgulhosa e convicta de que não devia nada, mas sim ela, sentei em uma cadeira ao meio de meus amigos. Por sorte Luke ainda não havia voltado de sua viagem e o clima ficava completamente mais ameno. A professora de matemática entrou e as aulas finalmente começaram. Tentei prestar atenção, porém o que estava fazendo de verdade era lutar com todas as minhas forças para não olhar para trás e encontrar aqueles olhos dourados novamente.
Foi como se tudo tivesse voltado ao inicio do ano. Fiquei com minha turma popular, brinquei com eles e provoquei os garotos apenas para me distrair. Os homens eram tão fáceis de serem manipulados quando se envolvia segundas intensões e charme feminino que chegavam a serem tediosos. Aquilo já não me divertia mais. Lindsay ficava ao meu lado, apesar de estranhar e não concordar muito. Quando ela escutou o que havia acontecido no domingo apenas disse que eu estava encrencada e orgulhosa demais, porém que ficaria comigo como uma melhor amiga deveria fazer. No intervalo Shay sentou sozinha, já que Henry também não tinha retornado da última viagem que fez.
-Vai ignorá-la mesmo? – Lindsay perguntou enquanto caminhávamos para a biblioteca no final das aulas – Fico pensando o que ela esta achando de tudo isso.
-Deveria se importar comigo! Da mesma forma que eu não fui até ela, ela não veio até mim! Ela está tão orgulhosa quanto eu – repliquei zangada, mas em tom baixo.
-Você a ignorou durante o final de semana todo – lembrou Lindsay dando de ombros – Só estou falando, pode estar perdendo tempo de amasso com a garota mais cobiçada entre as garotas.
-Ela ERA – eu podia sentir meu sangue ferver só de lembrar que a Shay era tão pegadora assim antes.
-E você também era – Lindsay sorriu vitoriosa – Já pegou mais homens do que eu, e olha que minha cota masculina é alta.
Resmunguei alto sentindo um frio só de lembrar de como era ficar com os homens. Tão mais brutos e insensíveis. Alguns se salvavam, mas nada se comparava a ela. Entramos na biblioteca e eu fui direto para a fileira de estantes onde estavam os livros preparatórios para exames. Não iria começar o semestre perdendo para Shay, isso eu não poderia admitir de forma alguma, namorando ou não! Estava distraída folheando um livro, mas com a mente completamente absorta em outros assuntos quando escutei vozes e um pequeno choro. Olhei para Lindsay e ela também olhava para os lados. Ela fez um movimento de cabeça para que eu a seguisse e como verdadeiras espiãs caminhamos o mais silenciosamente possível para a segunda fileira, parando do outro lado onde as vozes vinham. Por causa dos livros eu não conseguia ver quem eram.
-Mas... Mas não pode ser verdade! Você disse que nunca se interessava por alguém! – acusava uma voz embargada – E eu disse que te amava!
-Certas coisas não se controlam Bianca. Eu me apaixonei, estou namorando.
Meu Deus, era a Shay! Arregalei os olhos, mas Lindsay pós o indicador nos lábios indicando silêncio. Meu coração parecia ter saltado para a boca.
-Você não parece feliz. Eu posso te fazer feliz Shay, como você ficou naqueles dias! – a tal da Bianca implorava com a voz embargada pelo choro.
Fechei minhas mãos em punhos e já estava para levantar furiosa. Aquela garota vadia pensava que podia fazer minha Shay feliz? Como se soubesse alguma coisa sobre ela! Porém Lindsay me segurou a tempo, me fazendo olhá-la de forma quase assassina.
-A gente teve um desentendimento, apenas isso – Shay falou calma e pareceu respirar fundo – Ela é orgulhosa e teimosa.
-Então... Eu não sou bem melhor? Eu nunca faria você chorar, e não adianta dizer que não estava, eu vi.
A Shay... Chorando? Foi como se todo o movimento de raiva dentro de mim de repente se transformasse em mil facas e me perfurassem. A culpa era minha.
-Só nunca imaginei que dois dias fossem causar tanta saudade – Shay explicou em um lve tom de tristeza e depois pareceu se recuperar – Eu a amo como nunca amei alguém na vida, é nela quando penso em alguém comigo no futuro. Por favor, entenda isso. Você é incrível, foi carinhosa comigo. Mas eu só consigo amar a essa garota.
-Mas como se ela te machucou dessa forma?! Você merece muito mais!
-Eu já a magoei uma vez. Já fui orgulhosa de admitir o que estava sentindo, o medo que eu tinha de aceitar que poderia perdê-la, que ela poderia adentrar em minha vida. Olha Bianca, eu só estou contando isso tudo para você porque é uma garota especial e queria que não contasse para mais ninguém.
-Sou especial? Mas não para você não é?
-Sinto muito.
-Quem é ela? É daqui?
-Isso eu não poderia dizer. Sabe como o preconceito é e ela não se assumiu ainda.
-Viu, nem por você ela faria isso? Ela não te merece!
-Na verdade... Eu que estou protegendo ela.
-Você é tão boa que chega a ser irritante!
-É o meu charme.
Elas riram baixo e eu pude escutar um suspiro de conformidade vindo dessa tal Bianca. Escutei os passos se afastando e lembrei que tinha de respirar. Havia prendido todo o ar quando comecei a escutar a declaração de Shay. Eu estava sendo tão idiota por ter orgulho por coisas tão bobas e que estavam me afastando dela! Eu tinha de fazer algo.
-Lindsay – chamei em um fio de voz – Ligue para minha mãe e diga que eu vou dormir com você. E me leve para casa de Shay, ela vai de ônibus, chegaremos mais cedo que ela.
-Finalmente – Lindsay concordou já pegando o celular.
Eu não sabia o que iria fazer, apenas tinha certeza de que tinha de ser algo. E que teria de ser o quanto antes, não aguentaria mais um dia sem falar com ela. Praticamente corremos para fora da escola. Felizmente Lindsay estava de bom humor e animada com a pequena aventura que tivemos. Lembrar como a Shay falou de mim, apesar de ter falado que era orgulhosa e teimosa, me fez sorrir verdadeiramente pela primeira vez nesses últimos dias.
Assim que chegamos a frente da casa de Shay meu coração disparou novamente, não sabia ainda o que fazer. Sinceramente? Não sabia como desculpar, não havia feito isso muitas vezes em minha vida para saber como me comportar ou agir para pedir perdão a alguém. Tudo bem, não estava tão errada, mas poderia ao menos admitir que havia exagerado não é?
-Obrigada – falei para Lindsay assim que sai de seu carro – Pode vim me buscar também?
-Para que serve as melhores amigas? Mas não se acostume – ela avisou lançando um beijo para mim – Boa sorte e bom sexo das pazes.
-Lindsay! – exclamei ficando vermelha.
Ela riu alto e saiu com o carro. O fim da tarde já se aproximava, já que passávamos quase o dia inteiro na escola. Peguei de minha bolsa a chave que tinha da casa dela, havia tirado uma na época em que fiquei cuidando dela do acidente. Isso parecia tão distante agora, tanta coisa já tinha acontecido. E mal tínhamos dois meses de namoro. Mordi o canto do lábio e abri a porta, escutei passos se aproximando e já esperava pelo Sean.
-Shay, chegou cedo!
Só que não foi Sean. Danielle havia saído da cozinha e me encarado com surpresa. Ao menos o sentimento de perplexidade era recíproco. Ela era linda, o que me enchia de raiva. Aquele cabelo vermelho não era alaranjado, mas sim escurecido. Os olhos verdes eram grandes e vívidos, o corpo... Era perfeito. Seios grandes, cintura fina, barriga lisa. E estava usando um micro short com uma regata azula escura.
-O que faz aqui?! – perguntei saindo do meu estado de surpresa para passar ao de incomodo e raiva.
-Eu que pergunto a você. Como conseguiu entrar?! – Dani questionou cruzando os braços.
-Eu tenho a chave – disse como se fosse a coisa mais vitoriosa do mundo – Agora o que faz aqui na casa de MINHA namorada?
Não estava sendo nem um pouco cordial. Meu tom era cortante e minha mente planejava mil e uma formas de tirá-la dali o mais rápido possível. Danielle ainda de braços cruzados se aproximou de mim, mais séria do que antes.
-Escute aqui italiana – ela começou de um jeito frio – Comece a tirar essa atitude de que é dona de Shay. Ela é um ser livre e não um objeto para você proteger como se qualquer uma fosse toma-la. Shay não precisa de uma garota mimada, mas sim de uma mulher pra ter ao lado.
-Você não me conhece! – rebati – Não sabe nada de mim, então não me julgue. Você que apareceu criando essa confusão toda. Sinto muito se sou sincera o suficiente para deixar claro e evidente que não gosto de você e te quero longe dela.
-Não conheço, mas até agora você só está agindo como uma namorada idiota que teve um enfrentamento e se irritou.
-Um enfrentamento?! Você estava dando encima da Shay, como queria que eu pensasse? Eu não conheço você, mas até agora a palavra vadia vem a minha mente toda vez que penso em você.
-O meu vem garota idiota que vai perder a Shay se ficar com essa atitude tola de que pode controlar tudo.
Eu estava pronta para bater nela. Porém a porta abriu e finalmente Shay chegou com Sean. Ao nos ver ela estacou no local, o clima estava tão tenso que até mesmo Sean hesitou em entrar em casa. A encarava com a raiva e o orgulho revivido.
-Ivy! – Sean veio me cumprimentar – Veio pra ficar?
-Não mais – respondi o menos fria que eu conseguia, toquei a cabeça do garoto e baguncei o seu cabelo, o olhando com mais carinho – Depois vou querer saber como foi sua volta à escola ok?
Ele fez que sim com a cabeça e eu arrumei a bolsa em meu ombro. Sem olhar para Shay comecei a ir para a porta, mas ela bloqueou a passagem.
-Saia da minha frente – ordenei a encarando com raiva.
-O que veio fazer? – ela perguntou ainda um pouco surpresa.
-Não importa mais – respondi desviando os olhos – Não tem problema, eu saio pelos fundos.
-Deixe ela ir Shay – Dani comentou.
-Não se intrometa! – gritei para ela sem conseguir me segurar mais.
-Ivy fique calma – Shay pediu.
-Continue defendendo essa ragazza. Tem razão, ela é sua amiga de muito tempo. Fique com ela então!
Dei as costas e pelo menos Danielle fez o favor de sair da frente, me dando passagem para a cozinha e para sair pelos fundos.
-Dani, pegue o Sean e vá para a casa do Alejandro – Shay falava atrás de mim e eu adiantei o passo, saindo da casa – Só faça o que estou pedindo!
Estava já alcançando a frente da casa. Shay apareceu na porta e eu virei para o caminho contrário a ela. Não conseguia processar tudo o que estava acontecendo. Porque todos haviam tirado o dia para dizer que eu não servia para Shay? E se... E se não servisse realmente? Éramos tão diferentes! Esses pensamentos me assombravam a ponto de me fazer fraquejar até mesmo na raiva.
-Ivy, espera! Precisamos conversar – Shay teve de correr para me alcançar.
-Já conversamos – respondi fria, olhando sempre para frente.
-Não, não conversamos. Você gritou e escapou.
-Ah, a culpa é minha novamente não é? Ótimo. Volte para casa e fique com quem realmente te entende. Parece que não sou mais capaz disso.
-Ivy!
Eu a ignorei. Continuei a andar até estar perto do quarteirão. Não escutei mais nenhuma palavra do que ela tinha falado. Toda incerteza que eu poderia ter parecia acumular-se em meu peito e me sufocar de uma forma que mal me deixava respirar realmente. Estava magoada. Dani, Bianca. Todas as pessoas que pareciam gostar de Shay me viam como algo ruim para ela. Mas eu não era! Eu cuidava dela.
-Merda Ivy! Ou você vem por bem ou por mal! – gritou Shay.
Tomei um susto quando Shay parou a minha frente e em um movimento rápido inclinou o corpo e me pegou pelas pernas, fazendo meu corpo cair sobre seu ombro. Ela estava me carregando como se fosse uma mercadoria. Gritei com o susto apenas para depois passar a gritar com ela.
-Coloque-me no chão, sua ragazza stupida! Io non quero ir para lá! A sua perna não está totalmente boa para ficar me segurando!
-Preocupada comigo?
Resmunguei e bati nas costas dela. Sim, estava, e isso apenas passou a me irritar mais ainda. Não demoramos a entrar novamente na casa dela, Shay bateu a porta usando do pé para empurrá-la e me jogou sem muita delicadeza no sofá.
-Você não pode me tratar assim! – estava para me levantar, Shay segurou meu ombro e me empurrou novamente – Pare com isso!
Mas então ela sentou em meu colo, de frente para mim com suas pernas ao dobradas ao lado de meu corpo. A proximidade logo causou certo calor e por mais que eu lutasse contra, aquilo me afetou lembrando como eu estava com saudades.
-Saia! – ordenei falhando em parecer zangada.
-Não – Shay respondeu sorrindo – Você não teria forças para me tirar daqui. Temos uma química forte demais, você está toda arrepiada.
Shay aproximou o corpo mais do meu, colando e pressionando de tal forma que me fez fechar os olhos por alguns segundos. Acordei rapidamente do torpor excitante e bati com um pouco de força na perna dela.
-Pare de me seduzir e me deixei ir! Eu não quero mais ficar aqui! – exigi quase gritando em desespero.
-Eu nunca vou deixar você ir, Ivy. Quando entenderá isso?
A fitei e esse foi meu erro. Ela não estava zangada ou me seduzindo mais, apenas me encarava com todo o amor que poderia derrubar qualquer barreira minha. Senti uma vontade inexplicável de chorar.
-Eu machuquei você – murmurei acuada no sofá – Estava na biblioteca, escutei você e Bianca.
-E não partiu para cima dela? – estranhou Shay.
-Lindsay me segurou. Mas assim eu pude escutar tudo.
-Escutou quando disse que te amava? Que não quero mais ninguém?
-Que você chorou, que estava triste. Por minha culpa. Mas ao mesmo tempo eu não consigo me desculpar direito. Aquela stupida aparece para se intrometer sem nem ao menos me conhecer. Fica achando que tem o direito de dizer que não sirvo para você. O que ela sabe?
-Tenha paciência, ela...
-Não a defenda!
-Desculpe. O que ela te disse?
-Não importa mais. Eu não gosto dela, não gosto do jeito dela e não gosto dela perto de você. Ela se intromete e julga!
-Ela só estava me defendendo.
-Ai está o problema! Desde quando você tem de ser defendida de mim?! – respirei fundo para poder reclamar mais, porém o cheiro dela me invadiu e quase me fez render novamente — Saia de cima de mim, eu não consigo pensar direito assim.
-Não quero, está gostoso. Toda vez que vai brigar ou gritar tomar ar demais, o que faz seu peito roçar no meu. Nunca pensei que brigar fosse tão bom.
-Sua pervertida! – gritei ao sentir o meu rosto esquentar.
-Viu só?!
Ela riu e me puxou para um abraço apertado. Fechei os olhos e segurei a cintura dela para afastá-la. Mas não consegui. O modo como ela me envolvia e segurava apenas me dava a certeza de que era ali que eu tinha de ficar. Lutei contra as lágrimas que teimavam a vim e a abracei com igual força, enterrando meu rosto no pescoço dela.
-Shay... Você acha que eu controlo você? – perguntei toda hesitante, escondendo mais ainda meu rosto no pescoço dela.
-Não sei quem disse isso. Mas quem falou não sabe o quanto você toma conta de mim, isso me faz querer fazer as coisas para você. É porque eu quero e gosto de você assim, do jeito que você é. Não se preocupe, meu amor. É um pouco mandona e mimada, teimosa e orgulhosa e...
-Eu já entendi – a cortei antes que fizesse uma lista negra de meus defeitos.
A olhei finalmente afastando meu rosto. Shay soltou o abraço que me dava apenas para tocar meu rosto com todo o carinho e de igual maneira me beijou. Meu peito transbordou em um alívio que eu não poderia descrever. Mais forte que toda a raiva e mágoa que eu havia sentido nesses últimos dias. O beijo foi longo, mas intenso e gostoso de uma forma que só Shay sabia fazer. Eu retribuía e deixava ela guiar sem disputar pelo comando, estava com tanta saudade daquele sabor que tudo o que eu queria era beijá-la ainda mais e me entregar completamente.
-Ivy... eu tenho de ir trabalhar – Shay disse mal desprendendo os lábios dos meus.
-Não, fica aqui comigo – mordi o lábio inferior dela e o suguei, sorrindo ao escutar o gemidinho que ela soltou – Fica comigo.
-Eu... eu não posso.
Resmunguei e afastei o rosto do dela. Shay parecia transtornada por ter de se afastar, mas lentamente afastou o corpo do meu e levantou.
-Porque não fica aqui? – Shay pediu começando a sorrir – Segunda feira não tem muito movimento, posso voltar mais cedo pra casa.
-E dividir o mesmo recinto que sua amiga? – arqueei uma sobrancelha – Não, vou ligar para Lindsay, ela vai brigar mais vai vim me buscar. Alias, o que ela faz aqui?!
-Veio conhecer meu irmão e minha casa. Será só hoje, ela tem o próprio apartamento dela.
-Ela não vai dormir com você, vai?
-Bem... ia por um colchão em meu quarto. Mas vou pensar em outra saída, prometo.
Dei um olhar do tipo “acho bom”. Levantei pronta para ir pegar o meu celular, mas Shay agarrou-me novamente. O resultado foi que ela chegou atrasada para o trabalho e que eu finalmente tinha certeza de que não importava os meus defeitos ou qualidades, Shay me queria mesmo assim.
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