Simplesmente

15 Capítulo 15


Notas iniciais
Capítulo ficou meio grande, eu sei, mas... fazer o que D= perdoem a demora, mas agora eu to com o recesso do carnaval já, vou tentar adiantar bastante a história para vocês.
Eu to com preguiça de por em itálico as palavras italianas -q

Pov Ivy

Robert ao que parecia era um homem popular entre os amigos. Mais que isso, podia extravasar em gastos na sua festa, mas ao mesmo tempo continuava sendo um homem simpático e simples. O que era um encanto. A festa corria solta, com Shay fazendo sua mágica musical e bebidas exóticas por todo o lado. Eu estava certa quando disse que iria me divertir, logo estava com um grupo de mulheres jovens, comentando sobre tudo, desde moda a fofocas. Mas também sabia me enturmar com os homens, já que meu pai e meu irmão falavam de negócios e situações políticas, sabia responder e ironizar alguns casos mencionados pelos rapazes.

Eu não me importava em chamar a atenção, estava acostumada a isso, me preparava para isso. Para a festa, havia escolhido um vestido vermelho escuro, decotado e curto, de sandália baixa e maquiagem fraca, apesar de ser noite. Shay de inicio não havia gostado da minha escolha, mas quando brinquei que ali poderia dizer que essa italiana gostosa tinha dona e apontar pra ela, a garota não pode deixar de dar aquele sorriso travesso. Até porque, a todo momento ela estava me olhando, e quando nossos olhares se encontravam, era como se nada mais existisse por alguns segundos. Não pude evitar algumas cantadas e tentativas de flerte, mas como havia prometido, ali era muito bem comprometida e logo dizia a verdade. O que me incomodava profundamente era o oposto. Shay sempre tinha pessoas indo a sua mesa de som e claro, homens e mulheres pareciam encantados com aquela DJ. Ela usava um short social branco e uma blusa também branca, mas com estampas de notas musicais nas bordinhas. Quando a luz da boate batia nela, a garota parecia brilhar em neon. Como ela não podia se achar linda? Todos ali parecia comentar isso uns com os outros e até mesmo comigo.

-Então srta. Lazzini – um homem ao meu lado chamou a atenção – Você pretende fazer faculdade de direito. Interessante que uma jovem como você já esteja tão determinada.

-É algo que penso já há alguns anos – respondi com um sorriso – Decidir de ultima hora é algo realmente irresponsável. Mas vejamos a Shay como exemplo, ela planeja isso ainda melhor do que eu.

-A DJ? O que ela pretende? – o homem perguntou curioso, olhando em direção da Shay.

-Arquitetura. No entanto ela planeja tudo nos mínimos detalhes. Precisa de bolsa para pagar uma faculdade realmente boa e por isso mantem as notas mais altas do Lyon High School.

-A escola renomada? E ela ainda trabalha...

-Como eu disse, ela precisa da bolsa. Mas eu sou a primeira a ter fé de que ela vai conseguir tudo o que quer – respondi com um sorriso orgulhoso nos lábios.

-Bem, fico mesmo feliz com a maturidade de vocês duas. Vamos curtir mais um pouco a festa, aquela garota está mesmo fazendo um bom trabalho. Ensinaria um homem como eu a dançar?

Ri da proposta dele. Era um senhor casado e a mulher dele dançava com um amigo, a conheci logo no inicio da festa, uma senhora muito animada apesar da idade. Não haveria problemas nenhum, apesar de mal lembrar o nome daquele homem. Seguimos para a pista de dança e Shay ao me ver tentando ensinar o homem a salsa sorria divertida. A festa seguiu nesse ritmo quente e animado. Todos ali não reclamaram nenhuma vez durante as horas em que iam passando. Quando finalmente o som acabou, restavam apenas uns dois casais e o pessoal arrumando a bagunça que restou. Estava falando com Robert quando vi Linna se aproximar de Shay que começava a guardar o seu equipamento.

Havia algo no sorriso daquela francesa que me irritava. Ela sorria demais para a minha garota, ficava próxima demais. Dei uma desculpa qualquer para me aproximar de Shay pelo outro lado, subindo ao palco e logo que fiquei perto o suficiente envolvi meu braço na cintura dela de forma possessiva. Era minha, apenas minha!

-Está cansada, mio amore? – perguntei de forma inocente.

-Fazia tempo que não trabalhava em um período de tempo assim – Shay respondeu e respirou fundo – Quero apagar naquela cama novamente.

-Mas não se esqueça que tem o passeio amanhã – Linna logo avisou.

-Passeio? – indaguei entre curiosa e desconfiada.

-Sim, o hotel oferece guias turísticos. Amanhã vai sair um para explorar as praias e ir até a cachoeira. Sei que irá um grupo pequeno porque muitos só vão acordar lá pela tarde – Linna explicou educada, mas olhava diretamente para Shay – Então é nesse que temos permissão para ir. Todo mundo vai, Shay também deveria.

-Eu quero dormir – reclamou Shay contendo um bocejo.

-Vamos sí – respondi por ela – Temos de aproveitar lembra?

-Deixe de ser má! Vamos ter os outros dias! Dormir lembra? Importante!

Ri baixo e mordi o pescoço dela, Shay resmungou e suspirou ao mesmo tempo. O olhar incomodado de Linna foi apenas um troféu extra. Shay logo concordou e eu a ajudei a guardar o equipamento para que andasse mais rápido e pudesse dormir, já que suas horas de sono haviam diminuído drasticamente. Assim que terminamos, a levei até o apartamento dela e a ajudei a se ajeitar. Shay literalmente desabou na cama e dormiu, tive de cobri-la para não pegar um resfriado com o ar-condicionado. Naquela noite havia dormido em meu próprio apartamento, mas no fundo me perguntava se seria assim com os outros.

Não tive sonho nenhum e no primeiro toque do celular eu já estava levantando para não perder tempo nenhum. Tentei ligar para Shay para que ela acordasse, mas como havia imaginado ela não atendeu, provavelmente estava dormindo como se tivesse morrido. Suspirei e fui me arrumar, banhei-me rapidamente e dessa vez escolhi um shortinho e uma regata apenas, por baixo usava um biquíni azul claro. Dentro de uma bolsa de praia havia colocado uma toalha, roupa extra e alguns outros produtos que achava necessário. Só então segui para o apartamento de Shay e entrei usando o cartão-chave. Logo que havíamos chegado decidimos por cada um ter uma cópia do cartão da outra, para podermos entrar livremente no apartamento da outra. Ao que parece, ela logo se arrependeria disso.

Mas assim que entrei no quarto, Shay estava esparramada na cama, com a coberta cobrindo até a cintura e a blusa levanta ameaçando mostrar os seios. Tive de engolir em seco, ela tinha de ser sexy até mesmo dormindo? Aproximei pronta para acordá-la, pensando em apenas sacudi-la, mas assim que fiquei perto o suficiente escutei ela balbuciar algo. Curiosa me aproximei mais, ficando ao lado da cama... Apenas para escutar o meu nome.

-Ivy... – murmurava Shay mexendo um pouco o corpo enquanto sonhava – Não... não faz essa cara... Ivy... Sorvete de morango... Hum... Não, não me deixe, eu tenho... Sorvete de morango.

Tive de segurar o riso. O que um sorvete de morango tinha haver com não deixa-la? O que ela estaria sonhando?

-Mas... Eu te amo.

Minha vontade de rir havia morrido naquele instante. Meu ar parecia ter sumido de meus pulmões assim como meu coração havia parado. Apesar desse tempo todo, um pouco mais que dois meses desde que nos beijamos pela primeira vez... Nunca havíamos dito eu te amo uma para outra. Nunca havia me importado muito com isso, estávamos namorando e tinha nosso carinho, nosso companheirismo... Isso era amor realizado em ação, ao menos eu pensava nisso até agora. Escutá-la... Era tão, mas tão... O chão sobre meus pés havia sumido, meu coração havia disparado de uma vez só, bombardeando em meu corpo uma sensação que nunca havia sentido antes. Estava em um torpor apaixonado, como se tivesse descoberto o mundo naquele momento com apenas aquelas três palavras.

-Sim... isso, sorvete de morango – murmurou Shay novamente no sonho.

Sorri e balancei minha cabeça em forma negativa. Como ela conseguia ser tão boba até mesmo em um sonho? Suspirei baixo e sentei na cama ao lado dela, inclinei meu corpo e segurei o rosto dela com uma mão. Comecei dando selinhos, mordidas nos lábios, depois suguei de leve o lábio inferior dela. Pretendia acordá-la da melhor forma possível. Shay suspirava entre meus beijos, demorando cerca de um minuto para começar a retribuir e sorrir mesmo sem abrir os olhos.

-Se não tivesse me acordado assim, eu realmente estaria brava – ela murmurou finalmente abrindo os olhos, quando me viu Shay sorriu grande, de orelha a orelha – Realmente, não tenho como ficar brava, fui acordada pela mulher mais linda desse mundo.

-Boba – sorri e a beijei mais uma vez – Mas se acha isso, me obedeça e levante logo, estaremos perdendo tempo.

-Aaaah, só mais um pouquinho, está tão gostoso isso aqui. Deita aqui comigo e te mostro como é bom ficar nessa cama.

Não pude conter o riso. Fingi que ia beijá-la, mas levantei no ultimo minuto e a escutei gemer frustrada. Tive de praticamente puxá-la da cama e a empurrar para o banheiro para que pudesse adiantar o nosso lado. Fui até o guarda-roupa escolher eu mesma as roupas dela para ganhar tempo. Um short, tênis e blusa verde folgada e de tecido suave. Shay fez tudo com a maior preguiça do mundo, reclamando a todo o momento, mas eu fingia não escutá-la. Estava também com um pouco de sono, havia dormido o mesmo que ela, porém não iria perder nenhuma chance nesses dias.

Quando descemos vimos que Linna estava certa. Havia apenas mais dois hospedes do hotel para aquele tuor nas praias além dos cinco amigos que Shay havia feito. Mas ao ver a francesa, meu humor vacilou um pouco. Obviamente ela havia se arrumado ao esmero, com um short realmente curto e uma blusa branca transparente mostrando o top vermelho minúsculo que ela usava. Para minha sorte, Shay estava com sono demais para prestar atenção nisso. A fiz beber bastante café para poder acordar de uma vez, mas mesmo assim, dentro de nosso jipe, ela havia encostado a cabeça em meu ombro e cochilado um pouco.

-Amore, assim você irá perder a paisagem – reclamei quando começamos a entrar em praias realmente bonitas.

-Você está mesmo animada – ela resmungou esfregando os olhos, mas quando os abriu para encarar a sua lateral não pode deixar de exclamar – Olha o tamanho daquelas ondas!

-Finalmente ela acordou – brincou Olivia no banco da frente.

Felizmente, naquele jipe estávamos apenas eu e Shay no banco de trás enquanto na frente estava Olivia e Kevin. Linna e Richard foram em outro jipe com os outros hospedes. Sorri contente ao ver Shay finalmente começar a fazer perguntas ao motorista, ao que parecia ela morria de vontade de aprender a surfar. Porém a nossa primeira parada foi em uma praia de ondas mais calmas, porém de maré aberta. Shay logo se meteu dentro da água, me fazendo rir ao longe de como parecia uma criança brincando de jogar água nos outros. Eu não gostava muito de ficar com a água de sal no meu corpo, e por isso recusei os abraços travessos de Shay assim que ela saiu do mar. Ficamos ali apenas por uma hora, seguindo para a outra praia, nessa eu pude pelo menos jogar um pouco de vôlei e frescobol. Adorava vencer da Shay, apesar dela dizer como desculpa a perna machucada, eu bem sabia como ela já havia melhorado.

Aquela competitividade não havia sumido, no final das contas. O que me fazia sentir ainda melhor sempre que levava a melhor. Almoçamos em uma barraca moderna a beira mar, caranguejos e outros frutos do mar. Não preciso nem dizer o quanto Shay havia se melado tentando quebrar a casca do caranguejo. Tive de ajuda-la nisso também, para que não desperdiçasse mais caranguejo do que o necessário.

-O que você tem com comida de garfo e faca? – ela perguntou depois de beber refrigerante.

-Como assim? – a olhei confusa.

-Foi a mesma coisa naquele dia no restaurante oriental com seu irmão – ela respondeu e logo dei risada.

-O que aconteceu? – Richard questionou curioso.

-Vamos dizer que em um placar sushi 10 Shay zero – disse rindo mais ainda com a lembrança.

-Aquela coisa estava viva, nem vem! Eu tive de espetá-lo a moda antiga!

Rimos divertidos. Shay fez careta e isso provocou mais risada ainda, tive de dar um beijo estalado na bochecha dela para fazê-la ao menos sorrir um pouco. Na nossa próxima parada, iriamos finalmente para a cachoeira. O caminho foi um pouco longo, mesmo de jipe e tivemos de andar um pouco, porém valeu totalmente a pena. A cachoeira era enorme e despencava em um rio de águas límpidas, dava para ver os peixes e as pedras debaixo da água.

-Todos dentro da água! – gritou Richard animado.

Dessa vez eu não pude negar. Deixei minha bolsa sobre um tronco caído e antigo e virei de costas para a galera. Comecei tirando a minha blusa, mexendo no meu cabelo por puro impulso, mas quando comecei a descer meu short, comecei a escutar assovios e pequenos gritos do tipo “hey gatinha”, “que deusa” e coisas similares.

-Opa, aquietem ai o fogo, só eu posso ficar com isso! – reclamou Shay ao mesmo tempo em que fazia de forma esportiva.

Olhei para ela e a vi jogando alguma coisa sobre o Richard, mas quando ela me olhou novamente... Era a primeira vez que ficava de biquíni para ela e bem, posso dizer que literalmente ela me devorava com os olhos. Parecia olhar cada pedaço meu e querer morder, o que eu não duvidava em nada que fosse sua verdadeira intensão. Ela sorriu e piscou para mim, começando finalmente a tirar sua própria roupa. Primeiro o short e depois a blusa, e ali estava a tatuagem dela chamando a atenção enquanto que eu observava aquele bumbum perfeito. Não, ela era toda perfeita, com um corpo todo definido por causa dos treinos de luta que fazia ao menos duas vezes por semana. Aproximei dela e Shay logo ofereceu a mão para que eu pegasse.

Entramos juntas na água, que estava extremamente gelada. Quis fugir assim que o nível da água estava perto de meu joelho, mas Shay me abraçou forte, me arrastou e se jogou na água me levando junto quando esta ficou um pouco mais funda. O choque térmico foi terrível, logo meu corpo todo tremia por causa daquele banho gelado que havia levado. Como vingança, saltei sobre ela tentando dar um caldo, a empurrando para baixo com toda a força que tinha. Mas na terceira tentativa, quando ela desceu mais uma vez, Shay ficou lá e aproveitou para morder a minha barriga com um pouco de força. O misto de prazer e dor me fez bater nela assim que emergiu da água.

-Você que estava querendo me matar! – ela reclamou ao mesmo tempo em que ria.

-A água está gelada! Eu ia sair! – briguei zangada – Agora até meu cabelo está molhado.

-Deixe de ser fresca, logo se acostuma com a sensação.

-IO FRESCA?! – dessa vez joguei água nela realmente zangada – Ragazza stupida! Non, non fuja! Eu vou te partir ao meio!

Ela havia começado a correr na água e eu ia atrás com intensão assassina, quem olhava estava apenas dando risada, ninguém tentava me deter. Por sorte o guia havia chamado a todos que quisesse tentar a sorte na tirolesa que tinha no alto da cachoeira. Obviamente Shay prontamente se ofereceu.

-Io não gosto disso, é perigoso – falei segurando o braço dela.

-Vem comigo então – Shay sorriu sapeca.

-Non, io acabei de dizer que é perigoso!

-Está com medo? Oh, quem iria esperar disso da Ivy? Tsc, tão fraca.

-Fraca é tu, ragazza stu...

-Stupida, eu já sei. Mas está amarelando. Eu vou e você vai ficar sem se divertir. Não aguentaria a pressão mesmo.

Por mais que aquele sorriso dela me dissesse que ela apenas estava me provocando para que eu fosse... A minha raiva falou mais alto. Eu era competitiva, mas quando se tratava de Shay Williams aquela vontade de superá-la todos esses anos vinha com força total. Teimosa, engoli o meu medo e fui na frente dela, apenas para mostrar que eu havia aceitado aquele desafio com toda a coragem do mundo... Que por acaso eu não tinha. O meu orgulho me fazia subir aquela trilha de queixo erguido, mas por dentro eu tremia de medo.

Richard foi o primeiro a saltar quando chegamos ao topo. Ele segurou nas barras e saltou girando o corpo, gritando na adrenalina e logo caindo na água bebendo uns bons gole dessa por ter caído ainda gritando. Em seguida foi Kevin. Olhei para Shay na esperança de que ela estivesse distraída, mas me olhava com um sorriso soberbo, apenas esperando que eu desistisse. Isso nunca! Comecei a andar já que era a minha, começava a tremer mais ainda.

-Eu te odeio Shay – falei com raiva, naquele momento era verdade.

-Eu nunca mandei você vim pra cá. Ainda tem tempo de desistir – Shay deu de ombros.

-Io non vou desistir! – exclamei e segurei as barras, mas meu corpo travou – Mio Dio, se io morrer eu venho te assombrar da pior maneira possível.

-Pula logo! – ria Shay – Ou então desista de uma vez.

-Para de pressão! Pazza! – bati o pé, mas mesmo assim ainda continuava travada.

-Pula, pula, pula! – gritava o povo lá embaixo.

-Quer que eu te empurre? – provocou Shay.

-Certo che non! – engoli em seco olhando para baixo – Mio Dio, mio Dio. perdona i miei peccati...

Fechei os olhos com força... e me joguei. Meu grito foi quase histérico, estava morrendo de medo. A adrenalina invadia meu corpo por todos os lados, o frio na minha barriga havia se tornado um vendaval gélido. Quando finalmente cai na água subi rapidamente, não acreditando que estava viva ainda. Foi então que comecei a rir descontroladamente. Aquilo havia sido magnifico! Afastei para que pudesse ver o salto de Shay, ainda com o corpo trêmulo de emoção.

-Está bem? – Olivia logo perguntou.

-Ótima! – respondi animada – Vamos fazer de novo!

Shay não hesitou em pular, ainda fazendo graça quando saltou na água de forma engraçada. Quando pedi para fazermos de novo, ela riu de mim, mas não liguei. Queria aquela sensação de novo, aquele frio em minha barriga, a adrenalina tomando conta de meu corpo... Era quase um êxtase! Depois do terceiro pulo, finalmente parei por ter ficado com fome. Obriguei Shay a ir pegar um sanduiche para dividirmos e fiquei a esperar sentada debaixo de uma árvore, com a toalha envolvendo minha cintura para baixo. O único lugar nivelado o suficiente para sentar e ficar debaixo de uma sombra era um pouco longe do grupo e da trilha, o que parecia formidável para ter um tempo um pouco mais reservado com a Shay.

-Trouxe três, estou faminta – Shay finalmente apareceu, sentando ao meu lado também com a toalha em volta do corpo.

Revirei os olhos e aceitei o meu, Shay sempre comia demais e nunca engordava, o que às vezes me fazia ter raiva da garota. Ela sentou ao meu lado, comemos em silencio reconfortante, escutando apenas o barulho que os outros faziam ainda na cachoeira. Por incrível que pareça, Shay terminou ao mesmo tempo em que eu e logo se espreguiçava aparentando estar cansada.

-Foi divertido – ela comentou sorrindo.

-Ainda tem muita coisa, mio amore. Amanhã podemos ir até o vilarejo comprar lembrancinha para as pessoas e jantar fora. Depois vai ter uma apresentação local na festa do Robert.

-Você tem muita energia, Deus do céu – Shay reclamou um pouco – Ah, espera, está melada de ketchup.

Eu já ia levar a mão até meu rosto. Mas Shay a segurou e inclinou para mim, lambendo meu queixo de forma sensual enquanto eu perdia o meu fôlego com aquilo. Ao perceber minha reação, ela mordeu o meu queixo e foi dando beijos suaves até os meus lábios onde roçou com os dela de forma delicada e totalmente provocativa. Suspirei sentindo arrepios fortes em meu corpo, com um simples roçar de lábios. Mas quando ia beijá-la, Shay afastou com um sorriso safado nos lábios.

-Vem, aqui qualquer um pode nos ver e eles são um bando de pervertidos – ela explicou levantando-se.

-Eles? A única que estou vendo é você.

Mesmo assim aceitava a mão que ela me oferecia e lançava um olhar para o pessoal que se divertia absorto do que estávamos prestes a fazer. Shay começou a andar um pouco mais para dentro da floresta, mas não muito, não queria nos perder ou ficar em um lugar perigoso. Mas assim que ela se deu por convencida, segurou em minha cintura de forma firme e enquanto me olhava de um jeito lascivo, me empurrava até minhas costas chocarem no tronco de uma árvore. Ia reclamar, mas ao abrir minha boca ela me beijou invadindo minha boca com a língua de forma imperativa. Minhas mãos foram para os ombros dela com o intuito de empurrá-la para reclamar, mas ao sentir o corpo dela grudar ao meu, com apenas o biquíni como barreira entre nós não consegui evitar um gemido abafado. Nossas toalhas caíram ao chão e Shay não tardou a começar a tocar meu corpo. Suas mãos deslizavam pela lateral, tocando meu braço, cintura, quadril. Uma das mãos logo desceu para minha coxa e apertou com gosto. Meu corpo pressionou ainda mais o dela, tocando cada parte de nossas peles exposta com um desejo ainda maior.

O beijo ia ficando cada vez mais voluptuoso, intenso e completamente enlouquecedor. Eu já não me importava com mais nada além dela e daquele momento. Ergui a perna que ela segurava e deixei na altura do quadril, recebendo como recompensa mais apertos fortes e suaves arranhões que me fazia estremecer em prazer puro. Minha língua gladiava com a dela em busca do comando, mas isso só tornava o nosso beijo ainda mais veemente. Minhas mãos desceram dos ombros dela para as costas, onde arranhei com um pouco de força, totalmente satisfeita com o gemido que Shay deixou escapar em meus lábios. Quando o beijo acabou por necessidade de ar, ela não me deu um pouco de trégua, os lábios desceram para o meu pescoço dando mordidas e lambidas.

-Não gema alto – murmurou Shay.

Antes mesmo que eu assimilasse suas palavras, ela deu um chupão em meu pescoço. Tive de morder meu lábio com força para não fazer justamente o contrário de sua ordem. Meu corpo todo encolheu quando ela deu outro, porém mais forte. Não importava se ia ficar marca, estava delicioso demais para que eu reclamasse. Shay não parou só nisso, ela levou a mão até o laço lateral que prendia meu biquíni e o abriu. Bastou um movimento para que meus seios estivessem expostos.

-Pare... a-aqui não – reclamei tentando empurrá-la, totalmente vermelha com o que ela estava fazendo.

-Ninguém verá – prometeu Shay em um sussurro, fitando meus seios por um longo tempo – São lindos, perfeitos.

-P-pare!

Por mais que não fosse mais virgem, por mais que já tivesse escutado aquilo... Vindo de Shay era completamente diferente. Era mais sincero, puro e ao mesmo tempo mais safado. Tentei cobrir meus seios com o braço, mas ela logo captou o que iria fazer e segurou meu braço, erguendo a mão livre para meu seio esquerdo, o pegando e apertando. Um gemido baixo escapou de minha garganta, estava começando a arfar com a massagem que ela começou.

-Seu coração está disparado – ela sussurrou em meu ouvido.

-N-não faça isso, solte-me! – disse zangada, mesmo que gaguejando e arfando com o prazer que estava sentindo.

Shay mordeu o lóbulo de minha orelha me fazendo estremecer pela milésima vez. Ela ignorou qualquer reclamação minha, atendendo ao apelo de meu corpo ao invés. A massagem continuou, alternando de forte para fraca, a pressão que ela fazia era perfeita. Porém eu não senti o destino da outra mão dela, mesmo que descesse tocando minha barriga e ventre... O choque quando senti a mão dela no meio de minhas pernas me fez saltar um pouco ao mesmo tempo em gemia um pouco alto. Ela fez um “shh” e me beijou forte. Foi naquele momento que finalmente entendi que estava completamente dominada por ela e pelas coisas que ela me fazia sentir. Minhas mãos foram para as costas dela, cravando as unhas como uma forma de me conter, segurar e provocar ao mesmo tempo. Shay continuou a brincar com meu seio, massageando, apertando, provocando o mamilo... Ao mesmo tempo em que a mão adentrava o meu biquíni de baixo tocando o meu sexo com dedos preguiçosos, em uma exploração lenta e completamente torturante. Por sorte, ela me beijava, pois eu estava a gemer sem conseguir me conter. Os lábios dela abafavam os sons, mas ao mesmo tempo completava a tortura em um beijo terrivelmente sedutor. Os dedos dela finalmente encontraram meu clitóris, foi então que tudo realmente piorou. Eu me segurava nela para não cair, meu corpo parecia ter vida própria pois meu quadril respondia aos movimentos dos dedos dela apenas para criar mais atrito.

Meu corpo esquentava e estremecia, arqueava e puxava ela ainda mais. E Shay me dava tudo o que eu queria sem ao menos pedir, com uma maestria que me levava a beira da loucura mais rápido do que qualquer outro tinha conseguido. Ela aumentou o ritmo das carícias, em meu seio e em meu sexo, deixando rápido e intenso. Segurei nela com força quando senti uma onda poderosa de prazer, iria cair se ela não tivesse soltado meu seio para envolver minha cintura com seu braço. Havia perdido minhas forças enquanto gozava em sua mão, em um deleite profundo e longo, apesar dela ter conseguido aquilo tão rápido. Shay me segurava firme, ofegando tanto quanto eu.

-Está bem? – perguntou Shay de forma rouca, mas não propositalmente.

-Hum... – murmurei apenas, respondendo algo em italiano.

-Ivy... Eu não entendo, mas espero que tenha dito que tenha gostado.

Sorri e acenei com a cabeça. Shay soltou o braço de minha cintura, mas ainda me segurava nela. Com todo carinho do mundo ela ajeitou a parte de cima de meu biquíni, fazendo-me querer suspirar com tanta delicadeza que tinha. Então essa era a grande diferença que uma garota tinha, não, que Shay tinha. Ela era única, o suficiente para fazer gostar de garotas, não, só ela.

-Vamos voltar – Shay disse dando-me um longo selinho.

-Io não acredito que fizemos isso com todo mundo tão perto! – fiquei vermelha só de considerar isso – É loucura!

-Loucura? Ivy, você ainda não entendo o que essa palavra pode significar.

Shay sorria de forma perversa. Naquele momento eu acreditei em cada palavra do que ela disse.

Notas finais
Já estão acabando os capítulos prontos, tem só uns três e então vou ter que começar a escrever novamente. O que me preocupa por causa do tempo que to tendo >
Obrigada Fuck Love pela recomendação, me deixou tão boba e contente *o*