Sim, Jovem Mestre
1 One-shot
Notas iniciais
- Meu jornal, cachaça e maço de cigarros. – mandou, sentado na poltrona de um roxo exuberane e, ao mesmo tempo, horrível.
- Sim, senhor. – obedeci, me dirigindo até a cozinha, onde estava tudo o que ele pedira apenas esperando seu comando.
O vestido ainda me incomodava demais, afinal, não é muito comum usar vestidos quando se é um homem; mas eu não podia reclamar ou sugerir nada – seria obviamente chicoteado até as mãos de Guidhe cansarem.
Apalpei o jornal em meu peito e o segurei ali com o braço, pegando o maço de cigarros, o isqueiro – que obviamente era preciso – e o copo pequeno de cachaça cheio até a boca – era difícil equilibrá-lo sem derramar uma gota sequer, admito. Dirigi-me, desajeitado, até o quarto de Guidhe, colocando o jornal, cachaça e cigarros na pequena mesa de pinho esculpida à mão ao lado da poltrona onde ele sentava. Endireitei o corpo e cruzei os dedos em frente ao corpo, esperando mais ordens.
- Algo mais, jovem mestre? – perguntei, minha voz um tanto envergonhada – não era a melhor coisa do mundo estar em frente do filho do patrão com uma fantasia vergonhosa de empregada.
Guidhe calmamente levou a mão esquerda até a mesa ao seu lado, apalpando-a – sem olhá-la – até achar os cigarros e o isqueiro. Levou um dos cigarros até a boca e colocou o maço de volta em cima da mesa, acendendo-o e colocando o isqueiro na mesa também. Nada disso parecia tão formidável, mas, de certa forma, me fazia tremer de um jeito suplicante e... Humilhante.
Seu rosto se virou para o meu rapidamente; ele me olhou nos olhos, a face inexpressiva – o negro profundo de seus olhos me fazia querer imaginar o que ele realmente estava pensando. Virou o rosto para a cama que estava à sua frente e suspirou, derrotado. Seus olhos encontraram os meus novamente e os cantos dos seus lábios curvaram-se para cima, demonstrando um sorriso cínico. Ele levou a mão direita até a coxa e bateu de leve na mesma... Eu sinceramente acho que ele queria que eu sentasse em seu colo. Meu rosto corou por completo e eu pestanejei.
- S-senhor...? O que...? – não conseguia falar, as palavras me faltavam.
Ele bateu com a mão na coxa novamente, seus olhos agora me prendiam. Sem recursos, obedeci – não queria apanhar novamente. Aproximei-me dele e me virei de costas para poder me sentar. Antes que pudesse fazer algo, sua mão direita segurou o laço de tecido que havia na parte de trás da minha cintura, puxando meu corpo para baixo. Meu traseiro se espatifou no colo dele, fazendo um barulho não muito agradável. Gemi em protesto – aquilo não tinha sido muito gentil. Pestanejei novamente e voltei a olhar para os olhos de Guidhe, minha face corada e olhos arregalados. Ele riu e apoiou o cotovelo esquerdo no braço da poltrona, apoiando a cabeça na mão.
- Não foi nada... Apenas queria ver seu rosto assim. – ele riu novamente de minha expressão e fitou-me, os olhos entreabertos e pensativos.
Assenti uma vez, desviando o olhar. Minha franja reta caiu sobre os olhos, joguei os cabelos compridos até o meio das costas por cima do ombro, impedindo que Guidhe me olhasse. Mas não adiantou; ele puxou meus cabelos para sua direção, me forçando a virar a cabeça para ele. Meu rosto corou por inteiro.
- O que houve Bridge? – ele sorriu, sua face me lembrava uma boneca de porcelana... Delicada como uma flor, bruta como um monstro.
Gaguejei por alguns segundos, mas não conseguia falar. Na verdade eu não tinha ideia do que falar. Corei novamente e olhei para baixo. Minha cabeça latejando por ter os cabelos puxados com tal brutalidade.
Guidhe levou a mão direita até meu queixo, segurando-o com o indicador e polegar, levou-me até próximo de si e encarou meus olhos – os olhos negros, fundos e indecifráveis me deixavam nervoso, de certa forma.
- J... Jovem mes--
Ele não me deixou continuar, seus dedos delicados e brutos levaram meu rosto para ainda mais perto de sua face, fazendo com que nossos lábios se tocassem.
Ele me... Beijou.
Meu coração disparou — achei que fosse sair pela garganta ou explodir meu peito -, minhas pernas tremeram, meus olhos incrédulos se arregealaram e o sangue subiu para meu rosto. Ele me encarava de forma ameaçadora, como se pedisse que eu não protestasse, impedisse ou falasse. Pestanejei por uns instantes, seus lábios frios selavam os meus de uma forma horrivelmente agradável, minha face começava a formigar, senti os lábios tremerem nos dele. Ele sorriu e se afastou.
- Quero café. — sua voz era fria e dura, como sempre fora.
Eu ainda não havia acordado completamente, meus olhos ainda estavam perdidos e minha mente completamente desconectada. Me toquei que ele falava e pestanejei, balançando a cabeça para tentar me concentrar.
- M... Mas... Sua cachaça...? — perguntei, o rosto inocentemente corado.
Sua mão direita desceu brutamente no braço da cadeira, quebrando o silêncio com um estalo. Seus dedos apertavam o lugar com força. O rosto agora coberto pela mão esquerda demonstrava pânico e controle.
- J... Jovem mestre...? — perguntei, em pânico.
- Não é nada! — ele retrucou.
Agora seus olhos me fitavam de forma maliciosa, um sorriso um tanto ameaçador se formava em seu rosto.
Então eu entendi.
Levantei-me de seu colo rapidamente e praticamente voei para a cozinha, fechando a porta num baque. Seria possível que ele estivesse se controlando para não fazer algo comigo? Bani esse pensamento de minha mente — agora só o que eu tinha de fazer era levar o café até o quarto de Guidhe e ir embora. Peguei uma bandeja de prata e coloquei a pequena xícara de porcelana em cima do píres delicado de mesmo material, a pequena fumaça subia para o teto, o cheiro doce me era agradável. Dirigi-me, então, para o quarto de Guidhe.
Abri a porta com cuidado e levei o café até a mesinha de madeira ao lado de Guidhe; coloquei o píres em cima da mesa e segurei a bandeja no meu lado direito, esperando alguma outra ordem.
Guidhe virou-se para mim e fitou-me nos olhos por alguns instantes, então apoiou-se nos braços da poltrona e levantou-se, indo em minha direção. Antes que eu pudesse fazer algo novamente, sua mão esquerda enlaçou minha cintura, empurrando-me para frente — em direção à cama. Meus olhos se arregalaram novamente e o sangue subiu para o rosto. Num gesto bruto, Guidhe me jogou com força em direção à cama, fazendo-me cair de frente no colchão. O estalo da bandeja caindo no chão me assustou — virei-me de costas para a cama e me ajoelhei na colcha arroxeada, fitando Guidhe, que estava parado do lado da cama, apenas olhando-me com os olhos inexpressivos.
- Guidhe...? — gorfei, as bochechas vermelhas.
Ele sorriu para mim e andou em direção à cama. Ajoelhou-se de frente para mim e me envolveu com os braços, o rosto afundado em meu ombro.
Eu não protestei.
Seu peso me jogou para trás, fazendo-me cair de costas na colcha macia. Seu corpo se estendia em cima do meu, mas ele simplesmente ficou assim — impedindo-me de ver seu rosto, os braços envolvendo-me, como se me prendesse. Então eu o envolvi com os braços também, acariciando seus cabelos de forma gentil; meus olhos procuravam pelos dele, em vão.
- Guidh--
- Só mais um pouco... — interrompeu-me, sua voz parecia abalada, fanha... Achei que ele chorava — Só me deixe ficar assim... Mais um pouco... Só mais... Só...
Ele se silenciou. Eu sorri em retribuição, minha mão contornando suas mechas de forma agradável.
- Sim. — a palavra ecoou no espaço em branco, o espaço que, para nós, naquela hora, não existia.
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