Silício
8 Toxic
Notas iniciais
Cassieopea
— M...
— Hm? — respondeu Mercúrio, sussurrando baixo por conta do beijo.
— Foi muito bom conhecer você. Sinto que tenho uma ligação forte em você. ..e...
Ela olha profundo nos meus olhos. Parece que está se inundando de todas palavras ditas. Eu não conseguia guardar as palavras para mim. Não conseguia prender todo esse caos que ela estava causando em mim, era tão constante. Eu poderia ficar a noite inteira degustando toda aquela maravilha que estava acontecendo.
— Você me desperta coisas que outra pessoa jamais havia me despertado. — ela fala no meu ouvido como se isso fosse preciso ser mantido em segredo.
Eu só almejava cada vez mais esses sentimentos que aflorava da sua voz.
— Me deixa cuidar de você? — ela fala mais uma vez. E dessa vez, deitando a cabeça no meu ombro esquerdo e acariciando a minha pele.
Eu fiquei sem reação, nunca antes tinha deixado os meus instintos tomar conta das minhas ações.
Me viro para M. A beijo novamente. Estou mergulhando tão profundo dentro dela, que me sinto afogando.
O telefone toca. É o de M.
— alô?
Ela atendeu? Ora oportuna.
Simultaneamente, ela cerra as sombrancelhas. Parece preocupada mas se esforça para não transparecer.
— Ok, obrigada.
Ela desliga e dirige a palavra a mim. Parece que já sabia o que ia falar.
— Cass, podemos nos ver amanhã? Tenho uma urgência para socorrer, espero que entenda...
Eu tinha que entender, mesmo que eu não queira.
— Claro... nos vemos amanhã?
"Nos vemos amanhã cass!?" É sério?
— Sim, não vou voltar para casa, precisarei viajar para o norte da cidade, poderia ir comigo.
— Amanhã é minha folga, acho que não teria problema.
— Ótimo! eu te ligo para te buscar, ok?
— Ok... — eu finalizo abrindo a porta de seu apartamento e indo reto à saída.
O que eu estava fazendo? Eu concordei em viajar com uma pessoa que acabei de conhecer? Eu fiquei me perguntando e até pensando em ligar para ela e cancelar, mas eu me mantia estável.
Já era duas horas da manhã quando cheguei em casa. Deixando cada parte de mim pelo caminho. Joguei meu corpo no sofá de couro, sumindo entre as almofadas e a manta.
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06h50 am — Merda!
Acordo com um berro da Lauz vindo do lavabo.
— Merda, merda, merda!
— Laura? Quer ajuda? — falo me levantando do sofá com o cabelo desgrenhado, passando pela cozinha e indo rente ao lavabo.
— Eu não consigo parar essa máquina! Vai me ajudar ou ficar só me observando me ferrar toda?
— Você acordou com um mal humor íngreme.... É sexta-feira Lauz. — falo tirando ela de cima do banco e desligando os fios da máquina de lavar roupas.
— Vejo que sua noite foi boa senhorita... — Ela fala encostando na pia e cruzando os braços, abrindo um sorriso malicioso de ponta a ponta.
— Ora, porque não seria?
Ela olha, arregalando os olhos e soltando uma enorme gargalhada.
— Você está irreconhecível senhorita. Ela te fez bem. Se beijaram?
Eu solto uma risada e reviro os olhos, amarrando a blusa para que não se molhasse.
— Sim, vamos viajar hoje.
— Saíram ontem e já vão viajar juntas? Não acha que está correndo essa relação?
— Não há nenhuma relação Lauz.
— ainda.
— Será uma noite e se depender de mim, não vamos procriar um filho. Te prometo.
Ela soltou uma risada, se aproximando de mim e falando baixinho no meu ouvido.
— Eu só quero que sejam felizes, independente das circunstâncias, você é como uma irmã pra mim Cass...
Eu já esperava tal consideração da L, mas não esperava que fosse agora.
—Obrigada. — falo abraçando ela e dando as costas, deixando ela com a máquina de lavar.
07h00 — Bom dia Carl, bom dia Jeena, bom dia Nickols, Joe... — passo pelo escritório comprimentando todos com um aceno e bom dia.
Me sento na minha mesa e todos param o que estão fazendo para me olhar espantados.
— O que foi? — pergunto.
— Você Cass, você. — fala Jeena.
— está toda feliz, socializando. Você transou?
Eu olho para ela sorrindo.
— Que pergunta mais inconveniente Jeena. Só estou de bom humor, deveria estar feliz junto comigo.
— e eu estou boba, só não esperava. — finaliza ela, me abraçando e indo à sala do editor-chefe.
Eu observo eles conversarem um bom tempo, ela sai de lá de dentro olhando para mim com um semblante de "tem algo que precisa saber". Carl aparece na porta, e me chama fazendo movimento com as mãos. Nesse momento também fiquei séria, parecia ser grave.
— Cassie, eu preciso que você esteja aqui nesse fim de semana. Temos que terminar o que está incompleto e preciso do relatório sobre as investigações. As coisas estão muito diversas.
Mercúrio! Minha mente deu um grito quando ele falou isso.
— Esses seria os dias da minha folga, Carl...não poderia ser segunda?
— Sei disso, você é a minha melhor jornalista e precisa dessa folga, mas eu preciso muito mais de tudo pronto.
Meu semblante decaiu e Carl com certeza percebeu, mas sempre fui profissional, portanto, balancei a cabeça que sim e fui para o meu setor.
Precisava avisar M disso, tenho certeza que entenderá.
12h00 — Cass vamos almoçar? — Jeena me dirige a palavra, desviando meu foco da caralhada de papéis sobre a mesa.
— Adoraria, mas preciso terminar isso aqui, J. Carl está no meu pé.
— Então vou indo, mas cuidado pra não enlouquecer com tantos papéis.
— Ok. — finalizo focando novamente nos papéis.
Entre a papelada diversa, havia algumas reportagens antigas e cortadas. Era de uma menina que havia sido desaparecida aos onze anos de idade. Cabelos louros e curto. Os pais da menina, na qual chamava-se Stella, foi internados no hospital psiquiátrico perto do consultório de M. Eu ficava me perguntando o porque de estar no meio do caso. Mecho mais uma vez os papéis, espalhando-os pela mesa, até que alguns papéis caem de dentro de um envelope entre-lacrado.
"Stella Belford reaparece em Resmont, no sul da Pensilvânia. Ela diz ter sido sequestrada pelos próprios pais, e que eles sofriam de alucinações e transtornos psicóticos. Stella declara a polícia de que os Belford não eram doentes, tudo mudou após a presença de uma mulher que foi contratada como sua babá, que na verdade era amante de seu pai. A menina que agora, uma mulher, alega que depois de descobrir o caso entre eles, à viu multilando e tendo relações sexuais com sua mãe. Desde então, seus pais juntamente com a "babá" a fazia mantêr sigilo através de torturas e persuasão mental.
Jornal Local, MO. St Louis. 1989"
— Meu Deus! — eu falo soltando o jornal das mãos, direcionando uma das mãos na boca.
Agarrei o papel novamente e continuei.
"Depois de vinte e oito anos sendo mantida em cativeiro no porão de sua casa, Stella recorre a polícia de St Louis, que abre uma investigação sobre o caso. Ela disse não saber nada sobre a misteriosa babá, única coisa que se lembrava, era do colar que a psicopata carregava no pescoço, que dizia "Alison daddy's girl'". Duas semanas após sua confissão, Stella e seus pais Belford, foram encontrados mortos em estado de autópsia. Partes do corpo encontrava-se nos cômodos do internato, e o corpo da jovem Belford, estava aberto e exposto numa banheira com soda cáustica. Desde então, o caso foi encerrado, e a mulher que se pronunciava como amante, nunca foi encontrada."
Depois de ver as fotos do estado dos corpos, eu tinha a absoluta certeza de que o caso tinha uma ligação forte com os assassinatos que vinha ocorrendo. Queria pesquisar mais sobre o caso, abri a reportagem no Google e logo encontrei o endereço da casa da família. Era exatamente onde eu e M estávamos indo. De qualquer forma, eu precisava ir.
Eu ligava de novo, e de novo, e de novo para M, queria saber quando iria me buscar. Ela não sabia onde morava, muito menos meu trabalho, como iríamos para o norte da cidade?
Já era sete horas da noite. A File estava vazia, só estava eu, minha enchaqueca e os relatórios.
Eu ouço um barulho na sala de espera da editora. Pensei que poderia ser Carl que tinha voltado por ter esquecido algum pertence, mas não era. Fui até a recepção, e ninguém. Paro em frente ao bebedouro para tomar água, quando me viro para a porta eu vejo a imagem de Mercúrio parada, em frente a vidraça embaçada, sorrindo pra mim. Eu levei um susto tão eminente que o copo cai da minha mão, esparramando água para todo canto.
— Não vai me convidar para entrar? — ela fala encostando na vidraça.
— Você me deu um susto, sabia? — eu respondo, pegando o copo do chão e indo em direção à porta para abrí-la.
— Não gostou de me ver, trabalhadora?
— Não é essa a questão.
Em seguida, ela entra, apalpando minha cintura e deixando um beijo doce nos meus lábios.
— Então é aqui que acontece a mágica...File... — M passa as mãos em cada papel da recepção. Eu simplesmente a observo apreciar a bagunça da editora.
— Sim, mas como chegou aqui?
— Laura. Ela me indicou, e convenhamos, não é difícil de saber a localização do jornal local.
— Que ótimo. Vou fechar a editora, e então podemos ir.
Enquanto encerrava os programas e guardava evidências, M circulava por cada canto do escritório, como se estivesse na Disneylândia. Parecia se encantar muito por jornalismo.
Logo após, entramos em seu carro e pegamos a estrada Gr-16 para chegarmos do outro lado.
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Mercúrio e Cassieopea
09h00 pm Já havíamos chegado na parte fria da cidade, mas ainda faltava uma hora de viagem. M dirigia, já estava exausta e com a mente bem desgastada, mas não queria dar o volante para mim. Liguei o rádio nos clássicos, tocava uma música que já não ouvia fazia anos.
— Sua mãe cantava para você dormir? — ela pergunta.
— Sim, fazia eu me acalmar depois de um pesadelo.
— Era como aquela caixinha, que quando abria tocava uma melodia doce, igual a bailarina que dançava no topo. — M fala aumentando o som do rádio.
— Acho que encontrei algo em você que também tenho.
— Apenas um algo?
— uma coisa entre tantas. — finalizo olhando para ela e sorrindo.
Observei pela janela e estávamos numa estrada completamente fria e nublada. Havia árvores repletas por orvalhos da madrugada, e o ambiente era vazio e seco. Sinto um calor nas minhas pernas, era a mão de M, estava quente.
— chegamos.
Paramos o carro em frente um lago, de comprimento imenso e sofisticado. Tem um caminho de madeira que passa por cima do lago que nos leva ao hotel. Ele é uma espécie de hotel perdido no meio de uma floresta, na qual tem uma aparência nada alegre. Olho para a placa que está localizada na entrada. "Pântano Alabamas, 244."
"Meu deus! É o local onde os Belford moravam!" Que coincidência mais espantosa.
— Ta tudo bem? — M fala preocupada.
— s...Sim está. Não vamos descer?
Descemos do carro, pegamos as malas no banco traseiro e atravessamos a pequena ponte.
— Boa noite, senhoritas. Em que posso ser útil? — Fala o balconista enquanto a campainha da porta cantava.
— Um quarto de casal por favor.
Eu olho para Mercúrio, ela e esse espírito de liderança, decidindo tudo como se fosse nós.
— aqui está as chaves, Apt 23. Café da manhã sai às sete horas.
— obrigada. — ela responde pegando as chaves do moço.
Enquanto subíamos as escadas, eu olhei para trás, o moço que nos atendia, nos observava com um olhar instigado e cada vez, sumia do meu campo de visão por conta do andar.
Nosso quarto era expansivo e neutro. Tinha uma lareira eletrônica no canto perto do banheiro. A cama era quadrada e tomava um espaço enorme do quarto. As cortinas era a única coisa velha que tinha na decoração. As luzes também eram evelhecidas, mas tudo proposital. Colocamos nossas malas encostadas no chão e olhamos uma para outra.
— Acho que vou tomar um banho. — Falei para M jogando meu blazer na poltrona.
— tudo bem. — Ela responde.
Enquanto a água aquecida caia no meu corpo, o caso da família Belford invadiu minha mente. Eu sentia a presença forte deles naquele ambiente. Um cheiro invasivo predominava o banheiro. Meu box era de vidro, e quando olho entre o embaçado do vapor, eu vejo Stella ainda criança parada, em frente a porta olhando fixamente para mim. Acho que estava enlouquecendo, mas eu a vi. Eu escorreguei por ter pisado no sabonete que estava no chão e bati o rosto no box do banheiro. Fiquei meio tonta por conta da batida e quando, aos poucos minha visão voltava ao normal, nao vi mais a menina, apenas sangue misturado com água manchando o vidro. Me levanto, fecho o chuveiro e me cubro com a toalha branca da hospedaria. Vou em direção a porta e observo a maçaneta, é transparente de cristal. Eu observo o quarto e o silêncio reina, quando olho para a penteadeira ao lado do guarda-roupa, engulo seco a imagem singela que invade minha mente.

— M...Mercúrio!? — eu falo admirando seu corpo escultural. Parecia uma obra de arte pintada à tinta à óleo posta para secar ao ar livre.
— O que foi? Não gostou? — ela me pergunta me olhando através do espelho à sua frente.
— Gostei...quer dizer, você é linda... — a respondo segurando a toalha para que não caísse.
Ela se aproxima lentamente de mim...
— Se acalme, não vou morder você. A não ser que você queira.
Eu dou alguns passos para trás, encostando meu corpo na porta fechada do banheiro. Ela agora está a centímetros de distância de mim. Meu corpo, cabelo e rosto estão molhados por conta do banho, mas mesmo assim ela acaricia meu rosto com a delicadeza de uma flor. Seus lábios chegam pertos da minha orelha, e sinto seus dentes na minha pele. Sinto a sua respiração ofegante quando ela diz baixo e em bom som "Eu te amo". Nesse momento eu fico sem reação e só deixo meus instintos tomar conta. Fecho os olhos e sinto um calor que sobre de cima a baixo.
No momento em que isso está acontecendo, minhas mãos soltam a toalha, as mãos de M terminam de desfazer o nó, e então quando percebo ela já está no chão.
Os lábios de M estão quentes e doces quando entra em contato com os meus. O beijo é duradouro e devagar. Ela desvia a língua que estava dentro da minha boca para a bochecha, agora meu rosto não está molhado só pela água do chuveiro. Sinto sua mão localizada entre meu cox e cintura. As minhas mãos vai percorrendo todo seu corpo, até que chega na calcinha em que usava. Eu retiro com as mãos, e da mesma forma que a lingerie vai caindo para baixo, minha cabeça desce pelo seu corpo. As mãos dela agora está nos meus cabelos. Não tinha como parar, a vibração que estava saindo de nós inundava todo o quarto de hotel. Ela era a força e a coragem que meu corpo lascivo pedia. Eu era a lascívia que a prática dela se alimentava. O mundo estava parando de girar, congelando todo o oxigênio que nos alimentava, e nossos corpos estavam flutuando no meio do espaço-tempo.
Sua pele cheirava a erva doce, era macia como ceda. Minhas mãos apertava e aranhava suas pernas. Eu beijava sua barriga até chegar na virilha e suas mãos, elas estavam fazendo um moinho nos meus cabelos. Mercúrio me puxa para cima e me leva até a cama, me jogando de uma forma agressiva. Eu estava esparramada na cama enquanto a observava tirando peça por peça que usava. Então ela começou beijando minhas pernas, enquanto as mãos percorria minhas virilhas. Minha respiração era tão forte e ofegante que se tornavam gemidos. Seus lábios agora estavam localizados entre a virilha e minha vagina. A água que uma hora atrás encharcava meu corpo, evaporava por conta dos movimentos que sambavam com as nossas vontades.
Eu sentia como se não precisasse de mais nada, apenas da sua boca nos meus lábios inferiores e seu corpo sobre o meu. Havia acontecido, realmente havia acontecido, e era tão recíproco quanto seu corpo no meu.
Momentos depois nossas respirações havia se tornado gemido, e aquele quarto já era pequeno demais para nossos espíritos. Ela estava sobre mim e eu estava sobre ela. Nossos corpos nunca dançaram tão ritimadamente juntos quanto esse momento.
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