Notas iniciais
Boooom... Estou um pouco atrasada mas amei escrever sobre. Tbm quero voltar no tema e me aprofundar.

Vince: Ah!!! Que saudades!

Era tão bom tê-lo ali novamente, mesmo que só trocássemos mensagem ele era grande parte da minha vida. Voltara de sua viagem familiar, um mês sem falar com ele me matou, mas eu ressuscitei a tempo da volta dele. Digitei com velocidade.

Hideo: Quase morri aqui. O que sou sem Vincent Burk? Um nadinha.

Vince: Você é tudo.

Vince tinha o dom de me abraçar com suas palavras. O que ele dizia parecia ter tanto sentimento.

Hideo: Não diga isso… Como foi em Ibiza? As praia são tudo que dizem? Aposto que voltou super moreno… Quero fotosss.

Vince: Foi incrível! Vou mandar quando chegar em casa. Ainda estou no aeroporto, meu carro ainda não chegou, mas eu não aguentava mais não falar com você…

Ele amava praia. Amava a família gigante. Eu não gostava de praia. Não gostava muito da minha família. Eu mentia para ele há dois anos já. Queria contar a todo momento, mas não tinha coragem… Quer dizer, depois de dois anos contar para alguém que você não consegue fazer uma coisa básica como falar? Que todos os áudios que você mandou nesse tempo todo eram da sua amiga que era a melhor pessoa do mundo?

Hideo: Sou prioridade? Nem fiz 65 anos ainda kkk

Vince: Eu senti tantas saudades das suas piadas de idade!!!

Hideo: São clássicas dos Ishimada, só que ninguém realmente faz as piadas, nós só nascemos velhos mesmo…

Vince: Você tem cara de 18 anos no máximo, e fica mandando essas de “sou velho”. Vamos lembrar que você vai fazer 26 esse ano.

Hideo: É interiormente…

Eu realmente tinha congelado um pouco no meu envelhecimento… Minhas ascendência japonesa ajudava mas minha família realmente envelhecia a seu tempo… Minha vó de 91 anos tinha aparência de 70 e poucos.

Vince: Quero esses genes. Não aguento essa minha cara de Dr. Fantástico…

Vince tinha começado a ficar com as laterais do cabelos grisalhas e não gostara muito. Tive que falar muito para convencê-lo a não pintar.

Hideo: Eu adoro seus grisalhos…

Vince: É só por isso que eu mantenho. Minha carona chegou, vou demorar um pouco. Até breve.

Ele mandou uma cara piscando. Eu me estiquei na cama, esperando. A primeira vez que vi Vincent foi na Alienexpo de Londres há 3 anos. Ele era um palestrante convidado, cientista e estudante profundo do espaço. Falou por quase uma hora, apaixonadamente, com propriedade, fiquei na rápida fila para comprar o seu livro, o assunto tinha me interessado, mas ele era acima de tudo o que tinha ganhado minha admiração.

Ele olhou para mim um instante e sorriu. Indiquei meu nome no crachá.

— A única pessoa que estava prestando atenção em mim. — Ele dedicou alto, me dando o livro logo em seguida. Eu queria ter dito alguma coisa mas sabia que ele não entenderia sinais.

Fui embora um pouco triste. Eu tinha que voltar para Quebec na manhã seguinte e não conseguira falar direito com ele. Quando abri o livro mais tarde naquele dia descobri que ele tinha anotado o telefone também.

Depois disso viramos amigos e então interesses românticos. Era um pouco triste morar tão longe dele, mas ao mesmo tempo era bom, minha mentira permanecia encoberta. Não que eu tivesse vergonha de como eu era, mas a ideia de paquerar normalmente alguém, sem perguntas sobre a minha voz ou coisas do tipo, era bem atrativa.

Ainda jogado sobre a minha cama ouvi batidas na porta. Levantei certo de que era Mabel, ela com frequência esquecia a chave em casa. Abri a porta para dar de cara com Vincent. Ele tinha uma grande pelúcia de Et em mãos, um sorriso alegre e os olhos castanhos fixos em mim.

Sem reação alguma eu só pude abraçá-lo. Sua retribuição foi imediata, lagando momentaneamente a pelúcia e me abraçando tão estreitamente que me tirou do chão. Assim que ele me soltou cai na realidade. Ele ia falar. Eu não responderia, ia ser desmascarado.

Antes que o meu ataque de pânico se intensificasse, vi que ele começou a gesticular. Falava comigo em língua de sinais, estava um pouco atrapalhado mas ainda sim era perfeitamente compreensível.

“Eu tinha que vir te ver.”

“Como você?...” minha primeira pergunta, eu tinha certeza que ele não sabia.

“Mabel me contou tudo há uns seis meses atrás” esclareceu, se aproximando e fechando a porta atrás de si.

“O que também explica como você sabe meu endereço…” Maldita Mabel. Com que direito ele se mete na minha vida desse jeito.

“Não fique bravo com ela… Não muda nada, tudo bem você não ter contado, não fiquei bravo e entendi você.” Ele gesticulava devagar mas resignado.

“E quando você aprendeu linguagem dos sinais?”

“Comecei há seis meses, aprendi o básico e algo mais. Tenho que poder me comunicar com o meu namorado…”

“Namorado? Quem é o ilustre?” brinquei, sorrindo.

“Se você quiser. A honra pode ser sua.”

Rimos mais um pouco. Ele estava próximo. Eu enlacei sua cintura e encostamos nossos lábios. Os seus tão macios e acolhedores que eu poderia morar neles. Quando nos separamos eu desenhei um sim nas costas dele.

Ele me soltou e gesticulou.

“Eu te amo muito”

“Eu te amo mais”

A briga se estendeu até o fim dos nossos dias.

Notas finais
Obrigada por ler até aqui. Espero que tenha gostado ♥

Mais um obrigado pra Jay q me salvou de mais essa.
Você chegou ao fim do livro. Parabéns!