Silver Bird
5 Uma " leve " ocorrência
Notas iniciais
Eu e Jhonny trocamos olhares, mais uma vez, e caminhamos até Judith, que teria deletado o momento de calmaria e meiguice naquela hora.
– Ahn... Oi, Judith.
– Oi, Judith — repetiu Jhonny — Aconteceu alguma coisa ?
– Que ? Claro que aconteceu ! Vocês já estão aqui a um dia e meio, e ainda nem pisaram no campo de treinamento com o seu parceiro ! — acredito que o parceiro seria o Silver Bird. Ela se aproximava de nós dois, com os olhos arregalados, transmitindo o nervosismo para nós também. Pelo menos, para mim. — Quero vocês prontos daqui a meia hora. Celeste, mostre o caminho. — Ouvi bem ? Ela disse " Celeste " ? Bem, existem várias Celestes no mundo, não pode ser a mesma. Segundos depois, uma garota com roupa de treinamento, quase igual ao uniforme e treinamento da escola, apareceu. A diferença é que ela usava um decote ENORME, que deixava seus seios praticamente para fora. O uniforme dela também tinha uma espécie de boné, só que com uma aba menor. Aquela Celeste... Era mesmo ela. Era mesmo aquela vadia, que pede pra ser agredida por mim, e depois faz papel de vítima para as autoridades. Me virei para Jhnon, arregalei os olhos e fiz um gesto negativo com a cabeça. Ele entendeu oque eu disse, respondeu com um gesto positivo.
– Algum problema ? — disse Judith.
– Essa Celeste é uma vad... — Jhonny me deu um cotovelada por trás, e deu um sorriso logo após do ato muito "amistoso".
– Nenhum, Judith. Sophia, vamos ? Temos que mudar a roupa.
– Não, temos que mudar é isso ai. Tá tudo errado ! Como ela veio parar aqui ? — Quando completei a frase, Judith não me ouvia mais, pois Jhonny havia me puxado para ele.
– Você viu ? Aquela vaca está aqui também. Só queria saber como ela veio parar aqui.
– Ah Sophia, está com ciúmes, né ? Sabe que eu trato ela bem.
– Ciúme ? É raiva ! Raiva, ódio, tudo, tudo. Aquela ali é uma ridícula que só sabe mostrar os peitos, fazer desaforo e se fazer de vítima. Pra você ter uma ideia, ela sabotou meu baile de aniversário. Trocou meus saltos por botas. É, botas ridículas, dessas que a gente usa para treinar a pontaria. Minha sorte é que Alicia calçava o mesmo número que eu, pude emprestar um dela. Agora vai lá defender aquela idiota, vai. — Corri para dentro, e uma lágrima escapou. Depois, mais lágrimas para acompanhar a solitária que acabara de descer pelo meu rosto. Jhonny é mais um idiota. Como ele pode defender aquela garota ? Ela vai pagar por tudo que já fez um dia. Eu vou destruir ela, pode vir a consequência que vier, a vingança estará feita. Perdi meu colar por 3 anos graças a ela, que o havia roubado. Só o achei por causa das criadas que limpavam o quarto dela e que nunca haviam visto aquele objeto lá, e sim, no meu pescoço. É mais uma razão para eu ser amiga dos pobres, dos menosprezados. A garota havia escondido tão bem, que as criadas só acharam três anos depois. Meu Deus, de onde ela havia surgido ? Aquela guria não ia me deixar em paz nunca ? Mas se ela quer me perseguir, vai ser perseguida. Vai ser, com o Jhonny ou sem o Jhonny. Jhonny é legal comigo, me apoia, mas quando o assunto é a Celeste, adivinha ? Ele está sempre do lado dela. Sim, porque ele simplesmente não a conhece. E deve ser isso que ela quer. Ele quer voltá-lo contra mim, para mostrar o seu decote extremamente exagerado para ele. Mas se ele quiser também, que se dane. São uns babacas.
•••
Desci para comer alguma coisa, estava faminta. Cruzei com Jhonny no salão quase vazio. Ele puxou meu braço, meus cabelos, de costume, voaram ao inclinar da cabeça. Me soltei e continuei meu trajeto. Tirei a bandeja, entrei na cozinha. Corri os olhos por um aviso grudado na porta que dizia " Apenas pessoas autorizadas ". Andei uns 3 passos, até ser parada por uns caras grandes, que pareciam uma muralha. Um surgiu surgiu da esquerda, e o outro, da direita.
– Ei, você não pode entrar aqui, garota. Dê meia volta e vá por boa vontade, ou teremos que te levar. — Esses caras acham que eu sou um bebê ? Eu fui treinada numa escola militar, queridos. Não sou uma dessas garotinhas quaisquer que vocês param por aí e elas obedecem.
– Ok, ok. to indo. — Cheguei na porta, e parei. Senti eles me fitarem com seus óculos escuros. Corri na direção deles. Eu sei que eles não esperavam por isso. Reagiram como dois idiotas. Dei uma cambalhota por cima deles, parando atrás dos mesmos. Dei uma joelhada em cada um, mas eles não caíram, só fizeram:
– Ai ! Que garota forte ! Vem cá, menininha ! — O outro esticou seu braço e veio até mim correndo. Ele me agarrou, prendeu meus braços atrás de minhas costas enquanto o outro tirava alguma coisa do bolso. Quando ele ia me atacar, um carinha gato apareceu.
– Ei ! Soltem ela ! — Ele gritou, correndo até nós três.
– Mas... — Disse o gradão que me segurava enquanto eu me debatia. Aqueles caras eram fortes de mais, meu Deus.
– Eu disse para soltá-la ! Vai teimar comigo ?
– Não senhor — Disseram em coro, enquanto um me soltava e o outro guardava seu equipamento no bolso. Ambos abaixaram a cabeça, e voltaram as suas posições.
– Uh, essas caras me pegaram — Eu disse apalpando os pulsos pressionados, ainda doíam.
– Você está bem ? — Ele disse com um tom suave, se aproximando de mim, e segurando meus pulsos.
– Sim, estou, só acho que á doendo um pouco.
– Vem cá, eu dou um jeito nisso. — Ele disse me segurando pelas mãos e me puxando para um quarto. — Sente aí — Ele apontou para uma poltrona grande e vermelha, enquanto mexia numas gavetas. Ele tirou de lá um spray e uma faixa de gaze, caminhou até mim, com um sorriso meigo no rosto. Ele se sentou do meu lado, Colocou um pouco daquele spray na gaze, e enfaixou meus pulsos, uma vez, a faixa passando pelo dedão.
– Obrigada, mas, não precisava. — eu disse com a cabeça baixa.
– Precisava sim. Você é novata aqui, tem que ter uma boa impressão do lugar. Como se chama ? — aquele carinha além de gato é simpático, gostei dele.
– Sophia. E você ?
– Me chame de Mark, tudo bem ?
– Sim, tudo bem.
– Não sei se posso perguntar, mas... O quê você queria na cozinha ? — Ele se inclinou para a direita, e um pouquinho do seu cabelo loiro cobriu seu rosto.
– Ahn... Bem, eu sei cozinhar muito bem, adoro as comidas que faço, então só ia preparar um prato pra mim, mas uns caras grandes e altos me puxaram, e eu cabeça dura como sempre, enfrentei eles. Só que eles são muito, muito grandes ! — Soltei os ombros e arregalei os olhos, pra expressar que estava impressionada.
– Novatos não podem entrar na cozinha. Quase ninguém pode, na verdade. É um lugar extremamente restrito. — O que tem naquele maldito lugar ? Uma esmeralda ? Uma tonelada de ouro ? Que desnecessário.
– Ah tá. Mas e aí, tem uma fruta pelo menos ? — Ele riu.
– Lógico que temos ! De que você gosta ? A especialidade são pratos com melancia. Tem também o mamão.
– Quero uma fatia de melancia, por favor. — Ele e levantou e um minuto depois, estava com uma bandeja brilhante, carregando uma fatia de melancia perfeitamente cortada. Sentou do meu lado com um sorriso bobo e ficou me encarando. Não resisti, soltei uma risada. Peguei a fatia e comecei a comer. Estava maravilhosa.
– Pelo visto está boa, né ? — Eu ri.
– Sim ! Sim ! Muito, muito boa ! — Fiz um " beleza " com a mão esquerda. Ele riu. Acho que a primeira impressão dele sobre mim foi: " Essa garota nunca comeu uma melancia na vida ? ". Celeste me veio a cabeça naquele momento, não sei porque. Desabei em choro, uma cena que me envergonhou muito. Ótimo. Agora ele vai achar que eu sou uma louca com problemas emocionais. Larguei a bandeja de lado e dei um abraço apertado nele. Eu pude ver que ele estava assustado.
– O-que aconteceu ? Não chora, não chora... — E foi amansando a voz enquanto acariciava meus cabelos nos seus braços. Eu me ergui de volta, limpei as lágrimas e disse:
– Poso conversar com você ? — Vi Jhonny me encarando na porta. Me senti mais envergonhada ainda.
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