Silhouets

1 Radiactive


Notas iniciais
Cap escrito por Jujuba . Leiam com a música Radioactive do Imagine Dragons

Abro os olhos.Escuridão.Não me lembro onde estou.

Não me lembro nem quem eu sou.

Não vejo nada.Esta tudo escuro.Passo a mão pelo chão em busca de alguma coisa.

Qualquer coisa.

Só sinto pó. Muito pó. Respiro fundo. Meus pulmões queimam. Ar tóxico. Tenho poucos minutos. Tenho que me levantar. Arfo. Uma dor latejante toma conta de meus ossos.Caio no chão. Vejo pessoas em minha cabeça.

Uma memória.

- FOGE !!! VAI FILHA !!! CORRE — grita um senhor mais velho.Meu...meu pai.Ele tem lágrimas nos olhos.

-Papai ?- eu digo, e percebo que sou muito mais nova na lembrança. — papai, você não vem ? — ele vai dizer alguma coisa.Mas eu os vejo.Mas o meu pai não.

Saio correndo no momento em que percebo uma faca na barriga de meu pai.Corro o mais rápido que posso, com meu ursinho.Depois de um tempo eu paro.Não existem mais lagrimas em meu corpo.Eu estou exausta.Olho pro ursinho e sinto a dor da morte do meu pai.

Não o quero.Não o quero.Não o quero.Não o quero. Rasgo-o.Pico ele em mil e um pedaços.Ate que vejo uma coisinha sem cor e sem valor voar penosamente e cair no chão.Um papel.Rabiscado.

Você faz parte da nova era, querida.Bem vinda.

Papai.

Volto ao presente.Respiro fundo denovo.A dor ainda esta ali.Porém, suportável.Me levanto, dessa vez sem dor.Ainda não vejo nada.Fecho os olhos.Comando a eles que enxerguem.Por favor, enxerguem.Abro-os.Vejo pessoas.

Pessoas mortas.

Com sangue fresco.Mas sem ferimento de bala.Estão sangrando por que o corpo esta se desfazendo.Não era pra eu estar viva.Já estou a tempo demais aqui.Daqui a pouco sou eu ali.Morta.Definhando.Tenho que sair daqui.Tenho que sair... Escuto passos.Passos.Tem pessoas vivas aqui.Vivas.Elas vão me matar.Deito-me no chão.Mas não estou sangrando.Peço perdão a uma senhora morta.Empurro ela pro lado e me deito em seu sangue.Sinto-o.Quente.Grosso.Espero que os passos parem e que eu não escute mais nada e me levando.Arranco a camiseta que estava por cima e fico apenas com a regata fina.Não venta.Mas faz frio.Tenho que sair daqui.Rápido.Ando pelos corpos mortos.Oque eles querem matando essas pessoas ?

Isso parece o apocalipse.Deve ser isso oque ele querem.

É isso.O apocalipse.

Corro sem rumo algum tempo.Não me lembro de como conta-lo.Então simplesmente decido não contar.Corro, corro e corro.Até que a vejo.Serena e silenciosa.Luz.Vinda de uma porta.Uma saída.Respiro fundo.Aliviada.Mas a dor volta.E eu tenho outra lembrança.

É 3045.Eu estava entusiasmada em andar em um ônibus novo,da escola, em novas substâncias feitas pelo governo.Ele não andava.Ele flutuava.Lembro de minha mãe.Mandando eu me cuidar.Eu balanço a cabeça.Assim que eu me sento, vejo fogo.Muito fogo.

Fogo verde.Fogo Tóxico.Fogo...radioativo.Me lembro de não me queimar, enquanto pelo menos 30% ao redor do Ônibus explodia.Minha mãe estava nesses 30%.Mas o fogo não me queimou.O fogo me fez dele uma filha.O fogo.Sou filha de fogo.Sou radioativa.

A luz, sim.Ela queima.Queima como esperança.Corro ate lá fora.Tem sol e sol e mais sol.Solto uma risada fraca e seca.Estou livre.E bem.Mas a dor volta.E eu caio.E escuto passos.

Tem mais.

Mais deles. Com armas e coletes e facas.Como as que mataram meu pai.Não vou cair.A dor me domina.Mas eu não vou sucumbir a ela.Me levanto.Vou morrer.Mas vou morrer invicta.Fecho os olhos.A dor não para.Cerro os punhos.E ela vem.Mais forte e mais forte.Abro os olhos e grito.Grito e grito.O mais alto que eu posso.E a dor vai saindo, enquanto cada homem pega fogo.Fogo verde.Respiro fundo.Eu fiz isso.Eu.Eu não sou parte da nova era, papai.Eu SOU a nova era.Observo-os agonizar.Igual a meu pai, quando morreu.Mas nem todos morreram.Ali ao fundo, um esta de pé.Ele.E eu me lembro.Eu me lembro e eu me lembro.De tudo.Me lembro dele.Me lembro de nós.Observo ele, loiro e com os olhos castanhos mais lindos que eu já vi, correndo em minha direção.Há sangue na regata dele.Mas eu não ligo.Corro também.E enquanto ele me beija, eu me lembro de meu nome.Eu me lembro minha idade.Me lembro quem eu sou.E eu sou dele.

- Eu amo você, Lexis.Pensei que tinha morrido.- diz, me abraçando forte.

-Também te amo.-digo e olho em seus olhos.-Sou radioativa.Então eu sinto muito.Mas eu nunca estive viva.

Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.