Silente Devoção

13 Minha Felicidade é Você


Notas iniciais
Olá meus amores e minhas amoras. nossa eu queria MUITO ter postado esse cap antes, mas nossa passei por um apagão. Eu sabia exatamente o que eu queria postar, tinha um roteiro e NÃO SAÍA! Então essa semana eu peguei como missão: VOU ESCREVER SA BOSTA... e sabe o que eu percebi? Que não saía porque aquilo que eu tinha como roteiro não era o certo. A história ela tem um fluxo natural de acontecimentos, os personagens ganham vida e as vezes por mais que queremos por uma cena, uma ação ela não é "natural.... conforme eu fui escrevendo o capítulo ganhou vida, saiu totalmente do que eu havia traçado e acabou completamente diferente do que eu planejei....sério não tem UMA linha semelhante ao que estava no roteiro... ainda assim EU AMEIIIII. nossa escrevi super inspirada, os diálogos fluíram, as ações se encaixaram e eu fiquei super feliz pela forma como encerrei o cap. A capa do capítulo é uma fanart de uma artista oriental que eu nem sie falar o nome --> まろ茶's vou deixar o link pro pixv dela no final, ela tem artes lindas.

♈ *** ♍

Em pé no último degrau da longa escada que levava ao Templo de Virgem, Mu permanecia completamente parado sem conseguir dar mais um único passo. Embora estivesse estático como uma bela escultura de mármore, o vento que cortava a montanha denunciava o lemuriano como um ser vivente, pois apesar de amena, a corrente de ar balançava o tecido branco da longa toga que usava, assim como fazia seus cabelos soltos voarem um pouco revoltos, o fazendo se arrepender da escolha da vestimenta.

Havia se apressado para cumprir todos os seus deveres diários, incluindo o serviço obrigatório de sua pena para ter tempo livre e fazer aquela visita ainda no período da tarde. Agora que estava ali, vacilava.

Desde a briga com Shaka, Mu levara dois dias para reunir toda a coragem que possuía e procurar o morador da sexta casa, sim, coragem, pois ali diante das enormes e imponentes estátuas budistas que decoravam a entrada de Virgem, ele achava mais fácil encarar novamente os Espectros de Hades do que adentrar aquele pátio.

Estava bonito? Por que diabos havia vestido aquela toga grega? Quer dizer, gostava de usa-las de vez em quando, mas por que justo hoje? Deveria ter prendido os cabelos? Um coque ou uma trança talvez fosse melhor... O que Shaka pensaria de ter demorado tanto para procura-lo? O loiro podia estar muito ocupado e não queria atrapalhar... Pior, se ele estivesse magoado e nem desejasse vê-lo?

A mente de Áries estava um caos tão grande que o impedia de prosseguir.

Tudo o que envolvia Shaka, desde uma simples visita ou um pedido de desculpas agora eram motivos de confusão, nervosismo e incerteza. O lemuriano sabia que o culpado era ele mesmo e sua paixão estúpida que não o deixava pensar com a clareza da razão, mas o que podia fazer? Sua mente guiada pelos sentimentos ocultos em seu coração transformava até as ações mais corriqueiras e habituais em fonte de enorme estresse e agonia.

Fora por culpa dela, da paixão maldita que nutria pelo virginiano, que passara seus últimos dois dias em completo tormento.

Desde o desentendimento Mu não se encontrara com o virginiano e por isso experimentou toda a angustia que só os apaixonados sentem ao brigarem com seus amados. Nunca havia lidado com sentimentos tão intensos e perturbadores antes, o que lhe causou um enorme desgaste emocional. Durante aqueles dois dias buscara uma forma de se desculpar enquanto sua mente lhe castigava com pensamentos terríveis de culpa e tristeza, sem contar o enorme medo de perder a amizade do indiano, de tê-lo magoado demais ou qualquer outra teoria maluca que só os desesperados de amor podem pensar.

Nesses momentos seu coração só encontrava paz ao se lembrar das palavras de Shaka: “Quando estiver mais calmo, se quiser conversar e desabafar o que te atormenta sabe onde me procurar”.

Sim, sabia, e era por isso que estava ali.

Levara todo aquele tempo, dois dias inteiros para conseguir executar uma tarefa simples: Se acalmar, elaborar uma forma digna de pedir desculpas ao virginiano e tomar coragem para encara-lo novamente.

Plano arquitetado, preparativos feitos, agora era só subir as escadas, visitar o amigo e falar com ele.

Simples.

Sem estresse e complicações.

Já estava ali, diante da casa dele.

Não havia motivos para ficar nervoso ou suar as mãos.

Não tinha como dar errado.

Afinal, era um Muviano ou um Rato?

A julgar pela situação ridícula em que se encontrava naquele instante, empacado sem conseguir dar um único passo adiante, um rato com toda certeza!

Vacilante, Mu recuou um passo decidindo-se que talvez fosse melhor ir embora, trocar de roupa, fingir um encontro casual mais tarde e...

— “Subiu até aqui apenas para admirar as belas estátuas na entrada do meu Templo, Mu?” — a voz de Shaka falando diretamente a sua mente assustou Áries interrompendo seu movimento — “Entre de uma vez. Estou no jardim”.

Diante daquela intimação, Mu fechou os olhos, soltou um suspiro cansado e esfregou o rosto com as mãos. Que tolice pensar que após todos aqueles minutos ali poderia ir embora sem o indiano notar sua presença. Após reabrir os olhos, o lemuriano acalmou o espirito, focou a mente, ajeitou a toga e os cabelos dando um passo a frente determinado. O amigo já o havia sentido, estava lhe chamando e quanto mais hesitasse pior seria para se explicar.

Em instantes o tibetano adentrou o longo pátio cheio de colunas de mármore e caminhou até avistar ao fundo o altar de ouro em forma de lótus. Logo atrás do altar havia uma enorme porta dupla fechada entalhada com os desenhos e símbolos do Samsara, a eterna roda da vida e da morte.

Foi com um sentimento estranho e melancólico que prosseguiu caminhando naquela direção, olhar para aquela porta lhe trazia muitas lembranças e sentimentos conflitantes. Pouco mais de cinco anos se passaram desde que Shaka enfrentara Saga, Shura e Camus naquele jardim, mesmo que houvessem sido todos trazidos de volta, até hoje Mu se lembrava com nitidez do quão difícil e sofrido fora bloquear aquela passagem sabendo que do outro lado seu melhor amigo se sacrificava por Athena.

Quanto mais perto chegava da porta, mais sentia o aperto em seu peito se intensificar. Lembrar daquela batalha era doloroso demais, pois sempre haveria a possibilidade dela se repetir, a diferença é que agora estava apaixonado por Virgem, e a possibilidade de perdê-lo lhe era insuportável. Foi ao chegar diante da enorme porta, contornando a lótus dourada, e tocar distraído com a ponta dos dedos os entalhes finos e belos esculpidos nela que Mu teve certeza de que não seria capaz de repetir o feito do passado, se a batalha se repetisse hoje, invadiria o jardim. Não suportaria perder Shaka outra vez.

Tais pensamentos foram embora assim que sentiu o Cosmo do virginiano se elevar e a porta diante de si abrir-se revelando um imenso e belo jardim do outro lado. Sem demora Mu deu alguns passos para dentro sendo atingido imediatamente pelo clima fresco e pelo cheiro gostoso de flores, e após dar mais alguns passos adiante virou a cabeça para traz vendo a enorme porta se fechar.

Era engraçado vê-la pelo lado de dentro. A porta ficava parada no meio do jardim mas sem parede alguma de sustentação, destoando de tudo ao seu entorno e se a rodeasse, como já havia feito antes devido a curiosidade, veria do outro lado apenas mais relva verdejante, colinas, flores e algumas ruínas de colunas gregas que ele não fazia a menor ideia do como foram parar ali. Na verdade aquele jardim todo era um mistério belo e incrível.

Sim, já estivera ali antes. Na infância Shaka lhe confidencializou sobre aquele local, seu significado e importância, como também o convidou a visita-lo algumas vezes ao longo da vida, mas não importava quantas vezes retornasse, sempre ficaria maravilhado com toda a beleza daquele incrível lugar.

Voltando o rosto para frente e saindo de seu estado contemplativo, Mu correu os olhos grandes olhos verdes pelo gramado e pelas pequenas flores coloridas que cresciam sobre ele a procura de Shaka. Ao longe viu as árvores gêmeas e focou a vista com mais atenção pois sabia que o amigo gostava de meditar entre elas, mas para sua surpresa ele não estava lá.

— Aqui Mu. — a voz do loiro veio do seu lado esquerdo e soou estranhamente próxima.

Quando o lemuriano se voltou em direção a ela se surpreendeu ao encontrar o virginiano a alguns metros de si, não muito longe da lateral da porta perto de uma coluna de mármore caída, se sustentado por um pé só sobre uma esteira macia, com as mãos esticadas e unidas acima do corpo na posição da árvore. Não o vira porque o havia procurado olhando para frente e não nas laterais.

Shaka estava fazendo yoga e por isso mantinha os olhos fechados, cabelos presos em um coque, usava regata branca e calça de algodão larga e confortável, que Mu achou que caía muito bem nele. Na verdade, enquanto caminhava ainda um pouco nervoso em direção ao amigo, o ariano percebia que sem os trajes tradicionais de monge ou de luta, a beleza dele ficava mais suave e ressaltada.

Virgem por sua vez respirava fundo e lentamente ia desfazendo a posição ao abaixar o pé que apoiava na parte interna da coxa e as mãos. Estava praticando yoga quando sentiu Mu em frente ao seu templo minutos antes e a presença do tibetano ali lhe roubou completamente o foco do exercício. Por um segundo pensou que por ele não o chamar pelo cosmo fosse apenas passar, mas não, Mu não passava, não lhe chamava e nem ia embora.

Aquilo era muito estranho, pois o loiro não sentia mais ninguém com ele, ou seja, o lemuriano também não estava distraído conversando com outra pessoa.

O problema é que por conta dos comportamentos atípicos do ariano, Shaka ficou confuso a cerca de como reagir a mais essa esquisitice. Primeiro ele brigava consigo e lhe acusava de um monte de absurdos, depois desaparecia por dois dias e agora isso, vinha até sua casa e não entrava.

Optara por continuar os exercícios como forma de acalmar a mente e espírito, obtendo clareza para lidar com o ariano, não queria piorar ainda mais as coisas entre eles e aguardou o desfecho da situação. Mas quando o sentiu recuar Shaka não conseguiu se conter e esperar para ver. Nunca haviam brigado e a dois malditos dias, desde aquela discussão estúpida, que esperava para se entender com ele.

Agora Mu vinha até ali e ia embora? Não senhor!

Por isso o intimara a entrar enquanto punha fim ao exercício com a posição da árvore.

Assim que colocou os dois pés no chão e olhou diretamente para frente, Virgem agradeceu o ponto de equilíbrio extra.

Mu estava deslumbrante.

Discretamente e de olhos fechados Shaka observou cada detalhe de Áries. A toga de modelo simples ia até os pés que parcialmente escondidos pelo tecido branco pareciam estarem calçados em uma sandália de couro, havia uma faixa marcando a cintura e na parte de cima apenas uma alça segurava a vestimenta no lugar. O corte era feito de modo a cobrir bem o torso, ainda assim um dos ombros fortes, parte do peito bem trabalhado e um dos mamilos estavam a mostra.

Tentador.

Era até uma covardia Áries vir a sua casa trajado daquele modo.

— Oi, estou te atrapalhando? — Mu disse meio sem graça assim que alcançou o amigo.

Tirado de seus devaneios contemplativos, o indiano saiu de cima da esteira de yoga, se abaixou ao lado dela e começou a enrola-la para guardar.

— Não, eu já estava terminando. Imagino que veio até aqui para conversar comigo, então por que ficou lá fora parado e não entrou? — o indiano ergueu a cabeça parando o que fazia para esperar a resposta de Mu — Sabe que tem livre acesso em minha casa.

Suave como um tapa na cara e direto como uma flecha como só Shaka de Virgem sabia ser.

Mu deu um longo suspiro, ajeitou alguns fios soltos dos longos cabelos atrás da orelha e desviou os olhos encarando as pequenas florzinhas perto de seus pés por alguns segundos. Visivelmente desconfortável com aquela pergunta, contornou o indiano sentindo que ele lhe acompanhava com os olhos e se sentou na coluna caída perto dele, apoiando ambas as mãos no mármore frio ao lado do corpo.

— Eu vim o caminho todo pelo pátio ensaiando uma boa desculpa quanto a isso. — Mu respondeu com sinceridade e torcendo a boca em uma careta, porém sem encarar Shaka, até que reuniu coragem, ergueu o rosto e confessou — Mas a verdade é que quando cheguei eu pensei em voltar porque no fundo estava com vergonha. — deu de ombros.

— Vergonha? Pelo que?

— Oh, pelos deuses Shaka! Você sabe pelo que.

— Sei?

Mu virou a cara contrariado, enquanto Virgem terminava de enrolar a esteira e se sentava em cima do rolo formado por ela, de frente para o lemuriano, de modo que precisava elevar um pouco o rosto para vê-lo.

Com o coração mais leve ao notar que Mu estava mais ali em paz, o loiro se permitiu divertir-se um pouco as custas dele, afinal quando não estava irado a face emburrada do tibetano se tornava muito engraçada. Sentia vontade de lhe beliscar as bochechas e o enorme bico que se formava no lábio superior. Mas apesar do coração leve, ainda estava um tanto magoado com a discussão que tiveram, por isso Shaka voltou a ficar sério.

— Não tenho certeza sobre o que se envergonha Mu, afinal você me disse muitas coisas.

— Eu sei, esse é o motivo de ter vindo até aqui.

Mu então encarou Shaka por alguns instantes, que permaneceu em silêncio esperando ouvir o que ele tinha que dizer. Vê-lo de cima estava incomodando o ariano, por isso para que a diferença entre eles fosse menor, escorregou o corpo sobre o mármore e se sentou no chão apoiando as costas na coluna enquanto ajeitava o longo tecido da toga para lhe cobrir as pernas dobradas e apoiadas de lado sobre a grama.

— Tem sido tudo muito difícil e desgastante para mim, Shaka. Passar por todo esse problema ligado a um relacionamento amoroso, essa exposição desnecessária... Eu odeio profundamente tudo isso. Luto constantemente com uma vontade imensa de sair correndo novamente e desaparecer cada vez que passo e percebo até os guardas cochichando. Sei que não é desculpa, mas tem um detalhe que só após ter agido daquela forma com você eu me dei conta. — a voz do lemuriano saía pesarosa e grave, e era hora de fazer ao amigo uma pequena confissão — Sabe, a vida que levamos como Cavaleiros, os treinamentos, a rotina como guerreiros de Athena, nos fortaleceu, nos endureceu para que pudéssemos resistir as piores tragédias, batalhas e inimigos... Só que essa vida também nos privou e não nos preparou para algo fundamental, e que só agora revividos e depois de tudo o que passei eu me dei conta: Não estamos prontos para as pequenas mazelas de uma vida normal, Shaka!

Virgem que ouvia tudo o que Mu dizia com atenção, abaixou a cabeça naquele momento concordando com ele e de certo modo refletindo sobre si mesmo. Realmente, Virgem era outro exemplo disso: O cavaleiro mais próximo aos deuses, com o maior Cosmo entre os doze e que sofria miseravelmente para conquistar o homem que amava, por pura falta de experiência. Havia se preparado tanto para a morte, que agora não sabia como viver.

— Eu sei exatamente o que está querendo me dizer. — Shaka levantou a cabeça e aproveitou o momento para mostrar a Mu que não era assim tão diferente dele — Nossa vida de Cavaleiros de Ouro, guardiões das sagradas Casas Zodiacais, guerreiros da elite, nos transformou em Homens quando ainda éramos apenas crianças. É nesse momento, em tempos de paz, que nos damos conta de que no fundo ainda somos todos um bando de garotos inexperientes, e agora é que estamos aprendendo na base da tentativa e erro, aos tropeços, como é ser normal, ter uma vida comum.

Espantado, Mu não esperava por aquela confissão vinda justamente de Virgem, alguém que para si era sinônimo de elevação e sabedoria. Saber que Shaka de alguma forma também se sentia despreparado foi como uma grande revelação, além de lhe proporcionar certo alívio ao notar que não seria julgado pelo outro.

Incentivado pelas palavras do loiro, o lemuriano continuou.

— Sim, é exatamente isso que sinto. Quando tudo em nossas vidas era aguardar por batalhas e guerras, pelo retorno de Hades, tudo era tão mais fácil e mais simples. Agora mesmo, eu preferiria ir sozinho até o submundo e desafiar os três juízes espectros a uma batalha até a morte do que ter que lidar constantemente com um ex-marido. — chateado o lemuriano cutucou a grama, arrancando algumas folhinhas e as atirando longe — E não qualquer ex-marido não é? Tinha que ser um taurino turrão, que além de ser meu companheiro de armas e ter a mesma patente que a minha, ainda tenho a infelicidade dele ser o guardião da única casa zodiacal da qual sou vizinho e que, portanto, não posso evitar encontra-lo a todo instante. As vezes queria trocar de lugar e ir morar em Peixes.

— Na última casa? E ter que ficar descendo todas essas escadas para qualquer coisa? Pelo tanto que Afrodite reclama não é um boa troca. — Shaka comentou divertido.

— A há! Mas eu me teleporto! — Mu respondeu confiante

Shaka revirou os olhos por baixo das pálpebras.

— Não podemos usar teleporte nas doze casas, sabidão!

— Não estrague meus planos utópicos de mudança, seu sem graça.

Os dois ficaram em silêncio por um instante e logo ambos riram de maneira leve. Era incrível como a conversa fluía naturalmente entre eles, mas logo o momento de descontração passou e o lemuriano voltou a ficar com a face séria.

— A questão é que tudo isso me deixa com os nervos a flor da pele, Shaka. Pelos deuses, eu não quero mais uma vez ficar aqui alugando seus ouvidos e reclamando dele, é só que... — Mu se calou por alguns instantes. Estava ali para se desculpar e não para desabafar pela enésima vez sobre sua desastrosa vida amorosa. Por isso respirou fundo e retomou o foco do que havia ensaiado centenas de vezes em casa para dizer. Era simples, jogaria a culpa em cima do estresse mantendo oculto do amigo o real motivo de seu descontrole: seu ciúme e a paixão que sentia por ele. — Só que agora pequenas coisas que antes não me incomodavam me tiram completamente do sério, assim ó! — juntou o polegar e dedo médio produzindo um estalo.

— Foi isso que aconteceu naquele dia? Um colapso nervoso por estresse?

— Sim. Eu já tinha passado por alguns transtornos naquele dia. Quando Fênix chegou, as palavras daquele abusado me irritaram de tal forma que foram a faísca que faltava para fazer todo o combustível dentro de mim explodir, eu perdi completamente o controle.

— Mas se foi por isso, por que demorou tanto para vir aqui? Por que não me contou logo? — Shaka indagou arqueando as sobrancelhas, e ao estender o braço pegou a mão inquieta do lemuriano que ainda cutucava e destruía seu gramado, a segurando com gentileza e lhe fazendo um gesto singelo de carinho com o polegar — Era só ter me falado, eu mais do que ninguém te entenderia, Mu! Você não é de ferro, por que teve vergonha de mim?

Mu não respondeu de imediato. Parecia contemplativo, pensando no que dizer, enquanto na verdade toda sua concentração estava fixa naquele toque macio da mão de Shaka segurando na sua, o polegar lhe fazendo círculos sobre a pele e embaralhando sua mente de modo que se quer lembrava-se de como falar.

Com medo até de respirar e de alguma forma se entregar, ou pior ainda, perder aquele toque, abaixou a cabeça escondendo parcialmente o rosto com os cabelos e encarou um ponto qualquer do tecido branco de sua toga como se fosse a coisa mais interessante do mundo.

Enquanto Mu refletia sobre os efeitos avassaladores que Shaka exercia sobre si, o loiro, por sua vez, aguardava a resposta admirando anonimamente toda a beleza daquele lemuriano a sua frente.

Mu estava tão lindo ali, sentado em seu jardim, com a toga branca modelando seu corpo, o ombro pálido e mamilo rosado a mostra, a brisa leve brincando com alguns fios de seus cabelos que Virgem sentiu o coração acelerar tendo ímpetos de avançar até ele, toma-lo nos braços e beija-lo ali mesmo, naquele instante.

O que de pior poderia acontecer? Além de ser rejeitado e levar um belo soco na cara por se aproveitar de um momento de fragilidade? Perder a amizade e a confiança de Mu e junto todas as chances que tinha de conquistar o amor da sua vida.

Não! Não faria uma burrice dessas sem ao menos ter algum sinal de que era retribuído, pois apesar de Mu lhe permitir certas intimidades oriundas da amizade de longa data que tinham, em momento algum o lemuriano lhe dera sinal de que desejava algo mais. Pelo contrário nas ultimas vezes em que tentara algum avanço Áries se retraía exatamente como agora.

Mas se por um lado Mu não lhe retribuía, por outro também não o rejeitava.

Era apenas esse fato que enchia o coração de Virgem de esperanças. Havia esperado por anos para ter aquela chance de cativar o amor de Mu e não iria desperdiça-la por conta de seu afobamento, mesmo que ele estivesse perturbadoramente tentador naquela roupa grega. O próprio ariano lhe confessara instantes antes que o estresse de lidar com a vida pessoal o estava sufocando, que se sentia acuado e esgotado. Não era hora de agir. Ainda não.

Um pouco mais recuperado do choque que o toque de Shaka causara em si, Mu deu um sorriso sem graça e cansado, apertando sutilmente a mão do loiro antes de solta-la, pois não conseguiria responder nada enquanto mantivesse aquele contato.

— Eu estava com vergonha de mim mesmo Shaka. — Mu ajeitou-se sobre a grama penteando o cabelo para traz com os dedos — Você não merecia ser tratado daquela forma e nem ouvir minhas palavras grosseiras. Fiquei com vergonha do que fiz, mas se tive coragem de lhe dizer tudo aquilo, tinha que ter coragem também para me desculpar. Era esse o conflito que não me permitia entrar em seu templo.

— Agora faz sentido. Achei estranho, pois nunca foi um homem de hesitar.

— Acredite, nem eu mesmo me reconheço de um tempo para cá. — Mu deu um suspiro cansado e direcionou seus olhos diretamente para o loiro, olhando para suas pálpebras fechadas como se pudesse enxergar as poderosas íris azuis ocultas por elas — Me perdoe Shaka, eu sei que me exaltei e falei coisas que não deveria, realmente me arrependo profundamente de ter feito aquilo. Sei que o que estou falando não justifica minhas ações, mas meu arrependimento é genuíno.

Assim que se calou Mu foi surpreendido pelo sorriso largo e alegre que se formou no rosto do amigo. Virgem não era de sorrir e muito menos com aquela intensidade, que atinge o rosto todo, faz covinhas nas bochechas e mostra os dentes. Vê-lo assim aqueceu e acelerou o coração do lemuriano, lhe trazendo alegria e paz, principalmente pelo que Shaka lhe disse a seguir:

— Eu já te perdoei no momento em que decidiu subir até Virgem, seu lerdo!

Mu abriu a boca e arregalou os olhos se fingindo de ofendido, mas sem conseguir disfarçar a alegria e a alívio de ter sido perdoado.

— Ei! Olha quem fala, lerdo é você! — Mu ralhou e imediatamente se inclinou para frente empurrando Shaka com um movimento tão rápido que o loiro não conseguiu prever e nem desviar.

No instante seguinte Virgem havia sido derrubado do banquinho improvisado feito com a esteira de yoga enrolada. Por reflexo havia levado uma das mãos para trás, mas isso apenas o impediu de bater as costas no chão, mas não de cair de bunda na grama e pernas para o ar, muito menos de ser o motivo da gostosa gargalhada que Mu dava naquele instante.

— Ora seu...seu... — Shaka estava indignado.

— Eu não vou me desculpar por isso! — Mu respondeu rindo ainda mais.

A gargalhada era tão contagiante que logo o indiano se deitou no gramado de braços abertos, olhando para o céu e rindo junto do amigo, feliz. Fazer as pazes com Mu fora como tirar um peso de seu coração, além disso, naquele momento Virgem se sentiu abençoado. Parando de rir aos poucos, o loiro contemplou a beleza do céu azul, a brisa suave, o cheiro das flores e o som delicioso do riso do homem que amava, se sentiu pleno quando percebeu que tinha tudo o que precisava ali, naquele instante.

Apesar de querer Mu para si, de ama-lo de modo carnal, o que mais desejava no fundo do seu coração devoto e silente era a felicidade do lemuriano, e naquele momento, ali em seu jardim sagrado, Mu estava feliz e era só isso que importava.

O súbito silêncio de Shaka despertou a atenção do ariano que parou de rir lentamente, puxou o tecido longo da toga para liberar suas pernas e engatinhou sobre a grama florida até estar perto do amigo, deitando-se ao seu lado. Mu contemplou o céu azul bonito daquela dimensão particular por algum tempo depois fechou os olhos e respirou fundo, completamente relaxado e à vontade.

Os dois ficaram assim em silêncio por alguns instantes até que a curiosidade do tibetano venceu.

— No que você está pensando, Shaka?

— Em nada.

— Nada?

— Sim, nada! Eu estou apenas sentindo.

Mu ficou em silêncio de novo, mas não por muito tempo.

— Sentindo o que?

Shaka não respondeu de imediato, mas logo um sorriso singelo se formou no rosto do virginiano e disse após um longo suspiro.

— Estou sentindo o pequeno momento de felicidade Mu.

As pintinhas da testa do lemuriano se ergueram surpresas por um breve instante, mas ele não perguntou mais nada. Ajeitando-se melhor na relva macia agora ele também exibia um belo sorriso em seu rosto.

Mu não pensava em mais nada, apenas sentia.

***

Link para a artista da fanart

Grupo no face com as minhas fics e das meninas — Fics trio ternura

Grupo do Mushakismo, espaço reservado apenas para Mu x Shaka

Notas finais
Como eu tenho deveres pessoais, um cap do templo pra escrever, infelizmente vcs vão ter que esperar um tiquinho... mas não muito pq eu tbm to DOIDAAAAA pra escrever * rebola a bunda serelepe* um beijooo ( e me digam oque vcs acharam desse cap, pq eu até chorei escrevendo umas parte...pq sou uma mantega derretida auhuah)