Silent Hill - Hell And Paradise
5 Capítulo 4
-Ok,Jim...-disse perdendo a paciência — ...algo está acontecendo!Fui atacado por enfermeiras no hospital!E não eram enfermeiras normais,estavam mortas!Mortas! – repeti essa palavra tão alto que ecoou na cidade – Tive visões que deixariam qualquer um louco!E se há pessoas que não voltaram de Silent Hill com certeza vamos nos tornar umas delas! – imagino minha expressão de ódio,pois Jim silenciou-se. -Eu acredito em você... – disse coçando a cabeça. -Uma sirene tocou e tudo ficou diferente no hospital,uma outra realidade,um outro mundo...como se lá fosse o Inferno!Tudo ficou escuro e frio... -Estou nessa cidade há duas horas e não presenciei isso... – Jim cruzou os braços.Pensei que estava duvidando de mim,mas estava pensativo. – Há algumas pessoas que voltaram de Silent Hill,mas não disseram nada sobre criaturas,sirenes...elas apenas afirmavam que Silent Hill estava deserta e não havia nada demais. -Jim,ajude-me a encontrar minha filha...por favor!É só isso que lhe peço. – por fim estava implorando àquele homem que acabara de conhecer. – Ela não será capaz de lutar contra esses mons... Um grito ecoou pela cidade...um grito infantil e suplicante... -PAAAAAAAAAAI!ME AJUDE!PAI!SOCORRO! -ANITTA!ANITTA! – corri,deixando Jim para trás,em direção ao grito. Corri pelas ruas de Silent Hill não me importando com meu cansaço ou o destino... -Anitta...Anitta... – repetia ofegante,quase sem voz. Os gritos continuavam ecoando pela cidade,porém eu não sabia distinguir de onde vinham...cada grito parecia vir de uma direção.Por fim estava exausto e caí de joelhos no chão. -Ivan...acorde – um par de olhos cor-de-mel o observava – Já são nove horas... -Alanis...eu to de folga hoje...me deixa dormir – murmurou enterrando o rosto no travesseiro. – Deixa que eu arrumo o quarto mais tarde...me deixe... -Ivan!Você prometeu que ensinaria Anitta a andar de bicicleta! – a mulher o deu um leve empurrão no ombro –A pobrezinha está a duas semanas com essa bicicleta doida para passear,mas não sabe andar! -Ta bom,ta bom Alanis... – Ivan levantou-se mal-humorado.Ainda cambaleando foi até o banheiro. Lavou o rosto,após seca-lo examinou o espelho,viu a sua esposa arrumando a cama e cantarolando algo.Sabia que era um homem de sorte,Alanis não era o tipo de mulher que se encontrava em toda esquina...ela era uma mulher especial,algumas pessoas até a chamariam de anjo.Calma,reflexiva,simpática e carinhosa...essa era Alanis. -Andar de bicicleta é fácil,Anitta...é como..hum,aprender a escrever...no início é difícil,mas depois nunca se esquece! – disse Ivan ajeitando o capacete da menina,que o ouvia atentamente. – Em menos de uma semana,garanto que estará se divertindo andando pela rua.Vamos lá... Anitta monta na bicicleta,porém se desequilibra,mas não cai.Ela sorri para o pai e começa a dar as primeiras pedaladas. Ivan observa atentamente. -Parece que ela aprendeu bem rápido – disse Alanis,dando um leve sorriso – Ela é bem esperta... -Com um pai desses...ela tem que ter um QI igual a de Einstein... – retrucou Ivan,sorrindo. -Metido... – a mulher riu e deu um leve soco em seu ombro. — ...como sempre. – e seguiu em direção a porta de casa. Ivan a puxou pela cintura e roubou-lhe um beijo. -Ivan...depois... – a mulher o empurrou,sorrindo maliciosamente. -Olha que eu cobro... – Ivan piscou um de seus olhos. Alanis apenas sorriu e desapareceu dentro de casa. -Alanis...ajude-me Alanis...- repetia caído no chão.Sentia um vazio enorme dentro de mim. Ouvi algo se aproximando...provavelmente era Jim.Esforcei-me para olhar e não era ele. Era uma criatura sem braços,andando com muita dificuldade.Soltava alguns grunhidos,como se estivesse agonizando. Se aproximou de mim e fez um barulho,vomitou alguma substância amarela que queimava.O maldito vomitava ácido!Levantei e dei dois tiros na criatura,que caiu no chão,porém ainda se retorcia,assim como a enfermeira.Pisei com a força que me restava em sua cabeça,e a criatura não se moveu mais. -Você é maluco? – berrou Jim que tentava correr,mesmo com sua deficiência,em minha direção. – Saiu correndo e... -Olhe! –apontei para o monstro caído no chão. – Era disso que eu estava falando! -Richard...o que? -Como...? – queria pegar o cadáver daquele monstro e esfregar na cara de Jim,porém quando me virei, ele havia sumido...nem sangue havia. – ELE ESTAVA BEM AQUI!EU DEI DOIS TIROS NO MALDITO!Você precisa acreditar... -E eu acredito!-Jim apontou para meu casaco que estava corroído devido ao ácido da criatura – O que foi isso? -Era um monstro mais ou menos da minha altura,andava cambaleando,não tinha braços nem face.Soltava uns grunhidos estranhos,ele vomitou... -PAI! Virei-me para a direção do grito e sem dar satisfação a Jim,corri,porém ele me agarrou com força e caí no chão. -Você...!Não acredita em mim,não é?! – levantei-me profundamente irritado. -Há diferenças entre nós! -Não me diga... – suspirei tentando me acalmar,porém estava me contendo para não lhe dar um soco. -Deixe de ser ignorante e me escute! – Jim que até agora me aparentava ser um total “jornalista zen”,revelou que tinha seus ataques de fúria também. – Você vê as criaturas,eu não!Deve haver alguma explicação!Seja lá o que for,quer te matar!Se estamos em dois mundos diferentes,como podemos nos encontrar? -Não quero explicações...só a minha filha... –balbuciei,olhando para o chão.-Pelo menos ouviu o grito dela,não ouviu? -Sim...ouvi...veio de lá – Jim apontou para uma edificação – Silent Hill:Historical Society. -Que porra é essa? -Essa “porra” conta a toda a história de Silent Hill:Guerra civil,epidemia...tem gente que diz que há uma prisão subterrânea...mas nada foi comprovado. Levantei-me e analisei o local.Era um museu pequeno e não me amedrontava como o hospital...parecia que até me convidava para explora-lo. -Vamos...minha filha está lá. – disse quase num sussurro para Jim,que me acompanhou.
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