Silence - Midnight Red [HIATUS]

4 III- Party and secrets.


Notas iniciais
Hey Galera !! Sei que demorei mas.... Enfim cheguei com mais um cap pra vocês. Caso perguntem sim o Nyah! Excluiu a primeira temporada de Silence, mas já está sendo repostada e logo colocarei o link. Aviso: O Cap 5 já está sendo escrito.

As costas de Dana bateram no tatame com um misto de chapinhada e baque. O impacto forçou o ar dos pulmões dela, por isso só o que conseguiu fazer foi continuar deitada e tentar respirar. Keane ficou em pé acima dela, balançando a cabeça e curvando o lábio em desdém.

– Isso foi patético — ele disse

Era tão bom vê-lo usar reforço positivo...

Dana se esforçava demais para conseguir respirar e não conseguiu dizer o que achava dele, mas tenho certeza de que ele conseguiu captar a mensagem nos olhos da garota. Dana me disse que um dia Keane lhe disse que se ela não desejasse esmagar seu rosto durante os treinos, então ele não estava fazendo um bom trabalho. Ele estava fazendo seu trabalho bem demais, porque até eu estava com vontade de lhe dar um soco.

– Se eu fosse um dos bandidos, você estaria morta a esta altura — ele continuou

– Um belo professor você é — ironizei

A irônia e eu havíamos nos tornado grandes amigas nesses quase 6 meses em Avalon, pois é já estou aqui há seis meses, seis longos meses, as únicas vezes que eu saia da cidade era pra ir fazer exames e pra isso eu ia até Londres. E falta exatos 31 dias pra eu ir para a escola de magia.

Dana ainda estava no chão regulando a respiração. Como ''ajudante'' de Keane eu devia assistir de longe enquanto ele disse que como estava muito perto dela a ensinando os movimentos podia não notar alguma falha dela. Aliás, não sou uma ajudante, na verdade sou eu quem mais ensino ela aqui.

– Vai tirar uma soneca ou mexer esse traseiro para continuar a treinar ? — Keane perguntou

– Você nunca se cansa ? — resmungou se sentando e eu ri

Ele bufou.

– Não. Nunca em 15 minutos. — ele disse — Além de todo o resto,acho que também precisamos trabalhar seu condicionamento.

Quando Dana o tentou atingir nas pernas ele soltou um grito de surpresa, mas conseguiu reverter o ataque e a prendeu no tatame, as mãos segurando os tornozelos e as pernas prendendo os braços da garota, já disse que estava vendo tudo isso de cabeça para baixo ? pois é.

– Belo movimento — eu disse sarcástica — De fato, você melhorou sua situação

– Seu sarcasmo não ajuda — ela disse com dificuldade

Ela se remexeu e se debateu — com dificuldade — mas não havia muito que ela conseguisse fazer de rosto colado no chão, com pernas e braços imobilizados. Definitivamente ela perdeu mais um round.

– Pode soltar ela — eu disse rindo — Acho que já entendeu o bastante fazendo amizade com o chão

– Talvez eu não esteja com vontade de soltar ainda — sua voz era um tanto divertida

Quis dizer algo astuto e experiente, algo que o colocasse em seu lugar e que o fizesse lamentar o sorriso estúpido. Mas tudo o que pensei em dizer só tornaria as coisas ainda piores.

Passamos cerca de meia hora mais treinando, troquei de lugar com Keane vez ou outra para mostrar a Dana como flexionar os joelhos tanto para atacar quanto para defender e quando Keane a ia atingir eu o fazia parar o movimento e mostrar como ela deve se defender. Treino, isso se as repetidas quedas de Dana forem consideradas de ''treino''.

– Não fique tão mal-humorada — Keane disse ao começar a enrolar os tatames. Eu deveria ajudá-lo, mas estava cansada e, bem, Dana não era a única mal-humorada — Você está se saindo bem.

Obviamente, ele e Dana tínhamos definições diferentes para ''bem''. Dana se largou no sofá, sem nem ligar de ter de passar por cima da mesinha de centro para chegar até ele.

– Estou falando serio Dana — Keane disse, deixando os tatames enrolados de lado e se levantando. Ele afastou a mesinha de centro, depois se sentou ao lado de Dana no sofá.

Eu não estava prestando muita atenção nos dois, estava ocupada demais em uma batalha mental entre ir ou não a festa de Kimber, eu tinha um mal pressentimento sobre isso...

– Bea ? Tá me ouvindo ? — Dana perguntou alto

– Desculpe, o que ? — eu perguntei fazendo Keane me olhar estranho

– Eu perguntei se você vai a festa de Kimber — ela disse

– Não, não vou a festa dela — eu disse dando de ombros e me encostando na parede de braços cruzados

– Por que não ? Ela é sua prima não é ? — Dana disse

– Não é pelo fato de sermos ''primas'' — fiz aspas no ar com as mãos — que eu tenho que ir a festa dela, aposto que nem ela gostaria de estar lá

– E por que não ? — Keane perguntou — Afinal é o aniversário dela

– Pelo visto vocês nunca foram a uma festa Leigh, acredite Kimber preferia mil vezes ficar jogada na cama o dia todo — eu disse seca

A expressão de Keane se abrandou, e o brilho de divertimento no olhar dele diminuiu.

– Eu tenho que ir — eu disse olhando no relógio e já deixando a casa

Estava quase saindo pela porta quando Finn me chamou dizendo:

– Não vai esperar seu guardião ?

– Sei me cuidar sozinha — eu disse — Afinal eu cresci assim

E sai pela porta encarando a escuridão dos tuneis, liguei minha lanterna e andei normal virando umas duas vezes e depois começando a correr, não gostava daquele lugar então usei meu portal para me transportar para a frente da casa que Nash ficava.

***

Estava no local da boate onde ocorria a festa de Kimber. Nash havia me convencido de ir até a festa porque eu tinha que sair mais, qual é ? Não me dei trabalho de me vestir como uma deles, o mais simples estava mais do que ótimo. Um vestido preto tomara que caia colado, não muito curto, minha jaqueta preta de couro, uma meia calça personalizada preta e saltos altos pretos. Meus cabelos recém pintados de pretos caiam soltos com os cachos, meus olhos azuis ficaram em contraste com a maquiagem feita, sombra escura e apenas um gloss nos lábios.

Entreguei meu convite e logo estava entrando na boate. A música estava tão alta que poderia ser ouça a quilômetros de distância.

– Pensei que não viria — ouvi uma voz masculina alta no meu ouvido

– Eu disse que ia pensar Ethan — eu gritei para ele ouvir

Ele riu e me puxou junto para o bar e pedindo dois drinks ao barman. Começamos a conversar e em pouco tempo ele já estava parecendo um bêbado.

– Ethan acho que chega pra você não é — eu disse rindo e tirei a sua sexta ou sétima cerveja

– Ah qual é Be, você precisa se divertir também — ele disse e me puxou para a pista de dança — Vamos lá, mostra o que você sabia até algum tempo atrás

– Nem vem, eu não danço mais — eu disse me debatendo

Não consegui me soltar de Ethan que ainda insistia para que eu fosse para a pista de dança. Até que algum amigo dele se aproximou e cumprimentou ele.

– E ai Andy — Ethan disse abraçando o garoto

– Quem é a garota Ethan ? — o garoto de olhos azuis disse rindo

– Beatrice esse é o Andy. Andy essa é minha prima Beatrice — ele disse

– E ai prima do Ethan — ele disse e me cumprimentou

– E ai — eu disse rindo da cara de Ethan

Depois disso Ethan e ele embarcaram em uma conversa sobre a banda de Andy, acho que foi isso, mas minha atenção mudou quando vi Dana e Kimber passar pela multidão de pessoas que a menoria conhecia eles.

– Acho que não vai conseguir chegar até sua prima pelo meio dessa multidão — ouvi a voz de Andy gritar para mim

– Eu meio que percebi isso — gritei para ele rindo — Onde está Ethan ?

Ele apenas apontou para a pista de dança, onde Ethan dançava com uma garota de cabelos vermelhos que usava um vestido que só faltava mostrar o útero. Acho que fiz uma expressão engraçada porque Andy começou a rir.

– Mas e você ? Não vai dançar ? — ele perguntou

– De jeito nenhum — eu disse — e você ?

– Vou guardar o que sei pra daqui a pouco lá em cima — ele disse apontando para o palco

Assim fomos até o bar e pedimos nossas bebidas.

– Ei, vai com calma — ele disse quando dei um gole grande na minha cerveja

– Qual é ? o Ethan pode ficar bêbado e eu não ? — eu disse rindo

– A diferença é que o Ethan fica bêbado até tomando água — ele disse rindo e eu o acompanhei

– Sua banda vai tocar hoje ? — eu perguntei alto

– Claro, essa festa precisa ter pelo menos uma atração merecida ja que a maioria aqui não sabe quem é a aniversariante — ele disse

– Se fosse igual a 2 anos atrás, Kimber me forçaria a subir naquele palco — eu disse rindo

– Então você tem talento ? — ele perguntou

– Digamos que bem pouco — disse rindo

– Só acredito vendo — ele disse — Bom, quando eu estiver lá em cima, quero você o mais perto do palco possível

– Posso saber o porque ?

– Porque quero ver você de lá de cima — ele disse sorrindo

– Vou pensar no seu caso — eu disse

Ele fez uma cara de indignado e eu sorri para ele. Percebi que um outro homem se aproximou de Andy e disse algo próximo a seu ouvido e saiu. Andy voltou sua atenção para mim sorrindo.

– Agora é a minha deixa — ele disse se levantando — mas antes...

Ele puxou um papel e uma caneta e escreveu alguma coisa e guardou no bolso da calça. Me estendeu seu braço e a canete. Peguei a caneta o olhando confusa.

– Anote seu telefone no meu braço — ele disse

– Por que no seu braço ? — perguntei rindo

– Porque eu não sou muito cuidadoso com papeis e se você colocasse seu número em um, provavelmente, ele pararia no lixo — ele disse rindo

Destampei a caneta permanente e com dificuldade anotei meu número de telefone em seu braço.

– Agora vai lá, vamos ver se você é bom — eu disse rindo

– Você quem manda — ele disse — Mas como eu disse, quero ver você perto do palco

– Vou estar lá — sorri pra ele — agora vai

Deixei a cerveja no balcão e fui até um ponto nem tão longe, nem tão perto do palco, mas sim um pouco a frente do centro. Vários daqueles filhos de feéricos importantes se aglomeraram a frente do palco e iam até quase o bar. Transformando quase tudo em uma enorme pista de dança.

Assim que as luzes diminuíram ainda mais e pude ouvir o som sincronizado das guitarras e bateria, os gritos subiram pelo menos 2/3 de me deixar surda. As luzes pelo palco foram acessas vagarosamente de acordo que nos deixassem ver apenas os instrumentos que estavam sendo tocados. Logo pude ver seus rostos com maquiagens extremamente fantásticas e o figurino preto.

As roupas pretas, a maquiagem e sua franja que caia cobrindo quase todo o olho esquerdo só davam mais contraste em seus incríveis olhos azuis. Percebi ele olhando pela multidão enquanto não começava a cantar. Sorriu ao me ver não muito longe do local onde se encontrava.

I cannot hide what's on my mind. I feel it burning deep inside... Cantou a primeira frase olhando pra mim e elevou ainda mais os gritos.

A passion crime to take what's mine. Let us start living for today...Vi seu sorriso aparecer quando comecei a me movimentar conforme o ritmo da música.

Never gonna' change my mind, We can leave it all behind. Nothin's gonna' stop us. No not this time... Nenhum de nós desviavamos os olhares, até que olhei para trás.

So take your hand in mine, It's ours tonight. This is a Rebel Love Song... Pude ver Finn perto do bar com uma das mãos em volta do braço de Keane enquanto Dana ia em sua direção. Apesar de sentir o olhar de Andy sobre mim, vi o semblante de Keane e percebi que Finn o segurava muito forte.

Hearts will sacrifice. It's do or die, This is a Rebel Love Song...Por mais assustada que estivesse, Kimber merecia se divertir hoje. Comecei a abrir espaço pela multidão para chegar até ela. My outlaw eyes have seen their lies. I choke on all they had to say... Eu tentava ser educada, mas esses mesquinhos, achavam que eram melhores que todos aqui. Então comecei a abrir caminho aos empurrões.

Kimber estava sentada no bar tomando alguma coisa azul quando cheguei até ela. Coloquei minhas mãos sobre seus olhos numa brincadeira de criança.

– Bea — ela pulou em cima de mim num abraço — pensei que não viria...

– Eu não ia, mas alguém abriu meus olhos e me fez ver que você precisaria da minha presença aqui — eu disse

Never gonna' change my mind. We can leave it all behind...Olhei para onde estava o barman e me aproximei pedindo dois copos de vodka e entreguei um a Kimber. Ela me olhou assustada por um tempo mas aceitou o copo. Dei um grande gole antes de dizer:

– Hoje é sua noite, merece um pouco de diversão — eu disse rindo e já estava puxando-a para o meio da multidão

So take your hand in mine. It's ours tonight, This is a Rebel Love Song... Estávamos avançando até a frente rindo e dançando, chegamos até onde eu estava e quase derrubamos muitas pessoas no processo. Kimber deu gole grande em seu copo antes de começar a dançar no seu ritmo.

Hearts will sacrifice.It's do or die, This is a Rebel Love Song... Olhei para Andy enquanto dançava e ele sorriu e deu uma piscada com o olho eu ri e virei o resto de vodka do copo.

– Ei, vai com calma — ouvi Kimber dizer rindo

– Qual é, Ethan pode e eu não ? — eu ri

– Eu posso o que ? — Ethan chegou colocando um braço em volta de mim e outro em volta de Kimber

(Wild and running for one reason. They can't stop us from our freedom)...Ouvi um coro antes de voltar o olhar ao palco e ver Andy ainda com o olhar preso em mim.

– Ficar bêbado por uma noite — eu disse rindo

– As mulheres da minha vida não podem ficar bêbadas no mesmo dia que eu — ele disse indignado e rindo

– Por que ? — eu e Kimber perguntamos rindo mais

– Quem vai me levar pra casa depois ? — ele disse rindo

– Eu que não vou — respondi rindo e sentindo o efeito da vodka

So take your hand in mine. It's ours tonight, This is a Rebel Love Song...Kimber virou o copo de vodka exatamente como eu fiz. Dançávamos juntos como fazíamos em tempos antigos. Olhei para Andy e seguramos os olhares até ele finalizar a canção jogando um de seus acessórios no meio da multidão. Acabou caindo aos meus pés e me abaixei para pegar. Era um colar com um símbolo desconhecido por mim.

***

Biblioteca Avery, Centro de Avalon — 1 semana depois, 21:43

Estava arrumando a última estante do segundo andar enquanto Emma fechava a biblioteca no andar debaixo. Suspirei cansada terminando de guardar os livros e quando peguei o último na mão e li seu título me peguei perguntando a Emma:

– Ei, eu posso levar esse livro comig...Emma ?

Não a vi no andar debaixo, por isso deixei meu crachá no balcão e escrevi um bilhete falando que levei o livro. Sai da biblioteca e o vento frio fez com que eu me arrepiasse. Passei os braços pelas mangas do meu casaco e fechei o zíper, estava com calça jeans escura e botas nos pés a fim de espantar o frio do meu corpo.

Entrei em uma Starbucks e fui até o caixa pedindo um capuccino e me sentando em uma das mesas próximas a janela. Sei que Seamus me alertou de que devo andar sempre com um guardião junto comigo, mas eu discordo, Jason não precisa ficar atrás de mim 24 horas por dia — 7 dias por semana.

Foi distraída na paisagem mais a frente, que entre as árvores altas e arbustos eu vi. Direcionados diretamente em mim, prendendo cada movimento que eu fizesse. Sentia que devia afastar o olhar, mas se fizesse isso com certeza ele não estaria mais lá quando olhasse novamente. Assustei ao ver que a moça que trabalhava lá me entregou o café, agradeci com um sorriso e quando retornei a olhar a coisa não estava mais lá.

Peguei meu café e retirei a tampa levando até a boca, mas parei no meio do caminho que notei que a espuma por cima formava uma espiral que não se misturava com o café quente por baixo.

***

Já na minha cama, meu pensamento ficara no que aconteceu no centro, meu olhar estava perdido entre o relógio na mesa ao lado da cama e o teto. Mas o pior era que eu sentia um incômodo. Com isso sentei na cama ligando o abajur, fui até minha escrivaninha ligando o notebook.

Prendi a bagunça que estava meu cabelo e passei a pesquisar sobre as lendas locais e do país.

– Bête du Gévaudan– li, o nome estava em francês.

Não havia muitos registros sobre a lenda, mas com certeza eu já havia visto aquela imagem antes. O corpo escondido pela névoa, os dentes grandes e afiados...É claro. Sabia que esse nome não me era estranho.

Fui até minha mochila e de lá tirei minha caixa, digitei a senha e assim que destravou eu peguei meu livro com capa de couro preto. Travei a caixa novamente e a deixei embaixo da cama.

– Aqui está — eu disse baixo, depois de passar as páginas freneticamente atrás da certa — A Besta de Gévaudan

Com o livro e anotações sobre a mesa eu ia juntando tudo que conseguia sobre o assunto. Me peguei olhando uma imagem sobre a lenda e me perguntando o que parecia...

Até me lembrar de algumas palavras de Finn há algum tempo atrás '' Se algum dia quiser saber mais sobre você e sua família...pesquise''. E foi abrindo mais uma guia que fiquei insegura. Afinal qual era a minha família ? Qual era meu nome ? Quem sou eu ? Decidi por fim digitar o sobrenome de meu tio Leigh na barra de pesquisa. E foi com aquela imagem que eu me vi comparando com a do livro. Os mesmos olhos vermelhos.

– Lobisomem– eu sussurrei quase ínaldivel até para mim