Notas iniciais
Boa Leitura:

A brisa do vento batia levemente na face da garota, os fios loiros, quase brancos, de seu cabelo, balançavam à medida que o vento aumentava.

O dia estava quase amanhecendo, ao longe, no horizonte, já podia ser facilmente percebível que o sol começava a sair detrás das montanhas e o céu coloria-se de amarelo e laranja.

Naquele começo de dia, as nuvens tomavam conta do céu, o que já se era esperado, pois a noite anterior tivera sido marcada pela chuva intensa que caíra naquela região remota da Romênia.

A moça de cabelos loiros, mirava algo no chão a uma certa distância. Ela mirava algo, que era para ser um homem, porém, sua face estava desfigurada, seu corpo mutilado, e ao redor, uma enorme poça de sangue. O vermelho fazia contraste com o branco da neve, o cheiro de carne morta, era sentido no ar, o homem que antes esteve vivo, agora, era apenas mais um pedaço de carne podre, apenas mais um, para a coleção de Audreea.

“A noite parece ter sido agitada. ” – Uma voz rouca e grossa murmura entre os arbustos.

Audreea sorri.

“Sim, podemos descrevê-la desta forma. ” – Audreea concordou.

“Trouxe algumas roupas. ” – O homem murmurou saindo dos arbustos, revelando-se.

“Obrigada, Klaus. ” – Audreea agradeceu, o fitando por alguns segundos e logo depois sumiu entre os arbustos.

“Audreea, notícias novas surgiram. ” – Klaus revelou, também fitando o homem morto.

“Quais? ” – Somente a voz de Audreea era percebível.

“Quando voltarmos para o acampamento, nosso pai poderá lhe contar, com mais detalhes. ” – Klaus falou virando o rosto para o lado contrário do corpo.

“Okay. ” – Foi tudo o que Audreea falou antes de sair dos arbustos, agora, vestida com um vestido bege e fino, tal vestido mais parecia um robe do que uma vestimenta, porém, Audreea não reclamou, era isso ou nada, e seu pai não ficaria muito feliz de ver sua filha nua na frente de todos os companheiros.

“Devemos ir agora, a espécie dele deve estar procurando-o. ” – Klaus falou fitando o pedaço de carne morta a sua frente.

Andreea sorriu novamente, e começou a seguir Klaus, que já tivera começado a caminhar, embrenhando-se no meio da mata fechada.

A caminhada foi calma e silenciosa, apenas o belo canto dos pássaros era ouvido. Logo os ruídos vindos do acampamento foram percebidos.

Ao chegar ao acampamento, alguns olhares caíram sobre os jovens, porém, nenhum dos dois se incomodaram, afinal, já estavam acostumados.

Caminharam, um do lado do outro, com passos firmes e expressões onipotentes, em direção a uma cabana principal, no meio do acampamento, onde o seu pai lhes esperavam.

“Pai. ” – Klaus murmurou e o homem de aparência velha e cansada, porém onipotente o fitou e sorriu.

“Sentem-se. ” – O velho respondeu, e os jovens sentaram-se ao redor de uma mesa, à frente do velho. “Minhas crianças, como foi a noite? ” – O velho questionou.

“Foi animada. ” – Audreea respondeu.

“Nada de extraordinário. ” – Klaus respondeu sobre o olhar de seu pai e irmã.

“Bem, Audreea creio que seu irmão já lhe tenha falado sobre as novas notícias que chegaram. ” – O velho começou.

“Sim, quer dizer mais ou menos, Klaus falou que novas notícias tinham surgido. ” – Audreea respondeu.

“Exato, e a gravidade dessas notícias é inquestionável. ” –O velho continuo.

“O que chegou até nós? ” – Klaus questionou cansado.

“Ela matou Sineus e Kunai. ” – O velho começou.

Andreea arqueou para trás e Klaus mal conseguia acreditar.

“Como ela conseguiu está faceta? ” – Klaus questionou curioso e surpreso. “Pai, Sineus e Kunai eram uns dos mais fortes, ágeis e poderosos que existiam. ” – O jovem continuo.

“Sinceramente, meu filho, eu também gostaria de descobrir como ela fez isso. ” – O velho comentou.

“Pai, acha que ela pode estar vindo atrás de nós? ” – Audreea questionou assustada.

“Creio que não, o assassinato de Sineus e Kunai ocorreu a quase três meses. ” – O velho começou. “E pelo o que chegou a nós, ela está vivendo como uma protegida da lua, ela não arriscaria chegar tão perto dos filhos da lua, não agora. ” – O velho tranquilizou a filha.

“Se ela os matou, é porquê já sabe da verdade, então ela deve ir atrás de Adark. ” – Klaus murmurou preocupado.

“Devemos avisar o concelho? ” – Audreea indagou.

“Creio que o conselho já deve saber, e mesmo que não saibam, devemos proteger a vila e nada mais. ” – O velho respondeu a filha.

“Não devemos nos preocupar tanto, pois ela... ” – A frase de Klaus ficou no ar, pois naquele instante gritos vindos de fora despertaram a curiosidade dos três naquela cabana.

O velho saiu na frente, os filhos vieram atrás e o que encontraram do lado de fora, foi horrendo.

“O que aconteceu aqui? ” – Audreea indagou sem acreditar.

Corpos de filhos da lua por todos os lados, mutilados e mortos.

“Olá, meu velho inimigo. ” – Uma voz cortou o vento.

O velho e os filhos fitaram o estranho homem que havia parado na frente da cabana, sua aparência era de longe medonha, não por ser feio, o que ele não era, mas sim por seu jeito, sua face era branca como a neve que cobria o chão, seus olhos vermelhos como o sangue, não tinha cabelos, isso só deixava sua aparência mais onipotente. O homem estava acompanhado por uma mulher, muito linda, olhos vermelhos como sangue e com cabelos castanhos encaracolados.

“Mason. ” – O velho sussurrou.

“Lucian. ” – Mason sussurrou de volta, com um sorriso de canto.

“O que faz aqui? E porque assassinou meus homens. ” – Lucian indagou fechando a mão em um punho, tentando assim, controlar a sua fera interior.

“Homens? ” – A mulher que acompanhava Mason questionou. “Por favor, seja menos irônico. ” – A mulher sibilou.

“Pai, ele é Mason? ” – Audreea questionou ao pé do ouvido do pai.

“Sim, sou eu. Escutou muitas histórias sobre mim? ” – Mason questionou sorrindo.

“O que faz aqui? ” – Klaus questionou raivoso.

“Olhe, Lucian teve um filho corajoso. ” – Mason brincou.

“Mason, só responda. ” – Lucian pediu, controlando-se.

“Vim atrás de respostas. ” – Mason começou. “Soube que ela matou Sineus e Kunai, o que eu já esperava. ” – O vampiro continuou.

“O que quer saber? ” – Audreea indagou.

“Quero garantir que eu a encontrarei. ” – Mason falou. “E para isso preciso de ajuda, ela passou tempo demais como uma filha da lua, não posso rastreá-la desta forma. ” – Mason explicou.

“Mas ela está vivendo como protegida agora. ” – Lucian falou. “Porque precisa de nossa ajuda? ” – O velho questionou.

“Você sabe o porquê. ” – A acompanhante de Mason murmurou fitando os jovens Audreea e Klaus.

“Você matou meus homens” – Lucian começou. “E agora quer me pedir ajuda? Por que eu deveria te ajudar? ” – Lucian questionou.

“Por que se não o fizer, eu lhe matarei. ” – Mason sussurrou.

“Somos três e vocês apenas dois. ” – Audreea falou.

“Por favor, criança, não me faça rir. ” – Mason pediu.

“Não toque nos meus filhos. ” – Lucian rosnou.

“Então, vem protegê-los. ” – Mason provocou.

Em um rápido movimento, Lucian empurrou os filhos para dentro da cabana e colocou uma mesa pesada atrás da porta fechada.

“Por favor Lucian, acha mesmo que conseguirá me deter? ” – Mason riu do lado de fora. “Vou te dar um minuto. ” – O vampiro sibilou.

“Pai, vamos morrer? ” – Audreea questionou.

“Silêncio, ele pode ouvir. ” – Lucian pediu aos filhos. “Klaus, pegue o caderno em cima da mesa. ” – Lucian ordenou e o filho rapidamente o fez.

Lucian pegou o caderno entre os dedos e começou a escrever.

Andem devagar para o porão e se tranquem lá, cubram a porta e não a abram para ninguém, nem para nada. Mesmo que me escutem gritar, não saiam, é uma ordem.

O velho escreveu.

“Mas pai... ” – Klaus começou, porém, seu pai tampou sua boca com a mão.

“Vá, leve sua irmã. ” – Lucian ordenou.

“Pai. ” – Audreea sussurrou chorando.

“Eu amo vocês. ” – Lucian disse e voltou a escrever no caderno.

Depois de ter certeza que eles se foram, saiam do porão. Devem ir atrás de Adark e só dele, não confiem em mais ninguém, somente nele, não confiem nem no conselho.

Os filhos olharem emocionados para o pai, que os abraçou por alguns segundos, e logo depois os empurrou em direção ao porão.

“Seu tempo está acabando Lucian. ” – Mason falou do lado de fora.

Lucian olhou para trás, apenas para fitar os filhos mais uma vez enquanto eles entravam no porão, de onde eles não deveriam sair.

Ao entrar no porão, Klaus cobriu a porta com tudo que tinha ali, depois foi para o canto onde abraçou a irmã que chorava em silêncio.

“Acabou. ” – Mason falou e um alto barulho ecoou quando o mesmo quebrou a porta da cabana.

“Onde eles estão? ” – Mason questionou fitando Lucian.

“Longe. ” – Lucian fala e avança para cima de Mason.

Se fosse uma luta justa, Lucian talvez tivera ganhado, porém, no momento que o mesmo pulou sobre Mason, a acompanhante de Mason, pulou sobre Lucian e em um rápido movimento, o coração de Lucian estava nas mãos de Mason.

“Poderia ter evitado isso Lucian. ” – Mason murmurou fitando o corpo sobre o assoalho de madeira. “Para onde os filhos dele foram? ” – Mason indagou-se e viu a janela aberta.

“Foram pela janela. ” – A mulher falou.

“Não tem pegadas. ” – Mason falou.

“Mason eles são lobos e vivem aqui, devem ter truques. ” – A mulher falou.

“Tem razão, venha, eu quero aqueles meninos. Eu preciso daqueles meninos. ” – E foi a última coisa que Mason falou antes de sair da casa acompanhado da mulher em direção a mata.

“Eles foram? ” – Audreea sussurrou.

“Não sei, papai mandou esperar. ” – Klaus falou.

E foi o que os jovens fizeram, esperaram, até a noite cair, quando finalmente abriram a porta, e puderam chorar sobre o corpo do pai morto.

A noite chegou lenta e silenciosa, Klaus e Audreea ainda velavam o pai morto, Klaus observava a irmã que, agora, dormia sobre o peito do pai.

“Audreea ouviu isso? ” – Klaus questionou acordando a irmã.

“Sim. Será que eles voltaram? ” – Audreea questionou ainda meio sonolenta.

“Não é o cheiro dele. Venha. ” – Klaus falou e caminhou até o lado de fora da cabana, onde viu um homem e uma mulher o esperando.

“Quem são vocês? ” – Audreea Indagou na defensiva.

“Onde está Lucian? ” – O homem indagou.

“Morto. ” – Klaus respondeu. “Somos seus filhos. ” – O jovem falou e sentiu uma pontada de dor no coração.

“Eu me chamo Adark e ela é Sophie. ” – O homem apresentou a ele e a sua acompanhante. “Quem matou Lucian? ” – O vampiro indagou.

“Meu pai mandou irmos atrás de você, ele mandou confiar em você. ” – Audreea revelou.

“É claro que mandou. ” – Adark sussurrou. “Quem matou Lucian? ” – O vampiro questionou novamente.

“Um tal de Mason. Não sabemos que é. Ele veio aqui e matou todos da vila, depois matou nosso pai. ” – Klaus respondeu.

“Como sobreviveram? ” – Adark indagou.

“Nosso pai mandou nos escondermos no porão, e não sair de lá até acharmos estar seguros. Depois, deveríamos ir atrás de você. ” – Klaus falou.

“Devem vir conosco, não estão seguros aqui. ” – Sophie murmurou.

“Mas, e nosso pai? ” – Audreea perguntou.

“Devemos e vamos enterrá-lo. ” – Sophie disse e lançou um sorriso solidário aos jovens.

“Sophie, vá com ela e a ajude. ” – Adark pediu e a Sophie acatou, ela logo entrou na cabana com Audreea.

“Porque meu pai foi morto? ” – Klaus indagou a Adark.

“Porque ele se recusou a dar o que Mason queria. ” – Adark respondeu.

“E o que ele queria? ” – Audreea questionou saindo da casa junto com Sophie, trazendo consigo o corpo do pai e o colocando no chão, com cuidado.

“Vocês dois. ” – Adark respondeu solidário.

“Por que? ” – Audreea perguntou.

“Ainda não sei, porém, pretendo descobrir. ” – Adark finalizou.

“Nosso pai está morto, eu quero vingá-lo. ” – Klaus falou.

“Vem comigo, me ajude a encontrá-la. ” – Adark pediu.

“Eu vou, sabemos onde ela está. Ajudaremos vocês. ” – Klaus falou e pegou uma pá ao seu lado. “Só vou enterrar meu pai primeiro. ” – O jovem murmurou.

Ao amanhecer, nenhum dos quatro ainda estava na vila, não havia nenhum sinal, nem de que eles estiveram ali.

Enquanto saiam do país, no banco de trás do carro de Adark e Sophie, a mente de Audreea e Klaus permanecia com muitas dúvidas, havia apenas uma certeza:

Eles vingariam a morte do pai, e se fosse necessário achar uma hibrida com dois protegidos da lua, para vingá-lo, eles o fariam sem hesitar.

Afinal, a guerra tinha acabado de ser declarada, era para escolher um lado, e aqueles jovens, já tinham escolhido o seu.

E você, meu caro mortal, que está lendo este relato, cuidado, a guerra está mais perto do que nunca, de que lado você ficará?

Notas finais
Meu querido mortal, a luta está cada vez mais próxima, eu lhes pergunto mais uma vez,
De que lado ficará?

- Vick
Você chegou ao fim do livro. Parabéns!