Silence
1 I - Prólogo
Notas iniciais
Quando eu era pequeno meu avô me contava histórias estranhas, coisas que na cabeça de uma criança parecia ser tão inocente. Muitas vezes o destino cria nossa história, mas negamos nossos próprios erros, então pegamos os problemas e simplesmente enterramos tudo no quintal. Confesso que errei ao tentar negar minhas falhas e adicionar a inocência a uma história totalmente indecente, infringindo a lei da natureza e o saber humano criando algo que nunca existiu e por fim distorcendo pensamentos que já destruíram o que já se pois a existir.
* * *
Era Quinta, o sol estava nascendo enquanto eu observava calmamente as folhas das árvores dançando na melodia que o vento soprava. Por mais que era real eu acreditava que era um sonho, pois normalmente minhas manhãs eram repletas de brigas e gritos que tomavam todo o condomínio onde eu morava. Os vizinhos reclamavam, muitas das vezes eles acabavam entrando em meio as brigas dos meus pais mesmo sem entrar em casa, outra vez nosso ex-vizinho da esquerda quebrou dois dedos da mão enquanto tentava socar a parede como sinal de "Cala a boca seu bando de Marginais" ou então "Para de falar tanta bosta que não faz nenhum sentido se não eu vou quebrar meus dedos aqui".
Toda manhã eu procurava acordar mais cedo que meus pais, antes que eles tentassem me acordar, e já que sempre estavam brigando um deles poderia atirar algum objeto em minha cabeça me deixando em um coma, interrompendo minha rotina estudantil estragando por completo minha chance de entrar na faculdade antes dos vinte anos de idade.
Realmente eu não sabia o por que da calma, mas eu não reclamava. A calma que habitava a minha casa era rara, e com toda certeza estragar isso seria algo que eu me arrependeria de ter feito depois. Ignorei o fato de faltar pouco tempo para o trabalho dos meus pais e os deixei dormir por quanto tempo quisessem, pois se eles se atrasarem acredito eu que não teriam tempo para discussões bobas.
* * *
Eu já estava de saída, retirando a bolsa do meu quarto e as jogando entre meus braços apoiando-a entre meus ombros, logo então dei uma leve firmada nos dois nós do cadarço do meu all star velho de cor cinza — Já sendo preto á algum tempo atrás — encerrando meu trabalho por ali, ou seja, eu já estava a caminho do colégio.
* * *
Não sabia a certo o que era, era algo ruim, impressão que nada daria certo,
O dia estava calmo de mais para mim, eu estava me estranhando,
Mas por que porcaria todo mundo resolveu calar a boca?
Eu não sei se realmente não me arrependeria por ter deixado o silêncio tomar conta de casa!
Mas eu espero que logo acordem e quem sabe retomar as velhas brigas do casal,
Bom dia Mamãe e Papai, espero que tenham dormido muito bem.
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