Silence
1 Capítulo Único - Silence
Notas iniciais
Silence
Silêncio.
Era tudo que parecia existir na sede da Nona Divisão. A mais pura paz flutuava no local na forma de quietude.
Nenhum som. Nenhuma pessoa ao redor para perturbar o Capitão em seus afazeres. Nem sinal da voz estridente de Mashiro ecoando em seus ouvidos.
Não havia nada.
Se Kensei não fosse o homem sério que era, provavelmente teria sorrido, tão feliz estava com a ausência de sua irritante co-tenente.
De fato, quase não conseguia entender porque diabos ela estava vivendo na Soul Society com ele quando poderia muito bem permanecer no Mundo Real com Hiyori e os outros. Mas não, Mashiro sempre tinha que arrumar um jeito de estar ao seu lado, sendo a sempre-mais-que-tagarela-e-irritante que era. Ah, sim... Ele se lembrava da pequena mulher chorando copiosamente para ficar em sua oh-tão-amada Nona Divisão. Assim, Kuna Mashiro se tornara sua co-tenente, juntamente com Hisagi Shuuhei.
Para sua decepção, o Comandante Geral não pronunciara uma palavra sequer sobre o caso. Na verdade, fizera vista grossa às suas exigências loucas. E lá estava ele: vivendo com aquela tagarela tola em sua divisão.
Após conseguir esse primeiro feito, ela começara a reclamar dos aposentos em que ficaria. Não queria nada além do melhor quatro da sede inteira! O único que deveria ser dele, claro, mas que estava com Shuuhei, uma vez que ele preferira o quarto cujas janelas estavam voltadas para os campos de treinamento. Segundo Mashiro, de lá poderia ver as borboletas, além das flores sacudindo sob a brisa vespertina do outono e primavera. Ou até mesmo apreciar seus galhos adquirindo uma tonalidade branca sob a neve do inverno.
Kensei quase rolou os olhos à mera recordação daquela discussão que tiveram. Que razão mais estúpida para querer um cômodo que já tinha dono!
Quando lhe dissera para ficar com qualquer quarto que quisesse, desde que estivesse vago, ela começara a fazer aquilo: choramingar numa voz completamente estridente e chata que só ela tinha. Oh, inferno, ele estava determinado a não lhe dar nada dessa vez. Já era tempo para ela aprender que não podia ter tudo e para ele ser capaz de calá-la.
Entretanto, quando Kuna Mashiro queria algo, ela conseguia e não havia nada que ele, Muguruma Kensei, pudesse fazer para pará-la.
Dessa forma, quando o Comandante Geral dissera que era melhor que ele lhe desse aquele cômodo ou ele iria matá-la ele mesmo, Mashiro finalmente ganhara.
De primeira, essa parecia uma ideia muito boa. Deixá-la morrer. O mero pensamento de um mundo onde ela não iria gritar em suas orelhas era atraente o bastante. Mas, novamente, lá estava ele, colocando uma mão em sua boca, calando-a, para impedir que qualquer outra reclamação escapasse de seus lábios e chegasse a Sasakibe Choujirou. Impedindo que ela fosse morta e selando seu destino: uma vida com aquela papagaia com o senso de moda mais ridículo que ele já vira em sua cola o tempo todo.
“Kensei malvado,” ela choramingara quando ele a jogara sobre seu ombro e desaparecera com shunpo da Primeira Divisão antes que ela pudesse pensar em abrir sua boca de novo e, então, quando ele a atirara na cama e a trancara no quarto que ela queria tanto.
O Capitão pensara que isso seria capaz de satisfazê-la e mantê-la quieta por alguns dias, mas Mashiro sempre seria Mashiro e logo ela encontrara algo novo para reclamar.
Então, poderia dizer que hoje era um dia bom. Mashiro estava fora com as integrantes da Associação Feminina de Shinigami — compras no Mundo Real — e não tinha hora para voltar.
Aproveitando-se desse curto momento de paz, ele estava trancado em seu escritório preenchendo relatórios...
Relatórios...
Oh, Kami! Como sentira falta disso! Poderia até mesmo ouvir os pássaros cantando em alguma árvore próxima e o som de katanas se chocando nos Campos de Treinamento. Kensei mal podia acreditar que isso estava acontecendo.
Finalizando o último relatório, assinou seu nome ao final, feliz porque seu verdadeiro vice-capitão não era tão tolo quanto Mashiro e sabia o que estava fazendo. Estava prestes a sair, quando seu terceiro em Comando adentrou sua sala, trazendo mais alguns papéis da Décima Divisão.
— Entregue esses na Primeira Divisão — disse, levantando-se de sua cadeira. O homem concordou com a cabeça e saiu, deixando-o sozinho novamente.
Kensei observou os recém-chegados relatórios, mas não fez nada, ao se aproximar da janela e olhar para seus companheiros treinando.
A reputação da Nona Divisão estava manchada desde a traição de Tousen e ele estava trabalhando duro para limpá-la e estabelecer seu próprio método de trabalho. Shuuhei estava ajudando no que era possível e até mesmo Mashiro estava fazendo sua parte. Mesmo que em sua própria maneira doida. Aquela tinha sido sua casa, afinal.
Percebendo que ainda tinha muito tempo livre, juntou-se a eles nos Campos de Treinamento. Embora a Soul Society estivesse em paz após a derrota de Aizen, não poderiam descansar. Manter-se em forma era necessário.
Além disso, manter um olho neles era sempre bom também. Mesmo que não fosse um Capitão bondoso como Ukitake, cabeça quente, na verdade, ninguém poderia dizer que não se preocupava com a reputação e bem-estar dos shinigamis sob seu comando.
Aproximou-se de dois deles. Uma garota e um garoto que se curvaram ao vê-lo lhes observar.
— Muguruma Taichou! — exclamaram em uníssono.
Respondeu em forma de um leve menear de cabeça, pronto para se afastar quando a garota perguntou:
— Anooo, Muguruma Taichou! — Seu tom de voz fez com que olhasse para ela por sobre seu ombro. — Kuna-senpai não está com você hoje?
Arqueou uma sobrancelha. E desde quando precisavam estar juntos a todo o momento? A vontade de responder, “Por acaso está vendo ela aqui, comigo?” era grande, mas ele se controlou. Reparando que a garota aguardava sua resposta em silêncio, respondeu de forma curta:
— Fora. — “Graças a Kami”, adicionou em pensamentos, rolando seus olhos ao pensamento de que alguém poderia, possivelmente, sentir falta dela.
Moveu-se ao redor, observando o treinamento que Shuuhei estava coordenando. Deu algumas dicas para alguns deles, corrigindo postura e incentivando estratégias de combate, mas, na maior parte do tempo, permaneceu em silêncio.
Estava prestes a retornar para seus aposentos quando avistou uma mulher com um cabelo verde exuberante e lenço vermelho arrumado num laço frouxo ao redor do pescoço.
Fechando os olhos brevemente, Kensei pensou em correr, mas já era tarde. Ela o tinha visto.
— KEEEEEEEEENSEI!
Merda!
Por que diabos ela já estava de volta? Não iria ficar fora até tarde da noite?
O capitão apenas lhe deu as costas, ignorando-a, antes que esticasse suas mãos fortes e as colocasse ao redor de seu pescoço delicado, enforcando-a.
Mashiro sorria. Estava feliz. E estridente. Não sabia se ela era mais barulhenta quando estava contente ou irritada.
— Ahhhh, Kensei, você vai mesmo me ignorar? — reclamou, fazendo biquinho.
— O que você já está fazendo aqui? — perguntou quando ela o alcançou, caminhando a meio passo atrás dele e sacudindo seus braços freneticamente.
— Hã? — Mashiro abriu sua boca, confusa, mas a fechou logo em seguida. — Nah, Kensei, eu vivo aqui, você ainda não sabe disso? — Sacudiu a cabeça. — Kensei bobo!
Trincou os dentes. O sangue fervia em suas veias. Como ela se atrevia a chamá-lo de bobo?
— Naaaah, Kensei! Eu acabei de voltar depois de passar o dia todinho fora e você nem vai olhar pra mim?
— Cala boca! — retrucou, alvejando-a com seu olhar irritado por sobre o ombro. Ela segurava um pacote de doces em uma mão e sacudia o outro num gesto suplicante.
Nesse momento, notou que todos tinham parado de treinar e estavam olhando para eles. Todos assistindo sua interação em silêncio, até mesmo Shuuhei, com uma expressão curiosa estampada em suas faces. No entanto, ao vê-lo se virar para encará-los movendo o maxilar levemente, de forma conter sua irritação, cutucaram-se e voltaram a treinar. Retornou sua atenção para Mashiro que lhe oferecia o pacote de doces.
— O quê? — perguntou com a sobrancelha arqueada.
— O que o quê? — devolveu com um franzir de sobrancelhas. — Não entendeu? É pra você!
Parou de súbito, virando-se para fitá-la. A shinigami já estava fazendo biquinho e tinha abaixado sua mão, seus olhos marejados de lágrimas falsas. Ele sabia que ela estava prestes a gritar e quando começasse, nada a faria parar, a menos que ele a fizesse desmaiar e, sinceramente, não estava disposto a isso. Assim, antes que o choramingo começasse, perguntou:
— O que é isso, mulher? Você sabe que eu detesto doces.
— Mas, Kensei... — principiou, porém foi cortada quando ele lhe deu as costas e continuou a caminhar em direção à sede da Divisão.
Não iria ouvi-la reclamar. Ela sabia perfeitamente bem que ele não gostava de doces, então por que diabos estava lhe oferecendo um pacote repleto de biscoitos que, muito provavelmente, eram enjoativos? Não fazia diferença. Com certeza estava tentando irritá-lo para depois ter algo para reclamar.
— Jogue isso fora.
— Kensei é tããããão malvado! — choramingou a plenos pulmões.
— Cala a boca, Mashiro!
Sua voz saiu um pouco mais alta do que planejara. Tinha se virado para sua co-tenente abruptamente, o que fez com que ela se chocasse contra seu peito largo. Ela esfregou a testa e deu dois passos para trás, abaixando-se para pegar o pacote de doces que tinha caído no solo.
— Viu o que você fez? Kensei estúpido!
Ela também falara mais alto do que deveria, atraindo diversos olhos para eles. Quando Mashiro começou a espernear e a chorar aos quatro ventos sobre o quão ruim ele era com ela por não aceitar seu presente — dado de coração, por sinal —, todos esses olhos se voltaram para ele, alguns o observando de forma quase acusadora.
Como se ele fosse o vilão da história!
— O que vocês todos estão esperando pra voltar a treinarem? — Ao seu tom de voz bravo, todos desviaram a atenção.
— Kensei é tãããããããão malvado comigo!
Cerrou os punhos, mas os soltou em questão de segundos, já sabendo que ela só queria lhe irritar. Paciência era a palavra-chave para lidar com Mashiro. Ele apenas desejava ser um pouco menos cabeça-quente. E que ela fosse mais quieta.
A essa altura, eles já estavam de volta no prédio, com ele indo em direção aos seus aposentos com ela ao seu encalço, ainda reclamando sobre seu comportamento. As cores roxa e amarela estavam espalhadas no céu, lançando uma sombra sobre eles ao cruzarem os corredores vazios da Divisão. Seu haori sem mangas balançou mais rapidamente na brisa vespertina quando ele aumentou a velocidade de seus passos para alcançar seu quarto.
Uma vez lá, fechou a porta no nariz dela, sem a menor cerimônia, sorrindo ao pensamento de estar finalmente sozinho, sem sua estridente voz a ecoar em sua cabeça. Acendendo as luzes, começou a retirar seu haori quando escutou a maçaneta ser virada.
“Continue assim, idiota. Já tranquei essa droga de porta!”
— Ken-se-i! — Sorriu ao entrar no quarto; uma chave em suas mãos e um sorriso malicioso adornando seus lábios cheios.
Como? Até onde se lembrava, ninguém além dele tinha essa chave.
— Como diabos você pegou essa chave, mulher? — perguntou, mas suspirou logo depois. Perguntar seria inútil. Para irritá-lo, ela era até mesmo capaz de fazer uma cópia de sua chave pessoal. Não duvidava disso nem por um segundo. — Dá o fora, Mashiro!
— Mas, Kensei... Você não vai pegar o seu doce?
Virou-se para encará-la, um brilho assassino em seus olhos. Estava pronto para agarrá-la por suas vestes e gritar em sua orelha que não queria aquela porcaria de doce. Isso com certeza a calaria por algum tempo, mesmo que mínimo, além de mantê-la ocupada tentando dissipar o eco de sua voz profunda em seus ouvidos.
Isso o faria se sentir melhor. E muito.
Queria fazê-la sentir um pouco do que sentia todas as vezes que ela gritava próximo dele, a dor de cabeça que parecia nunca abandoná-lo quando ela estava por perto.
Podia quase provar a felicidade de fazê-la choramingar ou arregalar seus olhos amendoados, surpresa com sua súbita reação, quando batesse a porta em seu nariz novamente e a mandasse para o inferno.
Assistiu-a pressionar as mãos em seus quadris e fazer beicinho.
— Nah, Kensei! Você vai me ignorar de novo?
Odiava a forma como ela pronunciava seu nome naquela entonação. Detestava que ela o ficasse seguindo o dia inteiro. E só queria que ela calasse aquela boquinha linda por apenas cinco minutos. Era pedir demais? Queria o silêncio sepulcral daquela tarde de volta.
E faria qualquer coisa para isso.
Aproximou-se a passos lentos, pronto para gritar em sua orelha esquerda. Abaixou o rosto na altura do dela, sua respiração quente acariciando sua face e fazendo com que Mashiro caminhasse para trás. Olhos arregalados devido à proximidade.
Kensei sorriu, esticando a mão para fechar a porta atrás dela. Suas costas delicadas se chocaram contra a madeira e ela fechou os olhos ao sentir sua boca colada em sua orelha. Já sabia o que estava por vir e que iria doer. Não seria a primeira vez que Kensei gritava com ela e não seria a última.
Prendeu a respiração e se preparou. Seu coração acelerando a cada segundo que passava.
Mas, no último momento, Kensei mudou de ideia.
Uma mão na porta, moveu seu rosto da nuca delicada para a altura de sua face. Ela tinha os olhos fechados e estava mordendo seus lábios carnudos. Um leve franzir adornava suas sobrancelhas.
Parecia que apenas o susto fora o suficiente para calá-la, então ele se afastou vagarosamente. Ela continuava a mordiscar o lábio inferior e por uma razão desconhecida, ele se encontrou os observando mais do que deveria, demorando-se em sua aparente suavidade.
Mandou esses pensamentos para longe e caminhou para trás. Gritar com ela não seria útil. Em menos de um minuto ela estaria irritando-o novamente.
— Ken…s…
Antes mesmo que pudesse terminar de dizer seu nome, ele estava sobre ela. Seus lábios colados levemente.
Foi apenas um ligeiro acariciar, mas que fez um arrepio de prazer percorrer suas espinhas. Os olhos de Mashiro se arregalaram quando ele tocou seus lábios novamente, mas ela logo os fechou, abrindo sua boca para aceitar melhor sua carícia.
Um baixo gemido ficou preso em sua garganta quando seus lábios se tocaram mais avidamente. A língua dele deslizando em sua boca quente e encontrando a sua num movimento lento.
Sua mão se moveu da lateral de seu corpo para sua cintura fina, puxando-a contra si. As dela, enluvadas, pararam em seu peitoral largo em busca de apoio. O plástico do pacote de doce raspou contra o tecido de sua roupa, criando um barulho quase irritante, mas nenhum deles prestou atenção a isso. Não quando ela o tocava levemente, deslizando a ponta de seus dedos cobertos pelas luvas vermelhas, na abertura de seu shihakushou; acariciando-o. E ele a segurava pela nuca, seus dedos longos entrelaçados em seus cabelos esverdeados.
Quando a necessidade por ar se tornou insuportável, eles se afastaram um pouco. Mashiro estava ofegante, seus olhos brilhavam em uma cor incomparável. Kensei não conseguia decifrar o que era aquela expressão em seus orbes amendoados. Seus pequenos seios subiam e desciam ritmicamente, seguindo a cadência de seu coração acelerado. Ele mesmo não poderia dizer que estava normal.
Alguns segundos depois, Mashiro abriu a boca e ele sabia que ela estava prestes a falar seu nome ou gritar. Não fazia diferença. Antes que isso pudesse acontecer, ele esmagou seus lábios contra os dela mais uma vez.
Kensei devorou todo e qualquer som que ameaçou subir por sua garganta, aproveitando-se do fato de que sua boca estava meio aberta para aprofundar o beijo. Dessa vez, Mashiro guinchou, surpresa, quando uma mão a puxou pela cintura e a pressionou contra seu corpo forte. O pacote de doces caiu de suas mãos, atingindo o chão com um baque surdo, mas nenhum deles reparou nisso enquanto lutavam por domínio.
As mãos da shinigami, que antes estavam em seu peito, viajaram para sua nuca ao mesmo tempo em que ficou na ponta dos pés, de forma que ele não precisasse se inclinar tanto sobre ela.
Era como a guerra. Algo que ele havia aprendido desde seus primeiros dias como shinigami. Até antes disso, quando ainda vivia no Rukongai. Para ganhar, às vezes é necessário mudar a estratégia, de forma a surpreender o inimigo e derrotá-lo. Kensei havia feito isso, mas não saberia dizer quem ganhara aquela batalha. Não fazia a menor diferença, porém, e desde que Mashiro não estivesse choramingando em suas orelhas, poderia se considerar vitorioso.
Afastou-se novamente e, dessa vez, ela não era a única cuja respiração estava acelerada. A dele também. Olhos castanhos focados uns nos outros, ambos lutaram para recuperar a habilidade de respirar normalmente. Seus olhos escorregaram por sua face, suas pequenas narinas dilatadas e seus lábios carnudos. Eles estavam inchados devido ao alucinante beijo compartilhado momentos atrás.
Ela voltou a abrir a boca para dizer algo, mas a fechou em questão de segundos e continuou a olhar em seus olhos sem pronunciar uma única palavra.
Um minuto se passou. Nenhum som. Nada. Mashiro estava calada.
Kensei arqueou uma sobrancelha, mas também continuou quieto. Se soubesse que isso seria o suficiente para calá-la, já o teria feito anos atrás.
Olhou para o pacote de doces no chão e se abaixou para pegá-lo. Mashiro continuou grudada contra a porta, seus lábios fechados numa linha reta. Ela esticou a mão para receber o pacote, mas ele apenas sacudiu a cabeça, olhando diretamente em seus olhos. Suas faces a meros milímetros de distância, seu nariz quase tocando o dela. Ele sentiu a respiração dela parar em sua garganta quando falou, sua respiração quente acariciando seus lábios.
— Você disse que era um presente, então eu estou pegando o que é meu.
Os olhos de Mashiro se arregalaram quando ele a moveu para o lado firmemente, ainda que com certa delicadeza, e abriu a porta. Deixou o quarto e abriu o pacote, pegando um biscoito em forma de coração e o colocando em sua boca.
Fechou os olhos quando o biscoito amanteigado com raspas de limão derreteu em sua língua. Era bem melhor do que ele pensara. Não era doce como esperado, mas agridoce e bastante amargo no final. Exatamente como gostava.
Rasgando mais a abertura do pacote, pegou mais dois biscoitos e enfiou em sua boca de uma vez. Como companhia desse momento, apenas o tão esperado silêncio.
Nada parecia capaz de perturbar a tranquilidade que reinava em sua Divisão enquanto caminhava pelos corredores. Quietude preenchendo seu ser, deixando a sensação da mais pura paz em seu peito.
O sol já havia se posto e uma cor azul-escura dominava o céu. Algumas estrelas despontavam, brilhando timidamente no princípio daquela noite sem nuvens.
Tudo parecia simplesmente perfeito naquele ambiente silencioso.
E até mesmo os pássaros voltaram a cantar.
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