Silence
1 Capítulo único: Você.
Notas iniciais
Oh bem, como começarei isso? Deixe-me ver...hmm...Ah sim, eu deveria começar por uma apresentação no entanto...deixarei para você mesmo descobrir quem sou eu. E ah, antes de começar tudo isso acho que deveria lhe perguntar se você está sozinho. Caso sua resposta seja não, é melhor não continuar. As coisas não funcionarão direito se não forem feitas corretamente. Então, que tal conseguir um canto da casa em que você possa ficar só? Pode ser seu quarto, o banheiro, sua cozinha, você que escolhe. Ah, se puder escolha um cômodo da casa que tenha uma porta e a feche. Pode ir lá, eu esperarei bem aqui enquanto você se acomoda. Afinal, não tenho pressa. Apenas peço que faça tudo o que eu pedir.
Pronto?
As coisas ficarão mais interessantes assim. Porém, se você não está seguindo meus conselhos, pare agora mesmo. Isso só dará certo se você se esforçar e me ajudar.
Veja bem, tudo fica mais interessante quando se está sozinho, não acha? Vamos lá, responda-me. Pode dizer em voz alta, sem medo. É só dizer sim ou não para mim.
E então?
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Muito bem! Viu, é fácil.
Agora você está bem aí. E provavelmente extremamente entediado, mas tentarei fazer algo em relação a isso. Por acaso está ansioso? Ah, garanto que eu estou. Sempre fico nesse estado de ansiedade quando estou prestes a conhecer alguém novo. Afinal, isso só acontece raramente. Quase nunca tenho tempo de parar para bater um papo agradável com algum desconhecido. E você, meu caro leitor, é minha mais nova chance de conhecer alguém. Então não estrague isso.
Esse é um momento um tanto quanto mágico. Pense só. Você acha que está sozinho, mas na verdade não está. Por que? Bem você está conversando comigo, não é mesmo? E talvez esteja até mesmo fazendo companhia para alguma outra pessoa que está lendo isso exatamente nesse mesmo instante. Somos todos presenças invisíveis um para o outro. Mas existimos. Pode nos sentir? Se esforce só um pouco e com certeza conseguirá sentir essas linhas invisíveis que conectam todos nós. Interessante, não?
Bom, continuemos. Que tal você se apresentar então? Diga-me, qual o seu nome? Novamente, pode responder-me em voz alta. Desse jeito nossa comunicação fica mais fácil e eu poderei te escutar com clareza. Então me diga, qual o seu nome?
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Oh, belo nome esse que você tem. Embora não seja dos meus favoritos.
Você deve estar achando isso aqui um tanto quanto estranho, não? Com certeza deve estar se achando um tanto quanto idiota. Mas não se preocupe, isso tudo é necessário para nosso diálogo.
Bem, vejamos. Vamos nos conhecer um pouco melhor. O que você fez hoje durante o seu dia? Você provavelmente deve ter arrumado casa ou escrito alguma coisa. Pode também apenas ter dormido, ou até mesmo saído para a rua.
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Hmm. Pelo jeito não aconteceram coisas muito interessantes, hoje, mas talvez possamos mudar isso.
Nossa. Quase me esqueço. Precisamos de silêncio. Você está num lugar em silêncio absoluto? Eu espero que sim. Se não, não poderá me escutar, e isso seria uma lástima.
Sim, foi exatamente isso que você acabou de ler. Se você quiser me escutar procure por silêncio. Se preferir não se arriscar então pare aqui mesmo e vá ler outra coisa.
Então, continuemos. O que lhe trouxe até aqui. A promessa de algo prazeroso de se ler? O desejo de algo para distrair as idéias? Ou o simples acaso? Bem, acho que você poderá se decepcionar. Estou aqui puramente para conversar com você.
Sabe, as vezes me sinto extremamente só. E isso é horrível. Você se sente só? Ah, não minta para mim. Eu sempre sei a verdade.
Convenhamos, você já se sentiu só algumas vezes durante sua vida. Até mesmo, pode estar se sentindo assim nesse exato momento. Bem, então vamos matar essa solidão.
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Você com certeza notou que falta coisas elementares à esse texto. Percebeu a falta de um cenário? Isso é absolutamente anormal. Mas pare para refletir. O cenário é onde você está. Nesse momento você está lendo sua própria cena. Já se imaginou alguma vez sendo personagem de uma história? Ah, claro que sim, estou vendo isso nos seus olhos. Bom, nesse momento você é o personagem principal dessas breves palavras.
Diga-me, como você se sente nesse exato momento? Por acaso sua cabeça está pesando um pouco? E seu corpo? Sente algo diferente? Vamos, responda-me.
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Ah sim, entendo. Que tal irmos adiante?
Agora preste bem atenção ao seu redor. Apure seus ouvidos. Ouça o silêncio que te cerca. Atentamente. Você pode me escutar? Meus passos são silenciosos, mas se prestar atenção pode escutar os pequenos ruídos que traem minha presença. Ouviu? Sou eu me aproximando. Ah sim, lentamente. Cuidadosamente. Não quero assustar você.
Olhe rapidamente para o seu lado. Você pode me ver? Eu estou bem aqui. Observando você atentamente e lendo cada uma de suas reações. Eu posso até mesmo brevemente mexer com o seu cabelo ou tocar seu ombro, apenas para chamar sua atenção para mim. É uma sensação estranha, não? Ah, você não acredita nisso?
Mas eu estou aqui. E você está conversando comigo. Ah, eu lhe agradeço por isso. Há tempos ninguém se dava a esse trabalho.
Bem, como você se sente agora? Sabendo que estou bem ao seu lado, lendo esse texto junto com você? Tem medo? Ou simplesmente não sente nada?
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Gosto quando você me responde em voz alta, sabia? Você tem uma voz encantadora.
Agora eu lhe pergunto, já sabe quem eu sou?
Então diga meu nome em voz alta e responda a questão.
Quem sou eu?
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Prazer em te conhecer.
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