Silena died
1 Capítulo único
Notas iniciais
Ela não conseguia acreditar. Ela não queria acreditar.
Estava escondida na floresta, chorando desesperada, soluçando alto. Sentindo seu coração rasgar e arder.
Silena se fora. E consigo, uma parte do coração de Clarisse.
A parte mais meiga, doce e gentil do coração de Clarisse.
A garota havia se tornado sua amiga aos poucos, quando a filha de Ares mais precisará, com pequenas investidas e sorrisos bonitos.
— Olá Clarisse! Belo dia, não é? — exclamou sorridente e saltitante.
— Hm, acho que sim.
— Ora, Claire! Apolo está generoso hoje, que tal uma caminhada na beira da praia?
— Não me chame de Claire.
Nunca se assustou com seus grunhidos raivosos ou se estressou com suas reclamações exageradas.
— Silena, eu detesto rosa!
— Rosa é uma cor maravilhosa, Claire. Fica bem na sua pele! — comentou mexendo nos cabelos ressecados de Clarisse. — Você precisa de uma hidratação urgente.
— Eu estou bem assim, ok?!
— Se parecer um daqueles bonecos de palha que você destrói todos os dias é parecer bem, você tem razão — cruzou os braços fazendo muxoxo.
A garota bufou, ofendida.
— Faça a droga da hidratação, patricinha.
Foi a única que entendeu sua dor quando Chris estava louco. Foi a única que escutou suas preces murmuradas aos deuses para que salvassem Chris. Foi a única que secou suas lágrimas quando Mary era o único nome que ele lembrava.
— Ele não lembra de mim... — soluçou. — Ele não tem ideia de quem sou...
— Shiiii — abraçou a filha do deus da guerra com carinho.
— Ele só chama pela maldita Mary!
Seus ombros moviam-se com violência por causa dos soluços. Seus olhos estavam vermelhos e inchados. Seu coração estava rachado.
— Ele só não está bem, Claire. Ele vai lembrar de você. Pode ter certeza que vai.
Quando Chris finalmente se recuperou e eles começaram a agir como um casal por aí, Silena foi a única que disse que eles ficavam perfeitos juntos.
— Podemos fazer um encontro duplo! Charlie e eu estávamos pensando em sair para jantar, vai ser bem romântico.
Clarisse só a olhou de canto.
— Por favor, Claire! Nem precisamos sentar na mesma mesa, vamos só sair pra jantar!
A filha de Ares revirou os olhos e bufou — coisa que fazia com muita frequência na presença de Silena.
— Tudo bem, Lena. Falarei com Chris a respeito.
— YEAH! — comemorou dançando.
A guerra parecia cada vez mais eminente, cada próximo dia podendo se tornar o último. Silena nunca se importará. Sua fé no amor era inabalável e essa era sua arma mais poderosa.
— Poderíamos fazer um baile!
— Silena! — seu namorado a repreendeu.
— Que foi?
— Cronos está se regenerando e você quer dar um baile? — Clarisse perguntou.
— Qual é o problema, Claire? Por acaso, Cronos não sabe dançar?
Clarisse e Beckendorf se entreolharam e a deixaram falando sozinha.
— Gente! Foi alguma coisa que eu disse? — Silena saiu correndo atrás deles.
E então... Beckendorf morreu.
— Lena... — Clarisse chamou docemente. — Levante, Lena. Você precisa comer.
— Não — chorou.
Clarisse sentou no beliche de baixo e a filha de Afrodite deitou a cabeça em seu colo.
— Ele morreu... Charlie, oh Charlie, eu te amo tanto. Por que, Charlie? — choramingou, as lágrimas molhando a calça jeans de Clarisse.
Ela acariciou o cabelo macio e sussurrou:
— Shiiiii... Ele está bem agora.
Silena chorou mais e Clarisse se sentiu péssima.
A guerra começara. E a filha o deus da guerra se recusava a participar. Pensava “por que eles tinham que ficar com a estúpida carruagem? Malditos filhos de Apolo!”.
— Clarisse, eles precisam de você e do chalé de Ares!
— Eu não me importo! Eles deveriam ter pensando nisso antes de roubar a carruagem!
— É só uma carruagem idiota, Claire!
— Não é só isso!
— É o que, então?!
A filha de Ares cruzou os braços.
— Já sei. É o maldito do seu orgulho, estou certa?
Clarisse bufou, revirando os olhos, os braços ainda cruzados.
Silena também cruzou os braços e a outra conseguiu ver seus olhos azuis nublarem. Deu-lhe as costas e saiu, deixando Clarisse sozinha no chalé de Ares.
Ela nunca se viu tão perto de dar o braço a torcer.
As lágrimas se tornaram mais grossas e seus soluços mais altos. Aquela era a lembrança que mais lhe afligia e a mutilava por dentro, frequentemente a afligindo em seus piores pesadelos.
— Charlie… — Os olhos de Silena estavam a um milhão de quilômetros dali. — Ver Charlie…
Ela não falou novamente. Era tão estranho o silêncio vindo de Silena.
Clarisse segurou-a e chorou. Chris colocou uma mão em seu ombro, sem saber o que dizer, apenas não queria falar nada para não chorar também.
— Ela foi uma heroína, entenderam? Uma heroína.
E assim seria o modo que Clarisse sempre descreveria Silena. Uma heroína. Porque era isso que ela era.
Ouviu um farfalhar de folhas e gravetos quebrando.
— Claire?
Ela nem se importou em secar as lágrimas, se deixou ser envolvida no abraço quente e acolhedor de Chris sem reclamar.
— Não chore, princesa.
— Não me peça isso, por favor — apertou o cabelo da nuca dele com força, molhando a camiseta laranja dele com suas lágrimas.
— Shiiii... Ela está bem agora. Ela encontrou Beckendorf.
— Será? — secou um canto dos olhos.
— Com certeza. Eles estão juntos agora. Felizes. Para sempre.
Clarisse o olhou fundo nos olhos e encostou seus lábios nos dele.
Chris a abraçou mais forte e acariciou seus cabelos por um longo, longo tempo.
Clarisse nunca entenderia o que fez uma filha de Afrodite tão bela e tão doce como Silena querer se tornar amiga dela, uma filha de Ares bruta e áspera. Mas isso não importava. Clarisse só a queria de volta.
Mesmo com todo o rosa e toda a purpurina.
Ela só queria sua melhor amiga de volta.
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