Eu realmente não havia me dado conta de que aquilo era mais forte do que aparentava. Em um momento, ela era uma estranha no meio do meu consultório. Em outro, ela era uma estranha enroscada nos meus braços. Não sabia sua idade, profissão, personalidade muito menos se era lésbica. Só sabia o suficiente. De que era linda e que me queria. Sei que me queria, sentia isso nos entredentes.

A música parou e os passos pararam. Mas os nossos continuaram acelerados e quando abri meus olhos os minutos que para mim fora segundos havia passado na velocidade da luz. Mas eu não queria que parasse, mas tinha que parar e foi interrompido por uma mulher que acompanhava Cass, Jeena.
— Cass! Cass! — A moça surge gritando das cinzas.
— Sei que é estranho vindo de mim, mas precisamos ir.
— Eu.. eu preciso ir. — responde Cass com os olhos direcionado aos meus.
— Tudo bem — respondo. — Mas não quero perder teu contato.
Entrego um pedaço de papel com meu número de telefone.
— Liga pra mim. Ou me manda uma mensagem.
Ela apalpa o pedaço de papel e o guarda na jaqueta de couro que acompanhara nos braços. Em seguida, sai pela porta do bar e sabe lá quando a verei de novo. Ou se vai me ligar.

Foi a noite mais incrível até agora.

09h55 — Doutora M?
— Sim? — respondo Laura abrindo um sorriso meigo de ponta a ponta.
— Vejo que está bem alegre. Pode ser que não seja da minha conta mas, me preocupo com a senhora e...
— Senhora? Senhora Lauz? Cinco anos trabalhando comigo e ainda me chama assim?
Ela riu.
— Corrigindo, M.
— Melhor.
— Então, posso saber o motivo pelo qual está sorrindo pro vento?
— Sua amiga. Cassie.
— Ahn?
— Ela não te falou? Nos amamos.
— Não...e uau, Cass amando. E você...
No momento desfaleço o lindo sorriso que acompanha minhas covinhas.
— Adoraria ficar falando para você o quanto nos amamos, mas preciso ir, tenho uma reunião importante essa noite. — finalizo me levantando da mesa de vidro, pegando a minha bolsa e deixando para trás Lauz com um enorme ponto de interrogação nos olhos.

No momento em que estou atravessando o trânsito da cidade pequena, minha mente é rapidamente cheia de hipóteses sobre vê-la novamente. Mas não vou deixar uma pessoa me desequilibrar, ela vai ligar. Repito para mim mesma.

11h00 chego na minha cobertura, abro a porta e por um minuto olho para cada canto do apartamento como se fosse a primeira vez, como se não conhecesse aquele lugar. Cantos vazios, lareira apagada e fria...Alguns segundos depois me recomponho.
Joguei a bolsa do sofá e rapidamente comecei a preparar as coisas para essa noite. Era uma festa importante na casa dos Hastings, era noivado de uma das minhas amigas.

Horas depois meu vestido havia sido entregue pelo Fred, meu entregador. Maquiagem pronta. Precisa estar perfeito, Clair Hastings, minha amiga, vai noivar. E eu sou a madrinha.

08h00 — Pode me deixar aqui, obrigada. — Falo para o motorista enquanto ele abre a porta esquerda. Não queria ir dirigindo, hoje é um dia especial.
Logo que chego em frente a mansão dos Hastings já entra no meu campo de visão, centenas de pessoas que nunca tinha visto antes. Com certeza convidados dos pais da Clair. Entro pela porta dos fundos só para checar se está tudo nos conformes. Parece estar tudo pronto.
— ai meus Deus, M! — ouço um grito do outro lado da cozinha. É Anne, Sue, Lina e Katherine.
— Ai meu Deus! Vejo que chegaram antes de mim. — Berro abraçando cada uma delas.
— Qualquer um chega antes que você M, até a noiva. — Katherine responde me dando um beijo na bochecha e logo em seguida pegando um canapé na mesa.
— Você está maravilhosa M! Sempre está. — pronuncia a palavra Anne.
— Vocês também, aliás cadê o Jhon?
— Ele não vem, você sabe, está sempre viajando por conta da marinha.
No momento todas nós olhamos uma a outra. Anne e Jhon são que nem cão e gato, uma hora juntos, outra se engalfinhando. Mas se amam.
— Bom vamos para a sala antes que Katherine coma toda a comida da festa. — falo direcionando-as até a porta.
Todas riram.

Dou uma rápida olhada no meu celular, e nenhuma aparição de mensagem ou ligação.
— Mercúrio! — Grita a senhora Hastings.
— Vejo que já encontrou as meninas.
— Boa noite pai da Clair, boa noite senhora Hastings.
As mesninas riem.
— Esta tudo muito lindo, e com a cara da Clair. Orquídeas morenas, quadros de pinturas famosas...
Imediatamente senhora Hastings franze a testa com ar de preocupação e disfarça.
— Sim, será que eu posso conver...
— M vamos lá em cima ver a Blair, quero ver como esta com o vestido! — sue fala puxando um dos meus braços e cortando toda a tensão entre mim e a senhora Hastings. Enquanto subia as escadas junto com as meninas, senhora Hastings me olhava fixamente subindo os degraus.

Wednesday 14 of October/2012

Verão de 2012

— Oi, a clair esta aí?
— M...ela não está, mas se quiser esperá-la.
— Obrigada, preciso falar com ela.

— Quer um café, chá, suco...
— Café está bom.
— Pedi para a cozinheira trazer.
— ok.
Senhora Hastings se senta do meu lado, poucos centímetros de distância de mim e me encara.
— Admiro a sua coragem M, psicologia não é fácil, e mais importante é que daqui há dois dias não será mais uma estudante, e sim uma psicanalista formada.
— Sim senhora Hastings, gosto muito do meu traba...
— Ellen por favor, nada de senhora.
Soltei uma risada e em seguida o café chega.
— Você é uma jovem muito bonita, me admiro não estar namorando ainda.
Coloco a xícara sobre a mesa e olho para Ellen, em que ponto ela queria chegar? A encaro sem nenhuma resposta, tentando decifrar o rumo dessa conversa. Um lado meu já sabia o que estava acontecendo.
No mesmo instante, Ellen passa uma de suas mãos sobre meus cabelos e com a outra sobre minhas pernas, chegando cada vez mais nas minhas virilhas. Ela direciona a mão que estava sobre minhas madeixas na minha mandíbula, apertando-a fortemente, encostando minha cabeça sobre o sofá. Estou presa por sob seus braços e na minha frente, há milímetros de distância está a sua boca. Nesse dia, senhora Hastings usava um vestido azul, num corte reto e cilíndrico. Seus seios saltavam para fora por conta do decote marcado em V. Usava também uma meia 7/8 preta extra fina e um coque bagunçado. Confesso que a mãe da Clair nunca foi uma mulher de poucos modos e simplicidade. Sua marca era a elegância e cores fortes. Tinha exatamente o corpo de Clair, tudo isso resultado do Pilates aos sábados.

Eu soltei um sorriso que marcava apenas o lado esquerdo da boca e então ataquei seus lábios como se estivesse faminta. Ellen por vez não mediu nenhum esforço para me soltar e recusar o beijo. O beijo era intenso e agressivo. Meus lábios desciam sobre seu pescoço, e deixava marcas dos meus dentes na sua mandíbula. Não pensava em nada quando isso aconteceu, era mais forte do que eu, era instintivo.
Ela subiu em cima das minhas pernas enquanto eu desabotoava seu vestido. Seu coque desarrumado se desmanchava ainda mais com tantos movimentos bruscos, um dos seus saltos já estava a meio metro do sofá e suas unhas enormes e vermelhas arranhava minhas costas por debaixo da blusa de seda. Eu usava uma saia lápis, exatamente igual o modelo de seu vestido e uma blusa de seda.
Eu descia cada vez mais todo o seu corpo, quando ouvi gemidos baixos saindo da sua boca.
— M... continue...
Continuei, era só o que tinha feito. Quando me dei conta estava agaichada no tapete de linho, sua mão esquerda segurava e amarrotava meus cabelos castanhos. Eu só ouvia o meu nome em tons sinuantes da senhora Hastings, a mãe da Clair. Eu estava transando com a mãe da Clair.

Noivado de Clair Hastings

— Meninas! Mercúrio estava com tanta saudade suas... só vive enfurnada naquele hospital.
— Consultório Clair, consultório.
Ela me abraça tão forte que consigo sentir seus ossos atravessando os meus.
— Não importa, está linda, não mais que eu claro.
Todas riem.
— Ninguém se compara a você Clair, está pronta para ser feliz. Suprema.
Clair estava tão feliz que parecia que nada mais no mundo poderia fazê-la mais feliz que Laert, su noivo. Eu estava feliz por ela.
— Sugiro que se apresse, estão todos esperando a noiva. — fala Sue destrancando a porta.

Quando todas nós descemos degrau por degrau atrás de Clair, eu consigo ver a felicidade de um casal hétero no rosto de Laert. Logo atrás dele estão os pais da Clair, e a Ellen focada nos meus olhos.
Todos aplaudiram a entrada triunfal de Clair. Minutos depois todos brindavam, elogiavam e dançavam valsa na sala dos Hastings. Eu apenas sorria, acenava e tomava champagne.

10h00 pm Já estava exausta de fazer caras e bocas, me sentei em uma das mesas e dei uma rápida olhada no celular, havia chegado uma mensagem de um número não registrado. Meu coração acelerou e minha alma saiu e voltou novamente para o corpo.

~boa noite.
Era ela.
~boa noite, quem é?
~Cassie.
É ela, falei olhando para a festa e dando um sorriso.
~achei que não entraria mais em contato.
~bom, estava errada. Tudo bem?
~estou melhor agora, e você?
Minutos depois...
~estou bem. Vamos nos ver?
~Sim, pode ser amanhã?
~A noite, pode ser?
~Na minha casa às nove horas.
~ok.

E depois desse Ok senti que minha noite só estava melhorando.

Notas finais
O que acharam? Confesso que minha mente deu um bloq para fazer esse capítulo.