Silêncio...
8 Capítulo especial: Crazy

Quando soube que Carmela havia morrido,quase dei socos na cara da aquela garota idiota!Ela não sabia lutar,nem se importava tanto em aprender,só pensava em planejar e tentar descobrir qual era o caminho,que tinha um segredo estranho por trás de alguma da aquelas torres,ela podia ser inteligente e deixar tudo isso de lado,não ia conseguir nada além de cavar a própria sepultura.
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Meu passado para alguns é só uma história de um garotinho que viveu sozinho durante quase toda a vida.
Quando consegui fugir do orfanato com nove anos, pude conhecer a cidade pela primeira vez,vivíamos presos esperando novos pais que para muitos nunca iriam chegar.Uma dona de padaria me dava todos os dias pães e um pouco de leite,era pouco,mas conseguia sobreviver,mas dois anos depois a padaria fechou e eu passei fome,foi então que passei a "pegar" o que queria,não tinha dinheiro e ninguém doaria para alguém como eu,um garoto sujo e magro.
Uma tarde acabei sendo pego, corri e consegui me esconder,por algum motivo chamei a atenção de uma garota de cabelo bagunçado e um sorriso lindo.
–Você é rápido -ela falou depois de derrubar o homem.
–Obrigado...Quem é você? -estava com medo dela ser alguem ruim,alguém que poderia me levar de volta para o orfanato.
–Sou,Carmela.Prazer...
–Oi –consegui ver na aquele olhar algo diferente de tudo,ela não ia me machucar isso eu tinha certeza.
–Está com fome,baixinho?
Balancei a cabeça positivamente.
–Então pega –ela abriu uma bolsinha presa na cintura e me deu um pedaço de pão e uma garrafa cheia de suco. –Aproveita.
Comi o pão com uma pressa assustadora,eu estava morrendo de fome.
–Você tem quantos anos?
–Onze –respondi e tomei metade da garrafa de suco em um gole só.
–Então vamos ser como uma família,cada um cuida de cada um,entendeu? –ela sorriu.
–Mas não tenho como te proteger...
–Vai aprender, garoto –ela me ajudou a levantar e andou pela cidade junto comigo. –Você gosta de alguma arma?
–Gosto de todas –respondi andando normalmente.
–Então vamos começar pelo o mais fácil e a arma mais barata –ela entrou em uma loja e eu a acompanhei.
–Quero aquela espada –ela apontou para uma presa na parede.
O atendente sorriu brincalhão e disse:
–É como vai pagar?
Ela jogou um saco cheio de moedas, ela sorriu e respondeu.
–Isso é o bastante?
–Isso é bastante dinheiro, garota.Como conseguiu?
–Que eu saiba você é um vendedor e não meu diário.
Ele pegou o saco de moedas e jogou em um baú.
–Some da aqui,garota.
–Esse dinheiro é meu!
–Era.Agora some da aqui antes que eu chame a polícia,sua ladra.
–Não roubei nada,eu trabalhei!
–De que? De jumento?
–Você já deve ter trabalhado muito nisso!
–Sua... –ele levantou a mão para bater na cara dela,mas eu peguei a primeira coisa que achei na minha frente e joguei na cara dele.
Com o susto o homem caiu, mas na verdade era só um pedaço pequeno de madeira.
Carmela pulou o balcão, pegou o saco de dinheiro e a espada.Saímos correndo,ela ria e eu assustado mal conseguia respirar.
Quando achamos um lugar seguro, paramos e descansamos.
–Isso foi legal –ela falou e sorriu.
–Ele podia ter nos matado!Ele tinha milhões de armas, lá.Jeito de nos matar era o que mais tinha na aquele lugar.
–Calma,garoto.Conseguimos fugir,não é nada demais.
–É melhor irmos logo –quando me virei bati com tudo no peitoral de um homem alto. –O-oi
–Vocês que estavam na loja de armas? –ele olhou para mim e depois para a Carmela.
–Sim –ela respondeu.
–Me acompanhem –ele se virou andando. –Vamos!
Eu preferi o acompanhar,qualquer coisa era só correr e se misturar a multidão.
–Obrigado por me salvar na loja mais cedo.
–Não foi nada de tão extraordinário, só joguei.
Ele entrou por um portão enorme,olhei envolta,tinham torres altas,o jardim era enorme,tinha algumas lanchonetes.
–O que é...aqui? –perguntei.
–Apenas o novo lar de vocês –ele respondeu.
–Eu conheço você –falou Carmela,parando de andar.
–Conhece? –perguntei.
–Você era o dono da loja de doces e depois que ela fechou veio para cá –respondeu Carmela,com um sorriso largo.
–Exatamente. Resolvi ajudar as pessoas, a proteger e dar um lar.Aqui se formarão pessoas que serão do exército que protegerão a cidade inteira.
–Não somos obrigados –respondi.
Quando o homem se virou eu preferia não ter falado nada.
Passaram anos,eu lutando e aprendendo a usar o máximo possível de armas e Carmela usava apenas a sua katana antiga,aos poucos fomos nos distanciando,eu acabei indo para o lado dos lutadores,alguns dos mais fortes estavam no grupo e ela se juntou a algumas pessoas que eu nem conhecia.
Ela perdeu um olho na segunda semana que entrou,Carmela estava lutando contra um garoto e em um movimento rápido já tinha um fina agulha lançada pelo garoto no olho dela,mas para piorar ele jogou mais duas e ela caiu no chão,eu fui tomado pela raiva e fui até o centro da arena,mesmo ele não sendo o meu oponente o dei um soco, a minha conduta foi errada eu já sabia disso,mas para a minha surpresa ninguém me puniu.
Durante aqueles anos estava tudo bem,eu via vários de novatos e veteranos saírem da arena em uma maca,não me importava,eu estava bem e Carmela também,mas tudo mudou quando a Sofie chegou,ela conseguiu fazer a Carmela se afastar mais ainda de mim,e então começaram com essa idéia maluca de quererem descobrir “segredos ocultos”.foi então que pude ver com clareza a minha protetora e a minha protegida ir embora.
Agora me sentia novamente o garotinho perdido,assustado e sozinho.
Eu amava a Carmela...E nunca consegui dizer isso...
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