Notas iniciais
Queridos, desculpe a demora :) Gostaria de dedicar este capítulo ao leitor Sylar pela recomendação e incríveis palavras. De fato, ele já havia recomendado a fic há alguns dias, mas eu queria dedicar a ele um capítulo com emoção e luta, como ele gosta :) Ah, e não deixem de ler as histórias incríveis desse cara, ele é fera! Recomendo muito! Sylar, este é pra você! Obrigada!

Pouco tempo depois que senti Torres e Amara se afastando eu ainda podia sentir o calor que saía de mim. Era raiva, uma raiva que eu não sabia de onde tinha vindo, mas que acabara de se juntar com a força que eu sabia que tinha. Claramente meu corpo já estava se tornando forte outra vez, recuperando-se da cirurgia sofrida há poucos dias, e meu ato tolo e impensado iria fazer com que minha saúde voltasse a ser comprometida. Os soldados estariam aqui a qualquer momento... era sempre assim, quando eu começava a apresentar sinais de que estava me recuperando, eles vinham e me abatiam.

Eu fui um tolo idiota, mas simplesmente não pude evitar. Quando ouvi o baque na porta eu sabia que era Torres pressionando Amara contra ela. Pude ver alguns fios de seu cabelo avermelhado iluminado pela luz do corredor na fresta de vidro e soube que ele a pressionava por informações... informações que ela não tinha. Então apenas senti aquela energia devastadora sair de mim e tudo tremeu. Era como se... se eu pudesse me comunicar com as pedras de mármore das quais eram feitas o palácio. Eu queria que elas tremessem e elas me obedeceram.

Eu era uma aberração... apenas uma porra de aberração maldita. Foi por isso que eles me mantiveram preso, no início, há anos atrás quando Victorius e os soldados dele me encontraram na mata. Ele estava com medo de mim depois do que viu do que eu era capaz. Depois ele acabou encontrando uma serventia maior de minhas habilidades, mas o bastardo me mantinha sempre fraco demais para que eu fosse considerado uma ameaça. Durante todo esse tempo, durante todos esses anos, eu só quis poder não ter essa maldição comigo. Aí eu poderia viver lá fora, como alguém normal, e não aqui dentro como um animal. Mas a vida é uma bosta mesmo, nunca é como a gente planeja.

Não tardou muito e as luzes da cela foram acesas, cegando-me parcialmente pela iluminação repentina. Ouvi então o bip da porta sendo liberada e vi Torres e Quirino entrando no cômodo junto comigo, como eu bem havia previsto. Quirino trazia na mão uma barra negra, que eu sabia que era pesada e feita de metal resistente... já a experimentara algumas vezes. Torres, o puto desgraçado, estava atrás, e seu olhar me dizia claramente que se eu abrisse a boca para contar sobre a visita da intocada, ela não viveria mais uma noite. O porco sabia que ele não podia me ameaçar, então ameaçou a garota.

– Senhores, vieram dormir comigo essa noite? – perguntei, dando um sorriso cínico aos dois.

– Então quer dizer que a aberração está se recuperando... – Quirino disse, caminhando lentamente em minha direção enquanto brincava com a barra de ferro nas mãos.

– Vamos ver se você continua com esse sorriso, menino da cela. – Torres falou enquanto se unia a Quirino e retirava do bolso uma arma de choque.

Bom, pelo menos tinha uma parte boa: eu não era mais o menino da cela. Agora, eu sabia que me chamava Gabriel.

...

Cheguei ao imenso aposento de Victorius, que estava completamente vazio. Ao fundo, uma música instrumental suave com o belo som do piano destacando-se entre os demais. O ambiente estava meio iluminado e, em uma das paredes de vidro dos fundos, caía uma cascata de água que eu não havia reparado na noite anterior. O cheiro também era agradável: um toque amadeirado misturava-se com os aromas deliciosos do belo banquete que estava disposto na mesa principal.

Ouvi quando a gaiola de vidro se fechou atrás de mim e soube que os soldados que haviam me escoltado até ali já tinham partido. Eu estava só.

Mas não estive só por muito tempo. Logo vi a figura máscula e imponente de Victorius surgir do corredor. O cabelo estava molhado, penteado para trás, e o rosto liso não mostrava um sinal da barba que era clara como seus cabelos. Ele estava descalço e vestia um robe vinho de tecido leve. Na mão ele trazia uma taça de cristal que sacudia lentamente para mexer o líquido que era da cor de sua vestimenta.

Ele sorriu amplamente ao me ver e, em minha mente, eu vi minhas mãos arrancando seu sorriso a força.

– Está linda como sempre, doce Amara. – ele falou fitando-me nos olhos – Eu espero ter sua companhia para o jantar.

Não me dei ao trabalho de responder àquela baboseira. Eu jamais sentaria a mesa com aquele cretino e nunca comeria ao seu lado. Permaneci olhando-o firmemente do mesmo lugar em que estava: atrás de uma linda poltrona de couro branco.

– Não vai me fazer esta desfeita depois da noite maravilhosa que tivemos, não é? – o crápula perguntou depositando a taça na mesa e vindo em minha direção.

Eu rodeei a poltrona a fim de manter o espaço e o objeto entre nós. Victorius parou de caminhar.

– Não vou jantar com você. – falei de jeito firme e já calculava os movimentos para pegar a peça que escondi no vestido.

Ele não pareceu se chocar.

– Bom, então ao invés de ser minha companhia você podia ser a minha comida, o que acha? – ele perguntou afiando o olhar em minha direção e eu vi que media o caminho e as rotas até mim.

– Você não vai me ter, Victorius. Nem que eu morra, você não vai ter esse prazer.

Ele saboreou minhas palavras e a cada segundo eu compreendia que aquele homem era um lunático doentio. Ele não me deixaria partir sem que eu o tivesse realizado. Com um movimento rápido, ele foi para o lado esquerdo da poltrona, empurrando o objeto com as mãos para que eu perdesse meu muro de proteção. Mas eu fui mais rápida. Com agilidade saquei minha arma de prata do vestido e apontei para ele, tratando de dar um pulo para manter a poltrona entre nós.

Ele riu e seus olhos brilharam como fogo diante da minha ameaça. Vi ser corpo se excitar e soube que ele vestia apenas o robe de tecido nobre. Senti asco ao ver aquilo.

– Não torne as coisas tão sangrentas minha querida, não quero ter que perder você. – ele disse, dando outro salto para o lado a fim de me emboscar.

– Mas você não me tem! – eu falei pra ele enquanto ia em sua direção com a arma apontada para frente, em um ataque surpresa.

Funcionou parcialmente. Consegui apenas rasgar um pedaço do robe quando tentei, em vão, feri-lo. Victorius era um soldado, um grande, forte e muito bem treinado soldado. Eu apenas tive sorte na noite anterior de surpreendê-lo, por isso consegui me livrar do pior. Mas essa noite, ele estaria mais esperto, ele já sabia o que esperar de mim. E foi por isso que, em pouco tempo, eu vi minha arma de prata voando pela sala e batendo na parede de vidro que dava acesso ao jardim e o corpo enorme do homem me derrubando no chão.

Senti o desespero pela percepção de que eu estava totalmente em desvantagem e, pra piorar as coisas, aquele maldito vestido era colado ao corpo e restringia meus movimentos.

– Amara, você não vai escapar de mim essa noite! – ele dizia entre risos enquanto sentava sobre meu ventre e pressionava o peso do corpo sobre mim. A respiração começou a ficar difícil demais e o medo não estava ajudando.

Com as mãos eu tentava golpeá-lo, mas Victorius também já estava esperando por isso. Facilmente ele imobilizou meus pulsos com suas mãos, apertando-os firmemente.

Ele curvou o corpo sobre o meu e senti sua língua em meu rosto. Ele lambia meus lábios enquanto travava meus dois pulsos em apenas uma das mãos. Eu me debatia como podia, mas parecia que o maldito havia ficado dez vezes mais forte do dia para a noite e nada do que eu fazia surtia efeito nele. Meus golpes e gritos não faziam nada além de aumentar seu aperto sobre mim. Com uma das mãos livres, Victorius pode explorar tudo o que queria.

Ele levantou meu vestido com violência e sua mão enorme apertou minha bunda com firmeza. Ele grunhiu em aprovação e aquilo serviu para me deixar mais aflita. Minha raiva estava perdendo, perdendo para o medo e o desespero. Com o vestido levantado, minhas pernas estavam livres para me debater. Eu tentava virar o corpo para que pudesse tirá-lo de cima de mim, mas não conseguia. Eu já sentia as consequências da falta de ar pelo seu peso em minha barriga e tudo estava indo de mal a pior.

– Sabe, Amara – ele disse enquanto deixava sua maldita mão baixar o vestido tomara que caia e para expor meus seios nus – eu tive uma visita hoje. O rei Cristopher, do Norte, realizou uma conferência virtual para discutir os termos de sua rendição.

O maldito conversava comigo enquanto eu lutava por ar e pela libertação. Ele falava como se estivesse contando seu dia de trabalho normalmente para alguém e nada do que eu fazia parecia afetá-lo. Ele continuou.

– Ele queria propor uma espécie de sociedade, doce Amara, você acredita nisso? Ele daria a mim uma porcentagem das riquezas das suas terras em troca da suspensão do confronto. Ele deve ter falado comigo por uns bons vinte minutos, mas você sabe que tudo o que eu conseguia pensar, enquanto aquele velho porco falava, era em você?

Ele se abaixou rapidamente, colando seu nariz ao meu e fazendo pressão com o corpo de forma que minha respiração quase parou. Estava impossível inspirar com ele assim.

– Eu só conseguia pensar em você e em como seu peito fica perfeito encaixado na minha mão.

Dizendo isso ele levou a mão ao meu seio esquerdo e apertou forte, como na noite anterior. Eu vi estrelas, de tanta dor. Nem consegui gritar porque já não tinha ar em meus pulmões. As lágrimas escorreram fortes dos olhos e tornaram a visão embaçada. Ele passou os dedos em meu rosto, capturando as lágrimas com eles, e as lambeu diante de mim, lambendo os dedos totalmente enquanto olhava em meus olhos.

Foi com esforço que eu tomei um gole de ar e, mesmo que em vão, ainda tentava me debater. Não percebi quando, com um movimento rápido, ele levou a mão livre até minhas partes íntimas, enfiando- se por dentro da lingerie, e meu corpo tremeu quando sentiu seus dedos úmidos pela saliva e o desespero em mim tornou-se líquido. Tão forte e tão grande, que me paralisou momentaneamente. Foi então que ele me invadiu. Sem dó, sem pensar duas vezes. Senti seus dedos deslizarem para dentro do meu corpo num movimento rápido sem misericórdia. Eu gritei.

Senti as lágrimas escorrerem abundantes, quentes, enquanto a dor pela violência sofrida me consumia. Mas nada disso era maior que minha vergonha, minha humilhação.

Victorius levou os dedos à boca e os lambeu lentamente, saboreando meu gosto, enquanto eu ainda estava paralisada pelo medo e pela dor.

– Doce, doce Amara... – ele cantarolou enquanto voltou a baixar o corpo em minha direção – Doce como mel, minha Amara.

Então eu fiz. Num movimento realizado totalmente pela raiva e humilhação, eu mordi com força o ombro de Victorius. A violência da mordida foi tão grande, que senti mais que seu sangue em minha boca. Eu senti meus dentes dilacerarem sua carne, como se entrassem em um bife e rasgasse as fibras musculares. Então tudo foi uma confusão. Instantes após a mordida, senti o corpo de Victorius afrouxar seu aperto sobre o meu, embora tivesse tenso por outros motivou. Ele urrou e eu sabia que estava tendo um forte orgasmo. Ele sabia que tinha que se manter sobre mim, mas seu corpo não resistiu e prendeu-o em poucos segundos de prazer, que me foram preciosos. Girando com força, saí debaixo de seu enorme corpo e engatinhei para a direção da saída de vidro. Eu sabia que estaria fechada, mas ali em algum lugar estava minha arma de prata.

Levantando de forma tosca, tropeçando em meus próprios pés e ainda tentando respirar profundamente, eu consegui alcançar o enfeite de cabelo que jazia brilhante perto da onde eu tinha entrado. Ouvi Victorius recuperando-se atrás de mim e vindo me agarrar. Foi tudo tão rápido! Senti minha mão fechando-se na arma improvisada ao mesmo tempo em que o corpo dele chocou-se com o meu. Ele caiu por cima de mim, prendendo-me no chão de bruços.

Victorius estava alucinado. Eu ainda sentia seu sangue escorrendo em minha boca e sabia que o tinha ferido gravemente.

– Sua puta! – ele urrava sobre mim e sentia suas mãos voltando a levantar meu vestido – Você vai se arrepender, vadia!

Sem pensar eu arremessei o braço que segurava a arma para trás, intencionando atingi-lo. Victorius foi rápido em perceber meu ataque e desviou a trajetória do objeto, mas mesmo assim eu senti quando as duas pequenas pontas cravaram em sua coxa direita. Ele gritou. Eu aproveitei para tentar me livrar novamente, mas o filho da puta agarrou meus cabelos com força e bateu meu rosto no chão. Senti uma ardência forte no nariz que poderia ter quebrado se eu não me virasse no último instante.

Infelizmente, para mim, virei para o lado que ainda estava magoado e inchado da noite anterior e a dor que senti me fez gritar alto.

– É de sangue que você gosta, Amara? – um insano Victorius dizia em meu ouvido enquanto pressionava meu rosto contra o chão e o corpo contra o meu – Então é sangue que você vai ter!

Ele estava com tudo em cima de mim. Eu sabia que ele me invadiria ali, daquele jeito e eu não podia fazer muito mais. Estava exausta e ele com a raiva que lhe dava forças sobre-humanas. No último instante, quando já quase podia sentir o membro duro como rocha em minhas coxas procurando o encaixe certo, eu vi um clarão do lado de fora e um barulho imenso veio logo depois.

O impacto foi tão grandioso que os vidros em volta do lugar trincaram e se estilhaçaram por todo o lugar, num barulho ensurdecedor. Com o corpo sobre o meu, Victorius acabou protegendo-me da chuva de vidros que caiu sobre nós, livrando-me do pior.

O ouvido ainda zunia pelo estrondo, quando um outro clarão, ainda mais perto, foi visto.

Outro estrondo.

Victorius pôs-se de pé num instante e pude ver o quanto seu corpo havia sido afetado pelo vidro e por meus ataques. Até seus pés sangravam, já que estava descalço sobre os estilhaços. Lá fora, uma chuva de tiros, bombas e clarões era vista e ouvida e uma sirene foi disparada indicando um ataque ao palácio. Vi os olhos de raiva do imperador que me encarava furioso e, logo depois, ele correu na direção da varanda.

Pus-me de pé, ainda desnorteada e dolorida. Senti o sangue escorrer pelo meu nariz como um rio. Os tiros e bombas aumentavam de intensidade e eu já podia ouvir as aeronaves sobrevoando o céu do império. Era uma invasão. Naquele momento eu vi minha oportunidade de escapar do palácio, aproveitando-me da confusão do momento. Mas eu não sairia sozinha. Levantando o vestido para cobrir os seios e também a saia longa e apertada que me restringia os movimentos, eu corri em direção as escadas. Eu precisava ir até o prisioneiro, libertá-lo e tirá-lo das mãos de Victorius. Era minha chance de virar esse jogo.

Notas finais
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