Signal Fire
15 Duetos e Sinfonias
Notas iniciais
Espero que esteja tudo correndo bem com todos vocês. Gostaria de agradecer aos comentários e a todos que acompanham, mesmo que silenciosamente, Signal Fire!
Bem, acho que esse capítulo trás um dos momentos mais esperados da fanfic... Espero que gostem do que eu escrevi.
Indico "Ready For Love" do Bad Company para leitura, entenderão lá embaixo...
Boa leitura!
- Eu não vou falar com a Santana, Rachel. – Quinn sentenciou friamente enquanto caminhava pelo corredor apinhado de alunos. Rachel estava ao seu lado, caminhando rapidamente, tentando acompanhar as passadas longas da loira. Rachel franziu a testa, fazia alguns dias que Santana e Quinn não se falavam. – Ela é grandinha e sabe muito bem onde está se metendo.
— Você é amiga dela, Quinn. – Rachel tentou a mesma justificativa pela terceira ou quarta vez só naquela manhã, o que fez Quinn revirar os olhos e parar bruscamente no meio do corredor. Rachel quase trombou nela, conseguiu parar muito próxima, sendo observada por olhos esverdeados furiosos e recepcionada com a voz autoritária de Quinn:
— Eu sou amiga dela, é por isso mesmo que eu não apóio essa loucura na qual ela está se metendo.
— Talvez ela precise de você parar tirá-la dessa loucura... – Rachel sugeriu um pouco receosa, não só pelo assunto da conversa, mas pela proximidade de Quinn. A loira arqueou a sobrancelha, Rachel mordeu o lábio e suspirou pesado. Estava complicado viver com Quinn na mesma casa, ainda mais quando a loira decidia seduzir por aí usando apenas calcinha e camiseta. – Da mesma forma que você me tirou daquela depressão e daquele desânimo.
— Acontece que eu amo você, Berry. – Quinn respondeu direta, com um sorriso de lado que provocou arrepios nos pelos do braço de Rachel. As duas observaram o corredor esvaziar-se assim que a sineta do próximo tempo tocara. Rachel permitiu-se fechar os olhos e, respirando profundamente, disse:
— Você também ama Santana, eu sei disso.
— Tem certeza que quer se preocupar com Lopez essa hora? Eu acabei de dizer que te amo... – Quinn murmurou manhosa, deslizando o indicador lentamente pela pele exposta do braço de Rachel. A morena abriu os olhos rapidamente e eles estavam escuros, Quinn sorriu vitoriosa e Rachel segurou os dedos dela próximos à pele, murmurando severa:
— Você não vai me seduzir e me fazer esquecer o que eu vim fazer aqui.
— Ah então estou seduzindo? Bom saber, Berry. – Quinn deu um sorriso safado antes de se virar e caminhar alguns metros antes de entrar em sua sala de aula. Rachel soltou a respiração que nem sequer percebera que segurara e olhou para os céus.
Complicado fazer o bem quando se tinha uma deusa com comportamento sedutor ao seu lado.
Quinn chegou a sua sala com um sorriso nos lábios e os livros abraçados junto ao corpo. Assim que ela abriu a porta da sala, alguns alunos fixaram os olhos nela e cutucaram os outros para irem sentar em seus respectivos lugares. A professora esperou cerca de 1 minuto até todos os seus alunos se sentarem e as atenções estarem nela. Depois, respirou e cumprimentou:
— Bom dia, pessoal. Espero que estejam preparados para receber seus ensaios sobre “O Morro dos Ventos Uivantes”.
— Droga, eu achei que poderia continuar a fugir disso. – Arthur, um dos jogadores de futebol que estavam no Glee, murmurou um pouco frustrado antes de jogar os braços sobre a carteira e esconder o rosto. Quinn deu um pequeno sorriso com a atitude do jogador e afagou-lhe o braço, entregando o trabalho e dizendo:
— Devia estar animado, Arthur. Parabéns pelo seu “B-“.
— “B-“? Como...? – Arthur começou a questionar confuso, mas apanhou o maço de folhas a sua frente com rapidez, os olhos se arregalando quando visualizou sua nota. Ele sorriu realizado para a professora e Quinn piscou para ele, entregando o trabalho para a menina sentada atrás. Quinn sempre tivera uma ligação especial com o Glee Club, ainda mais agora com Rachel tomando às direções do grupo.
— A alma do Davies deve estar mais sensível, se é que me entendem...
O tom de voz irônico usado por Brad, capitão do time de hockey do McKinley High, chegou aos ouvidos de Quinn antes das risadas do resto da turma. Quinn crispou os lábios e observou a reação das outras duas alunas que faziam parte do Glee e tinham aula com Arthur: Claire, o “projeto” de Rachel Berry, manteve a postura firme e encarando todos os demais, mas Christine, que Quinn via a si mesma no passado, abaixou a cabeça e brincou com os dedos.
Quinn suspirou vendo os três garotos, com um filme do próprio bullying que sofrera passando em seus olhos. Chegou a Brad com um ar imponente e bateu o chumaço de papéis na mesa do rapaz, ele pulou de susto e agarrou-se às bordas da cadeira. Quinn cruzou os braços sobre o peito e vociferou fria:
— Arthur realmente melhorou muito desde que entrou no Glee Club, mas não foi pela alma sensível e sim pela ajuda dos demais membros. Você sabia que ele vem tomando monitoria com a Claire após os treinos enquanto você e seus valentões do hockey saem por aí insistindo em jogar pessoas nas lixeiras?
Brad engoliu em seco enquanto observava a professora revirar os olhos para sua atitude. Quinn apanhou o chumaço de folhas que largara na mesa do garoto e entregou o miserável ensaio dele, digno de um “E”. Brad crispou as sobrancelhas e olhando furioso para as costas da professora, disparou irritado:
— Por que você defende tanto o Glee Club? Coach Sylvester nos disse que você era a head cheerio dela!
— Isso foi até o segundo ano, Miss Fabray entrou no Glee Club quando estava no primeiro ano e quando teve que escolher entre os losers e as cheerios, ficou com os losers. – Claire manifestou-se pela primeira vez, com a voz tão orgulhosa e tão enérgica quanto Rachel. Quinn deu um pequeno sorriso a ela enquanto absorvia a atmosfera da sala. Nunca ninguém defendera o Glee daquela forma, talvez Rachel estivesse começando a progredir com os meninos.
Brad encostou-se na cadeira, em uma postura relaxada e desafiadora. Ele cruzou os braços sobre o peito e arqueou a sobrancelha para Quinn. A professora entendeu na hora que ele ia desafiá-la, mas permaneceu calada e esperou. Seu corpo tencionou-se em reflexo a ameaça e ela crispou os lábios, Brad virou-se para Christine e perguntou:
— Você não tem vergonha de tê-la como exemplo, Chris?
Christine não respondeu, Quinn não se surpreendeu, a surpresa seria se aquela garota insegura e covarde resolvesse levantar a voz contra a cadeia alimentar do McKinley High. Quinn revirou os olhos, entregou os trabalhos por mais uma fileira, parabenizando Claire pelo seu “A-“ e piscando para Arthur que esboçou um sorriso inseguro. Depois chegou a sua mesa e escorou-se nela, a sala tinha total atenção.
Quinn pigarreou para limpar a garganta e virando-se para Brad, disparou sarcástica:
— Brad, eu acho que você quer se manifestar sobre as personagens masculinas da obra de Jane Austen. O que acha de começarmos por Mr. Darcy de “Orgulho e Preconceito”?
Brad olhou para Quinn extremamente confuso e com uma cara patética que lembrava Finn Hudson. O nojo que Quinn sentia por aquele aluno só aumentou ao lembrar-se do antigo namorado e ex de Rachel, talvez fossem ciúmes afinal. O jogador de hockey pigarreou e remexeu-se na cadeira incomodado, sem saber o que dizer. Quinn deu um sorriso vitorioso e virou-se para Christine. A garota olhou surpresa para ela e Quinn acenou para que ela falasse, Christine engoliu em seco e disse insegura:
— Eu... Eu não gosto dos homens de Jane Austen, Miss Fabray. Acho que eles são tolos e fracos, sendo encobertos facilmente pelas figuras femininas de seus livros. Elizabeth Bennet, por exemplo, é extremamente arrogante e autoritária e ele, que tecnicamente seria o herói da obra, confunde provas de amor com humilhação de sua figura por uma mulher que não vale à pena.
Quinn conteve a risada diante da quantidade de olhares surpresos que foram disparados em direção a atual head cheerio do McKinley. Christine baixou os olhos, envergonhada e Claire sorriu como se tivesse sido ela mesma a responder. Brad suspirou exageradamente, fazendo o olhar da professora disparar em sua direção. Quinn aproximou-se mais uma vez do rapaz e murmurou:
— Mais um suspiro e mais uma gracinha, eu te expulso da minha sala, Brad. Eu acho um verdadeiro desperdício do seu tempo assistir a minha aula, afinal, você usa seu cérebro apenas para orientar os músculos que tem que usar naquele esporte ridículo ou para jogar alguém na lixeira.
Brad recolheu-se a sua insignificância enquanto a sala de aula era preenchida por um burburinho que era, em muito, devido a risadinhas sufocadas. Quinn pegou o sorriso de Claire, o olhar agradecido de Christine e o aceno de Arthur. A professora apenas acenou com a cabeça, sabia muito bem que as conseqüências viriam depois, mas ela tinha que defender o Glee Club. Tudo que amara viera dali.
— Pois bem, já que Brad não pode contribuir com nosso debate sobre os homens de Jane Austen, vamos continuar com a opinião de Christine. – Quinn anunciou em bom som e todos os alunos se calaram, olhando-se vidrados em sua direção. A loira gostava daquela posição de poder e, principalmente, gostava de ser capaz de inspirar aqueles jovens. – Vamos vir, um pouco, para literatura contemporânea. “Crepúsculo” foi uma saga bem famosa na minha época e se vocês se lembram, o primeiro livro foi dedicado para obra-prima de Austen pela autora. Mas o que vocês vêem de diferente entre Edward Cullen e Fitzwilliam Darcy?
— Bem, tecnicamente... Edward não tinha uma mulher como Elizabeth ao lado dele. – Claire começou o monólogo e Quinn prestou atenção com cuidado. Claire tinha uma interpretação fascinante das coisas, era bom escutá-la, se surpreendeu quando viu até mesmo os entediados prestarem atenção na capitã do Glee. – Isabella Swan é uma personagem fraca, sem muitos atributos.
Quinn acenou afirmativamente com a cabeça, feliz com o ponto em que chegara. Olhou a sala e Christine estava com a mão erguida, insegura e trêmula. Quinn fez sinal para que ela falasse e a cheerio continuou o raciocínio da colega de sala:
— Eu, particularmente, acho que isso diferencia uma obra da outra. “Crepúsculo” trata mais de um relacionamento infantil e dependente enquanto “Orgulho e Preconceito” narra um período histórico e, mesmo que de forma fraca e entediante, a sociedade da época onde a mulher era subordinada a tradições. Bella nunca foi subordinada a nada a não ser ao que sentia por Edward e a natureza vampírica distorcida do mesmo. E Edward é comparado a Darcy apenas pela sua relutância em aceitar que ama Bella, mas se Bella não é, nem de longe, Elizabeth Bennet... Então, Edward não é Darcy.
— Então o que Edward Cullen é? – Quinn perguntou curiosa, os alunos tinham tomado a discussão e estavam absortos nela. Viu os alunos olhando de uns para os outros com expressões pensativas e absortas na pergunta. Arthur levantou a mão, receoso, mas Quinn sorriu encorajadora e ele respondeu:
— Cullen seria uma caricatura de um personagem clássico. Mas sem o que o caracterizava: a figura feminina ligeiramente opressora de Elizabeth Bennet.
— Muito bem, Arthur. – Quinn parabenizou seu aluno honestamente e o rapaz quase se derreteu, corando um pouco as maçãs do rosto. Quinn virou-se para a sala e todos pareciam começar a entender onde ela queria chegar. – Isso é a diferença entre um clássico e um fenômeno literário. Austen criou uma personagem que rompe com períodos e tradições enquanto Bella é apenas uma garota americana apaixonada pela morte, aparentemente.
A sala riu e Quinn viu algumas caretas emburradas. Sentou em cima da mesa e cruzou as pernas, não pode deixar de notar alguns olhares masculinos interessados em suas pernas, mas ignorou-os e concentrou-se em sua explicação:
— Não estou desmerecendo a obra de Meyer, ela foi uma das primeiras que me iniciou na literatura. Mas quero dizer que um clássico é aquilo que, mesmo atravessando gerações, ele se mantém forte e atual. Vocês me dizem que odeiam “Orgulho e Preconceito” e “O Morro dos Ventos Uivantes”, mas essas obras estão no dia-a-dia de vocês. Afinal, quer história mais parafraseada que “Romeu e Julieta”? Que, de certa forma, também está em “Crepúsculo”? Os clássicos estão na vida de vocês, em cada fenômeno literário que vocês lêem quando vira moda. Por isso é necessário conhecê-los.
A sala se calou quando Quinn virou-se para o quadro e escreveu algumas palavras. Os olhos se viraram rápidos para ela e ela sorriu.
CLÁSSICOS
Claire estava pulando de alegria na carteira e Christine sorria de lado, Arthur parecia pensar no que teria que fazer. Quinn bateu palmas e sorriu amigável para a turma, os alunos pegaram seus cadernos e anotarem enquanto ela explicava:
— Quero, para semana que vem, uma dissertação sobre alguma coisa que gostem e que possua algum autor ou obra clássica como inspiração. Não desanimem, vocês irão perceber que é mais fácil do que parece.
Os alunos murmuram um pouco rabugentos, mas logo acataram a ideia e o sino tocou. Eles foram se levantando e despedindo-se de Quinn, a professora observou cada um sair da sala. Mas Christine permaneceu sentada, calada no seu lugar. Quinn foi até ela e perguntou preocupada:
— Tudo bem, Christine?
— O que você disse foi inspirador. – Christine murmurou um pouco desconcertada, Quinn sentou na cadeira ao lado dela e observou sua aluna guardar os cadernos na mochila das Cheerios. – Quer dizer, é bom ver que existe uma vida depois do high school.
— Eu sei que você acha que não é nada sem popularidade, mas a vida é melhor sem ela. Não quero que saia das Cheerios, mas olhe onde estão seus verdadeiros amigos. – Quinn disse sincera, sentindo-se um pouco velha por já estar dando aquele tipo de conselho. Christine ergueu os olhos para ela, cansada. – Fazer parte do Glee é fazer parte de algo especial, é sentir-se especial sem popularidade e status.
— Você falou como Miss Berry agora. – Christine comentou com um sorriso e Quinn corou, estava parecendo-se demais com sua namorada. A cheerio levantou-se e acenou, dirigindo-se até a porta. Mas antes de sair, virou-se rapidamente. – Seria legal se você fosse a nossa reunião hoje, Miss Berry está querendo escolher nosso repertório agora que conseguimos participar das Regionais, mesmo eliminados nas Seletivas.
— Ela deve ter ameaçado o comitê organizador. Ela era bem assustadora quando cometiam injustiças com o New Directions. – Quinn comentou brincalhona e Christine sorriu, ela sabia que Rachel conseguira colocar o Glee do McKinley novamente no jogo depois de requisitar um favor a um dos organizadores. A cheerio abriu a porta e Quinn escutou os barulhos adolescentes do lado de fora, Christine tornou a se virar e saiu da sala.
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Santana tinha uma pequena sutura na porção superior de sua sobrancelha. Um leve hematoma de coloração esverdeada estava na região lateral de sua cabeça, próxima ao olho. Mesmo assim, a latina tinha uma postura austera e intimidadora enquanto observava Noah Puckerman com a sobrancelha arqueada e a expressão fechada. Puck estava em pé, no meio da sala da amiga com uma expressão confusa enquanto era observado por uma Julianne amedrontada.
— O que diabos a sua cliente faz na sua casa? – Puck estava mal-humorado. Aparentemente, Santana ignorara seu aviso e agora, com certeza o chamara ali para resolver algum problema no qual se metera. Eles cresceram, mas, aparentemente, ele continuava tendo que limpar a sujeira da amiga. Santana revirou os olhos e apontou para o esqueleto de madeira do que já fora uma mesinha de vidro e respondeu irritada:
— Notou que a minha mesinha de centro está destruída? Michael Urie veio aqui no final de semana e resolveu acertar uma porta na minha cara e me ameaçar, antes de quebrá-la.
— E por que você não me avisou antes? Estamos na quarta-feira, Lopez! – Puck tentou bronquear, mas soube que não tinha muita moral para fazer aquela pose toda frente a alguém que conhecia seu passado. O sorriso de escárnio de Santana quase o fez perder a cabeça, a latina suspirou e respondeu séria:
— Eu não ia deixá-lo pensar que cedi na primeira ameaça. Além do mais, você não está aqui por minha causa.
— Não? – Puck questionou confuso, Santana passou por ele bufando impaciente, a latina fez sinal para que ele se sentasse. Depois, trouxe Julianne pela mão e alguma coisa no toque entre as duas fez Puck engolir em seco, no instante em que um vazio estranho e preocupante instalava-se em seu peito. Santana colocou Julianne sentada ao seu lado e a ruiva permaneceu de cabeça baixa ao escutar Santana orientar severa:
— Eu quero uma ordem de restrição. Michael deve ficar longe de Julianne até o julgamento.
— Isso não vai adiantar. – Puck anunciou realista e cansado. Esfregou a testa com a palma da mão e olhou preocupado para Santana. Os olhos escuros da amiga tinham aquela expressão de violenta intimidação, a mesma que ela usava para caminhar nos corredores do McKinley flanqueando Quinn. Parecia determinada a tirar Julianne do marido, mas alguém tinha que colocá-la de volta à realidade. – Michael não vai desistir só porque você colocou um papel entre ele e a mulher.
— Eu não te chamei aqui para falar de uma ordem de restrição ou de uma denúncia. – Santana cortou Puck bruscamente, o tom de voz frio e impaciente. O sargento ergueu a cabeça um pouco ofendido, depois, observou Julianne apertar a mão direita de Santana em um gesto que o homem já vira Brittany fazer. A ruiva estava tentando acalmar Santana e conseguira, porque os olhos escuros estavam mais tranqüilos e a respiração mais calma. – Julianne vai sair da minha casa, isso é contra a ética profissional. Eu vou instalá-la em algum lugar e vou lidar com a proteção dela, mas quero que você a assegure.
— Eu não vou largar meu emprego para consertar a sua sujeira, Lopez. – Puck exclamou indignado e incrédulo com o que Santana lhe propusera. A latina fez menção de levantar, mas Julianne intercedeu, puxando-a para sentar-se. A ruiva olhou do policial irritado para Santana que bufava e defendeu:
— Sr. Puckerman, eu não sou a favor dessa ideia também. Acho que uma ordem de restrição não vai ser capaz de parar Michael, mas pode assegurar minha segurança se soubermos como agir. Eu vou sair da casa de Santana, mas preciso de um local para ficar.
— Ora, ela já te chama de “Santana”? – Puck foi um pouco irônico em suas palavras, o que fez os olhos de Santana semicerrarem-se e a boca crispar-se. Julianne se encolheu diante do tom usado por Puck, ela respirou fundo e encostou-se no sofá. Santana pigarreou e levantou-se bruscamente, antes de falar:
— Bem, Puckerman... Se você veio aqui para ficar de piadinhas, eu mesma vou à delegacia e dou um jeito na papelada. Acho que você não tem mais o que fazer aqui.
Noah Puckerman ergueu os olhos para Santana, completamente impressionado. Ele observou quando Santana caminhou rapidamente até a porta e a abriu, apontando para a saída em um gesto claro de que o estava expulsando dali. Puck suspirou e levantou-se do sofá, batendo os punhos no joelho e caminhando pesado até a saída. O rapaz não trocou um olhar com Santana enquanto saía.
Santana fechou a porta com uma batida rústica e sem qualquer educação. Julianne levantou tímida e caminhou até a latina, Santana a puxou para perto, abraçando-a e sussurrando em seu ouvido:
— Nós não precisamos dele, vou dar um jeito nisso.
Julianne assentiu amedrontada, não só por si, mas também por Santana. A latina já perdera Quinn e agora, Puck... Julianne estava, como sempre, acabando com a vida daqueles que tentavam defendê-la de Michael.
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— Bem, como já sabem... Temos Regionais daqui uma semana e sequer temos um repertório. – Rachel anunciou um pouco preocupada, mas ao olhar para seus alunos, extremamente sorridentes e animados com o retorno do New Directions para as competições, ela sabia que iam dar um jeito naquilo. – Eu pensei em sugerir alguma coisa, mas vocês implicam com meus musicais e com Barbra Streisand.
As risadas foram escutadas e Rachel sorriu para os próprios pés, antes de erguer os olhos para seus alunos. Claire tinha a mão erguida e Rachel revirou os olhos disfarçadamente, ela sabia bem o que Mr. Schue sentia quando ela agia daquela forma, a menina era praticamente sua cópia. Rachel apontou para Claire e ela se ajeitou pomposamente na cadeira antes de dizer:
— Sugiro que façamos um dueto.
— E, se bem eu fui ensinada, um dueto exige um bom encaixe de vozes. – A voz que respondeu não foi de Rachel e muito menos veio do centro da sala. Quinn abrira a porta disfarçadamente e agora observava as expressões mudarem enquanto ela caminhava até Rachel.
A morena deixou a boca abrir e, com certeza, o olhar admirado e apaixonado estava entregando-a. Quinn piscou para ela e Rachel pareceu sair de seu devaneio, mesmo sentindo seu coração quase explodir em seu peito, estava parecendo uma adolescente apaixonada. Quinn sufocou uma risada elegantemente e cutucou-a no pulso para continuar, Rachel não conseguiu evitar a corrente elétrica passando em seu peito. Mantendo o profissionalismo, voltou-se para a sala e explicou desconcertada:
— Como Miss Fabray sugeriu rudemente antes de interromper nossa aula, um dueto exige mais do que uma boa combinação de vozes. Exige que essas mesmas vozes se encaixem, em perfeita harmonia, de forma que soem como uma sinfonia bem ensaiada.
— Droga, isso é tão brega. – Ryan, um dos amigos de Arthur, murmurou enojado. Os meninos concordaram com ele, mas as meninas não. Christine sorriu ao ver as duas professoras lado a lado e Richard, o gay da vez, parecia observá-las com extrema atenção. Quinn deu um sorriso a todos e resolveu responder:
— Bem, eu também acho brega. Mas um dueto não se trata apenas de um homem e uma mulher. Eu e Miss Berry fizemos um dueto em nossa época de Glee para lidarmos com algumas questões do passado... E foi perfeitamente aceitável.
Rachel sorriu diante da menção de Quinn a “I Feel Pretty / Unpretty”, a morena acenou em concordância e os olhares foram ainda mais intensos em direção a elas. Rachel sorriu e pigarreou, pronta a falar, até que Christine levantou a mão. A morena sorriu para a cheerio, observando as demais líderes de torcida revirarem os olhos e fingirem vomitar. A garota sorriu e disse entusiasmada:
— O que estão esperando para nos mostrar?
— Christine, eu não sou mais tão boa quanto antes. – Quinn respondeu envergonhada, sentindo as bochechas corarem. Rachel olhou de esguelha para a loira, desafiadora. Quinn arqueou a sobrancelha e assumiu uma expressão séria. Arthur suspirou e encorajou:
— Qual é, Miss Fabray? Você me fez escrever sobre “O Morro dos Ventos Uivantes”, com certeza consegue recuperar a sua voz agora.
Quinn viu o desafio no olhar de todos do Glee, inclusive de Rachel. A loira sorriu cruel para a sua namorada e Rachel fez uma expressão dramática de surpresa, arrancando risos dos alunos. Quinn caminhou até a banda e apanhou o violão, todos olharam surpresos para ela, a loira virou-se para Rachel e sugeriu:
— John Mayer, o que acha?
— Bem a sua cara e fácil demais para mim, Fabray. – Rachel sibilou irônica, fazendo Quinn revirar os olhos. As duas se sentaram em banquinhos no centro da sala e Rachel olhou questionadora para o violão nas mãos de Quinn, a loira deu de ombros e tocou as primeiras notas seguidas da voz doce que Rachel jamais se esquecera:
I was born in the arms of imaginary friends
Free to roam, made a home out of everywhere I've been
Then you come crashing in
Like the realest thing
Trying my best to understand all that your love can bring
Rachel franziu a testa diante da escolha da música, mas soltou uma pequena gargalhada. Quinn piscou novamente para ela e se virou para a sala, tocando tranquilamente e rindo internamente pelas expressões surpresas de seus alunos. Ela abriu a boca para cantar, mas Rachel foi mais rápida e assumiu as notas:
Oh, half of my heart's got a grip on the situation
Half of my heart takes time
Half of my heart's got the right mind to tell you that I can’t keep loving you
Oh, half of my heart
Quinn corou, porque sentiu os olhos de Rachel arderem em sua pele. A loira olhou de esguelha para a bela morena ao seu lado que agora sorria e fazia sinal para que ela prestasse atenção na música. Quinn sorriu diante das risadas dos seus alunos e cantou:
I was made to believe I'd never love somebody else
I made a plan, stayed the woman who can only love himself
Lonely was the song I sang
'Til the day you came
Showing me a another way and all that my love can bring
As duas se entreolharam quando o som de aplausos veio dos seus alunos. Mas Rachel estava tão imersa nos olhos de Quinn que a observavam apaixonados que mal percebera que tinha se inclinado na direção da loira. Quinn suspirou pesadamente e se virou no banco, as vozes de ambas se uniram no refrão em perfeita harmonia e perfeição:
Oh, half of my heart's got a grip on the situation
Half of my heart takes time
Half of my heart's got the right mind to tell you that I can't keep loving you
Oh, half of my heart
with half of my heart
Rachel segurou o braço de Quinn delicadamente, indicando que a próxima deixa era dela. Quinn agitou a cabeça no ritmo das notas da música, mas assim que ouviu a respiração de Rachel antes da próxima estrofe, fez questão de levantar a cabeça e observar Rachel na figura que ela achava mais bonita: cantando.
Your faith is strong
But I can only fall so far so long
Rachel, assim que abriu os olhos, pegou-se sendo observada por uma Quinn Fabray hipnotizada. Em algum momento nesse intervalo de tempo, as duas perderam-se em seu próprio universo. Quinn dedilhou as notas com delicadeza e lambeu os lábios antes de, olhar nos olhos da morena e cantar verdadeiramente:
Time to hold, later on
You will hate that I never gave more to you
than half of my heart
But I can't stop loving you
But I can't stop loving you
But I can't stop loving you
Não demorou e os olhos castanhos ficaram marejados. Rachel respirou fundo em meio à melodia da música e Quinn sorriu para os próprios pés. Escolhera aquela música de propósito porque ela representava, de certa forma, tudo que sentia por Rachel e o que ela fizera consigo desde que retornara a Lima. A morena olhou de esguelha para Quinn, mas tinha um sorriso contido e emocionado ao cantar junto com ela:
With half of my, half of my heart
Oh, half of my heart
Half of my heart's got a real good imagination
Half of my heart's got you
Half of my heart's got a right mind to tell you
That half of my heart won't do
Rachel sentia seu coração acelerado rebater contra sua caixa torácica. Uma felicidade sem tamanho estava quase explodindo em seu peito enquanto ela debatia-se para encontrar as letras da música. Quinn continuava a tocar aos risos, observando seus alunos baterem palmas no ritmo da música. Rachel colocou-se em pé e percorreu o centro da sala, antes de tocar disfarçadamente na cintura de Quinn e entoar:
Half of my heart is a shotgun wedding to a bride with a paper ring
Half of my heart is the part of a woman who's never truly loved anything
Quinn quase errou as notas quando Rachel passou em frente a ela, colocando-se dramaticamente longe da sua dupla. As duas se entreolharam cúmplices, Quinn continuou a tocar até que ambas cantaram as últimas palavras juntas:
Oh, half of my heart...
Os aplausos foram indispensáveis, gritos também foram escutados, assim como assovios. Quinn agradeceu com a cabeça e Rachel fez uma mesura. Depois, a morena bateu palmas e com um sorriso no rosto, disse:
— Isso é um dueto: uma união perfeita de duas vozes completamente diferentes que se tornam uma só. Agora, Claire, acha que conseguimos fazer isso?
A capitã do Glee Club acenou afirmativamente com a cabeça antes de puxar todo o grupo para ela, disposta a formar duplas para achar o melhor dueto. Quinn aproveitou a distração dos alunos para deixar o violão de lado e aproximar-se das costas de Rachel, tocou os ombros da treinadora do Glee com delicadeza antes de sibilar rouca ao pé do ouvido:
— Cada palavra é verdade, exceto que você já tem todo o meu coração contigo.
Rachel sentiu as bochechas corarem e um aperto íntimo em sua mão, depois, virou-se para observar uma Quinn sedutora sair da sua sala do Glee sem antes lhe dar uma piscadela. Rachel colocou a mão direita sobre o peito e suspirou apaixonada, controlando-se para não sair entoando qualquer canção da Céline Dion que demonstrasse todo aquele amor que explodia em seu peito.
Porque estava sendo difícil controlá-lo.
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Rachel estava eufórica quando saiu do McKinley High naquele dia, alguma coisa dentro de si dissera que o dueto com Quinn no Glee só era o primeiro passo de algo ainda mais especial para elas. A morena atravessou o estacionamento do colégio, carregando alguns papéis no braço. Sorriu para o pôr-do-sol antes de checar o celular e se deparar com sete mensagens de Quinn, todas perguntando onde ela estava e quando chegava em casa.
Rachel ignorou-as, não por maldade e sim, porque uma coisa ainda a incomodava naquela explosão toda de felicidade que se instalara em sua vida: Quinn continuava sem falar com Santana. A morena achava injusto, afinal, as duas eram melhores amigas. E se Rachel e Quinn conseguiram se resolver, Santana e a loira também podiam.
Lembrando e muito a Rachel Berry obstinada de anos atrás, Rachel desviou-se do seu caminho tradicional para a casa de Quinn e rumou na direção contrária, em direção ao rico bairro residencial onde Santana morava. Sabia que podia não ser bem recebida por Santana, mas não custava nada tentar. Na mesma situação, Quinn também faria de tudo por ela.
Atravessou a rua e virou a última esquina antes de se deparar com o imenso edifício residencial. Rachel sorriu para o porteiro e entrou pelas portas automáticas, rumando para os elevadores. Apertou o último andar e sentiu quando o mesmo se movimentou, levando-a para a cobertura. Um minuto depois, aterrissou no já conhecido andar com paredes brancas e detalhes em gesso.
Rachel percebeu que suas mãos tremiam debilmente. Ela sorriu e olhou-se no espelho do corredor, ajeitando os cabelos e tentando sorrir confiante. Respirou fundo e apertou os papéis junto de si para, em seguida, bater na segunda porta do corredor. Ouviu passos atrás da porta, seguidos do barulho de trincos sendo abertos. Rachel arqueou a sobrancelha e ainda estava assim quando a porta se abriu, dando de cara com uma ruiva muito bonita a observá-la confusa:
— Pois não?
— Ahm... Julianne, certo? – Rachel perguntou insegura, certificando-se de que lembrava o nome daquela mulher que era o motivo de toda briga entre Santana e Quinn. A ruiva assentiu com um sorriso de lado e Rachel a retribuiu. – Sou Rachel Berry, acho que não fomos devidamente apresentadas.
— Sou Julianne Urie. – A ruiva respondera um pouco severa quando teve que falar seu sobrenome, Rachel apertou a mão estendida diante de si e acompanhou quando a mulher a fez entrar com um gesto. Julianne era muito bonita. Rachel pigarreou assim que as duas se sentaram na sala de estar, tremendo ao se recordar da última vez que estivera ali. Depois, a ex-diva sorriu agradável e perguntou educada:
— Vim falar com Santana, como ela está?
— Ela está melhor, mas não está aqui. – Julianne respondeu rapidamente antes de ir até a cozinha e voltar com um copo de suco para Rachel. A morena bebeu agradecida e observou a ruiva sentar-se a sua frente, desconfortável. – Ela foi até a delegacia resolver a papelada do meu caso.
— Ah sim... – Rachel deixou que a frase morresse em seus lábios, porque ela realmente não sabia o que dizer ali. Julianne não mantinha contato visual com ela e permanecia de cabeça baixa, estudando as próprias mãos. Rachel continuou a tomar seu suco, tentando pensar no que falar. Julianne pigarreou, atraindo a atenção de Rachel ao dizer em tom de voz culposo:
— Eu sei por que está aqui e realmente lamento a situação desagradável entre Santana e sua ahm... Amiga. Mas eu não consigo convencê-la do contrário.
— Santana pode ser bastante cabeça-dura quando quer, eu estudei com ela, sei bem quão obstinada ela fica por alguma coisa. – Rachel respondeu tranqüila e calma; tentando passar uma energia positiva para aquela mulher que parecia tão debilitada. Julianne deu um sorriso tímido e acenou com a cabeça, compreendendo. – E Quinn é amiga de Santana, eu sou a garota dela. Achei que tínhamos deixado isso claro no domingo.
— Desculpe, não é nada do que você está pensando! – Julianne tratou-se de se desculpar quando percebeu o tom de Rachel Berry ficar ainda mais duro no final da frase. Rachel estava um pouco carrancuda, mas amenizou a expressão quando viu que Julianne estava sendo sincera. – Só não estou acostumada com o nível de intimidade entre eu e a Santana.
Rachel quase tossiu o conteúdo do suco quando escutou o que Julianne acabara de dizer, mas conseguiu disfarçar com um pequeno engasgo. Agora compreendia a natureza dos sentimentos de Quinn em relação ao que Santana estava fazendo. A morena procurou não demonstrar que também não aprovava aquela mulher, até porque, só conhecera Brittany das namoradas da latina e gostava bastante da ex-dançarina.
Julianne observou as pequenas mudanças de Rachel e concluiu, também, a mudança de julgamento da ex-diva. Abaixou a cabeça derrotada e ligeiramente arrependida, ela estava afastando as pessoas que amavam Santana. Daria tudo para ter conhecido a latina em outra situação. Rachel respirou profundamente e séria, disse:
— Eu não estou te julgando, Julianne. Mas confesso que eu, de certa forma, compartilho da opinião de Quinn sobre a senhorita. Só que, diferentemente da minha garota cabeça dura, eu posso muito bem ser mais maleável. Vou esperar a senhorita se mostrar para mim antes de formar uma opinião clara sobre quem você é.
— Obrigada, Rachel. – Julianne agradeceu com um sorriso enorme e sincero que fez Rachel recuar um pouquinho em sua postura defensiva. Aquela ruiva parecia sincera e se Santana estava disposta a defendê-la de todas as formas, talvez ela valesse a pena. Rachel acenou com a cabeça e colocou-se em pé, caminhou até a saída acompanhada de Julianne. Antes de sair, a morena tornou a se virar para a outra mulher e disse calmamente:
— Eu amo Quinn assim como sei que você gosta de Santana. Então, quando for a hora certa, precisarei da sua ajuda para fazer com que as duas voltem a se falar. E eu espero, de verdade, que a senhorita não quebre a minha confiança.
Julianne só conseguiu acenar com a cabeça antes de observar Rachel dar-lhe as costas e caminhar rapidamente pelo corredor. Antes de entrar no elevador, os olhares das mulheres se cruzaram e Julianne engoliu em seco. Já admirava Rachel Berry pela força e a coragem em tentar resolver as coisas da melhor forma. E principalmente, também temia aquela força que a pequena morena trazia consigo.
Era uma força de quem já fora obrigado a se reerguer tantas vezes quantas fora derrubado. Era a força de quem enfrentara a vida de peito aberto e que agora, estava reerguendo-se aos poucos com a ajuda de um grande amor. Secretamente, Julianne desejou ser tão forte quanto Rachel Berry. E, ardentemente, Julianne desejou que Santana Lopez fosse o seu grande amor.
Julianne fechou a porta com um sorriso e trancou-a antes de caminhar até a cozinha e ajeitar as panelas sobre o fogão. Ela queria Santana Lopez, sabia das conseqüências que podiam vir da relação das duas, mas se Santana estava tão disposta a ficar com ela... Estava na hora da própria Julianne dar uma segunda chance ao amor.
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Rachel ainda estava decidindo se contava ou não para Quinn sobre a recente conversa com Julianne Urie quando abriu a porta do apartamento. Porém, mal teve tempo de responder porque seu olfato foi invadido pelo cheiro amadeirado já familiar, Rachel sorriu enquanto via todos os seus pensamentos perderem foco e importância. A morena olhou para o corredor do apartamento à procura de Quinn e, pelo barulho do chuveiro, ela estava no banho.
Rachel suspirou bobamente, deixando sua bolsa ao lado da porta e caminhando até a cozinha. Ela e Quinn estavam bem, não havia necessidade de atrapalhar aquilo ao mencionar Julianne e Santana na mesma conversa, aliás, Rachel nem mais sabia se iria continuar a se meter depois do que conversara com Julianne. Talvez fosse melhor deixar que Quinn e Santana se ajeitassem sozinhas.
Rachel voltou à sala depois de tomar um bom copo de água. Jogou-se no sofá e fechou os olhos, massageando as têmporas e lembrando-se da competição de duetos no Glee. Talvez Claire e Christine dessem uma boa dupla, era só as duas pararem de se odiar. Rachel riu diante da situação familiar: uma loser e uma cheerio se odiando, as coisas não mudavam mesmo.
Abriu os olhos quando o cheiro amadeirado tornou-se mais forte. Ouviu passos vindos do corredor e viu a figura de Quinn Fabray se materializar na entrada do corredor. Rachel não sabia dizer se era a luz do sol poente ou se era o ar “pós-banho” de Quinn, mas ela parecia ainda mais bela e sedutora do que normal.
Quinn chacoalhou os cabelos e depois, jogou a toalha em cima do encosto do sofá, Rachel colocou-se em pé e já estava disposta a sair para o próprio banho quando viu-se pega em um abraço de aço. Quinn riu e as vibrações da voz dela provocaram mais arrepios que o corpo gelado dela nas costas de Rachel, a morena mordeu o lábio quando sentiu uma mão depositar-se em seu abdômen e arranhá-lo levemente por sobre a blusa. Depois, Quinn beijou-lhe o pescoço e murmurou rouca:
— Olá, pequena.
— Quinn, não é justo. Você acabou de tomar banho e eu acabei de chegar. – Rachel respondeu meio desesperada, não sabia dizer se era por aquele contato físico tão íntimo ou se era pelo fato de estar dominada. Quinn passou os dentes levemente pela sua nuca e depois, respirou fundo no mesmo local para dizer em seguida:
— Você parece cheirosa para mim. Mas se banho for o problema, eu não me importo de tomar outro contigo.
Rachel parou de se mexer nos braços de Quinn e virou-se bruscamente para loira. Encontrou olhos esverdeados com pupilas dilatadas e um sorriso de canto que só fez a morena respirar mais profundamente. Quinn voltou a segurar sua cintura, como se a ausência de toque a incomodasse. Beijou-lhe os lábios gentilmente para depois, beijar o pescoço moreno.
Rachel sufocou um gemido quando puxou Quinn para cima pelos cabelos da nuca. As duas se entreolharam e o sorriso sedutor nos lábios finos de Quinn só fez Rachel perder o pouco do controle que ainda possuía. A morena sentiu-se empurrada de encontro ao sofá e viu quando Quinn, ainda olhando-a nos olhos, encaixou-se em suas pernas e se aproximou para beijá-la.
As duas nunca tinham trocado um beijo tão feroz e tão faminto, Rachel gemeu quando sentiu a língua de Quinn invadir a sua boca sem permissão. Quinn, por sua vez, gemeu quando sentiu Rachel rodear a sua cintura com as longas pernas morenas e a puxá-la para mais perto. Rachel mordeu o lábio inferior de Quinn, não a deixando se afastar quando o ar começou a faltar para ambas.
Olhando Quinn nos olhos, Rachel a puxou novamente e a beijou com volúpia. A loira viu-se presa em um emaranhado de mãos e cabelos castanhos que estava enlouquecendo-a. Em algum momento de irracionalidade, Quinn deslizou as duas mãos pelas coxas bem torneadas e as apertou, Rachel respondeu ao toque e ergueu a barra de sua camisa, levando as pequenas mãos morenas ao seu abdômen, arranhando-o. Quinn gemeu quando sentiu as mãos se aproximarem de seus seios sem sutiã, mas Rachel parou todos os movimentos quando a ponta de seus dedos tocou a curvatura dos seios de Quinn.
A morena se afastou bruscamente, caindo para trás no sofá. Quinn tentou segurá-la e estendeu o corpo para socorrê-la. Mas Rachel a parou com um gesto e colocou-se em pé, ofegante, corada, descabelada e com os lábios carnudos inchados e convidativos. Rachel olhou para Quinn que estava com a pele vermelha em alguns pontos do pescoço, do queixo e, pelo pouco que pode ver, da barriga também. As duas se olharam, Quinn abriu a boca para falar, mas Rachel a surpreendeu dizendo:
— Me desculpe, eu me esqueci que você tinha dito que não estava pronta e tudo mais.
— Mas Rach, eu... – Quinn tropeçou nas palavras enquanto observava Rachel sair de seu campo de visão e praticamente correr para o próprio quarto (as duas ainda não dormiam juntas). A verdade era que Quinn estava pronta e que aquele dueto no Glee só reforçara sua decisão. A loira teve que correr atrás de Rachel, pois a mesma já estava quase entrando no banheiro. – Eu estou pronta, de verdade. Eu sou sua, mas quero ser sua por inteiro.
Rachel paralisou-se antes de fechar a porta do banheiro. A expressão da morena que antes estava firme, cedeu. O coração da pequena respondeu às palavras e ao olhar apaixonado de Quinn, Rachel abriu a porta do banheiro e colocou-se em frente a ela, Quinn deu um passo em sua direção e a morena não recuou. Rachel olhou firme para Quinn e, ansiosa, disse:
— Você não deveria ter dito isso, Fabray!
Quinn sorriu satisfeita quando viu a mesma Rachel de minutos atrás voltar. A morena a empurrou até a parede. Quinn nunca se sentiu tão pequena como estava sentindo-se agora, com Rachel arranhando sua cintura e a boca dela fazendo maravilhas na sua.
Rachel deixou-se trocar de posição e deu uma gargalhada quando Quinn a pressionou na parede e mordeu seu pescoço. Quinn podia ser uma leiga quando se tratava de mulheres, mas Rachel não... A morena deslizou a unha pela nuca de Quinn e a viu arquear o corpo, com o pescoço exposto, Rachel lambeu-o para, depois morder o ponto pulsante. Quinn gemeu e as mãos de Rachel escorregaram pelas laterais de seu corpo, sentiu um leve apertão em sua bunda e depois, sua blusa ser novamente erguida. Quinn fechou os olhos e Rachel sibilou em seu ouvido:
— Olhos abertos, Fabray.
Quinn obedeceu prontamente e assim que abriu, viu o sorriso safado nos lábios de Rachel. A morena a empurrou para a próxima porta do corredor e, as duas viram-se sobre a cama de solteiro do quarto de Rachel. Rachel gargalhou maldosa enquanto jogava os cabelos e sentava-se sobre a pelve de Quinn, deixando que o atrito entre elas explodisse toda a excitação que estava no local.
Quinn sentiu quando sua intimidade ficou molhada e sentiu-a ficar ainda mais quando observou Rachel fazer um sinal sedutor com as mãos para que ela se sentasse. Quinn a obedeceu e sentiu, novamente, as pernas de Rachel envolverem seu corpo. A morena não deixou de olhá-la nos olhos quando retirou sua blusa. Os seios pálidos e pequenos fizeram Rachel sorrir. A morena tirou a própria blusa em um ato e Quinn perdeu o controle, apertando a cintura dela e trazendo-a para perto.
— Calma, baby... Calma. – Rachel sussurrou melodiosa e remexendo nos cabelos loiros molhados, Quinn mordeu o lábio e tirou a peça de sutiã preta, jogando-a para um lado do quarto. Quinn beijou-a com tal luxúria que foi difícil para a própria Rachel se afastar. – Eu vou te ensinar como as coisas funcionam.
Quinn engoliu em seco, sentindo-se empurrada para a cama. Rachel saiu de perto dela e tirou a calça, jogando-a para um lado do quarto. Quinn observou as pernas da morena com desejo e Rachel sorriu, tornando a se deitar sobre ela. O atrito entre os seios fez Quinn gemer. Rachel despiu a calça de moletom que a loira usava e depois, abocanhou um dos seios enquanto massageava o outro.
Quinn segurou os lençóis e fechou os olhos com força, sentindo uma sensação de desconhecido prazer invadir seu corpo e deixá-la, totalmente, dependente de Rachel. A morena aplicou um último beijo no seio antes de deslizar o indicar pelo vão dos seios até seu abdômen. Rachel a beijou enquanto arranhava-lhe o umbigo e brincava com o elástico de sua cintura. Quinn não percebeu quando a sua calcinha foi tirada e os dedos de Rachel encontraram sua intimidade.
Mas sentiu a onda de eletricidade que percorreu seu corpo quando Rachel a penetrou com cuidado, rebolando sobre seu quadril. Quinn gemeu e apertou os lençóis com as duas mãos, escutou a respiração pesada de Rachel em meio a onda de prazer que estava. A morena beijou-lhe o pescoço e mordeu sua orelha antes de murmurar rouca:
— Mais, meu amor?
Quinn apenas acenou afirmativamente, mordendo os lábios. Rachel empurrou mais um dedo para dentro de Quinn e a loira soltou um pequeno arquejo. Abrindo os olhos esverdeados e a encarando com satisfação. Rachel sorriu para Quinn e continuou a bombeá-la, delicadamente, dando todo o carinho que aquela loira merecia. Quinn sentia Rachel beijá-la nos lábios, no pescoço, no colo, no pescoço... E aqueles toques delicados estavam fazendo-a se aproximar do ápice.
E Quinn sentiu uma sensação de tremor em seu estômago que logo se espalhou por todo seu corpo. A loira arqueou as costas e Rachel permaneceu dentro dela, calmamente enquanto observava o orgasmo fazer maravilhas embaixo de si. Quinn fechou os olhos e ofegou, em um orgasmo silencioso. Depois, abriu os olhos lentamente e Rachel tirou os dedos de dentro dela, chupando-os delicadamente e dizendo:
— Posso dizer com todas as letras que você é gostosa, Fabray.
— Eu te amo, Rachel. – Quinn murmurou cansada e puxando Rachel para se ajeitar sobre ela, sentindo os corpos suados se esquentarem. Rachel sorriu e beijou o vão dos seios de Quinn, ergueu o tronco levemente e, apoiando-se na palma das mãos, murmurou sem vergonha:
— Isso é efeito dos meus dedos mágicos.
— Eu te amo, Rachel pervertida Berry! – Quinn retrucou com um sorriso tímido enquanto olhava para a própria nudez. Rachel ficou séria, saiu de cima de Quinn e sentou-se na cama, admirando a bela ninfa que tinha diante de si.
A morena ainda sentia o aperto entre suas pernas, mas não parecia necessitada a satisfazê-lo. Quinn permaneceu deitada e Rachel deslizou a mão pelo abdômen da loira, sentindo-a se arrepiar com seu toque. Rachel deitou ao lado de Quinn e a loira, imediatamente a enlaçou, colocando-a a cabeleira castanha no vão do seu pescoço e respirando profundamente. Rachel sorriu diante da familiaridade e do amor presente naquele simples toque, Quinn sentiu o sorriso próximo a sua pele e disse:
— Eu realmente te amo, Rachel.
— Deixe só você conhecer a magia da minha boca, Fabray. Você vai me idolatrar. – Rachel gargalhou enquanto sentia Quinn apertá-la e arranhar suas costas, maldosa. A pequena diva se encolheu e puxou o cobertor sobre ambas. Depois, fechou os olhos e beijou o pescoço pálido. – Eu te amo, Quinn. Hoje e sempre.
Quinn sorriu em meio ao sonho, apertando aquele corpo pequeno junto ao seu e sentindo-o se encaixar tão perfeitamente como a voz de ambas se encaixavam num dueto. Formando, nos dois casos, uma só pessoa.
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Rachel acordou ao som da melodia gritante de seu celular. Já era noite e Quinn ainda estava dormindo. As duas estavam apertadas na cama de solteiro e Rachel quase se esqueceu do celular enquanto observava a sua loira virar de lado e reclamar sonolenta:
— Desliga isso e volta para cama, amor.
Rachel beijou-a nos lábios e levantou-se para apanhar o celular no bolso da calça jogada do outro lado do quarto. Pelo caminho, vestiu a blusa de Quinn por causa do frio. Apanhou o aparelho que gritava e o atendeu bruscamente, sem ver de quem se tratava.
— Alô?
- Miss Berry? É Claire.
— O que foi, Claire? – Rachel perguntou cansada e segurando a profusão de xingamentos que quase saiu da sua boca, aquela menina era, mesmo, muito inconveniente. Quinn remexeu-se na cama atrás de si e enrolou-se no lençol, puxando-a para a cama, direto para seu colo. Rachel mexeu nos cabelos da loira enquanto ouvia a respiração pesada de Claire no outro lado da linha. – O que aconteceu, Claire?
- É a Christine, Miss Berry. Ela não está bem.
Rachel acordou de vez quando escutou o que veio a seguir.
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Notas finais
Fiquei bastante insegura com a primeira vez de Faberry, mas espero que tenham gostado.
Perceberam que esse capítulo teve um momento chave e essencial entre Julianne e Rachel. Aliás, esse capítulo foi mais focado na Rachel, espero que tenham gostado.
Comentem, por favor... Estou ficando bastante insegura com Signal Fire =/
Beijos e até a próxima!
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