Signal Fire

22 Conserto e Destruição


Notas iniciais
Boa madrugada, galera! Como vocês estão? Eu ando tendo feelings Achele porque o Golden Globe foi recentemente e eu senti falta daquelas duas e da mesa do Glee no evento :/ Mas enfim... Para esse capítulo, peço que preparem as emoções! Ele vem forte! *medo das pedras* Bem, boa leitura!

– Acho que eles estão começando a se perguntar o porquê de nós estarmos abraçadas há tanto tempo... — Quinn tentara soar um pouco preocupada, mas parecia ser impossível com o sorriso de plena felicidade em seu rosto. Rachel suspirou profundamente de encontro ao seu pescoço, a respiração quente da morena arrepiou os pelos de sua nuca, Rachel afagou-lhe as costas e calma, disse:

– Eles não estão ligando, eu acho.

– Não é que eu queira, mas deveríamos nos separar. Vamos deixar isso para depois. — Quinn dissera preocupada e olhando discretamente por cima dos seus ombros, mas não conseguindo enxergar alguma coisa sequer, pois Rachel a apertara ainda mais. Quinn interpretou aquilo como insegurança, afagou os cabelos morenos e se atreveu a beijar o topo da cabeça de Rachel. — O abraço, não falo de nós duas.

Se antes Rachel estava preocupada em se afastar, se afastara muito rápido, extremamente corada. Quinn manteve a mão morena entre as suas e sorriu grandemente enquanto observava as bochechas de Rachel se colorirem ainda mais. A morena abaixou a cabeça e, emburrada, deu-lhe as costas e entrou na sala do Glee.

Seus alunos estavam com sorrisos enormes nos lábios. Christine e Claire estavam em cima do piano com todos ao redor delas, extremamente absortos enquanto elas contavam a história das duas. Rachel sorriu quando viu as mãos dadas e os sorrisos bobos de uma para a outra. Sentiu um toque delicado e familiar em sua cintura e suspirou. Quinn a conduzia pela sala e as duas chamaram a atenção quando a porta da sala se fechou, delicadamente.

– Miss Berry, você sabia dessas duas? — Richard perguntou um pouco indignado e com uma careta chateada, Rachel riu e acenou a cabeça negativamente. Os demais riram junto. — Ainda bem, achei que fosse só eu que tivesse com o gaydar quebrado nessa sala.

Rachel arregalou os olhos e os direcionou para Quinn que tinha a mesma expressão assustada que a sua, só que a loira estava com a boca levemente aberta. Depois de um momento de silêncio incômodo, Rachel olhou para Christine e Claire que engoliram em seco, foi a ex-cheerio que respondeu sem graça:

– Nós só dissemos que desconfiávamos de vocês duas e não afirmamos nada.

– Christine, isso não é o tipo de coisa que se diz em voz alta, ainda mais em Lima. — Quinn bronqueou repreensiva e com a expressão mais calma e sincera, Rachel agradeçou em pensamento por ser Quinn a tomar a frente em situações como aquela, provavelmente estaria gritando e esbravejando contra todos os seus alunos naquele momento. Observou quando Quinn apanhou sua mão e entrelaçou seus dedos para, depois, dar um sorriso triste. — Já vou avisando que não é nada fácil assumir algumas coisas nessa cidade. Mas se confiam um na outra e se querem ser felizes, terão que fazê-lo.

Um momento estranho se instalou na sala do Glee. Os alunos olharam entre si, surpresos e Christine e Claire sorriam sem parar, as duas trocaram um selinho atrapalhado enquanto Quinn ria para elas. A professora de Literatura virou-se para Rachel que a observava abismada e inclinou a cabeça, em uma expressão risonha. Quinn se aproximou e aplicou um beijo longo na bochecha de Rachel para, em seguida, dizer, descontraída:

– Eu acho que quebrei a treinadora de vocês. Provavelmente, teremos uma folga nos ensaios!

– Eu não disse nada a respeito disso, Miss Fabray! — Rachel protestou envergonhada e corando mais uma vez enquanto escutava as risadas de seus alunos encherem a sala do Glee. Era impressionante como o clima estava leve ali, nem parecia que Finn estivera há poucos minutos e que Christine e Claire estavam sem se falar.

Rachel observou todos na sala e uma estranha sensação de familiaridade a preencheu. Aquela sala era o seu lar, aqueles alunos eram da sua família e o Glee era tudo em sua vida, fora no passado e continuava sendo, no presente. Quinn estava certa desde quando a sugerira para o cargo. E ainda havia Quinn que parecia ser o mais tangível e mais seguro que ela tivera para si em anos... Pela primeira vez, sentia que a Broadway não era mais o seu lugar.

Perdida em seus pensamentos, não notou Arthur cabisbaixo. Porém, Quinn o enxergou e pigarreou, os demais alunos que conversavam logo se calaram e olharam atentos para ela, inclusive o próprio rapaz. Quinn se aproximou dele e sentou-se ao seu lado, observando-o gentilmente. Arthur era muito parecido com Finn e ela realmente desejava que ele não se tornasse aquela figura grosseira e arrogante que quebrara o vidro da sala. Apanhou a mão do garoto entre as suas e perguntou:

– O que foi, Art?

– Não é nada, Miss Fabray... — Arthur respondeu evasivo e desviando o olhar da professora, porém, seus olhos encontraram Christine e Claire e foi difícil, até mesmo para ele, conter as lágrimas que chegaram aos seus olhos. Rachel observava a interação com admiração, Quinn realmente conhecia aqueles garotos. A professora respirou profundamente e aconselhou:

– Você fez a coisa certa.

– Então, por que eu sinto um imenso vazio dentro de mim? — Arthur perguntou cansado e Rachel observou, um pouco assustada, quando os olhos dele foram tomados por uma energia ruim conhecida dos olhos de Finn. — E que parece ser preenchido somente pela minha raiva de ter perdido o que realmente importava.

Quinn assumiu um ar sério e maduro, Rachel aproximou-se dela, pois viu que ela não seria capaz de aconselhar naquele momento. A morena sorriu para o rapaz e bondosa, disse:

– Quando você for preenchido por isso, Art... Olhe para as duas, foque no sorriso delas e você vai ver tudo passar. Eu sei que você as ama e somente quem ama é capaz de deixar o outro buscar a felicidade, nem que seja longe ou mesmo com outra pessoa.

Rachel sentiu um aperto familiar em sua cintura quando Quinn envolveu sua mão ali e virou-se para ela, recebendo um sorriso aliado a algumas lágrimas contidas. Rachel sabia do que falava porque Quinn fizera o mesmo por ela, há anos, quando as duas seguiram caminhos diferentes na universidade. Arthur olhou para as suas professoras e, depois, para Christine e Claire, derramou algumas lágrimas e depois, sorriu triste enquanto as limpava. O rapaz colocou-se em pé e pegou um violão, fez um sinal para Ryan que apanhou o outro enquanto Elliot ia para a bateria, Arthur sorriu e disse:

– Vamos cantar? Pelo New Directions!

Houve um sonoro comemorar de todos os membros e cada um se posicionou, formando uma roda. Rachel rapidamente sentou-se ao lado de Quinn sorridente e logo a melodia folk dos violões soou na sala. Christine sorriu quando reconheceu a música e logo começou a cantá-la:

Taking over this town, they should worry

But these problem aside I think I taught you well

That we won’t run, and we won’t run, and we won’t run

Claire segurou a mão de Christine e as duas se olharam apaixonadamente por alguns segundos, ambas suspiraram e todos na sala riram brevemente. Quinn balançou a cabeça, ainda rindo e cantou, atraindo a atenção de todos:

And in the winter night, night sky ships are sailing,

Looking down on these bright blue city lights.

And they won’t wait, and they won’t wait, and they won’t wait.

We’re here to stay, we’re here to stay, we’re here to stay.

Rachel arqueou a sobrancelha esquerda, surpresa, para Quinn. A professora apenas deu de ombros e sorriu para ela, puxando-a para perto e abrançando-a pelos ombros. Arthur fez um ligeiro assovio e todos entenderam que era para se juntarem a ele no refrão. Rachel observou o sorriso de cada aluno e, como se fosse possível, seu coração foi preenchido por uma alegria ainda maior quando os escutou cantando juntos. Eles eram bons, muito bons.

Howling ghost they reappear

In mountains that are stacked with fear

But you’re a king a and I’m a lionheart.

A lionheart

Quinn que, em meio ao refrão, observava Rachel, beijou-a na bochecha e quando os olhos castanhos encontraram seu sorriso, piscou feliz para ela. A morena corou levemente, fato que não passou despercebido por seus alunos. Logo, a sala se encheu de aplausos e alguns como Gracie e Nolan, se levantaram e começaram a dançar em volta delas.

His crowd lid up the way as we moved slowly

Pass the wondering eyes of the ones we left behind.

Though far away, though far away, though far away

We’re still the same, we’re still the same, we’re still the same.

Depois, foi a vez de Claire e Christine levantarem. As duas se olharam e deram-se as mãos, Claire executou um giro em meio a dança e suspirou profundamente quando seus olhos encontraram os de Christine. As duas sorriram uma para a outra e juntas, entoaram:

Howling ghost they reappear

In mountains that are stacked with fear

But you’re a king a and I’m a lionheart.

And in the sea that’s painted black,

Creatures lurk below the deck.

But you’re a king and I’m a lionheart.

And as the world comes to an end

I’ll be there to hold your hand

‘Cause you’re my king and I’m your lionheart

A lionheart, a lionheart, a lionheart, a lionheart

A lionheart, a lionheart, a lionheart, a lionheart

A sala do Glee estava uma bagunça, todos estavam de pé, dançando e batendo palmas no ritmo da música. Rachel se sentia puxada para o meio dos alunos, segura firmemente pela mão de Quinn que, em meio a dança, virava o corpo somente para olhá-la nos olhos e sorrir para ela. Rachel sentia todo o seu interior quente, de uma maneira branda e familiar. Era como se cada pedaço de seu corpo estivesse respondendo à presença de Quinn em sua vida novamente... Rachel compreendeu ali que a loira, em nenhum momento, deixara a sua vida. Ela e Quinn se pertenciam e, não importava como o destino atuasse, as duas sempre voltariam uma para outra.

Howling ghost they reappear

In mountains that are stacked with fear

But you’re a king a and I’m a lionheart.

And in the sea that’s painted black,

Creatures lurk below the deck.

But you’re a king and I’m a lionheart.

And as the world comes to an end

I’ll be there to hold your hand

‘Cause you’re my king and I’m your lionheart

A lionheart, a lionheart, a lionheart, a lionheart

A lionheart, a lionheart, a lionheart, a lionheart

Naturalmente, o tom de voz do coro e a melodia foram abaixando até que, por fim, a sala ficou em completo silêncio para, minutos depois, ser preenchidas com aplausos, assovios e exclamações. O New Directions voltara a se unir. Ali estava o maior grupo de desajustados e de estranhos do McKinley High do ano de 2020. Mas juntos, eles formavam uma célula, uma unidade que parecia ser forte o bastante para enfrentar qualquer coisa.

E, sem que Rachel quisesse ou mesmo, esperasse, os seus olhos encheram-se de lágrimas enquanto, a distância, ela observava os atletas de seu grupo interagirem com os nerds, as líderes de torcida dançarem com as losers... Aquele não parecia ser o mesmo grupo pelo qual ela fora responsabilizada. Ela não sabia o que acontecera, só sabia que estava feliz por ter sido privilegiada com a oportunidade de passar a eles o pouco que sabia sobre a vida e estava ainda mais agradecida por eles, juntamente com Quinn, trazerem-na de volta para música.

Rachel limpava as lágrimas quando sentiu o toque morno da pele de Quinn junto a sua. A loira sorriu para ela enquanto colhia as lágrimas em seu rosto. Claire se aproximou meio insegura e, preocupada, perguntou:

– Aconteceu alguma coisa, Miss Berry?

– Não é nada, Claire. Eu só... — Rachel riu da própria situação, todos a olhavam preocupados. A morena não esperava que fosse gostar tanto daqueles garotos. Naquele momento compreendeu que a admiração e o sucesso deles eram coisas que importavam muito naquele momento. Rachel apertou carinhosamente o ombro de Claire e suspirou fundo, abrindo um sorriso. — Eu só não esperava que vocês fossem conquistar um espaço tão grande e especial na minha vida.

– Essa é a forma de ela dizer que se importa e gosta de vocês, garotos! — Quinn acrescentou com uma piscadela, arrancando risos dos alunos e fazendo Rachel corar pela milésima vez naquele dia. A morena fechou a expressão e ia retrucar quando sentiu dezenas de braços a engolfarem em um abraço coletivo e as vozes, unidas, gritarem:

– Miss Berry! Miss Berry!

Rachel não estava mais tão acostumada a tanto contato físico, mas não resistiu e tentou abraçar o máximo que pode de seus alunos...

Seus olhos, em meio a bagunça, encontraram Quinn e ela sorria com seus orbes esverdeados a observarem. Rachel respirou fundo, agradecendo silenciosamente. Quinn era seu sinal de fogo e acabara de trazê-la, mais uma vez, de volta a vida.

***

Santana Lopez sempre fora bastante exigente quanto ao próprio trabalho. Era essa exigência que justificava a sua competência e seu impressionante currículo de vitórias nos tribunais. Mas, naquele momento de sua vida, tudo que a advogada queria era ter ficado em casa e aproveitado a companhia de Julianne.

Sua cliente que, desde o começo, não assumira esse papel. Desde que a conhecera, Santana sentira que aquele caso não seria como os outros. Desde o começo, sua conexão com Julianne fora fortemente estabelecida para ser dificilmente quebrada. Fora instantâneo, abrupto, rápido... Totalmente o contrário do que ela tivera com Brittany ao longo dos anos.

E, por mais surpreendente que tivesse acontecido, a rapidez com a qual a relação de Santana e Julianne progredira não mais assustava a latina. Era irônico como o “eu te amo” de Julianne, dito entre sussurros e com ar de confissão, revirara ainda mais a sua vida e, também, colocara tudo no lugar.

Ela só tinha uma certeza: tinha que salvar Julianne e a ruiva confiava nela para essa tarefa. Julianne a amava e esse amor era o seu combustível. Ela lutaria até suas últimas forças contra Michael Urie.

Os papéis estavam dispostos sobre a mesa de vidro, assim como as fotografias tiradas dos ferimentos de Julianne. Santana, naquele minuto, evitava olhar para as imagens porque era atingida por tal fúria que podia ser capaz de sacar a sua pistola e ir atrás de Michael acertar as contas.

Três batidas secas na porta a tiraram de seus pensamentos. A latina caminhou rapidamente até a porta, arrumando a blusa social no caminho. Porém, sua intuição a fez voltar e ela apanhou a pistola dentro da bolsa para, então, caminhar até a porta de seu escritório. Abriu uma fresta e deparou-se com o sorriso frio e repleto de escárnio em um dos rostos que ela menos queria ver em sua vida.

Michael fez força e terminou de abrir a porta. Santana olhava para ele com um misto de surpresa e nervosismo. A latina apontou a alma para o peito dele, Michael ergueu as mãos para cima em um gesto irônico de rendição. Santana sentiu a fúria percorrer seu corpo e seu braço, que empunhava a arma, tremer. Entre dentes, perguntou:

– O que você quer aqui, hijo de puta?!

– Calma, Srta. Lopez. Eu venho aqui em missão de paz. — Se Michael Urie estava amedrontado, ele não o demonstrava. O homem abaixou as mãos e sorriu ironicamente. Com a ponta do indicador direito, direcionou o cano da pistola para longe. — Além do mais, quem está empunhando a arma aqui é senhorita. Eu só quero conversar, um acordo pré-audiência, talvez.

A expressão de Santana logo mudou. A latina franziu a testa para o homem, procurando qualquer sinal de mentira. Olhou pelo corredor a procura dos trogloditas que sempre estavam com ele, mas nada encontrou. Olhou, novamente, para Michael que apenas sorriu e respirou fundo, dramaticamente preocupado.

Santana revirou os olhos e o puxou para dentro pelo colarinho da camisa social que ele usava. Empurrou-o bruscamente para a parede e apontou a arma para o queixo dele enquanto trancava a porta do escritório, em seguida, empurrou-o rudemente até uma cadeira e lá o jogou.

Michael quase caiu para trás e se recuperou, equilibrando-se. Santana permaneceu em pé, apontando a arma para o homem, olhando-o com frieza. Os dois trocaram olhares intensos. Os olhos escuros de Michael eram fúnebres, quase vazios enquanto os olhos escuros de Santana eram carregados de energia e quentes pela fúria que a latina tinha dentro de si.

Santana abriu um sorriso repleto de escárnio e, usando o melhor tom de voz autoritário que pode, ordenou:

Lo que quiere, cretino?

– Sei que ama a língua pátria de sua família, mas fale em inglês, Srta. Lopez. — Michael comentou sarcastimente, sem se importar muito com a arma apontada para seu peito. — Aliás, seja mais receptiva. Não há necessidade de apontar essa arma para mim.

Santana observou toda a linguagem corporal do homem. Ele estava relaxado com as pernas cruzadas e as mãos apoiadas no joelho, também trazia um sorriso de lado enigmático e o olhar parecia tranqüilo, ele respirava calmamente e, desde que fora empurrado para dentro da sala, não parecia estar preocupado com nada.

Odiando seu julgamento e confiando em sua boa vontade, Santana baixou a arma e suspirou. Michael deu um sorriso satisfeito e aplaudiu sua atitude, cada gesto dele remetia à ironia, mas a advogada manteve-se sob controle enquanto rodeava a mesa e sentava-se em sua poltrona de couro, ela o encarou entediada e perguntou mais calma:

– O que quer?

– Tratar de negócios, obviamente. Perdoe-me se agi mal antes. — Michael respondeu pomposamente, Santana reparou que ele não mantia as mãos paradas e as movimentava de forma estressante. Suspirou e procurou manter a calma. — Acredito que começamos nossa relação com o pé esquerdo.

– Ah claro. Você só espancou minha cliente, me ameaçou e, é claro, quebrou meu apartamento... — Santana comentou desleixadamente, com um sorriso irônico nos lábios que arrancou sonoras risadas de Michael Urie. Ela fechou a expressão. — Você nunca fez questão de ser gentil, Michael. Aliás, você não sabe ser gentil. Chegou onde está sendo um manipulador desgraçado!

– Claro que sim, Srta. Lopez. — Michael cortou os impropérios que sairiam da boca de Santana com um sorriso elegante e um tom pesado, ligeiramente ameaçador. Os dois se encararam, a tensão pesando entre eles. — Mas isso tudo aconteceu porque eu a subestimei. E sabe o que dizem, caso não consiga derrotar seus inimigos, mantenha-os próximos.

Santana olhou estarrecida para o homem, completamente perdida no rumo tomado por aquela conversa. Não era do feitio de Michael Urie subornar, pelo menos, não desde quando se metera no relacionamento dele com a futura ex-mulher. Santana estava acostumada com as ameaças, mas não sabia como se comportar diante do suborno e das ofertas... Por que Michael estava mudando a tática, afinal? Será que se sentia ameaçado por ela?

Michael observou todas as mudanças no comportamento da advogada, satisfeito. A expressão confusa dela foi a deixa para que ele continuasse com sua oferta:

– Portanto, Srta. Lopez, eu quero que você junte-se a mim em minhas empresas. Poderá ser a nossa advogada ou adquirir um cargo administrativo. Sua escolha.

– E o que eu devo te oferecer em troca? Afinal, um negócio não é um negócio sem o preço e a mercadoria. — Santana reassumiu sua posição intimidadora e insistente, Michael remexeu-se incomodado percebendo que voltara a “estaca zero”. — O que eu tenho que você tanto quer, Michael?

– Você sabe muito bem o que eu quero, Lopez. Abandone o caso de pedido de divórcio de Julianne. — Michael respondeu demonstrando irritação pela primeira vez desde que entrara no escritório da latina. A boca estava crispada, um leve rubor começava a subir pelo seu pescoço e as mãos fecharam-se em punhos pesados. Santana sorriu, balançando a cabeça negativamente e, curiosa, perguntou:

– O que Julianne tem que lhe preocupa tanto? Aliás, melhor... O que Julianne sabe que lhe deixa tão obcecado por ela?

– Ela é minha mulher, Srta. Lopez. E eu não vou perdê-la para outra mulher! — Michael finalmente explodiu, claro que de forma branda, mas seu tom de voz fora cortante e ameaçador. Santana percebeu ali que a história era muito mais complexa do que aparentava ser, seu coração apertou com a hipótese de Julianne estar escondendo algo dela. Mas ela manteve-se centrada quando Michael debruçou sobre a mesa, perigoso. — Qual é o seu preço, advogadazinha? Quanto eu tenho que te pagar para que minha mulher te deixe?

– Eu não tenho preço, Urie. Não para você! — Santana respondeu calma e friamente. Sua mão rapidamente chegou ao cabo da pistola sobre a mesa e ela o apanhou, apontando-a novamente para o homem. — Agora, levante-se e caia fora do meu escritório. Espero que até a audiência, você tenha encontrado suas bolas para me enfrentar como homem!

Urie deu uma última olhada de desprezo para Santana antes de sair do escritório, batendo a porta e caminhando duramente. A latina só soltou o ar quando escutou o elevador descer os andares. Largou a arma com as mãos trêmulas e apanhou o celular dentro da bolsa, rapidamente discou o número do celular de Julianne.

– Oi, Santana!

Percebeu que a voz do outro lado da linha parecia surpresa e animada por sua ligação. Santana pigarreou e, transtornada, disse:

– Venha para meu escritório agora, não pare e não fale com ninguém. Precisamos conversar, sério.

Não deu tempo para que Julianne respondesse e desligou o celular. Olhou para a mesa a sua frente e uma vontade incontrolável de quebrar tudo invadiu seu corpo. Ela se controlou e respirou fundo. Aquele dia seria longo... Muito longo.

***

– Até mais, professoras! — Christine despediu-se com um sorriso imenso enquanto Claire somente acenava. As duas deram-se as mãos assim que Christine colocou sua mochila e apanhou o material de Claire e logo saíram da sala. Rachel ficou observando-as sair até que se levantou e comentou distraída:

– Eu queria ter feito isso contigo na nossa época de colégio.

– Por favor, Rach... Você está fazendo com que eu me sinta incrivelmente velha. — Quinn comentou em tom de brincadeira, levantando-se também e caminhando até a morena, abraçando-a pelas costas e beijando sua têmpora. Rachel sorriu com o toque natural e sem medo, suspirando apaixonada. — Eu também gostaria de ter carregado seu material, te acompanhado até sua sala e ter te beijado no corredor...

Rachel riu com as cócegas que a vibração da voz de Quinn fez em seu pescoço e se arrepiou com o tom rouco tão próximo de seu ouvido. Aconchegou-se nos braços de Quinn e fechou os olhos, silenciosamente se perguntando se aquilo não era tudo um sonho. Parou de duvidar quando sentiu um delicado beijo na curva de seu pescoço, abriu os olhos lentamente e confessou baixinho:

– Eu senti sua falta, Quinnie.

– Eu também, pequena... Eu também. — Quinn respondeu no mesmo tom, apertando-a em seus braços. Rachel virou-se para ela e a olhou por minutos a fio, com o brilho vívido e satisfeito voltando aos olhos castanhos e abrindo, lentamente, o sorriso de 1000 watts que Quinn tanto amava. A loira roubou-lhe um delicado beijo nos lábios e a conduziu até as cadeiras mais superiores do Glee.

As duas sentaram-se ali e observaram a sala. Estava tudo tão silencioso naquele momento, pela janela quebrada que dava para o corredor, puderam observar a diminuição da claridade, estava anoitecendo. Rachel encostou-se na cadeira e suspirou, sentiu a mão de Quinn colocar uma mecha atrás de sua orelha direita e sorriu. A morena ajeitou-se na cadeira e colocou uma mão sobre o joelho de Quinn, dizendo:

– Parece que estamos paradas no tempo, aqui, sozinhas... Quase posso ver o Mr. Schue entrar por aquela porta anunciando que teremos mais uma tarefa desnecessária para realizar e quase consigo ver você entrando com aquele uniforme das Cherios, nariz em pé, intocável e inalcançável.

Quinn riu baixinho e com um toque no queixo de Rachel, virou-a para si e roubou-lhe um beijo profundo e sôfrego. Ambas respiraram de maneira profunda quando terminaram. Quinn manteve as testas de ambas unidas e puxou as mãos de Rachel para si, envolvendo-as nas suas, sem quebrar o contato visual em momento algum. Quinn mordeu o lábio e confessou:

– Eu também quase consigo enxergar aquela Rachel Berry vestindo aqueles suéteres de bichinhos e aquelas saias pecaminosamente curtas que me fizeram ter sérias divagações na minha adolescência sobre o porquê de eu reparar tanto em suas pernas, se eu era, supostamente, uma cristã praticante e hetero.

Foi a vez de Rachel rir e puxar Quinn para outro beijo. As duas suspiraram no final deste e Rachel inclinou-se mais perto, procurando, mais uma vez, o conforto dos braços de Quinn. As duas ficaram mais uma vez em silêncio, respirando na mesma freqüência e tendo os corações no mesmo ritmo, como uma sinfonia. Quinn afagava-lhe os cabelos e Rachel, de olhos fechados, desenhava padrões circulares no braço da loira.

– Tenho que avisar o zelador sobre essa janela quebrada. — Rachel finalmente falou, levemente irritada. Quinn baixou os olhos para ela, um pouco desconfortável, mas continuou com os carinhos. — Finn foi extremamente desnecessário e infantil.

– E ele já foi, alguma vez, diferente disso? — Quinn questionou sarcástica, olhando para um ponto vazio da parede. Rachel sufocou uma risada diante dos ciúmes de Quinn e realmente não pode deixar de concordar com a fala da loira. Rachel afastou-se para olhar Quinn e bronqueou:

– Ele nem sempre foi assim, você sabe disso.

– Nós realmente vamos falar desse estorvo no momento em que acabamos de fazer as pazes? — Quinn voltou a rebater indignada e olhando para Rachel, dessa vez, agora, os olhos esverdeados estavam sem emoção e carregados de frieza. Rachel percebeu quanto o assunto “Finn Hudson” incomodava Quinn.

Por quanto tempo mais teria que provar para a loira de que não importava mais? Que Finn era apenas um pedaço de seu distante passado, que nada e nem ninguém jamais se comparara a ela... Quinn era única e não deveria jamais duvidar disso e se fosse necessário, Rachel a provaria quantas vezes fossem necessárias. Quinn merecia isso.

Rachel aproximou-se devagar e beijou Quinn, profunda e languidamente. Ambas ofegaram no meio do beijo tamanho era o sentimento que estava entre elas. Quinn a puxou mais para perto pela cintura e Rachel tentou, da melhor maneira, se adaptar aos toques pesados e desejosos de Quinn. Mas ela também parecia extremamente desesperada em cada aperto e puxão. Rachel separou-se com dificuldade e olhou profundamente nos olhos esverdeados a sua frente, respirou fundo e disse sincera e sem nenhuma margem para dúvida:

– Ele não importa. Eu amo você, sempre amei você até mesmo quando eu sequer percebia. Nunca duvide disso, nunca ache que Finn é a primeira opção. Você é a única opção.

Quinn não conteve o sorriso enorme que surgiu em seus lábios, muito menos o impulsar de seu corpo para frente quando ela abraçou o pequeno corpo de Rachel e inspirou o perfume que tanto a acalmava. Aquele calor familiar que emanava do corpo da morena preencheu também a frieza que ela tinha dentro de si, proveniente de todas as suas cicatrizes e batalhas perdidas. Ainda abraçada a ela, Quinn suspirou e perguntou-lhe ao ouvido:

– Obrigada, eu não sei nem como retribuir. A não ser, te amando ainda mais conforme os dias passam...

Rachel sorriu em meio ao cheiro de Quinn e aos cabelos loiros que faziam cócegas em seu rosto. Ela se afastou e afagou a maçã do rosto de Quinn com um sorriso, beijou-lhe a bochecha no mesmo instante que um sorriso malicioso surgiu em seus lábios. Quinn arqueou a sobrancelha para ela e mal teve tempo de perguntar, pois se sentiu puxada pela mão enquanto Rachel anunciava:

– Na verdade, existe algo que você pode fazer para me retribuir!

***

Julianne caminhava apressada pelo corredor que levava à porta do escritório de Santana Lopez. Estava nervosa e preocupada, tinha medo que tivesse acontecido algo à latina. Mas ela não parecia ferida nem machucada na chamada, pelo contrário, ela parecia só... Preocupada. Julianne engoliu em seco, arrumou a gola da camisa assim que parou em frente à porta e estava prestes a abri-la quando Santana se adiantou, puxando-a para dentro. A latina respirou fundo e apertou a sua mão, dizendo afoita:

– Eu não sei onde estava com a cabeça para chamá-la aqui.

– Mas... O que...?! — Julianne tentou perguntar, mas foi impedida pelos lábios de Santana que juntaram-se aos seus, desesperadamente. A ruiva foi jogada à parede e mal conseguia respirar enquanto retribuía o beijo. Santana estava em todas as partes de seu corpo e com muito esforço, conseguiu desacelerar o beijo, terminando-o com um longo selinho. Olhou nos olhos escuros da latina e respirou fundo. — O que está acontecendo?

– Michael acabou de sair daqui. Eu não deveria ter te ligado, ele poderia ter te encontrado e feito alguma coisa. — Santana respondeu furiosa, se afastando bruscamente de Julianne e indo até a mesma, derrubou alguns papéis com raiva e sentou-se sobre ela, cruzando os braços e abaixando a cabeça. Julianne a observou assustada diante do perigo que correra, mas estranhamente calma. — Eu prometi te proteger e quase estrago tudo.

– Mas não aconteceu nada, meu amor... — Julianne justificou com um sorriso triste. A ruiva deixou a bolsa em cima da poltrona e caminhou até Santana, ficando entre as pernas da latina. Acariciou as coxas da advogada e beijou-lhe o rosto, suspirando. Santana fechou os olhos, aos poucos, seu corpo se acalmava com os toques distribuídos e carinhosos de Julianne, sentiu um beijo no seu ponto de pulso e respirou pesado. Julianne sorriu. — Foi um golpe de sorte ou do destino, mas eu estou bem aqui. E você sobreviveu a mais um encontro com ele... Vai dar tudo certo.

Santana abriu os olhos e a encarou, curiosa. Por mais que gostasse muito de Julianne, conhecia pouco dela. A latina deu-lhe um selinho e a puxou para ainda mais perto, as duas ficaram próximas e respiravam na mesma freqüência. Santana estranhou a ausência de surpresa na voz de Julianne quando falou sobre Michael e curiosa, perguntou:

– Não vai perguntar o que Michael queria comigo?

– Não... Eu o conheço bem há anos. Sei muito bem que ele veio aqui para tentar te subornar. — Julianne respondeu com um sorriso tímido e o tom sério, sábio. Santana ergueu as sobrancelhas para ela, surpresa, mas depois, sorriu. A latina estava feliz por ter Julianne em suas vistas e ao alcance de seu toque, parecia que não existia nada entre elas quando estavam daquela forma. As duas se olharam por mais alguns minutos até que Santana apertou as mãos de Julianne e perguntou:

– Por que ele é tão obcecado em você, Julianne? Eu sei que vocês dois são casados... Mas além da obsessão, ele a teme. O que acontece entre vocês?

Julianne, finalmente, demonstrou outra expressão além da calma. A ruiva afastou-se lentamente, respirando com dificuldade e apertando as mãos. As lembranças de seu passado invadiam sua mente como se fossem um filme extremamente violento e cruel. Por breves momentos, vendo o sangue de suas lembranças passar em frente aos seus olhos, ela tornou-se inconsciente do que se passava naquela sala. Santana levantou-se da mesa preocupada e aproximou-se de Julianne, envolveu o rosto dela em suas mãos e preocupada, perguntou:

– O que foi, meu amor?

– Eu... Preciso... — Julianne gaguejou enquanto seus olhos, lentamente, marejavam. A ruiva segurou as mãos de Santana junto ao seu rosto enquanto procurava coragem e respirava com dificuldade, precisava tirar tudo aquilo de dentro de si. Não poderia seguir em frente senão jogasse tudo para fora. E mais, precisava ser sincera com Santana da mesma forma que ela estava sendo. — Eu só preciso me acalmar e preciso que você não me julgue.

Santana ficou ainda mais assustada e conduziu Julianne até sua cadeira e ajoelhou-se na frente dela, ansiosa. Julianne respirou fundo e não conseguiu olhá-la nos olhos. Enquanto olhava para suas mãos, disse trêmula:

– Meu nome não é Julianne Urie, a mulher que se chamava assim morreu há cerca de 2 anos na Califórnia.

***

Notas finais
Ah, agradeço a todos vocês pelos comentários no capítulo anterior. Peço que continuem com o feedback, ele é muito importante para mim *-* O que acharam das reviravoltas na Rachel? E essa última frase da Julianne? HSAUAHUUASHUAS Se preparem, Signal Fire ainda está longe de acabar! *-* Reviews, viu? Até a próxima, FerRedfield