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42 Capítulo 39 - Levy
Notas iniciais

Recapitulando
Lucy, Levy, Gajeel, Natsu, Wendy, Gray e Juvia embarcaram numa nova viagem, voltando para Crocus a fim de derrotar Erza com um plano criativo de Gajeel e Lucy. Porém no meio do caminho, deparam-se com uma cabana abandonada e repleta de novidades que poderiam lhes ajudar na jornada. Em meio a isso, o grupo é surpreendido por um ataque de Karen e Zancrow, aliados de Erza, e se deparam um com movimento da rebelde que lhes podem trazer benefícios, porém nem todos concordam com a ideia.
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Capítulo 39
Levy
Através de Zancrow conseguimos algumas informações a respeito dos planos de Erza. As pessoas mencionadas na visão que tive dela estavam próximas de nós e acompanhadas por bons soldados dela. Ainda não sabia determinar se isso era bom ou ruim. Natsu e Gray queriam ir até a comitiva deles e raptar as garotas e deixá-las como segundo plano, caso a invasão desse errado, ainda poderíamos usar o recurso de chantagem.
Lucy apesar de entender o raciocínio deles não concordou com o plano, fazendo com que amarrássemos os dois rebeldes fora da biblioteca, deixando-os cercados por estacas de ferro que Gajeel invocara com sua nova habilidade. No momento estávamos todos reunidos, exceto por Juvia que preferiu ficar vigiando os dois, discutindo qual o melhor movimento a ser feito.
— Uma oportunidade dessas não vai cair no nosso colo novamente, Lucy! — Natsu falava, o rosto tenso. Ele queria ir atrás dos demais rebeldes.
Algo me dizia que ele queria aproveitar a situação para ficar longe de Karen e todo o turbilhão de emoções que esse encontro trouxera.
— Eu entendi muito bem que é uma ótima jogada a nosso favor, mas pense comigo por um segundo, e se os demais rebeldes forem melhores que esses? — ela apontou para a porta, indicando Karen e Zancrow ao longe – não temos tempo nem podemos nos dar ao luxo de perdemos três guerreiros importantes nesse levante!
— A Lucy tem um ponto, temos que pensar melhor – Wendy interveio, pousando uma mão no braço de Gray, que estava visivelmente irritado.
— Ficarmos aqui discutindo também é perda de tempo, Majestade – o moreno retrucou, um pouco ríspido.
Em poucos segundos toda a cumplicidade que construímos estava desabando. Soltei um longo suspiro e olhei para Gajeel que estava ao meu lado. Podia perceber que ele entendia os dois lados e estava indeciso sobre quem apoiar, assim como eu. Alguém precisava dar um fim nessa discussão ou corríamos o risco de abalarmos o nosso companheirismo num nível que corromperia os planos.
— Somos em sete, certo? — entrei na conversa, chamando a atenção do nosso grupo. Esperei todos assentirem antes de continuar – não gosto muito do que vou propor, mas dado a briga que estamos fazendo, deve ser a melhor opção.
Gajeel deu-me uma olhada séria e então seu rosto se suavizou, provavelmente entendendo onde gostaria de chegar. Essa era uma das coisas que mais prezava em nosso relacionamento, conseguíamos nos entender sem a necessidade de falas.
— Sim? — Wendy induziu-me.
— Vamos nos separar.
Os brigões, Natsu, Lucy e Gray, ficaram estáticos por alguns segundos para então soltarem exclamações contra o que tinha proposto. Pelo canto do olho vi a feição do RedFox tornar a se fechar, impaciente.
— Pelo amor dos Deuses! Vocês parecem crianças desse modo! Será que podem agir como responsáveis que são por alguns segundos? — ele bradou, fazendo com que os três se calassem – Não vamos ter tudo o que gostaríamos e a Levy está propondo um modo razoável de atingirmos os dois objetivos. Ter uma moeda de troca se necessário – apontou uma mão para Gray e Natsu – e continuar com a jornada inicial sem perder combatentes – apontou a outra para Lucy.
— É arriscado – Natsu falou com a voz suave.
— Mas é claro que é! Qualquer coisa que façamos vai ser arriscado de agora em diante! — Gajeel retrucou, ainda de mau humor – Agora, se nos dividirmos podemos pensar as habilidades de cada um e montar dois grupos que possam seguir com o plano original e esse novo sem termos perdas significativas.
— Concordo com isto – Wendy anunciou, posicionando-se ao meu lado.
— Se minha palavra vale de alguma coisa, Juvia concorda também – a azulada comentou, parcialmente virada para nós, no batente da porta.
— Óbvio que vale algo, Juvia. É parte do time – Gray resmungou, fazendo com que a moça corasse.
— Já tem uma ideia de como podemos nos dividir, Levy? — Lucy pediu, acalmando-se.
Sentei-me e fiz com que os demais me imitassem. Isso poderia ser rápido como também poderia demorar um bom tempo.
— Vamos começar por Gajeel – falei, fazendo com que o moreno erguesse uma sobrancelha – ele é uma peça fundamental para o ataque a Crocus por ter conhecimento do labirinto no subsolo, assim precisa seguir adiante com o plano original.
— É verdade – ele concordou, calmo.
— E você vai junto dele – Natsu constatou o óbvio olhando para mim.
Dei um pequeno sorriso antes de continuar.
— Eu posso ir atrás do outro grupo – Gray comentou, indicando com a mão direita os dois rebeldes presos lá fora.
— Certo. E Lucy precisa ir conosco, pois ela como Rainha tem que estar presente durante o ataque – continuei – Wendy pode ir com Gray como apoio – sugeri, olhando para os dois significativamente.
Gray ainda possuía a doença e após aquele ataque no bosque Wendy ficava sempre ao seu lado, com medo que o ocorrido viesse a se repetir.
— Então Natsu pode vir conosco para balancear a força, pois acredito que Juvia queira ir com Gray – Gajeel pontuou, recebendo um aceno da azulada na porta.
Vi que Natsu estava dividido, ele queria ir com Gray e descontar sua raiva nos rebeldes, mas ao mesmo tempo não pretendia deixar Lucy. Comecei a abrir a boca para falar, porém Gajeel pousou uma mão em minha perna, sutilmente me pedindo silêncio.
— Natsu preciso que você fique perto da Lucy, pois em uma batalha a Rainha necessita de proteção extra – ele falou, olhando para o rosado.
O Dragneel entendeu a deixa na fala de Gajeel. Em uma batalha o Príncipe se preocuparia com seu irmão e comigo, com isso Lucy ficaria exposta ao inimigo, mas com Natsu por lá ela estaria mais segura.
— Certo – Natsu concordou.
— E sobre esses rebeldes? — Juvia pediu, após notar que a discussão anterior havia sido permanentemente encerrada.
Levantei-me e espreguicei-me de leve antes de respondê-la.
— Quanto a isso, tenho uma sugestão – comentei, pegando um certo livro que estava folheando quando a discussão se iniciou – vamos lá – incentivei, saindo da biblioteca.
(…)
— Levy, pretendo ser seu amigo até a morte – Natsu sussurrou, olhando os dois rebeldes com as sobrancelhas levantadas.
Gray soltou um riso, se divertindo com a careta do companheiro, antes de partirem com os dois desacordados para longe.
A solução que encontrei foi apagar as memórias recentes dos dois rebeldes, pois não poderíamos deixá-los na cela precariamente improvisada e tão perto do nosso recém-descoberto tesouro literário. Por isso, com o auxílio do antigo proprietário do local, descobri um método interessante de nublar as memórias recentes.
Com um pedaço de pergaminho escrevi a palavra esqueça pensando nos eventos que deveriam ser apagados. Depois, forçamos os dois a engolir o pergaminho com a Magia impregnada nele. Aparentemente, enquanto o feitiço fazia efeito, as vítimas tendiam a ter convulsões. Precisamos esperar o ataque dos dois se acalmar para levá-los para fora da cabana.
Gray, Natsu e Gajeel os deixaram amarrados a uma boa distância do local, quase duas horas a pé dali. E enquanto eles se ocupavam de despistar Karen e Zancrow, enquanto o restante de nós que ficou para trás fazíamos uma varredura na biblioteca, pegando todos os itens que achávamos necessários para a nova viagem.
Juvia armou-se com várias algemas e alguns frascos contendo líquidos diferentes. Segundo a Maga, esses líquidos tinham propriedades interessantes a serem usadas em uma luta. Wendy pegou alguns livros sobre medicamentos e certos ingredientes que haviam no local. Lucy se contentou com o chicote que lhe entreguei, dizendo que aquele item lhe bastava.
Quanto a mim, encontrei uma bolsa que permitia levar uma infinidade de coisas sem pesar, e apossei-me de vários livros. Estávamos quase saindo do local quando notei uma espada dentro de um caixote de vidro. Aproximei-me dela, reparando nos detalhes impecavelmente gravados na lâmina.
— Cheney – sussurrei, lendo a escrita no cabo da espada.
Lucy veio ao meu lado e fez um som parecido com engasgo.
— Lucy? — pedi, preocupada.
Minha amiga balançou a cabeça, dispensando minha ansiedade.
— Você sabe o que essa palavra significa Levy?
— Cheney? Não.
— Cheney era o sobrenome de solteira da mãe de Rogue e Gajeel – ela explicou, o olhar fixo na espada – meu pai uma vez comentou comigo que corriam boatos de que os antepassados dos Cheney eram Magos, mas que o Rei havia negado isso.
A fala de Lucy me fez pensar bastante, algo que vinha incomodando tanto a mim quanto a Gajeel a um bom tempo. Ele sempre se perguntava o motivo de ser Mago e o restante da sua família não ser. Fitando aquela espada me veio uma hipótese.
— O boato pode ser verdadeiro. Se os antepassados da mãe deles fossem Magos, a Magia correria nas veias da Rainha e consequentemente poderia ter sido passado para eles, o que explicaria o fato de Gajeel ser um.
— Todos os itens que encontramos aqui tem relação com Magia, então essa espada é uma prova de que os Cheney eram Magos – a loira concordou, seguindo a mesma linha de pensamento – mas, você não comentou algo sobre a Magia puxar a genética? Gajeel não deveria ser uma cópia da mãe dele neste caso?
Balancei a cabeça, negando.
— A Magia puxa a genética quando o pai for Mago. Meu pai era um e por isso tenho as características físicas dele, como o cabelo e a cor dos olhos. Neste caso, a mãe deles é quem seria Maga, assim Gajeel pôde herdar as características dos dois sem problemas – respondi.
— Isso quer dizer que Rogue pode ter sangue mágico nas veias? — ela indagou, pensativa.
Uma memória me veio a mente naquele momento, fazendo meu coração ficar triste. Mordi os lábios, chateada com a possibilidade que estava sendo jogada na minha face. Lucy percebeu a minha mudança de clima, pousando uma mão em meu ombro.
— O que houve?
Respirei fundo antes de contar-lhe sobre a memória.
— Logo que retornamos ao Castelo após o incidente do baile, com toda a verdade sobre os Magos ser revelada e a investida de Erza, Rogue estava preocupado sobre como defender a todos de maneira eficiente. Ele queria saber se existia a possibilidade ele ser um Mago, um que não tivesse os poderes descobertos ainda. O que poderia ser possível já que não existe idade para a Magia vir a tona.
“Poluchka procurou por vários métodos que pudessem revelar se o indivíduo era um Mago ou não, afinal o antigo Rei deveria ter algo do tipo para poder sentenciar os Magos da época, e acabou encontrando uma receita de uma poção que ao ser ingerida a pessoa tem duas reações, desmaio se fosse normal e uma coceira de fosse Mago. Rogue desmaiou, mostrando que ele não tinha nenhum indício de Magia nele.”
Lucy compreendeu o que aquilo dizia e chegou a mesma conclusão que eu.
— Então Rogue… — ela não conseguia nem pronunciar.
— Ele não é filho da Rainha – completei sua frase.
Uma solitária lágrima desceu pelo rosto de Lucy. Seu olhar era triste ao contemplar a arma no caixote. Conseguia imaginar o que se passava em sua mente, pois se passava na minha também. Rogue desde a infância sofreu repetidamente, primeiro veio o falecimento daquela que até então conhecíamos como sua mãe, então seu irmão foi levado para longe, viveu anos ao lado de um pai mais fechado e com o peso da coroa em seus ombros, quando finalmente podia se dar o luxo de amar a garota por quem se apaixonara foi prometida a outro. Eram tantos momentos que poderiam ter derrubado qualquer pessoa, mas Rogue permanecia de cabeça erguida e um sorriso cálido na face.
— Ele jamais deve saber disso – Lucy entoou, séria – jamais.
Percebi pelo seu tom de voz a necessidade de protegê-lo.
— É claro – concordei.
Secando a lágrima com o dorso da mão, minha amiga virou-se para mim.
— Mas, Gajeel pode precisar dessa espada. Acho que ela cabe na sua bolsa maravilhosa.
Dei um pequeno sorriso e ergui as mãos para o caixote.
— Ajuda? — pedi, erguendo uma sobrancelha.
— Como quiser, minha cara.
(…)
Faziam dois dias desde a nossa separação. E desde então não estava mais conseguindo contatar minhas visões. O fato de estarmos em menor número e com humores distintos fez com o que o meu também piorasse. No fundo, sentia que essas visões me entregavam uma vantagem e que consequentemente dava-me a impressão de ser reconhecida estrategicamente pelos meus companheiros. E agora sem elas ao meu uso sentia-me um peso morto nessa campanha.
Gajeel por várias vezes tentou me fazer falar sobre o que me preocupava, mas por um certo orgulho mantive isso para mim. O que era um gesto feio, pois era a minha pessoa quem vivia dizendo ao Gajeel para contar comigo e desabafar quando precisasse, sempre criticando sua pose fechada. E voialá, eu estava fazendo o mesmo que ele fazia antigamente.
A verdade era que eu sentia vergonha de externar essa inquietação sobre as visões, de achar-me de certo modo inútil sem elas. Já pressentia o discurso que meus amigos fariam, comentariam que é fruto da minha mente esse medo, que eu tinha muito mais valor do que as visões, e quão era preciosa pro grupo. E eu não queria essa compaixão.
Deuses, eu sou tão confusa!
Perdida nos pensamentos conflituosos, acabei por fixar minha visão no chicote preso a cintura da Lucy enquanto ela prendia seu cavalo nessa nova pausa para descanso. Foi olhando o objeto de luta dela que comecei a ver uma saída para minha ociosidade e depressão. Procurei por Gajeel e não tardei a lhe achar, escorado em uma árvore só a me observar.
— Preciso da sua ajuda em algo – comentei, levantando-me.
— Enfim decidiu me incluir nos seus problemas? — havia uma leve ironia no tom da sua voz, dando-me a pista de que havia se irritado com a minha reclusão – Talvez eu tenha outras coisas para fazer agora – finalizou, dando alguns passos para longe de mim.
Muito bem, ele estava furioso comigo.
— Não tiro sua razão de estar zangado, Gajeel – comecei, apressando os passos para lhe acompanhar – fiz exatamente o que criticava em você. Mas, eu queria encontrar uma saída sozinha, entende?
O moreno soltou um suspiro, porém não parou o caminhar.
— Esse é o seu grande problema. Sempre quer resolver tudo sozinha, sem auxílio de ninguém, querendo provar sua independência e força. A essa altura da vida, com tudo o que estamos vivenciando, já devia saber que sozinho não é a melhor estratégia de se vencer os obstáculos.
— Não quero ser um peso morto – enfim coloquei para fora – Você, Lucy e Natsu podem lutar muito bem, sabem estratégias de guerra e tem uma aura de liderança os envolvendo. Não possuem medo de arriscar e mesmo que falhem, tentam novamente. E quando a mim? Sou uma garota com uma pena e tinteiro que pode fazer truques, mas num ataque mal consegue ajudar os amigos. Lá na cabana, vocês estavam lutando contra os rebeldes e eu estava na porta olhando.
Abaixei minha cabeça, escondendo o rosto provavelmente vermelho. Então duas mãos fortes apoiaram-se nos meus ombros, puxando-me para frente. Encostada em seu peito pude esconder as teimosas lágrimas que desciam pelo meu rosto. Seus braços rodearam-me e seu queixo se apoiou em minha cabeça, dando privacidade para meu choro.
— Levy McGarden é muitas coisas. Esperta, corajosa, fiel, companheira, carinhosa. Mas, inútil jamais foi e nunca será. A pessoa por quem me apaixonei é capaz de transformar os defeitos das pessoas em algo para elas batalharem. Aquele Gajeel de antes não abraçaria sua Magia e consequentemente não conseguiria salvar o seu irmão. Agora, eu possuo uma chance. Você faz mais do que imagina, Cariad.
Rodeei sua cintura com meus braços e apertei-lhe. Aquelas palavras pareciam bálsamo em minhas feridas emocionais, pouco a pouco aliviando minhas inquietações.
— Obrigada, Caru— sussurrei.
Gajeel passou as mãos pelo meu cabelo, fazendo leves afagos enquanto eu me acalmava.
— Então, qual era a ajuda que precisava? — ele pediu após um bom tempo em silêncio.
Respirei fundo e separei-me dele. Pousando as mãos na cintura, olhei-lhe firmemente.
— Quero que me ensine a lutar.
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