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25 Capítulo 24 - Lucy


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Capítulo 24

Lucy

As duas semanas que se passaram após a brusca chegada de Gildarts foram intensas. O conselheiro se recuperava de seus ferimentos em um quarto particular na enfermaria, sendo cuidado por Poluchka e Wendy, que se revezavam para não ficarem sobrecarregadas. Era surpreendente como a pequena Wendy conseguia manter o ritmo sem desmaiar.

Meu estado de inquietação só aumentou quando anunciaram que fariam um grupo de busca, com o objetivo de averiguar todos os pontos possíveis para os acampamentos dos Rebeldes Vermelhos, e em parte para ter alguma pista sobre Kana, a filha de Gildarts, pois segundo o relato de Kagura, ela estava gravemente ferida e a beira da morte enquanto ajudava a outra a escapar do cativeiro, o que a fez crer que ela havia falecido, mas o restante do pessoal teimava em ter esperanças que não. Eu não sabia o que pensar sobre a garota, pois via a convicção nos olhos de Kagura.

Mas, o motivo principal do nervosismo não era apenas que mais soldados ficariam de fronte os soldados de Erza, e sim que Natsu tinha se voluntariado para ir junto deles, tornando-se líder dos três grupos de busca. Foi Levy quem acabou me contando sobre isso, pois estava presente na sala de reuniões do Rei quando Natsu se voluntariou.

Rogue finalmente havia convocado uma assembleia com todos os conselheiros e pessoas importantes em Fiore para relatar sobre os dois grupos de Magos. Gajeel e Natsu concordaram em se expor para eles, contando sobre suas vidas e que jamais usaram seus poderes contra o reino, e sim a favor deles. Gray, o líder dos Revolucionários, como se auto proclamavam, tinha aparecido na assembleia. E junto de Wendy, eles colocaram quais eram os ideais do seu grupo e como estavam protegendo a todos dos Rebeldes Vermelhos pelas sombras.

Com todas essas revelações o clima dentro do Castelo ficou intenso. Logo após as revelações podia-se ouvir várias fofocas pelos corredores, principalmente sobre o Príncipe de Fiore. Entretanto, maravilhosamente, a maioria se referia ao fato de que ele era uma boa pessoa e que sempre ajudava a população. Juntando ao bom governo de Rogue, a reputação de Gajeel e Natsu, e a vontade dos Revolucionários em combater os Rebeldes Vermelhos, a Lei estava sendo reanalisada. Mesmo assim, ainda haviam aqueles conservadores que queriam manter as coisas como estavam. Chegaram a ameaçar Rogue, dizendo que cortariam suas ajudas com ouro e homens, entretanto essas ideias foram mudando pouco a pouco, com os crescentes ataques dos Vermelhos em suas fazendas em busca de alimentos.

Um grande fator que realmente fez com que a Lei finalmente começasse a ser reescrita foi Natsu se voluntariar, junto de vários Magos dos Revolucionários. Notícias sobre seus avanços chegavam a cada dois dias por meio de Fogo Púrpura, um método criado por Romeo, um mago do grupo de Gray, para comunicação rápida. Precisava-se apenas de uma lareira batizada por Romeo para que as cartas chegassem intactas dentro das chamas arroxeadas.

E era em frente a uma dessas lareiras que eu me encontrava sentada no momento. Eram três no total, uma no aposento privado de Rogue, outra na sala privada de reuniões e a terceira era na sala de estar da Ala Real, onde eu fitava o fogo. Já havia completado dois dias após a última notícia dos grupos de busca, e nesse último relato constou que o grupo de Natsu havia se ferido ao confrontar um dos acampamentos Vermelhos. Levy estava ao meu lado, com Lily no colo, lendo um livro sobre Magia Script. Desde que toda essa questão de Magos veio a tona, ela tinha a liberdade de estudar sua Magia.

— Ele provavelmente está bem, Lucy – Levy comentou, abaixando o livro – você sabe que quando algum membro dos grupos morre, que por sinal só ocorreu duas vezes, o fogo fica de cor cinza e esse aqui – ela indicou o fogo que crepitava na lareira – ainda é roxo.

Soltei um suspiro pesado.

— Eu sei, Levy. Mas, ainda não consigo deixar de me preocupar. E se eles foram atacados de surpresa por Erza? Eles ainda estavam se recuperando do último confronto – desabafei.

Minha amiga inclinou-se para meu lado, pousando uma mão em meu ombro.

— Não quero ser chata, mas sabe que está dando muito sinais, certo?

Assim que Levy havia me contado sobre Natsu ter partido com os grupos, minha reação fez com que ela se perguntasse o que estava ocorrendo. Foi então que lhe confidenciei meus sentimentos conflituosos em relação ao rosado, sobre como eu me pegava pensando nele com frequência, que meu coração disparava feito louco quando estava perto dele, do quão assustada eu ficava sobre a possibilidade de ele se machucar, seja por confrontos ou pela doença. Foi Levy quem me disse a verdade de que eu estava começando a me apaixonar por Natsu.

O que era deveras perigoso, já que estou comprometida com o Rei. E um Rei que estava se esforçando para que a questão dos Magos fosse bem-aceita. Uma situação onde sua noiva fosse pega suspirando por um amigo próximo, que por sinal havia se declarado Mago recentemente, seria um tremendo golpe.

— Vamos dar uma volta – sugeri, saindo de perto da lareira.

Mesmo com a partida de várias pessoas nos grupos, o Castelo ainda abrigava uma boa quantia. Alguns senhores resolveram ficar para acompanhar as buscas e a reescrita da Lei, trazendo suas famílias para morar temporariamente no Castelo, após a notícia dos raptos as pessoas ligadas a Gildarts vir a público, tinham medo que o mesmo ocorresse com eles.

Minhas bochechas doíam de tantos sorrisos que tive de dirigir a todos que encontramos pelos corredores. Praticamente suspirei aliviada quando paramos no Jardim da Rainha, longe dos olhares dos demais. Levy estava olhando algumas rosas quando ficou tensa.

— O que houve? — pedi, chegando ao seu lado.

— Ele – ela respondeu, indicando com a mão o homem que caminhava apressado pela passarela do Jardim.

Era Gajeel.

— Ainda te evitando?

Levy soltou um bufo, irritada.

— Sei que as coisas andam agitadas por aqui ultimamente, mas ele sempre parece ter uma boa desculpa para adiar nossa conversa – ela resmungou, estreitando o olho para o Príncipe que já estava nas portas do Jardim que davam para o restante do Castelo.

— Ah, mas é que você morar no coração dele é perigoso, Levy – zombei.

Ela havia me contado sobre a conversa que os dois tiveram a duas semanas, sendo interrompidos por Gildarts e seus ferimentos.

— Sabe o que é mais estressante? Eu nem mesmo tenho a certeza de que aquilo foi uma confissão – Levy jogou as mãos para o alto, frustrada.

— Quer trocar de vida amorosa? — brinquei, arrancando-lhe um riso.

— Dispenso – retrucou.

Sentei-me no banco próximo de onde estávamos e aproveitei a leve brisa que corria pelo local. Levy sentou-se na grama mesmo, seu vestido era de cor escura permitindo-lhe isso. Lily que tinha sumido por alguns instantes, deitou-se ao seu lado.

— Você está melhor? — minha amiga perguntou mudou de assunto, a voz levemente preocupada.

Levy tinha cuidado de manter a voz neutra, mas eu sempre pegava os tons de sua preocupação quando o assunto se tratava da doença.

— Não tenho febre a quatro dias – informei-lhe.

— Eu vi Sting levar compressas para seu quarto ontem, Lucy. Não minta – os olhos de Levy eram afiados.

Soltei um suspiro. Sabia que era inútil mentir para ela, mas eu tentava a todo custo diminuir inquietação.

— Era mais uma dor de cabeça do que febre. Fique tranquila.

Além de Levy, apenas Lily, o fiel companheiro dela e de Gajeel, sabiam da minha situação. Tornou-se claro que não poderíamos esconder do metamorfo, já que ele vivia grudado em minha amiga. Por sorte, ele jurou segredo sobre isso e até hoje se mantinha firme no juramento.

— Eu não consigo achar nada – Levy comentou em voz baixa, pousando a cabeça entre os joelhos dobrados – já li todos os livros que Rogue encontrou e virei esse – indicou o livro de Script – de cima a baixo e não achei absolutamente nada que pudesse te ajudar.

— Já lhe pedi para parar de procurar – retruquei.

Já havia me conformado que tinha essa doença e que não existia cura. Durante um bom tempo mantive esperanças de encontrar uma cura, vim até Fiore crente que acharia o que queria, mas depois de tantas decepções, preferiria não criar esperanças e depois acabar em nada. Por isso pedi para Levy parar de procurar uma cura, por mais que doesse nela e em mim.

Assim, Sting e eu amenizávamos os sintomas da melhor maneira possível, e até o momento estava dando certo. Nossa preocupação era quando eu estivesse casada com Rogue e não conseguisse manter as coisas em segredo dele.

Já devia saber que ela é teimosa e não vai parar nunca – Lily resmungou, olhando-me afiadamente.

Eu ainda estava me acostumando ao fato de que ele era um metamorfo e que falava. Quase havia desmaiado no dia em que o ouvi pela primeira vez, e ainda hoje levo pequenos sustos quando ele decidia se pronunciar.

Eram poucas vezes que Lily conversava, pois as pessoas ainda não sabiam sobre ele. Rogue, Natsu e Gajeel decidiram que era cedo para contar sobre Lily para a população, afinal, tinham coisas que eles ainda não estavam suficientemente preparados para receber.

— Eu sei, Lily – respondi.

De repente ele levantou-se e ficou em estado de alerta. Não demorou muito e ouvimos uma ligeira comoção. Levy e eu fomos em direção ao barulho e nos deparamos com vários guardas correndo para a Ala Oeste, onde ficavam os alojamentos dos guardas.

— O que está ocorrendo, rapaz? — pedi a um deles que passava por nós.

O rapaz fez uma reverência apressada para Levy e outra para mim antes de falar.

— Um grupo voltou, parece possuem prisioneiros e precisam colocá-los nas celas do Castelo antes de voltarem para o campo, Alteza.

— Sabe me informar qual grupo retornou? — questionei.

— Do Senhor Natsu, Alteza.

Levy pegou a minha mão e sorriu para o guarda.

— Obrigada pelas informações, não queremos lhe atrapalhar mais – ela falou, liberando o rapaz que prontamente correu junto aos demais – vamos avisar Rogue – completou me puxando.

Deixei que ela me levasse, pois era o certo a se fazer. Internamente eu sabia que se ela não estivesse me puxando, eu correria junto dos guardas em direção ao grupo.

(…)

Se havia algo que eu detestava fazer era procurar por pessoas, elas tendiam a desaparecer quando precisavam ser encontradas. Após Levy e eu informarmos a Rogue sobre a chegada do grupo de Natsu, ele gentilmente me pediu que fosse encontrar Gray e levá-lo para as masmorras. Eu poderia negar, é claro. Mas, a parte de mim que gosta de ajudar os demais prevaleceu e aqui estava eu andando apressada pelos corredores em busca do líder dos Revolucionários.

— Onde você está? — murmurei, ficando irritada.

Pausei o ritmo por alguns segundos em um setor com vários corredores, decidindo por qual seguir. Então uma cabeleireira escura apareceu brevemente no corredor a minha esquerda. Pegando a pequena pista e rezando para que fosse quem procurava, segui por aquele caminho. Imagine minha decepção quando descobri que a pessoa era ninguém menos que Kagura. Ela carregava uma travessa cheia de comida, provavelmente levaria para Gildarts.

— Olá, Princesa. Como vai? — saudou-me cordialmente quando me avistou.

— Olá, Kagura. Vou bem e você? — respondi por educação, mesmo que a verdadeira vontade fosse ir para longe de seus olhares invejosos.

Estava começando a achar que ela não gostava de nenhuma pessoa do sexo feminino dentro do Castelo.

— Levando um pouco de alimento para Gildarts – comentou, erguendo a travessa.

Dei um sorriso, meu palpite estava correto.

— Desculpe-me interrompê-la, mas por acaso sabe onde o Sr. Gray está? Rogue precisa conversar com ele – pedi, pois não fazia mal perguntar.

— Sei sim, ele está com Gildarts nesse momento. Ele se ofereceu para vigiá-lo enquanto eu passava na cozinha para pegar comida.

Finalmente!

Kagura e eu fomos juntos para a enfermaria, uma conversa calma sobre tipos de alimentos embalou o caminho, cada uma fingindo apreciar a presença da outra, mesmo que quiséssemos fugir no mesmo instante que nos vimos. Da minha parte por não gostar do modo como ela me olhava, e ela pelo fato do meu noivado.

— Sr. Gray, a Princesa precisa falar contigo – Kagura comentou para o rapaz escorado na parede oposta a porta assim que adentrou no recinto, onde o enfermo estava repousando.

Apesar do tempo que ele estava no Castelo, nunca tive uma oportunidade de olhar realmente para Gray. Ele era um pouco mais alto que a maioria dos homens daqui, possuía um belo físico e um ar maduro. Os cabelos eram negros e desorganizados, como se não ligasse para sua aparência. As roupas eram simples, mas de algum modo conseguiam passar a impressão de poder. Havia uma pequena cicatriz na têmpora esquerda, dando-lhe um ar mais perigoso. Certamente seria o tipo preferido de minha prima, Yukino.

— Sr. Gray, o Rei pediu-me que lhe informasse sobre uma reunião nas masmorras – informei-lhe assim que estávamos fora do aposento, a sós.

— Aconteceu alguma coisa, Alteza? — um leve arrepio involuntário subiu pelos meus braços com o tom grave de sua voz. Definitivamente ele seria o tipo de Yukino.

— Um grupo de busca retornou temporariamente – respondi, começando a caminhar, pois precisava levá-lo ao local pedido – aparentemente fizeram prisioneiros.

— Fonte de informações sobre os rebeldes, provavelmente – ele comentou, seguindo um pouco atrás de mim, conforme exigia a etiqueta da corte.

— Penso assim também – concordei, dando espaço para conversa – confesso que estou curiosa sobre quem são.

— Curiosa para ver os rebeldes?

Olhei para ele por cima dos ombros, erguendo as sobrancelhas.

— Já os vi, Sr. Gray. Fui raptada, lembra? O que me traz curiosidade é se são os mesmos que já conheci – falei, sorrindo.

Gray imitou meu gesto, e confesso que ele conseguia ter um ar ainda mais confiante sorrindo.

— Ah, claro. Que gafe a minha – anunciou.

— É compreensível que tenha esquecido, pois teve muita agitação em sua vida ultimamente.

— Agitação é um modo interessante de descrevê-la. Resgates, lutas, um ataque ao meu esconderijo, reuniões sobre Magos, e agora a reescrita da Lei – ele comentou, despreocupado.

— Levy me contou sobre o ataque. Como conseguiu escapar se eles estavam de olho no senhor? — pedi algo que vinha incomodando Levy e a mim.

Aproveitei uma curva no corredor para espiar a reação dele com a pergunta. Seu rosto tornou-se sério e pensativo.

— Por favor me chame por Gray, o título de senhor me dá impressão de que sou um velho – começou a falar após um tempo em silêncio – e respondendo a sua pergunta, havia um pequeno dispositivo em minha sala que alertava qualquer divergência no prédio. Assim que o dispositivo tocou, sai para averiguar e acabei escapando por um triz do ataque. Felizmente consegui ajudar meus companheiros a fugir do local, mas como nem tudo dá completamente certo, alguns perderam-se na confusão. Como Wendy e Levy por exemplo.

— Lamento pelos seus companheiros perdidos, Gray – disse, enquanto chegávamos as portas das masmorras.

Completamos o caminho até onde Rogue estava com a ajuda de um guarda do local. Ele estava no setor para Magos das masmorras. Esse setor havia sido criado pelo Rei idealizador da Lei, feito especificamente para prender Magos. O engraçado era que ele foi construído com Magia, coisa que aquele Rei em questão abominava.

Além de Rogue, também estava presentes Gajeel, Natsu e Poluchka. Os quatro estavam voltados de frente para uma cela pequena, onde uma mulher repousava sentada no chão frio e pegajoso do local.

— Agradeço pela sua presença, Gray – Rogue saudou o líder, dando um aperto de mãos.

Posicionei-me ao lado do Rei, e sem querer, de Natsu também. O rosado me dirigiu um pequeno sorriso. Um alívio lavou meu coração ao vê-lo inteiro e vivo. Haviam alguns cortes em seu rosto que precisavam ser lavados e receber uma dose do unguento de Poluchka, mas de resto ele estava bem.

Abri a boca para saudá-lo, quando Natsu indicou com a cabeça a cela a nossa frente. Foi então que lembrei-me da mulher. Minhas sobrancelhas se ergueram em surpresa ao notar que a prisoneira era Juvia, a Maga das águas.

— Pode injetar, Poluchka – Rogue ordenou, abrindo a porta de grades da cela.

O comando me fez prestar mais atenção ao que ocorria. Juvia estava presa pelas mãos e pés por grilhões repletos de símbolos estranhos, impedindo que usasse Magia, que acederam quando ela tentou puxar-se para longe de Poluchka que se aproximava dela com uma espécie de injeção. Uma agulha estava conectada a um comprido frasco cheio de líquido leitoso.

Mesmos com os protestos abafados pelo pano sujo amarrado em sua boca, a velha conseguiu injetar em seu pescoço o líquido. Apesar dos danos que a Maga havia feito em mim e Natsu, não consegui de deixar de me sentir um pouco triste com a sua situação.

— Juvia não vai contar nada.

Maga pronunciou-se assim que a mordaça foi retirada. Sua voz era rouca, como se não tomasse água a dias. Seu estado era tão ruim quando a voz, suas roupas estavam rasgadas em vários lugares, haviam cortes por suas pernas e braços, o cabelo azul estava sujo e embaraçado. Passava longe da memória da moça bem-vestida que encontrei no cativeiro dos rebeldes.

— Não é de sua vontade, garota. A poção vai lhe forçar a contar toda a verdade – Poluchka pronunciou, ácida – devo lhe advertir que quanto mais resistir, maior será a dor.

Um arrepio desceu por minha espinha com aquela informação. Olhei para Rogue e vi que seu semblante era sério, algo dentro de mim ficou com um pouco de medo dele, afinal aquela era sua pose de Rei, um Rei que faria o necessário para o bem de seu reino.

Senti uma mão afagar a minha de leve. O gesto foi tão rápido que poderia ser até minha imaginação. Porém, o olhar de Natsu me mostrava que ele sentia o mesmo que eu, indicando que seu conforto não havia sido coisa de minha mente.

— Qual o objetivo de Erza? — Rogue perguntou, sério.

Juvia dobrou-se, os grilhões brilharam indicando que estava tentando usar Magia.

— Melhor responder, garota – Poluchka aconselhou.

— Juvia… não… vai… trair… Erza-sama – a Maga gritou cada palavra, como se algo rasgasse dentro de si para falar.

Pelo canto dos olhos vi Gray estremecer de leve.

— Não dificulte as coisas, fale logo – ele comentou, entrando na cela e abaixando-se no nível dos olhos dela – qual o objetivo de Erza? — repetiu a pergunta de Rogue.

— Ser rainha – Juvia respondeu, sua voz era triste.

— Disso nós já sabíamos – Gajeel disse, cruzando os braços.

Sua pose era de uma pessoa séria, mas seus olhos diziam que não se sentia confortável com o que afligia a moça. Internamente soltei um suspiro de alívio, pois a pessoa que minha amiga se apaixonou não era um babaca insensível.

Percebi qual era o plano de Juvia. A poção forçava ela a dizer a verdade, ela poderia responder algo relacionado a pergunta e que era a verdade, mas ainda sim não dar a resposta que a pessoa perguntava. A chave para esse questionamento dar certo era fazer as perguntas corretas para se obter as respostas desejadas.

— Qual a arma que Erza pretende usar contra o Rei e seus seguidores? — pedi, suavemente.

Juvia me olhou com raiva, notando que eu havia fisgado sua tática, logo em seguida seu olhar mudou para malicioso.

Lucy, sua burra!

Eu quis gritar em frustração. Ela poderia muito bem usar isso contra mim, falando da minha Magia em frente de todos aqui.

— O que essa arma faz que pode suprir o objetivo de Erza? — Natsu perguntou rapidamente, dando um passo a frente, ocultando-me parcialmente da visão de Juvia.

Ele havia tido o mesmo tipo de pensamento que o meu e tomou a frente, fazendo com que a sua pergunta se sobrepusesse a minha, impedindo que Juvia pudesse falar sobre minha Magia. Nunca quis tanto beijar ele como queria naquele momento.

Juvia percebendo que perdera seu trunfo, tentou resistir a pergunta. As veias de seu pescoço e têmporas saltaram, ela soltou um grito lamurioso que ecoou por toda a masmorra.

— Não lute – Gray aconselhou, ainda ao seu lado.

Mas, Juvia continuava a lutar. Suas mão apertaram sua barriga com força, os nós dos dedos começaram a ficar brancos.

— Não… vou… trair… — sua voz era quebrada, fraca.

Ela interrompeu-se para vomitar o pouco que tinha no estômago.

— Responda! — Rogue urrou, aproximando-se da cela.

Arregalei os olhos e dei um passo para longe dele, chegando mais perto de Natsu. Ao mesmo tempo Juvia gritou mais uma vez, resistindo. Vi com horror um filete de sangue sair de seu nariz.

— Pelos Deuses, pare!

— Rogue!

— Ela vai desmaiar!

Os gritos de Gajeel, Natsu e meus se juntaram, trazendo um certo caos ao local. Gajeel prontamente agarrou seu irmão e começou a levá-lo para longe da cela. Gray amparou a Maga que perdia as forças, e Poluchka obrigava a moça engolir um líquido preto que retirou de seus inúmeros bolsos.

— Faça ela engolir! Vai parar os efeitos da poção – ela comandou para Gray, que abriu a boca da Maga, ajudando Poluchka.

Gajeel já tinha arrastado Rogue para longe, mas podia-se ouvir suas vozes zangadas pela discussão que travavam.

— Vamos sair daqui.

Natsu gentilmente guiou-me pelo cotovelo para fora da masmorra, enquanto os outros dois terminavam de deitar Juvia em cima de uma cama de palha.

Notas finais
E então? O que acharam de tudo isso? Várias coisas acontecendo por aí não é mesmo, haha. Qual será a arma que Erza pretende usar? Alguma teoria? Fico no aguardo dos seus reviews. Beijos!