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17 Capítulo 16 - Lucy


Notas iniciais
Estou aliviada de conseguir cumprir com o acordo de um capítulo por mês essa vez! (tá um dia atrasado, mas vamos revelar isso, haha). Gostaria de agradecer a todos que vem comentando e me incentivando a continuar com a história, fico muito feliz com isso! Obrigada de verdade. Não vou me alongar aqui, pois esse capítulo tá (como diriam meus leitores e minhas leitoras) muito tretoso. Um beijo, e nos vemos nas notas finais.

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Capítulo 16

Lucy



Prender a Magia é difícil e extremamente desgastante, mas tentar revivê-la após deixá-la trancada por anos é ainda pior. Cada pedaço do meu corpo doía e gritava por uma pausa, mas se eu desse qualquer sinal de desistência, Erza machucava algum cativo.

Ela tinha me colocado em uma sala bem afastada de onde estávamos presos, para me desorientar. Havia me deixado lá por um dia e meio para que eu pudesse puxar minha Magia de volta, mas quando viu que não tinha tido sucesso, culpou-me de descaso com a tarefa e que iria me trazer incentivos. Ela sabia que me negar descanso deixar-me-ia exausta e se conseguisse minha Magia de volta, não ofereceria muito perigo a eles.

Assim, ela mudou-me de novo de local, dessa vez mais sujo e fedorento, e trouxe duas garotas junto. Logo que ela ordenou que eu iniciasse a busca pela Magia, implorei por um descanso, estava esgotada e com sede. Sua resposta foi o estalar de chicote nas costas da mais velha das garotas. Meu incentivo era esse, se eu falhasse ou desistisse as duas garotas sofreriam. Erza sabia que eu não conseguia ficar parada quando um inocente era machucado.

Continuei a sussurrar o cântico sem parar, apertava minhas mãos em torno da barriga em uma tentativa inútil de diminuir a dor. Eu conseguia sentir um fiapo de Magia escondido, mas não estava tendo muito sucesso em puxá-lo para fora e fazê-lo mais forte. Desse modo, se não aparecesse algo forte o bastante para me fazer continuar, eu sucumbiria antes de usar os poderes.

E claro, os motivos de ter trancado isso ainda estava fresco na memória, o sofrimento que vivi ainda era fácil de ser lembrado. Se eu queria voltar a ver meu irmão? Claro. Amava-o. Ele era uma das poucas pessoas que se dedicavam a me dar carinho, e por isso era reprimido por nosso pai. Sem mim ele ficaria melhor, não precisaria pensar nas atitudes para que ninguém se machucasse, ele seria Rei e poderia ser livre. Quem sabe se eu sucumbisse eu também seria livre. Livre da dor, da vida cheia de mentiras, dos relacionamentos a base de interesses, livre de tudo o que odeio.

A Morte parece até atraente agora, pensei um tanto melancólica.

Então em meio a névoa de dor depressiva uma pequena chama se ascendeu. Dois rostos brilharam e sopraram em mim, trazendo um pouco de calor. Natsu e Levy sorriam para mim, foram aumentando seus brilhos conforme eu conseguia lembrar de suas feições. Suas presenças começaram a me dar forças, cutucando a parte lutadora de mim, instigando-me a não desistir.

Os dois haviam aparecido a pouco tempo em minha vida, mas haviam deixado uma marca forte. Era isso que estava se ascendendo e me trazendo para fora da escuridão. Eles estavam sendo um motivo para lutar, para não deixar as coisas como estavam. Eles acreditaram em mim, não iria desapontá-los. Ainda precisávamos ajudar as pessoas que estavam mantidas presas aqui, acabar com essa rebelião. Então, depois eu poderia descansar.

Cantei a última nota com força e ergui o tronco, disposta. Senti o fiapo dançar e se esticar, era a única chance que teria. Gritei, elevei minha voz ao máximo e abri os braços, puxando a Magia para fora. Eu a queria, eu a usaria.

Ao mesmo tempo em que a Magia se derramava pelas minhas veias, o teto rachava e começava a cair alguns pedaços. Enquanto eu ficava mais forte, as paredes tremiam. Todas as Constellationibus responderam ao meu chamado como se nunca tivéssemos nos distanciado.

Sabia que essa surpresa não duraria muito e que Erza logo se recuperaria e tomaria o controle novamente, essa era uma chance única e não poderia ser desperdiçada.

— Venham a mim, Lupus e Pegasus! Dou início aos seus serviços! – Ordenei em tom alto, chamando meus velhos amigos.

Dois pilares de luz apareceram ao meu lado, um a direita e outro a esquerda. Erza me olhou com raiva e se apressou em pegar sua espada caída. Eu precisava ser rápida, tanto para detê-la quanto pelo estado que o local se encontrava, não sabia quanto tempo ele suportaria.

Lupus, o Lobo, saiu de seu pilar e correu em direção a ruiva, atendendo aos meus pedidos. Ele conseguia sentir quando e a quem precisava atacar, assim não precisava verbalizar o pedido, dando uma vantagem em frente ao adversário.

Ele conseguiu afastá-la da espada e se esquivava facilmente dos golpes. Sua pelagem preta se mesclava com as sombras do recinto, tornando difícil enxergá-lo bem. Seus dentes passavam a centímetros da pele dela, sempre perto de acertá-la. Seus olhos em tom de rubi eram dois pontos cintilantes naquele breu.

Pegasus, o cavalo alado, permaneceu ao meu lado. Ao contrário do Lobo, ele não sentia meus pedidos. Virei-me para ele e acariciei sua pelagem branca com saudades. Ele abaixou sua cabeça em cumprimento. Seus cascos deram batidinhas no chão, lembrando-me do pouco tempo que possuíamos.

— Quero que ache o Natsu e o traga aqui – comandei, mostrando-lhe em pensamento o rosto do rosado.

Assim que soltei-lhe, Pegasus saiu trotando e arrebentou a porta, abrindo passagem. Eu sabia que ele encontraria Natsu rapidamente, ele era o melhor quando se tratava de buscar e também em fugas. Ele só precisava da descrição da pessoa, no meu caso conseguia lhe transmitir com o toque, por ser portadora das suas Stellarum.

Aproveitei que Lupus estava mantendo Erza ocupada e fui ajudar as duas garotas a escaparem. Em pouco tempo consegui desfazer suas amarras e as guiei porta afora. Queria ajudá-las mais, porém eu precisava me preocupar com os outros dois rebeldes que estavam na sala também. Eles já estavam voltando a realidade e logo tomariam atitudes. Peguei um pedaço da estrutura que havia caído do teto, fui em direção aos dois e lhes acertei na cabeça, desacordando-os.

Uma onda de fadiga começou a tomar conta de mim, ameaçando cortar a força da Magia e consequentemente encerrar os serviços de Lupus e Pegasus. Chamar os dois ao mesmo tempo exigia uma boa quantia e no estado que estou leva ainda mais. O Lobo sentiu o meu cansaço e atacou Erza com mais força e vontade, mas ela resistia. A ruiva havia tomado posse de sua espada e agora lutava de igual para igual.

Preciso Imobilizá-la.

Peguei a corda que antes prendia aquelas garotas. Fui aproximando-me devagar dos dois, tendo cuidado de não me machucar com seus ataques. Erza ainda não havia me notado, o que era uma coisa boa. Lupus a fazia rodar enquanto a atacava, sempre mantendo a visão dela pra longe de mim, permitindo-me chegar perto de suas costas.

Agora! Enviei meu pensamento ao Lobo, mostrando-lhe o que pretendia. Ele então pulou em cima da Líder da Rebelião e a forçou soltar a espada, mas Lupus acabou levando um corte nas costelas. Sem demonstrar dor, ele a segurou com seu peso.

Rapidamente fui amarrando-a, usando os nós que havia aprendido com Sting durante nossas caçadas. Ela teria dificuldades em se soltar, mas não era impossível. Assim que ela estava devidamente amarrada, liberei Lupus para que ele pudesse se recuperar. Ele ainda era o meu amigo fiel e protetor, mesmo com todo esse tempo de abandono. Uma pequena onda de remorso se abateu em mim.

— Parece que você ainda tinha um trufo escondido – Erza ironizou, a voz repleta de desprezo.

— Na verdade não. Mas, devo te agradecer por ter me ajudado a liberar minha Magia. Assim fica mais fácil te deter – Sorri-lhe, provocando-a enquanto procurava aquele pedaço que havia desacordado os dois rebeldes.

— Vá! Festeje essa curta vitória. Voltaremos a nos ver, e quando isso acontecer vou garantir que pagará por isso – vociferou, torcendo-se toda.

Mais um pouco e ela se soltaria. Porém, minha mão se fechado no item.

— Desculpe-me por isso, Erza – comentei, erguendo a mão com o pedaço.

Ela arregalou os olhos e tentou dizer algo, mas então bati com o item em sua têmpora. Eu não tinha muita força no momento, então o golpe foi o suficiente para desacordá-la. Fui arrastando-me para a porta, tentando guardar o máximo de energia para que os serviços de Pegasus não fossem liberados até Natsu chegar.

Fiquei olhando o corredor, buscando qualquer sinal deles. Pela demora só podia significar problemas. E problemas geralmente são guardas furiosos e cheios de armas. Cruzei os dedos em uma pequena prece, ficando mais agoniada a cada segundo.

— Lucy!

A voz de Natsu ecoou pelo corredor. Parte da dor foi esquecida pelo alívio em saber que ele estava bem. Segundos depois, o rosado apareceu montado em Pegasus. Eles estavam ofegantes, sinal que correram muito até aqui. Quão longe era esse local?

— Precisamos ir agora, ela pode acordar e não ficará feliz com tudo isso – falei, erguendo-me com o apoio da parede.

Natsu colocou a cabeça para dentro do recinto e soltou um assobio, admirado.

— Por favor, Princesa, lembre-me de nunca te irritar.

Nós então subimos em Pegasus, e o cavalo alado se apressou em sair do prédio. Quanto a mim, escorei-me nas costas de Natsu e me permiti ter alguns segundos de descanso.

Em minha inocência pensei que quando saíssemos do prédio estaríamos livres para fugir daquele lugar. Ah, como estava enganada.

Não avançamos mais que alguns metros quando guardas chegaram de todos os lados, cercando-nos. Enquanto olhava o nosso problema, senti uma fisgada de dor no abdômen que me fez soltar um lamurio. Era minha Magia se esgotando, a qualquer momento Pegasus seria liberto dos serviços e nós ficaríamos sem um jeito de fugir.

Merda.

— Natsu, precisamos passar por eles agora – sussurrei perto de seu ouvido com urgência.

O rosado entendeu meu tom e não questionou. Estava adorando o fato de ele não perguntas como um Pégaso chegou até ele e o trouxe a mim, ou como havia desacordado Erza e seus guardas. Era realmente prazeroso executar Magia sem ser reprimida e ainda poder confiar na outra pessoa, pois ela não iria te jogar em um calabouço assim que tivesse oportunidade.

Natsu incitou Pegasus contra os guardas, indo pelo lado esquerdo, onde eles eram em menor número. Os rebeldes não esperavam uma ação dessas, mas a vontade de sair dali era maior. Havíamos afastado boa parte deles e o caminho estava quase aberto, porém os demais se recuperaram do choque e vieram contra nós.

Outra fisgada me atingiu, dessa vez mais forte. Foi demais para mim continuar mantendo Pegasus aqui, seu chamado foi sendo cortado. Consegui lhe dirigir um olhar agradecido antes do cavalo alado desaparecer, fazendo com que Natsu e eu despencássemos no chão.

— Ouch!

Ouvi Natsu resmungar e massagear as nádegas. Já a mim, permaneci ao chão sem querer me mexer.

— Bom... acho que agora é minha vez, Princesa – o rosado comentou em tom brincalhão, confundindo-me.

Forcei-me a erguer o corpo, ficar jogada no chão não era muito digno depois de tudo o que havia feito para sair dali. Seja lá o que for que Natsu aprontaria, tentaria lhe ajudar.

— Falta pouco, certo? Nós vamos sair daqui – encorajei, tomando uma pose defensiva.

Os rebeldes fecharam o círculo novamente, seus rostos estavam sérios. Em meio a eles, uma figura se sobressaiu. Juvia, a Maga da água estava a poucos passos de mim e encarava-me com interesse.

— Ataquem eles logo, ou Juvia ficará irritada – bradou ela, apontando para nós.

O que ocorreu em seguida foi uma mistura de acontecimentos, trazendo desordem. Ao mesmo tempo que os rebeldes vieram para cima de nós, Natsu pegou fogo. E quando digo fogo, quero dizer que ele inteiro estava coberto por chamas. Ele ia atacando os rebeldes com golpes e lançava bolas de fogo para Juvia, que defendia-se com globos de água.

Eu ainda estava me recuperando do choque em saber que Natsu também era um Mago, quando um guarda quase me acertou com uma lança. Desviei trôpega e tentei achar algo no chão que pudesse usar para revidar. Entretanto, não precisei procurar muito, pois o guarda caiu ao receber um golpe de espada. Ergui o olhar e me deparei com uma pessoa inusitada.

— Gajeel?

O Príncipe de Fiore sorriu e acenou para mim. Ele estava muito diferente desde a última vez que nos vimos, no Baile. Estava usando trajes para combate, tinha respingos de sangue pelo corpo, e o mais importante, sua pele tinha se tornado ferro.

— Mas que merda?! – exclamei alto.

— Explico depois – o moreno limitou-se a responder.

De uma coisa eu tinha certeza, assim que saíssemos daqui, todos teríamos de ter uma longa conversa.



Notas finais
E então, o que acharam desse capítulo? O pessoal ta reunido de novo, Yeah!! (menos a Levy, mas vamos relevar novamente pra não estragar o clima). AH MEU DEUS! ESSE POVO É TUDO MAGO! Quem chutou aí que o Natsu era ganhou um... ok, você é bom/boa nisso. . Como não fiz as recomendações de fics no cap passado, hoje vou fazer 4. (uma de cada estilo). . Fairy Tail: Recomendo a Fairy Tale escrita pela MarieClaire (é demais essa). . Original: Recomendo O Mistério das Borboletas escrita pela Ryskalla. . Naruto: Pra quem curte um SasuSaku sofrêncio, mas que ele não é o foco da fanfic e sim o mundo e os problemas que eles vivem, a fanfic Ícarus escrita pela Agatha Kastell é uma ótima indicação. . Amor Doce: SIM! Eu estou enlouquecida por esse dating game e já fucei por fanfics sobre. A que vou indicar é a que tive tempo de ler, é a Cinza é uma boa cor escrita pela Analu. Leiam, sério. . Enfim, é isso pessoal, espero que tenham gostado o capítulo, fiz com muito carinho. Um beijo e até o próximo!