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15 Capítulo 14 - Levy


Notas iniciais
Olá meus amados leitores, como vão? Acredito que a maioria já esteja de férias e esteja aproveitando para colocar a leitura em dia (confesso que fiz isso). Peço desculpas por ter demorado um pouco mais do esperado para postar o capítulo, mas não esqueci de finalizá-lo. Já tinha ele pronto a alguns dias, mas precisava responder todos os reviews deixados, e descobri que tinham alguns nos capítulos anteriores, então demorei um pouco mais por isso. Afinal, você dedicam um tempinho para comentar, nada mais justo que eu dedique um tempo para respondê-los. Quero agradecer e dedicar este capítulo a linda Layla Glêz, a autora daquela fic maravilhosa, Elos, pela sua lindíssima recomendação que deixou a autora aqui toda emocionada. Sério. Um dia eu tenho um ataque com tamanho amor de vocês. Sem mais delongas, Uma boa leitura. ps: leiam nas notas finais!

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Capítulo 14

Levy



Era incrível como a Magia podia ajudar uma pessoa. Até pouco tempo atrás eu estava toda dolorida por conta do ataque e do contato com a Magia dos outros, mas após os cuidados de Wendy meu corpo já estava plenamente recuperado. Então comecei a me socializar com as pessoas do grupo, e fui entendendo como aquela sociedade funcionava. Claro que eles tinham o cuidado de omitir os detalhes mais importantes.

Uma semana havia se passado desde meu despertar e da conversa com Gray. Uma semana sem notícias do que ocorria lá fora. Uma semana sem sonhos proféticos.

Será que aquilo foi imaginação minha?

Não tinha como saber. Mas, algo dentro de mim dizia que aquilo era bem real.

Balancei a cabeça e voltei a me concentrar no que estava fazendo. Descascando batatas. Sim, fui posta para trabalhar. Todos ali dentro faziam alguma coisa, seja ajudar nas cozinhas, construção ou missões. Fui convenientemente colocada nas cozinhas, assim não teria acesso ao lado de fora do prédio, também ficaria sem saber em que local de Fiore estamos, e estaria longe dos Magos missionários, que se escondem pelo reino a procura de informações.

Eles não são burros. Mas, eu também não sou.

Aproveitei da minha localização e prestei atenção nas conversas paralelas, e sempre que alguém desconfiava que eu estivesse espionando, fingia que estava cantando ou saía de perto. Assim, em dois dias, as pessoas não desconfiavam mais de mim e eu conseguia ouvir muitas coisas.

Uma das que mais me chamou atenção, tanto pelo assunto quanto pela repetição, era que um missionário importante estava regressando a base deles. Pela euforia mal contida, devia ser alguém com um belo status no reino.

Tentei imaginar quem poderia ser, várias opções passaram por minha mente, mas nenhuma se destacava. Eu tinha certeza de uma coisa. Precisava ver quem era essa pessoa. Mas, duvidava muito que fosse convidada para presenciar a chegada dele. Então, comecei a pensar em como faria isso enquanto continuava o trabalho com o saco de batatas.

— Boa tarde, Levy-chan!

Soltei um pequeno suspiro e lancei um sorriso ao meu cumprimentante. Jet estava parado na entrada da cozinha e exibia um grande sorriso. O rapaz havia criado uma conexão rápida comigo, desatando a conversar e ajudar nas atividades que me eram propostas. Ele era magro e alto, seus cabelos são de um ruivo puxado para o alaranjado, seus olhos são negros e sua postura enérgica. Era uma boa companhia, exceto pelas pequenas cantadas que fazia.

— Boa tarde, Jet. Como vai? – respondi, balançando a mão livre para ele.

— Bem, e você parece bem ocupada pelo visto – ele falou em um tom sossegado, aproximando da mesa em que eu trabalhava.

— Está servido? – brinquei, entregando-lhe uma batata descascada, porém crua.

Jet riu e pegou a batata estendida.

— Vá um pouco para o lado, princesa. Vou te ajudar com essa montanha.

O ruivo pegou outra faca e começou a descascar também. O serviço rendeu bem mais agora com a sua ajuda, e ele também acabou por me fornecer – sem querer – algumas informações sobre o missionário. Continuei a tagarelar e pedir uma coisa ou outra sem muita pretensão, mas apesar de Jet ser uma pessoa falante, ele não respondia certas perguntas e ficava desviando o assunto.

Era quase final da tarde quando o serviço na cozinha terminou. Jet se ofereceu para me acompanhar até meu quarto, afinal Gray havia pedido que eu ficasse nos alojamentos esta noite. Provavelmente a visita do rapaz foi planejada pelo líder dos rebeldes, para assegurar que eu não ficasse perambulando pelo prédio e descobrisse a identidade do missionário.

Isso só aumentou minha curiosidade.

Agora, sozinha em meu quarto, tentei criar um plano bom o suficiente para sair e espiar quem era. Poderia fingir ser uma rebelde de patente baixa, mas não tinha a faixa de cor roxa que eles usavam. Poderia esconder meus cabelos com alguma toca e andar despretensiosamente por perto, porém eu não tinha nada para esconder minhas madeixas azuis.

Gemi em frustração. Era uma oportunidade perfeita de saber algo valioso sobre os rebeldes, e não conseguia encontrar uma maneira. Nessas horas eu cogitava a hipótese de ser uma simples mosca e poder espiar o que quisesse. Mas, pessoas não se transformam em moscas.

E foi com esse infantil pensamento que me surgiu uma ideia.

Eu poderia ser uma mosca.

Pelo pouco que soube, o missionário chegaria antes de janta. E faltava menos de uma hora para ela. Ninguém desconfiaria se eu precisasse cochilar antes de comer, afinal não era “acostumada” a serviços na cozinha.

Deite-me confortavelmente na cama e deixei que meus pensamentos se calassem. Respirei fundo várias vezes. Eu não tinha nenhuma fórmula para o que tentaria fazer, então seguiria o que os meus instintos me sussurrassem a mente. Fechei meus olhos e abri as portas da mente para aquela negritude. Aos poucos senti que ia me desligando do presente e flutuava no meu inconsciente.

Após algum tempo vagando no nada, captei uma pequena luz. Movi-me, ou, pelo menos, a minha mente se moveu até ela. Conforme ia me aproximando a luz ia gradativamente aumentando até que me engolfou por inteira. Minha permanência nesta claridade não durou mais que dois segundos e logo estava numa sala repleta de imagens que corriam a minha volta.

Uma ponta de desespero abateu-se em mim, pois eu não sabia o que fazer. Mas, novamente tentei ficar calma e esperei pela intuição. Tão logo que ela veio, já segui em direção a esquerda, onde havia uma pequena imagem borrada de Gray. Fixei-me nela e o ambiente tornou-se um pequeno ciclone cinza.

Quando o ambiente estabilizou-se, notei que o via do mesmo modo dos sonhos anteriores. Enxergava todo a cena de cima, como se fosse um fantasma. Ou mosca.



Um rapaz de cabelos negros estava apoiado numa parede de uma sala a meia luz. Seu rosto era pura concentração, perdido em pensamentos. Seus olhos não estavam realmente olhando o tapete a sua frente, podia-se perceber que ele não estava inteiramente ali.

Ele continuou desse modo até que a porta do aposento foi aberta. O moreno ergueu os olhos para o batente e não se surpreendeu com sua visita. A figura passou pelo arco e fechou a porta atrás de si com um movimento sutil do pé. Descontraído.

O visitante possuía cabelos acaju e olhos intensamente negros. Vestia uma capa de viagem grossa na cor preta. Estava destituído de qualquer acessório. Os dois se encararam por um tempo, avaliando-se, para então soltarem um riso alegre e se abraçarem.

Quanto tempo! Pensei que tinha se perdido pelo caminho, em alguma casa de massagem – o moreno falou, brincando.

Adoraria ter feito isso, mas meu atraso nada tem a ver com mulheres. O motivo foi o seu amado grupo adversário, Gray.

O moreno assentiu e apertou os lábios.

Eles tem nos dado bastante trabalho ultimamente.



Então, o ciclone cinza apareceu e levou consigo a cena que se desenrolava. Ao contrário do que pensei, não voltei para a sala borrada de imagens e sim para meu quarto improvisado. Percebi isso pelas sensações que meu corpo me mandava; a cama que abraçava meu corpo e o cheiro de poeira. Abri meus olhos e encarei o teto rachado, atordoada com a descoberta da identidade do missionário.

Gildarts.



(…)



— Por favor ergua o braço direito, Levy-san.

Atendi ao pedido de Wendy com um pequeno sorriso. Ela tinha um jeito dócil de falar com as pessoas que era impossível não gostar dela. Poderia compará-la a um pequeno anjo em meio a soldados.

O motivo de ela examinar meu braço neste momento é o pequeno acidente que ocorreu nas cozinhas hoje pela manhã. Perdida em pensamentos sobre minha recém-descoberta acabei não vendo o enorme saco de mantimentos que caiu da pilha amontoada em um lado do local. O saco em questão havia sido mal empilhado e acabou despencando e a vítima fora eu. Acabei machucando meu braço direito na inútil tentativa de me proteger.

— Avise-me se doer – a jovem comentou enquanto apalpava o membro estendido.

Quando chegou na metade, próximo ao cotovelo, soltei um pequeno gemido. Wendy ergueu os olhos para mim e apenas assenti com a cabeça. Sem perder tempo, ela sussurrou umas poucas palavras e uma luz esverdeada envolveu suas mãos e o local que tocava em meu braço. Era uma sensação estranha a sua cura, não havia dor, mas existia um pequeno incômodo.

Fiquei a observando trabalhar e reparei na facilidade que ela tinha em realizar sua magia. Ela quase nem precisava suar. Ou apagar por completo para ter acesso a ela, como eu.

— Você é boa nisso, Wendy – comentei.

A azulada sorriu e ergueu minimamente a cabeça para mim.

— Precisei praticar um pouco. No começo eu quase não conseguia curar – respondeu-me.

— Levou muito tempo? – questionei, curiosa.

— Quase dois anos. Foi rápido se comparado aos outros. Acho que tive mais facilidade por ter descoberto logo.

— Magia deve ser complicada.

Falei mais para mim que para Wendy, por isso levei um pequeno susto com seu suspiro.

— Ela é. E isso pode ser uma coisa bem séria – Wendy tinha um rosto triste enquanto falava – ser Mago é duplamente perigoso, Levy. Primeiro pela lei que nos rotula como pragas, maçãs podres que devem ser retiradas do belo cesto de frutas do reino. E segundo pelo nosso corpo, caso não conseguamos entrar em harmonia com a magia, podemos ter consequências graves, por vezes mortais.

— Mortais? – ecoei, confusa.

— Magos também podem sofrer com doenças.

E com essa frase misteriosa ela me pediu licença, pois precisava arrumar algumas trouxas com equipamentos para ferimentos. Então, agradeci-lhe e sai.

Deveria voltar para as cozinhas ou então ir para meu quarto, porém nenhuma dessas opções me cativavam no momento. Decidi dar uma volta pelo prédio, coisa que não consegui fazer, sozinha, desde que cheguei. Tive o cuidado de manter minha mão na parede a minha esquerda, assim poderia voltar para a enfermaria sem problemas.

Enquanto caminhava, a imagem dos livros que deixei escondidos debaixo da cama do Castelo me veio a mente. Eles deveriam ter algo sobre essas doenças que Wendy comentou. Eu realmente estava aflita em saber desse segundo perigo, afinal, Gajeel poderia estar exposto a ele. Eu bem sabia que ele não gostava muito de sua magia, sempre a escondendo, sempre a negando. Isso com certeza não contribuía com a harmonia que a jovem falou.

Caminhei sem nenhum rumo específico, mal notando que a claridade fornecida pelos archotes diminuía, até que me deparei com um corredor a meia luz. Acredito que a pouca luz tenha me chamado atenção, a pouca claridade que mais iluminava o corredor a minha frente vinha da porta ao final dele. Fios luminosos escapam por sua volta me fazendo ficar curiosa sobre o que exista atrás do enorme pedaço de madeira.

Olhei para trás, querendo confirmar se ainda estava sozinha, e fui me aproximando da porta. A princípio meus passos eram contidos, cautelosos. Mas, quando tive uma pequena certeza de que aquela madeira não me faria mal algum, andei mais rápido. A menos de um passo dela, estiquei minha mão esquerda e a toquei.

Ela estava quente sob minha palma.

Franzi levemente o cenho tentando achar uma lógica para isso, somente uma coisa me veio. Essa porta devia dar ao exterior. O calor deveria ser por conta do sol que mantinha contato direto com a madeira. Poderia ser uma saída.

Mas, se fosse uma saída não deveria estar guardada?

A não ser que os rebeldes não tenham conhecimento dela.

Dei uma rápida espiada no local e vi que não seria difícil acreditar que eles não tenham plena noção do prédio. Eles não nasceram aqui, apenas encontram refúgio nele. O medo pelo desconhecido as vezes impede que façamos aventuras construções a dentro. O corredor estava coberto por camadas de poeira, comprovando minha teoria.

Com o coração batendo mais rápido em expectativa, corri meus olhos pela porta procurando por alguma maçaneta, ou algo que pudesse usar para puxá-la. Meu ânimo foi se minguando aos poucos quando não encontrei nada. Ela estava encaixada perfeitamente no espaço do corredor.

Queria ficar e desvendar o mistério que dançava a minha frente, mas sabia que estava passando tempo demais longe dos olhos dos rebeldes. Mais um pouco e eles viriam em minha busca. E deixar que eles descobrissem essa porta não era uma opção.

Vagarosamente comecei a retornar, guiando-me pela mão que mantive a parede. Meu corpo seguia em automático e minha mente voava enérgica sobre a descoberta. Agora eu possuía um mistério para desvendar e uma possível rota de fuga.

Notas finais
Tchanaaaam, mais um capítulo da Levy! Agora, estou hiper curiosa para saber o que vocês acharam? Algumas teorias de como a levy tem essa magia? Será que foi por causa do contato com ela ou outra coisa? E Gildarts! Qual o motivo de ele ter se juntado aos rebeldes? Qual doença é essa? Ah, sei que vocês devem estar repletos de teorias e perguntas, pois me mandem por MP ou reviews que terei o prazer em respondê-los (claro, sem dar muito spoiler). Agora vamos para recomendação (o nyah retirou os links portanto só posso fornecer o nome do autor e o título da fic, aqui no site, ai vocês caso se interessem terão que procurar). Seguirei o mesmo estilo do capítulo passado, uma de Fairy Tail e uma original dessa vez. Fairy Tail: Imunidade, escrita pela Tíssia D Aldrean. Lindíssima e muito bem escrita. Original: Legados do Fogo, escrita pela Madlyn. Uma original fodástica! . Obrigada a todos por lerem. Um beijo enorme e um abraço bem apertado e até a próxima!