Sigilo

9 Capítulo 8 - Levy


Notas iniciais
Adivinhem quem teve um surto de criatividade e resolveu adiantar o capítulo? Haha. Estou muuito contente com o resultado que a fanfic está dando e só posso lhes agradecer atualizando Sigilo. Obrigada a todos que leem, favoritaram e comentaram! Vocês moram no meu coração S2 Sem mais delongas, boa leitura.

Sigilo

Capítulo 8

Levy



O que acha desse?

Parei de revirar a minha parte do guarda-roupa improvisado da Princesa e olhei para o vestido que ela erguia, buscando minha opinião. O vestido em questão era sério demais para ela, era todo fechado e cheio de babados.

— Se você tivesse setenta anos ficaria ótimo – respondi e Lucy me mostrou a língua.

— Eu não sei o que vestir para o baile! Acho que vou nua.

Ri generosamente da dramatização da loira, estávamos a procura de seu vestido ideal, mas nenhum parecia bom o suficiente para ela. Porém, só tínhamos visto um total de cinco vestidos, não era hora de se desesperar. Ainda.

— Qual sua cor preferida? – indaguei.

— Azul e Rosa, amo as duas cores.

— Acredito que achei um perfeito para ti – comentei ao puxar o vestido azul-claro do guarda-roupa.

Sua reação foi como imaginei, os olhos se arregalaram e a boca abriu-se minimamente. A peça realmente era linda. Seu corpete era justo com um decote que realçaria os bustos dela, além de ser repleto de pequenos cristais que refletiam a cor azulada, a parte de trás era quase toda aberta, sendo preenchida apenas por correntinhas de prata que cruzavam o espaço em aberto. A saia era rodada e pregada, as ondas que seguiam por toda sua extensão seguiam um padrão único que se juntava em alguns pontos formando botões de rosa.

— Ele é maravilhoso, Levy! – Lucy exclamou e correu me abraçar, com vestido e tudo. – quando eu for me casar quero que esteja presente na escolha do vestido de noiva, certo? Sua presença é essencial.

— Mas é claro.

De um jeito estranho acabei por encontrar em Lucy uma grande amiga, eu percebi que por debaixo de toda a aura de realeza dela havia uma jovem sonhadora e solitária. Tão parecida comigo. Ou melhor, tão parecida como eu era. Ainda sou uma jovem sonhadora, mas já não me considero sozinha, afinal agora tenho Lily, Lucy e por mais esquisito que pareça, Gajeel.

— Agora vamos a procura do seu! – ela puxou-me avidamente em direção ao meu quarto.

Enquanto seguíamos pelo corredor, tive uma visão de relance de Gajeel. Ele parecia entrar no quarto de seu irmão. Um momento antes que Lucy me puxasse para dentro do meu aposento, captei seu olhar. Ele deu um ínfimo sorriso a mim e então perdi-lhe.

— Olha essa quantia de livros! São todos seus?

Lucy estava estagnada no centro do hall, admirando as estantes repletas de livros. Com a permissão de Rogue, peguei os livros que mais me interessavam e os trouxe para cá, facilitando as minhas leituras. E para fugir de presenças inconvenientes, como Sting.

— Não, são da Biblioteca Real. Apenas os peguei emprestado por um tempo – expliquei indo de encontro a ela que já passava a mão pelas lombadas – quando já tenho uma boa quantia lida vou até lá e troco os livros. Assim sempre tenho algo novo por aqui.

— Por mais que eu adore livros, precisamos achar o seu vestido primeiro.

Ficamos o restante da tarde rindo entre uma escolha e outra. Fazia um bom tempo que não me divertia tanto, meu estômago doía de tanta risada. Lucy era uma verdadeira luz que iluminava o dia de qualquer pessoa. Rogue teria uma sorte enorme em se casar com ela.

Casar.

Eu nem sabia se essa palavra me pertenceria um dia. Tenho noção de que agora não viverei aquela história onde a mocinha encontra o rapaz em um dia qualquer, e depois saem para jantar. Não, eu definitivamente não teria mais isso. Será que irei me casar no futuro? Balancei a cabeça e tratei de tirar esses pensamentos depressivos, não era hora disso.

Quando decidimos a minha vestimenta já era hora de começar a se arrumar. Então despedi-me temporariamente de Lucy e deixei que a aia preparasse minha banheira. Para ocupar meu tempo fui organizar os livros de uma estante.

— Seu banho está pronto, senhorita – a moça comunicou-me, fazendo uma reverência.

— Obrigada – agradeci-lhe com um sorriso.

Tomei meu banho com calma, fui esfregando as partes do corpo com delicadeza, deixando um traço suave por minha pele. Permaneci por um tempo ali, apenas aproveitando a sensação da água morna contra o corpo. Então, num rompante a imagem de Gajeel seminu dançou por minha mente. Um calor começou a se apoderar de mim ao lembrar daquele físico, e a água enroscando por minhas pernas tornou-se deveras perigosa. Saí rapidamente dali e enrolada na toalha, corri para a parte do quarto.

Tentando ocupar minha mente, fui me arrumando. Acredito que enrolei-me demais no banho, pois quando espiei pela janela o sol já estava se pondo, o que significava que o baile não tardaria muito a começar. Apressei-me em entrar no vestido escolhido e em arrumar os acessórios que Lucy havia praticamente ordenado que eu usasse.

Depois de pronta, resolvi conferir-me no espelho de corpo inteiro que ocupava uma das paredes. Quando enxerguei meu reflexo, minhas sobrancelhas foram parar perto da raiz dos cabelos de tamanha surpresa. Quase não reconheci-me.

O vestido amarelo moldou-se magicamente no corpo, estruturando-o e trazendo um ar delicado. Seu corte era simples, mas não deixava de ser lindo. O decote mula manca drapeado disfarçou minha falta de busto, a faixa vermelha e dourada marcara a cintura e fez com que a parte de cima ficasse ajustada e sem folgas. Por fim, a saia com pequenos pontos brilhosos caía fluída até o chão, dando uma leveza aos meus movimentos. Meu cabelo foi preso em um coque que minha mãe me ensinara, deixando apenas alguns fios soltos que emolduravam meu rosto. E claro, havia a delicada faixa com joias vermelhas que se assemelhavam a rosas, escolhida por Lucy, que milagrosamente haviam domado meu fios rebeldes.

— Levy! Está na hora de descermos – a voz de Lucy soou do lado de fora, no corredor. Sorrindo para a nova Levy que via, apressei-me para a porta. Era a hora do baile, a hora de se divertir.



(…)



Onde você está, Gajeel?

Estávamos no lado de fora do Salão, a espera do Príncipe e do Rei para que pudéssemos entrar oficialmente no baile. E claro, abri-lo com a dança que vim ensaiando com o moreno nos últimos dias. Geralmente quem se atrasa para algo são mulheres, mas no momento eram os rapazes Redfox que não deram o ar de suas presenças. Lucy estava igualmente nervosa a mim.

Então quando já estava cogitando voltar e buscá-los pelo colarinho, os dois surgem no corredor. Lucy e eu soltamos um suspiro ao mesmo tempo, fazendo com que nós rissemos. Voltei meu olhar para o Príncipe e senti meu coração disparar, ele estava maravilhoso. Os trajes de festa eram negros e contribuíam com seu ar misterioso.

Deuses, esse homem vai mesmo dançar comigo?

Gajeel aproximou-se e estendeu o braço a mim. Ainda aturdida com a visão, enrosquei-me nele.

— Fizeram um ótimo trabalho – ele sussurrou em meu ouvido, arrepiando-me toda.

— Obrigada e igualmente – respondi no mesmo tom baixo.

Não houve mais tempo para conversas sussurradas, pois Rufus apareceu todo afobado para que entrássemos logo. A partir dai eu entrei em um mundo completamente diferente, o Salão fora transformado em algo único e belo, as pessoas estavam todas belamente trajadas e o som que tocava era acolhedor. Aquela explosão toda me deixou um tanto desconcertada, fazendo com que nada parecesse real, mas então a mão de Gajeel apertou a minha e eu voltei a ser eu mesma.

Quando reparei já estávamos no centro do Salão e devidamente posicionados para a dança. Olhei para meu companheiro e praticamente gritei socorro com os olhos. Vi uma pitada de diversão cruzar por seu rosto, aumentando meu nervosismo.

— Gostaria de agradecer a presença de todos, – Rogue havia saído de sua posição para abrir formalmente o baile – e principalmente aos nossos prestigiados convidados, o Príncipe Sting e Princesa Lucy de Ghaléia. Declaro que o Baile está oficialmente aberto.

Os convidados aplaudiram entusiasmados. Sting limitou-se a reverenciar Rogue com a cabeça, já Lucy fez o cumprimento adequadamente. Então o Rei voltou ao seu lugar e deu um aceno aos músicos.

É agora!

— Finja que estamos nas nossas aulas, – ele abaixou-se, ficando cara a cara comigo. – só existe você e eu aqui, baixinha.

Respirando fundo, fechei meus olhos e apaguei todos de minha mente, deixando apenas o brutamonte e eu. Só retornei a abrir os olhos quando a música começou a tocar. Os primeiros passos foram automáticos, eu os sabia de cor, portanto não foi difícil realizá-los. Porém, depois deles eu nem precisava mais recorrer a minha memória, a dança fluiu de mim.

Gajeel conduzia-me com segurança e firmeza, eu sabia que poderia me deixar ser levada e nada de mal me ocorreria. Seus braços se tornaram um ponto de apoio e intimidade. O espaço entre nós encurtou-se em algum momento, deixando-nos a dançar quase grudados. E isso não me parecia mal. Eu queria estar nos braços dele, queria ser aparada por ele, queria todo aquele sentimento inexplicável que sinto junto dele.

Seu olhar rubro fisgou o meu, prendendo-me a ele. A música trocou e nos continuamos a dançar, mesmo que o nosso dever já tivesse sido cumprido. Eu não me permitia parar de dançar, e pelo visto nem ele. Era um momento mágico que não ousaríamos quebrar.

Dado ao modo como estávamos conectados nem percebemos como a pista de dança havia se enchido, só notamos quando um casal esbarrou em nós e com isso quebrou o contato. Voltei a realidade. Ainda nos braços de Gajeel fui sendo conduzida para fora do amontoado de pessoas, sendo salva de qualquer pisão.

— Então, pareci um pato de saias dançando? – brinquei após nos livramos da multidão.

O local mais seguro agora eram as mesas com comidas, pois os convidados estavam entretidos nas danças. Meu estômago vazio me agradeceu por isso.

— Estava razoável – ele respondeu, dando de ombros.

Gajeel sendo delicado e animador como sempre. Dei um bufo indignada e sua resposta foi rir. O desgraçado estava rindo de mim!

— Agora parece um patinho vermelho – o moreno zombou e cutucou minhas bochechas infladas de irritação.

— Estou admirada que não esmagou ninguém com esse seu jeito troncudo, seu urso – retruquei, incomodada com a observação. Mas, o que eu queria ao cutucar a piada?

— Assim você me magoa, patinha – Gajeel pôs sua mão em seu peito, fingindo decepção.

Em resposta apenas revirei os olhos e voltei minha atenção para a mesa. Onde estavam aqueles petiscos deliciosos que avistei antes?

— Ursos quando são ignorados tendem a ficarem bem nervosos, sabia?

Sua voz soou muito perto de mim, eu conseguia sentir o sopro de seu hálito em meu pescoço. Meu corpo traiu-me ao se arrepiar todo com aquele timbre, precisei apoiar minhas mãos na mesa em busca de equilíbrio.

— Isso foi comprovado ou é apenas uma invenção sua? – tentei usar de ironia.

Gajeel apenas riu e descolou seu corpo do meu. Já ia soltar um suspiro, porém senti suas mãos me pegarem pela cintura. Ele girou-me para que ficássemos cara a cara. Ou melhor cara a peito, no meu caso. Olhei para cima e encontrei seu rosto muito mais perto do que imaginava.

— O que você pensa que está fazendo?! – exclamei, baixinho.

— Te ensinando a não me ignorar.

O que quer que ele tenha planejado como vingança eu acabei por ficar sem saber, pois neste momento houve um grande barulho lá fora, assustando todos presentes no Salão. O Príncipe mudou sua postura rapidamente e me posicionou entre ele e a mesa. Os guardas já estavam correndo para fora a fim de averiguar o ocorrido, entretanto a enorme porta do Salão foi arrancada das dobradiças.

— Se esconda debaixo da mesa, Levy! – Gajeel ordenou-me ao me empurrar em direção do móvel. Segui suas ordens sem pensar duas vezes.

O clima calmo e agradável da festa evaporou, dando lugar a gritos e correria. Pelo vão entre chão e a toalha de mesa pude acompanhar vários pés passando por mim, mas minha visão estava mais focada em um par de botas negras que hora ou outra sumiam entre a multidão.

Por favor, fique a salvo, Gajeel!

— Peguei uma delas! – um grito soou perto de meu precário esconderijo, fazendo meu sangue gelar. Mesmo com medo, girei minha cabeça para o lado oposto e identifiquei um par de botas sujas. Permaneci calada para que o dono delas não resolvesse averiguar debaixo da mesa, mas quase traí minha posição quando reconheci o barrado azul do vestido de Lucy ao lado das botas.

Isso significava que ela havia sido pega!

Tive de juntar minhas mãos em frente a boca para impedir-me de gritar. Eu estava com medo, porém também queria agir e ajudar minha mais recente amiga. Fiz minha mente girar em torno de possibilidades, mas nenhuma me parecia boa o suficiente no momento.

Por que eu não tenho Magia em uma hora dessas?!

— Ache a outra! Não podemos sair daqui sem o nosso objetivo! – uma segunda voz gritou, autoritária.

Com o coração partido, acompanhei a barra de Lucy ser arrastada para longe da mesa. Esperei os pares de botas sumirem de meu campo de visão e analisei as proximidades, avaliando se deveria sair de debaixo da mesa ou não. Eu simplesmente não conseguia assistir Lucy ser levada por eles e não fazer nada!

A gritaria tinha diminuído um pouco e os sons de lutas eram distantes, deduzi que o Salão deveria ter esvaziado. Mas, por segurança esperei mais um pouco antes de arriscar sair. Quando senti-me segura o suficiente, joguei um guardanapo de pano que tinha encontrado ali em baixo comigo e aguardei se alguém o pegaria.

Nada.

Respirando fundo comecei a rastejar em direção a parede, assim não sairia no limpo completo. Após arrastar-me para fora, fui erguendo meu tronco contra a mesa vagarosamente. Quase chorei de felicidade quando vi o Salão vazio, tendo apenas a mobília e decoração estragados de companhia. Sem pensar mais, corri porta afora.

Nos corredores ainda haviam algumas pessoas desorientadas, todas elas eram convidados da festa, portanto não poupei tempo e corri. Minha mente trabalhava a mil, pensando em onde eles poderiam ter levado Lucy e consequentemente fugirem com ela daqui. Só me vinha uma alternativa; os estábulos.

Eu precisava achar Rogue ou Gajeel. Até mesmo Sting seria bem-vindo nesse momento.

Depois de passar pelos principais corredores, segui em direção ao pátio principal, onde eu julgava que um dos três poderiam estar. Um pequeno sorriso surgiu em meu rosto quando avistei uma cabeleira negra tão conhecida por mim, mas minha alegria durou pouco, pois um ser encapuzado bloqueou meu caminho.

Sem deixar de correr, aproximei-me de uma armadura de enfeite e peguei a espada dela. Não sei de onde tirei tamanha coragem, mas parti para cima da figura misteriosa. Ergui a espada para golpeá-la, mas meu corpo e ataque foram parados por um imenso globo de água que envolvera-me do nada. A espada caiu em um baque surdo no chão, tirando-me a oportunidade de fazer algo.

Abri minha boca para gritar por ajuda, porém só conseguir engolir água. Sem me dar por vencida, debati-me dentro no globo tentando achar um modo de sair dali. A figura apenas ergueu a mão suspendendo assim a bolha, e claro, a mim também. Foi então que compreendi. Meu ataque foi parado por Magia. Eu não conseguiria lutar contra isso.

E para se fazer ponto, a água começou a se tornar mais escura, dificultando minha visão do que estava acontecendo. Senti minha consciência escorregar para longe e minhas forças se esgotando rapidamente, os chutes e socos já não tinham a mesma força de antes, meu corpo começou a parar de se mover aos poucos, até chegar no ponto em que eu não mexia mais. E então veio a escuridão.

Notas finais
E então, o que acharam? Não me matem! Eu preciso continuar viva para dar continuação a Sigilo, haha. Estou ansiosíssima para saber quais foram as suas reações sobre este capítulo. Espero que tenham gostado da minha surpresa! mamain ama vocês! Até o próximo. Beijos. ps: não fiquem mal acostumados, okay?