Sigilo

42 Capítulo 39 - Levy


Notas iniciais
Olá pessoal, ainda se lembram de mim? #vergonha. Não vou mentir, presentei-me com uma férias de tudo, seja fanfic, amor doce, eldarya, faculdade, tudo. Quando voltei ainda precisei ficar alguns dias afastada por conta do rito de conclusão de curso (missa, colação e festa) e passar por uns problemas na matrícula da nova faculdade. (Sim, sou louca e vou fazer uma nova graduação, dessa vez em Direito). Espero que continuem acompanhando Sigilo, pois vou tirar forças do além para não abandoná-la. Obrigada Effye pelo puxão de orelha e a todos que comentaram na fanfic. Vou respondê-los em breve! Coloquei uma resumo simples (sou uó em fazer resumos bonitinhos) do que ocorreu na fanfic para se situarem. Sem mais delongas, desejo-lhes uma boa leitura!

Recapitulando

Lucy, Levy, Gajeel, Natsu, Wendy, Gray e Juvia embarcaram numa nova viagem, voltando para Crocus a fim de derrotar Erza com um plano criativo de Gajeel e Lucy. Porém no meio do caminho, deparam-se com uma cabana abandonada e repleta de novidades que poderiam lhes ajudar na jornada. Em meio a isso, o grupo é surpreendido por um ataque de Karen e Zancrow, aliados de Erza, e se deparam um com movimento da rebelde que lhes podem trazer benefícios, porém nem todos concordam com a ideia.

Sigilo

Capítulo 39

Levy

Através de Zancrow conseguimos algumas informações a respeito dos planos de Erza. As pessoas mencionadas na visão que tive dela estavam próximas de nós e acompanhadas por bons soldados dela. Ainda não sabia determinar se isso era bom ou ruim. Natsu e Gray queriam ir até a comitiva deles e raptar as garotas e deixá-las como segundo plano, caso a invasão desse errado, ainda poderíamos usar o recurso de chantagem.

Lucy apesar de entender o raciocínio deles não concordou com o plano, fazendo com que amarrássemos os dois rebeldes fora da biblioteca, deixando-os cercados por estacas de ferro que Gajeel invocara com sua nova habilidade. No momento estávamos todos reunidos, exceto por Juvia que preferiu ficar vigiando os dois, discutindo qual o melhor movimento a ser feito.

— Uma oportunidade dessas não vai cair no nosso colo novamente, Lucy! — Natsu falava, o rosto tenso. Ele queria ir atrás dos demais rebeldes.

Algo me dizia que ele queria aproveitar a situação para ficar longe de Karen e todo o turbilhão de emoções que esse encontro trouxera.

— Eu entendi muito bem que é uma ótima jogada a nosso favor, mas pense comigo por um segundo, e se os demais rebeldes forem melhores que esses? — ela apontou para a porta, indicando Karen e Zancrow ao longe – não temos tempo nem podemos nos dar ao luxo de perdemos três guerreiros importantes nesse levante!

— A Lucy tem um ponto, temos que pensar melhor – Wendy interveio, pousando uma mão no braço de Gray, que estava visivelmente irritado.

— Ficarmos aqui discutindo também é perda de tempo, Majestade – o moreno retrucou, um pouco ríspido.

Em poucos segundos toda a cumplicidade que construímos estava desabando. Soltei um longo suspiro e olhei para Gajeel que estava ao meu lado. Podia perceber que ele entendia os dois lados e estava indeciso sobre quem apoiar, assim como eu. Alguém precisava dar um fim nessa discussão ou corríamos o risco de abalarmos o nosso companheirismo num nível que corromperia os planos.

— Somos em sete, certo? — entrei na conversa, chamando a atenção do nosso grupo. Esperei todos assentirem antes de continuar – não gosto muito do que vou propor, mas dado a briga que estamos fazendo, deve ser a melhor opção.

Gajeel deu-me uma olhada séria e então seu rosto se suavizou, provavelmente entendendo onde gostaria de chegar. Essa era uma das coisas que mais prezava em nosso relacionamento, conseguíamos nos entender sem a necessidade de falas.

— Sim? — Wendy induziu-me.

— Vamos nos separar.

Os brigões, Natsu, Lucy e Gray, ficaram estáticos por alguns segundos para então soltarem exclamações contra o que tinha proposto. Pelo canto do olho vi a feição do RedFox tornar a se fechar, impaciente.

— Pelo amor dos Deuses! Vocês parecem crianças desse modo! Será que podem agir como responsáveis que são por alguns segundos? — ele bradou, fazendo com que os três se calassem – Não vamos ter tudo o que gostaríamos e a Levy está propondo um modo razoável de atingirmos os dois objetivos. Ter uma moeda de troca se necessário – apontou uma mão para Gray e Natsu – e continuar com a jornada inicial sem perder combatentes – apontou a outra para Lucy.

— É arriscado – Natsu falou com a voz suave.

— Mas é claro que é! Qualquer coisa que façamos vai ser arriscado de agora em diante! — Gajeel retrucou, ainda de mau humor – Agora, se nos dividirmos podemos pensar as habilidades de cada um e montar dois grupos que possam seguir com o plano original e esse novo sem termos perdas significativas.

— Concordo com isto – Wendy anunciou, posicionando-se ao meu lado.

— Se minha palavra vale de alguma coisa, Juvia concorda também – a azulada comentou, parcialmente virada para nós, no batente da porta.

— Óbvio que vale algo, Juvia. É parte do time – Gray resmungou, fazendo com que a moça corasse.

— Já tem uma ideia de como podemos nos dividir, Levy? — Lucy pediu, acalmando-se.

Sentei-me e fiz com que os demais me imitassem. Isso poderia ser rápido como também poderia demorar um bom tempo.

— Vamos começar por Gajeel – falei, fazendo com que o moreno erguesse uma sobrancelha – ele é uma peça fundamental para o ataque a Crocus por ter conhecimento do labirinto no subsolo, assim precisa seguir adiante com o plano original.

— É verdade – ele concordou, calmo.

— E você vai junto dele – Natsu constatou o óbvio olhando para mim.

Dei um pequeno sorriso antes de continuar.

— Eu posso ir atrás do outro grupo – Gray comentou, indicando com a mão direita os dois rebeldes presos lá fora.

— Certo. E Lucy precisa ir conosco, pois ela como Rainha tem que estar presente durante o ataque – continuei – Wendy pode ir com Gray como apoio – sugeri, olhando para os dois significativamente.

Gray ainda possuía a doença e após aquele ataque no bosque Wendy ficava sempre ao seu lado, com medo que o ocorrido viesse a se repetir.

— Então Natsu pode vir conosco para balancear a força, pois acredito que Juvia queira ir com Gray – Gajeel pontuou, recebendo um aceno da azulada na porta.

Vi que Natsu estava dividido, ele queria ir com Gray e descontar sua raiva nos rebeldes, mas ao mesmo tempo não pretendia deixar Lucy. Comecei a abrir a boca para falar, porém Gajeel pousou uma mão em minha perna, sutilmente me pedindo silêncio.

— Natsu preciso que você fique perto da Lucy, pois em uma batalha a Rainha necessita de proteção extra – ele falou, olhando para o rosado.

O Dragneel entendeu a deixa na fala de Gajeel. Em uma batalha o Príncipe se preocuparia com seu irmão e comigo, com isso Lucy ficaria exposta ao inimigo, mas com Natsu por lá ela estaria mais segura.

— Certo – Natsu concordou.

— E sobre esses rebeldes? — Juvia pediu, após notar que a discussão anterior havia sido permanentemente encerrada.

Levantei-me e espreguicei-me de leve antes de respondê-la.

— Quanto a isso, tenho uma sugestão – comentei, pegando um certo livro que estava folheando quando a discussão se iniciou – vamos lá – incentivei, saindo da biblioteca.

(…)

— Levy, pretendo ser seu amigo até a morte – Natsu sussurrou, olhando os dois rebeldes com as sobrancelhas levantadas.

Gray soltou um riso, se divertindo com a careta do companheiro, antes de partirem com os dois desacordados para longe.

A solução que encontrei foi apagar as memórias recentes dos dois rebeldes, pois não poderíamos deixá-los na cela precariamente improvisada e tão perto do nosso recém-descoberto tesouro literário. Por isso, com o auxílio do antigo proprietário do local, descobri um método interessante de nublar as memórias recentes.

Com um pedaço de pergaminho escrevi a palavra esqueça pensando nos eventos que deveriam ser apagados. Depois, forçamos os dois a engolir o pergaminho com a Magia impregnada nele. Aparentemente, enquanto o feitiço fazia efeito, as vítimas tendiam a ter convulsões. Precisamos esperar o ataque dos dois se acalmar para levá-los para fora da cabana.

Gray, Natsu e Gajeel os deixaram amarrados a uma boa distância do local, quase duas horas a pé dali. E enquanto eles se ocupavam de despistar Karen e Zancrow, enquanto o restante de nós que ficou para trás fazíamos uma varredura na biblioteca, pegando todos os itens que achávamos necessários para a nova viagem.

Juvia armou-se com várias algemas e alguns frascos contendo líquidos diferentes. Segundo a Maga, esses líquidos tinham propriedades interessantes a serem usadas em uma luta. Wendy pegou alguns livros sobre medicamentos e certos ingredientes que haviam no local. Lucy se contentou com o chicote que lhe entreguei, dizendo que aquele item lhe bastava.

Quanto a mim, encontrei uma bolsa que permitia levar uma infinidade de coisas sem pesar, e apossei-me de vários livros. Estávamos quase saindo do local quando notei uma espada dentro de um caixote de vidro. Aproximei-me dela, reparando nos detalhes impecavelmente gravados na lâmina.

— Cheney – sussurrei, lendo a escrita no cabo da espada.

Lucy veio ao meu lado e fez um som parecido com engasgo.

— Lucy? — pedi, preocupada.

Minha amiga balançou a cabeça, dispensando minha ansiedade.

— Você sabe o que essa palavra significa Levy?

— Cheney? Não.

— Cheney era o sobrenome de solteira da mãe de Rogue e Gajeel – ela explicou, o olhar fixo na espada – meu pai uma vez comentou comigo que corriam boatos de que os antepassados dos Cheney eram Magos, mas que o Rei havia negado isso.

A fala de Lucy me fez pensar bastante, algo que vinha incomodando tanto a mim quanto a Gajeel a um bom tempo. Ele sempre se perguntava o motivo de ser Mago e o restante da sua família não ser. Fitando aquela espada me veio uma hipótese.

— O boato pode ser verdadeiro. Se os antepassados da mãe deles fossem Magos, a Magia correria nas veias da Rainha e consequentemente poderia ter sido passado para eles, o que explicaria o fato de Gajeel ser um.

— Todos os itens que encontramos aqui tem relação com Magia, então essa espada é uma prova de que os Cheney eram Magos – a loira concordou, seguindo a mesma linha de pensamento – mas, você não comentou algo sobre a Magia puxar a genética? Gajeel não deveria ser uma cópia da mãe dele neste caso?

Balancei a cabeça, negando.

— A Magia puxa a genética quando o pai for Mago. Meu pai era um e por isso tenho as características físicas dele, como o cabelo e a cor dos olhos. Neste caso, a mãe deles é quem seria Maga, assim Gajeel pôde herdar as características dos dois sem problemas – respondi.

— Isso quer dizer que Rogue pode ter sangue mágico nas veias? — ela indagou, pensativa.

Uma memória me veio a mente naquele momento, fazendo meu coração ficar triste. Mordi os lábios, chateada com a possibilidade que estava sendo jogada na minha face. Lucy percebeu a minha mudança de clima, pousando uma mão em meu ombro.

— O que houve?

Respirei fundo antes de contar-lhe sobre a memória.

— Logo que retornamos ao Castelo após o incidente do baile, com toda a verdade sobre os Magos ser revelada e a investida de Erza, Rogue estava preocupado sobre como defender a todos de maneira eficiente. Ele queria saber se existia a possibilidade ele ser um Mago, um que não tivesse os poderes descobertos ainda. O que poderia ser possível já que não existe idade para a Magia vir a tona.

“Poluchka procurou por vários métodos que pudessem revelar se o indivíduo era um Mago ou não, afinal o antigo Rei deveria ter algo do tipo para poder sentenciar os Magos da época, e acabou encontrando uma receita de uma poção que ao ser ingerida a pessoa tem duas reações, desmaio se fosse normal e uma coceira de fosse Mago. Rogue desmaiou, mostrando que ele não tinha nenhum indício de Magia nele.”

Lucy compreendeu o que aquilo dizia e chegou a mesma conclusão que eu.

— Então Rogue… — ela não conseguia nem pronunciar.

— Ele não é filho da Rainha – completei sua frase.

Uma solitária lágrima desceu pelo rosto de Lucy. Seu olhar era triste ao contemplar a arma no caixote. Conseguia imaginar o que se passava em sua mente, pois se passava na minha também. Rogue desde a infância sofreu repetidamente, primeiro veio o falecimento daquela que até então conhecíamos como sua mãe, então seu irmão foi levado para longe, viveu anos ao lado de um pai mais fechado e com o peso da coroa em seus ombros, quando finalmente podia se dar o luxo de amar a garota por quem se apaixonara foi prometida a outro. Eram tantos momentos que poderiam ter derrubado qualquer pessoa, mas Rogue permanecia de cabeça erguida e um sorriso cálido na face.

— Ele jamais deve saber disso – Lucy entoou, séria – jamais.

Percebi pelo seu tom de voz a necessidade de protegê-lo.

— É claro – concordei.

Secando a lágrima com o dorso da mão, minha amiga virou-se para mim.

— Mas, Gajeel pode precisar dessa espada. Acho que ela cabe na sua bolsa maravilhosa.

Dei um pequeno sorriso e ergui as mãos para o caixote.

— Ajuda? — pedi, erguendo uma sobrancelha.

— Como quiser, minha cara.

(…)

Faziam dois dias desde a nossa separação. E desde então não estava mais conseguindo contatar minhas visões. O fato de estarmos em menor número e com humores distintos fez com o que o meu também piorasse. No fundo, sentia que essas visões me entregavam uma vantagem e que consequentemente dava-me a impressão de ser reconhecida estrategicamente pelos meus companheiros. E agora sem elas ao meu uso sentia-me um peso morto nessa campanha.

Gajeel por várias vezes tentou me fazer falar sobre o que me preocupava, mas por um certo orgulho mantive isso para mim. O que era um gesto feio, pois era a minha pessoa quem vivia dizendo ao Gajeel para contar comigo e desabafar quando precisasse, sempre criticando sua pose fechada. E voialá, eu estava fazendo o mesmo que ele fazia antigamente.

A verdade era que eu sentia vergonha de externar essa inquietação sobre as visões, de achar-me de certo modo inútil sem elas. Já pressentia o discurso que meus amigos fariam, comentariam que é fruto da minha mente esse medo, que eu tinha muito mais valor do que as visões, e quão era preciosa pro grupo. E eu não queria essa compaixão.

Deuses, eu sou tão confusa!

Perdida nos pensamentos conflituosos, acabei por fixar minha visão no chicote preso a cintura da Lucy enquanto ela prendia seu cavalo nessa nova pausa para descanso. Foi olhando o objeto de luta dela que comecei a ver uma saída para minha ociosidade e depressão. Procurei por Gajeel e não tardei a lhe achar, escorado em uma árvore só a me observar.

— Preciso da sua ajuda em algo – comentei, levantando-me.

— Enfim decidiu me incluir nos seus problemas? — havia uma leve ironia no tom da sua voz, dando-me a pista de que havia se irritado com a minha reclusão – Talvez eu tenha outras coisas para fazer agora – finalizou, dando alguns passos para longe de mim.

Muito bem, ele estava furioso comigo.

— Não tiro sua razão de estar zangado, Gajeel – comecei, apressando os passos para lhe acompanhar – fiz exatamente o que criticava em você. Mas, eu queria encontrar uma saída sozinha, entende?

O moreno soltou um suspiro, porém não parou o caminhar.

Esse é o seu grande problema. Sempre quer resolver tudo sozinha, sem auxílio de ninguém, querendo provar sua independência e força. A essa altura da vida, com tudo o que estamos vivenciando, já devia saber que sozinho não é a melhor estratégia de se vencer os obstáculos.

— Não quero ser um peso morto – enfim coloquei para fora – Você, Lucy e Natsu podem lutar muito bem, sabem estratégias de guerra e tem uma aura de liderança os envolvendo. Não possuem medo de arriscar e mesmo que falhem, tentam novamente. E quando a mim? Sou uma garota com uma pena e tinteiro que pode fazer truques, mas num ataque mal consegue ajudar os amigos. Lá na cabana, vocês estavam lutando contra os rebeldes e eu estava na porta olhando.

Abaixei minha cabeça, escondendo o rosto provavelmente vermelho. Então duas mãos fortes apoiaram-se nos meus ombros, puxando-me para frente. Encostada em seu peito pude esconder as teimosas lágrimas que desciam pelo meu rosto. Seus braços rodearam-me e seu queixo se apoiou em minha cabeça, dando privacidade para meu choro.

— Levy McGarden é muitas coisas. Esperta, corajosa, fiel, companheira, carinhosa. Mas, inútil jamais foi e nunca será. A pessoa por quem me apaixonei é capaz de transformar os defeitos das pessoas em algo para elas batalharem. Aquele Gajeel de antes não abraçaria sua Magia e consequentemente não conseguiria salvar o seu irmão. Agora, eu possuo uma chance. Você faz mais do que imagina, Cariad.

Rodeei sua cintura com meus braços e apertei-lhe. Aquelas palavras pareciam bálsamo em minhas feridas emocionais, pouco a pouco aliviando minhas inquietações.

— Obrigada, Caru— sussurrei.

Gajeel passou as mãos pelo meu cabelo, fazendo leves afagos enquanto eu me acalmava.

— Então, qual era a ajuda que precisava? — ele pediu após um bom tempo em silêncio.

Respirei fundo e separei-me dele. Pousando as mãos na cintura, olhei-lhe firmemente.

— Quero que me ensine a lutar.

Notas finais
ps: Sim, me inspirei na maravilhosa bolsa da Hermione nesse capítulo, me processem. Capítulo pequeno se comparado aos outros, eu sei. Mas tentei ser fiel ao que me comprometi com Sigilo de fazer no mínimo com 2.500 palavras. E assim, saio como quem não quer nada após largar uma bomba. Beijos e luz a todos e até o próximo!
Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.