Sigilo

40 Capítulo 37 - Gajeel


Notas iniciais
Olá, como vão? Demorei um pouco essa vez, não? Mas, esse intervalo maior de tempo entre os capítulos vai se estender até janeiro, quando concluo minha faculdade. Espero que sejam pacientes comigo, haha. Queria muito responder cada review que recebi antes de atualizar Sigilo, mas não estou encontrando tempo para isso, portanto resolvi postar logo o capítulo e ir respondendo vocês conforme posso, assim, peço novamente que tenham paciência, pois quero dar toda a atenção que cada leitor/leitora merece. Quero agradecer a todos que comentaram e ajudaram a divulgar Sigilo, do fundo do meu coração. Mas, quero dar um abraço virtual e um beijão para a DarkAngelS2 pela belíssima recomendação! Suas palavras me ajudaram muito em continuar com a fanfic, assim, dedico-lhe este capítulo. Sem mais delongas, desejo-lhes uma boa leitura ^^

Sigilo

Capítulo 37

Gajeel

Foi um golpe de sorte achar uma cabana abandonada durante o amanhecer, pois o vento frio dificultava nossos avanços e tornariam as horas diurnas terrivelmente incomodas pelo fato de não podermos ascender fogo para nos aquecermos. Assim, aquelas velhas paredes de madeira eram nossa salvação.

Levy, Lucy, Wendy e Juvia ficaram dentro do que era a antiga sala, aquecendo-se com o calor corporal delas e o pequeno braseiro que conseguimos trazer. Enquanto isso, Natsu, Gray e eu verificávamos a área por precaução, após termos amarrado os cavalos no que parecia ser um estábulo aos fundos da cabana. Apesar de estarmos usando as capas fornecidas por Igneel, o vento ainda penetrava pela malha e gerava arrepios pelo corpo.

O clima fazia-me lembrar de minha estadia em Ilha Galuna, quando treinei na neve para aumentar a resistência corporal. Era engraçado como momentos importantes da minha vida ocorriam próximos ao inverno. A morte de minha mãe e mudança para Forte Negro foi no inverno. Minha volta ao Castelo foi no começo de outro. E agora corria de volta a Crocus para ajudar meu irmão e aqui estava a estação novamente.

— Tudo limpo por onde passei – Natsu comentou, tirando-me de meus devaneios.

— Aqui também – respondi, voltando-me para o rosado.

Natsu parecia confortável em meio ao vento, quase como se nem sentisse a temperatura. O que poderia ser bem provável dado a natureza de sua Magia.

— Você está com uma cara estranha – falei, notando o modo como olhava para a cabana.

Ele soltou um suspiro e sentou-se num tronco caído próximo de nós. Sentindo que meu amigo gostaria de conversar algo, sentei-me ao seu lado e esperei pacientemente.

— Digamos que estou num conflito interno – ele respondeu após um tempo em silêncio – existe uma questão que está me deixando louco.

— E o que seria?

Natsu desviou o olhar de mim e fixou-se em seus pés.

— Estou perdidamente apaixonado por Lucy.

— Porra! – exclamei, erguendo as sobrancelhas.

Por essa eu não esperava mesmo.

— Pois é – ele deu de ombros, ainda sem me olhar – existe parte de mim que sente vergonha desse sentimento, pois ela é casada com meu amigo de infância e desejar a esposa dele é um ato tão…

Ele balançou as mãos, procurando o adjetivo.

— Sujo? — sugeri.

— Algo assim.

— E a outra parte? — instiguei-o.

— Quer lutar com todas as garras por aquela mulher. Quer ter ela nos braços e não soltar mais – ele então voltou a me olhar – nunca senti por outra pessoa o que sinto por ela.

Eu não sabia o dizer sobre a situação dele. Só conseguia pensar ele está tão ferrado. Pois, Lucy já se casou com Rogue e mesmo que não tenham consumado, um casamento real tem muita força. E após toda essa bagunça ser ajeitada, ele não vai ter chances de conquistá-la, pois ela ficará lá como a Rainha que nasceu para ser e ele continuará como melhor amigo do Rei e provavelmente o novo Lorde protetor das terras do sul.

Nunca me senti tão feliz com a minha vida como neste momento.

— Você diz que nunca sentiu isso por alguém, mas já não foi comprometido com uma moça do sul? — indaguei, lembrando de uma conversa de muito tempo.

Natsu deu um riso amargo.

— Pensei em me comprometer com uma moça, porém ela jogou meus sentimentos aos porcos.

— Estou curioso – comentei, fazendo-o pensar em outra situação que não fosse a Lucy.

— Seu nome era Karen. Era uma moça muito bonita e simpática. Logo ficamos amigos e com o tempo fomos nos aproximando cada vez mais, estava começando a nutrir sentimentos por ela – ele havia pego uma pedrinha do chão e jogava-a de uma mão a outra – até que a flagrei na cama de Igneel. Por isso decidi ir para Crocus, aquele baile foi uma ótima desculpa para escapar deles.

Definitivamente minha vida era uma maravilha.

— Certo… podemos fazer da sua vida amorosa uma peça de teatro. Garanto que vai ser um sucesso – brinquei.

Ele riu sincero, como pretendia.

— Só vamos deixar essa última parte de fora.

Tomei uma longa respiração e pensei sobre o que me dissera. Natsu confiava em mim e essa conversa só confirmou isso, pois quem contaria ao cunhado da moça que estava apaixonado sobre seus sentimentos?

— Deve imaginar que é difícil para mim lhe dar um conselho bom, porém vou tentar. Afinal é um grande amigo meu e lhe tenho em alta estima. Não vou lhe dizer para sufocar e matar o que sente pela Lucy, nem para lutar por ela – falei, olhando-lhe sério – Continue sendo amigo dela, dando-lhe apoio e a ajudando, pois ela precisa de você nesse momento e deixe que a vida siga seu ciclo. O destino é algo que não prevemos e nem podemos controlar, as coisas que acontecem em nossas vidas têm um propósito. Mais adiante o que está acontecendo agora fará sentido e lhe abrirá novas possibilidades. Sempre podemos aprender algo com os ocorridos e este é mais um deles.

Natsu deu um sorriso pequeno e bateu de leve em meu ombro.

— Sinto-me aliviado de ter dividido isso contigo e grato por não ter me julgado como imaginava.

Então ele saiu, dizendo que verificaria o perímetro novamente. Entretanto, sabia que era para espairecer e pensar sobre o que conversamos. Dei um suspiro e analisei minha própria vida. Havia perdido a mãe cedo e então fui isolado, porém aprendi várias coisas e cresci como pessoa no tempo em que fiquei afastado. Então perdi a figura paterna, restando como família apenas meu irmão que precisava assumir a grande responsabilidade de ser Rei.

Mesmo que estivesse tranquilo enquanto Príncipe, havia a questão da Magia que me incomodava dia a dia. Pegava-me pensando como teria sido se eu não fosse Mago. Provavelmente seria Rei agora e estaria no lugar de Rogue. Senti um aperto no peito só de pensar que nesse novo universo não teria conhecido Levy. Já não conseguia me ver sem ela, pois sua presença tornou-se tão vital a mim que o fato de ser Mago já não me perturbava. Foi através dela que compreendi que havia nascido com um dom e não um fardo, que com essa Magia eu poderia ajudar a quem me era importante.

Ela havia feito com que eu me aceitasse como sou.

Gajeel RedFox. Um Mago. Um Príncipe. Uma pessoa.

Essa aceitação me fez pensar bastante sobre meu tempo com Mestre Hades, pois aquele senhor tinha o desejo de que eu me amasse e não rejeitasse meu dom. Ele via em mim possibilidades que eram esmagadas pelo preconceito ao diferente.

Levantei-me, uma ideia se formando em mente. Desde que havia ingerido o metal no calabouço, uma aula em particular com aquele velho vinha me cutucando, instigando-me. Procurei pelo chão algo que fosse de ferro, ou até mesmo qualquer metal, para testar uma teoria.

Próximo a varanda da frente da cabana havia uma tacha de prata, provavelmente caíra da vestimenta de um dos nossos. Peguei o item, dando de ombros. Serviria ao meu propósito. Retirando uma luva, pousei o item em minha palma. Esvaziei minha mente do mundo ao meu redor e foquei naquele pedaço de metal e o imaginei se esticando.

Sentindo o famoso formigamento na região do estômago, notei a peça moldar-se aos poucos. Fixei meus olhos nela e visualizei uma espécie de argola. A tacha foi alongando-se e tornando-se fina, então foi dobrando-se para o lado, formando uma curvatura. Em pouco tempo havia uma pequena argola em minha palma.

Um sorriso espalhou-se por minha boca, dado a minha exultação. Coloquei o item no bolso da roupa e procurei por outra coisa. Havia dado a volta na cabana, mas não tinha encontrado nada que pudesse ser utilizado. Soltando um bufo, apalpei-me a procura de algo que não fosse aquela argola.

Eis que me veio outra ideia. Não havia escutado nem aprendido algo do tipo, porém existia uma pequena intuição minha que dizia para tentar. O máximo de ruim que aconteceria era falhar. Assim, dei alguns passos para longe, ficando um espaço relativamente limpo e aberto entre as árvores que circulavam o local.

Retirei a outra luva e fechei os olhos, respirando fundo. Imaginei que estava criando uma conexão com a terra, como se minha Magia estivesse soltando finos filamentos que desciam pelo terreno, procurando minérios. Surpreendi-me com o fato de que realmente conseguia sentir toda a terra abaixo de mim e por um determinado diâmetro.

Coloquei mais vontade nisso, comandando os filamentos imaginários a encontrar ferro. Uma sensação calorosa foi tomando meus membros, principalmente os pés e mãos. Confiante de que conseguiria, esforcei-me mais. Até que um barulho alto soou e me fez abrir os olhos. Eis que a minha volta estava formando um exato círculo, composto por várias estacas pontudas surgiram do chão. A largura das bases eram de meu braço, afinando conforme subia até a ponta, e o tamanho chegava em minha cintura.

A porta traseira da cabana foi aberta num rompante. Levy e Juvia foram as primeiras a sair, seguidas por Wendy e Lucy. Elas olhavam a cena de olhos arregalados. Pelo canto do olho notei Natsu e Gray correndo até mim, provavelmente instigados pelo barulho.

— O que está acontecendo? — Levy pediu, descendo a pequena escada e vindo em minha direção.

Toquei uma estaca e enviei um pensamento como ordem. Imediatamente a estaca afundou-se ao chão, sumindo.

— Estou descobrindo novas coisas que posso fazer com minha Magia – respondi, jubiloso.

Sabendo da minha negação a Magia até pouco tempo, a baixinha ficou emocionada. Seus olhos ameaçaram se encher de lágrimas, mas ela as conteve.

— Isso é incrível – Gray admirou-se, passando a mão por uma estaca.

— Você precisa me ensinar isso agora! – Natsu anunciou, rindo.

Os demais começaram a tagarelar sobre a situação, imaginando novos meios que eu pudesse recorrer. Natsu tinha as ideias mais absurdas, fazendo com que Lucy e Levy lhe dessem broncas.

— Consegue rastrear os minérios na extensão da cabana? — Wendy pediu, tímida.

— Boa ideia – respondi, para deixá-la feliz por ter ajudado em algo.

A pequena curandeira corou de leve, não acostumada com elogios.

Fechei os olhos novamente e imaginei os filamentos, dessa vez comandando-os a sondar todo o local ao redor da construção. Era engraçado que agora sabendo dessa capacidade, o conhecimento de quais tipos de minérios estavam escondidos na terra vinha fácil até mim, como se estivesse-os pegando nas mãos em vez de magicamente.

— Ferro em grande quantidade, um pouco de prata e pequenas quantias de ouro – fui narrando o que encontrava.

Então surgiu algo inusitado em minha procura, como se os filamentos fossem desviados por uma força invisível em um determinado ponto abaixo da cabana. Abrindo apenas um olho, dirigi-me para dentro do local, ignorando os gritos surpresos pelo movimento repentino.

Guiando-me pela Magia, fui andando pela sala de jantar, entrando no que deveria ser a cozinha dali. Meus filamentos pareciam ganhavam mais força quando me aproximava deles, e naquele cômodo a presença era alta. Continuei tentando transpor a força que me impedia, mas não obtinha sucesso.

— Gajeel? — Levy perguntou, sua voz baixa para não me desconcentrar.

— Tem algo aqui embaixo. Consegue sentir a Magia? — retruquei, passando o olho aberto por toda extensão do chão a procura de uma porta escondida ou entrada para algum alçapão.

— Continue concentrado e me diga exatamente onde acredita que tenha algo – ela instruiu-me. Ouvi a tampa de seu pote de tinta ser aberto, esclarecendo o que pretendia fazer.

O restante do grupo permaneceu na porta, apenas observando o que ocorria em silêncio. Fechei o outro olho novamente e concentrei-me, focando em onde os filamentos eram desviados. Fui caminhando as cegas, confiando em Levy para que não me machucasse por trombar em algo. Parei quando senti os fios agitarem-se enlouquecidos, rebatidos pela força.

— Aqui – falei, abrindo os dois olhos dessa vez, desligando o rastreamento.

Pequenas gotículas de suor surgiram em minha testa devido ao uso seguido da Magia. Estava parado em frente a duas estantes, uma contendo as portas levemente abertas, porém consideravelmente conservada, a outra estava parcialmente destruída pelo cupim, encostada no canto próximo a janela. Levy agachou-se e escreveu no chão com o dedo a palavra procure.

A palavra transformou-se numa flecha e apontou diretamente para a estante próxima da janela, brilhando intensamente. Com um rápido olhar para os demais, Gray e Natsu vieram ao meu lado, ajudando-me a retirar o móvel do lugar, pois o mesmo era fundo e pesado, apesar de corroído.

— Aqui! — Lucy exclamou por cima do ombro de Levy, olhando para baixo onde a estante estava.

O que Lucy apontava era um alçapão retangular e relativamente largo, o suficiente para uma pessoa passar e ainda conseguir ser escondido pelo móvel. Juvia abaixou-se e com um pouco de esforço ergueu a tampa, abanando um pouco o ar a sua frente pela poeira levantada.

— Alguém precisa fazer uma faxina urgente por aqui – Natsu comentou, olhando o pó.

— Alguém já fez uma pequena faxina. Olhem – Gray comentou, apontando para as proximidades do alçapão.

De fato, o local ao redor da entrada estava mais limpo do que o restante da cozinha, sinalizando que outra pessoa tinha conhecimento desse local e sabia do esconderijo.

— Vou entrar primeiro – Natsu anunciou, agachando-se ao lado da azulada.

— Juvia acredita que precisamos de uma tocha antes.

— Desnecessário – o rosado respondeu, erguendo uma mão e a incendiando.

Ele então preparou-se para descer, uma mão firmando na borda para pular, pois não havia escada para a descida.

— Cuidado – Lucy falou, seu olhar preocupado.

Dei uma analisada na pose de minha cunhada, observando bem o modo como se projetava para Natsu. A mão fechada em frente ao peito junto do olhar que transmitia, dava-me dúvidas se o sentimento confessado a mim por Natsu não era recíproco por parte dela também.

Foco no que interessa no momento, Gajeel. Pensei, voltando a olhar Natsu.

Com um impulso ele pulou, sumindo de nossas vistas. Os segundos após sua entrada foram de suspense, pois não tínhamos ideia do que poderia conter naquele local.

— Tudo limpo! — sua voz exclamou, ecoando – quer dizer, se não contarmos a tonelada de poeira que tem aqui.

Soltei um curto riso. Somente Natsu conseguia fazer com que as situações tornassem mais leves com seu humor.

— Próximo? — Juvia brincou, entrando no clima, indicando com a mão livre – pois a outra segurava a tampa do alçapão – a entrada.

Um após o outro fomos pulando, juntando-se ao Dragneel que iluminava o local com sua Magia. O alçapão dava a um longo corredor de pedras. Debaixo de nossos pés deveriam conter as mesmas pedras, mas estavam ocultas pela poeira acumulada, tornando-se uma cama que abafava nossos passos.

Também abafaria de um provável inimigo.

Com esse pensamento em mente transformei minha mão numa garra. Gray que fechava a fila parecia ter imaginado o mesmo, pois conjurou uma espada de gelo de aparência bem afiada.

Passo a passo fomos nos aventurando pelo corredor, os ouvidos atentos ao menor sinal estranho. Juvia tinha o olhar afiado, igualmente concentrada, era cômico como me sentia mais tranquilo com ela ao nosso lado, sabendo de sua capacidade de luta.

Não demorou muito para que o corredor se alargasse, formando uma espécie de antessala em semi-círculo, abrigando uma larga porta também de pedra ao seu final. Haviam duas tochas ladeando a porta, Natsu dirigiu-se até elas e as ascendeu, iluminando melhor o local.

— Já vimos essa cena antes, não? — Wendy comentou, fazendo com que todos pulassem de susto.

— Sim – Levy concordou, provavelmente lembrando do modo como escaparam do ataque de Erza ao refúgio dos Magos.

Respirando fundo, moldei minha Magia novamente, sondando o local e confirmando a teoria de que a força estava naquela porta. Assim que contei-lhes, Levy aproximou-se dela e passou a palma por pela extensão que conseguia. Meus nervos ficaram em estática em preocupação de conter alguma armadilha que viesse lhe machucar, entretanto nada ocorreu.

— Esta porta poderia conter algo como um feitiço de proteção ou até mesmo ocultamento – a baixinha comentou enquanto Gray ia ao seu lado, desfazendo-se da espada – poderia ser algo parecido com o que Erza usou no livro? — ela pediu, concentrada.

— Não me parece ser isso – ele respondeu, pensativo, sua mão direita apoiando o queixo – quando se trata daquela espécie de Magia qualquer Mago pode senti-la. No caso dessa, não reconheço sinais mágicos. Se não fosse por Gajeel, julgaria ser uma porta comum.

— Só existe um meio de saber o que faz – Natsu falou, entrando na frente dos dois e empurrou a porta com o ombro.

Não havia uma maçaneta, mas uma argola grossa ao seu centro e estava obviamente bem segura em seu lugar. O rosado forçou mais quatro vezes e então a porta cedeu um pouco. Gray e eu fomos ajudá-lo e com um pouco mais de esforço a abrimos. O recinto o qual guardava era uma câmara oval e vazia. Com o auxílio das tochas andamos pelo local e nada constatamos.

— Estou decepcionado – resmunguei.

Havíamos descido até aqui por uma suposição minha e provou-se ser nada.

— Esperem um pouco – Levy pronunciou.

Gray e Natsu que ainda estavam dentro da câmara lhe olharam com expectativa.

— Feitiços comuns podem ser detectados por qualquer Mago, certo? — ela começou, fixada no moreno que assentiu sem entender para onde queria ir – então em caso de feitiços específicos apenas aqueles com Magia idêntica poderiam identificar que existe um feitiço escondido?

— Em teoria sim – ele concordou – se for este o caso, não temos ninguém com o estilo.

— Mas, eu senti a força antes – entrei na conversa.

— Está sentindo algo agora da porta, sem o uso da sua Magia? — Natsu questionou, também curioso.

Olhei para o assunto da conversa, sério. A única coisa que sentia era a minha cara de tacho ao olhar uma simples porta de pedra.

— Nada – respondi.

Gray ficou em silêncio por alguns segundos, sua testa franzida. Então sua expressão se suavizou como se entendesse algo.

— Gajeel não identificou o feitiço na porta, sua Magia que fez. Ele precisou chamá-la novamente para confirmar e desde então não teve mais o pressentimento.

Fazia muito sentido.

— E sua Magia só sentiu a presença da outra e não a sua particularidade – Natsu emendou.

— Mas, você está sentido algo – Lucy comentou, olhando para sua amiga com um sorriso maroto – Acertei, Levy?

Levy assentiu, um pouco nervosa com a atenção que recebia.

— Oh! — Gray exclamou – então vamos usar a sua Magia – completou, animado.

Levy sempre conseguia entender as coisas com mais facilidade, porém não gostava de ser quem comandava algo. Torcia as mãos devido os olhares dos demais, os dedos ainda sujos de tinta. Posicionei-me ao seu lado, minha mão pousando em seu ombro, enquanto dirigia-me aos outros dois.

— Seria melhor fechar a porta novamente – a baixinha falou, sua voz um pouco trêmula.

Por conta da poeira, Juvia precisou ajudá-los a fechar, dado a argola ser o único item que os permitissem puxá-la. Assim que conseguiram, saíram rapidamente da frente, indo para o mesmo local que Lucy observava. Inclinei minha cabeça sob a de Levy, aproximando-me de seu ouvido.

— Ouça seus instintos – aconselhei e então dei dois passos para trás.

Ouvi-a respirar fundo e abrir o frasco novamente, mergulhando o dedo indicador na tinta. O modo como encarava a porta me dizia que ela já não prestava a atenção em nós, estava conectada a Magia que ali emanava e que apenas ela poderia sentir.

Com eficácia e rapidez, escreveu Mostre em letras grandes, finalizando com um símbolo estranho ao lado da palavra. No exato momento em que seu dedo deixou de ter contato com a pedra velha, as letras iluminaram-se e alargaram-se, preenchendo a porta inteira.

Num piscar de olhos nos encontramos olhando para uma porta totalmente diferente. Branca e recheada de arabescos em dourado, combinando com a maçaneta redonda que havia na extremidade. Extasiada pelo que fizera, Levy prontamente abriu-a nos mostrando a nova câmara que se escondia pela Magia.

Ela era oval como a outra, porém estava limpa com vários tapetes espalhados pelo chão. Haviam várias estantes do chão ao teto contento vários livros, frascos, plantas e objetos. Ao fundo havia uma espécie de lareira, porém não parecia ter a abertura usual para saída da fumaça, contento no chão um braseiro já aceso que emanava um calor aconchegante e vários travesseiros largos espalhados pelo chão. Por fim, haviam três lustres em fila da porta até a lareira, iluminados magicamente.

Animados, descalçamos os sapatos e adentramos no recinto, olhando e tocando tudo que podíamos. Juvia parecia encantada com uma coleção de vidros contento vários líquidos coloridos, Natsu olhava a lareira acesa e tentava entender como funcionava já que não possuía chaminé, Lucy bisbilhotava os livros de capas coloridas, Wendy e Levy estavam concentradas na estante com as plantas.

Fiquei um pouco perdido com toda a informação, sem saber por onde olhar primeiro, resolvendo então caminhar entre as estantes. Por conta dessa curta peregrinação acabei por me deparar um baú escorado a uma parede, logo abaixo de um quadro realista. A pintura mostrava um senhor de estatura pequena, careca, de grossas sobrancelhas castanhas, um pequeno bigode e um queixo sobressaliente. Aproximando-me do retrato notei uma escrita em caligrafia fina e caprichada.

— Mestre Yajima – sussurrei, lendo.

— Achou algo?

Dei um pequeno pulo de susto com a fala repentina. Virando-me um pouco notei Lucy atrás de mim, olhando o retrato com curiosidade.

— Aconselho não repetir isso. Poderia acabar lhe machucando – comentei, bufando.

— E aconselho-te a não se desligar do mundo, principalmente em lugares estranhos – rebateu, rindo de leve.

Dei de ombros, mostrando que ela ganhara.

— Estou supondo que ele seja o dono disto aqui – com uma mão apontei a pintura e com a outra indiquei o local.

— Mestre? — indagou, lendo o mesmo que eu antes de sua chegada.

— Também achei interessante – comentei, escorando-me na parede – geralmente se auto intitulam Mestres aqueles que exercem o ensino aos demais. Pela quantia de livros e pelo feitiço de proteção, estou deduzindo que seja um Mestre de Magos Scripts.

— Levy não comentou que seu pai havia achado uma biblioteca particular de um Mago Script e com isso encontrou a cura? — Lucy demonstrava total concentração no assunto.

— Está dizendo que essa é a biblioteca?

— Pense comigo – ela olhou-me séria – de acordo com o relato de Gyren McGarden, a biblioteca estava escondida em uma cabana abandonada e que apenas um Mago Script poderia acessá-la – ela então fez uma contagem com os dedos, erguendo três deles – achamos um casebre – baixou um dedo – Apenas Levy pode abrir a passagem para este local – baixou o segundo – e nos deparamos com uma biblioteca praticamente imaculada – finalizou, baixando o último dedo.

— A entrada pelo alçapão estava parcialmente limpa como se tivesse sido visitada depois da cabana ter sido abandonada – respondi, seguindo sua linha de raciocínio que era muito lógica.

— Possivelmente por conta da visita do pai de Levy.

Senti meu coração bombear o sangue mais rápido de emoção por termos encontrado essa preciosidade por acaso. Foi um tremendo golpe de sorte termos nos esgueirado através dos ventos e parar justamente no mesmo casebre que Gyren visitara anos atrás.

— Então deve ter mais livros ou anotações sobre a cura por aqui – comentei, começando a caminhar para o centro da câmara a fim de comunicar os demais sobre o que descobrimos.

Lucy sorriu e me seguiu, porém nossa curta jornada foi interrompida por uma presença inusitada, parada no batente da porta, segurando Wendy pelo braço e com uma faca apoiada no pescoço da pequena Maga.

— Que sorte a minha encontrá-los. Erza-sama ficará contente – a mulher falou, sorrindo.

Natsu deu dois passos a frente, olhando incrédulo para a estranha.

— Karen?

Notas finais
E então, o que acharam? Para aqueles que chutaram que os acontecidos dos especiais teria relação com o enredo atual, digo que acertaram e podem notar isso se prestarem atenção. (tanto Gajeel quanto Natsu). Várias coisas ocorreram, não é? Gajeel e sua Magia, a Biblioteca, a magia de Levy e a aparição de Karen. Quem chuta uma treta no próximo capítulo? Haha. Espero que tenham gostado e estou muito ansiosa pelo feedback de vocês ^^ Um grande abraço e um beijo! Até a próxima!