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29 Capítulo 28 - Lucy
Notas iniciais

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Capítulo 28
Lucy
— Oh meus Deuses! Vocês fizeram! — exclamei, boquiaberta com as novidades que minha amiga, Levy, acabara de contar.
— Lucy! — repreendeu-me.
Nós duas estávamos sozinhas em meu aposento organizando os itens para minha preparação de noiva. Dispensei as aias habituais, usando a desculpa que em Ghaléia a noiva se arrumava apenas com a presença de sua madrinha. O que era uma completa mentira, mas eu desejava que apenas Levy ficasse ao meu lado num momento como esse.
Por conta disso, ela trouxe seu vestido e itens para que se arrumasse junto comigo. E pela enorme quantia de coisas que estavam jogadas em minha cama, precisávamos arrumar tudo antes de nos arrumar. Foi em meio ao trabalho que Levy confidenciou-me que havia dormido com o Príncipe na noite passada.
Isso explicava as marcas em seu pescoço. Ela precisaria de um pouco de camuflagem para escondê-las.
— Nem precisamos de um plano – dei uma risada.
— Pois é – Levy concordou, sorrindo também.
Na realidade, minha amiga estava toda sorridente desde que fui lhe buscar em seu quarto pela manhã. Precisei deu uma boa dose de chantagem e insistência para que ela finalmente me contasse o motivo de sua postura radiante.
— Como foi? — pedi, curiosa pelos detalhes.
Levy imediatamente ficou vermelha, combinando com a faixa que trazia em sua cabeça.
— Cuidadoso e carinhoso – Levy confidenciou, sentando-se no espaço limpo da cama.
Imitei seu gesto, empurrando para o lado as joias que tinha retirado do baú.
— Doeu?
Sempre me perguntei como eram as relações. Em Ghaléia costumava pegar as conversas entre as aias e empregadas de lá, tentando descobrir as coisas. Umas diziam que doía demais na primeira vez, outras contavam que era maravilhoso depois que perdia-se a virgindade. E pelo andar das carruagens, eu perderia a minha nesta noite.
— Um pouco. Depois senti um leve desconforto, nada que atrapalhasse o momento. Gajeel trabalhou bastante antes para que eu não ficasse nervosa.
Meu rosto estava em igual tom ao dela, podia sentir o calor se acumulando em minhas bochechas.
— Foi rápido? Devagar? — continuei com o interrogatório.
Levy a essa altura já tinha entendido o motivo de tantas perguntas e se esforçava em dar-me respostas boas o suficiente sem contar toda a intimidade do momento. Mesmo tendo cuidado com as palavras, de vez em quando escapava um detalhe sórdido ou outro, deixando nós duas ainda mais vermelhas.
— Doeu um pouco hoje pela manhã quando acordei, principalmente quando fui ao banheiro fazer a higiene matinal. Até sangrou um pouco – concluiu ela, voltando ao trabalho de separar os itens.
Depois disso fomos tomar banho, pois já era meia tarde e a cerimônia seria no início da noite, ao pôr do sol. Levy ajudou-me, esfregando as costas e lavando meu cabelo. Permiti-me relaxar durante um tempo, conforme ela esfregava os fios com delicadeza.
— Lucy? — Levy chamou-me.
— Sim?
Abri meus olhos e inclinei um pouco a cabeça para poder vê-la. Nós duas estávamos na enorme banheira do meu aposento, sendo que eu estava de costas e apoiada em suas pernas para que ela me ajudasse com o cabelo.
— Preciso te contar uma coisa a respeito daquele dia.
A voz de minha amiga era séria, fazendo com que eu me sentasse direito.
— O que houve? — pedi.
— Logo depois que acordei em meu quarto – ela se referia quando voltou após dormir por quatro dias – resolvi pesquisar naquele meu livro o significado daquela Magia que usei em você.
— Você devia ter descansado – censurei-lhe.
Levy apenas sorriu-me.
— Só pude realmente descansar um pouco depois de saber a verdade, Lucy.
— Verdade?
Ela pegou minhas mãos e as segurou firmemente.
— Você está curada da doença.
Levei um tempo para absorver a frase dita, e quando fiz minha boca escancarou-se.
— Levy! — exclamei, incapaz de dizer outra coisa.
Em minha mente Levy tinha amenizado os sintomas da doença ao nível baixo, igual aos primeiros estágios, dando-me mais tempo para planejar como contar a verdade a Rogue. Jamais passou pela minha cabeça que estava curada, afinal, ninguém havia encontrado a bendita cura.
— O que vou lhe contar só é de conhecimento meu e de Gajeel, e por enquanto não pretendo dizer a mais ninguém. Salvo Natsu, talvez. Pois, num momento como esse seria perigoso para mim e aqueles ao meu redor – Levy falava séria, fazendo-me ficar um pouco com medo.
— Jamais contarei sobre isso. Devo-lhe a minha vida – jurei, dando um aperto em suas mãos.
Levy então contou-me como descobriu a fração da alma de seu pai que estava presa ao livro, e sobre a conversa que tiveram naquele dia. Minha amiga era a cura que tanto procuravam, a sua Magia era a única coisa capaz de expulsar a doença de uma pessoa, como havia feito comigo. Ela própria também estava curada, uma das últimas coisas que seu pai havia lhe feito antes de morrer. Nesse ponto, Levy já chorava pela dor de ter perdido seu pai duas vezes, mesmo que estivesse feliz de ter podido conversar uma última vez com ele.
— … e tem mais uma última coisa que ele confidenciou-me, Lucy. Muitas vezes, dependendo do grau que a pessoa curada se encontra, ela pode perder a sua Magia durante o processo de cura – finalizou ela, olhando-me com uma pergunta muda.
— Não tentei usá-la depois do cativeiro – contei, franzindo o cenho.
— Conseguiria usá-la agora para sabermos se perdeu ou não? — ela pediu.
Entendi a razão de sabermos sobre isso. Erza precisava da minha Magia para concluir sua arma, a questão do sangue eu não tinha certeza sobre isso, pois tinha ouvido enquanto estava um estado de semiconsciência. Caso eu tivesse perdido minha Magia, Erza estava impossibilitada de concluir a arma, e não teria uma vantagem sobre Rogue.
Saindo com cuidado da banheira, respirei fundo e comecei o processo de puxar minha Magia do fundo do meu ser. Tentei várias vezes sentir aquela comichão em meu umbigo, mas a única coisa que sentia era a água escorrendo de mim. Só havia um modo de confirmar, então. Tomei outra longa respiração e abri os braços.
— Venha a mim, Lupus! Dou início ao seu serviço! — proclamei a frase de invocação das Constellationibus, optando por Lupus, pois atenderia mais fácil ao chamado por ter sido invocado recentemente.
Nada.
Não ocorreu absolutamente nada.
Olhei para minha amiga de olhos arregalados. Eu realmente perdera minha Magia, jamais conseguiria invocar qualquer Constellationibus. Perceber isso me deu um misto de alegria e tristeza. Alegria por saber que Erza não concluiria a arma. Tristeza, pois nunca mais poderia ter a companhia de meus velhos amigos da infância.
Incrivelmente foi a tristeza quem prevaleceu.
— Eu a perdi – comentei, segurando o choro.
Levy saiu da banheira e correu abraçar-me.
— Eu sinto tanto, Lucy!
Chorei em seu ombro pela perda das Constellationibus por um tempo. Era uma herança de minha mãe, algo que apenas nós duas compartilhávamos. Lembranças de quando era pequena passaram por mim naquele momento, relembrando de como aquelas estrelas me trouxeram alegrias quando criança. Veio a antiga dor de tê-las abandonado após o falecimento de Layla, e agora a nova dor de perdê-las para a doença.
— Não é sua culpa, Levy. Você fez um milagre em mim. Curou-me. Se perdi minha Magia foi por conta da doença e não sua. Não quero que se culpe, entendeu? — segurei seus ombros com firmeza – e tem razão em guardar segredo sobre isso. Nem quero imaginar se o seu talento cair nos ouvidos de Erza.
Para impedir-me de pensar na perda da Magia e de Levy de se culpar, nos distraímos em nos aprontar para o casamento. Primeiro ajudei Levy a se vestir e fiz seu penteado, aproveitando que os fios estavam úmidos pelo banho. Com o passar do tempo fomos esquecendo a conversa anterior e ficamos repassando todos os detalhes da cerimônia, para vermos se não esquecemos de nada.
— Você está linda! — exclamei assim que minha amiga ficou pronta.
Levy tinha escolhido um vestido de cor amarela, realçando o azul de seu cabelo. O corte era tomara que caia, com mangas separadas na altura do decote. As bordas superiores tanto das mangas quanto do decote eram repletas de pedras preciosas de diversas cores. A barra do vestido e das mangas continham arabescos em fios coloridos, do mesmo tom das pedras. A saia era rodada da medida, dando-lhe o ar de nobreza sem achatar-lhe o tamanho. O corpete lhe apertava o tronco, dando a impressão de que possuía mais seios. A cintura era rodeada por um fino cinto, também incrustado de pedras. Os cabelos foram presos em um coque alto, adornado por uma tiara dourada, deixando apenas alguns fios soltos nas laterais do rosto. Os brincos e o simples colar combinavam com a tiara. Ela parecia uma Princesa.
— Obrigada – ela sorriu, e então estreitou os olhos – mas, precisamos nos apressar para vestir a noiva. Sente-se, Lucy – ordenou, apontando para o banquinho que tinha estado anteriormente.
Levy preferiu trabalhar com meu cabelo primeiro, dado ao comprimento dele. Optamos por um penteado semi preso, onde ela trançou as laterais e juntou as pontas atrás, prendendo-as com elástico e escondendo o item com várias pequenas flores vermelhas e douradas. As pontas foram presas temporariamente para que ficassem cacheadas durante a cerimônia, e alguns fios emolduravam meu rosto, completando o arranjo.
Ao contrário de Levy, as mangas de meu vestido eram anexadas ao resto dele. Ele possuía o corte parecido com o dela, sendo tomara que caia, mas o decote era em forma de coração, devido a minha quantia de busto. As mangas terminavam em forma de gota nos pulsos, estendendo-se até o chão. A saia era amplamente rodada, o que tornava um pouco complicado vesti-lo sem amassá-lo.
Na parte da frente do corpete estava bordado em fios de ouro o lema dos RedFox, um dragão coroado em pleno voo e quatro espadas apontadas para ele. Nas mangas e barra da saia vários filamentos, também em fios de ouro, subiam e serpenteavam-se, dando ilusão de que eram chamas. A cintura era adornada por um cinto dourado com rubis e diamantes, com seis correntes de ouro caindo pela saia, rodeando-me. O colar era o mesmo que Rogue havia me presenteado, sendo somado mais uma pequena gargantilha dourada na base do pescoço com três rubis no meio.
— Uma Rainha – Levy comentou, enquanto eu me analisava no espelho de corpo inteiro do quarto.
A partir de hoje deixaria a Princesa Lucy Heartfilia para trás e me tornaria Rainha Lucy RedFox de Fiore.
(…)
Por mais que tivesse repetido milhares de vezes em minha cabeça que aquilo era política, que era para o bem de todos em Fiore, minhas pernas tremeram quando fomos nos aproximando do Jardim da Rainha. Meu coração batia acelerado dentro de mim, praticamente voando para fora. Levy mantinha sua mão firme na minha, dando-me apoio.
— Iniciem a marcha real – Levy comandou aos presentes quando chegamos na ante sala da cerimônia, que era na verdade o corredor que dava acesso ao Jardim e que fora fechado por longos panos vermelhos e dourados, as cores reais, para dar privacidade a minha chegada.
Dois guardas prontamente correram para fora e então ouvimos uma comoção, provavelmente os músicos se posicionando para tocar a marcha.
— Wow – Gajeel soou admirado, entrando na ante sala.
Por Sting estar em Ghaléia nesse momento, ele estava impossibilitado de levar-me até o altar. Então resolvemos tirar o pó de um costume antigo de Fiore quando se tratava de casamentos reais. A futura Rainha seria levada pelos seus padrinhos elegidos até o Rei.
— Pronta? — Levy perguntou, posicionando-se ao meu lado esquerdo, já que Gajeel ocupava o direito.
— Na medida do possível – dei um sorriso, tentando me acalmar.
— Se você tropeçar nisso tudo – Gajeel indicou a rodada saia com a mão livre, já que uma segurava meu braço – podemos cair também para não passar tanta vergonha.
Nós três rimos da tentativa de Gajeel de alegrar o clima. Era fofo o modo como ele tentava fazer com que as coisas ficassem mais leves. Estava verdadeiramente feliz que Levy tinha encontrado uma boa pessoa.
— Eu ia puxá-los de qualquer maneira – respondi, ainda rindo.
Nossa conversa foi interrompida pela marcha real que iniciara-se naquele momento. As cortinas que nos separavam na entrada foram abertas, dando-me a visão do local agora cheio de convidados. Analisando rapidamente notei que os Magos estavam dispostos da fileira da esquerda, com Natsu no meio deles, e os demais convidados, em grande parte conselheiros, estavam na fileira da direita, com Kagura no meio deles.
Foquei meu olhar em Rogue, fugindo da visão de Natsu. O pequeno contato que tivemos foi o suficiente para ver uma enorme tristeza em sua postura, fazendo meu coração apertar-se. Expulsei os pensamentos sobre Natsu e observei meu futuro marido enquanto dávamos inicio a caminhada até o altar, sentindo minhas mãos tremerem ao segurar o buquê.
Rogue estava esplêndido. Trajava vestes de Rei, inteiramente em vermelho e dourado. Assim como eu, estava bordado no peitoral de suas vestes o lema real, exceto que aquele dragão quase parecia real e fitava-me com os olhos de rubi. Uma longa e pesada capa estava presa ao seu ombro direito, dando-lhe um ar de poderoso. Sua coroa era lindíssima, feita de ouro e prata com vários rubis e diamantes pontilhados ao redor dos dois dragões que adornavam a frente da coroa.
Ele deu dois passos a frente do belíssimo arco florido que era o altar para receber-me de Gajeel e Levy. Dei uma simples reverência a ele, junto dos nossos padrinhos, recebendo outra de Rogue. Entreguei meu buquê a Levy, então Rogue e eu dirigimo-nos de mãos dadas até onde o sacerdote estava. Entre nós e o sacerdote estava uma mesa ricamente decorada, amparando uma majestosa coroa e um papel onde assinaríamos nosso compromisso.
— Estamos aqui neste dia especial para afirmar a união entre os reinos de Fiore e Ghaléia, por meio desses dois jovens, o Rei Rogue RedFox de Fiore e a Princesa Lucy Heartfilia de Ghaléia – o sacerdote falou, sua voz ecoando por todo Jardim da Rainha com facilidade – que este dia seja marcado em vossas vidas e que sejam o marco para uma nova era.
O velho homem que era o sacerdote continuou falando por vários minutos, sobre como os Deuses abençoavam esta união, que em momentos de perigo e guerras como este deveríamos nos manter unidos, e muito mais. Rogue manteve o rosto neutro o tempo todo, sua mão segurava a minha com firmeza, sem demonstrar nenhum sinal de hesitação.
— Portanto, peço a vós, Rei Rogue RedFox. Aceita a Princesa Lucy Heartfilia como sua esposa, dando-lhe lugar em sua casa, sua vida, seu coração e alma? — a pergunta do sacerdote trouxe-me a realidade.
— Aceito – Rogue respondeu firme, sua voz alta e clara.
— Peço a vós também, Princesa Lucy Heartifilia. Aceita o Rei Rogue RedFox como seu marido, dando-lhe lugar em sua casa, sua vida, seu coração e alma?
— Aceito – respondi, minha mente fixa no que aquilo representaria. Pelo bem de Fiore. Pelo bem de Levy. Pelo bem de Natsu.
Rogue então inclinou-se para assinar o pergaminho, passando-me a pena logo em seguida. Consegui manter minha mão firme enquanto assinava, mesmo que meu interior tremesse por completo. O sacerdote derramou a cera vermelha logo embaixo das assinaturas e entregou um carimbo a Rogue que prontamente o pressionou contra a cera, validando nosso casamento. Meu coração pulava igual louco quando Rogue pegou a coroa tão bela quanto a sua, porém um pouco mais fina e delicada, e vira-se em minha direção.
— Corôo-te, Rainha Lucy RedFox de Fiore – anunciou em voz alta, pousando a coroa em minha cabeça.
Uma salva de palmas iniciou-se, ao mesmo tempo que Rogue pegava minha mão novamente e nos virávamos para os convidados.
— Viva ao Rei! Viva a Rainha!
O coro ergueu-se cortando a noite que caía.
Fixei meu olhar no corredor que entrara, negando o meu profundo desejo de olhar para Natsu. Doía estar tão perto dele e ao mesmo tempo tão longe. Foi por estar concentrada em ignorar Natsu que notei uma figura se aproximando do local.
Apertei a mão de Rogue com força, chamando sua atenção quando reparei de quem se tratava.
— O que foi, Lucy? — ele pediu, confuso com a minha reação.
Abri a boca para responder, mas um riso de escárnio cortou-me.
— Permitam-me presenteá-los por seu ridículo casamento – Erza abriu os braços.
— Guardas! — Rogue gritou imediatamente.
Vários convidados ergueram-se e fitavam a cena assustados. Tentei procurar Natsu, Levy e Gajeel no meio de todas as pessoas, mas havia os perdidos de vista naquela pequena fração de tempo.
— Infelizmente nenhum guarda atenderá ao seu chamado, Majestade – Erza tinha um semblante jubiloso.
Uma segunda figura emergiu do corredor, parando atrás da ruiva. Senti meu sangue congelar ao notar quem era. Ou melhor, o que era.
— Saiam todos daqui! – gritei.
Nem precisava gritar, pois com a visão do novo chegado os convidados começaram a correr para longe do local, temendo por suas vidas. Agora conseguia compreender a magnitude dos planos de Erza e o porquê de querer a minha Magia. Quão ingênua fui ao pensar que com a perca da minha Magia ela não conseguiria completar a sua arma. Porém, só precisava-se do sangue do Mago para invocar um demônio.
Atrás de Erza estava Atrabos, um dos vários demônios que a minha Magia poderia invocar. Basicamente eu tinha o poder de trazer os Constellationibus apenas com minha força de vontade depois de um contrato com eles primeiramente. Eles eram estrelas que se personificavam quando invocados e possuíam diversas habilidades que auxiliavam seu invocador. Eles deviam obedecer fielmente quem lhe invocasse.
Mas, também havia a variante negativa do meu poder. Assim como poderia invocar as estrelas ascendidas também se valia para as caídas. Quando uma estrela caía ela transformava-se em um demônio, sendo exilada em outra dimensão. Por serem perigosas demais, a sua invocação era mais complicada. Precisava-se criar um enorme selo no chão e recarregá-lo com Magia, somente quando o selo estivesse cheio adicionava-se o sangue do Mago para invocá-los.
Erza só precisava do meu sangue, afinal.
Atrabos era horrendo. Sua pele era composta por escamas roxas pegajosas. As mãos eram compridas e finas, os dedos sendo duas vezes maior que o normal de um ser humano e afiados nas pontas. As pernas eram uma mistura de dragão com gavião, sendo as coxas a parte rapina e os pés dracônicos. Os olhos eram dois poços brancos leitosos, não possuía boca ou nariz. Três chifres cresciam a partir de sua testa, emaranhando-se no seu cabelo preto que mais pareciam milhares de cobras.
Estava tão concentrada no demônio que demorei perceber que estava sozinha do altar. Meu peito comprimiu-se ao ver Rogue jogar-se para cima de Erza com uma longa espada em punho, seu rosto demonstrava a vontade de matá-la.
— Coloque-o para dormir – Erza comandou a Atrabos.
Ele ergueu uma de suas mãos em direção a Rogue, fazendo com que o Rei caísse desacordado no mesmo instante. Esse era o poder de Atrabos, ele retirava o poder de comando da pessoa, subjugando a suas vontades. Ele podia mandar e desmandar em quem quisesse, salvo o Mago que lhe invocara. Perguntava-me como Erza tinha o feito lhe obedecer, pois não era uma Maga Estelar como eu.
O que ocorreu a seguir foi um verdadeiro pandemônio.
Magos Rebeldes entraram no Jardim por todos os lados rendendo os convidados. Os Magos Revolucionários foram caindo ao chão, desacordados por Atrabos. Os guardas do Castelo deviam ter recebido o mesmo destino anteriormente. Erza não lhe mandara desacordar todos, pois gostava de ver os outros lutarem, apenas certificou-se de que ganharia. Pelo canto do olho finalmente vi onde Gajeel e Levy estavam. Os dois lutavam contra vários Rebeldes Vermelhos e pelo visto estavam ganhando.
Estava pronta para correr até eles quando senti uma mão agarrar-me pelo braço e puxar-me bruscamente para fora do altar. Tentei gritar, mas uma segunda mão tapou minha boca, impedindo-me de tal coisa.
— Pare de lutar, Lucy!
Imediatamente reconheci quem me puxava para fora do Jardim. Era Natsu.
— O que está fazendo? — pedi, agora correndo ao seu lado – não deveríamos ir lá e ajudá-los?
— Acredite em mim, estamos ajudando.
Ele respondeu ateando fogo nos panos que adornavam a estrutura de metal que decorava o local. O fogo subiu rápido, distanciando os Magos Vermelhos de Erza que ameaçaram nos seguir. Satisfeito pelo que tinha feito, Natsu agarrou-me novamente e forçou-me a correr junto dele.
— Rogue ainda está lá! Ao alcance de Erza! — exclamei.
Já estávamos em uma das passagens que dava para o restante do Castelo, um pouco longe da confusão que ocorria atrás de nós, quando um grupo de Rebeldes Vermelhos nos interceptaram, cortando nossa fuga. Natsu soltou-me e continuou embalado para cima do grupo, incendiando-se no caminho.
Peguei um galho que estava caído ao chão e ajudei-o como podia, acertando as cabeças dos Rebeldes que escapavam dos golpes cheio de fogo de Natsu. Juntos, como uma equipe, conseguimos dobrar o grupo, que para nossa sorte eram pessoas comuns, ou não teríamos tanta facilidade na luta.
Natsu puxou-me novamente pela mão, tornando a correr assim que nos livramos deles. Ele parecia seguro do que fazia, virando os corredores sem pensar duas vezes por onde seguia. Tinha que admitir que estava um pouco aliviada de não estar mais na presença de Erza e do demônio, mas a outra parte se remoía por ter deixado Levy, Gajeel, Rogue e os demais para trás.
— Natsu – chamei sua atenção quando chegamos aos estábulos.
Quatro cavalos estavam selados e prontos, o símbolo das celas indicavam que eram da guarda. Natsu imediatamente pegou um deles e fez sinal para que eu montasse.
— Por que estamos fugindo? — pedi novamente.
— Será que dá pra subir logo? Erza já deve ter reparado na sua ausência e não demorará a sair em sua busca – Natsu rosnou, impaciente, assustando-me um pouco – você precisa sair do Castelo nesse momento se quisermos ter uma chance contra ela!
— Eu não sou mais Maga, Natsu! Perdi minha Magia quando fui curada por Levy! — exclamei.
Ele ergueu as sobrancelhas por um segundo, mas logo voltou a sua pose impaciente.
— Não precisamos da sua Magia. Sting está vindo para cá com vários soldados, certo? Eles só vão obedecer a coroa, que no momento é você, já que Rogue está em posse de Erza. Não há nada que possamos fazer por aqueles que estavam lá dentro, eles se tornarão reféns dela. Mas, contigo lá fora podemos ter uma chance de recuperar a situação.
Fiquei aliviada que existia um plano por trás disso e não apenas um egoísmo por parte dele. Conseguia enxergar a manobra rapidamente criada por ele e sentia um fio de esperança pelo plano. Poderia dar certo.
— Tudo bem – respondi, subindo no cavalo – mas, você vai comigo – completei, olhando-lhe séria.
Natsu abriu um sorriso brincalhão, apesar da situação.
— Eu já lhe disse, sempre estarei contigo – falou, subindo no cavalo, posicionando-se atrás de mim.
Foi com o coração apertado pelos meus amigos que partimos do Castelo. Prometi a mim mesma que voltaria e reverteria o que estava acontecendo. Não deixarei que Erza ganhe.
Vou voltar.
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