Sigilo

12 Capítulo 11 - Levy


Notas iniciais
Quem são os leitores mais lindos do mundo? Haha. Antes de mais nada quero dedicar esse capítulo a Naless, uma pessoa de coração maravilhoso que fez a primeira recomendação da fic!!!!UEBAAAAAAAAAAAA!!! Você mora no meu coração, sabia? Além de ser uma ótima autora é uma ótima leitora! S2! Agora meus pimpolhos e pimpolhas, eu finalmente postei o capítulo da Levy!! Vou deixar para explicar tudo nas notas finais, ok? Então não deixem de ler. Boa leitura.

Sigilo

Capítulo 11

Levy



Ela está acordando?

Uma voz masculina soou em algum lugar perto de mim, mas a escuridão que me cercava não me permitia localizar o dono da voz.

— É difícil dizer, ela tem estado assim por dois dias.

Quem respondeu tinha uma voz mais suave e feminina, podia facilmente pertencer a uma garotinha, mas a seriedade e segurança que ela emanava deixava dúvidas.

— Avise-me caso tenha alguma mudança significativa.

Após esse mandato, a voz masculina deve ter saído do local, pois o único som que consegui escutar era o suave cantarolar da garota/mulher. Por alguma razão me deixei levar pelo som e acabei adormecendo novamente.



(…)



Será que houve um grande dano com ela? Não é normal uma pessoa ficar assim por mais de oito dias.

A conversa paralela acordou-me novamente, mas eu ainda não conseguia ver nada além da escuridão. Contanto apenas com meus ouvidos, tentei focar-me no presente. Eu tinha uma leve impressão de que estava deixando algo importante passar, porém por mais esforço que fizesse nenhuma lembrança vinha. A única coisa que tinha certeza era que eu não estava em perigo.

— Vai haver uma consequência, com toda certeza. Apenas não sei dizer se pode tornar-se boa ou ruim. A Magia é algo mutável, varia de pessoa para pessoa.

O incomodo de perder algo voltou a me cutucar, tentei apurar minha audição e escutar mais alguma coisa. Entretanto, o som das vozes um pouco conhecidas foram se distanciando, como se viessem de um túnel. Então a escuridão se tornou mais densa e ensurdeci novamente.



(…)



Finalmente meus olhos conseguiram ver algo além do denso preto que me cercava ultimamente. Eu não sabia qual era mais incomodo, se era o nada escuro ou o tudo brilhante explodindo em minha visão. Tornei a fechar meus olhos, mas a sombra branca do brilhante que me saudou continuou a dançar por trás das minhas pálpebras.

— Acalme-se, é normal não conseguir ver nada – a voz feminina soou mais perto, dando-me a percepção de estar ao meu lado. – tente abrir seus olhos aos poucos e focar em algo mais opaco – instruiu-me, dando um caminho a seguir.

Vá com calma, Levy. Sussurrei mentalmente a mim mesma.

Com cuidado, fui erguendo as pálpebras. A vontade reflexiva de fechá-las apareceu instantaneamente, porém continuei com meu trabalho. Foquei minha visão para uma coisa reta de cor mais escura que a intensa claridade e aos poucos consegui entrar em foco.

Soltei um suspiro aliviado quando pude enxergar corretamente, curiosa para saber onde estava fui movendo meus olhos vagarosamente a volta e constatei vários armários, pequenas camas que pareciam muito com as de alas curandeiras, vasos de flores alegres, e por fim, uma intensa cabeleira azul.

O susto inicial foi inevitável.

Um pequeno gritinho escapou por meus lábios, o som foi um tanto estrangulado pelo tempo em desuso. A pessoa dona de tal cabeleira já devia esperar por essa reação e apenas esboçou um sorriso a mim.

— Olá!

Recuperada do susto, olhei novamente para a pessoa e minha reação mudou para admiração. Era uma garotinha, delicada e com um ar maduro que contrastava com sua fisionomia. O cabelo que me assuntou inicialmente eram de uma tonalidade mais escura que o meu, e estavam presos em dois rabos de cavalo laterias. Sua roupa era um longo e simples vestido cinza com uma larga faixa branca rodeando sua cintura terminando em um laço no lado esquerdo.

— Olá – respondi. Minha voz ainda saía rasgada, levando-me a questionar quanto tempo permaneci no estado de semiconsciência.

— Sou Wendy, – a garota se apresentou, continuando a sorrir – venho cuidando de você desde que chegou aqui.

Abri a boca para me apresentar também, mas o que consegui emitir foi um grasnado. Wendy parecia notar que minha garganta estava um tanto machucada e acenou com a cabeça como se entendesse. Então, ela foi em direção a um dos vários armários e voltou para perto de mim com um frasco em mãos.

— Tome isso. Vai ajudar a recuperar o uso de sua voz.

Após destampar o frasco, ela colocou uma de suas mãos embaixo de minha cabeça e a segurou firmemente, só então levou o conteúdo a minha boca. O gosto não era o dos melhores, mas não era extremamente ruim. Não demorou muito para que uma pequena ardência descesse por toda minha garganta, deixando-me desconfortável. Mas, do mesmo modo que veio, ela passou.

— Bem melhor – comentei assim que estive segura.

Dei uma segunda analisada no local, tentando achar algum gatilho que me fizesse lembrar o motivo de estar ali. Era muito ruim ter um lapso de memória assim, principalmente quando ele vinha acompanhado de sentimentos como impaciência, incomodo e um pouco de receio.

— Onde estou? – entoei a questão que vinha debatendo.

— Em um abrigo para pessoas especiais – a voz de Wendy era cautelosa, como se pesasse cada palavra antes de pronunciá-las, avaliando o que elas podiam trazer. Isso me fez prestar mais atenção ao que ela dizia. – e aqui é a nossa Ala Curandeira, a qual sou responsável. Trouxemos-lhe para cá por causa da grave extensão de seus machucados. Mais tarde alguém virá aqui e lhe explicará melhor o que houve, senhorita McGarden.

A junção da formalidade como me tratara e o fato de saber meu sobrenome me trouxe a realidade com uma avalanche de lembranças. Parecia que eu estava revivendo todas as cenas; a dança durante o baile, pessoas invadindo a festa, Gajeel correndo para enfrentar o perigo, o rapto de Lucy, minha tentativa de ajuda, a figura misteriosa que me prendera na bolha e água, e por fim, a escuridão. Também tomei consciência de que eu deveria estar praticamente desacordada a vários dias, e muito provavelmente, longe de Gajeel. Pela primeira vez, o medo me abraçou naquele local.

— Não quero respostas depois, as quero agora.

A jovenzinha se assustou com o meu tom de voz, bem mais agressivo. Ela olhou-me por um longo tempo, porém eu não quebrei o contato e permaneci lhe encarando com seriedade. Então, sem dizer nada, Wendy levantou-se e foi em direção a porta.

— Tudo bem, se é assim que a senhorita quer – falou antes de abrir a porta e sair.

Ajeitei-me melhor na cama em que estava para ter uma aparência mais digna. Observei o estado de meu corpo e fiquei um tanto assustada, haviam uma quantidade absurda de faixas envolvendo o tronco, braços, pernas e quando apalpei a cabeça notei que ali também tinha.

Essas pessoas que me ajudaram não pareciam com as que invadiram o Castelo. Afinal, a pessoa que encontrei no corredor tinha tentado me matar, ou no mínimo, me incapacitar. Se eles fossem os mesmos por que cuidariam de minhas feridas?

A divagação que estava tendo foi cortada abruptamente por uma fisgada de dor em minha cabeça, e antes que pudesse pensar no que teria causado isso, o local em que estava saiu de foco.



Bem-vinda, Dama das Constelações.

Uma mulher estava sentada em uma bela poltrona, seus cabelos densamente ruivos estavam presos em um elegante coque. Ela olhava uma figura que acabara de entrar em sua sala, havia uma certa malícia e seriedade em seu olhar. A figura analisada era uma jovem loira, que outrora poderia impressionar por sua beleza, mas no momento encontrava-se num estado deplorável, sua vestimenta era um simples vestido negro que em nada a valorizava.

A loira ergueu a cabeça em um rompante ao ouvir a saudação que recebera, seus cabelos molhados grudaram ao redor de seu rosto com o repentino movimento. Os olhos castanhos arregalaram-se quando viu a mulher na poltrona. Então, sua expressão mudou de choque para raiva. Era impressionante como conseguia parecer intimidadora apesar de sua situação.

Você! – seu grito foi acusatório e cheio de rancor.

Então o cenário rodopiou e ficou cinza, parecia estar se remodulado. Após um tempo, as coisas tornaram a se solidificar, transformando-se em árvores altas e frondosas, ladeando um imenso prado onde uma pequena caravana seguia montada em seus cavalos.

A figura feminina da caravana parou sua montaria, fazendo com que os demais parassem também. Todos desceram dos cavalos e começaram a puxar várias coisas das selas, montando um acampamento. Um dos integrantes, o mais encorpado, estava se afastando do grupo e ia em direção as árvores. Um pequeno gato preto lhe seguia e parecia farejar o ar a sua volta.

É arriscado fazer isso aqui, podemos ler depois – o felino, impressionantemente, falou.

Preciso saber, Lily.

E mais uma vez o cenário rodopiou e tornou-se cinza, mas dessa vez ele não foi se solidificando novamente, e sim foi escurecendo-se até não se ver mais nada.



Abri meus olhos em choque. Minha respiração estava acelerada e algumas gotículas de suor banhavam minha face. Olhando em volta para ver se alguém tinha presenciado meu pequeno apagão, mas Wendy ainda não tinha voltado.

A surpresa foi maior que o medo do que acontecera. As coisas que tinha visto foram vívidas demais para serem um sonho. E pela bagagem de conhecimento que tenho, podia cogitar uma hipótese.

O trinco da porta sendo girado assustou-me e logo tratei de melhorar minha cara, colocando os pensamentos sobre o recente ocorrido de lado, focando-me em quem entraria. Wendy passou primeiro pela abertura e atrás dela vinha um rapaz alto com cabelos negros bagunçados.

— Esse é Gray, ele responderá as suas perguntas – ela apresentou o desconhecido.

O rapaz apenas acenou com a cabeça.

Analisei-o enquanto os dois se posicionavam melhor no ambiente, buscando cadeiras para poderem se sentar. Ele não usava camisa ou qualquer coisa na parte de cima, deixando seu peitoral a mostra para quem quisesse ver as finas cicatrizes que ali haviam. Sua vestimenta era uma simples calça escura e um par de botas de couro já gastas. Seu rosto era muito bonito, mas a seriedade que carregava o tornava mais maduro, ali também havia uma pequena cicatriz na têmpora esquerda.

— Como vai senhorita McGarden? – começou ele, em tom formal.

— Prefiro ser chamada de Levy, – comentei, em voz calma. – e acho que estou bem. Vocês cuidaram muito bem de meus ferimentos – terminei, abrindo os braços para que ele reparasse nas bandagens cuidadosamente posicionadas.

— Não fizemos mais do que o nosso dever.

A resposta incomum me fez franzir as sobrancelhas, ato que não passou despercebido pelos dois.

— Acredito que as suas principais perguntas sejam: Quem são vocês? O que estou fazendo aqui? – Gray deu uma pausa para me observar e rapidamente eu assenti com a cabeça concordando com as questões. – Já posso te adiantar que não somos os mesmos rebeldes que atacaram o Castelo, mas somos uma espécie de resistência.

— Isso significa que existem dois grupos rebeldes? – a pergunta escapou de mim, interrompendo o rapaz.

— Pode-se dizer que sim. Porém, existe uma grande diferença entre nós e eles – Gray deu uma suspirada antes de continuar. – Nós queremos coexistir pacificamente com o pessoal de Fiore, sem termos medo de sermos caçados e mortos por possuirmos uma característica diferente. E eles querem poder, pretendem derrubar a coroa, tomar o trono, e claro, castigar todos os envolvidos com as mortes de Magos.

Mexi-me na cama para inclinar-me em direção a Gray e prestar mais atenção ao que ele dizia.

— Pelo modo como você fala parece que conhece muito bem o outro grupo – informei, curiosa.

O moreno deu um sorriso triste e apenas assentiu com a cabeça.

— Antes não existiam dois grupos, e sim um único aglomerado de Magos querendo sair dessa opressão – quem falou foi Wendy, porém ela não olhava para mim e sim para a parede oposta – éramos como uma grande família. Mas, como em qualquer grupo, ideias opostas começam a aparecer, uma parte queria vingança e o restante paz. Tentamos ficar juntos, tirar essa ideia corrosiva deles, mas não adiantava e a divisão foi uma consequência.

Eu não sabia o que sentir no momento, pois toda ideologia de rebeldes que eu tinha estava se minguando. Claro que ainda tem os perigosos por aí, mas essas pessoas na minha frente não pareciam merecer o sofrimento da marginalidade e perseguição, e o fato de não quererem vingança era incrível, eu mesma não tinha certeza de que lado ficaria se estivesse na situação inicial deles.

— E agora respondendo a sua segunda pergunta, a sua estadia aqui é porque precisamos de você – Gray retomou a fala, fitando-me com firmeza – gostaríamos que você nos ajudasse, que fosse uma ponte com a Realeza.

— Então vocês me resgataram daquela bolha de água escura, – comecei, expondo minhas teorias com calma. Os dois assentiram em confirmação a minha afirmação. – e fizeram isso para que eu pudesse ajudar vocês.

— Gostaria de dizer que sou uma pessoa de coração nobre e que te ajudei sem qualquer intenções, mas não gosto de mentir – Gray confirmou. – e quero aproveitar o momento para te pedir desculpas antecipadamente.

— Por quê?

— Gray congelou a bolha de água com você dentro, para anular a magia da oponente. Ele demorou um pouco para te tirar de lá, pois teve que lutar com a rebelde. Por causa disso você ficou em um estado de semiconsciência por oito dias, acreditamos que o contato prolongado com os dois tipos de magia possam ter alterado alguma coisa em você, mas não podemos dizer o que é por que a Magia é uma coisa inconstante – Wendy explicou, calmamente.

— Então, caso apareça algo negativo, já lhe peço desculpas – Gray voltou a se desculpar.

Assenti com a cabeça tanto para a explicação e tanto para o rapaz.

Eles pareciam esperar a longo prazo alguma mudança, mas eu sabia agora que ela já havia acontecido. Mais precisamente a pouco tempo antes de eles entrarem no aposento. Uma pequena parte de mim achava melhor não comentar o acontecido com eles até que se provassem de confiança, pois a pequena sensação de ser um objeto de uso deles me incomodava.

Wendy sorriu para mim e Gray acenou com a cabeça, e os dois saíram dali com a desculpa de me deixar descansar. Ele prometeu-me que iria me explicando como as coisas aconteciam ali, e ela falou que iria me ajudar a me adaptar a pequena comunidade deles.

Agora sozinha, comecei a formar um pequeno plano. Eles até pareciam ser pessoas boas, mas tinham um objetivo e eu estava inserida nele. O primeiro passo seria absorver todas as informações sobre eles, ajudando-os até o ponto que eu acreditar não prejudicar Gajeel, Rogue e todo pessoal da Realeza. Segundo, usar o conhecimento deles e aprender o máximo que posso sobre Magia. Terceiro, achar um jeito de escapar de onde quer que eu esteja e encontrar Gajeel. Ele deve saber sobre esse segundo grupo e decidirmos juntos o que fazer.

Quem diria que seu destino daria uma volta tão grande após o incidente da cesta?

Para mim pareciam que anos transcorreram desde que deixei aquela vila, e a minha vida empobrecida financeiramente e amorosamente.





Notas finais
Estou louca para ler os seus reviews cheios de suposições sobre este capítulo!! . Agora vamos a algumas explicações. Vou ter de fazer das fanfics mensalmente, pois minhas aulas voltaram com tudo. Tenho trabalhos bem extensos para fazer praticamente de todas as matérias e toda semana. Até o meu amado hobby de ler livros teve de ser esquecido. Esse 5º semestre está de matar. Por isso aproveito as poucas horas da madrugada para escrever, e nem sempre consigo fazer um graaande trecho, por isso peço a compreensão de vocês sobre isso. . Sobre o capítulo, gostaria de pedir desculpas se a parte com o Gray não tenha ficado muito boa. Eu reescrevi ela umas 3 vezes, e ainda não acho que esteja 100%, mas eu percebi que se eu esperasse para escrevê-la como eu imaginava o capítulo ia ficar para quase final de abril, e vocês não iam querer isso. Acredito que esse tenha ficado bom, mas não foi o ótimo que eu queria. . Abro espaço para duas indicações hoje. Sei que vocês amam FT como eu, e querem ler várias fics de FT, então a partir de agora irei fazer indicações de uma ou duas fanfics que leio e acho boa, para que vocês possam se entreter até que o próximo capítulo de Sigilo seja postado. Vou indicar a minha nova fanfic de FT, também em universo alternativo: Imaginário link ( http://fanfiction.com.br/historia/597174/Imaginario/ ) ela é NALU. A outra é: Bring me the Mermaids, da Naless. link (http://fanfiction.com.br/historia/585680/Bring_Me_the_Mermaids). . Espero que tenham gostado do capítulo! Quero ver seus reviews, em! Um abraço enorme e um grande beijo a todos! Até o próximo.