Vida de garoto não é fácil, viu? Eu e o Sid pegamos a galera e fomos escondido ao supermercado enquanto os monitores não estavam prestando atenção.

“Onde está ela?”

Andamos bem devagar, prestando atenção em tudo e todos, até que a Roberta disse:

“Gente, ela tá ali!”

Olhamos pra esquerda e encontramos uma velhota de cabelo rosa e terno roxo. Era ela.

Sid pegou a pistola dele e se aproximou, mantendo a arma longe dos olhos do público.

“Pera aí, Sid!” eu sussurrei, tentando pegá-lo pelo braço.

“Se gosta tanto do meu braço, por que não se casa com ele?” disse Sid, me empurrando pro lado e correndo na direção da diretora.

A essa altura já não dava mais para impedir ele. Puta que pariu, por que eu fui me enturmar com a turma do Sid? Ah é, porque só temos nós de alunos na classe, o restante provavelmente morreu…

“Mãos ao alto!” disse Sid

“AAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAA”

PUTA QUE PARIU NÃO ERA A DIRETORA! ERA SÓ UMA VELHINHA QUALQUER!

“CARALHO NOS TROLLARAM!” gritou canudinho, com a calça molhada

No segundo seguinte, o segurança do mercadinho apareceu com o seu cacetete na mão e foi correndo até nós.

“PARADOS AÍ, SEUS FORA DA LEI!”

“FUDEU PRA NÓS, E AGORA SID?! Gritou a Roberta

Com a velocidade de Sonic, o porco espinho satanista, Sid pegou uma embalagem de xampu e a espremeu, lançando a gosma para os olhos do segurança.

“AAAAAAAAAAAA MEUS OLHOS!”

“TODO MUNDO CORRE!” Gritou Sid.

Foi aí que a corrida pela nossa vida começou.

Enquanto corríamos, Sid apontou sua pistola para as lâmpadas do mercado e foi atirando em cada uma, para dificultar o trabalho dos seguranças. O nosso erro foi não memorizar o caminho até a velhinha, já que o mercadinho é igual a um labirinto.

Cacetada, a gente tava muito encrencado mesmo. Só o Sid pra levar uma pistola pro supermercado.

Saímos correndo que nem uma gangue de mulas desesperadas e nos escondemos na loja de quadrinhos que ficava naquela rua.

“Ué, tão fugindo de quem?” Brincou a atendente.

“DE NINGUÉM!” Grasnou Canudinho. “A gente está bem, ok?”

“Nossa, que muleke mal-criado…” Resmungou a mulher.

“Acho que a polícia já foi embora.”

“Mas você é um bosta mesmo, né Sid?!” Disse eu emputecido.

“Eu sou o quê?” disse Sid, cerrando os punhos.

“Que ideia foi essa de levar uma arma pro mercadinho?! Se você tivesse simplesmente conversado tranquilo com a véia isso tudo não teria acontecido!”

“Todos nós achamos que fosse a diretora, seu corno! Tu acha que eu iria simplesmente bater papo com ela? O Gustavão morreu por suas ordens! disse Sid, me empurrando para a parede da loja.

Eu respondi empurrando ele de volta, e aí começamos a nos empurrar agressivamente.

“Eu já tô cansado de ver você agir na base da violência, Sid! Não tem como você usar seu cérebro de bosta pelo menos uma vez na vida?!”

“Tá achando que o nosso grupo é moleza?! Se a gente não mostrar para os outros quem é que manda nunca conseguiremos respeito nenhum!”

“Briga! Briga! Brig-AI!” Guinchou Canudinho, que recebeu uma cotovelada da Roberta.

“Não fica botando lenha na fogueira, cara!”

“Eu não fiz nada!” resmungou Canudinho, fazendo cara de cu.

Eu e o Sid continuamos nos empurrando e dando tapa um no outro, quando a atendente decidiu se manifestar:

“Querem parar de brigar?” Ela ordenou, nos afastando um do outro.

“Vocês dois precisam se resolver sem usar a violência!”

“Nem vem querendo dar sermão pra cima da gente, senhora! Você não tem nada haver com a nossa situação!”

“Francamente -” Disse ela "Vocês são tão levados quanto o Gustavo Lherme!

“Escuta aqui sua pu- Perae! Como que você conhece o Gustavão?!” Disse Sid, ficando mais vermelho que um tomate putasso com a vida.

A atendente nos empurrou para bem longe e saiu correndo da loja.

“ATRÁS DELA!” gritou Sid, com uma faísca de determinação em seus olhos.