Sick

5 Flores roxas e brisas inesperadas


Ichigo

–Então como foi?-Urahara me perguntou assim que voltei.Ao perceber que estava sem a Rukia ele se calou.-Ela...?

–Não-disse-ela está bem, de verdade. Vou dar uma volta.

Sai de lá, escutei ele falando algumas coisas, mas ignorei.

Fui até a casa do Chad e fiquei parado na porta, ele sentiu minha reiatsu, pois saiu a minha procura.

Ao ver meu rosto, ele deu espaço para entrar.

Tomei um banho e ao me ver no espelho.

–Estou um caco-estou pálido, com olheiras devido a noite sem dormir pensando na Rukia, depois tive que ir para escola e fazer uma prova de merda e só a noite pude ir vê-la e com toda sinceridade, vê-la me deixou arrasado.

Sentei em frente a mesa com o Chad, o Ishida havia chegado e sorriu.

–Você está horrível, o que houve?

Ignorei e tomei a bebida que estava em cima da mesa, era álcool, me senti revigorado.

–A Rukia, vai embora para sempre. Ela me deu um fora.

Bebi novamente e peguei a carrafa, derrubando o liquido transparente no copo.

–Como assim?-Chad parecia preocupado.

Contei a eles, o fato da Rukia estar doente já era de conhecimento deles, mas o motivo ser eu, isso os deixou inquietos.

–Shinigamis não podem amar humanos?-Ishida perguntou, bebendo um gole de sua bebida.

–Porque a Inoue disse para a Rukia ficar longe de você?-Cha parecia pensativo sobre isso.

–Não sei-comentei bebendo mais- talvez ela soubesse do amor da Rukia.

Eles me encararam.

–Se ela sabia, porque ela fez isso?

–Não sei e não quero saber. Vou para casa-disse me levantando, fiquei tonto e cai.

–Melhor ficar aqui-Chad levou-me até a cama e dormi.

...

–Ichigo? Droga, ainda dormindo? O Chad te trouxe até em casa, sabia? -Escuto a voz da Rukia, em tudo, porque? Porque?

–Chad, cala a boca, estou com dor de cabeça.

–Você dormiu por dois dias.-A voz de Chad parecia longe.

–Ichigo?-Abri os olhos, a Rukia estava na minha frente.

–Estou bêbado ainda?

–Não idiota. Eu voltei.

–Hã?

Chad falou alguma coisa sobre ir ao trabalho e saiu.

–Eu te procurei feito louca! –ela se sentou na cama. Fiquei com medo de toca-la e ela desaparecer.-Cheguei aqui e você não estava, fui no Urahara e ele disse que você saiu para caminhar a dois dias atrás e agora você me olha com essa cara estranha.

–Rukia? Kuchiki Rukia? A shinigami?-Perguntei, não queria ter duvidas se ela estava ali.

–Sim-O sorriso de lado me deixou fraco, sem chão, a abracei.

–Vo-você parece uma menina, Ichigo.

Continuei abraçado, como pode? Essa baixinha irritante ser tudo para mim? O cheiro de baunilha com chocolate, o cheiro dela me deixa louco.

–Rukia, desculpa, eu...

–Tudo bem, eu que devo lhe pedir desculpas.

Nos afastamos do abraço, nossas testas se encontraram e eu sentia a respiração dela, tão leve, cheguei mais perto, coloquei minha mão no rosto dela e acariciei as bochechas.

–Vamos ficar juntos.

Nossos lábios se tocaram, pedi passagem com a língua e ela me concedeu, deuses, que beijo maravilhoso, aos poucos se tornou salgado, as lagrimas dela. Nos separamos devido a falta de ar.

–Meu amor-ela disse enquanto olhava cada centímetro do meu rosto, aquelas palavras me fizeram sentir borboletas no estomago, meu coração acelerar.

–Sim?

–Eu tenho que ir.

–Não, por favor, não.

–VocÊ não entende.

–Como não? eu te amo, você já está bem!

–Ichigo, eu morri.-Oque ela esta falando? A encarei, olheia de cima a baixo e... a imagem dela ficou mais transparente do que minutos atrás?

–Hã? Não...Não-lagrimas se formaram.-Para com isso, não tem graça!
Ela me encarava triste e chorona.

–Ichigo, você não vai morrer, não se preocupe, eu só vim me despedir.

O vento invadiu a janela e ao bater na roupa de shinigami dela, transformou algumas partes em flores roxas como seus olhos e foram saindo e se dissolvendo no ar. Como se ela estivesse prestes a desaparecer.

–Não me importo com o que vai acontecer comigo, Rukia eu te amo.

–Eu também te amo!-Ela me abraçou e nos deitamos.

Ela estava abraçada a mim enquanto acariciava seus cabelos negros.

A brisa que entrava pela janela a levava aos poucos.

Tentei tirar o pensamento disse e começamos a conversar.

–Comprei morangos semana passada porque me lembravam você e eu não percebia que te amava.

Sorri e beijei-a, como fazia a cada 3 ou 5 segundos.

–Ichigo, você vai ficar bem?

–Não, não no começo, mas vou lembrar de você pra sempre.

–Também vou lembrar.

Ela estava com a voz sonolenta e o sorriso fraco, a abracei.

–Não vai-disse baixinho e não a senti mais em meus braços.

Ela se foi.

A brisa já estava mais fraca, encarei o teto e chorei, chorei como um bebê, chorei com vontade de gritar.

Gritei, meu pai entrou no quarto assustado e viu as flores roxas saindo pela janela e parecia entender tudo, mesmo sem eu falar nada.

Ele sentou e pôs a mão no meu ombro.

Queria chuta-lo, batre nele até a Rukia voltar, mas ela não voltaria, por que agora ela deve estar nascendo em outro lugar.

Depois de uns dias meu mundo era escuro e vazio, sem cor e sem vontade de ser colorido.

Quando encontrei com o Renji ele me explicou melhor, eu não morreria por que eles não se vingariam.

Quando um shinigami morre devido ao amor por um humano é dever da família matar o humano, mas ele não fariam isso, afinal, eu tinha um lado shinigami, certo? Mesmo isso não contando quando ocorreu a morte da Rukia.

Pedi para que eles ao menos se vingassem, eu queria, não tinha mais nada a perder.

Mas nada fizeram, disseram que o meu sofrer, já era mais que o suficiente.

5 anos depois.

–Kurosaki-kun aonde vai?-Inoue veio correndo a meu encontro na rua.

–Vou comprar umas coisas para a Yuzu.

–Hoje é segunda eu pensei que estivesse trabalhando.

–Não, não, só mais tarde, pausa pro almo-fui interrompido por uma criança que esbarrou em mim.

–Gomen-ela me olhou, era uma menininha com olhos roxos e cabelo preto, senti uma pontada no peito e ela me olhava de uma forma familiar.

–Hitagi!-Uma voz feminina mais velha alertou-a e ela se virou.

–Já vou!-Saiu correndo em direção a mulher que deu um sermão sobre correr sem prestar atenção.

–Kurosaki-kun aquela...-Inoue começou e eu apenas sorri para ela.

–Vou indo, até mais Inoue.

–Até...

–Gomen-a menina reapareceu na minha frente, porem, agora segurava a mão da mulher.

–Só isso Hitagi?

–Prestarei mais atenção, tchau idiota- A voz, os gestos, tudo me deixou abalado e aliviado.

–Desculpe a minha irmã.

–Tudo bem, crianças hun...

Logo depois as duas estavam correndo e as observei.

–Será que..?-me perguntei- Nã! Deixe de idiotice Kurosaki Ichigo.

Continuei a caminhar.

Notas finais
Fim...? xD
Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.