Shy

1 Capítulo 01


Notas iniciais
Ok, nem tudo é baseado na minha vida, apenas o amor não correspondido e algumas coisas que eu gosto de fazer. Etto.. acompanhem. Não vou ficar botando N/A porque o Notas do Capítulo existe pra isto.. né?

Mayu Kashiwagi, 12 anos. Apenas como qualquer outra garota normal, gosta de animes e de dormir; tímida e sempre se sentindo sozinha, começou a se afastar de todos, até de sua família. Se auto-titula fracassada e totalmente sensível, e tem medo de falar com os outros.

Capítulo 01: Narrado por Mayu.

Ás vezes, eu me pergunto o quê as pessoas vêem de atrativo em mim. Não que eu não seja bonita, eu só me acho horrível.. Okay, eu sou horrível. Eu sempre me odiei muito no quesito de beleza e personalidade, por isso sempre guardei tudo para eu mesma para não incomodar os outros com meus dramas patéticos da vida. Sou apenas uma garota normal de 12 anos, não sou diferente nem nada: só me odeio mais do que uma pessoa normal pode odiar algo.

Minha vida não podia piorar: e eu acreditava nisso. Até eu me apaixonar. Eu acredito que a paixão seja uma doença temporária e horrível que faz a pessoa se sentir mal, dependendo de sua personalidade. Todos me consideram fria e arrogante, mas.. no fundo, sou sensível. Não sei como falar com garotos sem falar algo estúpido sem querer ou apenas corar e sair correndo; as coisas são difíceis e eu não sei lidar com elas.

Eu acho que daria tudo para não ter um coração, ou apenas não existir. Me pergunto se eu sumisse, alguém me procuraria ou pelo menos: sempre que essas perguntas vinham em minha mente, eu apenas as respondia com um simples e curto "não". Eu sempre optei por dormir ao invés de ir em festas me divertir, e por isso, fui me afastando muito.

Falando em se afastar de pessoas, eu simplesmente odeio todo mundo de minha escola, se é que existe exceção. Para alguns isso é apenas ódio infantil, mas é muito mais fácil falar isso do que viver o que eu vivo.. Pelo menos eu acho isso.

Voltando a minha história, eu estava na escola; com o cotovelo apoiado na classe e a mão em minha bochecha, observei a professora explicar uma das trilhões de matérias inúteis que eu nunca usaria na vida, a não ser se eu me tornasse professora. Um detalhe: era o primeiro dia de aula.

Já ouviu falar de ódio a primeira vista? É bem mais realista que amor a primeira vista. Falo tudo isso porque sei que quando eu gosto de alguém, as chances desse alguém não corresponder é de 104%.. E eu tenho certeza disso. Não sou do tipo atrativo de garota, que tem as unhas grandes e bem cuidadas, cabelos lisos, pele impecável, seios grandes, coxas enormes.. Vivo roendo minhas unhas, meu cabelo não é bom e eu sou praticamente uma tábua. Em todos os sentidos, se é que existe mais de um.

Eu me perguntava o quê ele estava fazendo agora. Será que ele estava bem? havia se alimentado bem? estava feliz? várias perguntas iam e vinham em minha mente, e eu só queria responder "sim" tendo certeza. Mal nos conhecíamos, ou pelo menos ele mal me conhecia; eu era uma stalker e provavelmente eu sabia mais da vida dele do que ele mesmo sabia.

Mesmo quando ele estava fazendo as coisas que gostava, elogiando outras garotas e até cantando, eu com vontade de chorar apenas sorria. Chorar não mudava nada, apenas fazia eu me sentir mais fraca do que já sou. Deixando toda essa babaquice de algo, enquanto eu estou viva, um de meus vários sonhos é incendiar minha escola.

A professora escrevia no quadro e todo mundo observava com os olhos vidrados, e eu ficava no meu canto, sorrindo só de pensar no sorriso dele e rezando mentalmente para que a aula acabasse rápido para que eu chegasse em casa mais cedo e fosse assistir meus animes. Sempre fui muito fã de leitura, então também na maioria das vezes, optava por ler mangás ou livros normais.

— Hey, Mayu. — Fui acordada de meu devaneio por uma colega minha totalmente aleatória, que se sentava ao lado de outra garota aleatória.

— Huh? — Me virei, mesmo sabendo que seria uma pergunta fútil.

— Quem é sua melhor amiga? — A colega sentada ao seu lado perguntou por ela, suspirei fundo.

— Eu tenho dois.. — Falei, sinceramente. — Minha cama e meu computador. — Murmurei num tom não tão baixo, mas que dava para ouvir e as garotas me encararam como se eu fosse Adolf Hitler numa sala infestada de Judeus.

Sobre esse papo de "melhor amiga".. se eu me lembro bem, eu não tenho nenhuma. Falando sério, o único melhor amigo que eu tenho é meu travesseiro, independente de o quão ignorante eu seja, ele sempre vai estar lá para me consolar ou apenas deixar eu encharcá-lo de lágrimas por causa de motivos.. digamos que nem tão sérios.

Nunca fui um motivo de orgulho para meus pais ou família, sendo assim minha irmã idolatrada e eu comparada á ela por ela ser digamos que o estereotipo de filha perfeita, da qual você até para pra se perguntar se ela realmente existe e não é um robô que seus pais criaram para dominar o mundo e fazer as crianças ficarem politicamente corretas.

Continua...