Abri meus olhos com dificuldade e suspirei. Esfreguei-os e percebi que estava abraçada com alguém. Harry. Sorri ao olhara para ele e logo depois olhei para o relógio. Eram três horas da manhã e eu não estava com o mínimo sono. Estranho.

Tentei me levantar sem o acordar e sai da cama. O olhei de novo e o admirei. Ele parecia um anjo, juro, um anjo mesmo. Sorri um pouco mais e suspirei. Aliás, ele era mais novo do que eu, era mais pirralho do que eu, mais imaturo, mas, sinceramente? Aquilo não fazia a mínima diferença para mim.

Andei até a sala e batuquei meus dedos nas pernas procurando algo para fazer. Me lembrei da aula de ontem e fui para o estúdio. Não tinha a mínima ideia do que faria para a minha apresentação. No almoço li o roteiro de Valente e a achei muito parecida comigo, brava, corajosa, independente, durona, eu me sentia assim.

— We will run and scream You will dance with me We'll fulfill our dreams, and we'll be free — Cantarolei baixinho em uma melodia fraca.

Assim que me toquei estava escrevendo no papel. Parei quando precisei das palavras iniciais. O refrão já estava pronto. Merda. Batuquei as unhas no chão do estúdio e toquei uma nota no teclado que estava ao meu lado e depois ouvi a porta se abrir.

— Anjinha? — Então, por que eu ficava arrepiada quado ele me chamava desse jeito?

— Ér, bom dia. — Dei um sorriso amarelo e ele riu.

— O que você ta fazendo aqui a essa hora da manhã? — Ele coçou o olho como uma criança que está perguntando pelos pais e eu sorri, agora de verdade.

— Eu... Eu acordei e... — Eu não queria contar aquilo para ele àquela hora da manhã, não queria fazer aquilo, e se fosse para contar queria que fosse mentira. — Eu acordei e apareceu uma música na minha cabeça perfeita para um trabalho da faculdade. — Sorri e ele andou até a mim se sentando no chão.

— Posso ouvir?

— Na verdade não tem melodia, eu comecei agora, a parte perfeita só achei para o refrão. — Olhei para o caderno e ele o pegou.

— É sobre o que esse trabalho da faculdade?

Expliquei para e ele leu o roteiro.

— Ela se parece com você. — Ele riu e bocejou.

— Harry, você deve estar com sono, vai dormir, não quero atrapalhar a sua noite. — Falei com carinho.

— Não, é só que ler me deixa um pouco com sono, mas eu o perdi completamente. Vamos, deixa eu te ajudar.

Sorri e ele me ajudou com a letra. Conseguimos pelo menos a metade. Ficou assim:

Though I may speak

Some tongue of old

Or even spit out some holy word

I have no strength with which to speak

When you sit me down and see I'm weak

We will run and scream

You will dance with me

We'll fulfill our dreams, and we'll be free

We will run and scream

You will dance with me

We'll fulfill our dreams, and we'll be free

We will be who we are

And they'll heal our scars

Sadness will be far away

Já tinha até a parte do refrão, faltava o final, até por que não precisava ser uma música muito grande. Bocejei, meu sono tinha voltado e percebi que o de Harry também. Ri.

— Vamos dormir, Harry. — Me levantei e ofereci minha mão para puxá-lo. Ele a pegou e tentou se levantar. — Garoto, você é pesado. — Ri e com um pouco mais de esforço ele se levantou.

— Ta me chamando de gordo? — Ele me olhou com falsa indignação.

— Não, de gostoso. — Ele me olhou assustado e eu gargalhei.

— Que bom, mas se eu não estivesse com tanto sono eu te agarraria agora. — Ele me abraçou pela cintura e me olhou com um sorriso malicioso.

— Que bom que você está com sono. — Ri e me soltei dele o puxando pela mão.

— Nossa, cavala. — Nós andamos até o quarto.

Ouvi um soluço vindo de trás de mim e o olhei assustada.

— O que foi, Harry?

— Eu fui rejeitado. — Ele tapou os olhos.

— Você não está falando sério, está? — O olhei preocupada, tinha que ser brincadeira. Era verdade, ele gargalhou.

— Não. — Ele me puxou contra ele e sorriu.

— Bobo. — Disse e ele me deu um selinho.

— Bobo é esse sorriso no seu rosto. — Me deu outro selinho, mas dessa vez mais prolongado. — Por que eu fiquei nove meses sem falar com você? — Ele suspirou e colocou uma mecha do meu cabelo atrás da minha orelha.

— Por que nós somos uns burros orgulhosos e chatos. — Respondi me aproximando mais.

— Tão chatos que aguentamos um ao outro. — Ele riu e colou nossos narizes.

— Eu sinto uma coisa muito forte por você, Harry, só não sei se consigo dizer o que é. — Sussurrei e ele sorriu.

— Eu também, minha Anjinha. — Ele colou nossos lábios.

Era tão boa aquela sensação que eu podia ficar para sempre ali, em seus braços, protegida, como se nada pudesse nos derrubar, como se fossemos feitos de concreto. Ele se separou de mim e fomos para a cama. Não aconteceu nada, eu realmente sinto algo forte por ele, mas achei que estávamos indo rápido demais. Dormi mais uma vez com o carinho e o conforto dos braços dele.

Harry's POV.

Abri os olhos e os fechei rápido por causa da luz no quarto. O despertador estava tocando e pensei em me levantar, mas lembrei de Anjinha no meu peito. Ela se mexeu e virou para o lado contrário do meu. Pensei que estivesse dormindo, mas vi que tinha me enganado quando ela tocou no botão para desligar o despertador. Dei graças a Deus quando fez isso por que meus ouvidos gritavam. Ela olhou para mim.

— Bom dia. — Dissemos juntos e rimos.

— Bom dia, Anjinha. — Disse lhe dando um selinho.

— Bom dia príncipe. — Ela sorriu.

— Eu tenho que ir para casa, os meninos daqui a pouco acordam. — Eu lembrei depois de ficar um tempo olhando para seus olhos.

— Ah, claro. — Ela sorriu e se levantou.

Me levantei também e percebi que não precisava botar uma roupa, eu já estava com as de ontem. Ri, antigamente isso não costumava acontecer, sempre ia para casa de alguma menina e acordava de manhã sem roupas.

— O que foi? — Ela perguntou sobre a minha risada.

— Nada. — Sorri para ela e fui procurar a chave do meu carro e meu celular. Tinham algumas mensagens e ligações dos meninos, mas as ignorei. — Eu vou indo. — A olhei.

— Ok, te vejo mais tarde. — Lhe dei um selinho e fui para o meu carro.

Era por isso que eu acordei de roupa, Anjinha era uma garota especial. Sorri bobo e me chamei de idiota apaixonado por sorrir desse jeito. Peguei o caminho para casa e assim que abri a porta vi Zayn deitado no sofá. Droga. Que ele não e veja. Iris em passos fracos para o meu quarto se não fosse o sapato de algum deles na minha frente. Cai de cara no chão e ouvi Zayn se mexer no sofá.

— Harry? É você? — Ele resmungou. Ótimo.

— Sou, Zayn, volta a dormir, eu vou para o meu quarto.

— Onde você estava? — Ele já tinha voltado a sua posição de antes, mas sabia que ainda estava acordado.

— Estava... Por ai. — Sorri disfarçado e corri para o meu quarto.

Annabelle's POV

Peguei meu carro e fui para a faculdade. Hoje não iríamos para a sala de música, iríamos para o auditório. Peguei minha bolsa (http://www.polyvore.com/cgi/set?.locale=pt-br&id=55012924) e passei pelo resto dos carros do estacionamento.

O lugar não estava cheio, só tinham algumas pessoas sentadas perto do palco e fui direto para lá. Senhor Stale estava olhando para a platéia quase vazia e atrás deles tinha alguns músicos de apoio. Avistei Sandro, o famoso maestro da faculdade e grande amigo meu, ao fundo perto de alguns músico que tinha se formado ano passado. Acenei e me sentei ao lado de alguém que eu não sabia o nome.

— Bom, será aqui que irão se apresentar. — Começou Senhor Stale.

Olhei em volta e reparei no enorme teatro que ficava a minha volta. Dava espaço para no mínimo setecentas pessoas e senti um frio na espinha. Nervosa. Nervosa. Nervosa.

Respirei fundo e olhei de volta para o professor.

— Temos músicos de apoio, como podem ver e quero apresentar para vocês nossos monitores, que irão ajudá-los a compor a música, direi os nomes de vocês e seus correspondentes monitores.

Ele começou com a falar alguns nomes da sala e quando estava prestes a parar de prestar atenção ele chamou meu nome.

— Annabelle. — Olhou para todos me procurando e levantei minha mão. — A Senhorita Olivia Sindra será sua monitora. Bom, acabamos aqui, darei um tempo para conhecerem nossos ajudantes.

Ele virou as costas e foi conversar com Sandro. Procurei alguma menina que tivesse cara de Olivia e vi uma mulher um pouco mais velha que eu, devia ter pelo menos 28 anos.

— Olá. — Ela sorriu graciosamente. Ela parecia aquelas meninas que eram tão fofas por dentro, mas no fundo tinham atitude.

— Olá, Olivia, não é? — Perguntei.

— Só Ollie, por favor, você é a Annabelle? — Ela estendeu a mão para que eu a cumprimentasse e a apertei.

— Só Bells. — Dei um sorriso maior.

— Então, Bells, está trabalhando com que filme? — Ela perguntou andando até a porta do teatro e eu a acompanhei.

— Valente, o novo filme da Disney.

— E já tem alguma coisa preparada?

— Na verdade, sim. Eu comecei ontem um trecho da segunda música, e acho que ficou meio bom. — Peguei uma folha de partituras na minha bolsa e a entreguei. Só tinha a letra, não tinha a melodia.

— É uma bonita letra. — Ela sorriu para mim. — E como é um tipo de filme aventureiro, acho que devíamos dar um tom rápido. — Quando olhei em volta, percebi que estávamos em um pequeno estúdio dos muitos que haviam naquela faculdade.

— Eu também pensei nisso. — Peguei o violão. — Estava pensando em algo mais cara de época. Tipo isso. — Toquei a melodia que estava na minha cabeça desde hoje de manhã cantando o pequeno trecho que eu e Harry tínhamos escrito.

— Sua voz é bonita. — Ela sorriu. — E a melodia também. A gente podia usar uma coisa mais country...

Olhei para o sinal impaciente e tentei colocar mais algumas letras na minha música. Já tínhamos feito a melodia de toda a letra que tinha feito com Harry. Se acabasse hoje eu poderia começar a produzir assim que conseguisse. Entrei na garagem e estacionei o carro. Estava saindo do elevador quando esbarro em alguém.

— Oi. — Ele sorriu para mim e eu tive que sorrir de volta.

— Pelo menos você não estava com café. — Sorri e ele riu se lembrando do dia em que nos conhecemos. — Oi.

Ele ia se aproximar de mim quando empurrei seu ombro.

— Harry, estamos em local de trabalho — o olhei séria. — E não quero contar a eles ainda que estamos... Você sabe. — Fiquei quieta, sem saber o que falar. Na verdade não sabia o que estávamos fazendo. Talvez ficando. É, ficando.

— Ok, desculpa. — Ele suspirou e sua expressão estava meio séria, mas aquela covinhas voltaram ao seu rosto. — E como foi a faculdade?

— Bem. — Sorri empolgada. Tentei apagar do meu pensamento que ainda tinha que contar a ele que iria embora.

— Que bom. Terminou a música? — Ele falou baixo e seguimos para a minha mesa. Alexia não estava lá.

— Na verdade não, mas consegui uma melodia.

— Jura? — Ele sorriu empolgado.

— Sim. Mas de agora em diante vai ser surpresa. — Sorri travessa e apertei o botão de mensagens.

— Poxa, Anjinha! — Ele exclamou, mas fiz um 'shiu' para ele para poder ouvir os recados.

— Vai trabalhar, Príncipe, depois vocês es os meninos vêm aqui ver a gente. — Sussurrei e pisquei para ele.

— Ok. — Ele suspirou de insatisfação e me deu um beijo na bochecha. O vi sair quando sentei na frente do mac.

Notas finais
Então meninas, mil perdões por ter demorado tanto tempo para postar alguma coisa :(
Com essa nova regra do nyah eu vou criar um tumblr ou procurar um novo site de fanfics e no próximo capítulo eu posto para vocês o link.
Esse post é bem fofinho, mas garanto wue vem bastante coisa por ai, até por que, e quando ela for embora? O que será que eles vão resolver? E quando ela tiver que contar para o Harry sobre isso? Haha
Vou azer o possível para postar o próximo capítulo com o link o mais rápido que puder!
A escola ta exigindo muito de mim, tenho prova toda semana e estou arranajando tempo e disposição para descançar e postar aqui!
Adorei todas as meninas que comentaram até agora, agradeço muito a vocês!
Beijos, acho que essa semana ainda eu posto o próximo capítulo ;*
Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.