Shut Up, Stupid Angel!
1 Capítulo 1
Notas iniciais
Estava prestes a abrir a porta do prédio quando uma rajada de vento atingiu meus braços e meu pescoço descobertos e me arrependi amargamente de não ter trazido uma jaqueta.
Londres. Nove horas da manhã e a minha saudade de casa só aumentava a cada segundo. Esse lugar é lindo, mas Paris... Ah, Paris! Não tinha lugar melhor do que a minha casa.
Peguei o elevador com dificuldade por causa dos três cafés que estavam na minha mão.
Estava morando e trabalhando aqui a dois anos e meio, por causa da faculdade. Mas não via a hora de voltar para a França.
Gostava de trabalhar aqui. Simon, o meu chefe, me tratava bem e as meninas também. Estava de férias na faculdade e por isso meu turno aqui aumentava.
Coloquei minha bolsa em cima da mesa e entreguei o café para Alexia.
- Obrigada, Anjinha. — Ela sorriu e tomou um gole.
- Já disse que não gosto que me chamem de anjinha. Meu nome é Annabelle e meu apelido pode ser qualquer outra coisa, menos anjinha. É fofo demais. E de nada.
No mesmo momento em que ela pôs o copo de volta na mesa e riu o seu telefone tocou.
- Alexia, a Anjinha já chegou? — E ela riu alto.
- Já sim, Senhor Cowell, ela já entra para entregar o seu café.
- De onde vocês tiraram esse apelido, hein? Por que de Anjo eu não tenho nada. — Eu perguntei bufando e indo até a porta.
Ela riu e deu de ombros.
- Bom dia, Senhor Cowell! — Disse entrando e colocando o café em sua mesa.
- Bom dia, Anjinha. — Ele sorriu.
Eu suspirei por causa do meu apelido ridículo e ele riu.
- Precisa de alguma coisa?
- Por enquanto nada. — Sorriu mais e olhou para mim.
- Ok, então — Sorri e me virei.
- Ah, Anjinha! Preciso sim! Ligue para Joshua e diga a ele que eu preciso dele agora, nesse instante.
- Tudo bem.
Sai da sala dele e me sentei na minha mesa. Liguei para Joshua e comecei a organizar uma papelada enorme que o Senhor Cowell precisava.
O reso do dia foi a mesma coisa de sempre. Fiz o que tinha que fazer, o que o chefe pedia e fui ara casa. Alexia me ligou mais tarde para sairmos. Me arrumei e peguei meu carro.
O apartamento dela não era tão longe assim então consegui chegar rápido.
- Então, onde vamos? — Perguntei pisando no acelerador.
- Miss EverCom, o que acha? — Perguntou com aquele sorriso malicioso que ela sempre tinha quando se tratava de diversão.
- Ótimo! — Sorri como ela e em pouco tempo tínhamos chegado à balada.
De fora dava para ouvir o som alto de Sexy and I Know It, e eu estava louca por um pouco de vodka.
E foi a primeira coisa que eu fiz. O liquido desceu queimando a garganta e como sou fraca por bebida de primeira fiquei um pouco animada. Fui para a pista de dança e encontrei Alexia e comecei a dançar com ela.
Depois de umas quatro ou cinco músicas sinto alguém segurando na minha cintura.
- Oi, linda! — Perguntou um homem que eu não fazia a mínima de quem era. Seu braços eram fortes, e com poucas luzes consegui ver que seus olhos eram azuis.
- Oi. — Falei normalmente, sem aquele toque de sensualidade que ele tinha.
- Você é a garota mais linda da festa, sabia? — Consegui sentir vestígios de bebida em seu hálito.
- Jura? Interessante. — Sorri, não acreditando muito no que ele falava.
- Então, por que a garota mais linda da festa não me dá um beijo?
- Eu vou te dar um beijo — ele sorriu e se aproximou mais de mim — assim que macaco começar a falar, a galinha criar dentes, a vaca tussir e você tomar vergonha na cara.
Me virei e fui até o bar deixando o cara desorientado no meio da pista. Quando olhei de volta percebi alguns amigos dele estavam rindo de sua cara. Ri junto e fiquei orgulhosa de mim mesma por não cair na lábia dos outros assim tão fácil.
depois de mais dois copos de vodka vi que já estava na minha hora, tinha trabalho amanhã. Chamei Alexia e fomos até o carro. Ela estava um pouco mais animada do que eu então eu dirigi.
Deixei-a em casa e fui para o meu apartamento. Tomei um banho e vi que já tinha passado de uma da manhã. Deitei na minha cama e dormi feito uma pedra.
Acordei com um pouco de dor de cabeça, mas sabia que podia ser controlada com um remédio. Tomei banho, coloquei uma roupa e comi um pão de massa fina. Peguei minha bolsa e fui até o carro. Não demorou muito e eu já estava no escritório. Alexia estava sentada como sempre em sua mesa e quando cheguei a minha apertei o botão para ver se tinham recados para o Senhor Cowell. Nada.
- Ué, o que aconteceu? — Perguntei sentando na mesa e ligando o mac a minha frente.
- Estão todos acompanhando ele na turnê. Falam pessoalmente com ele ao vivo.
- Turnê? Que turnê? — Fiquei curiosa.
- Helo, Anjinha! — Fiz cara de impaciência e ela riu. — Amanhã começa em transmissão nacional The X Factor.
- Ih, é verdade! — Ri por ter esquecido um acontecimento tão importante e abri o meu e-mail.
Bom, férias de dois meses do Senhor Cowell. Tadinho, ele é muito querido, mas quem não gosta de umas férias do chefe? O resto do dia foi normal como sempre, mas eu recebia ordens do chefão pelo telefone e e-mail.
Dois meses depois.
Sai da faculdade atrasada e o trânsito piorava todo o meu dia. E o pior era que Senhor Cowell voltava hoje ao escritório. Merda. Merda.
Entrei na garagem do prédio e peguei o elevador correndo. Vinte minutos. Que meu chefe esteja atrasado. Por favor.
A porta abriu e sai rápido. Foi tão rápido que eu demorei para raciocinar. Quando percebi minha roupa estava encharcada de café.
- Ta louco, garoto? Não olha para onde anda? — Quase gritei. Se gritasse iria chamar atenção de mais e eu poderia ser demitida, ou qualquer outra coisa.
- Olha quem fala! Droga, eu estou todo sujo! — Ouvi-o resmungar.
- Você está sujo? Olha o meu estado! Eu tenho que trabalhar, eu estou atrasada! Meu Deus eu não posso chegar na frente do Senhor Cowell assim! — Olhei para ele pela primeira vez e logo percebi quem era. — Tinha que ser! Só podia ser um adolescente idiota! Argh, sai da minha frente garoto! — O empurrei e andei até Alexia que estava levantando da sua mesa.
- Mas o que aconteceu com você? — Perguntou assustada.
- Aquele Harry cantorzinho de quinta esbarrou em mim e eu fiquei toda suja de café. O que eu faço, Alexia? — Meus olhos estavam lacrimejando de tanto nervosismo. Se meu chefe me visse assim, ele ia surtar.
- Eu tive uma ideia. Vem. — Deixei minha bolsa em cima da mesa e ela puxou meu braço de volta ao elevador. Esperamos subir alguns andares e eu não tinha a mínima ideia do que estava fazendo. Andamos um pouco e paramos em frente a um homem elegante. — Andrew, we need you!
- Ok, já vi o estrago. Vá no estoque, com certeza tem alguma coisa que preste. — Ele apontou para uma porta e Alexia me levou até lá.
- Toma, Anjinha, isso deve servir. — Me entregou uma e se eu não estivesse tão nervosa eu teria reclamado do meu apelido feio.
- Obrigada, sua linda! — A abracei e coloquei a peça de roupa que parecia com a anterior ali mesmo, como não havia ninguém.
- Agora vamos, que você está mais do que atrasada! — Concordamos e andamos rápido até o elevador.
Alexia parou no meio do caminho e dei um beijo no rosto do homem que nos ajudou e fomos rápido par alguns andares abaixo. Assim que chegamos liguei meu mac e vi se tinha algum recado.
- Anjinha, quando chegar venha até a minha sala, preciso falar com você. — Ouvi a voz do Senhor Cowell e me assutei.
- Vai lá, fica calma, não deve ser nada demais! — Ela disse e eu me levantei.
Respirei fundo e bati na porta. Ouvi um "entre" e a abri.
- Queria falar comigo, Senhor Cowell? — Perguntei e percebi que tinha mais cinco garotos sentados a sua frente. — Oh, desculpa, eu volto outra hora. — Me virei, mas fui interrompida.
- Não! Espera, Anjinha. — Bufei com meu apelido e me virei dando um sorriso forçado. — Venha até aqui.
Andei até seu lado e olhei para os meninos que estavam sorrindo, menos o esquisito do Harry. Minha vontade era de bufar e rolar os olhos, mas me segurei.
- Quero lhe apresentar meus novos clientes. Esses são Liam, Niall, Zayn, Louis e Harry. Da One Direction. Meninos, essa é a... — Ele olhou pra mim, confuso. Ele não lembrava o meu nome.
- Annabelle. — Disse ainda com o sorriso forçado.
- Sim, claro, Annabelle, mas podem chamá-la de Anjinha. — ele sorriu e pegou a minha mão com carinho.
Ótimo, mais gente para me chamar com esse apelido fofo demais para mim.
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