Shut Up!

31 3ª Fase: Cápitulo 1 - O mundo dá voltas


Notas iniciais
I'm back. Boa leitura.

Bella PDV


Entrei no meu quarto e sentei na minha cama. A felicidade em beijar o Edward se dissipava como fumaça, mas ainda era suficiente pra me fazer suspirar como uma garotinha apaixonada. Não era ofinal feliz que eu sempre imaginei, não era eu. O final feliz não era nada feliz. Passei a mão nos meus lábios antes de começar a ter pena de mim mesma, o que eu sabia que não ia demorar nada. Sorri forçado, só o leve abrir dos dentes consertados por um aparelho que me fez ser zuada durante uma grande parte da minha vida, aquele pouquinho de felicidade que eu possuía no inicio estava ausente. Mas a possibilidade dele realmente sentir algo por mim estava me arrastando pro precipício da ilusão, no qual tinha tido muito trabalho pra me afastar.

Ouvi batidas desesperadas na porta e concluí na mesma hora que se tratava da Alice. Abri a porta, mesmo com pouca vontade, naquele momento, aquela felicidade dela exagerada e os seus pulinhos me irritavam muito.


–Bella do céu! – Alice exclamou inquieta – Que chupão foi aquele com o Edward lá em baixo?


Ela o que? Mas que droga! Onde eu estava com a cabeça pra beijar Edward no quintal de casa? E se... E se meu pai tivesse visto?


–Você... – gaguejei, e senti vontade de socar minha própria cara.


Ela riu descontrolada, que chegou a se engasgar com o riso.


–Foi tudo culpa do Lindo... – ela revirou os olhos – Falar de Lindo... Ele está agindo de um jeito meio estranho, muito estranho mesmo. Podia jurar que ele estava olhando pras minhas pernas enquanto mordia o lábio. Parecia sentir tesãopelo sexo oposto.


–Ah, Alice! O Orlindo olhando pras suas pernas? Poupe-me. Ele é bicha assumida, não curte mulher não. – ela riu.


–Ah, se ele curtisse... Seria um sonho, né? Aquele pedaço de mau caminho, quero dizer... Aquele mau caminho inteiro. – ela se abanou, eu riria disso, se não estivesse sem tolerância pra isso.


–Então, foram só você e o Orlindo que viram o suposto beijo? – ergui uma sobrancelha.


–O Edward não viu não, até porque era ele que tava beijando você. Peraí... O Edward tava beijando você? Por que você tava pegando o Edward? Bella... Achei que estava namorando o Jake. – ela arregalou bem os olhos – Que piriguete! Sabia que não deveria pintar esse cabelo de loiro, o cabelo influencia na vida das pessoas. – ela parecia pensar – Foi tudo parte de um plano? Ah... Pra você beijar aquele otário, só se fosse por um plano, né? Nossa, deveria ver, ele ficou parado como um idiota depois do beijo, abriu até um sorriso. Parece que você conseguiu tocar ele lá dentro... Ele não tem uma queda por você, tem um abismo. – ela riu, as suas palavras se embaralhando na minha cabeça – Me conta como vai ser o fora que você vai dar nele!


–Fora? – tentei falar normal, mas saiu como um gemido baixo.


–É... O plano não era fazer ele se apaixonar e desprezar como ele fez com você. – ela disse, como se fosse óbvio. Mas era óbvio mesmo, esse era meu plano original. – Bella... Tá brincando comigo, né? O disgraçado pisou em você o quanto pôde, fez você chorar, fez achar que não era suficiente. Droga, Bella! Ele não te quis quando você...


–Era ridícula? Eu sei que eu era ridícula, Alice. Não precisa me dizer não. – bufei.


–Desculpa, eu não... – ela tentou consertar o que havia feito, mas já era tarde demais.


–Me deixa sozinha. – sussurrei – Só isso.


Ela tentou contestar, mexeu os lábios, mas nada saiu, nada proferiu. Talvez tenha dito algo, mas eu não consegui entender. Ela virou as costas e fechou a porta. Fechei bem forte meus olhos, e, desejei que tudo aquilo fosse um sonho, mas era um pesadelo. Todo aquele dia com aquele Edward que eu sempre sonhei. A repulsa de mim mesma me invadiu, como eu não podia ter me dado conta que cometera o pior erro da minha vida? Alice tinha razão, ele me desprezou o quanto pôde, ele pisou em mim, tirou meu sono, me fez chorar, me fez me odiar, achar que não era boa o suficiente, me fez mudar por ele e agora eu tava aqui suspirando por ele, de novo. E o Jacob? Onde fica o Jacob nessa merda de história de ilusão? Era ele que estava lá pra me fazer bem o tempo todo. Senti raiva, senti muita raiva de mim.

Levantei-me da cama atordoada, a minha visão um pouco embaçada, encarei o espelho a minha frente num reflexo embaçado construído pelo dinheiro. Pela tristeza. Pelo ódio de sim mesma. Fechei os olhos e sussurrei “Quero voltar a ser a antiga Isabella, quero voltar a ser a antiga Isabella! Volta no tempo, droga.”

Nunca me senti tão fraca em toda minha vida, e, olha que eu já tinha me sentido fraca muito tempo, mas nunca quanto dessa vez. Eu queria desaparecer dessa droga de mundo. Dane-se se estou sendo dramática, mas eu não mereço viver.

“Quero voltar a ser a antiga Isabella, quero voltar a ser a antiga Isabella...” Uma primeira lágrima rolou sobre meu rosto e eu quase sufoquei com o grito que guardava na garganta. Essa nova Isabella havia beijado um canalha, ou ex canalha... Um canalha ou ex canalha que só quer o que eu sou agora. E eu troquei o Jacob por ele, o Jacob que sempre esteve comigo, não importava a quantidade de maquiagem que eu levava no meu rosto. Eu tinha escolhido o vilão pra chamar de príncipe de novo! Será que eu nunca aprendia nenhuma lição dessa droga de vida? Exaltada, dei um soco forte no espelho, abri os olhos pra observar a droga dos cacos no chão, então solucei o máximo que pude, a minha vontade era de pegar um caco de vidro e me machucar, mas eu lutava contra isso, pois só faria com que eu fosse mais fraca, e, de fraqueza, eu já transbordava. Deixei que as lágrimas rolassem a vontade e dei as costas aos cacos, não me preocupando que por acidente pisasse em algum. Fui até o banheiro, abri o armário e peguei a minha caixa cheia de soníferos. Eu sabia que aquela droga de remédio em minhas mãos em grande quantidade poderia me matar... E daí? Que se dane. Peguei o primeiro comprimido e enfiei goela a baixo. Fiquei respirando fundo durante alguns minutos, ou segundos, eu não tinha nenhuma noção do tempo.

Ouvi a porta do meu quarto abri e escondi o sonífero nas minhas costas. Alice correu até a mim desesperada. Senti meus músculos relaxarem e me dei por vencida, caindo ao chão. Meus olhos lentamente se fecharam enquanto alguém, certamente ela, me puxava do meu lugar de origem, o lugar que eu insistia em estar. No chão.


–Bella... Por que está fazendo isso? Você... – a voz dela se calou, enquanto eu forçava as minhas pálpebras a se fechar — Droga Bella! Levanta, que droga! Você quer morrer, garota?


Edward PDV


Acordei extremamente bem, com imagens da noite anterior na minha mente. Até o som do despertador era magnífico. Era estranho me sentir assim, o mundo parecia mais incrível. Mas não deixava de ser estranho de uma hora pra outra me amarrar inteiramente numa garota que sempre disse odiar, mas era incrivelmente bom sentir essa coisa, era como se eu sentisse pela primeira vez que eu tinha um coração, de verdade. E pensar que eu perdi uma boa parte da minha vida sendo um idiota, eu continuava sendo, mas de um tipo diferente. Eu estava sim disposto a qualquer coisa, disposto a ter meu coração quase saindo pela boca, disposto a me perder naqueles castanhos dos seus olhos, disposto a apanhar pra defendê-la só pra ouvir ela falar que me ama, disposto a mudar todas as minhas atitudes horríveis. Sendo sim ou não, parecia que eu ia ficar sempre aqui, esperando por ela, parecia ridículo, mas às vezes lutar por algo só te dava menos chance.

Mas eu levei um bom tempo pra descobrir um sentimento e mais um tempo pra ficha cair e eu não estava mais a fim de perder tempo, não importa o Jacob, não importa a Jessica, o que me importa é a Bella. E falando em Jessica, eu terminaria essa droga de namoro hoje, mesmo que ela fizesse um escândalo e chamasse atenção das pessoas, eu sabia que ela não ia entender e que isso desencadearia uma série de acontecimentos que podiam mudar muita coisa, só não ia mudar o que eu queria.

Era como se minhas atitudes, pensamentos... Era como se minha vida passasse a depender dela, da única garota que fez uma confusão na minha cabeça, que me mudou só pelo fato de me largar de mão. Aquela que fez meu coração acelerar, batendo como nunca bateu antes.

Balancei a cabeça atordoado e amarrei meu cadarço, passei a mão no cabelo, até olhei pra minha jaqueta de couro, mas pela primeira vez eu não tinha vontade de vesti-la, nunca passou de um pedaço de couro fútil que eu sempre gostei mais do que da minha família. É, mais do que minha família.


Peguei a chave do carro e saí do meu quarto, não, ela não saiu na mesma hora que eu. Mas bem que podia, não? Não, não podia... Seria coincidência demais.

Desci as escadas e observei três grandes malas pretas com rodinhas no meio da sala. Será que alguém estava indo embora ou indo viajar?

Na minha pequena lista imaginária só coube o nome Bella e Emmett, repetidamente. Mas podia ser qualquer um, porque só eles couberam na lista? Por quê? Eu sabia, eu havia me afastado de todos e fiz todos se afastarem de mim e só eles dois tiveram ousadia o bastante pra se aproximar. E nenhum daqueles dois eram meus irmãos de sangue, mas era com eles que eu tinha mais ligação, mesmo não gostando deles no começo. O mais estranho era como tudo se conectava, eu fiz o que fiz com a Bella e depois descobri que meu pai tinha um relacionamento com a mãe dela, eu nunca acreditei, mas talvez uma palavra defina... Destino. Quanto pra ela, talvez a palavra fosse falta de sorte. E o Emmett? Tudo começou com um filme pornográfico, não foi? E eu não gostava dele, achei um otário quando olhei pra cara dele e ele se tornou um brother de verdade, que me apóia em um monte de loucura, mas não me deixa pisar no que ele gosta – como o Sam fez comigo – o Emmett era diferente, ele parou de falar comigo quando não tratei bem sua namorada – E fez muita falta – mas não deixou de se preocupar quando o Sam e o Paul me bateram. Eu havia julgado os dois e eles se tornaram pessoas incríveis, professores incríveis que me ensinaram lições das quais nunca esquecerei.

O que sabemos é uma gota, mas o que ignoramos é um oceano.

Eu achava que sabia tudo durante todos esses anos, mas o que é uma gota diante de um oceano? Nada.

E isso estava conectado a desconectagem que eu tinha dos outros. Eu achava que sabia tudo, então definir que família era um saco. Dormir com um monte de garotas era maneiro. Sair de casa e voltar no dia seguinte sem ter dado nenhuma noticia era divertido. Me fazer feliz o tempo todo e que se ferrassem todos os outros era a meta.

Talvez eu fosse uma ilha, cercado por um oceano, mas o ignorando. Eu não estava nem aí pra quando meu pai falava comigo, há quanto tempo eu não o chamava de pai? E a Esme? Sempre teve boas intenções, me ajudou com tudo no lance do jantar e eu não retribuí nem com um “Obrigado”. A Rosalie eu nunca realmente cuidei como os irmãos mais velhos fazem restringindo os “namoradinhos” e estragando os encontros apenas por preocupação. O Jasper pedia pra brincar comigo o tempo todo, ele só queria um irmão mais velho pra se inspirar, mas eu estava mais ocupado sendo o rei do mundo. A Alice me parecia divertida e cheia de atitude, ela que nos “fez” juntar nossos pais, ela parecia até gente boa. O Orlindo podia ser gay, mas de vez em quando ele era bastante engraçado. E a Ardolina... Ah, era um pouco desequilibrada, mas no fundo talvez só precise de atenção pra mostrar a sua doçura.


–Bom dia.


Levantei a cabeça e observei Mary, ela não usava suas roupas habituais, usava roupas normais e se apoiava em uma das malas. Então as malas eram dela?


–Bom dia. – cumprimentei – Vai tirar férias?


–Depende do ponto de vista. – ela disse sorrindo, havia muita tranquilidade na sua voz – Tenho certeza que vou aproveitar muito, mas não vou voltar. Vou aproveitar a mãezona que deixei sozinha.


–Então se demitiu... – cocei o cabelo, havia uma coisa que me perturbava e talvez ela nem lembrasse – Olha, antes de sair eu queria me desculpar.


–Mas... Pelo o que Edward? – ela ergueu uma sobrancelha.


–Nós ficamos, você estava bêbada e eu me aproveitei disso. – desabafei de uma vez.


–Nós ficamos? – ela me encarou incrédula e logo corou – Meu Deus, eu não sabia.


–Vamos esquecer isso, tá bom? Esqueça o que eu acabei de te lembrar que você não lembrava antes de te lembrar. – revirei os olhos e ela riu.


–Também preciso dizer uma coisa, na verdade não me interessa, mas... – ela mexeu no cabelo.


–O que tem a dizer?


–Primeiramente é muito bom o senhor não estar me xavecando, eu me sinto melhor. – ela riu e eu ri em seguida – Não sei se é o certo contar isso, mas eu acho que isso vai fazer bem a ela, preciso te contar quem anda aprontando pra cima do senhor. Eu a avistei furando seus pneus e ela veio do meu lado e pôs aquela coisa que fez sua namorada ir ao banheiro dezena de vezes.


Bem, eu não ligava... Ultimamente ela pode me acertar com uma calota voadora que isso não vai me fazer parar de olhar pra ela.


–Eu sei, eu não ligo que seja ela. – sorri que nem um idiota – Não ligo mesmo.


–Ela parece interessada em você. – ri automaticamente — Ela sente tesão por você e fica se abanando toda vez que ver o senhor descer as escadas. Fica se remexendo toda e diz: “Lá vem o meu gostosão!”


Tentei não rir, mas isso não foi possível, qual é, tesão? Meu gostosão? Isso não fazia o feitio da Bella, aquela história era tão verdadeira quanto uma nota de três reais.


–Eu não acho comum uma pessoa dessa idade sentir tanto fogo. – ela revirou os olhos.


–É perfeitamente comum, mas não precisava ser tão evidente. – ri.


–Perfeitamente comum? A velha deve ter mais de 70 anos! – ela levantou as mãos.


–Peraí, velha? Mas ela tem 17 anos... – ergui uma sobrancelha.


–Me refiro a Ardolina, você não? – ela bufou.


–Como assim a Ardolina? – a encarei perplexo.


– Eu a vejo falar no telefone muitas vezes, uma conversa dela me deixou intrigada, ela estava com uma voz diferente, num tom rude e dizia algo como: “Não seja idiota, esse tipo de mercadoria tem que me trazer pessoalmente, quer que os ‘homi’ barrem você ou o que paspalho? Ou você traz ou não recebe capital nenhum. Falou? Falou.” E recentemente ela chegou com uma caixa estranha e na sala conferiu uns equipamentos super, eu acho que ela não me viu. Logo após pegou o celular e ligou, ela falou coisas tipo: “Mano, a mercadoria não ajudou não... Por que não mandou aquela nova que é o dobro de loucura? É... Ox... Aff e daí? Eu pagava... Ah foda-se inútil, já sei o que fazer.” Eu não acho esse comportamento normal.


Ardolina? Ardolina? Agora tudo se encaixava perfeitamente, a Bella realmente não gasta tempo com vinganças idiotas. Cleptomaníaca, da máfia, aproveitadora, louca... Eu não sabia mesmo o que pensar daquela velha de 85 anos. E eu ainda havia desconfiado de Bella que já havia me largado de mão há mais tempo que eu imaginava. Mas no fundo, acho que no fundo eu sempre soube, mas nesse momento eu só me sentia mais feliz, mesmo sendo perseguido por uma velha de 85 anos que talvez seu nome nem fosse Ardolina, que por usar uma máscara de velhinha fofa – pelo menos pros outros – se infiltrou na casa rapidamente.


–Obrigado, você me ajudou muito mesmo agora... Vou falar com os outros e alertá-los sobre ela, ela precisa mesmo de tratamentos, tem sérios problemas mentais. – revirei os olhos rindo.


–Foi o que eu suspeitei. Então, tchau... Senhor Cullen. – ela sorriu.


–Tchau, Mary. – falei.


Ouvi barulhos de alguém descendo as escadas e rapidamente olhei, não, não era ela. Era apenas o Carlisle e a Esme descendo as escadas de mãos dadas. Normalmente, acharia aquilo nojento, mas é realmente nojento, até você se apaixonar por alguém e querer fazer o mesmo.


–Já tão cedo Mary? – Esme sorriu pra ela numa doçura que eu odiaria, mas que não me importava mais.


– Tenho que chegar cedo ao aeroporto. – ela sorriu pra Esme.


Ouvir mais barulho e dessa vez nem me preocupei em olhar, ah! Aquilo era dependência demais e eu tinha que controlar essa coisa. Queria mesmo não ter olhado, mas parecia que ela era, infelizmente só parecia. Emmett descia as escadas correndo, enquanto ajeitava o boné na sua cabeça.


–E aí, apaixonado? Aposto que pensou que era ela descendo as escadas, deve ficar decepcionado por ver um macho no lugar dela, só não começa a ter aquelas visões achando que eu sou ela, porque se avançar pra cima de mim te dou um soco. – ele quase gritou e eu de repente virei o centro das atenções.


Ah, mas que droga! Ela era minha irmã e ele fala isso na frente do Carlisle? Fiz sinal pra se calar e ele finalmente percebeu a merda que tinha feito, então saiu correndo pra cozinha como uma criancinha fugindo da consequência da burrice que fizera... Esse era o Emmett.


–Tudo bem Edward? – Carlisle me encarava.


–Tudo ótimo... – me esforcei pra completar a frase – Tudo ótimo, pai. – quase me engasguei com as palavras que não dizia há muito tempo.


Carlisle e Esme me encaravam um tanto boquiabertos.


–Do que me chamou? – ele ficou parado, intacto, não parecia crer no que ouviu.


–De pai...? Ué, prefere mãe? – olhei pro relógio e notei que já estava atrasado pra escola, Carlisle estava intacto, parado. Com aquela cara de pai orgulhoso. Quem diria que um simples pai podia fazer brotar um sorriso no rosto dele? Virei as costas o deixando desfrutando do seu momento. – Tchau pai e... Esme. – ri, já era um avanço.


Quem diria que pequenas atitudes podiam fazer alguém feliz.


–Esme, ouviu do que ele me chamou? Ele me chamou de pai Esme, me chamou de pai. – ouvi sua voz abafada atrás de mim.


–Eu ouvi amor, eu não te disse? – ela disse num tom empolgado.


Saí de casa e fui até meu carro, ao contrário do que sempre acontecia não tive pressa pra chegar na escola, acelerando como um louco. Não fui devagar demais, mas também quem passava na rua pelo menos dava pra ver o carro e não uma carreata de só fumaça que ele deixava de tão rápido que passava.

Estranho foi quando eu cheguei à escola, o pátio estava completamente vazio, o que era quase impossível, não havia nem lideres de torcida com jogadores de futebol americano se pegando nas escadas ou nas grades, não havia gênios sentados nos bancos jogando xadrez antes da aula começar, peraí, eu disse gênios e não CDF’s? Por essa eu não esperava... Enfim, não havia patricinhas exibindo-se, não havia absolutamente ninguém do lado de fora. Mas onde estavam os filões de aula? Ah, será que não havia aula? Mas se não houvesse não haveria carros estacionados ocupando quase todas as vagas. Saí do carro e me aproximei do portão da escola, ao entrar descobri onde estavam todas as pessoas, amontoadas nos corredores, nunca havia visto tantos alunos dentro da escola.


–Olha quem chegou galera. – Paul alertou as pessoas – A libélula Pink chiclete.


O olhei estranho, libélula? O que? Será que tinha alguma coisa a ver com a surra que eu tomei, mas eu não bati como uma mocinha, pelo contrário, eu quebrei o nariz do Sam, que por acaso não estava nem ali. A risada de toda aquela gente explodiu causando dor nos meus ouvidos, em meio a tantas risadas e piadinhas eu não tinha aquele gás. Sempre que pensei que ia passar por isso, eu achava que eu saia tirando onda e respondendo a piadinhas, quebrando a cara de algumas pessoas. Mas naquele momento eu me sentia mais fraco que um homem diante de uma tropa inimiga de 1.000. Todo aquele constrangimento me fez andar, mas não devagar, sair daquele lugar, mas estavam por todos os lados. Eu nunca achei que alguém poderia me abater com apelidos tão ridículos e tão repetitivos, mas o tal apelido conseguiu. Pessoas esbarraram de propósito em mim enquanto tentava achar meu armário. Observei Jessica ao longe, e, me aproximei dela.


–Precisamos conversar...


–Olha quem está por aqui, Edward, ou devo dizer... Edwarda? — ela riu.


–Não estou brincando, quero falar em particular com você. — falei.


–Não tenho nada pra falar com você. Estou te dando um fora, nesse exato momento. Idiota! — ela observou as unhas — Fracassado, não namoro com fracassados, não me admira que não seja um homem de verdade.


As risadas explodiram.


–Agora saia daqui, antes que eu pise por acidente em você. — ela riu. Revirei os olhos atordoado. Ter apanhado dos caras que eu dizia ser meus amigos era motivo suficiente pra ser chamado de fracassado?


Não liguei pra nada ao meu redor, enfim eu estava livre daquela garota que me infernizou, e, foi mais fácil que eu pensei. Sei que amanhã as pessoas já vão ter esquecido de tudo.

Continuei andando pelo corredor, uns engraçadinhos pondo o pé pra eu cair, soltando piadinhas de mau gosto. Era fácil a arte de ignorá-los. Depois de tanto esbarrão e empurrões eu consegui achar o motivo de tanta polêmica e o tal motivo me fez congelar.


–Bella, porque fez isso comigo? – sussurrei olhando pra foto vestido de fada, estava bem grande, 5 fotos, no mural da escola, colada na frente de alguns armários e espalhada por grande parte do colégio. – Por quê?


E uma pontada dilacerando meu peito me atingiu, como se fosse a facada que eu levei da mulher no meu sonho e eu podia entender tudo. Era o troco e a primeira etapa era me deixar apaixonado, ela havia cumprido essa etapa, havia me deixado completamente maluco por ela de todas as maneiras, havia feito meu coração funcionar e amar, além das suas funções de bombear o sangue e bater, e então ela deu uma punhalada nele, um grande conjunto de ilusões e a destruição da minha vida eram tão grandes que chegavam a doer como uma faca no peito. Eu podia ver as pessoas rirem a minha volta, mas eu não conseguia ouvi-las, eu não queria ouvi-las. Eu não queria nem me ouvir, eu não queria pensar, não queria sentir, eu só queria sumir. Com a raiva tomando conta de mim, comecei a rasgar todas as fotos que eu via na minha frente. O que fez as pessoas rirem mais de mim, então uma garota vestida de lider de torcida me mostrou seu celular rosa com a minha foto.


–Não adianta... — ela riu alto.


Saí daquele lugar ignorando as vozes humilhantes na minha mente, em meio a tantas piadinhas, nada me feria mais do que quem havia me enganado. Não parei, não me oprimir, apenas continuei andando, sem saber pra onde ir, com quem contar, todos estavam contra mim, e, essa era uma coisa que eu não desejo que ninguém prove, mas que eu já fiz alguém passar, durante um bom tempo. As piadas entravam nos meus ouvidos, mas não saíam mais, e se misturavam fazendo tamanha confusão na minha cabeça. O único refúgio que encontrei foi o banheiro masculino, lá eu me isolei com toda a merda de tristeza que eu sentia. Tranquei a porta e nela eu encostei, descendo com tudo pro chão. É assim que as pessoas decepcionadas com a outra que está apaixonado se sentem? No chão. Acabadas, destruídas, sem forças. Foi assim que eu fiz a Bella se sentir durante todo aquele tempo? Eu não tinha raiva pelas fotos, eu merecia passar pela mesma coisa, eu merecia me acabar nessa droga desse chão e ter todos aqueles que um dia chamei de amigo me humilhando, acabando comigo. E então uma lágrima caiu dos meus olhos. Aquela que guardei durante 10 anos. E alguma hora teria que sair, mesmo que fosse por uma garota, a garota que eu queria que fosse minha. Ela era o grande motivo e doía saber que deixou a vingança subir na sua cabeça e mudar suas idéias e gestos, ela conseguiu me convencer tão bem, aquele beijo não foi qualquer beijo, ela sentia algo não sentia? Raiva, deveria ser isso. Eu também havia me tornado o novo alvo de piadinhas, eu sabia o que faziam, como bullying funcionava aqui e também sabia que eu não podia fazer nada pra mudar isso, a não ser sair daqui, ir embora, ir pra outra escola, ir pra outra cidade.

O sinal bateu e com isso o barulho cessou. Eu podia aproveitar pra sair dali e ir pra casa, mas eu não queria, eu queria ficar ali.

Aporta de uma das cabines sanitárias se abriu, e, um garoto de óculos e aparelhos saiu, indo lavar as mãos, ele não pareceu me notar lá. Mas depois que enxugou as mãos, e, limpou os óculos, me encarou.


–Cullen? — ele parecia não acreditar — Cullen da foto de fada que toda a escola está comentando? — e então ele começou a rir — Eu queria mesmo te ver, queria mesmo pra acreditar como esse mundo gira. Lembra daquele certo episódio no qual me trancou no armário? — neguei com a cabeça — Pois eu lembro, foi o pior dia da minha vida. Eu cortei uma veia quando cheguei em casa, e, acabei indo pro hospital. Perdi muito sangue. Tudo isso porque fez com que eu sentisse raiva de mim, me cortar parecia que aliviaria a dor, e a solidão que eu sentia. E agora... Você está aqui, no chão, alvo de uma escola de centenas de alunos. Eu tenho uma pergunta pra você... Como você se sente? — ele riu, acertando o óculos.


–Me desculpe... — balbulciei.


–Dispenso suas desculpas, dispenso sua pena. Já está pagando pelo que fez, otário. Agora vai expirementar do que eu experimentei a vida inteira. — ele riu alto e cuspiu em mim. Logo depois me empurrou, abriu a porta e saiu. Mesmo em estado de choque, fechei a porta rapidamente.


–Ele está aí dentro. — ouvi a voz dele novamente entre risinhos. Me encostei na porta com força, para que ninguém a abrisse.


–Edward, você está aí? – A voz de Bella seguida por algumas batidas na porta me sufocaram. Fiquei calado, nada disse, apenas meu coração passou a bater muito mais rápido.


–A última pessoa a quem ele quer ver é você. – Jacob fez questão de dizer isso alto.


–Não importa, eu preciso falar com ele. – ela bateu mais na porta com a voz derrotada, que parecia muito preocupada. Pra que ela continuava fingindo?


–Nunca vai aprender a lição, não é mesmo? — Jacob bufou — Deixa ele pelo menos aprender a dele. E além do mais, acho que tenho razão quando digo que ele não quer te ver.


–Edward, abre a porta. Eu vou fazer eles pararem com isso, eu juro. Eu juro... — ela soluçou.


–Bella, pode ir parando, vamos pra aula. Ei... Vamos pra aula. Ele não quer sua ajuda, meu amor... Acredite, você fez tudo que podia, já não foi suficiente rasgar o resto das fotos? Vem, vamos pra aula, anjo.


Me encolhi ainda mais, e, respirei forte, a fim de ignorar a voz terna da garota do outro lado da porta. Ou estava funcionando muito bem essa coisa de ignorar, ou ela teria ido embora.



Continua...



Notas finais
OI, sei que não ficou muito bom, até porque tem muitos meses que não escrevo nada, e tô na sintonia de outra fic (Jogo da Paixão)leiam;
Queria agradecer pela força, pelos reviews, pelas mensagens atenciosas que me deram força o suficiente pra abrir o word e só fechar quando um cápitulo tivesse pronto. Vocês valem muito pra mim. Muito obrigada.
Enfim, queria perguntar se algum de vocês podem fazer uma capa pra mim pra terceira temporada, com o Edward, a Bella e o Jacob.
Enfim, obrigada de novo.
Beijo.