Shut Up!

39 3ª Fase: Capítulo 9 - O sabor da conquista


Notas iniciais
Feliz ano novo, galerinha! Não postava aqui desde o ano passado!! Desculpa a piadinha, tenho problemas. Trago surpresas neste capítulo. Verão o ponto de vista da Rosalie, sim, ela existe na fic. Ela vale um destaque, certo? Trago também uma nova narração, que não é o ponto de vista do personagem, mas eu, como se tivesse assistindo a cena. Esse ponto de vista está dentro do ponto de vista do Jasper, destacado em itálico, e também nas suas SMS's à Twoany. Tenho apreciação por esse tipo de narração. Dito isso: Tenha uma boa leitura!

Ardolina PDV

Eu estava apenas indo para cozinha, para me servir de um lanchinho. O cheiro de chocolate adentrou minhas narinas, e eu fui observar o forno. Achei que a empregada havia ido embora, mas pelo jeito já haviam contratado uma boa cozinheira. Eu não podia esperar para encher o bucho de...

Meus pensamentos que só pensavam em quão bom deveria estar o bolo, foram totalmente bloqueados por uma cena grotesca no chão da cozinha. Pisquei os olhos três vezes para verificar se eu não estava caducando, mesmo eu ainda sendo muito nova pra isso. Senti o sangue esquentar nas minhas veias, ao ver o meu garotão e a ex-oxigenada com cara de otária se comendo no chão da cozinha. E eu achava que aqueles dois se odiavam, mas pelo o que estava vendo, tudo aquilo não passava de tesão reprimido. E agora o meu maior alvo era a minha neta. Só Deus sabe o esforço que eu fiz pra não sair arrastando ela por aquele rabo de cavalo mal feito. Só Deus sabe o quanto eu queria fazer um escândalo. Só Deus sabe o quanto eu queria chutá-los. O garotão era um traíra também, e naquele momento senti vontade de matar os dois. Mesmo ele sendo muito gostoso pra morrer, mesmo sendo um desperdício. Ele seria o marido que eu nem cheguei a casar e já matara. Estava cansada desses homens que me abandonam. Nenhum presta. E então, uma droga de lembrança invadiu a minha mente. Eu queria tanto ter aquela doença de velhos que esqueci o nome.

Havia uma lista de mais de 15 homens que assassinei ao longo da minha vida, de diferentes nacionalidades. Eu me lembrava desde quando comecei isso, há 50 anos atrás.

Flashback on*

Estava com uma vida ferrada, havia sido traída pelo meu namorado, e trocada por um homem. Sim, um homem, e ainda muito feio. Eu gostava dele tanto, e de repente ele tinha fugido com um homem e me deixado sozinha, na rua. Eu não tinha pais para me apoiar, pois eles foram mortos quando eu era pequena, e só porque eram pobres, viraram um arquivo da polícia, que ninguém se importava em mexer. Eu passei minha vida num orfanato de merda, convivendo com crianças igualmente fodidas e iludidas, que ficavam olhando pra janela, como se os idiotas dos seus pais pudessem voltar. Eu pensei tantas vezes em me matar, eu chorei por tantas noites. Eu não tinha mais ninguém. Eu tive que me meter em situações pra sobreviver. E então comecei com os golpes, primeiramente roubando a carteira dos homens que me envolvia por dinheiro. Mas isso não era o suficiente pra viver. Comecei a me envolver com canalhas ricos, e me casei pela primeira vez, em Las Vegas. Ele me tratava como uma vagabunda, e me agredia. E então eu cometi o meu primeiro assassinato, com uma faca. Me arrependi tanto, mas o dinheiro dele ocultou meu arrependimento, e eu fiz que tudo se parecesse com um suicídio. Arrumei a minha vida, e quando o dinheiro acabou, tive que arrumar mais. E assim comecei a matar, e matar, e matar. Me tornei uma máquina de várias identidades e aparências. Mas um homem, digo, um homem, conseguiu me tocar lá no fundo. O único que se ajoelhou pra me pedir em casamento, que me trazia flores, que me escutava, que prestava atenção em mim, que sorria como se eu fosse sua pessoa preferida no mundo. O único que me dizia que eu era a garota mais bonita do mundo, e, pela primeira vez, eu acreditei. Seus olhos brilhavam, e eu me sentia como nunca antes, ele só tinha algumas horas, ou alguns dias de vida. Mas deixei se alastrar por semanas. E por meses. E ele se tornou o único homem a que eu não tive coragem de matar. O único que me fazia querer ser alguém melhor e apagar o meu passado. O único que me amou de verdade, e que fez esse amor ser recíproco. O único que fez a droga da minha vida valer a pena. Não tive coragem de matá-lo usando nenhuma arma, pois ele encontrara minha maior fraqueza, e fazia meu coração acelerar. Mas ele morreu, da mesma forma. Com uma droga de doença da época que derrubava até os homens mais fortes, mais poderosos e mais ricos. Ele foi levado do mundo, de qualquer maneira. De uma forma injusta, perturbadora. Isso fez com que eu odiasse não tê-lo matado antes, e vê-lo sofrendo naquela cama, enquanto me pedia para que eu fosse feliz. Observando-o no seu caixão, cercado de pessoas que choravam a sua morte prematura, decidi que não tinha mais porque ser alguém melhor. A vida simplesmente não queria que eu fosse assim. O meu destino era ser uma golpista, sem sentimentos, sem barreiras, sem envolvimentos. O meu destino era matar homens, e fazer com que parecesse suicídio. Era olhar nos olhos dos canalhas, que imploravam pela vida, que eu arrancava de seus corpos inertes pela burrice. Depois de uma carreira, e de me juntar a pessoas erradas, como traficantes, e falsos investigadores. Eu me casei, pela última vez. Este meu último marido era um gordo imbecil e usuário de Viagra. Ele era rico, e egocêntrico. Tentei por vezes mata-lo, mas não conseguia, um dia ele me viu mantendo contato com as minhas fontes e então me internou numa clinica psiquiátrica, afirmando que eu era louca. Provei sanidade, mas acabei indo pra um asilo de quinta, que muitas vezes tentei fugir, em vão. Vi no jornal, que ele morreu por overdose, e que toda aquela sua fortuna não existia. Ele era devedor, e nada ficara para mim. Enfim fui resgatada, por uma garota que não tinha visto em toda minha vida, e me surpreendi pela vida ter me dado uma mãozinha, pelo menos uma vez. Agora eu estava ali, naquela casa, em um novo golpe.

Flashback off*

E o meu garotão continuava se esfregando com aquela vadia ex-oxigenada no chão da cozinha. Fazendo com que essas lembranças viessem a tona, de relance. O tempo em que recordei do passado, não foi suficiente para que eles enfim se largassem. Infelizmente, parecia que eles não parariam até consumar o ato, por isso, ou por tudo isso, tratei de chamá-los atenção. E eles ficaram em choque, como se vissem alguma assombração. Disseram a mesma coisa em coro, que podiam se explicar, o que denunciava que mesmo que se esforçassem e fossem especialistas em mentira, só conseguiriam enganar o pior dos tolos.

Observei os ordinários à minha frente. Os dois se entreolharam, a fim de inventar uma explicação. Pobres seres que acham que eu sou otária, só por causa da minha idade. Eu era mais esperta que todos daquela casa juntos. O que não era uma glória, já que eles eram uns asnos. Lancei um olhar assassino pra ex-oxigenada que empalideceu. Já o garotão, parecia pensar numa desculpa. Eu poderia dizer que não acreditaria em nenhuma explicação fajuta, mas aquilo poderia ser divertido.

-Estou esperando! – disse, com um sorriso forçado nos lábios, e os meus lindos braços cruzados. Eles se entre olharam de novo, e a ex-oxigenada tremeu.

-Quer que eu explique desde o inicio? – assenti, dando atenção exclusiva ao meu garotão, que havia tomado a frente daquela situação. Eu adorava ver aqueles lábios, mesmo eles se mexendo pra contar uma mentira fajuta. Eu tinha uma fascinação por ele, e toda a sua masculinidade que me deixava sem ar, e pegando fogo. – Olha, eu estava lavando a louça. E... A Bella só tentou me ajudar. – ele deu de ombros, e tentou continuar, mas então a ex-oxigenada decidiu tomar a frente.

-Aí, como sou descuidada, molhei o Edward sem querer. – ela disse, dando de ombros que nem ele.

-Não admiti essa situação, e a molhei também. – ele continuou, naturalmente.

-Tentei guardar o jato, mas escorreguei no caminho. – ela continuou, também de um jeito natural demais, e sem precisar que se entreolhassem.

-É incrível como essa garota é desastrada. Então, eu ri da cara dela. Mas como eu sou um cavaleiro, resolvi ajudar. – ele deu um sorriso de canto espetacular, que quase me fez cair em seus braços e me entregar àquele desejo imensurável.

-Como não aceito cortesia de falsos cavaleiros, puxei ele, fazendo com que caísse por cima de mim. – ela revirou os olhos, e ele fez o mesmo.

-Eu caí sem querer nos lábios dela... E... Chegou exatamente nessa hora. – ele me lançou um olhar, como se fosse óbvia toda aquela situação, e como se eu fosse tola.

-Agora me explique como a sua língua parou dentro da boca dela. – ergui uma sobrancelha, encarando as estatuas empalidecerem em busca de uma inútil explicação, eles não sabiam que eu já estava muito tempo ali e observei toda troca de saliva e nojeira deles, me controlando para não mata-los com a faca da cozinha. Mas eu acabara de notar que aquilo não importava, já que meu desejo por aquele homem era maior, e talvez amanhã fossemos nós rolando no chão da cozinha, ou do banheiro, ou da sala, ou do jardim, onde ele quisesse.

-Tá, nós estávamos nos beijando. E estava muito bom, se a senhora quer saber. E, se não se importa, eu gostaria de pedir licença para que continuemos. – o meu garotão disse, enquanto a garota ao seu lado estava vermelha de vergonha, como um tomate. O tomate que eu queria fazer questão de esmagar.

-O Carlisle vai ficar muito satisfeito em saber que seu filho e sua enteada estão se pegando em baixo do seu próprio teto. – suspirei, e sorri, vendo a ex-oxigenada tremer de medo ao imaginar o quão ruim seria se os seus pais soubessem que eles estavam se envolvendo. Eu gostava de ver medo no olhar das pessoas.

-O que está acontecendo com a senhora? Nós... O Carlisle não precisa saber desse incidente. – ela pediu, com uma voz de sonsa – Eu e o Edward nos odiamos. E isso não vai se repetir, foi apenas algo de momento, hormônios adolescentes idiotas.

-Hormônios adolescentes idiotas? – refleti um pouco sobre isso – Eu te entendo, minha neta. – eu disse, toda compreensiva. Eu entendia porque ela se sentia tão atraída pelo meu homem. Ele era o mau caminho inteiro, e era normal uma adolescente cheia de hormônios se entregar fácil para ele.

-Entende? – ela ergueu uma sobrancelha.

-Perfeitamente. São jovens, têm que curtir a vida. – dei o meu sorriso mais convincente, mostrando a doce vovó que eu era. – Agora, se me permitem... Vou fazer tricô.

Virei as costas, e não pus mais o meu papel em risco. Enquanto andava até a escada, com minha incrível audição que não precisava de aparelhos de velhos, pude ouvir o que diziam. Era algo como: “Riu isso? Ré paçoca?” “Ralo, odas rerem um pato”. Esses jovens, dizem coisas cada vez mais sem nenhum sentido. Balancei a cabeça, e como uma vovó comum e terna, fui fazer o meu tricô.

Jasper PDV

E por fim, senti que o meu dia não tivera sido uma merda. Apenas um dia ruim. Apenas excessos de novas informações. Apenas falta de preparação da minha parte para lidar com alguns assuntos. Eu sentia uma fagulha de felicidade se acender, mesmo sabendo que fora enganado pela minha família por toda minha vida, mesmo tendo uma amizade verdadeira se destruindo, mesmo com dilemas, e me sentido culpado por ter aprontado com o meu irmão, que se mostrara uma pessoa totalmente diferente daquele monstro que eu “convivia”. Sabe por que? Porque conhecer aquela desconhecida fora a melhor coisa que acontecera em minha vida. Por ironia do destino, aquela velha pilantra que sabotou meu carro para que parasse no meio da estrada, havia possibilitado isto, mesmo que indiretamente.

Sentou-se na sua cama, e, sendo tímido do jeito que era, não teve coragem de discar para a garota, porque sua mão tremia apenas com a ideia de ouvir aquela sua voz suave do outro lado da linha. Discou várias vezes, e de novo, e de novo. Mas sempre cancelava a ligação. Observou as 30 tentativas, ali, registradas no registro de chamadas do celular. Encarou as dicas, ainda escritas naquele braço, que ele tomou cuidado para que não apagasse. Encarou tanto aquelas letras redondas, inclinadas e médias, que já podia reconhecer se visse em qualquer lugar. Respirou forte, tentando absorver ao invés de ar, coragem para os meus pulmões. Se odiando por ser tão covarde, bufou e xingou-se mentalmente de todos os nomes feios que chegara a conhecer. Mas aquilo não o fazia melhor, não o fazia mais macho, não o fazia aquele conquistador que gostaria de ser. Sentia-se o maior otário já escrito.

Desci as escadas, enquanto ainda mantinha o meu celular em mãos, caso eu tivesse um surto de coragem. Ouvi a voz do Edward, e em seguida a voz da Bella. Ambas vinham da cozinha. O cheiro de bolo de chocolate adentrou as minhas narinas, e julguei que um pouco de açúcar poderia me dar animação e energia suficientes. Fui até a cozinha de fininho, tentando não atrapalhar, caso eles estivessem se pegando. Mas não estavam. Encarei aquela cena, sem tirar meus olhos de foco por vários segundos. Eles apenas se fitavam, enquanto pareciam conversar com os olhos. Ambos estavam molhados, e uma parte do chão da cozinha também. Minha presença ali não os atrapalhava, não os desfocava daquele jogo de olhares que tanto me surpreendia. Era o Edward, aquele que eu nunca havia visto olhar pros olhos de uma garota, por mais bonitos que fossem. E estava ali, focado naqueles olhos que, pra falar a verdade, eram bastante normais. Nunca havia parado para reparar, mas eram apenas castanhos. Comuns. Não eram grandes, nem pequenos. Eram apenas olhos. E aí, eu percebi que talvez os olhos da Twoany também só fossem apenas olhos pra outros caras, mesmo sendo tão lindos e hipnotizantes pra mim.

Edward notou a minha presença, e a questionou com o olhar. Logo em seguida, inspecionou os meus braços, e parou nos rabiscos da Twoany, onde eu escondi com a mão dois segundos depois.

-Atraído pelo magnifico bolo da Bella? – Edward perguntou, e Bella sorriu com o elogio. Ele parou de me olhar, pra fitar o sorriso dela, que, pra falar a verdade, era bem bonito e espontâneo.

-Está com o cheiro muito bom. – confessei, encarando o forno. O bolo ainda estava lá, mas isso não o impedia de cheirar tão bem assim.

-Falando nisso... Já tá na hora de tirá-lo do forno. – ela lembrou, num ímpeto, indo em direção ao forno. Edward se virou pra mim.

-Parece... Diferente. – ele disse, baixinho, e eu apenas assenti. – Sobre aquele assunto que conversamos mais cedo, eu... Nós não queríamos mentir pra vocês.

-Eu sei. Sou capaz de entender isso, só queria nos proteger. – dei de ombros, mostrando que aquele assunto não tinha muita importância pra mim. Ele assentiu, e me encarou por alguns segundos.

-Seus olhos estão... E... Por que o seu braço tá riscado? Conheceu alguém? – ele ergueu uma sobrancelha, dando um meio sorriso – Isso é o telefone de uma garota, cara? Posso ver?

Estirei o braço em sua direção, e ele estranhou as letras, ao invés de números.

-Ela é meio... Difícil. – ri um pouco, balançando a cabeça, meio atordoado.

-E como conseguiu o código-telefone? – ele ergueu uma sobrancelha, parecendo curioso.

-Eu fui atropelado por ela, e bati a cabeça... Acredito ser por isso. Porque agora não consigo tomar mais nenhuma atitude em relação a ela. Já tentei discar umas 30 vezes, e nada... E ela não parece tão interessada, só queria se livrar de mim. – me surpreendi em estar compartilhando daquelas informações com meu irmão que eu nunca havia contado algo intimo. Não sei por que, mas eu confiava nele.

-Se ela quisesse se livrar de você, não se daria ao trabalho de te dar o número dela. – ele deu de ombros, e eu assenti. – Escuta seu irmão, todo não dela é um sim, e todo sim é um mero talvez. Você não precisa ser o conquistador, nem o cara menos tímido do mundo. Só precisa ser você. Você foi você com ela? – assenti – Já é meio caminho andado. Manda uma SMS, se não consegue discar para ela. Convida ela pra sair, insiste 5 vezes se for preciso. Se ela se insultar de algo repetidas vezes, é porque funciona. Caso não dê certo, e sentir raiva, pode prestar uma queixa na policia. Afinal, ela te atropelou. – ele riu, me fazendo ri em seguida.

Me senti tão mais confiante quando ele proferiu aquelas palavras, que senti uma fagulha de esperança se acender. Observei Bella terminar de colocar o bolo em outra vasilha, e, com um sinal, me ofereceu um pedaço. Assenti de bom grado, me sentando em frente à bancada. Edward sentou ao meu lado, e deu uns três tapas fracos nas minhas costas, como se quisesse que eu seguisse o seu conselho. Como se quisesse que eu fosse feliz. E agora, de fato, eu sentia que tinha um irmão que podia contar.

Fomos servidos, e depois de umas duas fatias daquele magnífico bolo de chocolate, eu agradeci a Bella, e sutilmente ao Edward, e voltei ao meu quarto, dando espaço para que os dois namorassem, ou continuassem com o jogo de olhares, que poderia ser considerado a mesma coisa.

Sentei-me na minha cama, e respirei fundo.

“Oi.” – ele digitou, e mesmo antes de apertar o botão enviar, pedia em pensamento que a garota que iria receber a SMS, não o ignorasse. Precisava da atenção da mesma, desesperadamente.

“Não perde tempo, hein?” – ela digitou a SMS, mesmo sorrindo por perceber que ele não desistiria dela tão fácil. Foi uma surpresa o fato dele não esperar nem até o dia seguinte. E como ela gostava disso.

“Tempo é precioso. Aprendi isso há exatamente 12 horas.” – depois de se recuperar da carga de felicidade que recebeu depois dela responder em exatos 1 minuto a sua SMS, ele fez questão de digitar uma pequena piadinha sobre sua nova lição aprendida, não que ele tivesse certeza que se tratava de 12 horas, estava tão atordoado que nem parava pra fazer contas.

“Hm... Eu deveria ter colocado uma dica mais difícil.” – ela digitou, divertida com o senso de humor daquele babaca que respondia em segundos a sua SMS, sem se preocupar em parecer desesperado por ela.

“Mas não pôde, porque tem uma queda por babacas.” – ele digitou, apelando naquilo que ela havia confessado mais cedo que tinha. E imaginando qual seria a sua reação evasiva dessa vez.

“O que você quer?” – ela digitou algo que tirasse aquilo de foco, porque na verdade, não sabia como responder.

“Você.” – ele digitou, e mandou na hora. Sem se preocupar se ela estranharia, ou se ela o cortaria de alguma forma, fazendo com que se sentisse um derrotado. Era cedo para querê-la, ele achava, mas mesmo assim não temeu deixar isso claro.

“Babaca.” – ela digitou cada letra lentamente, com um sorriso estampado no rosto, destacando as covinhas que carregava na bochecha. Mas logo a sensação de que estava sendo uma idiota, apagou o seu sorriso.

“Você gostou.” – ele digitou. Como adorava quando ela o chamava de babaca!

“Eu odiei. Era pra eu ter te dado um fora, mas estou sendo boazinha.” – ela digitou, bancando a durona, como sempre. Na verdade, ela estava amando aquilo.

“Na verdade, é a garota mais má que já conheci.” – ele fez o comentário, mesmo sabendo que aquilo podia irritá-la. Ela ficava tão engraçada irritada, que fazer aquilo de proposito era divertido.

“Conheceu poucas. Ou... O mais provável: conheceu só vadias.” – ela digitou, acreditando ainda, lá no fundo, que ele a queria como um troféu, como todos os outros caras. Mesmo ele parecendo diferente. Ele não teria sido o primeiro bom ator da sua vida. Mas estava sendo o primeiro bom ator a quase desarmá-la.

“Conheci poucas. E creio que não preciso conhecer mais nenhuma.” – ele foi totalmente sincero, não querendo passar uma imagem errada pra garota.

“Droga. O que você quer?” – ela repetiu a pergunta novamente, pois a SMS anterior havia a deixado um tanto sem palavras e sem sua rotineira armadura.

“Já disse: Você.” – ele repetiu aquela resposta, porque na verdade aquela pergunta pra ele só podia ser respondida daquela maneira.

“Devo-te um parabéns. Deve ser o cara mais babaca que cheguei a conhecer. Não sei se quero te ver de novo.” – ela continuou fazendo daquilo um joguinho, pra ver o quanto ele era insistente. E se de fato, ele a queria.

“Mas eu tenho certeza.” – ele, novamente, não poupou sinceridade. De fato, ele queria muito vê-la novamente. E fita-la exatamente daquele jeito que vira o Edward fitar a Bella.

“Infelizmente a sua opinião não vale nada.” – ela digitou palavras duras, mesmo querendo dar de uma vez o braço a torcer.

“Mas você vale tudo. E não me importo em apelar até que isso funcione.” – ele digitou, seguindo firmemente o conselho do seu irmão mais velho: Não desistir.

“Amanhã. 19. Parque.” – ela digitou, mordendo os lábios, se rendendo por fim. Marcando aquele encontro num lugar onde nunca marcara antes com nenhum cara: Num lugar extremamente especial pra ela. Só pedia, do fundo daquele gélido coração que agora se derretia, que ele não estragasse aquilo tudo.

“Sabia que queria me ver.” – ele digitou, sem vergonha de se exibir por ter ganhado aquilo graças à insistência.

“Estou te convidando apenas com o intuito que me deixe em paz.” – ela digitou, obviamente mentindo. Claro que ela queria ver aquele babaca novamente.

“Francamente, acha que isso funcionará?” – ele digitou, com um sorriso nos lábios.

“Talvez.” – ela digitou, mesmo querendo ter dito não. Gostava tanto de usar um meio termo pra não dar uma resposta concreta.

“Não se preocupe... Eu garanto que não.” – ele riu, enquanto digitava a SMS que teve o mesmo efeito de riso nela.

“Merda, cara. Quem permitiu que invadisse a minha vida desse jeito com toda a sua babaquice?” – ela digitou, já quase se rendendo àquela inusitada situação. E acabou admitindo pra si mesma, que, por fim, havia gostado daquele cara. Mas que droga, quem havia lhe dado o direito de fazer essa merda com ela?!

“Foi você quem me atropelou!” – ele acusou, não percebendo o verdadeiro significado daquela pergunta. Ela havia gostado dele ter invadido a sua vida, mesmo que indiretamente, mesmo que no meio da estrada, mesmo que quase debaixo do seu carro que acabara de ganhar de aniversário.

“Poderia ter agido como uma pessoa normal... Poderia ficar calado, e não ter pedido o meu telefone.” – ela digitou. Aquilo era verdade, ela havia o achado bonito e ficara um pouco nervosa em ficar perto dele, mas se ele não houvesse se referido a ela, agora eles não estariam teclando. Ela não teria o esquecido, afinal, poucas garotas têm a sorte de atropelar um cara tão bonito. Mas ela acreditava que estaria segura.

“E você poderia ser menos encantadora.” – ele digitou, imaginando que, por um milagre, ela tivesse sorrido com o comentário. E foi justamente isso que ela fez, sentada na sua cama, mesmo não se achando encantadora. Pelo contrário.

“Se disser mais algo; te darei um bolo.” – ela digitou, ameaçadora. A verdade era que ela não sabia como lidar com elogios.

“De que sabor?” – ele digitou, brincalhão. Esperando por uma resposta evasiva. Já se acostumara com isso, e não se sentia desanimado.

“Sabor: Não vamos mais nos ver.” – ela digitou, ameaçadora novamente. Só que dessa vez, carregava um leve sorriso nos lábios.

“Parece ruim.” – ele digitou, não acreditando na ameaça da encantadora moça que o fazia mais louco a cada segundo. Ao receber aquela SMS, a moça concordou na mesma hora, com um longo suspiro, daqueles que parecia descarregar a alma. E ela não viu problema nenhum naquela hora em quase se render para àquele desconhecido que conhecera a poucas horas, e já confundia com meses.

“E é.”

Rosalie PDV

Nunca achei que seria fácil sair dessa vida, achei que seria uma prisão de segurança máxima. Achei que eu não seria capaz nem de passar pelos guardas, que, sem analogias, eram todos aqueles homens másculos que visitavam aquela boate em busca de suas satisfações masculinas. Achei que não iria escapar das grades, que era eu mesma, me aprisionando, sendo o que queriam que eu fosse. Mas não era daquele jeito que queriam que eu fosse. Eu era tão careta, e chata, que não me admirava que eu não tivesse convívio com quase ninguém daquela casa. Mas eu via tudo que acontecia ao meu redor. Eu estava acostumada com a solidão como minha melhor amiga naquela casa. Eu via o clima de ódio que perpassavam pelo Edward e pela Bella, e logo após o clima de paixão. Via o Orlindo desmunhecar e falar arrastado, mas também o via falar e agir como homem. Via a avó da Bella sendo meiga, mas também a via com uma cara de encapetada. Via a Alice saltitando pelos corredores, mas também a via com uma expressão confusa até então desconhecida por mim. Via o Jasper com a mesma cara de sempre, mas ontem o vira radiante, e com um olhar brilhante. Via o meu pai feliz com a Esme, mas ontem o vira triste pelo surgimento da minha mãe que, sinceramente, eu gostaria de conhecer. Via o Emmett conversando com as paredes, ou andando com o Barney, ou falando com seu amigo imaginário, ou... Enfim, era o Emmett. E eu gostava deles, por mais estranhos, bizarros, problemáticos, loucos que fossem. Eu gostava deles, e só queria que gostassem de mim pelo o que eu era. Era pedir demais?

Mas ninguém me notava ali, ninguém parava para falar comigo e compartilhar segredos. Ninguém para me dizer se minha roupa estava agradável para um dia lindo no parque. Ninguém pra me desejar um ótimo dia, e fazê-lo ótimo. Por isso foi difícil sair da minha paz. Por isso foi difícil dar adeus à minha dupla personalidade proposital, que me tornava útil pelo menos algumas horas do dia. Mas eu senti as coisas mudarem para melhor. Ser líder de torcida não era o meu sonho juvenil. Assim como não era meu sonho juvenil ser uma stripper. Apenas um desejo. Mas a ideia que o Jasper me dera de ser líder de torcida fora genial, eu simplesmente adorava colocar aquelas meninas no ritmo, a coreografia delas eram tão sem graça. Só que fiz umas grandes mudanças. Elas não se importaram por eu chegar já mudando tudo; pelo contrário, elas gostaram. Tínhamos até uma apresentação marcada no final deste ano, que estava bastante próximo. Enfim, a partir daí, minha vida começou a mudar pra melhor. E o treinador delas... – sim, era um homem – E, caramba, que homem, hein! Eu reparara nele durante todos esses dias, sabia descrever cada traço do seu rosto totalmente masculino. Seus olhos eram da cor negra, e acima carregava sobrancelhas grossas, porém bem feitas. Seus dentes não eram totalmente alinhados, e eu ainda não o vira sorrir. Mas estava próximo da perfeição. Seus cabelos pretos, bem cortados com uma tesoura, pareciam ser bem macios. Seus lábios pareciam suculentos, e todos aqueles músculos que se destacavam, mesmo ele usando uma camisa, me enlouqueciam. Sua expressão era sempre rígida, não importando o quanto eu implorava pela atenção dele sobre mim, ele não mostrava o mínimo interesse, a mínima atração. E isso me revoltava, e muito. Eu sempre tive o homem que eu quis. Sendo ele comprometido, ou não. Sendo eu menor de idade, e ele mais velho. Sempre. E não precisava de nenhum esforço pra isso, não precisava me subordinar à estas situações que me subordinei ao longo destes dias, para que ele reparasse em mim, não obtendo êxito.

Saí do meu carro, e ajeitei a saia, balançando os cabelos de um lado pro outro, o bagunçando sensualmente. Relembrei da boate, quando eu entrava no palco e o fazia, fazendo com que os homens babassem. As lideres de torcida usavam rabos de cavalos, mas eu era mais atrevida. Andei rebolando pelo corredor, enquanto atraia o olhar de todos os homens ali presentes. E todas as garotas também, que, modéstia parte, meio que me invejavam. Eu podia ter todos aqueles caras, todos. Menos aquele que parecia não me querer. Menos aquele que ouvi dizer que não era comprometido, e mesmo assim me evitava. Eu gostava de ser desejada, mas ele não mostrava o mínimo interesse por mim. E, droga, isso fazia com que eu o desejasse tanto. Mas ele não parecia do tipo que dizia coisas vagabundas às mulheres, ou que as usava para se satisfazer, ou que se aventurava nos banheiros com uma a cada dia da semana. Isso me intrigava, e muito.

Mas hoje eu estava decidida. Sabia que se eu quisesse tê-lo, tinha que mudar de tática. De estratégia, de coreografia, de atitude. Não adiantava morder os lábios, jogar o cabelo, e o olhar com malicia. Não adiantava subir mais um pouco a saia, e valorizar o decote. Aquele treinador não perdia por esperar. Eu chegara cedo ao colégio, tipo sempre. E ia direto para nossa sala de treinamento, onde o encontrava sozinho.

Numa total mentira inventada na hora, resolvi apelar. Era questão de humanidade que ele se aproximasse, afinal comecei a mancar, e ele faria algo pra salientar minha dor, certo? Ele pelo menos checaria. Fingi uma dor no pé direito, mancando o máximo que podia. Mas ele estava muito ocupado, mesmo com o barulho que meus passos faziam no chão com contraste de madeira. Ele parecia não querer olhar ao seu redor para me observar. Isso me irritou. Mesmo assim, andei até a arquibancada, e me sentei na primeira fileira. Fingi sentir uma dor intensa, não parando de gemer. Tentei ser uma boa atriz, e gemi como se estivesse prestes a chorar de dor. Isso deu certo, pois ele levantou o olhar na hora, me observando de relance. Toquei o meu pé, e gemi mais. Daí comecei a pensar que ele achava que eu tava tendo um orgasmo, e por isso não iria vir me ajudar. Onde estava o cavalheirismo daquele homem para com uma mulher com o pé torcido? Manti os olhos abertos, sem piscar, a fim que eles ardessem até que uma lágrima fajuta caísse. Fiz a cara mais dramática que pude, e enfim o ouvi suspirar, só que de completa irritação. Como se eu o incomodasse.

-O que aconteceu, Rosalie? – ele perguntou, ainda sentado. Sem um pingo de preocupação na sua voz. Que decepção.

-O meu pé... Ele dói. – expliquei – Eu tropecei, na entrada. Agora está doendo muito. – gemi.

-Quer ir à enfermaria? – ele perguntou, com completo descaso.

-Quero. – disse, na mesma hora.

-Tá aberta, pode ir. – ele indicou a saída da quadra com o dedo, e voltou a ignorar minha presença.

-Obrigada, senhor Richard. – disse, com a voz entupida de sarcasmo.

Descrente na falta de cavalheirismo daquele homem, levantei da arquibancada, gemendo ficcionalmente de dor. Manquei, quase me arrastando até a saída. Eu queria voltar e perguntar quem aquele homem pensava que era pra me desprezar daquela maneira. Mas eu acabara de notar que eu não era tão poderosa assim. Eu não era tão suficiente. Ouvi passos sarcásticos, e logo julguei ser dele, por isso me virei para checar. Ele estava atrás de mim, com a mesma expressão irritante.

-Achei que fosse o outro pé. – ele pigarreou, e só aí pude notar que estava mancando com o pé esquerdo, e não com o direito, como mancava anteriormente. – Poderia ter inventado algo melhor, não acha? – ruborizei, e voltei a fingir mancar, ele agarrou meu cotovelo, me fazendo parar, e se pôs a minha frente, enquanto me olhava fixamente ao ponto de me envergonhar. Olhares à mim não me envergonhavam, mas aqueles negros sim. – Mas foi divertido observar a que ponto ia. Mas é uma péssima atriz. – ele agarrou meu cotovelo com mais força – Ouça, Rosalie. Tem todos os garotos da escola, mais jovens que eu, babando por você. Tem uma família rica, e um carro do preço da minha casa. Mas nem sempre pode-se ter tudo aquilo que se quer. O mundo não é seu, e a população que o ocupa não são seus súditos.

-Eu sei. – respondi com a voz falhando, pois o seu comentário me afetou. Seu olhar sobre mim mudou. — Eu me esforço, todos os dias, para ser alguém melhor. Para que gostem de mim. Você deve se achar muito, não é mesmo? Deve ser mesmo muito bom, não é?

-Acha que eu tenho o que na cabeça? Esterco? Sabe quantas alunas dão em cima de mim? Não me envolvo com alunas. Procura alguém da sua idade, garota! – ele disse, altamente rude. Eu estava acostumada com rudez, e gostava disso. Mas aquelas palavras, vindas dele, se internalizaram, e me deram vontade de chorar. Quase tudo vindo daquele homem, tinha efeito inverso sobre mim.

-Se me der o prazer de me soltar, eu agradeço! – disse, fria. Mas ele ouviu a rouquidão que se revelara em minha voz embargada pelas suas palavras, que não eram nada mais, nada menos que verdades cuspidas bem na minha cara.

-Você me deixa nervoso, garota. – ele continuou dizendo, frio. – É incrível como mexe com o meu humor, como o piora, a cada segundo que passo perto de você.

-Não precisa mais se preocupar com isso. Talvez eu saia do grupo. – disse, sem pensar. Entrar ali fora uma das melhores coisas da minha vida, mas agora eu me sentia humilhada e inconveniente.

-Mas, sem você... – ele foi incompleto, olhei fundo naquelas orbes negras, que pareciam pensar, ao longe.

-Não vejo porque permanecer, se não o agrado. Se pensa que eu não passo de uma riquinha mimada vagabunda fútil que quer ter aquilo que não pode. Isso que eu sou, não é? Pois bem. – me revoltei, e tentei me soltar, mas sua mão forte me segurava forte demais.

-Ok, vai embora. – ele disse, por fim, bufando em descaso.

-Me solta então. – disse, entre dentes. Ele folgou as mãos do meu cotovelo, mas não o soltou definitivamente.

-Não posso! – ele quase gritou, parecia bastante nervoso e um tanto confuso.

-E por que não? – pronunciei cada palavra devagar, enquanto olhava no fundo dos seus olhos negros procurando uma resposta. Talvez ele tivesse a intenção de me machucar fisicamente também, porque suas palavras não bastaram. Ele se aproximou bastante de mim, me deixando arrepiada com o contato. Respirou próximo e forte o suficiente, para que eu sentisse o seu ar quente.

-Porque... – ele respirou fundo – Porque eu não sou uma das coisas que não pode ter.

Edward PDV

Levantei da cama, me sentido leve e com disposição pra chegar mais cedo ao colégio, o que acontecia de vez em nunca. Tomei um excelente banho, e fiz a barba enquanto cantarolava uma das músicas que ouvi o Orlindo cantar. E não me censurei por isso. Optei por uma camisa xadrez que eu não usava há tempos, e uma calça jeans. Penteei o cabelo, coloquei um perfume, e saí do quarto. Felizmente, encontrei a Bella sentada a mesa, saboreando uma torrada. Na mesa também havia umas frutas, suco, e umas fatias de bolo de ontem. As últimas só existiam, porque o Emmett não havia descoberto que havia bolo em casa. Creio que esta noite, ele dormira na casa da namorada. Como Bella estava de costas para a escada, não me viu descer. Por isso, fui de surpresa até ela, e me inclinei, lhe dando um beijo na testa, logo depois sussurrando um bom dia. Ela sorriu, e se virou pra mim, me dando um selinho, e logo dizendo bom dia de volta. Sentei ao seu lado, e a observei. Estava simplesmente linda. Seu cabelo estava partido do lado direito, e caia em cascata nas costas. Usava uma blusa básica preta, e uma calça jeans.

Algumas cenas da noite passada se passaram em minha mente, depois da sua vó me surpreender indo embora e nos deixando sozinhos sem criar confusão, logo depois da Bella colocar a culpa nos hormônios. Fomos observar as estrelas, dali mesmo do quintal. Sentados na grama, apenas tendo como trilha sonora um a respiração do outro. Não me lembrava a última vez que o fiz. A vista da cidade, eram de poucas delas, e isso as tornavam magnificas, especiais, e únicas. Porque não a víamos como um todo, e sim observávamos cada, e sempre tinha uma que brilhava mais, que ofuscava as outras diante de tanta atenção sua que chamava. Podia não ser a mais bonita do céu para outra pessoa. Podiam não ter sido notadas. E a Bella era a minha estrela única. Assim como o Emmett também tinha a sua. E como o Jasper passara a ter. E eu me perguntei, como poderiam existir tantos homens arrogantes sobre aquele magnifico céu. Então apelidei a estrela mais bonita do céu de nome Bella. E nunca deixarei que ela se apague.

Observei a minha estrela me fitar, com uma torrada na boca, se perguntando na certa porque eu estava perdido nos meus pensamentos. Ela parecia enxergar a minha alma com aqueles magníficos olhos a que eu poderia fitar durante muito tempo, muito mais que ontem. Ela balançou a cabeça sorrindo, e então voltou a comer a sua torrada, não se preocupando em se sujar, ou de parecer a mulher mais sensual do mundo quando comia. Ela simplesmente não precisava disso pra brilhar.

(...)

Depois de um saboroso e longo café da manhã, Bella e eu saímos da casa, calmamente, mesmo já um pouco atrasados. Ficamos chocados quando vimos um carro invadindo o jardim, encostado na cerca. Pelo o que eu bem tinha visto, aquele carro era do Jacob. O carro que a Bella havia lhe dado de presente de aniversário. E, pelo jeito, ele não sabia devolvê-lo como uma pessoa civilizada. Bella encarou o carro, e em vez de começar a xingar o Jacob por não ter dado o devido valor ao seu caro presente, ela riu. Deu uma risada gostosa que me contagiou. Eu não achava aquilo engraçado, mas estava rindo pelo fato dela achar isso. E pelo fato dela ter o riso mais bonito que já ouvira, e que fazia um belo par com o meu. Ela ria, e ria, e ria. E me via rindo sem jeito, e ria mais. Aquele carro deveria ter gastado uma nota, mas ela estava lá, rindo enquanto o encarava. E então descobri porque, ela não ligava. Não precisava daquele carro, não precisava do dinheiro daquele carro, ela podia consertar aquela cerca. Eram coisas fúteis. Ela estava feliz, feliz porque havia se livrado daquilo. Feliz por escapar de algo antes que se machucasse.

-Não quero ser chato, mas desse jeito vai acabar tendo um ataque. – alertei, cessando a risada da minha parte. Enxuguei a lágrima de riso que caia do seu olho, e me senti tão bem por não estar enxugando uma de tristeza, que dei um longo suspiro. Ela tentou se controlar, respirando fundo.

-Edward... – ela disse, entre risos – Pode me lembrar de não dar ao Jacob uma carta de recomendação?

-Com certeza.

(...)

Entrei no colégio, segurando a mão de Bella. Era uma sensação indescritível. Os olhares que recebi das pessoas eram olhares bons, sinceros, admiradores. Não tinha um amontoado no corredor de apenas populares, enquanto os estudiosos se escondiam na biblioteca para não sofrerem chacota. Alguns estavam lendo, outros conversavam, outros riam, outros ouviam musicas, sem distinção de grupos. Era porque até o ar estava diferente. Algumas pessoas diferentes, se vestindo como queriam, sendo tratadas como mereciam. Naquele momento, senti orgulho do que fiz. Quem disse que você não pode mudar uma realidade com apenas um ato? Ou com palavras que tocam? Quem disse? Senti Bella apertar mais forte a minha mão, e me virei para fita-la, vendo seu sorriso. Muitas pessoas falaram comigo ao longo do corredor, umas agradeceram, umas deram tchau de longe, outras apenas diziam tudo com um sorriso. Eu me senti incrivelmente bem, até que alguém esbarrou em mim, de proposito. Fazendo até com que a Bella soltasse a minha mão. Encarei o sujeito, e notei que seria melhor me bater com a lata de lixo do colégio do que encarar o Paul de novo. Ele parecia ainda mais mesquinho agora, seus olhos espelhavam o ódio, como se eu fosse a pessoa que ele mais odiava no planeta. E ele carregava grandes olheiras, abaixo do seu olhar de ódio e de perturbação. Não era mesmo o mesmo cara de anos atrás.

-Olha só, é o Edward! – ele fingiu estar tendo enorme surpresa, como se não tivesse se esbarrado em mim de proposito. Fitou Bella de cima a baixo, o que me deixou irritado, e logo depois me encarou. E então ele começou a ri bem alto, e todos do corredor pararam pra admirar a cena, ele parecia totalmente desequilibrado. Por isso, me virei pra Bella, e lhe dei um sinal com a cabeça pra seguirmos. – Calma aí, meu amigo, quero ter uma conversa civilizada contigo, em nome dos velhos tempos.

-Não sou seu amigo, então se me permite... – quase cuspi na sua cara, enquanto pegava na mão de Bella, e tentava passar com ele, que bloqueava meu caminho pra qualquer lado que eu fosse.

-Essa não é a garota que você espancou naquele dia? Quem diria que ela ficaria tão boa! – quase parti pra cima dele, mas Bella me controlou – E que... no outro dia foi espancado por causa dela? Foi ela, ela que estragou nossa amizade! Se tivesse aceitado que eu a xingasse, não teríamos brigado e seriamos brothers, como sempre fomos! Agora me explica, depois de foder com a vida dela, a humilhando de várias maneiras, como a conseguiu de volta? Ou ela é muito burra, ou você é muito foda. Vamos riscar a segunda opção, né gente?

Senti o sangue subir a cabeça, e observei Bella, perdida em pensamentos. Droga, eu tinha que quebrar a cara daquele infeliz por tê-la ofendido e a feito lembrar-se do passado. Pra minha surpresa, nenhum risinho ecoou dali. Ninguém disse nada. Ninguém incentivou como o normal. Apenas o encararam com desprezo, como se sentissem nojo dele. Desaprovavam com o olhar cada palavra imunda que ele dizia quando deveria calar a boca. Uma tremenda diarreia bucal.

-Fadinha, agora não é mais macho o suficiente pra vim pra cima de mim por causa dessa aí? Já sei, está com medo de voltar pra emergência, é? – ele riu alto, divertindo-se com o que ele pensava ser falta de coragem. Mas eu sentia pena dele. Pena. A pior coisa que pode se sentir por alguém nessas situações.

-Deixa de ser ridículo, garoto! Ele não quer brigar! – uma líder de torcida repreendeu, irritada com a sua atitude. No começo ele a encarou de cima a baixo, fitando suas curvas e surpreso pela atitude dela.

-Eu ouvi direito, gatinha? Você defendeu ele? Esse covarde? – ele riu alto, insuportavelmente. Parecia mesmo achar que aquilo se tratava de uma piada. Mas a verdade era que ele não tinha o mesmo apoio de antes, e sua risada se cessou quando deve ter enfim percebido.

-Veja bem, Paul... O covarde aqui não está sendo eu. – eu disse, em bom som. Isso o fez arder em fúria.

Observei ele fazer um sinal para os seus parceiros virem, e eu pressenti que ele tentaria uma luta desigual. Observei também, surpreso, a líder de torcida vim para o nosso lado. Observei as pessoas vindo, uma após outra, para encarar aquilo conosco. E seus parceiros permaneciam ali, intactos. Até que começaram a sinalizar um não fixo com a cabeça.

-Fala sério! O que tá acontecendo aqui? É algum tipo de piada? Cadê as câmeras? – riu alto, como um doente – Estão todos do lado dele? Sou eu quem vocês amam! Sou eu que vocês veneram! Sou eu que vocês respeitam! EU! – ele gritou, mas os alunos continuaram no mesmo lugar. Todos o encararam, decididos a me defender. E isso só fez com que o ódio dele crescesse. Ele tentou vim pra cima de mim, mas todos o cercaram. – Pensa que eu não encaro vocês, seus otários? EU ENCARO!

-NÃO VAI NÃO! – ouvimos a voz autoritária da diretora que se encontrava, observando a cena, de braços cruzados. – Enfim o achei, foi uma pena ter faltado à palestra de ontem. Queira me acompanhar à diretoria.

-Eu não vou para a diretoria! – ele disse, rindo.

-Estou sendo educada com quem já me trouxe muito problema. Então me acompanhe para a diretoria AGORA! – ela gritou, autoritária. – Não me faça ir aí!

Vendo que não surtia efeito, ela foi até ele a fim de captura-lo. Aquilo não foi uma atitude esperta, considerando o desequilíbrio dele. Ele a empurrou, com violência. Alguns alunos tentaram pegá-lo, mas não conseguiram. Pois ele correu pra longe, e antes de sair por aquela porta, fez questão de se virar para dizer algo.

-Otários!

A diretora ofegou, mas manteve postura. Não parecia ter se machucado, mas tomou um belo de um susto com a violência.

-Quero fazer um comunicado. – ela chamou a atenção dos alunos que encaravam a porta, com medo que o Paul voltasse – O armário do seu colega, Paul, foi revistado. Foram encontradas drogas de todos os tipos, e pela maneira que ele se comportava, eu não tenho dúvida que ele as usava. Se eu descobrir mais alguém envolvido nisso... Será expulso junto a ele.

Muitos pareciam chocados, outros não, outros como eu se perguntavam a quanto tempo ele fazia uso delas, e se haviam outros usuários no colégio. E a turma do Paul, foi a única que tinha algo a dizer sobre aquilo, porque foram até a diretora.

-Diretora, quero deixar claro, antes que nos acusem. Fomos nós que o denunciamos, anonimamente. Nós sabíamos das drogas, não queríamos nos envolver com essas paradas ilícitas e criminosas, e também nunca a usamos. Não íamos contar nada, mas depois do que foi dito no colégio ontem, não vi motivo pra acobertar um cara que nem era mesmo meu amigo. – Sam foi o porta-voz, enquanto o seu colega assentia, parecendo confuso.

-Me acompanhem.

Saímos dali, daquele amontoado de opiniões sobre a má conduta do Paul, e seguimos adiante, ainda um pouco chocados. Ouvimos um barulho, seguido pela porta do banheiro feminino se abrindo. De lá saiu uma mulher, obviamente. A Jéssica. Só não esperava que ela estivesse acompanhada por um homem. O Jacob. Não precisava ser muito inteligente para saber o que eles estavam fazendo lá. Eu podia ouvir a Bella suspirar de alivio ao meu lado. Eles dois nos notaram, claro. Mas fizeram questão de nos ignorar, e começaram a se beijar, usando o armário como apoio pros amassos. Desviei o olhar, querendo mesmo é dizer que eles não perdiam tempo. E aí vai outra coisa que eu diria: Ele que estava transando, mas quem ficou aliviada foi a Bella. Afinal, de canalha na vida dela, já bastava eu. Só que esse canalha, ela amava.

-Edward, é verdade que naquele dia você apanhou por causa de mim? Por que ele me xingou? Por isso se machucou tanto? – ela olhou fundo dos meus olhos, tentando buscar uma resposta, eu apenas assenti, não era do meu agrado que ela descobrisse, poderia se sentir culpada – Quer dizer que... Já gostava de mim? – parei de andar, diante do questionamento.

-O Jasper me contou sobre uma garota. Ela o atropelou no meio da não estrada. Foi algo totalmente inusitado. Ele parecia apaixonado, e já tinha admitido isso para si. A só famosa em filmes e livros: paixão à primeira vista. – ela me fitou, se perguntando o que isso tinha a ver – Bella, há pessoas que têm facilidade em descobrir o que sentem. Existem pessoas que levam muito tempo. Pessoas que levam um tempão. E, bem, existe eu. – ela riu, e continuou me fitando, curiosa. Toquei o seu cabelo, e enrolei com a ponta dos dedos – Todo aquele ódio que eu sentia por você sem motivo... Mesmo antes de saber que me amava. Todo aquele ódio... Tinha sim explicação, Bella. E agora eu posso ver. Como aquela vez que nos esbarramos no corredor e eu olhei pros seus olhos tempos demais antes de te repudiar, tempo demais. Como aquela vez que te observei comer no refeitório, e quase sorri com seu desastre. Como aquela vez que a beijei, na intenção de te iludir, e até gostei disso. Como aquela vez que te vi chorando, e senti vontade de consolá-la. Como aquela vez que te pedi uma caneta, mesmo não falando com cdfs, por me achar o tal. Quando te criticava, e te irritava, e observava o quanto ficava engraçada assim. Quando ri da sua cara suja de macarrão naquela nossa guerra de comida. Quando a vi trocando de roupa só pra te zuar, mas resolvi ficar um pouco mais. Quando comi aquela barra inteira de chocolate, enquanto observava sua cara de criança birrenta divertindo-me. Quando li seu diário, e me senti o maior otário já escrito. Quando te observei dormir, e toquei seu rosto involuntariamente. Quando te defendi dos meus antigos amigos. Quando fizemos caretas naquela cabine de foto que eu odiava, mas me fez entrar. Quando nos beijamos no quintal de casa. E, principalmente, quando olhava você e o Jacob, e desejava estar no lugar dele com todas as minhas forças. Eu só era monstro demais, idiota demais, e imbecil demais pra enxergar isso. Os pequenos sinais, gestos, palavras, ações, sorrisos, risos, olhares, comoção, arrepios, confusões. Eu já sentia tudo por você, até quando pensava não sentir nada.

Continua...

Notas finais
Demorei, não é? Desculpem novamente. Estou sem férias, atolada em trabalhos que os professores tão passando a fim de que as aulas tenham logo um fim, sendo que eles que fizeram a greve que não resultou em nada, apenas prejuízo. Bem, meus queridos, a fanfic está acabando. Clima de romance... Admito que não sei como consigo escrever isso. Estou feliz por estar chegando ao fim, e triste ao mesmo tempo. É uma confusão. Obrigada pelo apoio de vocês, de verdade.
Deixe seu comentário! Escrevi mais de 8.000, pode escrever 50 e me fazer feliz?
Beijo.
Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.