Shut Up!
37 3ª Fase: Capítulo 7 - Reviravolta do 2º ato
Notas iniciais
Hey, galera. Eu juro que tenho motivos pra demorar tanto, então antes de pegarem as armas para atirarem em mim, leiam a nota final.
Boa leitura!
Bella PDV
Deixei que um sorriso iluminasse a minha face que vinha sendo tão escurecida durante parte da minha trajetória de vida. Não a vida como um todo, mas quando ela era iluminada, rapidamente dava lugar a uma escuridão sombria da qual eu não era capaz de escapar sozinha. Eu estava agradecida pelo tempo que o Jake conseguiu acender uma pequena luzinha, mesmo ela não sendo nada perto da iluminação que agora eu tinha ao ouvir aquelas palavras proferidas. Nenhuma dúvida, ou conflito pesou dentro de mim. Porque, pela primeira vez, eu tinha plena certeza que não era nada criado pela minha ingênua imaginação. Aquele ódio ardente que eu sentia por ferir meus sentimentos, pisar em mim, me fazer sentir um nada... Fazia uma ótima dupla, mesmo que descombinante, com o amor que consegui manter vivo mesmo com pouquíssimos nutrientes.
Eu me sentia viva! Talvez essa palavra definisse exatamente como me sentia, porque a sensação que acabara de ter era que havia conseguido sair de uma cova. Em analogia, sentia que antes estavam tentando me tirar de uma cova funda, apenas me dando a mão. Eu tentava alcançar, mas meus esforços eram inúteis. Pelo menos sentia que tinha alguém que queria me tirar de lá, e, de certa forma, me sentia bem. Já agora, eu sentia que alguém entrara na cova comigo, e que havíamos conseguido sair de lá juntos. Era ridículo e egoísta admitir, mas o Jake só servia de genérico, porque o remédio do meu vicio era o meu próprio vicio. Senti que a minha cabeça podia explodir com tantas conclusões e confusões. Por isso, resolvi levantá-la e encarar os dois homens que invadiram a minha vida. Um, se encontrava com a face entupida de ódio e indiferença, aqueles olhos fundos que eu tanto temia, e só agora sabia o por que; Eu não o conhecia de fato, por isso não podia ver nos seus olhos tudo o que sentia, ou que era, ou que queria, ou precisava. Já o outro, se encontrava com um sorriso extraordinariamente idiota. Como conseguia ser um idiota de todas as espécies? Era questionável. Mas agora ele era o idiota dos meus sonhos, e era isso que importava. Só então percebi que estava retribuindo o sorriso que nem uma bobona. Balancei a cabeça atordoada e voltei a olhar para o Jacob, sua expressão de raiva e indiferença estava se desmanchando, quando a ficha caiu que, de fato, perdeu seu tempo comigo. Implorava com o olhar para que eu desistisse dessa minha ideia maluca. Por um momento, me vi comovida pelo olhar daquele homem que deu tanto de si pra me ver feliz. Por um momento, achei aquela escolha automática um tanto involuntária da minha parte. Por um momento, achei que havia me deixado perder o controle da situação só por um mero “Eu te amo” que poderia ser de mentira. Por um momento, eu decidi sumir daquele triângulo. Mas então eu me virei para o homem dos meus sonhos, e minha concepção mudou com aquele sorriso de canto que tanto me enlouquecia. E ficou claro que o que eu sentia por Jacob não era amor, era pena. Eu não era mal agradecida, me lembrava das canções, dos apelidos, das piadinhas, das palavras de conforto, dos afagos, do tanto de lágrimas que impediu de cair, das risadas, das brincadeiras, dos conselhos, dos elogios... Eu me lembrava de tudo, droga! Mas não era com ele que eu queria ficar. Eu só queria encontrar um jeito de não feri-lo, mas talvez não fosse possível.
Com os olhos semicerrados, e um tanto cautelosa, tentei tocá-lo pra me despedir e agradecer por tudo aquilo que tinha feito por mim. Estranhei a sua rejeição, quando se esquivou do meu afago com um tanto de brutalidade. Quando isso aconteceu pela segunda vez, engoli em seco, recolhendo a minha mão. Não havia nada que eu podia dizer ou fazer pra amenizar essa situação.
–Então é isso, certo? É SÓ ISSO! – ele berrou, chamando a atenção de alguns alunos ao seu redor, que olhavam ruborizados o seu show. Aquilo acabara de tomar um rumo que eu não queria, havia virado público. Parece que ele estava levando a sério o papel da mulher da relação. Mas aquilo tudo não era uma das nossas típicas e divertidas brincadeiras.
–Eu não queria que terminasse assim. Nós podemos conversar...? – tentei não me intimidar pelo modo estranho como me olhava. Queria tornar aquilo privado. Eu queria ter uma conversa civilizada com ele, e explicar tudo aquele que precisava ser explicado. Ele havia se mostrado compreensivo, mas parece que as coisas mudavam quando envolvia o Edward.
–E tudo, Bella? Tudo que... – ele respirou fundo, como se se obrigasse a ficar calmo.
–Não precisa me devolver nada. Eu só... – senti uma vontade urgente de confortá-lo ao ver seu olhar amargurado sobre mim. E dessa vez ele deixou que eu o tocasse no seu rosto com a ponta dos dedos. Sua mão segurou a minha contra seu rosto, e ele me lançou um olhar que partiu meu coração e me deu uma dor aguda no peito. Eu queria tanto que tudo fosse diferente, queria tanto não ter que fazer essa escolha. Mas há um tempo ele não estava com raiva? Era mais que estranho as suas mudanças de personalidade, uma hora ele era o vilão, na hora seguinte era o mocinho. Eu já não o conhecia tanto.
–Não é o carro que eu quero, Bella. É VOCÊ! Só você! É tudo que eu preciso para viver. – ele abaixou o seu tom de voz. O que disse fez algumas meninas que estavam ao redor suspirarem, eu apenas engoli em seco. Principalmente pelo fato de eu nem ter tocado no assunto do carro. Ele pegou a minha mão que estava no seu rosto, e deslizou até o coração, notei que seu batimento estava super acelerado, e por um momento suspirei. – Eu sempre quis você, desde o início – refleti rapidamente sobre tal ênfase, e percebi que a intenção dele era mais desbancar o Edward, do que ficar comigo. – e talvez até o fim.
–Eu sinto muito... – foi tudo que consegui dizer, gradativamente baixo. Mas pelo menos consegui franqueza. A minha resposta e reação não o agradou. Ele parecia forçar para que sua expressão não fosse mudada, mas não obteve êxito. Lá estava ele de novo, o vilão se revelando no segundo ato. Como eu sentia repulsa disso!
–SENTE MUITO? SENTE O CARALHO, BELLA. – me surpreendi com o palavrão, e ergui uma sobrancelha. Ele se esquivou do meu afago. – Quer saber a triste verdade, garota? Ele não se apaixonaria pela garota que eu conheci pegando um táxi pra fugir da sua realidade, porque ela não tinha nada de atraente aos olhos de um cara que levou as mais bonitas da cidade pra cama. – ele bufou, desiquilibrado – Ele se apaixonou agora, porque achou conveniente se apaixonar por alguém de boa aparência, com uma gorda herança, e de roupas que davam pra comprar a alma dele. A verdade é dura, né? Mas já deveria ter se habituado a ela. O que te prova que ele mudou, hein? E, além do mais, ele é praticamente seu meio irmão. Isso é repugnante! – era terrível sua lista de argumentos pra me fazer mudar de ideia, grande apelador – Vai, corre pros braços desse otário de novo! Corre! Mas depois não venha chorando pra mim, valeu? – encarei Edward por um segundo, e ele não parecia abalado pelo comentário. Parecia tranquilo, como se aquilo não o afetasse nem um pouco.
–Sabe, eu poderia estar agora no meu quarto, me arrependendo de tudo que fiz que diminuiu o brilho dessa garota incrível. – Edward disse, sorri com tal comentário – Mas eu não estou. Eu quero muito que ela corra pros meus braços, mas não utilizaria de argumentos sujos se não o fizesse. Porque ela continua sendo incrível, não importa a escolha que faça. O otário da vez não está sendo eu, Jacob.
–Cala a boca, seu filho da puta insignificante! Eu estou falando com ela, não se meta! – ele rosnou, irreconhecível. Fechou as mãos, ameaçando usar da violência. A surpresa que eu sentia não era maior que o desprezo que ele alimentava com cada palavra dita. Observei os seus olhos fundos me encararem. Lancei um olhar pra Edward para que ele não interferisse. — E você... Você não me merece! – ele deu um sorriso esnobe – Eu posso achar várias garotas ricas que me dariam tudo que eu mereço! Bem mais bonitas que você! Aliás, você nem é tão bonita assim! Bonita é a quantidade de dinheiro que tem no banco. – ele continuou rindo, que nem um típico otário. Senti uma incontrolável vontade de socá-lo.
–CALA. ESSA. BOCA. – quase gritei, não suportando mais o argumento em que insistia em apelar. Ele se surpreendeu com o meu tom de voz por alguns segundos, mas logo depois voltou a ri que nem um otário de novo – Eu ia dizer que ia encontrar uma garota a sua altura, que retribuiria o seu sentimento. Mas quer saber? Você é um doente! Tá achando que isso é o que, um jogo? Espero que se contente com um game over. E sem chances pra tentar de novo. QUERO QUE SAIA DA MINHA VIDA, SEU RIDICULO!
–E sabe o que te desejo? Desejo do fundo, e com todas as minhas forças que você se fôda! Como todas as outras vezes... E eu vou estar aqui pra assistir você se dar mal, garota burra! – ele resmungou e virou as costas, saindo empurrando todos que ousavam atravessar o seu caminho. O assisti ainda empurrar com força um garoto que usava uma camisa de Jornada nas Estrelas.
Agora eu entendia quem ele era de verdade. Entendia porque aos meus olhos o pai dele parecia um bom homem, mas aos olhos dele ele não era. Entendi porque pela manhã ele havia me convidado pra casa dele, dizendo que ouviríamos uns discos. Entendi porque ele tinha ido pescar. Entendi que ele era um perfeito mentiroso. Entendi que ele não passava de um canalha, e que o Edward havia me salvado de uma. E suspirei de alívio, ao notar que ao menos dessa vez, eu havia feito a escolha certa. Eu podia chamar este momento de reviravolta do segundo ato, certo? O momento em que as máscaras caem, e que outro vilão se revela no lugar daquele que eu achei que seria.
Virei-me para Edward, enquanto revirava os olhos, ainda perplexa. Fiz uma careta ainda em reação ao que acabara de acontecer. Aquilo era um digno rompimento macabro formado por 60% de apelação, 20% de xingamentos, 10% de teatro, e mais 10% de “Você não me merece.”. Edward não parecia tão surpreso quanto eu, na certa ele sabia o tipo de pessoa que o Jacob era. Fitei Edward por alguns segundos, e por nenhum momento ele desviou o olhar. Aquela era... A parte em que iriamos nos beijar? Era assim nas histórias, não era? Por que só conseguíamos nos encarar? E por que ele tinha que começar a sorrir assim pra mim, como se soubesse que se tratava de uma arma fatal?
–Sabe... Você pelo menos me mostrou o seu pior antes do melhor. Prefiro me surpreender a me decepcionar. – murmurei e ele riu um pouco, dando de ombros.
–Isso faz de mim o mocinho da história? – ele revirou os olhos, e eu assenti de leve – Porque eu sempre achei isso bem gay. – ele deu um riso abafado, e eu revirei os olhos. Sua intolerância com contos de fada assumiu um ar engraçado a esta altura.
–Tem noção do quanto eu te odeio? – falei, num quase sussurro. Não consegui não sorrir com minha confissão ao inverso do revirado. Mas ele pareceu entender perfeitamente bem.
–Basicamente. – ele sorriu, enquanto me estendia a mão que eu segurei prontamente, mesmo sem saber e sem me preocupar para onde estávamos indo.
Jasper PDV
Sedento por sua boca, prensei aquele desconhecida num dos armários. Suas costas bateram na porta do armário com uma força absurda, a fazendo gemer. Ergui uma sobrancelha atônito, e ele agarrou com força os meus fios de cabelo, me puxando para perto ela. Garotas eram masoquistas, ou aquilo era impressão minha? Não me demorei para beijá-la de forma quase que devoradora. Apenas movimento rápidos, prazerosos, porém sem emoção. Deixei que minha língua tomasse posse e passeasse pela sua boca, a cada vez eu estava ficando melhor nisso. Apertei forte a sua cintura, colando mais os nossos corpos. Ela mordeu o meu lábio inferior nem muito forte, nem muito fraco. Isso me deixou completamente louco. Abri os olhos, mesmo enquanto ainda estava a beijando, e observei ao redor. As pessoas não estavam amontoadas encarando aquele beijo devasso no meio do corredor. Quer dizer que isso era considerado algo normal? E isso me dava motivação pra ultrapassar um pouco. Mas... Qual era mesmo o nome dela? Não importava. Só agora eu podia descrevê-la fisicamente, já que nem havia reparado isso antes. Se tratava de uma líder de torcida, de cabelos ondulados longos e loiros. Seus olhos tinham um tom azul e verde ao mesmo tempo. Seu nariz era afilado, e sua boca bem desenhada. Até onde eu sabia, era muito disputada pelos caras do colégio. E o interessante e questionante era que ela que havia vindo se oferecer para mim de bom grado. E logo depois de eu ficar com 2 das suas amigas. Outro fato sobre as garotas era que elas não se importavam em ser tratadas como um objeto qualquer. E que gostavam de ser melhor que as outras, mesmo que elas fossem suas amigas. Ela usava bastante maquiagem, incluindo um batom vermelho que se encontrava, neste momento, até no seu nariz. Seu corpo escultural, com inúmeras curvas. Devo destacar a sua grande comissão de frente, que ficava em evidência com a roupa que usava: Uma blusa com decote, e uma saia prensada curta, do tipo das lideres de torcida. Num ímpeto, desejei aquele corpo pra mim, e fui movido por este ímpeto, nem um pouco a fim de impedi-lo que me controlasse.
–Ei... – interrompi o beijo, tentando me lembrar do nome da garota. Mas não conseguia. Isso não a incomodou, ela apenas deu um sorriso.
–Onde? – ela perguntou, já sacando as minhas intenções para com ela. Não sabia que isso seria tão fácil. Mas parece que eu estava equivocado sobre várias coisas relacionada às mulheres e à vida.
–Sugestões? – mordi de leve a sua orelha, a fazendo gemer baixinho.
–O que... Você... Acha... Do... Banheiro...? – ela gemeu, enquanto eu insistia em acaricia-la com malicia.
–Eu acho ótimo. – disse em quase um sussurro, no seu ouvido.
Deixei espaço pra que ela respirasse, e para que pudéssemos ir até o banheiro e consumar o ato. As coisas ficavam ainda mais divertidas quando eram feitas com irresponsabilidade e sem preocupação de ser flagrado e considerado imoral. Já que, maioria deles, achavam isso normal. Droga, perdi anos da minha vida agindo como um emo bichinha. Perdi anos da minha vida sem diversão, ouvindo músicas que me levavam para o fundo do poço, e me faziam ir para um mundo do qual eu não pertencia. A garota ajeitou a sua saia, passou a mão no rosto, desborrando o batom. Passou a mão nos longos cabelos, respirou um pouco e me encarou, com um olhar cheio de segundas intenções. Isso me deixou altamente satisfeito. Quantos passos seriam possíveis diminuir pra chegar mais rápido ao banheiro sem parecer um desesperado sedento por sexo? Tentei calcular, mas meu calculo se esvaiu quando a garota começou a seguir até o nosso destino, rebolando de uma forma fabulosa e provocativa. Respirei fundo, abrindo um sorriso malicioso e a segui sorrateiramente pelo corredor como se fosse um cachorrinho seguindo o dono. Ela não se virou nenhuma vez pra checar, pois sabia que eu já estava ali. Fiquei hipnotizado na maioria como andava, até que um som falho alto bem alto invadiu meus ouvidos me fazendo quase gritar e desviar do meu foco que talvez fosse a sua bunda. Encarei as pessoas ao redor terem a mesma reação que eu. E a garota que andava, dava um chilique, gritando histérica com as mãos no ouvido. Era como se ela tivesse ouvido uma bomba explodir bem atrás dela. Encarei rapidamente a caixa de som, porque era apenas dali que podia vim o barulho, ou a interferência que produziu aquele som horrível e perturbador.
“Como conseguiu ligar isso?” – minha boca se escancarou em surpresa quando eu notei que se tratava da voz do Edward, saindo da caixa acústica que se concentrava num dos pontos estratégicos de concentração dos alunos. Tentei pensar o que ele fazia ali, já que aquelas caixas eram alimentadas apenas pela diretoria ou pela rádio da escola que se encontrava abandonada há tempos. Que droga ele planejava fazer?
“Apenas liguei os fios à energia.” – desta vez, a voz pertencia à Bella, e estava num tom um tanto que zombador. Droga, que diabos eles dois estavam planejando? Se insultarem para todo mundo ouvir o quanto se odeiam? Revirei os olhos, descrente. Desejei não ser irmão do Edward pela centésima vez, e respirei fundo, esperando o que estava por vir. Já que aquele episódio havia estragado os meus planos.
“Vou dizer bom dia, mesmo sabendo muito bem que não desejam um. Mas... Bom dia. Queria me desculpar antecipadamente por atrapalhar a vida divertida de vocês. Mas eu gostaria que alguém houvesse feito isso por mim antes, eu teria aproveitado muito mais.” – ele respirou fundo por uns 2 segundos. E de repente me senti intrigado com o resto do seu discurso que não aparentava ser inútil. – “Peço que me escutem com atenção, pois o assunto não é brincadeira. Aliás, talvez seja, mas em outro sentido que não tem nenhuma graça. Talvez já tenham ouvido palestras relacionadas ao mesmo, mas a lista de reprodução do seu celular parecia bem mais importante, não é mesmo?” – observei a reação das pessoas ao redor, todas encaravam à caixa, com a mesma cara de bocós que insistiam em ter – “Mas estou aqui, hoje, a fim de mudar a sua concepção sobre o assunto. Na verdade, não tenho um discurso ensaiado, mas por outro lado, as experiências que tive durante esse tempo me ajudarão a falar algo. Começo então, com algumas perguntas, e preciso que as responda mentalmente, não vão lhe custar nada.” – fez uma longa pausa, e eu senti curiosidade sobre as perguntas que viriam a seguir. A sua voz estava tão séria, tão calma, tão verdadeira. E, por um momento, achei que não se tratava do meu irmão que sempre fez questão de me julgar e desmoralizar. Se tratava de outra pessoa.
[Música: Pink – Less than Perfect]
“Você sabe o que é sentir dor? Sabe o que é se sentir fraco e ver tudo desabar ao seu redor? Não conseguir encontrar nenhum motivo pra sorrir e milhares pra chorar? Ver todo mundo ir embora? Se sentir sozinho mesmo entre centenas de pessoas? Obrigar suas pernas a te guiarem? Ter vontade de morrer? Sentir ódio pelo aquilo que é? Então por que... julga as pessoas? Por que as maltrata? Por que as mágoa? Por que batem nelas? Por que as fazem chorar apenas por prazer? Por que alimentam um ódio sem motivo? Por que as fazem se sentir inferiores só por causa de uma, ou duas, ou três características que não obedecem a sua droga de padrão de beleza?” – ele falava alto, o seu tom completamente penetrante na mente. Me fez pensar por alguns segundos, enquanto ele fazia uma pausa. – “É fácil dizer que aconteceu com você, não é? Você também pode ter feito isso um dia. Pode ter chamado alguém de gordinha só por brincadeira, ou então magricela, ou de feiosa, ou de CDF. Ah, parecem motivos banais, não parecem? Mas por causa desses motivos banais várias pessoas se mataram, se cortaram, torturaram a si, e ao seu corpo. Por causa das palavras medíocres que saem da sua boca imunda, pessoas sofrem, se traumatizam pra vida toda, perdem a vontade de viver. Palavras que insistem em sair, quando tudo o que deveria fazer era calar a droga da boca! EU já fiz isso diversas vezes. Já julguei várias pessoas, inclusive julguei até uma garota repetidamente... Julguei-a como pobre por andar com uma picape, quando ela era rica, e apenas a usava por ser uma lembrança do seu pai. Julguei-a como feia, quando ela era a garota mais bonita que eu já conheci em toda minha vida, tanto exteriormente, como internamente. Julguei-a de CDF imunda, quando ela era a garota mais inteligente que eu já vi. Julguei-a de ingênua, só por acreditar que existiam as pessoas certas. Julguei-a de fraca, quando não consegui passar por metade do que ela passou durante boa parte da sua vida. Julguei-a de inferior, quando ela mudou de patamar e, mesmo assim, ela desceu para me ajudar. Julguei-a de repulsiva, e depois passei a deseja-la como nunca desejei ninguém antes. Julguei... Julguei... Julguei... E DO QUE ISSO ADIANTOU? Nada!” – ele respirou fundo. E, por um momento, me vi o mesmo de umas semanas atrás. O mesmo Jasper inofensivo, que não fazia mal a ninguém. O mesmo que era rejeitado pela sociedade. O mesmo que as garotas viravam a cara, ou riam de mim quando viam a minha aparência e gosto musical. O mesmo Jasper, aquele de verdade. Aquele que não tinha ódio por ser o que era, não importava o que o resto do mundo pensava sobre ele. O que eu estava fazendo comigo? Eu estava indo transar com uma garota que eu nem sabia o nome no banheiro do colégio! Que droga eu estava fazendo comigo? – “Lembra-se das perguntas que fiz há um pouquinho de tempo atrás? Se... Se você sabe o que é sofrer, por que continua fazendo com as pessoas? Mesmo sem querer, mesmo por brincadeira, mesmo sem intenção, mesmo de zoação, mesmo por IBOPE, mesmo de pirraça, mesmo de chateação. Pessoas morrem, pessoas sofrem, pessoas se castigam, se torturam, se machucam. E sabe por que eu estou aqui? Não é porque eu quero fazer um milagre, ou quero que parem de me zoar não. Estou aqui pra dizer que tá na hora de colocar um ponto final nessa palhaçada. Tá na hora de parar de excluir pessoas por causa da cor da pele, do nível social, do jeito de ser, dos gostos, das religiões. Tá na hora de escrever uma história diferente de todas as outras, pois ou controla suas palavras imundas que insistem em sair em sua boca, e sua hipocrisia, ou isso acabará por controlá-lo e transformá-lo em um monstro. Tá na hora de mostrar o que você sabe fazer melhor, não o pior. Tá na hora de consertar o que você fez. Tá na hora de ser o que você sempre foi. Tá na hora de viver uma vida que se orgulhe depois, não uma que seja motivo de arrependimento ou vergonha. Tá na hora de parar de ser uma marionete controlada pela sociedade. Porque um dia, mais cedo ou mais tarde, você vai aprender da pior maneira possível o quanto poderia ter sido diferente. Não estou dizendo que vai terminar sendo chamado de fada, humilhado, com quase nenhum amigo, perder sua popularidade ou que quase perderá o amor da sua vida. Só quero dizer que o tempo passa, o que não passa é a vontade de voltar no tempo.” – respirei fundo, assim como algumas pessoas que estavam ao redor, que entenderam o recado. Observei uma líder de torcida olhar pra sua roupa descontente, e bufar pelo o que via. Algumas outras pessoas estavam paradas, refletindo. Umas duas garotas, choravam por causa do discurso. E ainda, havia vários sorrisos brotando no rosto das pessoas que eram diariamente massacradas pelos outros. Me senti totalmente atingido pelo discurso bem feito do meu irmão. E fui atingido positivamente, como se recebesse um choque da realidade. A realidade não era que era divertido se tornar um imbecil inconsequente. A realidade era que eu era melhor, mesmo que parecesse pior, sendo o que eu era. O que eu gostava de ser.
“Se odeia o seu grupinho medíocre, mude. Se está cansada de ser invisível, fale. Se gosta de alguém, mas tem vergonha do que os outros vão pensar, admita. Se não se sente bem sendo o que é, mude. Se gosta do que é, não deixe que os outros te mudem. Se acha que alguém deveria tomar uma atitude pelo o que vem acontecendo, tome você mesmo. Se só está sendo algo porque isso aumenta sua popularidade, não seja. Se acha que esta sufocando por dentro então... Se liberte. Você é totalmente incrível sendo o que você é, sem máscaras, enfeites, discursos e atitudes ensaiadas, sem pessoas ao seu redor programas para rirem de tudo que diz. Usando as roupas que gosta, ouvindo o que gosta, conversando sobre assuntos que gosta, sendo aquilo que gosta. Sabe o único rótulo aceitável? Feliz. E se é feliz sendo o que você é, dane-se tudo aquilo que as pessoas fantasiam que você seja.” – a voz de Bella soava calma, e aquele fim de discurso me tranquilizou como nunca antes. Senti vontade de desfazer as burrices que havia feito, mas tinha plena consciência do que era possível. Me senti imensamente, e cheio de vontade de ser o que eu realmente era. Eu.
Edward PDV
E então saímos da sala, provavelmente ambos com uma chama de felicidade. Por que? Muito fácil reclamar sobre a realidade de uma escola que despreza e pisa nos fracos, difícil é tomar uma atitude em relação a isso. Mas eu ainda temia, temia que as pessoas tivessem uma reação diferente da que deveriam ter. Temia que a palestra não houvesse mudado nada. Temia que eles tivessem com raiva. Temia que não tivesse feito nenhuma diferença. Temia... Temia porque o objetivo dela não foi só ganhar a Bella, era mudar uma realidade mesquinha que todos já haviam aceitado, inclusive as vitimas. Andamos pelo corredor, Bella apoiada no meu ombro. Descemos então a escada, degrau por degrau, com uma calma intrigante. Senti o olhar dela sobre mim, e enfim comecei a fita-la.
–Estou orgulhosa de você. – ela disse baixinho, e logo depois deu um sorriso absolutamente incrível. Retribui o sorriso, e enfim parei de andar. A olhei no fundo dos olhos, e então me aproximei mais pra tocar seus lábios. Mas fui impedido de começar o beijo quando notei um grupo de alunos ao pé da escada, calados, intactos. Por um momento, achei que fosse apanhar. Mas as palmas que vieram a seguir me fizeram sentir uma coisa inexplicável. As pessoas batiam palmas, todas com um olhar contente, feliz. Independentemente da classe delas. Tinham desde patricinhas, até as garotas comuns que não se ligavam em ser arrumar. Tinham adoradores de ficções cientificas, até os que se achavam descolados. E então senti uma coisa mais inexplicável ainda quando Bella começou a bater palma junto com eles. Com um sorriso incrível estampado no rosto. Me vi constrangido, e a frase “Isso tudo é pra mim?” não parava de pedir uma resposta. Cada rosto, cada sorriso... Eram altamente gratificantes para mim. Senti vontade de fazer uma dancinha da vitória, mas consegui me conter. As palmas cessaram aos poucos, mas a sensação boa continuou ali. Observei intrigado uma garota subir na mesa, e o resto das pessoas a encararem. Ela usava roupas um tanto imorais e tinha o rosto carregado de maquiagem. Fiquei perplexo com o que veio a seguir. Foram inúmeras confissões, desde aquelas de “Eu não sou desse jeito, não gosto de ser assim”, até aquelas “Eu não sou gay, eu só fingi ser porque queria fazer teatro.”, e até a do tipo “Eu matei um homem.” Este surgiu de um homenzinho, e fez com que as pessoas ficarem assustadas e depois rissem, logo depois que ele confessou que se tratava de uma mentira, e que ele não tinha vocação pra serial killer. Mas a confissão que mais me impressionou, foi quando uma líder de torcida se jogou nos braços de um homenzinho, bem magro, baixo e que usava óculos e confessou um amor absurdo pelo mesmo. Como se o meu discurso houvesse lhe dado toda aquela coragem que precisava para tal. Coragem.
–Aproveitando a oportunidade... Também quero confessar uma coisa. – Bella começou, baixinho, enquanto as pessoas ainda confessavam coisas – Eu amo você.
–Mas isso eu já sabia. – murmurei, me fazendo de convencido. Ela fez careta – É recíproco.
–É tudo que tem a dizer? – ela ergueu uma sobrancelha – “É reciproco” – imitou ridiculamente a minha voz e eu ri um pouco.
–Se eu disser que também te amo, vai ficar que nem nos livros. Provavelmente me dará um sorriso enlouquecedor, fará uma expressão terna e ficaremos nos encarando durante um bom tempo. Ou então começaremos uma briga sem fim de quem ama o outro mais. Ou, o mais provável, daremos o beijo que ambos consideraremos ser o primeiro. São muitas escolhas para serem feitas repentinamente, já que o nosso final não é planejado como nos livros. E vale lembrar que eu não tenho uma carruagem, ou um cavalo branco. – os meus argumentos só a fazia ri. Ela sabia bem a esta altura que eu a amava, e que não precisava dizê-lo para que ela soubesse.
–Cala a boca... – ela sussurrou.
–Não queria agir como uma criança. Mas... Venha aqui e cale.
Observei-a balançar a cabeça, desacreditando na ameaça indireta que havia lhe dado. E então se aproximou de mim, aos pouquinhos. Como se dissesse que aceitava o desafio. Felizmente nos beijaríamos, mas, infelizmente, fomos interrompidos pela diretora. Ela nos parabenizou pelo o fato, e disse inúmeras coisas pra demonstrar o quanto estava feliz, e o quanto o colégio melhoraria depois daquele episódio. Também nos disse que nenhuma, das dezenas de palestras que tiveram sobre o assunto, tiveram essa repercussão incrível e tocaram os alunos daquela maneira. Aquele meu feito meio que desplanejado seria uma das lembranças mais valorosas da minha vida? Era tão bom ter algo a que se orgulhar. Uma sensação um tanto que indescritível.
Ficamos mais um tempo ali. Até que Bella me puxou, para que saíssemos daquele lugar que não era possível conseguir nenhuma privacidade. Ela saiu me puxando, como se eu fosse um boneco de pano e aquilo não deixava de ser engraçado. Antes de sairmos pelo portão do colégio, ouvi uma voz baixinha proferindo meu nome, uma vez bem familiar. Me virei e observei Jasper, que estava bem cabisbaixo. Bella disse que beberia água, e nos deixou a sós. Ele me encarou por alguns segundos, como se tivesse com algo entalado na garganta.
–Me desculpe, irmão. – ele aumentou seu tom de voz, mas parecia um tanto constrangido. Mas não foi preciso ele dizer mais nada, eu sabia pelo o que se desculpava. Eu sabia que se arrependia. E também sabia que ele continuava sendo o mesmo Jasper; O meu irmão.
–Me desculpa você... – falei – Por não ter sido o irmão que merecia.
–Tudo bem, você me surpreendeu. Mudou de verdade. – ele colocou a mão no bolso, e desviou o olhar – Estou feliz por você, e... A Bella. Fez por merecer pra tê-la. Estou... Estou orgulhoso de você. – ele sorriu, constrangido. Estendi a mão em sua direção, e ele a apertou. Ficamos ali apertando as mãos por uns segundos, até que ele revirou os olhos, riu, e soltou minha mão, me abraçando logo em seguida.
(...)
Alice PDV
Eu havia faltado aula, e havia um motivo que justificava a minha falta; Na verdade, havia alguém que justificava a minha falta. Difícil era saber por que esse alguém de personalidade distinta, não permanente e misteriosa me intrigava ao ponto de eu desejá-lo sempre mais. Eu sabia que eram errados esses nossos encontros e o sexo casual que estávamos tendo. Mas quando se tratava do Orlindo, mal me importava com as regras, porque ele me confundia completamente e ficava até difícil assimilar o que era certo, e o que era errado. Eu sei que o juramento era “Sem emoções. Só sexo.”, mas a curiosidade que eu tinha em saber mais sobre aquele homem estava se tornando cada vez maior. E todas às vezes, por algum motivo, ele sempre perguntava, zombador: “Vai virar cliente fixa?” e saia por aquela porta. E o resto do dia tínhamos que fingir que não estava acontecendo nada. E que ele tinha repulsa por mulheres. E que eu não tinha atração por ele. Aquela situação era simplesmente enlouquecedora.
Observei-o sair do banheiro, onde antes se encontrava tomando uma ducha. Ele estava de toalha, que o cobria da cintura, até os joelhos. Seus músculos estavam sendo exibidos, e eram bem estruturados. Um corpo de fato magnifico e sedutor. Observei-o balançar o cabelo encharcado, sensualmente. Não consegui deixar de morder o lábio inferior, enquanto observava aquele deus da sedução na minha frente. Logo ele viu que eu o encarava, e retribuiu, mas com aquele olhar enlouquecedor que me fazia suspirar.
–Quem é você? De verdade... – murmurei, enquanto não conseguia deixar de olhá-lo. Saber daquilo havia se tornado uma necessidade.
–É entediante, pode apostar. – ele riu, exibindo todos os dentes brancos e alinhados.
–Por favor... – quase implorei, bem baixinho. Era difícil respirar ou ter fôlego pra falar alto com aquela figura a minha frente.
–É complicado... – ele respirou fundo, e me encarou por alguns segundos, logo desviando o foco e voltando a secar o cabelo.
–Sou capaz de entender. – falei com convicção.
–Podemos falar sobre isso depois. – ele tentou desconversar.
Todo aquele mistério me irritou o suficiente para que eu levantasse da minha própria cama e corresse até a porta pra sair do meu próprio quarto. Só quando fui girar a maçaneta, percebi que estava totalmente sem roupa, e provavelmente fiquei vermelha. Ele ria baixinho do meu constrangimento, e isso me irritou ainda mais.
Bufei três vezes e marchei até onde o meu lençol havia parado. Enrolei-me no lençol resmungando todos os palavrões que conhecia. Bati na minha cabeça, lembrando que talvez minha mãe estivesse em casa. Tratei de começar a procurar onde estava minha camisola. O episódio da noite anterior foi meio que inacreditável, e eu de fato não sabia onde ela havido parar. Comecei a procurar pelos cantos, mas o quarto era muito grande, e aquilo estava me dando demasiado trabalho. E ainda o idiota misterioso não tinha a mínima deiscência de vim me ajudar.
–Tem todo direito de querer saber um pouco mais sobre o homem com que está dormindo. Mas é desnecessário, assim como a sua busca. – ele disse, cauteloso. Parei de procurar, pronta pra lhe lançar um olhar de raiva. Mas quando o lancei, percebi que girava a minha camisola na ponta dos dedos.
Nem tentei pegá-la, poderia ser alguma armadilha. Apenas fui até meu closet escolher outra roupa. Antes que pudesse alcançar a maçaneta para abri-lo, ele pegou na minha cintura. No começo tentei me saltar, mas depois que ele começou a depositar beijos no meu pescoço, me tornei uma pessoa indefesa e vulnerável. E com a fraqueza evidente que tinha a ele, me deixei levar mais uma vez. Mesmo sem ter a mínima noção de onde saiu aquele homem, se ele de fato tinha esse nome, ou sua verdadeira opção sexual, ou como de fato havia parado ali. Estava ali, deitada na cama, recebendo carícias de um desconhecido. Eu não podia deitar toda hora com um homem que eu nem tinha certeza de como se chamava. Com alguém que não confiava em mim e só queria ter o meu corpo o tempo todo. Com este pensamento, o afastei de mim, o empurrando. Isso o irritou completamente. E o que irritou ainda mais foi minha resistência ao levantar novamente e ameaçar ir embora.
–Eu tentei te poupar disso, eu tentei. – ele bufou – Não ver o que eu sou? Não ver o que tá acontecendo? Era tudo um papel. Tudo uma droga personagem! Eu enganei vocês para poder entrar nessa casa, sem exceções. Isso tudo, não passa de um golpe, pequena. E eu não me arrependo.
Edward PDV
Chegamos em casa, um após outro, já que mesmo querendo vim juntos, não podíamos. O caso era que tínhamos que trazer os dois carros. Observei Bella sair do seu carro, fechar a porta lentamente. Logo em seguida me encarou, uma leve brisa passou pelos seus cabelos de tom chocolate, e deixaram-no um tanto bagunçado, mas gracioso.
–Acho que vai começar a ser considerado um herói de agora em diante. O único que teve coragem de mudar uma realidade que já tinham aceitado. – ela murmurou, tentando quebrar o gelo, enquanto andava até a mim. Sorri, discordando com a cabeça.
–Há uns minutos atrás, eu não passava de uma fada. – comentei, e ela riu.
–Talvez a minha fada favorita. – ela fez piadinha e eu fiz uma careta.
–O seu irmão... O Emmett... Ele me deu uma força. – sorri um pouco – Olha, não tem noção ao que eu me submeti pra ter coragem de fazer aquilo. Acredita que ele fantasiou o Barney de você e me fez dialogar com ele? Isso sem contar que me chamou de boiola dezenas de vezes. Então, seria burrice e desperdício, mesmo que aqui no quintal onde corremos riscos, não beijar você agora. – murmurei, e ela sorriu enquanto balançava a cabeça, certamente pensando na situação do Barney.
E então, levemente minhas mãos seguraram as dela, e nossos olhos se prenderam no olhar. Lentamente os nossos corpos se aproximaram. Suavizei seu rosto com toques sensíveis por toda sua face. Ela ficou a procura da minha boca numa ânsia um tanto engraçada de tocá-la para sentir meu calor. Procurei desviar — ainda que com vontade de beijá-la — os meus lábios dos dela. Fixei meu olhar em seu rosto, e comecei a dar beijos por todo ele. Nos olhos, na ponta do nariz, no queixo. Enquanto lhe cobria de bitocas, minhas mãos percorreram seu pescoço, atingindo a nuca entre seus longos cabelos, onde eu acariciei com a ponta dos dedos. Senti um arrepiar do seu corpo, que tinha uma reação a cada toque de minhas mãos. E enfim me aproximei dos seus lábios; primeiro os toquei com a ponta do dedo, o que a fez sorrir. Em seguida; deslizei meu dedo pela extensão do seu rosto, contornando cada linha perfeita do mesmo. Não demorei mais pra ter seus lábios, tomando posse daquilo que agora era meu de verdade. Os lábios dela se abriram aos poucos, e o espaço fora preenchido pelos meus em suaves movimentos. Sua língua procurou a minha, e entrelaçaram-se numa dança suave, e ao mesmo tempo sensual. Seus dedos perambulavam pelo meu cabelo, e eu enlacei os braços na sua cintura. Saboreei aquele beijo incrível por vários segundos, até que o fôlego já não me permitia continuar. Afastamos as nossas bocas, um tanto que ofegantes.
Ouvi um barulho estranho, e levantei uma sobrancelha, me virando para checar. Foi impossível não rir quando vi Emmett na janela, segurando um papel com o número 10 bem grande. Bella não pareceu entender do que se tratava, mas riu do mesmo jeito. E pelo resto dos segundos, apenas uma perguntava pedia resposta: Era aquela a sensação de segurar um mundo inteiro nas mãos?
Continua...
Notas finais
Meu pai era muito apegado ao pai dele, até que o pai dele começou a beber. Cada dia estava mais agressivo, e mais indiferente. Era carpinteiro - inclusive meu pai o ajudava - e ganhava até um bom dinheiro. Mas gastava tudo em bebida, sem se preocupar com seus filhos que precisavam comer. Conforme o tempo passava, ele começou a agredir sua própria mulher, e dos 8 filhos, meu pai foi o único que teve coragem de tomar a frente e apanhar por ela. O pai dele começou a odiá-lo por isso, e ele era agredido constantes vezes sem nenhum motivo. O pai dele fez vários filhos, que ele fez questão de causar tamanhas confusões e agressões, que faziam com que a mãe dele perdesse os bebês. O irmão do meu pai morreu com 18 anos, afogado. O mais velho, e com que ele fazia questão de contar. O ódio do meu avô pelo meu pai cresceu tanto, que um dia, a noite, ele tentou por um fim na vida dele. Mas meu pai já esperava que ele tentasse algo, e fugiu dele. Quem tem coragem de matar o próprio filho? Aos 14 anos, meu pai foi expulso de casa e foi morar na rua. Ele disse que passou fome, e um frio insuportável, já que a única coisa que tinha era papelões e jornais que tinha que dividir com os outros mendigos. Felizmente, o irmão dele, o mais velho atualmente, o chamou pra morar na casa dele. Ele dormia no chão lá, mas pelo menos tinha um teto. O tempo passou, e ele conseguia "bicos" como ajudante de pedreiro e afins. Quer saber o que mais aconteceu com ele? Ele foi passado pra trás pela família. TODOS, só o procuram quando precisavam/precisam de algo. No dia do aniversário dele, de todos os irmãos, a única que ligou pra ele foi minha tia. Que hoje nem se encontra mais viva, pois faleceu depois de lutar 3 anos contra o câncer. Não foram só esses irmãos que ele perdeu. TODOS, TODAS as pessoas que foram amigas dele, sem a intenção de só explorá-lo. TODAS que disseram "pode contar comigo", e realmente ajudaram ele morreram. Uma após outra. E... Quer saber? ELE nunca desistiu. Se desistisse, eu não estaria aqui.O que são meus motivos pra desistir diante da história dele? NADA. Por isso me sentei num skate (sim, num skate) e tive uma súbita inspiração radical pra continuar essa fanfic. E só levantei quando o terminei.
Queria me desculpar novamente, e digo que dessa vez não vou me trapacear. Vou terminar isso. VOU CONCLUIR.
Espero que ainda tenha pessoas aqui comigo, que não tenham me abandonado. E espero também que tenham gostado do capítulo. ENFIM BEWARD!!! Espero que tenha feito um bom discurso, já que nunca passei pelo problema.
Por favor, comentem. Quando eu digo que é importante, não tô brincando.
ATÉ BREVE!
Xoxo.
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