Show Me Love
1 Capítulo Único
Notas iniciais
«You should've known I love you
Though I'll never say it too much
Maybe you didn't get me
Maybe I'll never know what I done
Now I'm lost in the distance
You're looking me like a stranger
Cause how it looks right now to me
Is it you're scared of the danger
I could've shown you america
All the bright lights in the universe
Could have reached, the highest heights
A different place, a different life
Remember that night underneath the stars
For a minute I thought the world was ours
All you had to do was show me love»
◯ ◯ ◯
24 De Dezembro de 2014
Querida,
Talvez tu não soubesses que eu te amo ou então talvez eu não o tenha dito muitas vezes. Será que não percebeste que eu o fazia, ou então, eu simplesmente nunca vá saber o que realmente fiz, se é que fiz alguma coisa, para que terminássemos desta maneira.
Se calhar, acabamos por nos afastar com o tempo e tornamo-nos estranhos um para o outro. Como se tudo o que fizéssemos para ti não passasse de mais uma rotina monótona que tanto detestas. Contudo, para mim, parece-me única e exclusivamente que tens medo do que não conheces, medo da rotina. Medo que talvez até fosse feliz comigo assim.
Sabes, querida, eu podia ter-te dado tudo. A América, se realmente a desejasses. Talvez todas a estrelas do universo. Podíamos ter consigo tudo juntos. Talvez uma vida diferente, num lugar diferente. Sim, eu sei que não somos perfeitos. Só que há algo dentro de mim que me faz querer lutar pelo aquilo que quero, que vale a pena. E isso, se ambos o tivéssemos, chegaria. Seriamos completos assim. Eu lutaria por ti, fosse contra pedras, tiros ou granadas. Eu iria faze-lo desde que o fizesses por mim. Mas tu não quiseste. Tu não quiseste lutar. E agora, que parecemos estranhos, parece que não há nada a ser feito, como se já não pudéssemos ser salvos. E eu queria amor, eu queria mesmo salvar-nos.
Lembras-te quando diziam que era impossível que namorássemos? Eramos demasiado diferentes e iguais ao mesmo tempo e para eles, isso não combinava de forma alguma. No entanto, a nossa vontade de cala-los e mostrar-lhes que estavam errados permaneceu e eu e tu passamos a ser um nós. Nós contra o mundo.
Os primeiros dias foram perfeitos. Perfeitos demais até. Não discutíamos, só brincávamos e eramos felizes à nossa maneira. Aos três meses de namoro decidimos que devias vir para o meu apartamento. E, meu Deus, foi tão perfeito poder acordar ao teu lado todos os dias. Tu pareces um anjo a dormir, meu amor. Eu ficava a admirar-te durante horas, à noite. Já para não falar que tentava sempre que adormecesses primeiro para eu poder, de facto, admirar-te. Era tudo tão perfeito naquele tempo, meu anjo. Eu saía do trabalho sempre a sorrir só de pensar que chegaria a casa e tu estarias lá, com o jantar já pronto e a televisão já no canal certo para vermos as nossas séries. Ou então quando decidimos arranjar um peixe e eu apanhava-te a falar para ele como se ele fosse o teu melhor amigo. Houve uma vez que falaste-lhe de mim. Eu fiquei tão feliz naquele dia, tu disseste que adoravas cada segundo que passavas comigo e que talvez tivesses encontrado o amor da tua vida.
É claro que, eventualmente, e sem eu perceber o porquê, acabamos por nos afastar, se não eu não estaria a escrever isto. Tu discutias comigo por tudo, como se eu fosse o culpado de algo terrível que arruinou a tua vida. Às vezes dava comigo a perguntar se por minha causa perdeste a tua oportunidade de ser feliz com mais alguém. Obviamente que afastava sempre essa ideia, afinal tu não estarias comigo se gostasse de outra pessoa, certo?
Quando reparei, já só faltava uma semana para o nosso meio aniversário isto é, meio ano de namoro e eu decidi oferecer-te um colar. Aquele colar que tu querias desde que eu me lembro de te conhecer. Agradeceste-me por uma semana, com abraços, beijos e carinho. Eu poderia dizer amor, mas Bem Não houve nada mais que essa semana.
Às vezes penso que só ficaste mais essa semana por causa do colar, o que é pior. Preferia que me tivesse logo dito que não gostavas de mim. Eu ter-te-ia oferecido na mesma, afinal eu não iria querer nenhuma lembrança tua. Mas tu ficaste por mais uma semana, onde fingiste que tudo estava bem, que talvez até me pudesses amar. Para no fim me destruíres, com uma enorme discussão, onde me atiraste tudo à cara. Que não eras feliz, que eu era/sou um estúpido, que nunca fiz nada por ti. Chegaste a dizer até que eu não te mostrava o amor que sentia.
Como ousaste dizer isso?!
Quem não me mostrava amor eras tu! Que discutias sempre comigo, que nunca me beijavas por vontade própria, que fugias sempre dos meus abraços, que simplesmente saíste pela porta sem nem me deixares falar.
Quando ouvi a porta fechar-se, após a discussão, caí no chão. Peguei no colar que momentos antes atiraste para o chão e chorei. Chorei muito. Chorei até a minha cabeça ser atingida por um flash de tudo que fizemos e eu dar comigo a correr pelas escadas abaixo atrás de ti. Mas quando cheguei à estrada, tu já não estava em lado nenhum e eu percebi que te tinha perdido. Talvez perdido para sempre. Se é que alguma vez te tive
Sabes, eu tenho saudades das nossas noites cá fora, em cima do capô do carro, por baixo do mar de estrelas. Tu deitavas a tua cabeça no meu ombro e eu punha o meu braço à tua volta. Beijava-te a cabeça e tu sorrias enquanto observavas todas as luzes do universo. Nesses pequenos momentos tudo parecia que ia dar certo, como se o mundo fosse nosso. Talvez até fosse, mas tu não me amas, não é? Talvez nunca amaste ou então amaste a ilusão da vida perfeita que estavas a ter comigo. E pensar que eu só te pedia que me amasses Eu só queria que me demostrasses que o fazias. Só isso, que me mostrasse amor que sentias por mim. Só que não havia amor para ser mostrado, então só restou isto. Eu sozinho em pela véspera de Natal, partido. E tu aí, feliz como se nada tivesse acontecido, como se nós nem sequer tivéssemos existido.
Não sei ao certo como me despedir, já que o que mais quero é beijar-te e fazer-te perceber que te amo, por isso, escolhe o que quiseres para despedida.
O sempre teu, Nate
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