Notas iniciais
Oi, tudo bem? Só passando para avisar que nesse capítulo, nós ainda não teremos a sessão com o clube Hellfire, porque eu mudei o cronograma dos capítulos, então o clube vai aparecer só no próximo. Mas em compensação, teremos algo muito satisfatório no final desse capítulo e isso envolve o Jason. Beijos e boa leitura ♥

Todos ao redor de Eddie haviam percebido uma mudança brusca em seu comportamento, como se toda aquela energia que ele emanava, quando compartilhava as suas percepções e ideias com os amigos, tivesse o abandonado de um dia para o outro.

Mesmo que, repetidas vezes, os colegas o questionassem a respeito daquela alteração, Munson sempre os recriminava pela insistência, fazendo com que as inúmeras tentativas de o ajudar fossem podadas, afinal e segundo ele, nada havia acontecido.

Mas um dos integrantes do clube Hellfire, não se deu satisfeito com àquela declaração e resolveu conversar com Eddie, quando esse estivesse sozinho.

—Você não vai falar o que aconteceu? – Perguntou Dustin, ao se sentar de frente para o roqueiro, em seu habitual “esconderijo” no meio da floresta.

—Eu já disse, que não tenho nada para falar. – Reclamou, mantendo o seu olhar na mesa – E se tivesse, não seria para o Henderson bunda mole, que eu falaria.

—Bom, analisando a situação pela lógica, o único motivo que te levaria a ficar desse jeito, seria algo relacionado à Lucy. – Apontou – Já que, nas últimas semanas, ela foi o motivo para o seu entusiasmo. – Dustin fez uma pausa, para encarar Eddie com atenção – Ou estou errado?

—Ou estou errado? – Zombou Munson, tentando imitar a voz do companheiro, ao mesmo tempo em que revirava os olhos em sinal de frustração.

Afinal, o pirralho estava certo.

—Eu sabia. – Afirmou Henderson, animado – Mas o que aconteceu, para você ter ficado desse jeito?

—Tá bom, caralho, eu falo o que aconteceu. – Afirmou Eddie, bufando – Estava eu, aqui no meu canto sem fazer mal para ninguém, quando o playboyzinho do Davis interrompeu a minha paz, para falar que a Wagner só está fingindo se dar bem comigo, por causa do trabalho de História. – Explicou – Satisfeito com a minha confissão?

—E você acreditou? – Perguntou, rindo – Cara, não precisa ser o Sherlock Holmes para saber que ele mentiu para você.

—Talvez ele esteja falando a verdade. – Retrucou o roqueiro.

—Sério mesmo? – Questionou o menino, desacreditado.

—Sério mesmo? – Imitou Munson, a voz de Dustin novamente.

—Se você está com essa dúvida, por que não pergunta para ela se isso é verdade? – Sugeriu.

—Eu não quero incomodar a Lucy. – Respondeu o rapaz – Se for verdade, ela vai ficar constrangida.

—Mas não é. – Rebateu Dustin.

—Por que você não vai andar de bicicleta com os outros bundões e me deixa em paz. – Afirmou, gesticulando euforicamente para que Dustin fosse embora – Aproveitem e arrumem outra pessoa para participar da sessão de amanhã. – Sugeriu, antes pedir novamente, para que o outro estudante fosse embora – Agora, chispa daqui.

Apesar de se render ao pedido do amigo e se afastar dele naquele momento, Dustin não desistiria de tirar àquela situação a limpo, o menino iria até a casa de Lucy no período da noite, para contar o que aconteceu, mesmo sabendo que Eddie o jogaria de uma ladeira, se suspeitasse daquela visita.

(...)

Henderson aguardava ansioso em frente à casa dos Wagner, para que a líder de torcida ou algum de seus familiares o atendesse.

—Oi. – Cumprimentou a mãe de Lucy, ao encarar o menino com atenção.

—Oi. – Retribuiu Henderson, acenando com uma das mãos.

—Eu posso te ajudar em algo? – Questionou a mulher, após perceber que o menino havia ficado em silêncio.

—Ah sim. – Respondeu, parecendo que tinha acabado de sair de um transe – Eu vim falar com a Lucy.

—Pode entrar... – Dizia a mãe, ao dar espaço para que o estudante se apresentasse.

—Meu nome é Dustin Henderson, sra. Wagner. – Se apresentou, estendendo a mão para cumprimentar a mulher, que retribuiu o gesto – E é um prazer, conhecê-la.

—Você é um dos meninos do clube de Dungeons e Dragons, não é? – Perguntou, acenando para que ele entrasse.

—Sou sim. – Respondeu, empolgado – A Lucy falou da gente, para a sra.?

—Falou sim. – Respondeu, antes de se aproximar da escada – Ela vive falando de vocês, principalmente do Eddie. – A mãe se virou e gritou para que a filha viesse ao seu encontro – Lucy, você tem visita.

—Gostei do jeito como a sra. chama ela. – Elogiou o garoto.

—É que ela é meia surda, sabe. – Mencionou, antes de perceber a garota que se aproximava deles – Bom, eu preciso terminar o jantar, mas fique à vontade, Dustin.

—Obrigada. – Disse Henderson, antes de encarar a colega.

—Aconteceu alguma coisa? – Perguntou Wagner, preocupada.

—Sim. – Respondeu, seriamente.

—Então desembucha logo, que eu sou ansiosa. – Reclamou, levando o menino para a sala de estar.

—O Jason foi falar para o Eddie, que você está fingindo se dar bem com ele, por causa do trabalho de História. – Explicou, tentando não atropelar as palavras por causa da velocidade que dizia aquela frase.

—Isso não é verdade. – Afirmou a jovem, espantada.

—Disso eu sei. – Concordou o menino – Mas o Eddie ficou com dúvidas, mesmo eu tendo dito que era mentira.

—E por que ele não perguntou para mim? – Questionou, confusa.

—Ele disse que se fosse verdade, você ficaria envergonhada. – Respondeu, Dustin.

—Nossa, mas de onde o Jason tirou isso? Eu disse para ele, que estava me dando bem com o Munson. – Explicou.

—Talvez esse deva ser o problema. – Mencionou Dustin – Ele deve estar com ciúmes da sua amizade com o Eddie.

—Mas isso não dá o direito, de ele falar nada por mim. – Afirmou, irritada – Ainda mais, uma mentira dessas.

—Eu concordo com você. – Afirmou Henderson – Até porque, o Eddie ficou muito mal com tudo isso.

—Tadinho, ele já sofre muito preconceito naquela escola, não merece isso o que aconteceu. – Lamentou – Mas isso não vai ficar assim, o Jason que me aguarde.

—É assim que eu gosto. – Comemorou animado, antes de perceber a entrada da mãe de Lucy no cômodo – Desculpe, sra. Wagner, eu não queria ter falado tão alto.

—Sem problema, Dustin. – Disse a mulher – Na verdade, eu vim para avisar que o jantar está pronto.

—E eu estou convidado? – Questionou o garoto, surpreendido.

—Claro que está. – Respondeu a mãe.

—Então, o que a gente está esperando para encher o bucho? – Perguntou Henderson, se levantando.

—Eu ia perguntar isso, agora. – Completou Lucy, empurrando o menino – Vamos logo, que eu estou morrendo de fome.

(...)

Assim que Dustin finalizou o jantar e foi embora, Wagner aproveitou o momento para tirar satisfações com Jason Davis, a respeito da mentira que ele havia criado em seu nome.

—Lucy? Aconteceu alguma coisa? – Perguntou preocupado, ao notar a feição de descontentamento no rosto da garota.

—Jason, eu fiquei sabendo que você contou uma mentira para o Eddie em meu nome. – Respondeu, seriamente – E eu não quero que você faça isso novamente, muito menos com ele.

—Eu só fiz isso, para te proteger daquela aberração. – Explicou, se aproximando um pouco mais da jovem.

—Ele não é uma aberração, ele é meu amigo, assim como você também é. – Retrucou Wagner.

—Lucy, entenda uma coisa. – Disse, posicionando as mãos nos ombros da garota – Você não pode ser amiga daquele maluco e dos amiguinhos pirados dele.

—Sério mesmo, que você está me falando isso? – Perguntou incrédula, por estar presenciando aquela cena regada de preconceito.

—Sim. – Respondeu, seriamente – Inclusive, as pessoas já estão comentando coisas ruins ao seu respeito, por te verem conversando com ele e com aquele grupo.

—Eu quero mais que essas pessoas vão para a puta que pariu. – Disse nervosa, antes de retirar as mãos de Jason dos seus ombros.

—Viu, ele já está te afetando. – Disse alarmado, a encarando com surpresa.

—Olha, eu agradeço por toda a hospitalidade e todas as caronas que você me deu, mas eu não posso ser amiga de alguém que trata os outros dessa maneira, sem ao menos conhecê-las direto. – Afirmou, nervosa.

—Você só pode estar enfeitiçada ou alguma coisa desse tipo. – Argumentou, ainda alarmado – Ele dever ter feito algum pacto para te deixar cega, dessa maneira.

-Ah, vai se fuder. – Retrucou sem paciência, antes de se afastar de Jason, que não havia ficado com raiva da atitude de Lucy, ao contrário, o capitão tinha certeza de que ela havia se comportado daquela maneira, por ter sido enfeitiçada por Munson.

E ele faria qualquer coisa para “salvá-la”.