Should I Stay Or Should I Go ♫ Eddie Munson
12 Ruptura
Notas iniciais
Todos ao redor de Eddie haviam percebido uma mudança brusca em seu comportamento, como se toda aquela energia que ele emanava, quando compartilhava as suas percepções e ideias com os amigos, tivesse o abandonado de um dia para o outro.
Mesmo que, repetidas vezes, os colegas o questionassem a respeito daquela alteração, Munson sempre os recriminava pela insistência, fazendo com que as inúmeras tentativas de o ajudar fossem podadas, afinal e segundo ele, nada havia acontecido.
Mas um dos integrantes do clube Hellfire, não se deu satisfeito com àquela declaração e resolveu conversar com Eddie, quando esse estivesse sozinho.
—Você não vai falar o que aconteceu? – Perguntou Dustin, ao se sentar de frente para o roqueiro, em seu habitual “esconderijo” no meio da floresta.
—Eu já disse, que não tenho nada para falar. – Reclamou, mantendo o seu olhar na mesa – E se tivesse, não seria para o Henderson bunda mole, que eu falaria.
—Bom, analisando a situação pela lógica, o único motivo que te levaria a ficar desse jeito, seria algo relacionado à Lucy. – Apontou – Já que, nas últimas semanas, ela foi o motivo para o seu entusiasmo. – Dustin fez uma pausa, para encarar Eddie com atenção – Ou estou errado?
—Ou estou errado? – Zombou Munson, tentando imitar a voz do companheiro, ao mesmo tempo em que revirava os olhos em sinal de frustração.
Afinal, o pirralho estava certo.
—Eu sabia. – Afirmou Henderson, animado – Mas o que aconteceu, para você ter ficado desse jeito?
—Tá bom, caralho, eu falo o que aconteceu. – Afirmou Eddie, bufando – Estava eu, aqui no meu canto sem fazer mal para ninguém, quando o playboyzinho do Davis interrompeu a minha paz, para falar que a Wagner só está fingindo se dar bem comigo, por causa do trabalho de História. – Explicou – Satisfeito com a minha confissão?
—E você acreditou? – Perguntou, rindo – Cara, não precisa ser o Sherlock Holmes para saber que ele mentiu para você.
—Talvez ele esteja falando a verdade. – Retrucou o roqueiro.
—Sério mesmo? – Questionou o menino, desacreditado.
—Sério mesmo? – Imitou Munson, a voz de Dustin novamente.
—Se você está com essa dúvida, por que não pergunta para ela se isso é verdade? – Sugeriu.
—Eu não quero incomodar a Lucy. – Respondeu o rapaz – Se for verdade, ela vai ficar constrangida.
—Mas não é. – Rebateu Dustin.
—Por que você não vai andar de bicicleta com os outros bundões e me deixa em paz. – Afirmou, gesticulando euforicamente para que Dustin fosse embora – Aproveitem e arrumem outra pessoa para participar da sessão de amanhã. – Sugeriu, antes pedir novamente, para que o outro estudante fosse embora – Agora, chispa daqui.
Apesar de se render ao pedido do amigo e se afastar dele naquele momento, Dustin não desistiria de tirar àquela situação a limpo, o menino iria até a casa de Lucy no período da noite, para contar o que aconteceu, mesmo sabendo que Eddie o jogaria de uma ladeira, se suspeitasse daquela visita.
(...)
Henderson aguardava ansioso em frente à casa dos Wagner, para que a líder de torcida ou algum de seus familiares o atendesse.
—Oi. – Cumprimentou a mãe de Lucy, ao encarar o menino com atenção.
—Oi. – Retribuiu Henderson, acenando com uma das mãos.
—Eu posso te ajudar em algo? – Questionou a mulher, após perceber que o menino havia ficado em silêncio.
—Ah sim. – Respondeu, parecendo que tinha acabado de sair de um transe – Eu vim falar com a Lucy.
—Pode entrar... – Dizia a mãe, ao dar espaço para que o estudante se apresentasse.
—Meu nome é Dustin Henderson, sra. Wagner. – Se apresentou, estendendo a mão para cumprimentar a mulher, que retribuiu o gesto – E é um prazer, conhecê-la.
—Você é um dos meninos do clube de Dungeons e Dragons, não é? – Perguntou, acenando para que ele entrasse.
—Sou sim. – Respondeu, empolgado – A Lucy falou da gente, para a sra.?
—Falou sim. – Respondeu, antes de se aproximar da escada – Ela vive falando de vocês, principalmente do Eddie. – A mãe se virou e gritou para que a filha viesse ao seu encontro – Lucy, você tem visita.
—Gostei do jeito como a sra. chama ela. – Elogiou o garoto.
—É que ela é meia surda, sabe. – Mencionou, antes de perceber a garota que se aproximava deles – Bom, eu preciso terminar o jantar, mas fique à vontade, Dustin.
—Obrigada. – Disse Henderson, antes de encarar a colega.
—Aconteceu alguma coisa? – Perguntou Wagner, preocupada.
—Sim. – Respondeu, seriamente.
—Então desembucha logo, que eu sou ansiosa. – Reclamou, levando o menino para a sala de estar.
—O Jason foi falar para o Eddie, que você está fingindo se dar bem com ele, por causa do trabalho de História. – Explicou, tentando não atropelar as palavras por causa da velocidade que dizia aquela frase.
—Isso não é verdade. – Afirmou a jovem, espantada.
—Disso eu sei. – Concordou o menino – Mas o Eddie ficou com dúvidas, mesmo eu tendo dito que era mentira.
—E por que ele não perguntou para mim? – Questionou, confusa.
—Ele disse que se fosse verdade, você ficaria envergonhada. – Respondeu, Dustin.
—Nossa, mas de onde o Jason tirou isso? Eu disse para ele, que estava me dando bem com o Munson. – Explicou.
—Talvez esse deva ser o problema. – Mencionou Dustin – Ele deve estar com ciúmes da sua amizade com o Eddie.
—Mas isso não dá o direito, de ele falar nada por mim. – Afirmou, irritada – Ainda mais, uma mentira dessas.
—Eu concordo com você. – Afirmou Henderson – Até porque, o Eddie ficou muito mal com tudo isso.
—Tadinho, ele já sofre muito preconceito naquela escola, não merece isso o que aconteceu. – Lamentou – Mas isso não vai ficar assim, o Jason que me aguarde.
—É assim que eu gosto. – Comemorou animado, antes de perceber a entrada da mãe de Lucy no cômodo – Desculpe, sra. Wagner, eu não queria ter falado tão alto.
—Sem problema, Dustin. – Disse a mulher – Na verdade, eu vim para avisar que o jantar está pronto.
—E eu estou convidado? – Questionou o garoto, surpreendido.
—Claro que está. – Respondeu a mãe.
—Então, o que a gente está esperando para encher o bucho? – Perguntou Henderson, se levantando.
—Eu ia perguntar isso, agora. – Completou Lucy, empurrando o menino – Vamos logo, que eu estou morrendo de fome.
(...)
Assim que Dustin finalizou o jantar e foi embora, Wagner aproveitou o momento para tirar satisfações com Jason Davis, a respeito da mentira que ele havia criado em seu nome.
—Lucy? Aconteceu alguma coisa? – Perguntou preocupado, ao notar a feição de descontentamento no rosto da garota.
—Jason, eu fiquei sabendo que você contou uma mentira para o Eddie em meu nome. – Respondeu, seriamente – E eu não quero que você faça isso novamente, muito menos com ele.
—Eu só fiz isso, para te proteger daquela aberração. – Explicou, se aproximando um pouco mais da jovem.
—Ele não é uma aberração, ele é meu amigo, assim como você também é. – Retrucou Wagner.
—Lucy, entenda uma coisa. – Disse, posicionando as mãos nos ombros da garota – Você não pode ser amiga daquele maluco e dos amiguinhos pirados dele.
—Sério mesmo, que você está me falando isso? – Perguntou incrédula, por estar presenciando aquela cena regada de preconceito.
—Sim. – Respondeu, seriamente – Inclusive, as pessoas já estão comentando coisas ruins ao seu respeito, por te verem conversando com ele e com aquele grupo.
—Eu quero mais que essas pessoas vão para a puta que pariu. – Disse nervosa, antes de retirar as mãos de Jason dos seus ombros.
—Viu, ele já está te afetando. – Disse alarmado, a encarando com surpresa.
—Olha, eu agradeço por toda a hospitalidade e todas as caronas que você me deu, mas eu não posso ser amiga de alguém que trata os outros dessa maneira, sem ao menos conhecê-las direto. – Afirmou, nervosa.
—Você só pode estar enfeitiçada ou alguma coisa desse tipo. – Argumentou, ainda alarmado – Ele dever ter feito algum pacto para te deixar cega, dessa maneira.
-Ah, vai se fuder. – Retrucou sem paciência, antes de se afastar de Jason, que não havia ficado com raiva da atitude de Lucy, ao contrário, o capitão tinha certeza de que ela havia se comportado daquela maneira, por ter sido enfeitiçada por Munson.
E ele faria qualquer coisa para “salvá-la”.
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