Should Have Asked For Directions
6 Capítulo 5: Maio - Colegial, último ano
Talvez se a gente voltar por onde viemos
Quinn se esticou na cama duas horas depois de finalmente parar de gritar com seus pais indiferentes. Seu celular estava no meio de seu peito, olhando de volta para ela, desafiando-a. Em algum lugar de seu discurso, as palavras de sua mãe penetraram completamente em seu crânio obtuso. Ela fez um lembrete de agradecê-la amanhã. Ela tinha digitado várias mensagens para Rachel e deletado cada uma delas.
Ela poderia realmente fazer um contato pela primeira vez por mensagem de texto? Não seria algo barato? Isso não seria… muito moderno? Quinn não era moderna, e nem Rachel. Elas faziam coisas como se fossem adolescentes nos anos 50 e elas gostavam das coisas desse jeito. Isso sempre tinha feito ela pensar que elas tinham algo especial. Ligações eram feitas. Cartas eram escritas. Elas andavam até a casa uma da outra para chamar para sair.
Elas apenas, apenas mostravam esforço. Quinn amava isso em relação a elas, ou costumava amar, pretérito. Não havia mais “elas”.
As palavras de sua mãe ecoaram em sua cabeça: Rachel está destinada para mais. Rachel vai ir embora. Rachel não vai olhar pra trás.
Conserte isso.
Conserte isso.
Sua mãe estava certa, afinal. Tudo dependia de Quinn, sempre dependeu.
Foda-se o jeito antigo. Ela não tinha nada agora, ela podia se contentar com o moderno. Ela pegou o celular novamente e digitou mais uma tentativa. A maioria dos botões que apertou eram letras, os outros eram “Deletar”.
Quinn se amaldiçoou e jogou o celular de volta para sua posição anterior. O que mandar uma mensagem para ela iria lhe conseguir de qualquer forma?
Okay, então, talvez tudo?
Ela agarrou seu celular novamente, passou rápido pelo papel de parede de uma Rachel de dezesseis anos de idade deitada na grama, apontando risonha para seus brincos de borboleta, e abriu uma nova mensagem.
“O que dizer, o que dizer…” ela murmurou, seus dedos pairando sobre as teclas. Ela respirou fundo, checou o relógio- 23:20, merda- e iniciou sua mensagem.
Oi. Como
Depois de dois minutos, isso era tudo o que ela tinha. Quinn xingou e passou uma mão desesperada por seu cabelo. Merda, aquilo era difícil e apenas ficaria pior. Rachel responderia? Ela teria um surto? Ela seria aquela Rachel irritável que se machucaria com a mensagem pós-término de Quinn? Ela suspirou e começou de novo.
Olá. É a Quinn.
Bom trabalho, Q, está muito melhor. O que ela era, um homem de sessenta anos? Ugh. Ela deletou novamente e pensou mais um pouco. Resultado final? O que ela ultimamente queria?
Dialogar. Esse era o melhor que ela poderia esperar, pra ser realista, nesse ponto. Talvez um incentivo para conversarem pessoalmente? Okay, então com essa meta, como se abrir? Casualmente? De forma pesada? Ela grunhiu e cruzou os braços sobre os olhos.
Isso não deveria ser tão difícil assim.
Ou talvez deveria. Que tal ser honesta? Seja honesta. Ela rapidamente digitou sua mais nova ideia:
Hey. Sou eu. Olha, eu sei que não conversamos há meses, mas eu queria saber se você está bem.
Quinn releu múltiplas vezes antes de apertar o botão de deletar novamente. Ela sabia que Rachel não estava bem, não havia motivo para fingir que não sabia disso. Ela deletou palavra atrás de palavra até ficar satisfeita. Ela parou com finalidade na única palavra que possivelmente estaria tudo bem mandar:
Hey.
Okay. Isso é bom. Curto, simples, não muito grande para o caso de Rachel ter um pequeno choque com a ação. Não muito vulnerável para conduzir Quinn a um horrível fracasso. Está bom. Esta bom, sim.
Sim.
Ela respirou de forma profunda e trêmula e apertou enviar antes que pudesse mudar de ideia. O aviso “Mensagem Enviada” apareceu em sua tela, foi como se um piano tivesse despencado em sua cama. Ela simplesmente mandou uma mensagem para Rachel, depois de seis meses, quando as últimas palavras que elas disseram uma pra outra foram as palavras mais cruéis que ela já tinha escutado ou dito. E ela vai e diz, “Hey,” como uma babaca. Oh meu Deus, o que ela tinha feito?
Seu peito arfou e ela engasgou um guincho de autodesprezo antes de rapidamente jogar o celular queimando pelo quarto.
Saia de sua vista. Desapareça. Talvez aquilo fizesse o tempo voltar.
Deus, o que ela estava pensando? O que no mundo ela estava pensando? Rachel ia ter a porra de um surto. Ela rolou na cama, enterrou seu rosto em seus travesseiros e se preparou para a Terceira Guerra Mundial.
Atravessando a vizinhança, o celular de Rachel se acendeu ao seu lado no sofá na sala de estar. Uma sobrancelha se levantou em curiosidade. Era sexta-feira. Ninguém deveria estar lhe mandando mensagens em uma sexta-feira. Seu pai, Hiram, estava sentado no sofá a sua frente enquanto Patsy Cline tocava suavemente no aparelho de som do canto. Rachel rabiscava partituras de música em seu colo e seu pai lia o jornal do dia. Sexta-feira era a sua noite juntos; tinha sido por anos, especialmente esse último.
Sua falta de vida social durante o colegial permitiu que a tradição continuasse por tanto tempo. Quando Quinn entrou em sua vida, ela estava perfeitamente contente em participar. Os olhos de Rachel se balançaram para o sofá felpudo de dois lugares a sua direita e pensou em quantas noites Quinn tinha deitado ali, seus pés se apoiando no braço do sofá e o livro escolhido da semana em seu colo. Rachel amava observá-la lendo. Ela pegaria a loira rindo sob a respiração, sorrindo grande, derramando lágrimas aleatórias. Ela se perdia regularmente em seus livros e Rachel amava observá-la se perder.
Mas agora, o pequeno sofá de pelúcia apenas zombava de Rachel. Ela quase conseguia ver a silhueta de Quinn, ela pensou; se forçasse o olhar o suficiente.
Mas ela nunca quis forçar o olhar o suficiente. Exatamente como naquela tarde, forçar o olhar poderia destrui-la. Quase tinha explodido suas entranhas olhar para Quinn como tinha olhado. Não, não havia espaço para isso. Não havia espaço para erros pelas próximas duas semanas. Ela poderia sair dessa viva. Ela podia evitar o penhasco.
Ela estava tão, tão perto.
E noites de sexta-feira com seu pai, Patsy Cline e partituras de música rabiscadas ajudariam. Ela sacudiu a cabeça para limpá-la, empurrou os pensamentos para longe, pegou seu celular e leu o número não salvo.
“Oh merda.”
A cabeça de seu pai chicoteou para a sua direita com a linguagem e o coração de Rachel parou. Tudo rodopiou para uma parada brusca. Ela deletou o número de Quinn meses atrás para evitar a tentação e a ocorrência de ter que ver o seu nome, mas ela nunca poderia esquecer aquele número. Lágrimas imediatamente nasceram nos olhos de Rachel e ela deu um salto, o celular caindo de volta no sofá com um baque.
O ar lhe escapou e seu peito rapidamente se apertou. Suas mãos tremeram. Seu peito arfou. Seu coração vibrou dolorosamente. Seu esterno realmente doeu. Ela ia vomitar ou sufocar e não sabia o que era pior.
Oh Deus, seu cérebro. Ela precisava de ar!
“Querida, Rachel, você está bem? O que foi? Está branca como um fantasma.”
Ela não conseguia se controlar. As lágrimas caíram livremente e ela logo estava engasgando por alívio, mãos desesperadas e trêmulas na frente de seu rosto.
“Rachel!” seu pai gritou, voou do sofá e se ajoelhou a sua frente, suas mãos segurando apertado seus joelhos. “O que in- O que- Rachel, você está tendo um ataque de pânico!”
Ela assentiu rapidamente. Sua boca estava aberta e apertada, engasgando por ar entre as lágrimas enquanto seu pai acariciava suas pernas lentamente.
“Foco na sua respiração, querida. Escuta, me escuta respirar. Pra dentro,” ele respirou, “e pra fora. Devagar. Respirações longas. De novo, Rachel. Faça de novo. Vamos lá, querida.”
Pra dentro e pra fora, ela disse para si mesma. Ela escutou a respiração de seu pai e tentou o seu melhor para imitar, forçando o controle sobre seu pulmão e peito trêmulo.
Ela podia fazer aquilo. Para dentro e para fora.
Lentamente, com a ajuda de seu pai, ela regulou sua respiração e conseguiu se sentir novamente. Sua cabeça leve pareceu pesada nesse mesmo segundo e ela fechou os olhos para se estabilizar. Tudo o que ela conseguia ver por trás de suas pálpebras era aquele número brilhando em sua tela. Rachel abriu seus olhos depois de alguns minutos e eles imediatamente lançaram-se para seu celular jogado.
Seu pai seguiu o olhar e então voltou para ela. Ele sabia que tinha que ser Quinn. O que aquela garota tinha dito para sua filha para causar aquilo? Ele precisava fazer uma ligação para Russel e dizer uma coisa ou duas.
“Baby girl,” ele sussurrou.
“Sim, sim estou bem agora. Obrigada, pai. Foi só-
“Quinn?” o batimento cardíaco de Rachel ficou preso em seu peito e ela assentiu devagar. “O que ela disse pra você? Eu vou até lá se você quiser.”
“Não, pai. Não. Não foi nada assim. Eu nem mesmo sei o que ela mandou. Eu só,” ela parou de falar, constrangida que simplesmente ver o número da garota tinha causado aquela reação. “Eu vi o número dela. E isso, isso...”
“Eu entendo. De verdade. Está tudo bem. Eu posso abrir e deletar pra você, se quiser,” ele ofereceu, esperando que sua filha aceitasse. Ela estava a duas semanas da graduação e absolutamente não precisava de mais distrações e obstáculos em sua estrada já esburacada de volta para a normalidade.
Ela olhou para seu celular, o pegou do sofá e leu o número novamente. Deletar ou ler, deletar ou ler? Se ela deixasse seu pai deletar, a dúvida a mataria. Seria uma morte ainda pior do que qualquer texto dentro pudesse causar. Ela podia fazer aquilo. Ela podia ler.
“Não, pai. Está tudo bem. Eu vou- eu vou lá pra cima. Está bem?”
“Claro,” ele assentiu com um sorriso. Ela pegou seu travesseiro, cobertor, partituras, celular e se retirou para o seu quarto. Logo que se acomodou em sua cama, ela deitou o celular em seu estômago, de frente e no centro, e apenas pensou.
Ela pensou muito. Ela pensou sobre as possibilidades. Talvez Quinn estivesse com problemas. Talvez ela estivesse se desculpando. Talvez ela estivesse bêbada. Talvez tivesse sido um acidente.
Ou talvez ela quisesse conversar?
Talvez ela quisesse conversar.
Rachel pegou seu celular, passou pela tela inicial e clicou em “Ler” antes da tela se iluminar com o simples, “Hey.”
Ela queria conversar.
E aquela era a sua melhor forma de começar? Quase tinha feito Rachel rir, quase. Mas o peso dos últimos seis meses a deixaram sem humor. Ela não tinha ideia do que fazer. Quinn estava obviamente fazendo contato por um motivo. Elas não se falavam há meses. O que aconteceu? Por que agora? Para que? E como ela estava?
Rachel precisava de tanto. Uma mísera mensagem era tanta provocação. Ela precisava de uma novela da loira. Ela queria uma cascata de palavras.
Ela apertou “Responder” e hesitou antes de responder. Ela respirou fundo e esperou. Pelo o que, ela não sabia.
Na casa da Fabray, o celular de Quinn tocou de algum lugar no quarto. Ela arrancou o travesseiro de sua cabeça e voou para o chão com fervor. Ela se atrapalhou com o celular e o abriu antes de sorrir tão grande que pensou que suas bochechas fossem rasgar.
Hey de volta.
Era perfeito. Ela deu um suspiro de alívio, rastejou de volta para sua cama e foi digitar uma resposta. Foi quando ela percebeu: a segunda mensagem é que era a difícil, não a primeira. Ela era tão estúpida.
“Apenas seja você mesma,” ela murmurou. “Seja você mesma. Ela amava você.” ela mordeu o lábio inferior, franziu o cenho e começou a trabalhar.
Eu perguntaria como você está, mas eu sei.
Ela apertou enviar e esperou. Ela esperava que Rachel lesse da forma que ela quis dizer, que ela sabia como Rachel estava porque ela estava da mesma forma também, e não porque ela era oh-tão-esperta e a garota parecia oh-tão-depressiva. Cara, quando seu coração pararia de se preocupar? Quando aquilo tudo simplesmente acabaria? E por acabar, o que exatamente Quinn pensava que isso significaria? Elas juntas? Separadas?
Oh o cinza, isso a assombrava.
Seu celular tocou alguns segundos depois.
O mesmo pra você.
A tristeza de Quinn trouxe um sorriso desamparado para o seu rosto e descendo a rua Rachel trouxe um copo de água para os seus lábios, franzindo o cenho novamente com a imagem da segunda aula. Ela odiava o pensamento. Era quase tão ruim quanto não ter a loira ela mesma. Se ela não pudesse tê-la, ela pelo menos queria que ela fosse feliz. Mas Quinn também não era. Seu celular tocou e ela queria bater em si mesma por sorrir automaticamente com o barulho. Não era um bom sinal. Era um sinal de esperança e esperança partia corações, uma vez e mais outra e outra novamente. Seu maxilar se enrijeceu e ela leu a próxima mensagem.
Você acha que existem livros para esse tipo de conversa?
Rachel tentou não rir com a autodepreciação, mas Quinn estava tão certa. Ela não fazia ideia do que dizer também.
Se encontrar um exemplar, por favor mande para mim. Você tem meu endereço.
Vou dar para o Fred te entregar.
Rachel se apavorou com a menção de Fred; ele era o carteiro delas e começou a adorar as garotas. Elas podiam enviar ameaças uma para a outra através de Fred em manhãs de sábado. Isso trazia pra elas a forma mais simples de alegria.
No sábado depois do dia de ação de graças em seu terceiro ano, Rachel enviou seu mundialmente famoso “Sammich de Peru de Tofu” para a casa de Quinn. Quando Fred passou de volta pela casa de Rachel no caminho de sua vizinhança, ele tinha um bilhete de resposta de Quinn. Simplesmente dizia, “Razão #2158 do porquê eu amo Rachel Berry: Ela diz sammich (e acha que peru de tofu é comida).” Fred tinha despenteado seu cabelo enquanto Rachel ficava parada corando com o bilhete na entrada de sua casa.
Seu relacionamento sempre tinha sido sobre as pequenas coisas. E Fred era uma grande coisa que trazia para elas as suas pequenas coisas. Elas se conheciam por dentro e por fora e as pequenas coisas as deixavam exibir esse conhecimento com alegria.
Nos dias atuais, se acontecesse de Fred as pegar do lado de fora de suas respectivas casas, ele apenas daria uma pesada inclinada de cabeça.
Até Fred sabia.
Rachel limpou bruscamente uma pequena lágrima e focou de volta em seu celular, se perguntando o quão bem ela realmente ainda conhecia Quinn. Talvez ela testasse isso.
Como foi o jantar com a sua mãe essa noite?
Quando Quinn abriu seu celular, ela não pôde evitar sorrir. Ela sentiu seus batimentos cardíacos aumentarem pela primeira vez em meses.
Provavelmente tão bom quanto a sua noite com o H.
Tedioso, mas divertido?
Okay, honestamente, nada a ver com a sua noite. Eu meio que dei uma surtada.
Então sua noite foi exatamente como a minha… eu tive um ataque de pânico.
Assistindo a Pequena Loja dos Horrores de novo?
Estou falando sério. Idiota.
Rachel Berry xinga regularmente agora? Por que teve um ataque de pânico então?
Muita coisa mudou. E porque o número do seu celular apareceu na minha tela.
Quinn engoliu seu choque e se sentiu arrependida imediatamente. Foi um erro aparecer para Rachel dessa forma. O que ela estava pensando?
Eu sinto tanto, Rach.
As palavras atingiram Rachel como uma parede de tijolos. Ela queria as ouvir pra sempre por várias coisas e ali elas estavam, vagas em seu significado e simplesmente soltas.
Pelo o que sente?
Por tudo.
Isso é uma resposta barata.
Quinn respirou fundo e acalmou seus dedos. Se elas tinham qualquer chance no mundo, elas precisavam de uma ficha limpa. Seu pai sempre disse que essa era a única maneira das pessoas recomeçarem. Era a única forma que ela e ele tinham recomeçado. Ela pegou o conselho dele e o usou. E liberou tudo.
Por te abandonar. Por te ignorar. Por dizer as coisas que eu disse pra você. Pela forma que eu disse essas coisas. Por ser um cocô de galinha. Por duvidar de você. Por te arruinar. Por tudo.
Rachel leu as palavras de novo e de novo. Seus dedos pareciam de pedra, feito gárgulas, agarrando seu celular. Era tudo o que queria ouvir- bem, um começo pelo menos- e estava vindo em uma mensagem de texto. Não parecia certo, mas de alguma forma ela entendeu.
Eu literalmente não faço ideia do que dizer para você. Eu não gosto desse sentimento.
Você raramente fica sem palavras.
Eu NUNCA fico sem palavras.
Posso me lembrar de algumas vezes que ficou sem palavras. ;)
O estômago de Rachel se revirou em nós. Não estava tudo bem. Não era, não era certo. E esse pensamento a fez querer chorar até sua próxima vida.
Não faça isso. Não flerte comigo, Quinn.
O celular de Quinn tocou e o pequeno sorriso em seu rosto imediatamente desapareceu. Ela sabia que era muito para dizer e muito cedo e talvez nunca estivesse tudo bem dizer aquilo de novo.
Desculpa.
E então ela enviou uma segunda mensagem.
De novo.
Rachel mordeu o interior de seu lábio, incerta de para onde ir dali. Ela praticamente esbofeteou Quinn pelo celular e agora ela tinha que colocá-las de volta em algum caminho. Que caminho ela queria- era a pergunta valendo um milhão de dólares.
A graduação é em duas semanas.
Sim, minha mãe me fez ficar bem ciente disso mais cedo essa noite.
É sobre isso que é isso tudo?
Isso?
Você me mandando mensagens.
Eu não sei. Acho que é parte do motivo, sim. Mas eu não sei o que isso significa.
O que vai fazer nesse verão?
Mamãe diz que estou me gastando tentando me ajustar antes de Columbia.
Eu pensei que você não iria! Quando isso mudou?
O pai está praticamente me forçando. Não vai me dar outra opção, ele disse.
Bom para o papai Russ. Seria um erro colossal se você não fosse.
Ele sente sua falta.
Eu duvido muito disso.
Mamãe sente a sua falta.
Isso parece mais provável.
Eu sinto sua falta também, sabe.
Quinn.
Sim?
Rachel levou um minuto enquanto o “Sim?” a encarava de volta. Ela podia fazer de novo; ela podia cortar Quinn. Ela precisava cortar Quinn. De alguma forma, as palavras não encontraram sua forma de se expressarem. Ela suspirou e desviou ao invés disso.
Eu acho que preciso dormir. São 00:30.
Okay.
Desculpa.
Está tudo bem. Eu sei que é tarde.
Quinn olhou para a foto de Rachel em seu celular depois de enviar a mensagem e não pôde evitar se perguntar se ela tinha feito algo desandar. Elas voltariam a não se falar na segunda? Ela deu a elas uma esperança de um futuro? E o que exatamente estava em seu futuro? Elas sequer tinham algum? Ela abriu seu celular novamente.
Animada para ir para Juilliard em algumas semanas?
Eu protelei o programa de verão. Eu vou no final de agosto para o de outono.
O queixo de Quinn encontrou o chão. Rachel optou por sair do programa de verão que tinha lutado tanto para entrar?
Oh. Wow. Isso é bem chocante. Por que você protelou?
A resposta de Rachel foi imediata, alarmante e insolente:
Sério?
Quinn engoliu a ferocidade por trás da palavra. Ela sentiu a bile subir até sua garganta e olhou para a porta do banheiro. Seus pensamentos nadavam. Sua cabeça se enevoou. Rachel realmente podia desmontá-la em um segundo. Ela era uma tola babaca e sem noção e estava dizendo todas as coisas erradas.
Eu acho que é aqui que eu digo que sinto muito novamente.
Eu acho que sim.
Ouch, Quinn se encolheu. Ela continuava cavando seu buraco cada vez mais fundo. Ela precisava conter aquele momento antes que ela transformasse aquele buraco em uma cova e se jogasse nele.
Vou te deixar dormir um pouco agora. Desculpa mandar mensagem tão tarde. Eu só, eu não sei.
Eu sei. Está tudo bem.
Hey, Rach?
Sim?
Obrigada por responder.
Rachel leu a mensagem enquanto estava enterrada em sua cama, olhos pesados ameaçando a fechar. Ela se perguntou o que tinha feito Quinn mandar uma mensagem para ela em primeiro lugar. Ela mencionou uma surtada com a mãe dela e Deus, por que Rachel não perguntou sobre isso? Sua suave egocentrismo realmente atrapalhava sua intromissão às vezes.
Você deveria saber que eu nunca poderia te ignorar.
Quinn sabia que era verdade. Os últimos seis meses foram silenciosos por causa dela, não por causa de Rachel. Rachel fazia contato constantemente, fazendo perguntas, implorando por respostas, precisando de mais detalhes para alimentar diferentes especulações sobre o comportamento de Quinn. Ela se encolheu com o pensamento de deixar a morena no escuro por tanto tempo. Ela ainda devia se sentir tão sem ideia.
Eu quero que você saiba que eu tive um pouco de uma reviravolta mental hoje. Eu sei que isso não vai significar nada para você porque você não faz ideia do que tem estado na minha mente (problema número um), mas a reviravolta na verdade é sobre deixar você nela.
O que faz você pensar que eu quero estar nela? Faz seis meses, Quinn.
Aquilo realmente jogou Quinn no espaço. Ela presumiu que Rachel estaria no mesmo lugar que ela: machucada, confusa, mas ainda apaixonada. E se ela não estivesse? Aquilo mudava as coisas completamente. O queixo de Quinn continuava a cair enquanto os pensamentos rodava em sua mente. Ela nem mesmo considerou a alternativa. Por que ela não tinha considerado?
Porque era Rachel. Rachel a amava. Ela amava. Ela tinha que amar. Quinn sabia que ela amava e ela sempre saberia. Se ela tinha qualquer coisa, ela tinha fé nelas. E ela não planejava empacar nisso agora. Então ela arriscou.
Porque eu te conheço. Eu conheço a gente. Sim, faz um tempo, mas não está morto.
Quinn, eu não consigo fazer isso. Não podemos ser amigas. Ponto final.
Nunca fomos só amigas e você sabe disso.
Deixando isso de lado, é tudo o que eu posso oferecer pra você agora e eu nem mesmo quero te oferecer tanto assim. Você tem muita coragem até mesmo de dizer essas coisas que disse depois do que fez. Eu me retraio olhando para o seu número. Eu me sinto doente escutando a sua voz lendo essas mensagens em minha cabeça. Eu quero bater em meus olhos porque eu continuo imaginando você deitada em sua cama agora. Eu não me deixo mais pensar sobre você, não dessa forma. Respeite isso.
Amigas está ótimo.
A depressão de Quinn se derramou pela mensagem. Rachel suspirou e se bateu. Por que ela tinha que fazer isso? Por que pegar o drama e aumentar a intensidade? Diva maluca.
Eu não tive a intenção de te atacar.
Você teve. Mas você está certa. Eu mereci. Vou te deixar dormir agora.
Eu sinto muito. Eu não tive a intenção de fazer isso tudo. Quer dizer, eu tive, mas não tive. Deus, eu estou gaguejando por mensagem. Você ainda me desmonta completamente, Quinn. Isso me aterroriza. Eu quase tive um colapso na segunda aula. Não posso mais ficar desse jeito.
Eu sei. Eu quis ir até você e te abraçar.
Ela apertou enviar sem pensar e se arrependeu imediatamente. Rachel tinha acabado de dizer pra ela não fazer isso. Quando nenhuma resposta veio, Quinn imaginou que ela tinha definitivamente cruzado a linha mais uma vez. Ela abriu outra mensagem.
Amigas parece bom, Rach. Podemos fazer isso. Eu sinto falta de falar com você e eu quero que a gente esteja bem- individualmente. Meus pais estão preocupados. Tenho certeza de que H quer me matar e Leroy não estaria muito melhor. Então vamos tentar ser amigas. Eu preciso de alguma luz na minha vida… e você é a estrela mais brilhante que eu conheço.
Rachel empurrou para longe a ruína emocional causada pela mensagem anterior de Quinn e riu da piada antiga delas. Ela se sentiu sorrir genuinamente pela primeira vez em um longo tempo.
Okay. Amigas.
Amigas.
Boa noite, Quinn.
Noite, Rach.
Rachel jogou o celular no espaço vazio ao seu lado e se perguntou quanto tempo passaria até ela se arrepender dessa trégua.
Enquanto seus olhos passavam pelo travesseiro sobressalente e o lado esquerdo vazio de sua cama, o lado de Quinn, ela imaginou que não demoraria nada. Memórias e imagens da loira naquele lugar inundaram sua mente: Quinn adormecida e encolhida ao seu lado depois de seu primeiro encontro, Quinn se ajoelhando ali para remover sua própria blusa, a barriga de Quinn rindo de Friends na tv, Quinn lendo O Morro dos Ventos Uivantes para ela no Natal, Quinn olhando amavelmente em seus olhos, Quinn fazendo amor com ela.
Ela fechou seus olhos bruscamente e rolou para encarar a janela.
Aquilo seria um completo e perfeito desastre.
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