Should Have Asked For Directions

2 Capítulo 1: Maio - Colegial, último ano


Saia da área de descanso

Cada vez que ela fechava seus olhos, ela imaginava aquilo de forma diferente; é por isso que ela parou de fechar os olhos. A saudade enterrada fundo no âmago de seu estômago foi de fazer uma toca com uma pequena mochila para passar a noite para armar acampamento, construir uma comunidade e fazer eleições.

Dois anos fariam isso.

Por dois anos, ela fez tudo o que lhe foi pedido. Por dois anos, ela assistiu enquanto seu coração lentamente deixava seu próprio corpo e fixava residência no corpo da loira. Por dois anos ela andou na montanha-russa que abalou sua vida de forma tão magnânima. Ela não conseguia parar. Ela não conseguia evitar. Ela não conseguia lutar contra isso. Era lindo, uma colisão inesperada de uma paixão pura e que era para acontecer.

E ainda assim, cada vez em que ela fechava seus olhos ela imaginava aquilo de forma diferente. Todos disseram a ela, “Seu primeiro amor é o pior.” Adicione o fato de que o seu primeiro amor roubou seu coração quando tinha quinze anos, o segurou pelos próximos dois anos e então deu as costas por um capricho e Rachel imaginou que o seu “pior” era mais ruim do que a maioria. Era o pior absoluto, o pior supremo. O pior que todo mundo rezava para não experimentar.

E ali estava ela, experimentando-o. Experiência de vida, eles diziam. Viva. Aceite. Isso faz você ser quem você é.

Ridículo.

Sua experiência de vida roubou quem ela era. Arruinou quem ela era. Ela não acreditava em nada dessas desculpas de experiência única, você-vai-se-sentir-melhor-depois. Ela odiava experiência de vida se isso significava que fosse se sentir daquele jeito. Ela se sentia roubada; roubada de coração, roubada de sua adolescência, roubada de uma futura vida amorosa saudável, roubada de sua sanidade, roubada de emoção e felicidade, de risadas, de dias tranquilos, de beijos leves e olhos cor de avelã.

Ela se encontrou quebrada, completamente, em cada sentido e definição da palavra. Rasgada de dentro pra fora, desprovida de valor, e vazia, ela era uma concha de si mesma.

Uma concha de Rachel Berry: era a coisa mais triste que ela já tinha visto. E o dia que ela percebeu isso foi o dia em que ela parou de olhar. Ela abaixou os espelhos em seu quarto. Ela fechava seus olhos quando entrava em banheiros. O som de uma cabine fechada agora trazia para ela uma vibração de conforto.

Ela sabia quem tinha se tornado. E ela ainda não sabia a quem culpar. Seu pai diria ela mesma. Seus amigos diriam que não se importavam. Seu reflexo diria Quinn. E a loira não diria nada.

Elas não se falavam. Ela tinha apenas dezessete anos e não sabia o que isso significava. Ela não sabia se isso era para o melhor ou não. Cada palavra não dita a dilacerava ainda mais. Cada olhar correspondido ou ignorado implorava por uma explicação verbal do porquê, quando e como. Nenhuma explicação vinha.

Sua voz de cantora a escapou, se por escolha ou não ela não sabia. Ela não iria mentir e dizer que as outras crianças estavam preocupadas com ela. Eles adoraram o holofote que ganharam seis meses atrás quando ela desistiu de sua vida sem cerimônia como se ela nunca tivesse tido importância para começar. Não havia escolha na questão.

Momentos de seu passado a assombravam. Ela odiava a parte de trás de suas pálpebras. Ela odiava seus sonhos. Ela odiava fotos, Facebook, Twitter, bilhetes, cartas, anuários e a caixa com um Q escrito em seu armário. Aquelas coisas guardavam história. Elas se ostentavam na frente de seu rosto e fingiam que isso não importava.

Quando ela se sentou na segunda aula, no canto de trás da sala que ela mais temia, a memória do dia em que tudo mudou voltou inundando-a. Seus olhos caíram em sua antiga mesa na sala: vazia, exatamente como ela. Essa sala de aula, aquela mesa, e uma loira estúpida: essas coisas mudaram tudo.

Ela vestia um cardigã azul naquele dia há dois anos e meio atrás. Ela se sentia diferente. Ela se sentia bonita. Ela se sentia confiante. Quando a loira se aproximou dela em sua mesa de costume, aquela mesa, ela estava refletindo sobre o fato de que hoje, aquele dia, apenas poderia ser um dia bom do começo ao fim. Era raro, então o pensamento a fez sorrir.

E enquanto Quinn se aproximava dela, a morena ainda sorrindo, Rachel sentiu sua vida mudar. Ela a sentiu se enrolando sobre ela como o vento mudando a direção.

Quinn se agachou no canto estreito ao seu lado, envolveu sua mão direita no suporte de metal da armação da carteira de Rachel e colocou seus olhos na garota sorridente ao seu lado. Aquele sorriso se dissolveu em um medo íntimo combinado com uma curiosidade engraçada bem na frente dos olhos de Quinn e Rachel tentou esconder isso.

Uma respiração precária a escapou com um tumulto emocional deixado em seu rastro e a proximidade quieta e quente da mão da loira deslizando para se colocar no joelho de Rachel a disse que elas acabaram de levantar voo com aquele vento novo.

Não houve interrupção então. Isso desencadeou um sentimento dentro de Rachel que ela nunca tinha sentido antes. Seu coração se rompeu e um oceano se derrubou afogando cada pensamento confuso e questionador nadando em volta de sua cabeça bonita.

Foi assim que ela soube.

Muitas pessoas viam suas vidas passarem diante de seus olhos quando estavam prestes a morrer; Rachel viu a dela passar no momento em que começou a viver. Cada interação platônica anterior com a loira veio em um ímpeto, desenhando um perfeito modelo de como elas chegaram àquele momento com Quinn agachada ao seu lado, vulnerável e sem defesas. Isso estava escrito nela toda.

Estava praticamente desaguando de seus olhos, do contrair de canto de seus lábios para o quase-não aperto reconfortante no joelho de Rachel. Ela podia estar segurando uma placa que dizia, “Oi, eu sou uma nova Quinn,” e seria menos óbvio.

Novamente, era assim que Rachel sabia que algo estava diferente.

Tudo mudou naquele dia.

E enquanto ela pensava sobre a lembrança, ela não conseguia se lembrar o que esperava que deixasse a boca de Quinn em primeiro lugar naquele momento. Ela apenas se lembrava de ver o jeans apertado em suas pernas dobradas. Ela se lembrava de pensar como a loira parecia casual fora de seu uniforme das Cheerios. Ela se lembrava de sorrir com o pensamento dessa Quinn. Ela se lembrava de perder o seu fôlego quando o sorriso ardiloso pequeno e nervoso da loira virou um assustado, seus olhos caindo entre seus joelhos antes de lentamente se levantarem para encontrar os de Rachel.

E então ela inspirou profundamente de forma reveladora, permitindo que Rachel a visse. Mas o que ela estava vendo, ela ainda não sabia. Ela só sabia que gostava daquilo, amava aquilo, queria se embebedar com aquilo.

Rachel riu com a memória, lembrando-se com afeição de como tinha beliscado seu pulso em seu colo para se certificar de que não era um sonho. Ela tinha olhado por trás do ombro para procurar por qualquer evidência de alguém escondido carregando uma raspadinha. Foi aí que a mão esquerda de Quinn mudou de apertar levemente seu joelho para acariciar de forma singela para acalmar seu tique nervoso. Isso causou um calor constante a subir na garota sentada, acima das batidas de seu coração e pulso acelerado.

Os lábios de Quinn finalmente se partiram e ela falou, cortando a insuportável tensão que ela construiu com um simples olhar e uma mão no joelho de Rachel.

“Está ocupada essa noite?”
A batida silenciosa que se seguiu pareceu anos para as garotas. O pêndulo foi para trás e para a frente antes dos olhos de Quinn se desviarem. Rachel já sentia falta da beleza deles. E enquanto ela engolia em seco, ela se encontrou implorando para que eles retornassem porque ela não fazia ideia do que estava acontecendo, mas de alguma forma aqueles olhos a ancoravam.

Então quando eles retornaram, fortes e confiantes, ela tremeu e fez a única coisa que conseguia se lembrar como fazer: divagar, menos sua velocidade usual e intensidade. Ela não conseguia juntar nada além de um murmúrio lento e arrastado.

“Defina ocupada...porque eu mantenho uma programação muito...hm, enérgica. É importante, eles, eles dizem, em uma vida baseada em-”

“Eu quero que você venha até a minha casa. Você gostaria? Minha mãe me pega às quatro no campo de futebol. Você podia ir de carona com a gente.”
Rachel se lembrava de ter perdido as suas palavras com isso. Ela perdeu todas elas. Ela não fazia ideia do que estava acontecendo e ainda assim se lembrava de não se importar com isso enquanto aqueles olhos ficassem com ela. Com seus próprios olhos castanhos inocentes e completamente abertos, ela apenas podia acenar sua resposta.

“Sério?” Quinn perguntou enquanto seu rosto se acendia de dentro para fora pela primeira vez.

“Sim. Mas, mas por quê?”
“Você pode fazer todas as perguntas que quiser mais tarde. Tenho certeza de que terá muitas,” ela respondeu com um sorriso, um sorriso amável e charmoso. E cara, foi aí que Rachel definitivamente soube, ainda sem fazer ideia.

Mas ela estava radiante por causa de Rachel. Era um olhar pelo qual a morena logo se apaixonaria. Era um olhar que desmereceria todas as suas defesas, muros, e reservas. Iria causar revelações, auto-descobrimento, e declarações. Iria roubar beijos, primeiras vezes, e corações.

E então seu desaparecimento a despedaçaria. Era um olhar que ela não via há meses, seis para ser exata. Aquele vazio se esculpia perfeitamente nela e ela estava acostumada a sentir sua concha oca.

Sim, as coisas estavam muito diferentes agora, completamente irreconhecíveis.

Ela se levou de volta para seu atual nada e olhou para a mesa vazia no canto, seus braços envolvidos de forma apertada em volta de seu estômago em um reflexo enquanto seus olhos se fechavam para afastar as lágrimas. Ela implorou para que eles cancelassem essa aula. Que salvassem sua única hora, por favor. Ela precisava daquela hora. A beirada do penhasco parecia estar mais perto a cada dia. Então ela desesperadamente precisava daquela hora.

Com inspirações profundas e carícias calmantes com seus dedos em cada um de seus cotovelos, ela se recompôs e então forçou seus olhos a se reabrirem. Eles imediatamente caíram em ninguém menos que a sua visão mais amada e mais temida: Quinn Fabray.

Ela estava parada no meio da sala, olhos pesados em Rachel e as mãos jogadas ao seu lado com uma bolsa mensageiro em volta de seu tronco. Aqueles olhos estranhos a perfuraram enquanto ela congelava. Ela sentiu as lágrimas. Ela sentiu a beirada. Ela sentiu o vazio dentro dela ecoando o profundo raspar de sua respiração tensa.

E ainda assim ela não conseguia desviar. Aquilo a mataria, mas ela não conseguia. Ela olhou fundo, escavando por qualquer coisa que a dissesse que ela ainda conhecia Quinn. Os olhos não pareciam os mesmos. A postura não parecia a mesma. Até o sorriso quase invisível, desamparado e sem esperança que agraciava o canto de seus lábios naquela hora parecia estranho.

Sua Quinn tinha ido embora. Embora para onde, Rachel sempre se perguntou. O quão longe? Ela podia visitar? Ela visitaria?

E então a nova Quinn tinha ido embora, se embaralhando na mesa ao lado da mesa delas. Rachel pensou ter visto aqueles olhos estrangeiros piscarem na direção da mesa por meio segundo, mas fazia semanas desde que ela tinha confiado em qualquer coisa que visse. Tudo se agitou a sua volta e ela se perdeu mais e mais diariamente. Ela se provou estar errada publicamente e de forma humilhante demasiadas vezes nos últimos seis meses.

Então ela parou de tentar.

Ela tinha quase dezoito anos para chorar abertamente.

Ela fixou seus olhos no quadro na frente da classe e permitiu que a hora passasse rápido. Quando a segunda aula acabou, tudo o que ela precisava se preocupar era com a quarta aula, e então glee, e então amanhã, e então o próximo dia, e então a graduação em três semanas, e então a vida.

Porque onde infernos isso chegaria? O que infernos aconteceu com elas? Onde estava a sua Quinn? Como isso virou aquilo? Quando ela pararia de chorar, doer, e morrer por dentro? O que custaria? Deus, o que isso custaria?