Shot
1 step 1
Notas iniciais
O barulho dos carros me incomodavam, a poluição me invadia, pra onde quiser q eu olhe a pessoas, apenas passando sem demonstrarem nenhum tipo de afeto ou carinho umas pelas outras, era a revolução como muitos diziam, antes é claro várias experiências nucleares do governo americano dominarem boa parte do mundo, fome, sede, mortes e vidas precárias foi o ponto mais marcante dessa guerra que durou mais de 200 anos, os sobreviventes eram obrigados a trabalhar para o governo, aqueles que por algum acaso ou depois de anos de tentativas conseguissem fugir recebiam o nome de Luopios.
Meu criador chamado Marie, era um deles, mesmo franzino e baixo utilizou sua única arma q sempre carregava com sigo mesmo uma pistola Tauros PT 57- prata com detalhes pretos que ajudavam a absorver o impacto- para fugir de um de tantos “criadouros”, lugares aonde mantinham os prisioneiros, como? isso é um mistério que permanece em muitas mentes não só americanas.
Depois de anos em refúgios decidiu se estabilizar, dar um tempo para talvez quem sabe voltar com alguns de seus antigos robes, foi quando em meio a escombros do que deveria ser uma cidade qualquer que foi extinta do mapa, encontra uma máquina, mas não uma qualquer, um androide, após anos e anos tentando conserta-lo acabou preso a uma rotina, sempre chegava esbravejando por não conseguir as peças que queria, muitos luopios faziam o mesmo, procuravam no lixo peças, alimento e para muitos poderia significar um raio de esperança, “incompleto, incompleto” apenas dizia isso ao ficar de um lado para o outro procurando ferramentas, e se aproximando de mim, passou a mão em cada um dos fios ainda expostos como se quisesse que eu sentisse alguma sensação, “ vamos ver se só com isso funciona...” pegou um pedaço de metal pequeno e enfiou dentro de minha cabeça os fios que ainda restavam, fechou o buraco com soltura mantinha-se ainda entre aberto, depois levou suas mãos ressecadas e crespas como resultado de nenhum tipo de cuidado com as mesmas em direção a um botão localizado um pouco abaixo do meu peito.
INICIANDO PROTOCOLO
Abri meus olhos um pouco enferrujados e olhei com grande curiosidade o rosto de um garoto que não parecia ser velho ,mas já começava a mostrar traços da idade, não devia ter mais do que 18 anos, cabelos curtos negros e emaranhados “funciona !!!!!” esbravejava ele enquanto pegava uma cadeira e sentava do meu lado, o quarto em que estávamos era obsoleto, sujo de diversas formas e muito bagunçado chegando a quase condições desumanas de higiene “vamos começar a programação…” pega um pequeno cartão e o encaixa em uma de várias entradas que eu possuo “bom primeiro o nome... JÁ SEI! SEU NOME VAI SER GLEN”
-G — glen? – ele continuou a falar, o sol já mudara de cor estava mais avermelhado, cor de sangue uma bela visão mesmo sendo um pouco sombria.
— Você logo vai se acostumar... – passa o braço na testa enxugando um pouco do suor – programar androides é tão difícil! Mas você realmente me surpreendeu um AP47 é muito raro, achar um desses nesse lixão que ainda funciona! Ganhei na loteria- ele pegou um punhado de roupas e estendeu em minha direção – vista! E souberem que tem um androide aqui provavelmente te colocariam em um dos ringues de luta – apenas vesti sem contestar, com um pouco de dificuldade levantei, ele me ordenou para não sair do quarto até ser seguro, pois encontravam – se longe do lugarejo, tão pequeno que só havia trinta pessoas todas fugitivas, após o toque de recolher seus arredores eram obscuros e perigosos ninguém se habilitava a andar por lá principalmente à noite.
“Nunca saberão que você não é humano! Você é uma imitação perfeita!” ele apontou para saída “ se quiser pode espiar um pouco comigo, mas só um pouco” consenti com a cabeça, confesso eu estava curioso para ver um pouco mais do que quatro paredes e com força agarrou um dos meus braços me puxando para o lado de fora, o lugar parecia ser um tipo de prisão abandonada, jaulas ensanguentadas com grades enferrujadas, tudo cheirava a mofo ,Marie , como eu o chamo, me levou a o que seria a “lanchonete” do lugar, sendo quase me perdi várias vezes, após o suposto labirinto fomos em direção a uma porta, Marie a abriu com força, uma explosão de cores invadiu-me, a visão perfeita do pôr do sol refletido em um grande lago, as suas margens uma imensa lataria que provavelmente pertencia a um grande e velho robô ali abandonado .
-Vou explicar a atual situação, seus dados devem estar bastante confusos já que seu chip de memória está atrasado 30 anos, você não é de falar muito neah.... Continuando essa é o que eu chamo de guilda, alguns chamam de matilha ou vilazinha mas ignora – aponta para um amontoado de pequenas casas ao longe na parte de trás da pequena montanha envolta de toneladas de lixo e restos de antigas moradias q antes ali existiam- somos os que sobraram dessa cidade éramos a elite do pais, muitos dos que moravam aqui eram cientistas renomados e grandes produtores de energia Nub, que só foi descoberta nos meados dos anos entre 2060 e 2065, produzíamos de tudo até claro, Foolha – engoli seco, meus dados poderiam ser obsoletos mas me lembro bem quando essa droga invadiu o mundo como uma epidemia destruído e levando várias nações a guerra- fomos dizimados com uma bomba, nossos aliados nos traíram, alguns dos moradores conseguiram se esconder a tempo de não serem levados ... infelizmente não foi meu caso- olhou para o vazio- é isso o que sobrou do que seria a revolução mundial- estendeu os braços em direção as pequeninas pessoas que daquela distancia eram do tamanho de uma formiga – melhor eu voltar para minha guildazinha e você Glen voltar para o carregador, talvez amanhã eu vejo se consigo dar uma fugida daqueles velhos carrancudos... – foi quando uma terrível e irritante sirene alcançou nossos ouvidos, um péssimo sinal, significava que estavam sendo atacados pelo exército – não... não pode ser!
Marie ficara pálido – tenho que ir avisar –los – o segurei forte para que não fugisse “isso seria suicídio!” – vc fala... – sorriu como numa despedida, como se nunca fossemos nos ver novamente ele se soltou e começou a correr em direção ao lugarejo, fui atrás, eu quase não conseguia ficar de pé já que as areias fofas me faziam afundar por causa do peso, bombas rodeavam aquele lugar, a fumaça a poluição me invadia, pra onde quiser que olhe á pessoas, apenas passando sem demonstrarem nenhum tipo de afeto ou carinho umas pelas outras, feridos mas não desistiram, os lupios resistiram da melhor e mais idiota forma possível lutando, era obvio que não tinham a menor chance, foram massacrados pelos trezentos soldados americanos que não vestiam mais uniformes em tons esverdeados, eles foram sujos de uma nova cor o vermelho, em meio a aquele caos eu procurava astutuosamente Marie que parecia haver sumido em meio as chamas, parei de correr, o tinha encontrado debaixo de escombros, ainda conseguia ouvir seus batimentos cardíacos.
— 47... – tocou meu rosto – eu disse para ficar em casa... – tossi sangue, a parte de baixo de seu corpo estava presa “me deixe ajuda-lo” retiro sem esforço algum os escombros de cima de seu corpo – eu não posso escapar da morte dessa vez meu amigo – suas tosses haviam se tornado mais constante indicando não muito tempo de vida. — Não quero que morra... – o pego- e eu posso salva-lo! – uso minhas mãos para tentar estancar o sangue que jorrava de seu corpo mas ele me impediu antes de encosta-lo e apenas assentiu um não com a cabeça.
— talvez nos encontraremos em outra vida, androide –kun... –seu último suspiro de vida não era num tom triste, mas sim alegre como se estivessem ligados e não quisesse que o robô sentisse que isso nunca aconteceria.
-vamos!? Quando!? Marie? MARIE??? – agarro – me a sua mão, pude sentir seu calor esvaindo e como se de alguma forma ajudasse o dá um beijo, tentando dar um pouco mais de tempo de vida ao jovem – não me deixe... – pega o humano no colo, desviando das várias balas perdidas que como um milagre não atingiram ambos, o levou ao topo da colina aonde se tinha a perfeita visão do resto da chacina que ainda ocorria, o apoiou a uma arvore seca e morta, pôs suas mãos bem posicionadas em seu colo e colocou fogo, as chamas azuis consumiram aos poucos o que restava de Marie e antes que ele virasse cinzas, Glen tirou sua placa de memória e a quebrou, perdendo todas as lembranças do humano – te vejo em outra vida – glen sem energia rola morro abaixo, suas peças desmontam parte por parte restando apenas seu braço com seis balas em seu pulso.
Fale com o autor