Notas iniciais
*Sabem fazer capa?! Falem comigo, por favor! Estou precisando ok?!*

Hey...Olha eu aqui com o final de OFL. É com dor no coração, lágrimas nos olhos, mas no fundo muita satisfação de algo feito que venho trazer o ultimo capitulo dessa short.
Obrigada por estarem comigo até aqui. Obrigada por nunca desistirei de mim. Só tenho motivos para agradecê-las. Vocês não sabem o quanto são especiais para esta projeto autora. Ri e chorei muito com alguns depoimentos ( reviews) de vcs, posso não ter respondido afinal são varias fics e como sabem meu tempo é limitando, mas todos foram lidos e cada palavra esta guardada em meu coração.
Mais de um ano com essa estória. Da para acreditar? O tempo realmente voa...
Obrigada a cada um que dedicou seu tempo para ler o que escrevo,comentar e recomendar. *Não quero chorar, não quero chorar*.
Ás vezes é preciso dizer adeus e esse é sem duvida o momento. Entretanto vamos protelar um pouquinho?
Até lá embaixo.

Ps: Obrigada a todas as recomendações, MarieGabys, Micaele Santos, Tata Sag Cullen, yarabastoss, BeeGommes, AlinneS, AndCaldas, Bebela, Leila, Kah Nanda S N e daisyx ...
Obrigada a todas ='}

"Contos de fada são mais do que a verdade. Não porque eles nos dizem que dragões existem, mas porque eles nos dizem que dragões podem ser derrotados. ’’

(Neil Gaiman)

Acordei atordoado com o sol já a pino batendo contra meu rosto. As cortinas brancas e finas açoitavam junto com a leve brisa do verão que se fazia presente em minhas janelas.

Passei a mão por entre a cama, e como sempre estava vazia, como sempre eu acordava sozinho, eu odiava solidão, odiava ter que acordar e não encontrar um par orbes doces.

Eu odiava quando ela e o seu sorriso perfeito não me brindavam pela manhã logo ao acordar. A dona da minha vida, pensamentos e coração há dias não era a mesma. Por quê?! Indaguei-me, mas sorri ao sentir seu cheiro entre o farfalhar dos lençóis, e o doce aroma de morangos dos seus longos cabelos nos travesseiros.

Tudo poderia ser tão diferente se caso eu não entrasse naquele avião há quase vinte anos. Eu não queria nem imagina como seria se eu não a tivesse novamente em meus braços, sentindo seus lábios doces nos meus, e trazendo luz e felicidade para a minha vida.

Minha mulher sempre foi guerreira e forte. Bella era sem duvida um grande exemplo para mulheres que se encontraram nas condições que ela se encontrou um dia.

Ainda jovem teve que lidar com o seu namorado dependente químico, uma situação financeira péssima e a perda de um filho. Só mesmo minha Bella, para enfrentar tudo de cabeça erguida. Só ela para me tirar daquela situação degradante que eu me encontrava com seu amor, carinho, força e determinação. Reconheço plenamente que tudo o que tenho e o que eu sou hoje devo a essa pequena mulher que mudou para melhor toda a minha vida. Foi ela que me fez voltar acreditar e a ter crença nas pessoas. Que não existe nada melhor que o perdão. Ah! O perdão, se ela não tivesse me concedido essa graça... Onde eu estaria agora?! Como eu estaria?! Talvez se o meu amor não tivesse essa fé em mim e em minha capacidade e força de vontade, eu estaria em algum beco escuro fumando maconha ou cheirando a porcaria da cocaína. Ou a pior ou talvez melhor – se eu não tivesse Bella- eu estaria morto. Viver sem a mulher que eu amava ao meu lado, era o mesmo que a morte em vida.

Flashback On

“A vida é uma grande merda.”

Esse era o grande pensamento que eu tive quando sai da mansão dos Swan, depois que a mulher, a única razão de minha vida, avisar-me que partiria em breve. E o pior, iria sozinha.

Por alguns segundos me iludir, pensando que Bella apenas estivesse brincando, ou melhor, tirando uma com a minha cara. Mas ao cair na real, percebi que a minha mulher não era tirada a essas brincadeiras em que achincalham com os sentimentos e emoções das pessoas. Não, Bella!

A profundidade e sinceridade de suas palavras foram como um grande soco no meu estomago vazio. Dor, dor, dor...E mais dor. Apenas isso.

Os chocolates derretidos de seus olhos haviam desaparecido desde a partida precoce do nosso Caleb. Seus orbes mesmo cheio de lagrimas ainda sim, eram vazios. Eu não suportava vê-los daquela maneira. Tão rasos. Quase que inexpressivos.

Assim que, minha Bella me disse que iria sozinha para Londres e não voltaria mais, a minha reação era apenas “Ela não me ama?” “Será que ela não ver o quanto eu sofro também?” Mas em seguida me vinha à resposta. Ela precisava disso, minha garota passou por cada situação sozinha, que eu me sentia enojado por tê-la jogando nesse caminho comigo.

Quantas noites mal dormidas, Bella enfrentou por minha causa?!Por vezes minha menina saia nas ruas na madrugada para encontrar-me em lugares sujos, imundos, repugnantes e perigosos?! Isso apenas para me salvar. E ela conseguiu.

E agora sem ela?! O que seria de mim?! Eu não era merecedor dela, nunca fui.

Sai cambaleante pelas ruas pouco movimentadas, me esbarrado pelos poucos transeuntes que passeavam de mãos dadas com seus companheiros, e por um momento eu os invejei. Bella e eu não faríamos mais aquilo. Uma onda nauseante tomou-me por completo e eu queria despejar tudo que –não- havia comido. Há dias o meu apetite havia se esvaído. Mas não disse nada a Bella para não preocupa-la. Tudo parecia tão bem, o que eu fiz de errado?!

Caminhei e não sei quanto tempo eu ainda andei até encontrar um lugar esmo, o qual muitas vezes eu fui, um território muito conhecido por mim. Alguns caras estavam sentados no meio fio, com alguns papelotes e outros o rodeavam como se barganhassem aquela porcaria.

Sentir-me o ser mais desprezível do mundo por esta ali. A voz doce e melodiosa ecoava em meus ouvidos e pensamentos. ‘’ –Não faz nada que possa te prejudicar, por favor, fique longe de encrencas.’’

Que merda eu estava fazendo?! Eu iria mesmo me sujeitar a isso novamente?! Iria infligir a minha Bella a vergonha por ter tido um relacionamento com um Zé ninguém drogado?!

Não! Eu não faria isso novamente, por mim, por ela e pela memoria do nosso pequeno.

Doía tanto esse sentimento de rejeição. Por mais que os motivos fossem nobres, ela estava me deixando. Quando se ama alguém você não quer ficar longe, quer ficar o mais próximo possível. Quando foi que ela deixou de me amar?! Por que eu não notei isso antes?!

Pensei em voltar para a mansão dos pais de Bella, ir até ela olhar em seus olhos e perguntar quando foi que deixou de me amar. Exigir uma resposta plausivel, mas não o fiz. Preferi que a duvida e a dor bailassem como uma grande ciranda. Aquele ditado de que “aqui se faz, aqui se paga” nada mais era uma citação verdadeira. Agora eu estava colhendo os frutos podres do meu plantio.

Não voltei lá nem para pegar a minha moto, muito pelo contrario preferi andar a pé, do jeito em que eu estava provavelmente acabaria debaixo de um carro/caminhão ou atropelando algum inocente.

Cheguei ao nosso prédio aos prantos. Não me importei com os olhares atravessados e curiosos que me lançavam no elevador ou corredor.

Quem foi o imbecil que inventou que homens não choram?! É claro que choram, quando se tem sentimentos, chorar é demostrar e expor sua dor, e com certeza essa ultima dor – a primeira foi à morte de Caleb- foi o golpe final.

Doía como uma ferida viva e pulsante. Era uma dor que eu jamais gostaria de estar sentindo e não desejaria isso ao meu pior inimigo.

As perdas que eu estava tendo na vida eram dilacerantes. Talvez as pessoas que eu amo devessem mesmo se afastar de mim. Afinal... Tudo o que eu amo morre, tudo em que toco vira pó. Primeiro Esme, Rosalie, minha princesinha, o meu filho e agora a mulher que eu amava.

Respirei algumas vezes antes de entrar em nosso antigo lar. O seu cheiro, seu sorriso, sua voz... Sua imagem, ela estava tão presente ali ainda e isso me deixava mortificado.

Sem aguentar mais aquelas malditas dores em meu peito, entrei direto na cozinha e vasculhei um dos armários, eu sabia que por ali havia uma garrafa quase intocada de uísque.

Peguei a garrafa cheia e comecei a entorna-la. Era forte, há muito tempo que eu não bebia algo alcoólico. Senti minha garganta arder, pigarreei duas vezes para alivia-la, antes de tomar outro grande gole.

-A vida é uma grande merda. – praguejei olhando para a garrafa. Como se ela fosse me responder. Humpf...

Meu estomago ardeu, o gosto amargo e forte me trouxe uma queimação violenta em meu âmago.

Eu me sentia um medíocre que na primeira oportunidade se entregava aos antigos e ferrenhos vícios. Que para se manter de pé recorria para algo que o fizesse não lembrar e sucubisse a dor.

Eu não sabia ao certo por que beber, mas eu queria algo que aplacasse e suprisse minha angústia. A mulher da minha vida estava indo embora, fui rejeitado e isso de certo modo era o que mais me massacrava. Queria pensar em pontos que me fizessem parar de beber e entender o seu lado, mas eu não os encontrava. Eu só queria esquecer por algumas horas. Há meses eu não fazia nenhuma besteira, sempre estive do seu lado e a dor da morte de nosso filho nós dividíamos igualmente.

Pensar nele me trouxe um aperto no peito. Meu filho era um bebê perfeito e vê-lo partir tão precoce e abruptamente me matou um pouco também. O quanto eu sonhei com meu filho nos braços da mãe mamando avidamente ou já um tanto crescido acompanhando-me nos estádios assistindo aos jogos de futebol ou de hóquei... Assim como, Bella eu também tive meus sonhos e uma vida interrompida pela dor. Porém, ainda assim eu não conseguia enxergar do por que de sua decisão. Uma porra de uma covarde, isso era o que ela estava sendo.

Sentei-me no sofá em que ela sempre me esperava deitada com sua barriga imensa esperando-me voltar do escritório ou das campanhas de seu pai. Eu sempre a censurava por isso, mas ela com aquele jeitinho de menina e caricias provocante conseguia me driblar.

Sorri sozinho.

-Por que você esta me deixando meu amor?! – perguntei para mim, já com a mente afetada pelo álcool o suficiente para começar a fazer indagações a mim mesmo.

Sem uma resposta plausível em meu ser, que me desse pistas do que havia acontecido para que ela quisesse ficar sozinha, meu único desejo era ficar entorpecido demais para lembrar que setenta e duas horas iam decidir minha vida.

Tomei mais alguns grandes goles da bebida quente, e senti aquele formigamento característico em meu corpo, o entorpecimento de meus músculos.

Era isso mesmo que eu queria, não é?! Fugir da minha triste realidade.

Assim como um resignado deitei-me no sofá agarrado a minha ultima corda de salvação. O álcool. Ele seria o único a me ajudar nesse momento.

Bebi até minhas vistas embaçarem e sentir um bom amortecimento em meus músculos. Não sei por quanto tempo eu bebi aquela garrafa cheia daquele liquido, puro e ardente.

O entorpecimento era tanto, que eu só queria chegar à minha cama e dormir. Mas por fim, não conseguir nem levantar, meus músculos viraram gelatinas, minhas pernas não obedeciam e minhas vistas estavam desfocadas o suficiente para que não me deixasse enxergar direito, pareciam que haviam jogado grãos de areia sobre eles. E isso era uma merda, não consegui distinguir um palmo a minha frente.

Deixei meu corpo languido cair no sofá, antes de me entregar a inconsciência.

...

Não sei quanto tempo ao certo dormir, mas forcei meus olhos a se abrirem diante as batidas fortes e insistentes na porta.

-Abre a merda dessa porta, Edward. – batia mais forte.

Tentei levantar, mas além da minha cabeça dar giros de 360º graus eu estava completamente zonzo. Fora aquele gosto horrível na boca.

-Porra abre essa porta antes que eu chame os bombeiros, a policia e o diabo a quatro. Vamos lá, Edward, eu sei que você esta ai...

-Já estou indo, Alice. – falei alto o suficiente para que ela ouvisse do outro lado. O que me resultou em fisgadas em minha cabeça latejante. –Merda! – praguejei baixinho.

Arrestei-me –vagarosamente devo ressaltar- pela sala até encontrar a maçaneta da porta.

-Até que fim. Pensei que ficaria lá fora o resto do dia. – berrou Alice passando pela porta sem ser ao menos convidada. – Você esta péssimo. – comentou mais para sim mesma. — E fede a alcool.

-Obrigado, Alice. É bom ver você também.

- Você bebeu. – não perguntou, afirmou, com pesar. Claro que ela sabia, não precisava ser um gênio para saber. Eu estava péssimo e o cheiro forte de álcool estava impregnado no ar.

-Alice, se você só veio constatar o óbvio é melhor ir... – demostrei a porra da minha impaciência. Levei as mãos aos cabelos desarrumando-os ainda mais.

-Edward... – se lamuriou soltando uma forte respiração. –na primeira oportunidade você se entrega aos vícios desse jeito?

-Você não sabe de nada, Alice. Estou com a porra do meu peito doendo, se veio tripudiar encima disso aproveite e depois caia fora.

Ao invés de, Alice dar meia volta e seguir para a porta, ela sentou-se no sofá que a pouco eu estava praticamente desmaiado.

-Edward...Você sabe que eu não vim fazer isso. Eu não te odeio...Só te acho idiota. – cruzou as pernas levando as mãos para a bolsa. –Muito idiota...

-Alice...

-No primeiro NÃO da, Bella o que você fez ao invés de dizer que não iria deixa-la nem que uma porra de uma arma estivesse apontada para sua cabeça? O que você fez? Chorou como um menino de cinco anos quando o pai lhe da bronca.

-Bella não me quer... – um enorme bolo formou-se em minha garganta. Tomei duas respirações profundas antes que eu chorasse como um bebezinho, mas parecia que para isso eu teria que fazer uma força hercúlea. Meus olhos já pinicavam e a sensação que o meu mundo estava desmoronando era o mais palpável possível. O que seria meu mundo sem, Bella ao meu lado? Nada.

Isabella era o meu porto seguro, segurança, coragem, determinação, meu ar, minha força, minha vida. Será que isso não é o suficiente para que se realizassem os “contos de fadas” de cada casal?

Alice suspirou mais uma vez.

-Bella só esta machucada e muito confusa, Edward. Tente se pôr no lugar dela! Não, não estou dizendo que você não esta sofrendo, mas... Bella é muito forte e corajosa você sabe disso, não sabe?!- A amiga de minha mulher estava procurando bem cada palavra a ser colocada, talvez tentando não me machucar mais do que já estava.

Assenti.

- Então quando caiu o baque foi mil vezes pior. Bella só quer se sentir segura, Edward.

-Não sei se posso fazer isso. Talvez eu não seja o cara certo para ela...Sou cheio de inconstâncias...

-Todos nós somos inconstantes. — interrompeu, mas sem aquela empáfia que já lhe era tão comumente. — Sabe o que minha amiga e você precisam? De segurança. Um tem que se sentir seguro ao lado do outro. Vocês se amam isso é incontestável...

-Se só o amor bastasse para tudo.

-Não, não basta. E aqui não somos adolescentes que achamos que dar para viver em uma cabana vivendo de amor e sexo sem outros suprimentos. Estou falando de um amor amadurecido, que quebrou barreiras e passou por cima de obstáculos grandiosos.

Balancei minha cabeça envergonhado – assim como um filho levando bronca da mãe por ter feito algo sabidamente errado. Sabia que a ultima parte havia sido por causa de minha dependência química.

-Sabe o que, Bella quer no fundo?! Que você lute por ela.

-Não sei, Alice...

-Não seja covarde. – falou exaltado, o que me fez encara-la com raiva. Eu não era um covarde e ela sabia disso. Contudo sua voz logo se suavizou. -Mostre a todos e principalmente a ela o quanto você a ama.

-Não sei, Alice. Minha cabeça esta dando voltas. – respirei fundo, levando minhas mãos a cabeça, para – talvez- amenizar a enxaqueca que já se formava – da ressaca ou quem sabe pensar tanto na vida –.

-Vá atrás do seu amor, seja como for. Não deixe que ela vá ou se ela for... Vá junto. Não a deixe escapar por seus dedos, Bella te ama e faria qualquer coisa por você. Edward, você não pode simplesmente desistir dela.

-O... O que você quer dizer com isso? – perguntei cético. Alice tinha uma mente mirabolante.

-Que você embarque às 14h naquele avião com ela.

-Alice, não sei se é uma boa ideia.

-Okay...- levantou-se. –faça o que quiser, mas depois não tente por a culpa pela droga que esta passando por seu orgulho de homem ferido. O que mais você quer para que acredite que a minha amiga nunca deixou de te amar? – retrucou exasperada.

-Talvez não ter me deixado? – falei cínico, rindo sem humor.

-Sabe... Na realidade só vim te deixar a passagem e essa carta. Tive que fazer muito esforço para fazer isso, mas eu estou aqui. Passei por cima do meu orgulho, por meu amor por, Bella. Por meu amor, pelo casal que lutou até o ultimo segundo pelo bebê deles. Por um casal, que enfrentou situações que sinceramente eu teria chutado o pau da barraca... — Alice lançou-me um olhar enigmático. Não sei precisar o que eles queriam dizer ao certo, mas deu para ler nítida e incontestavelmente seu desapontamento.

-Por que esta aqui, Alice? Por que esta fazendo isso por mim? Sei que muitas vezes falou mal de mim para a, Bella. – joguei-lhe com certa rispidez.

-Oh, Deus... Nunca falei mal de você. – devolveu-me. – Tudo o que disse era verdade. Se ponha no meu lugar, Edward, o que você faria se sua melhor amiga chegasse em sua casa sempre machucada e fingindo esta bem quando na verdade esta sangrando por dentro? Eu te respondo, Edward. Você iria querer o melhor para ela, choraria por sua dor além de enxugar suas lagrimas. Foi isso que eu fiz por, Bella e faço quando for preciso.

Alice tirou um envelope da bolsa e deixou-o na mesinha ao lado do abajur acesso.

-Vocês lutaram tanto para acabarem assim... Os dois merecem o final feliz tão almejando. Pelo menos é o que eu desejo para vocês.

Eu poderia até jurar que, Alice estava com os olhos cheios de lagrimas não derramadas. –Um dia vocês irão olhar para trás e ver que tudo isso valeu a pena. Que sempre vale a pena lutar por aquilo que acreditamos e acima de tudo amamos. Faça o que achar que deve fazer o que seu coração mandar.

E antes que eu pudesse retrucar, Alice saiu apressada pela porta... Do nada. Assim como chegou...

E eu?! Bem... Eu fiquei ali, atônito encarando o envelope de cor escura, sem saber muito bem o que fazer.

Mesmo com certa dificuldade – pela cabeça zonza e o enjoou que me assolou- movimentei meu corpo de ressaca – isso é uma merda- e encaminhei-me até o grande sofá e puxei o que, Alice havia deixando para o meu colo, li duas vezes para quem era enderençado “Para Edward’’ com uma letra impecavelmente bonita, porém o que me fez sorrir foi ao ler o rodapé, uma letra incrivelmente minúscula entre reticencias se destacava.

“Todo casal passa por crises, todo casamento tem seu momento de luto.

Mas... O grande desafio esta ai, em superar estas crises e vencer em prol da família e do amor que os uniu.”

Edward

Sabe?! Antes de escrever essa carta/bilhete para você, sinceramente perguntei-me se deveria.

Eu pensei “Droga será que eu devo fazer isso? Apesar de já estarmos ‘bem’ nós não somos tão amigos.” E ai eu me pergunto meu caro, por que?! Talvez seja, por que todas as vezes que as feridas de minha melhor amiga e irmã estavam abertas eu queria arranca-la dela a dor e cura-las, mas principalmente eu queria tirar toda a tristeza, amargura e impotência de seus olhos.

Aquela garota frágil – todos a julgavam assim- mostrou uma força sem igual.

Sabe quantas noites ela ficou insone por que você ainda não tinha chegado? Tem noção de quantas lágrimas aquela forte mulher derramou por não conseguir um meio de te livrar do que lhe acometia?

Bella perdeu um filho que foi o seu companheirinho por nove meses, e no momento tão mágico que é traze-lo ao mundo e dar a luz ao menino de vocês as trevas reinaram em meio a tanta nevoa de alegria. Como diz o texto logo acima, todo casal passa por seu momento de luto, mas o amor deverá prevalecer.

Bella te ama, será que você não enxerga isso?

E ai, Edward? Vai deixar a vida passar por seus olhos? Ou seu amor esvair de suas mãos?

Vá atrás dela! Junto com essa carta esta sua passagem (tomei a ousadia de pegar seu passaporte. Ele estava nos documentos de, Bella. Desculpe a intromissão,mas foi extremamente necessário.) marquei para o mesmo voou.

Agora sua felicidade esta em suas mãos, você vai deixar passa-la?

Alice Brandon

Sorri em meio a lagrimas. Nada do que, Alice escreveu ali fora exagero. Eu sempre soube a mulher forte que eu tinha ao meu lado.

Olhei para a passagem em minhas mãos e fechei os olhos. A dor de cabeça começava a ficar incomoda.

E antes mesmo que eu percebesse monstros a soltas gritaram com seus flamejantes grunhidos assombrantes em minha cabeça.

Meu lado orgulhoso dizia para que eu não fosse, mas o meu lado apaixonado dizia que meu lugar seria onde ela estava.

Get To You

James Morrison

E mesmo o meu lado mais egoísta querendo máscarar meu entendimento sobre o que a afligia, meu amor conseguiu dribla-lo e o sobrepor.

E mesmo com a cabeça latejante, corri para o banheiro até conseguir-me sentir mais humano e fiz a única coisa que eu poderia fazer. Arrumar minhas malas e esperar para partir e conhecer o novo.

Li a pequena frase, mas que tudo dizia e decidir que nada que faria seria além do certo.

Eu iria lutar pela primeira e única dona de meu coração.

O destino me trouxe você, Bella e não vai ser a distancia que vai acabar com a nossa história.

Todo casal passa por crises, todo casamento tem seu momento de luto.

Mas... O grande desafio esta ai, em superar estas crises e vencer em prol da família e do amor que os uniu.’’

Eu faria isso. Por ela. Por nós.

Flashback Off

Depois que ela estava no avião eu entrei em seguida. Tomando meu assento ao seu lado. Pensei que, Bella não gostaria muito de minha presença ali, mas assim que me viu, seu sorriso se ampliou. Suas pequenas mãos se esticaram em minha direção e a única pronuncia que ouvir de seus lábios foi um “obrigada”sussurado.

Levantei a muito custo, obrigando o meu corpo a tencionar os meus músculos doloridos da festa que eu havia participado a noite anterior. Para falar a verdade eu não tinha mais vinte e três anos, não sou mais do “tipo” que anda com a garotada, mas fazer o quer?! Minha garota era linda demais, na realidade minhas duas garotas, obvio que eu não deixarei nenhum marmanjo sobrevoar meu território.

Tomei um banho frio demorado e sorri quando a água bateu em minhas costas e fez os arranhões arderem, pela tórrida noite selvagem de amor que tivemos. Fiz a barba que estava por fazer e vesti uma roupa que já estava posicionada e preparada para que eu vestisse, hoje teria uma manhã cheia, reuniões com novos clientes, depois passaria o resto da manhã assessorando um grupo de estagiários, eu já era um homem feito, não trabalhava mais com Carlisle, agora eu era um advogado renomado e respeitado, com um grande escritório no centro de Londres, diga-se de passagem, perto da rainha.

Vesti meu terno preto com uma camisa mais clara por dentro, peguei minha pasta com os documentos necessários e o notebook deixando-os em cima da cama enquanto tateava os locais a procurar das chaves do meu carro.

-Papai posso entrar?! Paizinho? – a voz melodiosa da Lizzie ecoou pelo quarto, me fazendo sorri como bobo. Bella engravidara três meses depois de nos assentarmos definitivamente em, Londres. O que nos deixou receosos quanto ao futuro do bebê, quando soubemos que eram dois... Nossa, foi uma alegria absurda. Bella ria e chorava e eu como um louco protetor queria bota-la em uma redoma e protege-la de tudo, mas claro que a teimosia de, Bella sempre me contrariava e ela voltou para a faculdade e estagio. Nossa menina com certeza puxou a ela. Teimosamente encantadora.

-Papai... – insistiu, e eu poderia jurar que ela tinha um beicinho formoso, tal qual fazia aos cinco anos.

-Claro princesa. – só em pensar que depois de manhã eles estarão longe de nós, estudando em outro país dava um aperto em meu coração.

-Tô entrando também paizão. Não tá pelado não né?! – falou Nicholas como sempre brincalhão.

Revirei os olhos.

-Hmm... Deixe-me adivinhar o que é que vocês querem... Irem para onde que a Bella não possa saber?! Fizeram algo de errado? Mataram quem?! – perguntei olhando questionador para os dois.

-Ninguém. – falaram em uníssono.

Lizzie e Nicholas eram gêmeos bivitelinos, minha princesa era dois minutos mais velha do que o irmão por isso ela acha que é era a maioral, mandando no Nicholas o tempo inteiro, ou pelo menos ele a deixava pensar assim.

Nicholas era a copia perfeita da mãe exceto pelos olhos que eram azuis como os meus, mas seus cabelos castanhos escuros meio cacheados, boca em formato de coração eram iguaizinhos da Bella.

Já a Lizzie tinha os mesmos olhos chocolates iguais os da mãe, mas os cabelos cor de bronze, boca numa linha fina. Nossos filhos eram nossas cópias perfeitas, todos diziam isso.

Quando crianças, os dois viviam brigando. Deixando a, Bella louca e de cabelos em pé. Enfrentávamos uma verdadeira maratona com duas crianças e sozinhos em um país desconhecido. Eu estava começando a entrar no mercado de trabalho em tempo integral e Bella além de suas aulas tinha seu estagio.

Nossa sorte era que não tínhamos que pagar aluguel, Carlisle me entregou meu apartamento – que era meu por direito, herança de minha mãe- conseguimos vende-lo e compramos algo nosso, simples, mas totalmente nosso. Entretanto mesmo assim ainda enfrentamos uma crise financeira – não aceitávamos ajuda de nossos pais. Não por orgulho e sim por que éramos capazes-, conseguimos nos equilibrar rapidamente.

Quando as crianças nasceram, Bella teve que se abdicar de seus estudos em prol das crianças; mas no ano seguinte minha esposa voltou; então ficamos assim... Eu trabalhando em tempo integral em um escritório de advocacia geral – não era ainda considerando um grande advogado, mas aprendi com as dificuldades, chegar onde estou- e a noite eu ficava com as crianças enquanto, Bella ia para a faculdade e só voltava quando elas estavam dormindo. E no outro dia aconteciam as mesmas coisas, mas elas cresceram, começaram suas vidas estudantis e agora estão indo para a faculdade. Como é que o tempo passou tão rápido?!

-Cadê a mãe de vocês?! Saiu cedo e nem falou comigo. – acho que falei fazendo manha, já que minha filha correu para me abraçar.

-Não sei paizinho, mas a mamãe anda tão estressada ultimamente. Argh!

-Verdade, pai. Ela chorou, por que eu apenas disse que não iria levar os tacos de beisebol que o vovô Charlie me deu no ultimo jogo dos Detroit Lions. –Nicholas riu. – Fiquei sem saber como agir ou consola-la.

-Mamãe anda esquisita. – concluiu Lizzie.

Era verdade. Bella andava com os nervos a flor da pele, mas só tinha um motivo. A partida de nossos filhos, os dois iriam para a universidade em outro país, no mesmo ano, mês, dia. Nossa casa voltaria a ficar vazia. Eu entendia sua reação, por que eu estava da mesma forma, só não queria externar abertamente isso, pois ela era a que mais sofria.

Em meu intimo eu sabia que não era só por aquele motivo, deveria ter outro. Bella era assistente social, muitas vezes passava por suas mãos algo que a deixava abalada. Casos que nem eram mais de sua alçada, mas minha Bella sendo a mulher incrível que era, mesmo assim se preocupava, ou quando eram dela, Bella se doava 100%, realmente mergulhava de cabeça. Muitas vezes resultados positivos que a fazia se sentir feliz e útil outras vezes nem tanto... ela se sentia culpada, por algo que nem era ela que decidia. Essa era a minha mulher...

-E o café da manhã? Já tomaram? – perguntei distraído, dando um nó – com destreza- em minha gravata.

-A, Lizzie fez uma gororoba... Ops... Ovos mexidos e projetos panquecas. – se retratou quando a irmã lhe secou com um olhar feio.

Aquele olhar era igual o da mãe, escolheria até minhas bolas.

-Tá ótimo filha. – sussurrei beijando sua tez lisa. – Mas o que os trouxe aqui mesmo? Pelo que eu me lembre da promessa de vocês era não acordar antes do meio dia. – fui irônico.

Ganhei dois lindos pares de olhos rolando e eu ri, puxando-os pelos ombros para descermos. Ou eu me atrasaria para um importante caso.

Nós três comemos ali mesmo na cozinha, tudo bem que os ovos não tinham sal e as panquecas estavam meio cruas, mas dava para comer. Como eles se virariam longe de casa?

-Bom... – pigarreou, Nicholas. – Lizzie e eu temos uma coisa para contar papai.

-Comecem... – pedi meio amedrontado. Quando algo que vinha desses dois precisava ser anunciado era por que não vinha coisa boa.

-É... Bom...É.. – se eu não tivesse meio tenso, teria rindo. Lizzie nunca perdia a fala, era sempre a mais falante e centrada no que queria dizer. Muito clara e perseverante seria uma perfeita advogada.

-Vamos lá...Que medo é esse? – tentei soar descontraído, mas acho que falhei nisso miseravelmente. – Não é como se eu fosse castigar ou ba...

-Foi com o Volvo. – gritou Nicholas nervoso depois de ter me cortado.

-Meu volvo... – falei para mim. – meu Volvo.

Eu já estava transpirando mais do que o normal. Meu Volvo, era praticamente uma replica – só que BEM melhor que eu tinha aos dezoito-.

-Meu... Meu Volvo. – murmurei incrédulo.

-Papai, eu pedir para a mamãe emprestado para o Naruel. Mas... Mas... Quando eu fui ver na garagem ele não estava ai... Ai eu ligue pra ele, e ele... Disse que já tinha deixado ai, com a chave próxima a porta... Ai... Ai eu acho que roubaram. – disse tudo isso em um só folego prendendo o choro.

Se existia algum culpado – réu confesso, declarado e sacramentado- esse era, Naruel nosso vizinho E namorado de minha filha. Como eu odiava esse garoto! Quem ele pensa que é para namorar com o meu bebê?! Claro que eu não me contrapus a esse namoro e os apoiei – mentira, Bella quase me ameaçou de morte-

-Ele foi levar a Emma em casa, pai. Foi mal! – respondeu exatamente no que eu estava pensando.

Eu sabia que ele... Eles realmente estavam sentidos. Mas cara foi o meu pobre e indefeso VOLVO.

Saquei meu celular do bolso do terno, procurando em minhas ultimas ligações – foram dez desde que ela saiu- o numero tão conhecido por mim. Tudo bem, eu estava um pouco nervoso.

Chamou uma, duas e nada de, Bella atender. Mas que porra.

Eu já estava ficando realmente preocupado. Nenhum post it na geladeira, ligações e tudo o que ela fazia sempre antes de sair.

- Não precisam arrancar os cabelos da cabeça. Se realmente foi roubado o GPS vai informar para a empresa de segurança a rota que ele fez e esta. E nós o resgatamos. – disse convicto para acalma-los.

Tentei o celular de, Bella novamente e nada. Não dava para ligar para a empresa de segurança se o carro estivesse com ela. E porra ela saiu e nem me disse estou preocupado com essa mulher.

- Isabella Marie Swan Cullen – falei depois do bip. – Se você não me ligar em no máximo vinte minutos e vou até a policia, Interpol, exercito e onde for preciso para te encontrarem. Ligue-me, amo você.

-Mamãe não atende ninguém. – sussurrou Lizzie com o seu telefone grudado na orelha. –Será que aconteceu alguma coisa? – perguntou exasperada.

Já estávamos confabulando algo para corrermos atrás dela e ligarmos para todos os amigos que estavam na cidade, quando ouvimos barulho de chaves e Isabella entrar como se nada tivesse acontecido. Alheia ao que se passava naquela cozinha.

Estávamos os três na mesa encarando-a boquiabertos quando, Bella adentrou o cômodo em que estávamos e nem sequer nos percebeu. Abriu a geladeira, tirando de lá uma garrafinha de água, abrindo-a e tomando em pequenos e curtos goles. Ela estava agindo no automático.

-Bom dia! – desejei-lhe calmamente para não assusta-la, mas o mais importante tira-la de seu transe.

-Oh droga... – gritou derrubando a garrafinha e todo o conteúdo do vaso em seu vestido carmim que ia até os joelhos. — Oh merda... Vocês querem me matar? – levou as mãos até o peito para acalmar o coração.

Os meninos olharam-na assustados e bom...Eu não estava diferente pela sua reação.

Lizzie pegou um pano que tinha próximo e ajudou sua mãe a se secar.

-Mamãe, você pegou o Volvo? – Nicholas perguntou timidamente, ainda paralisado em sua cadeira.

Bella apenas abanou as mãos e fez um “humhum’’ vazio. Só.

Levantei-me de meu assento, caminhei até ela segurando-a pelos ombros.

-O que há com você? Por que esta tremendo?

Talvez ela tivesse passando mal.

-Me deixem em paz... Só hoje, por favor! – pediu em um fio de voz. Encarei os orbes que eu tanto amava e eles estavam inundados de lágrimas não derramadas.

-Bella? – ela abaixou os olhos, piscado para fora algumas lagrimas, que já desciam abundante por seu rosto cálido. – Por que você esta chorando? – perguntei alarmado e no mesmo instante nossos filhos a rodearam bombardeando-a de perguntas.

“Mãe você esta bem?’’ “Mamãe qual o seu problema?’’ “O que esta acontecendo?’’

Nada do que eu já não tivesse perguntado e claro não obtido respostas.

Eles estavam preocupados por partirem dali a poucos dias e deixar a mãe, no estado em que se encontrava – chorando o tempo inteiro- e ninguém chora por nada.

-Não é nada... Só, estou um pouco cansada. – sabia que, Bella estava omitindo algo, mas o quer que fosse eu descobriria. Nós não tínhamos segredos.

...

Assim que entramos no quarto, ajudei minha mulher a tirar seus saltos e a soltar o vestido justo. Bella estava tão exausta que em todo processo ela bocejava alto. Será que eu estava ficando tão entediante assim?

Ajudei-a no banho – sem nenhuma conotação sexual- seu cansaço era tão evidente que enquanto prendia seu robe ela cochilava.

-Por que você esta assim? – inquirir.

-Assim como? – retorquiu visivelmente confusa.

-Diferente. Não sei explicar como.

-Okay... – bocejou. – Cale a boca e deite aqui comigo. Estou morta de sono. – e como para confirmar o que ela dizia, bocejou intensamente. Como se não dormisse direito há dias.

-Não posso. – puxou-me pela gola de minha camisa social. — Componha-se mulher! – brinquei e ela riu de um jeito preguiçoso. Quase como um ronronar de um gatinho. –Tenho que trabalhar. Garante que vai ficar bem? E, hm... Você precisa comer algo. Desde que chegou a única coisa que eu vi botar na boca foi água. Alice chega às quatro horas com a, Ângela para recepcionar os fornecedores de bebida e o pessoal da organização. Não se preocupe em ir busca-las, Jasper virá com elas, por que os meninos quiseram vir logo também. – Os meninos eram filhos de, Alice e Jasper. O Jason tinha quinze anos, era nosso afilhado e Eliot o caçula de seis anos.

-Seus pais e Carlisle já me ligaram chegam amanhã a tempo da formatura e Emmett deve chegar como sempre na hora. – continuei com meu monologo. – Com a Lana grávida do quarto filho, fica difícil se locomoverem com rapidez. Está me ouvido?

-Humhum... – murmurou letárgica e fechou os olhos.

Ela estava estranha.

-Bella? – chamei-a antes de sair. Não sabia o que era talvez pressentimento, mas algo me dizia que, minha esposa estava me escondendo algo. –Promete que se algo estiver errado você vai me dizer?

-Claro que sim. – respondeu abrindo os olhos vagarosamente – Eu te amo. — sorriu fraquinho.

-Eu te amo, Bella. – rocei meus lábios nos seus. – Não importa o que esteja errado. Eu estou com você. – disse-lhe enquanto corria para a porta depois de encarar o relógio que marcava mais de nove horas. Porra eu estava muito atrasado.

-OH MEU DEUS...- Bella deu um salto da cama, fazendo-me encara-la com terror.

-O que foi? – perguntei preocupado. Em apenas alguns segundos eu estava ao seu lado, segurando firmemente os seus ombros.

Bella me olhava preocupada.

-O meu vestido, Edward. Eu esqueci a merda do meu vestido. Como eu vou para a formatura das crianças? Deus do céu sou uma mãe horrível, meus filhos vão me odiar para o resto da vida. Merda, mil vezes merda.

-Bella...

-Como você quer que eu vá? De camiseta e Jeans? É uma formatura, Edward. Uma das etapas mais importantes da vida de nossos filhos. – Bella estava com os nervos à flor da pele. – Lizzie e Nicholas vão me odiar. – gritou exasperada.

Se a situação não me deixasse preocupado eu teria rindo.

Tentei argumentar, mas ela me interrompeu ansiosa.

-Será que alguém perceberia se eu fosse com aquele vestido amarelo soltinho que comprei para ir aquela festa de seu escritório?

-Bella... – suspirei. –Seu vestido esta no closet. Lizzie trouxe ontem, quando foi buscar o dela, lembra? Foi quando fui pegar os smokings com ela e você disse que ia deitar. Lembra não é?

-Oh... Sim, eu lembro. Desculpe-me, amor. Preciso dormir, fico confusa quando estou com sono.

-As crianças saíram. Tiveram que ensaiar a coreografia do baile, eu acho. Aproveite esse tempo e descanse princesa.

-Okay... Quando vier trás uns bolinhos de nêspera? – anui.

-Amanhã é o grande dia... – tentei soar divertido, mas saiu miseravelmente como um lamento. –Próxima semana a casa voltara a ficar vazia. Só os teremos aqui em feriados longos ou férias. – mesmo sem minha permissão meus olhos se encheram de lagrimas. – A casa será somente nossa.

-Não pense nisso agora, amor.

E foi o que fiz depois de me despedir de minha esposa. Enchi a cabeça de trabalho e só assim não conseguir pensar no que eu não queria.

Com a mesma intensidade que felicidade vem, ela se esvai. No fundo disso que eu tinha medo, de que a solidão – no caso da partida dos meninos- ou uma doença –Bella, estava estranha – nos atrapalhássemos ou o poderoso destino os tirasse de mim. Pela família que sempre sonhei em ter e lutei para ter. De que nossa redoma de felicidade que alcançamos degrau por degrau se acabasse.

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A casa estava uma bagunça, quando as mulheres da família chegaram do salão a casa ficou em polvorosa. Uma gritava pela outra e era um entra e sai de portas infernais.

Primeiro Bella ajudou Lizzie em seu vestido logo azul – era como o de todas as formandas- e com seus cabelos, eles caiam como cascatas por suas costas, com leves cachos nas pontas. Seu rosto angelical continha uma maquiagem clara, com os olhos destacados. Minha filha estava à personificação de um anjo.

Ajudei também ao meu deslocado filho como se da um verdadeiro nó na gravata. Nicholas também estava bonito, seus olhos chocolate brilhavam de excitação e curiosidade. Eles entrariam em uma nova etapa de vida, nada mais do que o normal. Os cachos de seus cabelos deram lugar para um penteado formal – seguros pelo gel-.

Minha Bella estava perfeita. Um vestido longuíssimo cobria suas pernas alvas, mas o decote um pouco exagerado – já me tiraria o sossego- mostrava o quão belo seu corpo ainda estava. Seus cabelos imitavam os da filha, só que estava para um lado só. Preso na presilha de safira que seus pais lhe deram no dia que nos casamos IGREJA, algo muito simbólico, nós já éramos casados antes de selarmos o enlace na igreja.

-Você esta tão linda, amor... – murmurei enquanto me projetava atrás de seu corpo beijando seu pescoço cheiroso. Bella sorriu enlaçando o braço por meu pescoço.

-Hm...Você não esta nada mal, hein gatão?- beijou minha garganta e depois arrumou algo em meu terno. – Você esta lindo, Edward. E eu te amo. Não se esqueça disso quando aquelas mulheres derem encima de você.

-Você sabe que só existe uma única mulher no mundo que sempre vou querer não é? E outra... – passei meu nariz pelo colo leitosamente perfumado. –Se tem alguém aqui que tem que ficar de olho sou eu. Olhe como está gostosa, os homens vão babar em você.

-Espero que daqui alguns meses esteja me dizendo isso. – assobiou.

-Por que...

-Mamãe, papai... Vamos!

Lizzie entrou sem bater e Nicholas a seguiu. Cadê os pais dessas crianças que não deram educação?!

-Uau... Você esta gata mamãe. – berrou nosso filho abraçando-a.

-Obrigada, filhote. Como eu já te disse você esta lindo, como sempre foi. – Bella beijou-lhe deixando uma pequena marca de batom vermelho.

-Eu tenho um presente para os dois. – os três pares de olhos me encararam. Minha esposa já sabia do que se tratava, ela apoiara minha decisão. E isso era imprescindível. Com um sorriso inabalável nos lábios ela foi até o closet voltando com duas caixinhas – com uma menor- entregando-me.

-Sabe... -Sentei na poltrona com, Bella sentado no braço e os dois me encarando curiosos. –Essas serão a primeira joia de família de vocês. – levantei na esperança que eu parasse de suar. Talvez eu tivesse medo que meus filhos achassem as joias – que fazem parte de minha vida- obsoletas.

Direcionei-me para o mais fácil, Nicholas.

-Bem... – pigarreei, tentado espantar o nervosismo. – Essas abotoaduras foram de meu avô, ele os deu a, Carlisle no dia que ele se formou no colegial, ele passou para mim quando eu também me formara. E bem... Eu queria muito que os usasse e fizesse disso uma tradição de família.

Abri a caixinha com as abotoaduras de ouro e lhe entreguei. Recebi em troca um sorriso sincero e um abraço apertado.

-Obrigado pai! É muito bonito. – a caixinha de veludo foi oferecida a, Bella que logo entendeu o recado e foi em direção ao filho para ajeita-lo no punho de sua camisa.

Girei para a minha garotinha na expectativa e sorri. Algumas coisas nunca iriam mudar.

-Não sei se você vai querer usa-la, sei que é ultrapassado. – soltei um riso esganiçado. — Mas só de estar com você já me alegra. Esse Camafeu foi de minha mãe, ela o adorava. Foi um presente que ela ganhou de sua avó no aniversario de dezesseis anos. É sua primeira joia de família princesa.

-É tão lindo e delicado, papai. — tirou a correntinha da caixa e virou-se de costas segurando os cabelos para que eu pudesse colocar em seu delicado pescoço.

-Ficou linda, filha. Sua avó adorava esse camafeu e espero que você goste tanto quanto ela. E repasse para suas filhas.

-Com toda a certeza irei passar papai.

Duas batidas na porta tiraram-nos de nossa impenetrável bolha. Eu não sabia como seria depois daquela semana.

-Vamos, vamos... Não queremos chegar atrasados, não é?- entrou uma, Alice –sem bater como sempre- esbaforida com um belo vestido preto e branco, muito bem acentuado em seu corpo – mesmo modificado pelo tempo, assim como, Bella, mas sem perder a feminidade e beleza. No caso de minha mulher continuava gostosa.

-Obrigada por bater na porta, Alice. – fui totalmente sarcástico. E em um ato totalmente infantil, Alice mostrou-me a língua. –Tsc..Tsc... – murmurei ainda sério, balançando a cabeça.

-Você é tão querido, Edward. Vêm cá para eu te dar um grande abraço e amarrotar toda essa sua roupa e arranhar sua cara inteira. – Alice falou com um sorriso gentil. Como se dissesse coisas carinhosas, fazendo todos ali no quarto gargalharem.

-Tsc.. tsc... O que diria meu pobre amigo, Jasper? – rebati com falso pesar.

-Me agradeceria? Por favor, Edward vê se eu estou dançando rumba lá embaixo? –me encarou com tédio.

-Rumba? Por Deus nem dançar você sabe. – rolei os olhos.

-Bella?! Por isso que eu lhe aconselhei para ficar com aquele italiano. – Bella encarou-a de cenho franzido e eu arregalei meus olhos. Que porra de italiano era esse?!

-Está vendo? Quando quero te deixar desconcertado é só falar algo sobre, Bella. – riu alto. –Não existe nenhum italiano boboca. – gargalhou alto. Se seu vestido justo permitisse tenho quase certeza que ela rolaria no chão.

-Porra, que susto! – levei as mãos ao peito, fingido. Sabia muito bem que, minha Bella não daria vazão para outro. –Você falou sobre esse falso italiano ai veio até na ponta da língua falar sobre a loirinha Irlandesa que deu a maior moral para o Jasper.

No mesmo instante, Alice parou de rir e encarou-me com os olhos arregalados. A tesão se instaurou no quarto por alguns minutos. As crianças estavam prontas para me socorrer caso, Alice me atacasse e Bella segurava o riso – mesmo que para isso ela fizesse uma força inumana-.

-É mentira, Alice. Prove do próprio veneno. – essa foi minha vez de rir como um demente. E logo em seguida o quarto explodiu em gargalhada.

-Okay... Okay... Vamos lá crianças. – Bella, segurou em meu braço e Alice no outro.

Lizzie e Nicholas desceram primeiro. Nossa filha era a única neta então era paparicada o dobro pelos tios e avós.

Éramos uma verdadeira e grande família. A que sempre sonhei.

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Quando os nossos filhos foram chamados ao palco para pegar seus respectivos diplomas, meu coração batia tão freneticamente em minha caixa torácica que eu quase me desesperei, pensando que não aguentaria. Era puro orgulho! O mesmo orgulho que quase arrebentou meu peito, quando os dois começaram a caminhar ou quando disseram papai e mamãe pela primeira vez. Não foi assim tão puro — papai e mamãe-, mas foram as palavras mais lindas, que nos fizeram chorar como bebês – papa e mamã-.

Meus olhos eram pura felicidade ao ver a minha garotinha, ali, sendo a paraninfa da turma. Bella não estava tão diferente de mim, o orgulho que ela sentia pelos filhos era vistos a olho nu. Estávamos deslumbrados pelas vidas que trouxemos ao mundo.

O diretor tinha acabado seu inflamado discurso, quando a coordenadora chamava minha filha até o palco, onde ela discursaria.

-Convidamos ao palco nossa paraninfa, Elisabeth Marie Swan Cullen. – todos ficaram de pé para aplaudi-la, ao avista-la subindo com elegância.

Eu poderia me considerar a personificação de um pai enlevado. Preocupei-me um pouco, quando Lizzie respirou fundo e enfrentou o palco. Lembro-me de uma vez, em que ela ficou tão nervosa por que iria apresentar um trabalho que vomitou no meio da turma. Rezei internamente para que isso não acontecesse no momento mais importante de sua vida.

-Vamos lá, querida. –A mãe sussurrou em um pedido mudo de encorajamento.

-Uma vez li em um livro, diga-se de passagem um dos melhores livros que já li...que esse era o nosso momento de pegar o trem errado. – começou cautelosamente, mas ganhando um fulgor de aventura em seus orbes.- Bom... Eu também acho. – Era visível ver o quanto a minha garotinha estava envergonhada. Suas bochechas rosadas denunciavam isso. Puxara totalmente da mãe.

-Por que, somos jovens e a vida é curta demais, para nos preocuparmos qual o caminho certo a se seguir. Essa é a nossa hora de pegarmos o trem errado sim, velejarmos e irmos para onde as ondas nos levarem. Esse é o momento de entrarmos em um curso na faculdade que achamos que gostamos, mas na realidade é péssimo e você não se identifica depois. Então...Mudamos de curso, de pensamentos, de amigos...Ah...Os amigos. Nem todos os que estão aqui foram meus companheiros de longa data, alguns chegaram esse ano, mas tem um lugar reservado em meu coração. Outros.. .Ah! Esses se perderam no caminho, mas sempre farão parte de minha estória, até quando eu estiver bem velhinha e contar nossas historias aos meus netos. Mas também aqui estão aqueles que são não apenas nossos companheiros de turma, mas nossos companheiros de jornada. Os professores os quais foram tão essenciais em nossa formatura, sem vocês não seriamos nada do que somos hoje. – Falou olhando para o corpo docente que estava sentado próximo ao palco.- Vocês foram contribuidores para a formação do caráter que temos hoje. Muito obrigada!

Seus olhos encontram o nosso e ela sorriu. Segurei a mão de, Bella que estava ao meu lado e levei aos lábios. Ela tentava a todo custo segurar as lágrimas, mas não conseguiu no momento em que, Lizzie derramou também suas lágrimas.

-Quero agradecer a duas pessoas que mais amo no mundo. Meus pais, Edward e Bella. Obrigada pelas palavras de conforto em cada joelho ralado. Aquele sangue todo parecia que seria minha morte. – todos riram de sua careta e nós a olhamos com admiração. Quando foi que ela se tornou tão adulta?!

-Obrigada, pela infância maravilhosa que proporcionaram ao meu irmão e a mim, mas acima de tudo obrigada por serem extraordinários. Dizem que os filhos são espelhos de seus pais, e eu espero que um dia meus filhos tenham por mim, metade do orgulho que tenho de vocês. Obrigada por serem surpreendentes e os melhores pais do mundo. Não é, Nicholas? – o irmão fez sinal de positivo com um sorriso abertamente feliz. Naquele momento eu poderia me dar tapinhas nas costas por fazer – juntamente com, Bella claro-. Um trabalho tão bom com as crianças.

-Nós nos orgulhamos disso. Não é que não tenhamos levado puxões de orelha assim como toda criança levada, mas a sobriedade de nos ensinar que o que era errado machucava unicamente a mim. E o certo se espelharia em minhas atitudes futuras. Era verdade, hoje consigo enxergar com clareza tudo o que faziam por mim. Te amo pai. Eu te amo, mãe.

Ela nos mandou um beijo e eu fiz o que fazia todos os dias quando os levava para a escola: capturava-o e levava até o meu coração. Bella chorou mais ainda e sibilou um ‘’Eu te amo mais’’.

Continuou:

-Então... – sorriu “diabolicamente’’. -Essa é a hora de jogarmos a mochila nas costas e arregaçar as mangas. Temos escolhas e não podemos deixar passa-la. Se errarmos, continuaremos de outro ponto e se não der?! Recomeçaremos. Esse é o nosso momento... Esta na hora de enfrentarmos o mundo. Somos adultos! – levantou os braços e todos os formandos a seguiram. – Esse é o nosso momento. – gritou jogando seu lindo chapéu para o ar, seguido de todos os formandos. E em seguida uma chuva de palmas invadiu todo o auditório.

E ali de pé eu não poderia estar mais agradecido aos céus pela escolha que fiz. Se eu não tivesse aceitado a ajuda de, Alice e entrado de surpresa naquele avião, eu não teria aquele momento que estava tendo agora. Um súbito orgulho me invadiu quase arrebentando meu peito. Fui agraciado pela mulher mais maravilhosa e linda da terra, eu era um puta sortudo – e o amor que eu sentia por aquela pequena mulher triplicou de tamanho assim que ela me deu a dadiva extraordinária de ser pai. Caleb – nosso primeiro bebê que nos foi tirado tão cedo- Nicholas e Lizzie. Não existia um homem mais feliz que eu.

Depois de todos os cumprimentos e fotos fomos direto para a recepção que Alice ofereceu aos formandos e seus familiares em minha casa.

Devo confessar, a casa estava linda, iluminada, cheia de flores e lâmpadas chinesas, como ela conseguiu aquela proeza – tão rapidamente- eu não sei, mas algo eu sabia, Alice sabia dar festas como ninguém.

Na entrada, todos os casais tiveram direito a foto – só o casal-. Eu me sentir um pouco adolescente, quando puxei minha esposa pelo braço e adentramos ao portal florido. A foto saiu realmente bonita, foi algo bem espontâneo, Bella estava envergonhada e eu a puxei para um abraço. O fotografo registou o momento em que, minha Bella me encarava rindo e eu sorria torto admirando-a. Olhos nos olhos. Não era costumeiro me contemplar na foto, mas eu tinha que reconhecer: Estávamos bem – Bella radiante como sempre, poderia parecer eufemismo, mas ela estava mais que bela.

A comida estava esplendida, a música jovial e de boa qualidade nos embalava. O ambiente estava propiciamente perfeito. A pista de dança estava lotada de adolescentes cheias de hormônios. No que resultou uma, Bella chateada e uma, Lizzie bicuda, por que uma coleguinha dela tinha me convidado para dançar. Então... Por decreto delas eu só dancei com mulheres de nosso grupo familiar – inclusive com minha implicante sogra/querida, Renée. Os anos se passavam e ela continuava a mesma. Mas como dizem por ai, se não pegar no seu pé não é sogra, esse é seu papel.

Porém, a que eu queria dançar não estava tão afim disso. Bella sorriu e se divertiu muito na coreografia do grupo estudantil, e até mesmo dançando uma ou duas músicas comigo e com o nosso filho. Agora ela parecia cansada.

-Me dar à honra da contradança, amor?! – tentei a todo custo parecer galanteador, acho que falhei miseravelmente, mas pelo menos serviu para minha mulher rir. E eu faria qualquer coisa para ouvir aquele som, que me enchia de vida e luz.

-Claro. – respondeu sorrindo.

Bella estava linda, irradiava luz por todos os poros. Era quase mágico. E naquele momento perguntei-me o que ela tinha visto em mim, mas no fundo eu não queria a resposta. Ela me amava isso era o que importava.

Dançamos embalados pelas músicas lentas e melodiosas, que necessitavam ficar agarradinhos. Eu não queria me soltar dela nunca.

Aos poucos a festa foi esvaziando e quase agradeci aos céus por esse feito. Bella e eu estávamos exaustos, contrapartida os nossos filhos estavam com a pilha toda. Queriam fotos com toda família para por em redes sociais. Meus músculos faciais estavam cansados também.

Meus sogros já haviam se recolhido e os outros estavam no mesmo caminho – as escadas-. Quando olhei o relógio e passava das quatro da manhã tenho certeza que meus olhos se arregalaram.

-Vamos, Bella? – estendi minha mão para que ela pegasse, o que ela aceitou de bom grado.

-Humhum...Meus pés estão me matando. – murmurou cansada.

-Ah não... – Lizzie fez uma carinha desolada a qual eu não me importei.

-Não estamos fazendo um book, filha. – disse-lhe calmamente.

-Hãm? Estamos postando fotos no instegram e vocês estão lindos. Levaram várias curtidas no face.

Okay... No instegram... O que diabos é isso?! Nota mental, perguntar a Bella depois.

-Sua mãe esta cansada filha. –Bella só assentiu com a cabeça em meu pescoço.

- Mas papai... – tentou – mas só tentou- me persuadir com aqueles olhinhos brilhantes.

-Elisabeth Marie Swan Cullen... – comecei mais fui interrompido pelo risinho de, Bella e Nicholas.

-Para de ser chata, Lizzie. Nós temos fotos suficientes para fazer vários álbuns.

-Deixe-me ver, Nick.

Quando estavam distraídos o suficiente, arrastei minha mulher escada acima. Empurrei Bella sem nenhuma delicadeza na porta do quarto, sem me importar em ser pegos no flagra.

-Hm...O que esta fazendo? – perguntou sem folego. Eu estava igual ou pior, minha urgência era tanta que não me preocupei em respondê-la e sim em apenas a abrir a porta e joga-la na cama.

Bella parecia estar tão saudosa quanto eu. Nossas bocas se inspecionavam com uma destreza sem igual. Sua língua macia era um convite ao meu paladar.

-Edward... – miou. Aquilo se reverberou de um jeito nada modesto no meu membro.

-Bella... – sua boca colada na minha era um convite insano para o meu desejo de mergulhar em seu calor.

Sem muita dificuldade entramos no quarto de qualquer jeito. Mas antes que eu pudesse arrancar aquele vestido de seu corpo, Bella enfatizou um...

-Não.

-Por quê? – perguntei como um garoto atrevido.

-Tenho um... Presente para você. – afastou-se de mim em um átimo, então seguir até a cama e sentei-me arrancando aqueles incômodos sapatos de meus pés.

-Por quê? – inquiri novamente. –Meu aniversário é só em Julho.

Mas não obtive nenhuma resposta. Então aproveitei para tirar toda aquela roupa e ficar só de cueca. Bella apareceu minutos depois também sem sua roupa, apenas de roupas intimas descalça e os cabelos amarrados de qualquer jeito em um coque. Mas o que chamou minha atenção foi uma sacolinha com motivos infantis em suas mãos.

Bella entregou sem dizer nenhuma palavra – apenas sentando-se do meu lado-.

-O que é isso? Uma surpresa?

Bella balançou com a cabeça em uma afirmativa e sorriu, murmurando bem baixinho um “Até para mim’’

Um choque perpassou meu corpo ao ver o conteúdo em minhas mãos. Havia um par e tênis minúsculo e um bilhete – que só depois percebi que era um ultrassom- escrito “Estou a caminho, papai”. “Amo você”

-Como?- indaguei sem pensar.

-Bem... – Bella parecia nervosa e então segurei sua mão, mas sem deixar de encarar a manchinha que havia ali. –Lembra-se daquela vez que a doutora Áva me pediu para passar alguns dias sem tomar o remédio, por que meu nível de estrógeno estava alto demais? – assenti freneticamente. Sem tirar meus olhos de minha mancha-já- preferida. – Então...ela nos aconselhou a usarmos outros métodos, mas você não quis camisinha. E bem... — Bella parecia estar à beira de um colapso nervoso. –Eu pensei que não daria em nada, por que há anos que eu tomo anticoncepcionais... E...

Não a deixei continuar, estava embebido em êxtase. Minha boca chocou-se a sua com força, sem nenhum cunho sexual, talvez agradecimento.

Um dia – naquele programa de desintoxicação- me perguntaram as minhas perspectivas. E eu não soube o que responder. Nem em minhas remotas expectativas, eu poderia imaginar que eu estaria com mais de quarenta anos – se eu não tivesse mudado de vida, eu teria chegado até aqui? A resposta é simples e clara. Não! – Realizado profissionalmente. Com dois filhos a caminho da universidade, a mulher dos meus sonhos e de minha vida ao meu lado e mais um bebê a caminho.

Por Deus, a essa altura do campeonato ser pai novamente. Choros, birras, mimos, medos, sorrisos contagiantes... Tudo.

-Porra eu sou bom... –gargalhei, agarrando-a pelos ombros.

Bella tomava contraceptivo a mais de quinze anos, passou apenas uma semana sem tomar e... Não via a hora de vê-la com aquela barriga planetária novamente. Pela terceira vez.

-Sim, você é! – respondeu a minhas divagações, com um sorriso que não chegava aos seus olhos.

-Sim, eu sei que sou. – repliquei com um sorriso presunçoso. Aspirando o cheiro bom, que emanava de seu corpo.

-Você esta feliz? – perguntou de repente. E eu notei uma pontada de receio em sua voz de soprano.

Soltei-a para que eu pudesse olha-la, deixei o ultrassom sobre a cama e segurei seu rosto com minhas duas mãos.

-Por que eu não estaria? – retruquei retoricamente. Qualquer um que me ouvisse saberia que eu não estava me contendo de tanta felicidade. Queria gritar aos quatro ventos “VOU SER PAI DE NOVO, PORRA’’. Meu peito parecia inflar. Eu sabia de sua existência a menos de cinco minutos mais já o amava.

-É que nossos filhos já estão crescidos. – mordeu os lábios e eu tive medo que os machucasse- ponderando cautelosamente no que me dizer. –Você já tem mais de quarenta anos e eu já estou encaminhado para isso. Estamos um pouco velhos para uma criança não acha? – baixou os olhos e eu podia jurar que ali possuía lágrimas. Segurei seu rosto delicadamente e beijei seus olhos, Bella os abriu em seguida ao meu ato embriagando-me pela intensidade que me encarava.

-Nós estamos mais... Experientes, Bella. E temos muita disposição também, ao contrario ele não estaria aqui. – disse malicioso e ela corou. –E respondendo a sua pergunta. Eu não estou cabendo em mim de tanta alegria. Isabella, você me faz o homem mais feliz do mundo. – berrei fazendo, minha mulher chorar em meio a sorriso.

Institivamente minhas mãos voaram para a sua barriga – não tão plana-. Como eu não tinha notado aquela pequena e sutil protuberância ali? Logo eu conhecedor de seu corpo.

Eu estava extasiado... É essa é a palavra correta. Extasiado.

-Eu estou tão feliz, Edward. — sussurrou contra as lágrimas. Então pude conclui-las que eram de alegria. –Obrigada por ter me dado mais um filho. Obrigada por mais esse presente, meu amor.

Meus braços rodearam seus ombros, nos deitando vagarosamente na cama.

Agora tudo estava explicado. Por isso a irritação, choro compulsivo e sonolência.

Levantei minha cabeça e a vi passando a língua afogueada pelos lábios repentinamente secos e sem demora e sem pensar, juntei minha boca mais uma vez a dela. Conectando nossas línguas sedentas uma pela outra. Bella afundou sua língua em minha boca, raspando por todos os cantos dela, como se ali, tivesse um lugar cativo. Inacabável. E essa era a mais legítima verdade. Eterno.

Não havia naquele momento uma conotação sexual – não mais- Estávamos em um momento pueril na completa alegria de gerarmos mais uma vida.

Nossos filhos, carnes de nossa carne, sangue do nosso sangue e perpetrados com o verdadeiro amor.

Espalmei minhas mãos juntas a dela e a admirei. Era tão diferente da minha – grande, pálida e longos dedos- e tão iguais – pequena, pálida e dedos minúsculos- nos complementávamos.

-O que seria de mim sem você?- Bella murmurrou baixinho.

-Quando duas pessoas nasceram para ficarem juntas, elas ficarão juntas. Isso se chama destino. E o meu sempre foi ao seu lado. –quebrei o silêncio confortável restaurado depois de alguns minutos de sua fala.

-O meu destino sempre foi você Edward Cullen?! Prefiro pensar que minha alma vagava por ai solitária até você aparecer. Acredito que realmente nascemos um para o outro. Não creio que foi destino. Nossas almas já estavam conectadas a muito tempo.

-Sim, senhora Cullen. – sorri com a pronuncia do seu sobrenome, eu sempre ficava bobo, mesmo com mais de dezoito anos de casados.

- Você é minha alma gêmea, e você já viu almas gêmeas separadas?

Minha esposa negou com a cabeça.

-Nunca. Sem a minha metade eu morreria.

Não quis entrar naquela seara. Bella estava mais sensível que o normal, não queria vê-la chorar.

-Ah...Afinal eu já disse que te amo hoje?

-Não. –fez bico.

-Oh...Como eu sou relapso...Eu te amo te amo, te amo, te amo. – comecei a distribuir beijos por todo o seu rosto de boneca, fazendo-a rir.

-Eu também te amo, okay?!

-Eu sei.

-Nossa, a idade esta te deixando convencido.

Bella estava cansada, logo suas pálpebras foram pesando e ela adormeceu. Continuei meus carinhos em seus cabelos por mais um tempo. Eu amava o modo como nos entendíamos. Com certeza a idade trás a maturidade. É esplendido você poder deitar em sua cama e olhar para o lado, estar à mulher mais importante no mundo para você. Toquei em seu rosto com as pontas dos dedos e ela se remexeu. O quanto ela teve que passar para ter finalmente a vida e o amor que merecia. Bella era/é a minha centelha de luz, era só seu rosto que eu via cada vez que eu caia em contradição.

-Eu te amo mais do que possa entender. – murmurei com a boca colada em seus cabelos. –Bom... Eu amo você também. – disse alisando sua barriga. –E seus irmãos também.

Oh...Quando eles soubessem que terão mais um irmãozinho... A casa virara uma loucura – já estava injetada pela melancolia da partida das crianças. – Eu não via a hora desse café da manhã.

Everything

Lifehouse

-Eu sempre achei difícil entender, como duas vidas podem se tornar apenas uma, mas quando eu te encontrei, eu te amei... Sim, eu te amei no momento em que os nossos olhares se cruzaram. E um milagre aconteceu, e então eu entendi que Deus tem sempre um plano para nós. É preciso paciência e ouvir sua voz. O que será que meu Deus pensava, quando criou você? Acho que ele estava pensando em mim! Por que me deu mais do que sonhei. Deu muito mais, do que eu podia imaginar. Talvez seja verdade que existam almas gêmeas, antes de você eu era incompleto, não existia razões para continuar. Prometo que ao seu lado eu vou estar nas horas mais difíceis, e contigo vou chorar. E onde quer que a vida te levar, o meu coração vai junto. Para sempre vou te amar, Bella. Nós dois somos um, e apenas um bater de coração. Juntos para sempre viveremos. Para sempre nos amaremos. Assim eu posso perceber, não sou nada sem você. Você é inspiração, o mover de meu coração. Vou ser Eternamente grato a você. Por me amar, me deixar te amar e estar sempre ao meu lado. – as palavras fluíam de minha boca com toda sinceridade, que mesmo com minha Bella dormindo, tive certeza que um sorriso brotou em sua face delicada.

Beijei sua testa e acaricie sua barriga me sentindo o mais plenos dos homens na terra.

...

A brisa que vinha da janela estava convidativa, peguei uma taça de vinho que tinha –no frigobar- e sentei-me em uma das cadeiras acolchoadas que ali tinham na varanda.

A madrugada estava arrebatadora, as estrelas brilhavam com tanta intensidade que pareciam luzes de natal. Pensar no natal, me fez olhar para o quarto e sorrir para a mulher despida enrolada no lençol branco, Bella era o meu maior tesouro, que tinha trazido ao mundo as maiores dádivas de um homem... Seus filhos.

Então... Deixei meu pensamento elevar para quase vinte anos atrás. A vida me ensinou a superar os problemas, me mostrou que sempre a uma luz no fim do túnel e que nada, nada nunca prevalecera ao amor verdadeiro.

Amor esse que me deu um choque de realidade – passamos por momentos tensos e intensos. Superação, luto e amor- me fazendo ver que é preciso supera todos os seus limites. Que força de vontade também é uma forma de amor... Próprio.

Se você não consegue se perdoar por algo e se amar, você não terá como amar a outra pessoa.

Depois que aprende isso, verá que o verdadeiro amor supera limites e destrói barreiras. Amar também é abdicar-se, pode parecer paradoxo, mas amar e se deixar ser amado também é revelar-se, tirar todas as amarras que te prendem ao seu eu “solitário"que não quer companhia.

Não existe vida e nem cor se minha Bella não estivesse comigo. E no dia em que me dei conta de que poderia perdê-la eu quis morrer, por que percebi que era com ela que eu queria

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acordar todos os dias e era com ela que eu queria envelhecer e viver até o fim de meus dias. Não há felicidade que dure sem amor. Ninguém consegue ser feliz sozinho.

-Amor... Vem dormir... – ronronou.

-Já estou indo, princesa. — o sorriso quase não cabia em meu rosto. –Já estou indo, meu único amor.

Passos leves se aproximaram e eu rolei os olhos de diversão.

-Você demorou. – sentou em meu colo, manhosa. Espalmei as mãos em sua barriga, com certeza ali seria um dos meus lugares preferidos. – Sem você na cama eu não consigo dormir. — reclamou.

O vento fresco tocou em sua pele nua –Só coberta pelo lençol- e ela se arrepiou.

-Eu te amo, Bella. Não só hoje, como por toda a minha vida.

-Toda a sua vida? – soou divertida. E assim como uma criança assenti freneticamente fazendo-a ri e me apertar mais. – Isso soa como um maravilhoso plano.

-Porra, mulher como eu te amo. – levantei com ela no colo gargalhando.

-Eu também te amo. Até o fim de nossas vidas.

.

Na madrugada de hoje ao olhar para o céu, me lembrei de tudo que vivi nesses anos. As magoas, os decaimentos, os lutos, as lutas, os sorrisos, os amigos que fiz e os que perdi ,os momentos bons e ruins. Nossa história.

E não vou me arrepender de nada, pois foram todos esses momentos que fizeram com que todos esses anos valessem a pena. E vou agradecer muito a Deus, por ter me dado, Bella. Ela foi o meu milagre– talvez minha redenção- em todos os momentos ela esteve sempre na minha vida – enxugando minhas lágrimas ou me chamando de amor-.

Eu só tenho a agradecê-la por tudo. Um dia contaremos nossa história aos nossos filhos e diremos a eles o caminho que percorremos para estarmos juntos.

Precisei cair no fundo do poço, para perceber que há sempre uma luz no final do túnel.

Que amor não é apenas um adjetivo nos contos de fadas – medievais-. É um sentimento puro, nobre que sobrepuja qualquer outro. Uma via de mão dupla.

Eu encontrei esse amor. Um amor puro e perfeito que conseguiu me renovar. Um amor que destruiu barreiras e me salvou.

Bella e Edward... Edward e Bella duas almas que habitam um só corpo e um único bater de coração.

“Somos como madressilva quando se enrola a volta do ramo da aveleira: uma vez a ela ligada e presa, ambas podem durar juntas eternamente, mas, se as querem separar, a madressilva morre em pouco tempo e o mesmo sucede à aveleira. Tal é o nosso caso: nem vós sem mim, nem eu sem vós!”

(Tristão e Isolda)

FIM

Notas finais
Oh Deus... Nem acredito que Only For Love, chegou ao fim. Essa short, que a principio seria uma one foi uma das estórias mais prazerosas que tive a oportunidade de escrever.
Fico muito honrada quando vocês me dizem que conhecem ou conheceram uma, Bella assim. Essa é uma estória igual a tantas que vemos por ai. Quantas pessoas caem no mundo obscuro das drogas, por que algo em sua vida não esta bem? Quantas pessoas também amam tanto a outra a ponto de se sacrifica? Todos nós também já perdemos alguém que amamos, sei que é difícil seguir em frente, mas o tempo cura tudo- a dor não passará, mas ira diminuir- e quem sabe um dia, você passa a olhar aquela fatalidade não com tanta dor, mas sim com doces lembranças?
Tantas Bellas e Edwards nesse mundo precisando de uma palavra amiga ou uma mão estendida... Só posso desejar o final feliz para cada um, no fim.
Enfim... Muito obrigada, por não me abandonarem sei que demorei, problemas pessoais, word com problema, etc...-. Obrigada, por gostarem do que eu escrevo e sempre comentarem e acompanharem.
Obrigada pelas palavras de carinho a cada vez que eu pensei em desistir mesmo que involuntariamente-.
O caminho que percorremos aqui foi longo e árduo, mas chegamos ao fim...
Sim, esse é definitivamente o "FIM de OFL.
Espero que tenha suprido as expectativas de vocês. E se não tiver suprido me desculpem! Dei o meu máximo nisso aqui.
Deixe-me saber do que acharam do final- comentem *u*
Até a próxima?!
Beijos!!
Priscila =}
Você chegou ao fim do livro. Parabéns!