Short-fic Only For Love (Concluída)
5 All These Lives
Notas iniciais
Como estão?! Espero que estejam ótimas *-*
Muito obrigada por cada review, ainda ñ respondi, mas assim que tiver um tempinho, responderei aos poucos.
Essa fic já esta completamente terminada aqui no meu pc, só depende de vocês quando o próximo capitulo será postado.o/
Ah...Nova Shot, mas só será postada quando essa aqui terminar (o q depende de vocês :) ) https://www.fanfiction.com.br/historia/199932/Plus_Que_Ma_Propre_Vie
Obrigada a yarabastoss e BeeGommes pelas recomendações. Meninas dedico esse capitulo a vocês.
Enjoy...
ALL THESE LIVES
‘’Nem tudo o que enfrentamos pode ser mudado. Mas nada pode ser mudado enquanto não for enfrentado. ’’
(James Baldwin)
Eu corri, não sei por quanto tempo e nem ao certo para onde, mas eu sei que corri muito, senti minhas pernas fraquejarem, e cai.
Levantei novamente sentindo o ardor dos meus joelhos ralados se propagarem. Olhei para trás e graças aos céus não tinha ninguém me seguindo.
Como estaria o meu Edward depois da pancada forte?! Eu não me perdoaria nunca se eu fosse à culpada por sua morte.
Eu entendia os motivos dele agir assim, não o julgava e ficava possessa quando alguém o fazia.
Edward perdeu a mãe, a irmã e a sobrinha que amava e fora o único sobrevivente dessa terrível tragédia que saiu em noticiários de todo o país, o apontaram até como suspeito do acidente, já que seria o único herdeiro dos Cullen. Seu pai o condenava. Além de tudo, Carlisle jogava na sua cara que se arrependia profundamente tê-lo adotado.
Meu namorado se sentia ferido mortalmente todas as vezes que o seu pai cuspia isso em sua cara. E para falar a verdade eu também.
Afinal se a pessoa que mais amamos sofre nós sofremos sua dor igualmente. Eu sofria e sentia a dor dele.
Muitos poderiam me julgar por eu viver nessa vida maçante, mas sem Edward a minha vida não teria sentido.
Ele me ensinou o verdadeiro significado do amor, me deu o presente mais lindo e maravilhoso que alguém poderia me dar. Meu bebê.
Por eles eu faria o que fosse possível e o impossível, nem que para isso me humilhasse para Carlisle ou pedisse ajuda para Charlie, afinal para que servia ser tão influente e ter vários conhecimentos?! Ele num estalar de dedos poderia nos arranjar uma casa de repouso para Edward passar uns dias.
Segui pelas ruas conhecidas por mim mecanicamente, eu nem prestava atenção por onde eu passava, mas eu tinha um propósito e chegaria nele, mesmo como as minhas pernas gelatinosas eu teria que chegar...Logo.
Toquei o interfone dos grandes portões de ferro preto, logo uma das empregas atendeu.
–Residência dos Swan . – eu não conhecia a voz do outro lado da linha, com toda a certeza deveria ser empregada nova.
– Oi... A senhora Renée, ou o senhor Charlie estão?! – minha voz estava trêmula assim como todo o meu corpo.
–Se a senhorita está procurando algum tipo de donativos deverá se dirigir ao escritório que fica mais para o centro da cidade. –claro ela tinha me visto pelas câmeras de segurança.
–Não, eu não quero donativos eu...
–Senhorita o que quer então?! Se for emprego, digo novamente que o escritório...
–VOCÊ NÃO ESTÁ ENTENDEDO?! – eu odiava gritar com quem quer que fosse, mas aquela senhora estava deixando-me com os nervos a flor da pele. – Eu sou Isabella Swan, e quero entrar em minha casa senhora.
–Oh... Perdoe-me por não reconhecer à senhorita.
Óbvio que não reconheceria à senhorita Swan Dwyer, naquele jeans surrado, cardigã simples e cabelos desalinhados. Para uma filha de um senador importante eu estava simplória demais.
Eu costumava a ser a verdadeira menininha do papai, só frequentava a mais fina flor da sociedade, apenas vestia roupas de marcas, assim como os carros, todos importados.
Não respondi estava cansada demais para isso.
–Lady Swan... Perdoe-me, por favor!
Só então percebi que a voz do interfone era a mesma que agora estava ao meu lado.
Assenti.
–Onde está minha mãe?! – perguntei entrando pelo imenso jardim da mansão.
–Está no jardim de inverno tomando seu chá habitual, vais fazer companhia para ela?!
–Sim... — murmurei. –Não precisa acompanhar-me, sei o caminho.
Segui para o jardim de inverno mesmo com passos trôpegos, rapidamente avistei Renée sentada bebericando um chá enquanto lia alguma revista de fofoca, era típico dela.
Ela dizia que tinha que ficar a par das noticias locais e da sociedade.
O jardim estava impecável e perfeito como sempre, Renée em sua elegância parecia ser apenas mais um acessório naquele lugar.
–Oh... Isabella querida! – levantou-se de sua cadeira assim que me viu. — Não aparece aqui há tanto tempo. Que surpresa.
Abriu os braços puxando-me para um rápido abraço.
–Então filha como você estar?! E o seu relacionamento com aquele...Como anda?!
Eu não tinha tempo para isso, seria questão de horas até Edward acordar e se ver enjaulado, ele sempre odiou ficar trancado, eu tinha feito isso, além de lhe dar uma pancada em sua cabeça. Pode acreditar eu estava sentindo aquilo mais do que ele.
–Eu preciso da sua ajuda.
–Sabe Isabella, eu sabia que mais cedo ou mais tarde você precisaria. – falou com toda aquela empáfia que dona Renée tinha.
Engoli aquilo com uma imensa vontade de chorar, eu estava passando por tantas coisas em minha vida e minha mãe seria a pessoa que deveria me apoiar sempre, mas como eu não era mais a sua bonequinha de porcelana que ela fazia tudo o que queria comigo, me tratava com indiferença. Às vezes eu achava que Charlie era melhor comigo do que ela.
–Eu...Eu não consigo sozinha mãe, preciso de ajuda.- malditos hormônios que faziam as lágrimas caírem impiedosamente.
–Isabella, ser for algo a ver com o seu namorado, não conte comigo. – falou calmamente tomando mais um gole do seu chá.
–Mãe, ele não tem culpa de nada, por favor!
Ela nem olhava mais para mim, então simplesmente mudei o foco do meu pedido de socorro.
–Liga para o Charlie, meu pai vai me ajudar.
–Não vou incomodar o meu esposo com esses aborrecimentos. Você escolheu isso. – cuspiu as palavras.
–Aborrecimento?! Eu sou filha de vocês. Precisam me ajudar, eu não posso viver do jeito que tá, isso vai acabar matando o homem que eu amo.
– Você é só uma menina Isabella, encontrará outro amor .- falou com deboche. – Só estar fazendo isso para afrontarmo-nos, a mim e ao seu pai. Temos uma imagem a zelar. – comentou.
–Imagem a zelar?! SEMPRE foi isso que importou para você. SEMPRE me tratou como alguém que não tinha vontade própria, VOCÊ nunca perguntou como eu me sentia VOCÊ Renée só pensa em imagem, fingi que me ama, mas no fundo sempre me tratou com indiferença. Por que quando eu nasci, o Charlie me dava atenção.
–Abaixe o tom de voz, por que essa é minha casa. Não fale o que você não sabe Isabella, eu só queria o seu bem, toda mãe quer isso para seus filhos.
–Você nunca me amou de verdade, acha que eu não via o jeito que me tratava?! Você nos largava sozinhos com a babá, não brinque com a minha sanidade mental dizendo que era mentira. – Respirei fundo, sabendo que não adiantaria argumentar com Renée, pois era um caso perdido.
Olhou para mim com desdém.
–Edward foi o único que me amou de verdade.
–SE DROGANDO E BATENDO EM VOCÊ?- saiu da sua pose de grande dama da sociedade.
–Olhando para mim, como se eu fosse a jóia mais preciosa que ele tem, me amando como se eu fosse à única mulher da face da terra, segurando minha mão como se dissesse estou aqui.Ele não é culpado por usar essas malditas coisas, Edward é apenas uma vítima disso.
Levantou-se levando as mãos aos bolsos da sua calça preta de chiffon, como sempre a senhora Swan elegante com uma blusa de seda branca impunha a sua arrogância e altivez.
–Olha aquelas bromélias não estão fabulosas? Veio do Brasil, o paisagista as trouxe pessoalmente – falou com excitação.
Ela estava mudando de assunto?! Fiquei pasma.
Parecia uma verdadeira atriz, só que ela não estava num teatro onde no final, as cortinas se fecham as caracterizações dos personagens são tiradas e guardadas para o outro dia.
–Mãe...- eu não estava mais me importando em chorar, eu já estava humilhada demais. – Por Deus... Ajuda-me apenas desta vez eu te ...Imploro depois eu sumo da sua vida.
Voltou a olhar para mim, como sempre o olhar da dona Renée era indecifrável.
– Não quero que suma da minha vida... – sussurrou.- Se for a você eu ajudo, a ele não. O Edward tem pai Isabella.
–Mas Carlisle o odeia...Eu só tenho a você e ao papai.
–Pois não conte comigo também, desculpe.
Senti meus ombros pesarem, sentei derrotada.
–Se não for por nós, que seja pelo menos... Pelo seu neto... –seus olhos estavam injetados de surpresa.
–Você está grávida Isabella Marie?! – seu olhar inquiridor por um momento me fez sentir vertigem.
–Sim, mãe, estou, por favor, não me julgue por isso. – as malditas lágrimas, caiam sem a minha permissão.
Num átimo minha mãe, estava ao meu lado ajoelhada com as mãos em meu joelho acarinhando o local.
–Quanto tempo filha?!
Respirei fundo antes de responder, toda aquela onda de sentimentos desestruturados me deixavam enjoada.
–Nove semanas. – respondi baixinho.
Se não fosse trágico sua cara de pânico seria cômica.
–Nove semanas?! Isabella isso é mais do que dois meses...Já foi ao médico?! – seu rosto agora era visivelmente preocupado.
–Pode parecer irresponsável da minha parte, mas ainda não fui ao médico, eu sei que tenho que fazer o pré-natal, mas não tive tempo e coragem de ir sem o...
–O Edward. – falou me interrompendo. Podia jurar que sua voz continha um pingo de aguilhoamento. – Por que você não contou para ele?
–Hoje eu estava disposta a contar para ele, só que...Ele...Ele não está bem. – olhei em seus olhos azuis, e os vi marejados.
–Eu sofro a cada dia, sabendo de como você vive filha. Você vai ser mãe, saberá como é essa dor de ver a pessoa que você mais ama nesse mundo, apanhar, sofrer privações, me bate uma revoltar... Por que você como uma garota instruída sabe que viver desse jeito além de compactuar com a violência é desumano demais. Você deveria dar um basta...
–Eu o amo, Edward não era assim mãe...
–Sei disso querida, me promete que vai se cuidar?! Que vai ao médico?!
Resumir-me a apenas a assenti.
–Mãe...
Eu já ia lembrar-lhe o verdadeiro assunto pelo qual eu fui a sua procura.
–Eu vou lhe ajudar Isabella, por você e pelo bebê... – tocou levemente em minha barriga.
Pela primeira vez naqueles dias, sorri de felicidade, minha mãe que é sempre fechada num mundo só dela, estava contente por ser avó, dava para sentir pela conotação da sua voz.
–Vou acionar alguns contatos e vamos internar o Edward filha.
–Obrigada mãe. – agarrei o seu pescoço e salpiquei de beijos o seu rosto de porcelana perfeitamente maquiada.
Ela saiu por uns instantes da sala, e eu fiquei ali sozinha apenas admirando a fonte de água, parecia bobo, mas aquilo me hipnotizou por momentos, me tranquilizava ver a água límpida saindo da estatueta de anjinho e como se fosse um milagre voltar para a torrente que havia ali.
Talvez fosse o meu cansaço mental e físico, o desgaste que eu estava sofrendo dos dias maçantes que estava tendo ao lado do Edward, mas eu não me arrependia, absolutamente, eu o amava, Edward foi o único que se importava verdadeiramente comigo, cuidava de mim, não será agora que o deixarei de lado, o jogarei para o escanteio, apenas por que ele esta passando por um momento difícil em sua vida....Eu tinha que ajudá-lo, nem que para isso eu me ajoelhasse aos pés de quem quer que fosse.
Minha mãe chegou vagarosamente, tirando-me dos meus devaneios.
–Isabella?! Já falei com o Charlie... Ele passará o endereço a clínica eles farão a internação de Edward agora, ele está em casa?!
Assenti com o coração doendo.
–Eu o tranquei.
Ela abriu a boca, mas enfim calou-se, segurou em meu braço e seguimos em direção à saída da mansão.
–Desculpa filha se eu fui dura com você, mas queria que você tivesse um choque de realidade.
Não respondi, limitei-me a entrar no carro, e sentar-me com a minha mãe ao meu lado vidrei os olhos e comecei a olhar a passagem por entre a janela.
Eu precisava ser forte, por mim, por ele e pelo nosso bebê, levei minhas mãos até a barriga, acariciando o local.
–Mãe?! – chamei sua atenção.
–Sim. – respondeu olhando para mim.
–Antes eu quero ir falar com Carlisle.
–Isabella, não acho uma boa ideia, o Carlisle ultimamente não é o mesmo e... – interrompi.
– Pelo menos eu quero tentar.
Concordou.
Renée pediu para o motorista mudar de rumo, iríamos à clinica do meu sogro primeiro.
O caminho foi tortuoso. Meus pensamentos estavam todos em Edward machucado no chão da cozinha, ele poderia estar mal.
Deixei uma lágrima solitária cair com aquele pensamento.
Retrair-me ao sentir um par de mãos encostarem-se a minha barriga, num afago.
–Isso não faz bem para o bebê Isabella. – comentou minha mãe.
–Desculpa. – falei entre o meu choro.
–Você não tem que se desculpar, esse bebê será muito amado, Charlie vai ficar maluco quando souber que será vovô. – falou Renée com excitação.
–Não é sobre isso mãe... Eu abandonei tudo, você esta desapontada comigo, nada mais justo que não queira me ajudar, não precisa fazer isso.
–Oh filha... São os hormônios. – ela riu. – Eu estou fazendo isso por você, pelo meu neto, e pelo Edward também, ele sempre foi um bom garoto, o que eu acho errado nele é só essas coisas de entorpecentes que ele usa e depois te machuca...Mas também entendendo o quanto ele adorava a Esme e com esse acidente de uma certa forma ele se viu como culpado. Contudo isso não justifica ele virar um drogado.- ressaltou.
Eu ia abrir a boca para falar, mas ela não deixou.
–Porém eu entendo a dor dele, e a sua ao vê-lo assim.
Meu corpo estava cansado, eu estava me sentindo exausta com tudo e por tudo, num átimo e sem que eu percebesse estava com a cabeça no ombro de Renée enquanto aproveitava o seu carinho.
O trajeto até a clínica foi rápido, o carro estacionou em frente do imponente local, sai com a minha mãe logo atrás de mim.
Estremeci assim que vi a faixada ‘Clinical Center Dr. Cullen’s’ , desde que ele expulsou Edward de casa, eu não tinha visto Carlisle, apenas uma vez falei com ele por telefone, mas ele foi rude comigo ao dizer que não tinha nenhum filho.
A clínica estava do mesmo jeito que eu lembrava sofisticada e luxuosa, apenas pessoas da alta sociedade a frequentavam.
Como um homem instruído como Carlisle culpava o filho por algo que ficou mais do que comprovado que foi um acidente?! Eu via o desprezo de Carlisle com Edward antes de ele o expulsar da mansão.
Mas eu estava com ele a cada pesadelo que ele tinha, eu estava lá quando do nada Edward começava a chorar encolhido na cama como uma bola, eu ouvia suas histórias de quando era criança e Esme lhe fazia doces de amendoim, que só ela sabia fazer, o sorriso da irmã e da sobrinha preenchendo a casa. Eu lhe entendia, compreendia que ele já se sentia culpado demais, aí o pai, que para ele era o seu super herói lhe dizia que maldita hora que a esposa escolheste o seu algoz para adotar.
Edward estava tão frágil, triste, abandonado. Será que ele não via o mal que estava fazendo ao seu filho?! Por Deus Edward era apenas mais uma inocente vítima da fastidiosa sociedade feroz.
O ódio que Carlisle depositou em Edward o fez desmoronar, qualquer pessoa passaria por isso. Meu amor estava quebrado.
Edward não conseguiria sozinho ou eu ajudava ou então em breve o perderia. E poderia parecer até egoísta da minha parte, mas estava fora de cogitação viver sem ele. Eu não suportaria.
Na recepção sorri para a senhora conhecida.
Assim que Selena levantou o olhar e encarou a mim e a minha mãe, ela sorriu largamente para nós.
–Oh...Meu Deus queridas, quanto tempo.
–Muito tempo mesmo. Como vai Selena?! – perguntou Renée.
–Estou bem... E vocês? – Selena saiu da recepção para nos abraçar.
Contou-nos sobre a rotina péssima, diga-se de passagem, de Carlisle que ia para o hospital de madrugada e que só ia para casa dormir, ou apenas se arrumar como disse a Sel.
Disse também que meu sogro não era nem a sombra que é hoje. Vivia trancado em copas, praticamente não conversa com ninguém e quando conversava era um pouco ríspido.
Ele também está sofrendo! Cada um tem um jeito de sofrer diferente. Tem gente que chora, tem os que não choram, tem os que adoecem, tem os que apenas sentem, tem os que entram em choque, outros que perdem a razão. Cada pessoa tem um jeito de demonstrar seu sentimento, e o do Carlisle foi entrar em choque com a perda e descontar a sua dor nas pessoas que estavam ao seu redor.
Mesmo sem a senhora baixinha me anunciar, segui para a sua sala e bati na porta, dei dois toques e esperei até ouvir um sutil entre.
Não vou mentir ao dizer que não me sentir intimidar pelo olhar mortífero que Carlisle lançou-me quando adentrei pela porta, mas seu olhar me mostrou algo interessante também. Sofrimento.
–Carlisle. — sussurrei seu nome. Minhas emoções estavam à flor da pele e eu estava com receio da sua recepção para comigo.
–Isabella... – levantou-se da sua cadeira vindo em minha direção com os olhos fechados em fenda. – O que faz aqui?!- perguntou com acidez.
Se ele foi direto, eu é que não faria firulas.
–Bem... Carlisle, eu preciso da sua ajuda... –cruzei meus braços no peito, protetoramente.
Ele não me deixou nem continuar, interrompeu-me com frieza.
–O que é que você quer aqui?! Diz logo que eu não tenho tempo a perder.
–É com o Edward, ele esta passando por um momento difícil e eu quero que você converse com ele.
–Por que eu faria isso? – disse impassível com os braços cruzados no peito. Do mesmo jeito que eu estava anteriormente.
Tomei folego e caminhei até ele com cuidado para não acabar tropeçando nos meus próprios pés, minhas mãos suavam, eu tinha que tomar cuidado, eu não podia pisar em campo minado, Carlisle estava tão machucado quanto o meu namorado.
–Que tal...Por que você é o pai dele?! Carlisle seu filho esta passando por um momento tenso...E...
–E nada Isabella. Aquele garoto não vale a pena.
–Ele está sofrendo tanto. — lá estavam as malditas lágrimas, insistentes que banhavam meu rosto.
Carlisle balançou a cabeça e riu com escárnio.
–Sofrendo?!... Poupe-me Bella. — falou em uma lufada de ar. — Ele MATOU a mulher que o criou, a mulher que o considerava o melhor irmão do mundo e a garotinha que o tinha como um verdadeiro pai.
–Carlisle, você não sabe o que está dizendo. – levei a mão até a minha boca, para espantar o horror que eu estava sentindo. Eu nunca o tinha visto dizer que Edward era o verdadeiro culpado pela morte das três pessoas que ele amava, eu estava na hora que ele o expulsou, mas o que presenciei foi que mandou que Edward fosse embora, pois ele não suportava mais olhar na cara do filho, meu namorado mais tarde me contara o motivo.- você o culpa quando na realidade o único culpado foi a fatalidade. Por Deus você sabe tanto quanto eu que isso foi um acidente.
–Hm...Um acidente?! – riu com deboche. — Um acidente onde ele foi o único sobrevivente em meio à morte da mãe, irmã e sobrinha. – falou fazendo uma careta de zombeteiro.
Suspirei derrotada, parecia que os meus ombros tinham uma tonelada. A única coisa que poderia ajudá-lo nesse momento seria o pai, mas este nem queria ouvir falar dele.
–O Edward vai morrer se continuar assim... Ele anda com pessoas obscuras. — murmurei.
– O Edward não é um fantoche minha cara, para ser manipulado facilmente, ele entrou nessa merda toda por que quis. – falou com escárnio. Seguiu para a sua mesa, abrindo uma gaveta, onde tirou um talão de cheque.
–Por favor! – balbuciei, olhando-o com cautela. – apenas uma palavra com o seu filho.
–Edward não vale a pena menina, ele matou a todos os quais ele dizia amar, você acha que aquele monstro será diferente com você?! – falou com sarcasmo, estendendo um talão de cheque para mim.
–ELE NÃO É UM MONSTRO...MONSTRO É VOCÊ CARLISLE QUE HUMILHA E QUE AMALDIÇOA SEU FILHO, CULPANDO-O DE ALGO QUE ELE NÃO TEVE CULPA E VOCÊ SABE. – Vociferei.
–Esme, Rosalie e a Kathy infelizmente estão mortas, mas o seu filho AINDA esta vivo.
–Toma esse cheque, tem uma quantia razoável para vocês se manterem, até um de vocês arrumarem um emprego.
Peguei o cheque das suas mãos, nem olhei a quantia que havia ali.
–Eu não quero a merda do seu dinheiro. – estendi o pedaço de papel e piniquei em alguns pedaços jogando-os em sua mesa.- Eu vim aqui apena, te dizer que eu vou internar o Edward em uma clínica de reabilitação. – cuspi.
Deu de ombros.
Respirei fundo tentando engolir todo o seu descaso, mas o meu coração pedia para que eu falasse tudo que estava entalado em minha garganta.
–No dia em que ele se formou na faculdade, ele me confessou todo o orgulho e felicidade em estar se formando numa área nunca exercida pela família Cullen...Ele seria o primeiro, se sentia mais contente porque o pai o apoiava plenamente... — comecei a discorrer enquanto as lágrimas salgadas me faziam companhia. – Os olhos do Edward brilhavam cada vez que ele proferia quem era o seu pai. No dia em que ele acordou no hospital, e você o destratou... Se você tivesse visto o seu olhar...
Minhas pernas tremiam, sentei no primeiro lugar que eu encontrei, era uma cadeira marrom de frente para a sua mesa, antes que as emoções falassem mais alto e eu passasse mal.
–Você está bem Bella?! –sua voz parecia preocupada.
Não lhe respondi e continuei em meio ao meu choro.
– Edward pediu a morte todos os dias naquele hospital, quando saiu de lá tentou de todas as formas acabar com a própria vida....Uma vez ele estava com uma arma na cabeça... Ele tinha tirado a arma do seu escritório e você nem se deu conta disso... Eu tive que apelar para tudo, tudo inclusive dizer que se ele fizesse isso, logo em seguida eu faria o mesmo, por que ele é o homem que eu amo.
O olhar impassível de Carlisle fora quebrado.
–Bella...
Um soluço alto brotou da minha garganta que há tempos estava engasgado.
–Edward deseja a morte diariamente quando se droga e chega em casa maluco acreditando que matou as pessoas que ele mais amava. Ele não sente raiva de você Carlisle, ele se odeia por você odiá-lo.
Depois de inúmeros segundos em silêncio, Carlisle aproximou-se de onde eu estava, segurou forte as minhas mãos e levantou meu rosto para que eu pudesse olhá-lo.
–Em qual clínica de reabilitação?!- pigarreou.
Ele estava fazendo isso para apenas me fazer calar e eu ir embora, ou estava realmente preocupado com o Edward?! Eu queria apenas que ele falasse com o filho.
– Na Fazenda path of light, no estado vizinho em New Bedford se eu não estiver enganada...Charlie disse que lá tem uma ótima especialização... Foi ele quem contatou os serviços de lá.
–Hmm....
–Por que você o odeia?!
–Não odeio...O meu filho.- sussurrou. –Apenas me enfurece o fato que ele estava no acidente.
–Você o trata tão mal.- cuspi.
–Não me entenda mal menina.- suspirou. – mas eu preferia morrer a minha família ter passado...A minha doce Esme e....- ele fazia um esforço sobre humano para falar, mas sua voz estava embargada, ele falava baixinho, como se a qualquer momento fosse desmoronar.
–Eu te entendo Carlisle.
–Quando ele será internado?! – perguntou, mas seu pensamento estava longe.
–Hoje... A cada dia que passa as coisas ficam piores, ele chega drogado querendo dinheiro e quando não acha ... Acaba fazendo besteira, para em seguida se arrepender.
–Quais besteiras?
–Ele...Ele me...
–Já entendi filha. Ele bate em você?
Balancei a cabeça lentamente, e mordi os lábios tentando conter que um soluço brotasse.
–Eu não aguento mais Carlisle. – lá estavam novamente, minhas lágrimas grossas manchando, todo o meu rosto e fazendo-me soluçar.
–Oh...Deus Bella, como ele pode fazer isso, Edward te venera...Te ama.
Eu sabia disso, bastava olhar a dor que havia em seus olhos quando o efeito das drogas iam embora e ele cuidava de mim.
–Eu tenho aguentado tudo, tudo quieta, mas não vou por o meu filho em risco...Ele também não se perdoaria depois se algo acontecesse com o nosso filho.
–Filho?! – sua voz continha uma ponta de estímulo.
–Humhum... Um filho do Edward. – apenas lembrar que eu teria um filho do homem que eu amava enchia o meu coração em pedaços de alegria.
–Você...Edward...Um bebê?! – suas palavras incoerentes chicoteavam meu rosto como sinal de aprovação. Meu coração me dizia que Carlisle estava deixando de ser um tolo em afastar-se do seu filho.
Sem ao menos pronunciar uma palavra, o senhor Cullen segurou minha mão direita impulsionando-me a levantar. Por um momento verdadeiramente pensei que ele me expulsaria da sua sala e praguejaria amaldiçoando ao meu filho também, já que o seu olhar era uma incógnita para mim.
Porém, ao contrário do que eu imaginei, Carlisle me surpreendeu ao guiar-me até a recepção e pedido para que a Selena remarcasse todos os seus pacientes para o outro dia, pois agora ele cuidaria de questões familiares. Se os motivos não fossem trágicos pelo menos para mim, eu pularia ali mesmo de contentamento. Carlisle iria conversar com o Edward.
Deus...Espero que Carlisle não o quebre mais.
Seguimos em silêncio pelas ruas não tão movimentadas da cidade, meu coração martelava potente e dolorido que resultavam em zunindo em meus ouvidos. Edward iria me odiar, mas se eu não fizesse algo iria perdê-lo, e se isso me acontecesse não ficaria muito tempo nesse mundo.
A rua simples onde eu morava ia se despontando pela estrada.
O motorista de Renée pediu-me as coordenadas e eu lhe ditei. Rapidamente estávamos na porta da minha casa.
Renée e Carlisle pediram para que eu tomasse cuidado, já que Edward certamente deveria estar raivoso pelo que eu fizera. Eu havia contado esse episódio para eles no carro. Charlie não poderia estar já que ele estava em uma viajem com o meu irmão, mas em apenas dois telefonemas resolvem tudo sobre a internação do meu namorado.
Minha mãe e o pai de Edward esperariam atentos a ambulância do lado de fora, para nos dar alguma privacidade.
E só nos interromperiam se ouvisse algo suspeito, ou até que eu os chamasse.
Saquei as chaves da casa ligeiramente e enfiei na fechadura, girei lentamente receosa.
Entrei com passos cadenciados e voltei a fechar a porta, obviamente sem a chave.
Varri meus olhos pela sala, e ele não estava mais lá, a pancada não havia sido muito forte. Agradeci aos céus por isso.
–Edward?!- o chamei audivelmente, mas não houve resposta.
Como a casa era apenas um vão dava para ver que não havia ninguém na cozinha e tampouco no banheiro já que a porta estava aberta totalmente. A única coisa que era nítida era a bagunça daquela deplorável situação do dinheiro.
Segui para o quarto, a porta estava entreaberta apenas uma frecha de luz saia do pequeno banheiro que havia ali.
–Edward?! Você está ai?! – perguntei, enquanto andava cautelosamente até o pequeno cômodo.
–Estou. –sussurrou baixinho, mas alto o suficiente para que eu ouvisse.
Apressei-me em entrar, mentiria se dissesse que não estaria com medo, eu o machuquei o mais provável é que ele estivesse morrendo de ódio de mim, mas não foi isso que eu encontrei.
Eu o encontrei sentado no chão do banheiro debaixo da água que caia do chuveiro de roupa e tudo não era o meu Edward, era um homem quebrado, despedaçado.
Fechei o chuveiro e me ajoelhei ao seu lado. Seus olhos estavam vermelhos como se ele tivesse chorado bastante.
Chequei sua cabeça para ver se não havia hematomas ou algo do tipo.
–Amor?! Desculpa. — segurei seu rosto entre as mãos.
Ele apenas assentiu, sem olhar-me nos olhos, o mar azul dos seus orbes estavam vazios.
Meu coração doía por vê-lo assim.
–Vem Edward...Levanta.
Obriguei minhas pernas gelatinosas à ficarem de pé e segurei em suas mãos para ajudá-lo a levantar.
Tirei sua calça junto com sua boxer ambas molhadas e a camisa e o enrolei com uma toalha e seguimos para o quarto, as pernas do meu namorado estavam trêmulas, então ele se apoiou em mim antes de sentar-se na cama.
–Você esta se sentindo bem?! –perguntei, já que sua expressão era de pura dor.
–Eu machuquei você amor?! – sua voz estava embargada. Seus olhos cravaram-se nos meus, como se ele quisesse ler o que passava em minha alma.
Edward puxou minha cintura, pousou a cabeça em minha barriga e segurou minha mão, cruzando os nossos dedos, a minha mão livre voou para os seus cabelos macios.
–Não, você não me machucou. – confessei, sentindo em meus dedos a pequena protuberância que tinha em sua cabeça.
–Preciso contar algo a você. – olhei em seus orbes para antever sua reação.
–O que é?! – perguntou desconfiando.
–Edward...Eu...Bem...Nós vamos ter um bebê. – conseguir falar depois da minha crise de gagueira.
–Um bebê?! – sua testa enrugou-se criando um vinco em sua testa.
–Sim Edward... Quer que eu te explique como foi?!- falei tentando quebrar um pouco o clima.
–Eu vou ser pai?!
–Hmhm...
–Tem um bebê aqui...- ele sussurrou mais para ele do que para que eu ouvisse, espalmou as mãos em meu ventre e a olhou com admiração e cheio de sentimentos.
Seus olhos estavam marejados, assim como os meus. Ele contemplou-me com um sorriso que iam até os seus olhos, aquele sorriso enchia meu coração de luz.
Edward abraçou-me, agarrou meu corpo e encheu de beijos minha barriga.
–Oh...Meu Deus, eu vou ser pai. – segurou meu rosto e escovou seus lábios nos meus.
Conversamos mais um pouco sobre o neném, de quantos meses eu estava e por ai vai. Seu rosto estava sereno, meu namorado estava feliz.
Ficamos por um breve momento em silêncio, aproveitando o carinho do meu namorando em meu ventre. Até que ele quebrou o silêncio e o nosso momento.
–Tem certeza que não machuquei você?!
Assenti.
–Por um momento pensei que tivesse feito... Para aonde você foi?! – seus orbes encontraram os meus.
"Às vezes, é preciso ferir para poder ajudar."
–Pedir ajuda. – admiti.
–Hãm?! – Soltou-me para olhar-me com confusão.
–Eu...Pedi ajuda para os nossos pais.
–Como?! Por que você fez isso?! Merda Bella... Eu sei... Que...
–Não aguento mais essa vida, Edward, estou cheia dessa droga dessa vida... Não suporto mais viver numa porra de uma relação aonde eu sou maltratada, onde eu tenho a porra do medo quando você sai e tenho medo que você volte drogado ou bêbado e me bata...Não vou suportar mais isso...Ou você se trata, ou eu juro que eu vou embora.
Levantou da cama em um salto olhando-me com raiva.
–Bella... –ofegou. — Eu não farei mais isso... Eu nem sou VICIADO PORRA... — respirou fundo. — Me ouve... Eu posso parar a hora que eu quiser... Eu vou parar.
–Não, você não vai parar você precisa de ajuda. — retruquei.
–Olha meu amor, eu prometo que nunca mais farei isso. – segurou em meu rosto, com as duas mãos e escovou seus lábios nos meus.
–Edward...
–Bella eu te amo porra, não quero ficar longe de você e outra eu decidir parar e...
–Até quando Edward?! Até o dia amanhecer?! Ou até quando o Jacob e o Paul vierem te chamar?! Não vou por a nossa vida em risco.
Ele andou no quarto de um lado para o outro, o seu olhar era de pura indignação, cólera.
–O que você quer dizer em pedir ajuda?!
–Eu pedir para os meus pais para te internarem numa clínica de reabilitação. – declarei.
–COMO VOCÊ FAZ ISSO PORRA?! EU NÃO VOU A LUGAR NENHUM. – Esbravejou.
–Não vou continuar com você se não se tratar.
O abajur e mais algumas coisas que haviam ali no criado-mudo foram arremessados contra a parede.
Pulei de susto com a atitude agressiva dele.
–O que você esta fazendo Edward?! –perguntei apreensiva.
–EU NÃO VOU PARA A MERDA DE UM CENTRO DE REABILITAÇÃO.
–Nem pelo nosso filho?!
–Bella...Eu vou me regenerar, juro que não farei mais nada. Cuidarei de você e do nosso filho...Vou procurar um emprego...
–Tudo bem Edward... Tudo bem.
Num átimo meu namorado estava ao meu lado sentado na cama, Edward deitou a cabeça no meu seio enquanto suas mãos alisavam freneticamente minha barriga ainda plana. Puxando-me para que nós nos deitássemos.
Foram minutos até o meu namorado ser vencido pelo cansaço e acabar cochilando enquanto eu acariciava seus cabelos.
Assim que sua respiração tornou-se mais pesada, o afastei um pouco de mim, saindo dos seus braços.
Fiquei alguns segundos olhando-o sentindo como se o tivesse traindo, mas isso era por ele e o nosso bebê.
–Aonde você vai amor?! –perguntou com a voz rouca quando já estava próxima a porta.
–Eu...Vou beber um pouco de água. – menti.
–Volta logo amor.
–O mais rápido que eu puder. -Sussurrei segurando para que o maldito soluço não ecoasse pelo quarto e que as malditas lágrimas não descessem.
Desci os poucos degraus devagar e implorei a Deus para que eu não caísse. Assim que desci as escadas além de mamãe e Carlisle, haviam dois enfermeiros. Deduzi por suas vestimentas brancas e um médico que eu conhecia da casa de Charlie.
Eu fiz sinal para que eles fossem para o quarto e assim o fizeram. Eu o estava traindo dizendo que iria pegar algo na cozinha enquanto na realidade estava mandando-o para longe de mim.
Ouvi um burburinho no quarto, mas minhas pernas não me permitiram ir, ouvi apenas Carlisle o chamando de meu filho. O que para mim, já era uma contrapartida.
Edward gritava pedido para que eu não deixasse levá-lo, mas eu tinha que nos salvar.
–Bellla... Bella... Meu amor deixe-me ficar com você e o nosso filho eu vou mudar juro. – sua voz aproximava-se da sala preenchendo todo o ambiente. Era desesperador.
Havia um enfermeiro a cada lado seu, Carlisle e o médico vieram pouco tempo depois.
–Eu amo você Edward...- toquei o seu rosto, como uma criança carente ele dobrou o rosto para receber o carinho, me odiei por deixá-lo, mesmo que fosse para o seu bem.
–Nós temos que ir senhorita, a estrada as escuras fica perigosa. – comentou o médico bem apessoado atrás dos homens fortes da clínica.
Assenti.
–Bella...Por favor. – Edward não fez força com os homens, mas seus olhos me imploravam por confiança.
Confiança essa que seria quebrada todas as vezes que ele saísse de casa.
–Por favor, por favor... – fechei os olhos e falei aos sussurros. – cuidem dele por mim.- falei assim que eles se puseram próximo à porta.
Edward não olhou para mim, mas de relance vi lágrimas brotarem dos seus orbes.
Sabe aquela dor de ver uma pessoa...Na realidade a pessoa que você mais ama ir embora e não poder fazer nada? Então eu estava dilacerada, ao vê-lo daquele jeito, com enfermeiros em seu encalço.
O seu olhar de súplica me matava.
– Me façam um grande favor... Salvem a minha vida...Ela esta nas suas mãos doutor. – ele assentiu.
Cumprimentou Renée e Carlisle enquanto Edward era levado para o carro.
Depois que eles partiram meu sogro pediu-me para organizar as coisas do Edward, já que ele pegaria a estrada para ver as instalações da clínica para que não houvesse riscos eminentes.
Carlisle saiu assim que a mala do meu namorado estava pronta, com as roupas foram algumas lágrimas minhas também.
–Você tem certeza que não quer ir comigo para a nossa casa?! Isabella ficar aqui...
–Eu estou bem...Vou ficar bem Renée. Obrigada por tudo!
–Tem certeza Isabella?!
Assenti.
Ela abraçou-me e beijou minha testa. Sorri para ela, mas tenho certeza que saiu mais como uma careta.
Quando Renée passou pela porta, ainda fiquei observando-a, o motorista dando passagem para que ela entrasse no carro, e afastar-se.
Respirei fundo antes de entrar e fechar a porta, estava decidida a arrumar aquela bagunça, comer algo e deitar. Pelo meu bebê.
Mas, no entanto chorei sentada no chão encostada a porta, por tudo. Cansaço físico, mental, mas, entretanto na alma, a minha metade não estava ao meu lado.
Pov. Edward.
Nada em minha vida foi fácil, absolutamente nada.
Fui entregue ao orfanato quando tinha dois meses de idade, meus pais biológicos nunca quiseram saber de mim, e eu bem... A mesma coisa.
Eles não me amaram por que desde a concepção eles, deveriam me proteger e não fora isso que eles fizeram, por um motivo, esse qual realmente não me interessa fui abandonado. Se eles não me quiseram eu também não os queria.
Quando ainda era criança, não me lembro de certo qual a idade fui adotado por um casal que já tinham uma filha, mas não me trataram diferente, muito pelo contrario até porque nunca fora necessário. Esme e Carlisle me tratavam com o mesmo carinho e dedicação que tratara Rose, também não era imperativa, pois minha irmã era a melhor do mundo.
Quando tinha quatorze anos, meus pais contaram-me que eu não era seu filho de sangue, mas eu era mais importante do que isso, pois eu era filho do coração.
Eu via o medo da rejeição nos olhos dos meus pais, mas ao invés de gritar, amaldiçoar e chorar eu os abracei e agradeci por tudo que estavam fazendo por mim. Se não fosse por eles eu não sabia o que seria de mim.
Num dia comum, encontrei o meu anjo na clínica que mamãe atendia, Bella...Deus, ela era a menina mais linda, logo eu sabia que meu coração era dela, começamos a estudar na mesma escola, anos depois na mesma faculdade, onde eu assumir meu amor por ela, e a minha menina confessou –me o mesmo sentimento.
A minha felicidade não poderia ser maior. Eu tinha os melhores pais, a melhor namorada do mundo e a qual eu amava, um curso que eu adorava, amigos valiosos, irmã e sobrinha apaixonantes. Mas felicidade não dura muito.
Num acidente onde eu que estava na direção três mulheres da minha vida partiram. Como refúgio da dor e da rejeição encontrei nas drogas um jeito para me refugiar da dor, mas depois que usava me sentia um verdadeiro lixo, sempre acabava fazendo merda e machucando a pessoa que sempre esteve ao meu lado em todos os momentos. Bella.
Se não fosse por aquela garota, há essa hora eu teria tido uma overdose, ou feito algo pior.
No começo praguejei alto, amaldiçoei a terra e os céus por estar sendo internado, eu achava que poderia parar sozinho, que não havia necessidade para que eu estivesse ali, mas todas as vezes que eu pensava no meu filho, as coisas tornavam-se mais fáceis, por que agora eu não teria apenas mais um motivo para lutar e sim dois.
Um filho meu e da Bella...Uma criança de cabelos castanho, olhos cor de chocolate, boca em formato de coração...Idêntica a mãe. Linda e perfeita como ela.
No mesmo dia da minha internação Carlisle conversou comigo na clínica, disse sobre tudo o que estava sentindo, chorou, me pediu perdão por não estar ao meu lado no momento que mais precisei. Pensei na hora em expulsá-lo dali, mas se eu mesmo me odiava por isso, como mandá-lo sumir, e como não desculpá-lo?!
Esse foi o mais torturante de todos os meus anos de vida, ficar longe de Bella era um inferno, não sentir o seu cheiro, sentir seu sabor, a sua presença, deixava-me a ponto da loucura. Mas era apenas ler o que era falara nas cartas que meu coração se aquiescia. O regime da clínica era esse, nada de parentes visitando, tínhamos direito a cartas nos finais de semana, se nos comprometêssemos em não nos opormos em nada.
No começo com a falta da droga no meu organismo, eu ficava inquieto, ansioso, irritado, muitas vezes até violento querendo quebrar tudo o que via pela frente ,queria que todos os médicos, psicólogos e enfermeiros da clínica morressem. Porém esse não era o caminho, meus psicólogos conversam comigo e me faziam entender que não havia um meio termo nesse caminho, ou eu aceitava que era um viciado em drogas e queria me curar, ou eu jogava tudo para o alto, inclusive minha família — pequena e nova família.
Infelizmente não havia uma pílula mágica para nós usuários das malditas drogas, por isso que o nosso tratamento era neurológico e psicológico.
Para mantermos a mente ocupada plantávamos, limpávamos e preparávamos a terra para mais plantio, algo que rapidamente fui aprendendo e gostando de fazer, ocupava a lacuna que havia em minha vida, pelo anoitecer os livros preenchiam minha noite e as madrugadas insones as cartas cheirosas e sempre tão carinhosas da minha mulher que falavam sobre as novidades do seu dia a dia, da mudança para o meu antigo apartamento e sobre o desenvolvimento satisfatório do meu bebê. Acabava adormecendo sorrindo, sempre depois de ler o que ela dizia.
Depois de um dia extenuante na horta, onde colhemos variadas hortaliças e legumes que tanto servia para a nossa alimentação, como também para o hospital local ao qual o centro de reabilitação contribuía para a instituição.
Tomei um banho frio para distensionar meus músculos e refrescar, pois o calor estava elevado por esses dias.
Sentei numa das poltronas da biblioteca e me pus a ler uma ficção da literatura britânica que nunca havia lido antes Sherlock Holmes a leitura era simplesmente instigante, emblemática e me permitia viajar, e tentar resolver os enigmas. Minha mente era permitida a voar alto sem as substâncias ilícitas correndo por minhas veias e poros.
As drogas eram substituídas por força de vontade, garra e paixão, eu queria voltar a viver. A vida é preciosa demais para acabarmos com ela de um jeito tão estúpido. Agora eu seria pai. Apenas aquele pensamento fazia-me enxergar a luz.
–Edward?! – chamou-me Roy tirando-me dos meus devaneios.
Roy era o coordenador das reuniões, onde falávamos as nossas experiências e o que mais quiséssemos sobre esse mundo sombrio no qual vivemos por um tempo.
–Vamos lá?! – falou batendo em meu ombro.
No começo, na minha concepção, era apenas uma reunião chata onde um monte de ex-drogados falavam de suas medíocres histórias. Hoje enxergo as coisas como ela realmente é: trocas mútuas de experiências mal sucedidas e as perdas ofertadas por esse caminho... Muitas vezes sem volta.
Segui para a ampla e confortável sala da clínica, e sentei-me em uma das poucas cadeiras desocupadas.
Ali havia homens, mulheres, adolescentes que foram apresentados para as drogas como uma corda de salvação assim como eu, e só se deram conta da merda que cometiam quando machucavam a quem amavam, exatamente como eu fiz.
Depois de ouvir bastante consternado o depoimento de três dos meus vinte ‘companheiros’ de luta que estavam ali, em mais de quarenta dias.
Roy sorriu e apresentou-me assim como ele fazia com todos.
–Esse é o nosso companheiro Edward... Ele falará sobre sua experiência de vida. – ele olhava cada rosto milimetricamente, parecia que podia ler almas. Talvez fosse por isso que eu confiava tanto nele. –Então deem as boas vindas ao Edward.
–Seja bem vindo Edward. – falaram em uníssonos.
Por um momento pensei em recuar, era como se os holofotes estivessem bem na minha cara apontando para a sociedade todos os meus erros e imperfeições.
Puxei o ar pela boca inflando os meus pulmões, para acalmar a adrenalina que percorria as minhas veias.
–Bom...Boa noite. – falei apreensivo.
Um uníssono ‘boa noite’ de retribuição foi ouvido.
–Todos aqui passaram pela mesma situação que eu...Viam nas drogas uma maneira fugaz para espantar os próprios fantasmas....- torci as mãos, em sinal de nervosismo. Roy deu um tapinha em meu ombro como encorajamento.
–Tudo começou quando sofri um acidente de carro fatal o qual vitimou minha mãe, irmã e sobrinha... Meu pai achou que eu fui o culpado. Bom... Aquilo foi pior do que um soco no estômago, por que eu estava sofrendo... A morte das pessoas que eu mais amava... era como se uma parte de mim houvesse morrido , mas ao me dar conta de que eu não havia morrido mesmo e que o meu pai acusava-me de assassino, eu queria que a morte fosse uma coisa que me arrebatasse rapidamente...Tentei tirar minha vida por minhas próprias mãos inúmeras vezes, mas um anjo, que por obra divina é minha mulher, me salvou....Pouco tempo depois sai de casa e ela com medo de que eu cometesse uma loucura embarcou comigo para uma vidinha medíocre em uma casa miserável. – tomei fôlego, pigarreei engolindo o nó em minha garganta. – enfim... Fui apresentando ao maravilhoso -abri aspas no ar.- mundo das drogas... Comecei a puxar um cigarrinho de maconha o que me deixava bem, e me causava uma leve sensação de bem estar...Pouco tempo depois esse meu amigo Jacob apresentou-me algo mais forte a cocaína....
A maconha vai te viciando aos poucos, mas a cocaína te domina completamente na primeira ‘cheirada’ é como se sua mente flutuasse, a sensação no começo é maravilhosa. Tudo ilusão do seu sistema encefálico.
–Ela me permitia viajar e esquecer os meus problemas. –continuei. – Só depois dessa ‘maravilhosa’ sensação vinha o medo, a tristeza, o desejo suicida e por fim a vontade de usar aquilo novamente para esquecer... Na maioria das vezes chegava em casa transtornado, apenas porque minha mulher ia atrás de mim na rua e acabava sobrando para ela... Cheguei ao extremo de roubava dinheiro em sua bolsa, vendia minhas roupas e sapatos e as dela também, tudo para alimentar o maldito vício. Quando não o tinha acabava descarregando toda a minha raiva no meu anjo... – comentei as atrocidades que fazia. Discorri mais sobre o assunto e me senti a vontade no meio daqueles que passaram pela mesma situação. Quando me dei conta havia contado toda a minha vida, inclusive na vez que usei o crack passei mal e minha Bella que no meio do seu desespero cuidara de mim.
–Tudo isso foi muito duro e, hoje, vejo com tristeza que perdi parte de minha vida nisso...
"Às vezes, você tem que chegar ao fundo do poço para perceber o que você tinha."
– Quer dizer... Hoje eu vejo quanta coisa estou perdendo...A minha mulher está grávida do nosso primeiro filho...E bem...Eu não estou lá na sala de exames para apoiá-la, ou simplesmente satisfazer um desejo seu na madrugada, pequenos detalhes que fazem da nossa vida uma pequena dádiva...Eu estou lutando por isso...
Olhei cada rosto ali presente me observando, homens e mulheres tanto quanto eu, tentando sair desse caminho que muitas vezes não tem volta.
–E sairei desse fundo do poço com garra e determinação... Não vejo a hora de sair das trevas e ver o sol. – falei no sentindo figurado. – Meu nome é Edward Cullen, tenho vinte e cinco anos e estou limpo a quarenta e quatro dias e seis horas e isso para mim é um grande avanço.
Sorri ao sentir-me aliviado, como se eu tivesse tirando um fardo dos meus ombros ao compartilhar algo tão íntimo e doloroso a pessoas que passaram pela mesma condição que eu, e não iriam me julgar. Isso me faz querer atuar de forma intensa para que outras pessoas não passem pelo mesmo sofrimento que tive.
A cada minuto eu luto para sair do fundo do poço e encontrar novamente a luz nos braços da pessoa que mais amo no mundo.
Ela é o meu mundo. Bella.
Notas finais
E ai?! Mereço reviews?! Recomendações?! espero que sim, amei escrever OFL, e espero que vocês curtam os próximos capítulos.
Qualquer coisa no meu perfil tem os meios de se comunicarem comigo.
Beijos!!!
@PriihCullen
Priscila =}
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