Notas iniciais
Scorpius não aceita mais esconder seu romance com Rose, levando a ruivinha a atitudes desesperadas.

– Não acredito! — a voz de Scorpius saiu alta, clara e irritada — Realmente não acredito!

Rose olhou para a porta com medo de que alguém ouvisse o que ele dizia e viesse ver o que estava acontecendo. Só quando, depois de alguns segundos, ninguém apareceu, ela se virou para o loiro, o que a fez levantar o rosto.

Scorpius era, pelo menos, dez centímetros mais alto que ela, com seu corpo esguio e cabelos na altura dos olhos, muito desgrenhados, que lhe davam um ar sexy, mas seu olhar azul acinzentado lhe fitava de forma dura, a intensidade do cinza destacando sua irritação.

– Sinto muito — disse ela enquanto se aproximava — Eu não podia simplesmente jogar tudo em cima deles.

Os olhos dele ficaram mais cinza e quando ela ficou na sua frente ele deu um passo para trás. Seus lábios se alongaram em um riso sem graça que Rose odiava.

– Ah sim. É claro. A pequena Weasley não pode contar ao papai que passa suas noites com um Malfoy, não é?

Rose sentiu seu corpo se contrair ao ouvir aquilo. Suas faces ruborizaram e ela não soube o que dizer. Scorpius não conseguia mais viver daquela maneira. Encontros às escondidas. Beijos roubados. Noites roubadas.

Toda vez que fitava Rose sua vontade era de tocá-la, sentir sua pele sem se importar se havia alguém por perto, o que iam pensar ou dizer. Mais que isso, ele queria que todos soubessem que ela era dele, que ela lhe pertencia.

– Você sabe que não é simples assim — ela falou baixo e com um toque de culpa na voz.

– Eu sei que não é! — sua voz ainda estava mais alta do que o normal, o que sobressaltou Rose.

Ele a fitou ainda mais intensamente, mas agora, além da irritação ele deixou que ela percebesse os outros sentimentos que existiam ali. Ela era tão pequena, parecia delicada e frágil, seus traços arredondados e suaves haviam despertado nele sentimentos de protecionismo que ele desconhecia, assim como as curvas de seu corpo haviam lhe incitado desejos inapropriados a quem eram. Ele sabia o quanto tudo soava antiquado e surreal, e que era exatamente a verdade.

Mas estava cansado. Cansado dos esquemas que precisavam montar para se ver. De fingir que eram apenas conhecidos quando em meio a outras pessoas e de não poder afastar os olhos cobiçosos que os homens lançavam a ela supondo não haver ninguém. Porque ele estava ali. Bem ali.

– Não somos mais crianças Rose — ele disse, finalmente em seu tom de voz comum — Você precisa enfrentar isso.

Rose mordeu o lábio inferior numa tentativa vã de manter o controle. Chegara a hora que ela temia. A hora em que o que havia entre eles exigiria uma decisão. Afinal aquilo não era ‘paixonete’ tola de adolescentes, não mais. Mas ela teria coragem?

– Você sabe que... — ela tentou — eu... meu pai...

Ela deixou a frase no ar. Ambos sabiam o que ela ia dizer. Quantas vezes ela já não dissera aquilo?

Ele estar na sua casa, na sua festa de aniversário, como amigo de seu primo, já parecia o ápice da boa vontade de seu pai. O que ele diria se soubesse que o loiro era o único capaz de fazê-la perder a compostura.

– Você não consegue — disse ele como se uma verdade obvia enfim lhe ocorresse, sua voz sumindo e os olhos ficando opacos — Você nunca vai dizer.

Ela ficou estupefata. Será que ele estaria certo? Ela nunca conseguiria?

– Eu não devia estar aqui — disse ele tentando manter a voz firme — Eu não devia...

Quando Rose deu por si ele já se afastava rápido e, antes que pudesse fazer algo, ele saía do cômodo. E muito provavelmente de sua vida.

A percepção de que ele se fora veio como uma corrente de gelo se espalhando pelo seu corpo, mas ela demorou apenas um segundo para sair do seu estado de torpor.

Ela não ia permitir. Scorpius Malfoy não podia abandoná-la. Ela praticamente correu atrá do loiro, chamando a atenção das pessoas ao passar pela sala cheia. Seu bolo ainda estava sobre a mesa, mas ela nem se dignou a olhar para as faces que a fitavam estupefatas ao vê-la agarrando o loiro pelo colarinho antes que ele pudesse passar pela porta que levava a rua.

– O... Oquê? – perguntou Scorpius surpreso ao se virar.

– Você tinha que me forçar a fazer as coisas da pior maneira possível! — Rose falou de modo repreensivo antes de beijá-lo.