Shlimazl

2 justaposição


Notas iniciais
Sou Amianto e é muito legal conhecer você. Espero realmente que você goste do que irá ler logo abaixo. Os nomes dos capítulos não tem relação com o conteúdo.

— Sua irmã já morou aqui. — Charles falou num tom morno, que sinto que é seu tom normal, antes de abrir a porta da minha nova e branca casa. — Sua mãe falou dela?

Claro que a Mary falou da sua verdadeira família, papai.

— Isabela é o nome dela, certo? — Digo num tom neutro enquanto aperto uma mão na outra e procuro controlar meu olhar curioso em relação a casa que dura mais do que deveria porque o homem me encara como se esperasse ansioso por minha atenção para falar algo.

O lugar era aconchegante com suas paredes verdes, móveis comuns com retratos espalhados sobre, retratos onde nenhuma foto minha ou da minha mãe estaria, e quadros avulsos e desbotados nas paredes.

E então eu me apaixonei pela casa.

Quando eu era menor, achei que era desbotada igual minha mãe e minha boneca preferida: nós três tínhamos cabelos loiros pálidos, olheiras e peles translúcidas e então a boneca se foi, minha mãe pintou uma cor nova a cada namorado novo que punha em nossa casa e eu permaneci.

Desbotada e avulsa.

Ao acordar das minhas ideias sobre bonecas e tinturas de cabelo, me percebi já sentada sobre minha nova cama roxa com Charles me encarando com um olhar apreensivo.

Droga! Eu tinha andado no meu modo automático na frente do meu pai e, que maravilha, ele deve me achar uma louca.

Falo algo sobre com era bonito o meu quarto e como ele descobriu que roxo era minha cor predileta. Minha primeira mentira para ele se sentir bem, havia até demorado pra eu começar.

''Teresa, não se esqueça que agora roxo é sua cor preferida.'', me adverti enquanto ele me deixava sozinha no quarto para descansar.

E adormeço.

Estou no meu antigo quarto mas minha mala está posta na cama como se eu estivesse voltando pra minha mãe. A voz dela me chama e eu logo penso em tirar as roupas da mala e coloca-las no guarda roupa antes de ir ao seu encontro.

A mala aberta havia sangue, sangue emplastrado, sangue escuro que borbulhava, sopa de sangue pegajoso que transbordava pela mala e escorria pela roupa de cama.

No meu braço há um aparelho sugando meu sangue e o convertendo em água que se derramava pelo chão, enchendo meu quarto de água e sangue.

Água e sangue.

Olhos que se aproximam.