Shlimazl

7 A n e l o


Notas iniciais
Sou Amianto e é muito legal conhecer você. Espero realmente que você goste do que irá ler logo abaixo. Os nomes dos capítulos não tem relação com o conteúdo.

Naquela manhã o reflexo do espelho foi uma total surpresa pra Teresa: nunca estivera com uma aparência tão corada e reluzente desde a descoberta da derradeira doença, uma parte de seu cérebro, parte tola, dizia que essa mudança era causada por Charlie e a outra parte, real, explicava que tudo isso era resposta dos exercícios físicos e do ar limpo da cidadezinha. Gosto agridoce na língua. Até mesmo os cabelos louros-opaco estavam brilhantes e com um viço novo e a garota pensou o quão sortudo era ter precisado ficar apenas na fase laboratorial e não na quimio.

— Ninguém tem ideia como tratamento é difícil pra autoestima das garotas já que os remédios nos deixam inchadas e algumas que precisam fazer a parte da quimio, acabam perdendo os cílios, cabelos e sobrancelhas, e meu Deus! Agradeço aos céus por não precisa da quimioterapia! — Teresa diz com um tom animado pra ela mesma enquanto penteia os cabelos. Era bom falar só e Charlie já havia ido trabalhar então poderia prosseguir sem medo.

A garota podia lembrar da dor nas costas e no pescoço, como fazer qualquer atividade deixava-a exaurida. Sempre tão cansada. Exames de sangue: Plaquetas baixas. Normal. ''Essa garota sempre foi anêmica.''. E a febre matinal. Plaquetas ainda mais baixas e anemia braba. Exames na médula óssea dolorida.

Ao serem comunicadas, Teresa ficou extremamente blasé enquanto sua vó e mãe se desesperaram. Ela só podia pensar no próprio cabelo. Tão fútil.

No antigo hospital que ia mensalmente se consultar pra fazer novos exames e checar sua situação, conheceu uma ala inteira de garotas carecas e pálidas. Havia brilho nelas, um brilho de sobrevivência, de esperança. Aquilo sempre enchia o coração de Teresa de estranheza. A doença estacionou na parte ambulatorial. Estabilizada. Estabilizada. Aquela palavra amedrontou muita sua família, porém Teresa só podia sentir raiva de si mesma por está longe dos amigos e atrapalhando a vida da vó e da mãe.

Leucemia é uma doença oportunista. O estado emocional é algo tão importante quanto o tratamento. Teresa não foi forte. Ela não teve medo ou alegria. Ela simplesmente não ligava. Como um grande buraco onde não havia perspectiva de nada.

Houve noites em que pediu aos céus e ao inferno pra morrer e deixar sua família sem toda aquela bagunça. Não morria. Era covarde até mesmo pra suicídio. Tão estúpida. Um trambolho vivo. Tão avulsa. Talvez essa fosse a razão de ter ido morar com o suposto pai: livrar a mãe da penúria de conviver com a filha que poderia piorar e morrer em semanas.

Ter esses pensamentos passados acabaram com o dia de Teresa e se não fossem por uma mensagem no celular, a garota ficaria naquela autopiedade até Charlie chegar e a alegrar com sua voz rouca e histórias do trabalho.

''Você já escolheu a roupa pra irmos no cinema amanhã?''

Oh, Nessie...

~~~~

Até a volta de Charlie do trabalho, a garota passou o dia inteiro trocando mensagens com Rennesme. A ruivinha-não-tão-ruiva era uma menina muito engraçada e Teresa podia jurar ouvir a risada em algumas mensagens. Ok, o que sabia do encontro de amanhã? Que o nome do garoto que seria seu par era Embry, amigo do musculoso Jacob. Que deveria ir bonita num tom quente. Que o cinema era ás sete. Que Charlie já sabia e tinha deixado, quer dizer, ele não estava sabendo da informação que haveria garotos. Que o filme era algo meloso.

— Teresa?

— Ah, oi Charlie. — Um abraço rápido e sem maldade que a mesa lhe dava mas o contato dos corpos tinham feito fizeram-nos se encarar logo após, constrangidos. O jantar foi o que ele tinha trago de um restaurante perto do trabalho. Poucas frases enquanto comiam e logo Teresa ia dormir.

~~~~

Eis que acordo com sede na noite estranhamente morna ou era eu que estava morna? A casa estava silenciosa. No caminho até a cozinha eu passava em frente ao quarto de Charlie. Então, que foi que fez meu coração ser tão sonoro? Podia ver uma parte do seu tronco na cama, ele dormia de bruços e não se cobria todo e eu podia ver dali onde estava estacionada que ele tinha pêlos nas costas.

Entrei em seu quarto de maneira muda mas meus olhos gritavam fixos no corpo de Charlie. Ele tinha ombros largos. Graças aos Deuses que ele dormia como uma pedra de bruços e com o rosto virado pra parede e não para mim.

Cada passou dado era um pouco da represa que se quebrava. As vezes o amor não faz sentido e o caminho é difícil. Prossiga agora ou desista da ideia.

Talvez pelo momento ou por um piloto automático, ajoelhei-me a beira da cama e fiquei naquela adoração estupida. Não conseguia suportar aquela dor de vê-lo daquela forma e não poder tocar.

Eu vivi tudo da minha vida, vou morrer em alguns meses. Que o fogo me consuma fibra á fibra porque não vou fugir dessa sensação. Sei que estou ficando louca. Respiração pesada e só mais alguns centímetros pra poder sentir a maciez de seus cabelos cor de mogno...

Charlie vira o corpo em minha direção e percebo que meus joelhos viraram gelatina contra o chão. Ele continua dormindo como um bebê. Rocando de leve. Eu riria se aquela situação permitisse. Um rosto cansado de trabalho.

Preciso tocá-lo se não morrerei. Mãos não me falhem agora. Seu rosto áspero de barba entra em contato com meus dois dedos e nada mais importa. Mãos fortes e joelhos fracos. Juro que os anjos podem ouvir as batidas do meu coração.

Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.