Shiver

1 Uruha POV


Notas iniciais
MEEEEL DEEEELS QUANTO TEMPO. Que saudade de todos esses quadradinhso e lacunas pra responder #LOUCA E ai gente? como estao todos? Faz tempo que eu nao posto nada né? ç-ç Eu ando sem inspiração, sem idéias, colégio ta sugando minha criatividade e-e Esses ultimos 2 dias eu consegui uma chama pequenina de inspiração e fiz essa oneshot, pois eu já tava com esse enredo pensado fazia um tempo xD Quero que tds aqueles q acompanham Cassis e Suddenly me perdoem T__T Estou até envergonhada do jeito horrível que as fics empacaram... bom, espero que gostem, eu achei a historia bem fofinha, apesar de simples =3 Bia, semezão da minha vida, obrigada por betar a fic e me ajudar a escolher a capa k33 Aproveitem~ Beijos~

Já estava há uns bons dez minutos parado ao lado do ônibus onde viajaria. Todos os passageiros já estavam acomodados confortavelmente em seus assentos, claro, exceto moi.

Suspirei pela décima vez, virando meus olhos impacientemente na direção do motorista que discutia com seu superior, com minha identidade em mãos.

O motivo de tudo aquilo era pelo simples fato do motorista achar que não era eu na foto do documento.

Porque, entendam, ninguém mais pode mudar a aparência e não mudar o documento, senão você deixa de ser você mesmo. Nem eu entendi o que disse...mas enfim, deixem isso de lado.

Apoiei no ônibus. Pronto para acender um cigarro, tamanho era o estresse. O motorista olhou em minha direção, apontando o dono da identidade e o outro homem fez uma expressao descrente.

Ri minimamente, murmurando um palavrão. Só podiam estar brincando comigo.

Ouvi alguns passageiros reclamando de dentro do ônibus e pensei comigo mesmo que iria apanhar muito quando embarcasse. Se eu conseguisse fazer isso.

Pus a mão no bolso, pronto para pegar a caixa de cigarros, mas a aproximação dos dois homens me fez desistir.

-Takashima-san? — O senhor que devia ser o supervisor chamou-me. — Por acaso o senhor teria outro documento de identificação mais recente? — Questionou meio arrogantemente.

-Claro. — Balbuciei impaciente, puxando a carteira do bolso de trás do jeans. Tirei a carteira da faculdade, entregando ao homem.

Ambos olharam atentamente, tendo certeza de que esta foto parecia mais com o meu eu atual. Concordaram por fim com a cabeça, pedindo desculpas pelo incomodo, me permitindo embarcar.

Agradeci com o sorriso mais falso que pude e pus-me a subir no onibus. Procurei meu lugar com os olhos, sem querer encarar a todos que me olhavam torto. Logo que achei o assento, sentei-me sem olhar se tinha alguém do meu lado ou não.

Guardei a mochila no bagageiro de qualquer jeito, contanto que ela não caisse. Estava pronto para por meus fones de ouvido e esquecer de tudo ao redor durante as quatro horas de viagem. Mas me deparei com dois olhos muito escuros me encarando insistentemente e um meio sorriso.

Por um minuto esqueci minha vergonha e passei a observar melhor meu vizinho de assento. Moreno, lábios bonitos, um charme que era quase palpável. Então a vergonha voltou e eu desfiz o contato visual, sentando-me decentemente, passando a mão em meus cabelos em sinal de nervosismo.

-Te prenderam lá embaixo, foi? — Ouvi a voz levemente rouca puxar conversa.

-Desconfiaram da minha documentação. — Suspirei, apoiando a cabeça no encosto do assento.

-Talvez o motorista quisesse sua companhia lá na frente. — Brincou, um sorriso bonito desenhado nos lábios. — Shiroyama Yuu. — Apresentou-se, estendendo a mão.

-Takashima Kouyou. — Apertei sua mão de leve, sentindo seus dedos apertarem minha mão firmemente. Sei que é patético, mas senti arrepios com a mão quente que ele tinha.

Baka Takashima.

Sei que é meio arriscado sair dando atenção pra todo estranho que queira puxar assunto, ainda mais eu que sou super desconfiado. Mas Yuu — como ele pedira para ser chamado – me passava uma confiança difícil de explicar.

Era incrível como, com alguns minutos de conversa, ele tenha me deixado tão a vontade para contar coisas aleatórias sobre mim. Ou ele era muito bom de lábia, ou devia ser um serial killer.

Talvez os dois.

O fato era que Yuu tinha um carisma encantador. Engraçado, tinha um sarcasmo cômico com o qual me identifiquei na hora.

-O hotel que fiquei era encantador, se não fosse a água do chuveiro que caía em forma de flocos de neve e o colchão que conversara comigo a noite toda, eu passaria semanas lá. — Tive de rir da ironia que escorria de seus lábios.

-Yuu, você é uma figura! — Comentei entre risos, vendo-o sorrir.

-Ora vamos, você não teve nenhuma situação assim alguma vez? — Quis saber, virando seu corpo para ficar de frente pra mim.

-Diversas. — Assenti, tentando puxar alguma na memória. — Quando cheguei na recepção do hotel nesta viagem, eu cheguei no meio de uma discussão acalorada sobre remédio para impotência sexual. — Yuu arregalou os olhos, exclamando um: “Mentira!” — Juro! Um dos caras ainda virou pra mim e quis saber minha opinião, quase cavei um buraco ali mesmo.

Ele explodiu em risos, passando a mão pelos cabelos negros. Claro que não deixei aquele gesto passar despercebido. Yuu ficava ainda mais bonito sorrindo tão espontaneamente.

-Nee, acho melhor me controlar, parece que todos dormiram. — Olhei no corredor e as poucas pessoas que pude ver estavam adormecidas.

-Nem percebi o tempo passar. — Já estava muito escuro lá fora, deviam ser umas onze da noite. — Você está me entretendo melhor que meu ipod! — Comentei sorrindo, dando tapinhas em seu ombro.

-Fico muito feliz em saber disso, Kouyou. — Corei com o jeito que meu nome era dito por ele. Soava tão bem aos ouvidos.

-N-não temos uma parada para esticar as pernas? — Indaguei aleatoriamente, quebrando o contato visual. Meu rosto estava pegando fogo.

Magicamente, o ônibus foi estacionando numa parada com diversas lanchonetes e um restaurante. Logo o motorista anunciou que pararíamos por trinta minutos ali.

-Melhor que nada. — Falei, pegando minha mochila no bagageiro.

-Acho que consigo engolir um sanduíche em trinta minutos. — Ri do comentário seguindo para a saída do ônibus.

Não saíram muitas pessoas do ônibus, a maioria já estava no décimo quinto sono. Segui Yuu até uma cafeteria bem aconchegante para uma parada de ônibus.

O ambiente era levemente aquecido, pois fazia 10º lá fora. Haviam muitas mesas vagas e algumas pessoas no balcão se aquecendo com xícaras fulmegantes de café. Sentamos numa mesinha de dois lugares e logo um jovem garçom veio nos atender.

-Waffles com mel e uma xícara de chocolate quente, por favor. — O garçom anotou o pedido e logo se virou para mim com um sorriso...aberto demais ao meu ver.

-E o você, o que deseja? — Perguntou educado, me lançando um longo olhar.

-Er...uma caneca grande de café com creme, por favor. — Falei sem graça, vendo-o anotar rapidamente o pedido e pedir licença, se retirando.

Virei-me para o moreno, que me encarava com o queixo apoiado na mão e um sorriso malicioso nos lábios. Fiquei todo arrepiado, mas logo passou.

-O que foi...? — Indaguei, olhando-o desconfiado.

Curvou-se na minha direção, a boca quase colada à minha orelha.

-Arrasando corações, Kou-chan. — Engoli em seco, vendo-o sentar-se direito novamente e rir da minha cara de susto.

-Baka, do que está falando? — Desviei os olhos para outro canto qualquer, passando a mão por meus cabelos nervosamente. É um tique nervoso idiota, eu sei.

-O garçom lhe devorou com os olhos. — Falou simplesmente, cruzando as mãos sobre a mesa. Mas eu podia jurar que seu tom de voz havia mudado...

Estava pronto pra retrucar, quando nossos pedidos chegaram. Minha caneca parecia uma obra-prima e ainda ganhei alguns biscoitos de cortesia, junto com uma piscada de olho muito indiscreta.

Corei, escondendo a meu rosto com as mãos, ouvindo apenas a risada de Yuu.

-Ok ok, não tem graça. — Murmurei entre dentes, pegando uma colherada do creme da caneca, levando-o à boca.

Ele parara de rir, mas o sorriso continuava em seu rosto. Sua atenção voltada para o waffle e a xícara de chocolate quente. Peguei mais uma colher de creme e ofereci educamente. Sorrindo, levou sua boca até a colher, pegando o creme.

Não era bem assim que ele devia ter pego, mas ok...Voltei a atenção ao creme do café. Dei a primeira golada, dando-me por satisfeito de estar quentinho e docinho na medida.

Foi então que notei um garfo flutuando em frente ao meu rosto, com um pedaço de waffle.

-Não, Yuu, obrigado. — Recusei cordialmente, sem graça.

-Coma, Kouyou, você não pediu nada para comer. — Insistiu, um tom preocupado na voz.

-Não, obrigado Yuu, estou fazendo dieta e... — Ele não moveu a mão, pelo contrário, aproximou o garfo mais ainda de meus lábios.

Suspirando derrotado, aceitei o pedaço de waffle, para deixá-lo feliz. Sorriu satisfeito, afagando o topo de minha cabeça, como se eu fosse um cachorrinho.

-Muito bem, Kou-chan. — Falou divertido, tomando mais um gole do chocolate. — Acho besteira você fazer dieta, está perfeito do jeito que está. — Informou, piscando pra mim.

Quase engasguei com meu café. Corei até o último fio loiro de cabelo e fiquei a encarar meu café o tempo todo até terminarmos o lanche.

Pagamos a conta depois de muito discutir, pois Yuu queria pagar a conta sozinho. Como se eu fosse uma garota num encontro, né?

Fui o primeiro a sair do café, pois o olhar insistente do garçom estava começando a me incomodar. Vi o moreno sair, com as mãos escondidas no bolso da jaqueta, protegendo-as do frio.

Não sei quanto tempo perdi olhando para o moreno, mas não percebi ele que estava tão próximo a mim, um sorriso sóbrio para mim. Sua mão se aproximou do meu rosto e apertou de leve minha bochecha, me tirando do transe.

-Vamos voltar, Kou-chan? — Falou gentilmente, e apenas assenti.

Estava frio, mesmo com o aquecimento do ônibus ligado. Já devia ter passado da meia-noite e a temperatura caíra drasticamente. Estava abraçado ao meu próprio corpo, o casaco parecia ser feito de papel, pois eu estava morrendo de frio.

Tentava dormir de todo o jeito, mas era em vão. Bufei, me encolhendo o máximo que pude no assento para me manter aquecido. Acho que minha inquietação acaba por acordar o moreno sentado ao meu lado.

-Kouyou? Tudo bem? — Indagou preocupado, ainda meio zonzo de sono.

-Hai...gomen ne, te acordei. — Falei com os lábios tremendo de frio.

-Não tem problemas, Kou. — Respondeu sentando-se reto no assento. Uma das mãos pousou em minha testa, e suspirei com o contado da mão quentinha. — Você está gelado!

Abri a boca para dizer que não era nada, mas Yuu foi mais rápido. Abraçou-me pelos ombros, trazendo-me para junto de seu corpo. Minha mente gritava “Alarme Vermelho!”, mas o corpo do moreno era tão quentinho e aconchegante que eu não queria sair dali.

Também reparei que seu perfume era gostoso...amadeirado, creio. Tão suave e inebriante ao mesmo tempo.

A mão livre alcançou minhas mãos, cobrindo-as para aquecê-las. Ficamos um bom tempo naquela posição, com Yuu emprestando um pouco do seu calor ao meu corpo frio. Depois de um tempo, sua cabeça recostou-se na minha, a mão que estava em meu ombro, agora fagava meus cabelos com carinho.

Sentia-me tão acolhido, protegido e até amado. Toda aquela atenção talvez estivesse plantando ideias romanticas e melosas em minha mente.

Baka Takashima...

Yuu era apenas atencioso e gentil. Não tinha o menor direito de confundir gentileza com outro sentimento qualquer...Né? Ergui a cabeça minimamente, pousando meus olhos em seu rosto bonito. Estava acordado, olhando para a janela do ônibus. Movi minhas mãos que estavam sob a sua, segurando-a entre elas. O gesto fez o moreno virar a atenção para mim, percebendo que eu não dormia.

-Está melhor, Kou? — Perguntou sussurrante, visivelmente preocupado.

Assenti, a cabeça ainda deitada em seu ombro. Fitei nossas mãos juntas e sorri, com o pensamento de que pareciam “mãos de namorados” invandindo minha mente.

-Nee Yuu...-Chamei mansamente, vendo sua atenção voltada para mim. — Arigatou, você é muito gentil. — Murmurei envergonhado, fazendo um carinho de leve em sua mão.

A mão que afagava meus cabelos, acariciou meu rosto de leve, me fazendo fechar os olhos por um momento. Ergui meu rosto, vendo sua boca tão próxima da minha, o sorriso cálido decorando os lábios...Não pensei em mais nada.

Cortando a distância quase inexistente entre nossas bocas, beijei-o. Esqueci minha vergonha, esqueci que há algumas horas ele era um estranho. Só pensei em sua boca, aceitando meu beijo de bom grado, meus lábios se entreabrindo para sua língua aprofundar o toque.

Minhas mãos vagaram por sua blusa, até envolver seu pescoço, adaptando-me a uma posição melhor para aproveitar o beijo. A mão de Yuu bagunçava meu cabelo e a outra abraçava minha cintura com certa possessividade.

Com movimentos quase sincronizados, seu beijo com certeza era o melhor que eu já recebera. Apartamos o beijo, em busca de ar. Minhas bochechas queimavam de vergonha, meus lábios inchados com a intensidade do beijo, mas eu não tinha coragem de desviar o olhar do dele.

Tão penetrante, como se lesse minha alma.

Sorrindo, distribuiu beijos por minhas bochechas, aplicando selinhos carinhosos em meus lábios, me fazendo rir baxinho. A boca seguiu até minha orelha, mordendo-a de leve. Beijos leves trilharam a pele de meu pescoço, me fazendo gemer seu nome baixinho, para que só ele ouvisse.

-Vai parecer clichê eu falar que amo você? — Arregalei os olhos de leve, não esperando aquela declaração. Ouvi sua risada rouca diante da minha expressão e suas mãos seguraram meu rosto e beijou minha boca mais uma vez.

De uma forma mais apaixonada.

-Você não quer ficar comigo...? — Questionou com um biquinho muito fofo.

Sorri, abraçando-o com força, depositando um beijo cálido em seu pescoço.

-Quero, quero muito. — Confessei, escondendo minha vergonha em seu ombro.

-Talvez a gente possa parar em algum hotel que tenha um colchão que goste de conversar e... — Interrompi sua frase com minha risada, estapendo seu ombro de leve, vendo-o sorrir.

Yuu conseguia evaporar minha vergonha num piscar de olhos. Numa frase engraçada, num abraço, num carinho...Num beijo.

Notas finais
Eu mereço humildes análises sobre o texto? SUAHUIASGI
Você chegou ao fim do livro. Parabéns!