Shitashii Sensei
11 Capítulo 11
Reita\'s P.O.V.
Num primeiro momento, fiquei perdido ao ver Arashi ali, parada ao lado da porta da minha casa. Ela não havia mudado praticamente nada, e isso sem querer me fez lembrar de tempos antigos. Mas eu ar de arrogância ao entrar na minha casa me fez cair em mim, me tirando daqueles segundos de nostalgia. Indiquei o sofá, ainda sem dizer uma palavra. Alguns segundos de silêncio se seguiram antes que eu pudesse dizer alguma coisa.- Já faz algum tempo, não é... Arashi?Ela colocou os óculos sobre a cabeça, me olhando com certo desdém que me fez querer espancá-la.- Sim, Akira. E muitas coisas mudaram. Ou não.- Por que veio na minha casa, Arashi? Apenas pra ficar olhando e se sentindo superior?Fingiu não ser atingida pelas minhas palavras, mas eu a conhecia o suficiente pra saber que ela estava irritada.-Eu preciso da sua assinatura nos papéis do divórcio.Um silêncio incômodo caiu na sala.- Por que foi embora?Arashi encarou o chão por alguns segundos, mordendo o lábio. Parecia relutante em me dar a resposta que eu sempre quis ter. Estava me segurando pra não começar a sacudi-la até que ela falasse.- Eu estava grávida.- O quê?!- De um Han.Pisquei, tentando entender os fatos que me chegavam aos ouvidos.- Você... estava me traindo com um chefe de máfia? E o que é pior, ficou grávida?- Eu sei. – ela disse rapidamente – Mas aconteceu. Eu... fiquei sem saber o que fazer e com... receio da sua reação.- Bom, não é como se eu fosse puxar briga com um chefe de máfia, gosto da minha viva. Mas acredite, estou me segurando muito pra não arrebentar a sua cara.Ela fazia de tudo pra não me encara, enquanto eu considerava as conseqüências de atear fogo na mulher à minha frente.- Sabe que eu sempre quis mais do que você podia me dar, Akira. Amor não paga contas e não gera dinheiro.- Está falando com o uma prostituta.- Akira, está me ofendendo!- Mas oi o que você fez, Arashi. Se vendeu. E não estou falando do seu corpo, mas de lealdade e fidelidade. Foi isso que você prostituiu.Arashi caiu em silêncio, o som da chuva desabando lá fora parecendo ainda mais alto. Sentia tanta raiva daquela mulher mais do que me lembrava ter sentido por algum ser humano. A dor da traição me martelava, enquanto eu me perguntava como pude fazer votos de casamento com aquela prostituta à minha frente.- E a criança? – perguntei, me lembrando dessa parte.Ela me olhou com os olhos cheio de água, parecendo à beira de uma crise de choro. - Eu... perdi a criança. Já fazem duas semanas.- Sinto muito.Arashi apenas acenou com a cabeça, voltando a encarar o chão e tentando se controlar. Por mais que eu quisesse quebrar o pescoço dela com as minhas próprias mãos, tinha consciência de que a criança não tinha culpa. Não escolhemos a mãe que temos. Depois de alguns segundos, ela voltou a me olhar.- Akira... acha que um dia vai me perdoar?Ergui uma sobrancelha, não acreditando no que estava ouvindo.- Não, Arashi. Na acho que vá te perdoar tão cedo. Você me traiu. Pra ser bem sincero, estou com nojo de você nesse momento. Mas não se preocupe, eu provavelmente vou te perdoar daqui a algum tempo. Definitivamente, não quero levar nada de você no que resta da minha vida, nem mesmo mágoa.Acenou afirmativamente com a cabeça. - Eu... gostava de você. De verdade.Sorri, completamente sarcástico.- Nossa, que consolo, Arashi. Saber disso mudou a minha vida.- Akira...- Eu te amei, Arashi. Te amei. E olha só o que você me deu em troca.- Não queria que as coisas tivessem terminado assim. Realmente não queria, mas... foi o rumo que tomou.- Não queria, mas também não fez nada pra impedir, não é mesmo?Ela suspirou, olhando para o chão. Sabia muito bem que ela não responderia, até porque ela sabia que era verdade. E isso só aumentava o meu desprezo.- Vou... pedir para o meu advogado passar aqui com os papéis.Acenei com a cabeça, vendo-a se levantar. Imitei-a, indo pegar um guarda-chuva. Ela ficou me olhando sem entender.- Não é porque eu quero te estrangular que não posso ser gentil. Além do mais, tenho que ir a um lugar.Arashi apenas sorriu, de forma nostálgica. Conduzi-a até o carro, nenhuma outra palavra sendo trocada. Fiquei ali parado no meio da rua e debaixo de chuva, olhando enquanto ela ia embora. Se fosse antes, eu provavelmente estaria pensando em suicídio. Mas agora, principalmente depois do Taka, era até um alívio vê-la partir definitivamente da minha vida. Me sentia como se estivesse me livrando de um encosto.Virei-me na direção da casa de Taka, mas franzi o cenho ao ver o vulto do menor na chuva, correndo rua abaixo. Suspirei, largando o guarda-chuva no meio da rua e começando a correr atrás do menor. Tentava com todas as forças ignorar o quão idiota eu estaria parecendo, agradecendo que minhas pernas fossem maiores que as de Taka, compensando a velocidade do menor. Abracei-o, obrigando-o a parar e sentindo-o relutar, talvez por não saber quem era.
- Você... corre demais... e eu... já estou velho demais... pra fazer isso...Ele parou de se debater e eu o virei pra mim. Não eu não podia deixá-lo sair da minha vida.- Aki, estamos no meio da rua!- Acha mesmo que alguém vai ver alguma coisa nesse temporal?Taka me abriu um sorriso lindo, e eu tive que beijá-lo. Definitivamente, não podia deixá-lo sair da minha vida.Continua...
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